Terça-feira, 19 de Maio de 2020
Wilhelm Reich: a mística é o desejo inconsciente do orgasmo

 

A contemplação de Jesus crucificado que, para os cristãos, é uma fonte de energia espiritual que os sustenta em épocas difíceis é para o psicanalista Wilhelm Reich (24 de Março de 1897, Galícia, Austria-Hungria- 3 de Novembro de 1957, penitenciária de Ludwigburg, EUA)  um desvio da energia sexual para uma atitude de homossexualidade passiva. Reich escreveu: 

 

«Apela-se para o culto mariano para promover a castidade e, reconheça-se, com muito êxito. Temos de interrogar-nos de novo quanto ao mecanismo psicológico que assegura o êxito de tais objectivos. É uma vez mais um problema que afecta as massas de jovens sujeitas a essas influências traduzindo-se, fundamentalmente, na repressão dos instintos genitais. Se o culto de Jesus mobiliza as forças homossexuais passivas contra a sexualidade genital, o culto mariano mobiliza também forças sexuais, mas na esfera heterossexual. "Não faças mal a nenhuma rapariga; lembra-te que também a tua mãe foi rapariga". Deste modo, a mãe de Deus vai ocupar na vida do jovem cristão o lugar da sua própria mãe, e ele consagra-lhe todo o amor que anteriormente sentiu pela própria mãe: todo o forte amor dos seus primeiros desejos genitais. A proibição do incesto dividiu então a sua genitalidade em desejo do orgasmo e ternura assexual. O desejo do orgasmo tem de ser recalcado e a sua energia reforça a tendência para a ternura, transformando-a numa ligação, difícil de dissolver, com a experiência mística. Isto é acompanhado por uma defesa violenta não só contra o desejo do incesto mas também contra qualquer relação genital natural com uma mulher. Toda a força viva e o grande amor que o jovem saudável desenvolve na vivência orgástica com a mulher amada vai apoiar, no homem místico, e depois do recalcamento da sensualidade genital o culto mariano. (...)

 

«O importante não é a devoção a Maria ou a qualquer outro ídolo, mas sim a produção da estrutura mística em cada nova geração humana. mas a mística não é mais que o desejo inconsciente do orgasmo (identificação do plasma com o universo). (...) Pode-se sentir admiração pelo Antigo e pelo Novo Testamento, como criações gigantescas do espírito humano mas não se deve utilizar essa admiração para recalcar a própria vida amorosa.» (Wilhelm Reich, Psicologia de Massas do Fascismo, Publicações Dom Quixote, 1976, pp. 175-177; o destaque a bold é nosso).

 

SEXUALIDADE NATURAL E SENSIBILIDADE MÍSTICA SÃO A MESMA ENERGIA COM FINS DIFERENTES 

 

A tese central de Reich é a de que a repressão da sexualidade genital natural da criança mediante o autoritarismo do pai e ideologia mística com consignas como «São pecado a masturbação, a relação sexual física, a pureza agrada a Deus» gera um permanente estado de instatisfação disfarçada no misticismo, na oração a Deus, que não passa de excitação sexual controlada,no culto da honra, da pureza, da obediência cega aos chefes, ao Estado. Reich escreveu:

 

«Não nos interessa discutir a existência ou inexistência de Deus: limitamo-nos a suprimir os recalcamentos sexuais e a romper os laços infantis em relação aos pais. A destruição do misticismo não faz parte das intenções do terapeuta. Este trata-o simplesmente como a qualquer outro factor psíquico que funcione como apoio do recalcamento sexual consumindo as energias naturais. O processo da economia sexual  não consiste, pois, em opor à concepção mística do mundo uma concepção "materialista", "anti-religiosa"; isso é propositadamente evitado, pois de nada serviria; tratar-se-ia, acima de tudo, de desmascarar a atitude religiosa como força anti-sexual e de canalizar noutras direções as forças que a alimentam. O homem que era exageradamente moralista em ideologia, mas perverso, lascivo e neurótico na vida real, liberta-se dessa contradição, e ao mesmo tempo que do moralismo, do carácter associal da sexualidade e da imoralidade, no sentido da economia sexual. »

«A consciência sexual e a sensibilidade mística são incompatíveis. Sexualidade natural e sensibilidade mística são, de um ponto de vista energético, uma e a mesma coisa, enquanto a primeira for recalcada,  transformando-se em excitação mística incontrolada.»

(Wilhelm Reich, Psicologia de Massas do Fascismo, Publicações Dom Quixote, 1976, pp. 189-190; o destaque a bold é nosso).

 

A DEMOCRACIA DO TRABALHO E A ENERGIA ORGÓNICA 

 

Criticando o capitalismo e o socialismo estalinista - este último, capitalismo de estado vermelho - que vigorou na URSS de 1922 a 1953, Reich preconizou a democracia do trabalho, um regime AUTOGESTIONÁRIO que promove o conhecimento, a partilha de tecnologia e o bem-estar de todos, que rejeita os místicos e os políticos, vendedores de ilusões, e protege as crianças e os jovens dos moralistas e maus educadores que condenam a energia sexual genital:

 

«A revolução russa de 1917 foi no fundo uma revolução político-ideológica, mas não uma verdadeira revolução social. Baseou-se em ideias políticas provenientes dos campos da economia e da política, e não das ciências que estudam o homem» (ibid, pág 234)

 

«O amor, o trabalho e o conhecimento abarcam tudo aquilo que está contido no conceito de democracia do trabalho» (ibid, pág. 337). «O trabalho é uma actividade fundamentalmente biológica que assenta, de um modo geral, tal como a vida em pulsões de prazer» (ibid, pág. 278).«A democracia natural do trabalho não tem uma orientação política nem de "esquerda" nem de "direita"(.. ) Não tem na sua essência a intenção de ser contra ideologias, portanto não pretende ser contra ideologias políticas mas é, também pela sua essência, obrigada, se quer funcionar, a insurgir-se contra qualquer orientação política e certamente contra qualquer partido político que se lhe atravesse no caminho de maneira irracional. Mas, no fundo, a democracia do trabalho não  é contra, como é geralmente a política, mas é a favor da resolução de tarefas concretas» (ibid, pág 302, o bold é posto por nós).

E Reich teoriza ter descoberto a energia orgónica que circula por todo o universo - os chineses diriam a energia benéfica Ki - e será a fonte de cura de todas as doenças:

«Comecei a trilhar até então  via oculta que me levaria à descoberta do orgono quando entrei no domínio proibido das palpitações orgásticas do plasma (...) (ibid, pág 340).

«O desconhecimento das leis biológicas funcionais produziu o mecanicismo e substituiu a realidade viva pelo misticismo. Pelo contrário, o orgono cósmico - a energia especificamente biológica que existe no universo - não funciona de modo mecanicista e não é de natureza mística.» (ibid, pág 341, o bold é posto por nós).

 

O facto de alguns aparelhos construídos por Reich desenvolverem alto nível de radioactividade  levou os tribunais a condená-lo a penas de prisão e o governo a deter o grande psicanalista em 12 de Março de 1957. Morreria 7 meses depois na prisão. 

 

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Terça-feira, 28 de Janeiro de 2020
Romano Amerio: a vergonha do sexo é um sentimento metafísico

 

Romano Amerio (22 de Junho de 1905, Lugano– 16 de  Janeiro de 1997, Lugano), foi um teólogo suíço, historiador da filosofia, autor de estudos sobre Tomás Campanella e crítico da nova teologia do Concílio Vaticano II. Sustentou que o sentimento de pudor feminino e masculino, que se desvaneceu sociologicamente na segunda metade do  século XX e no século XXI na quase totalidade do planeta Terra, não é qualidade acidental, historicamente configurada, mas sim um traço metafísico essencial do ser humano  .Amerio escreveu:

 

«O fenómeno do pudor resulta ainda mais profundo se se contempla teologicamente. A libido é a mais ampla desobediência que se opera no homem, carente de harmonia por causa da desobediência original. Foi certamente um exagero, ou melhor um erro grave (popular, ainda que não das pessoas instruídas) fazer do pecado carnal o pecado essencial. Sem embargo, é certo que a concupiscência (ainda que não coincidindo com o pecado) é o sintoma máximo do presente estado do homem, pecador por natureza.»(...)

 

«Considerada à luz da religião, a vergonha do sexo pertence à esfera profunda da realidade humana, e se se frivoliza com o pudor reduzindo-o meramente à esfera psicológica e sociológica, nega-se todo todo o drama do amor e o sentido do combate moral. Muito pelo contrário, é o sinal da cisão causada na natureza humana pelo pecado. Por causa de tal cisão a vontade de governo resulta governada, e necessita de preservar o seu senhorio moral com um combate perpétuo. Não está acorrentada à concupiscência, como queria Lutero, mas sim ao combate contra a concupiscência, e em este combate consegue a vitória; mas é uma vitória sempre em acto, posto que em acto é o combate.»

«Portanto, as doutrinas modernas inimigas do pudor esquecem o combate e celebram a luxúria como libertação total

«Na famosa obra de Reich A revolução sexual (Ed. Roca, México, 1976) proclama-se que a felicidade do homem consiste no prazer sexual, e portanto todo o impedimento à lbido deve ser afastado por constituir um impedimento para a felicidade. Sendo a proibição moral a suprema proibição, já que persiste pese a toda a transgressão ressurgindo com mais ímpeto a cada uma delas, a emancipação a respeito do pudor identifica-se com a felicidade. Daqui procede em linha teórica a negação de todo o finalismo e de toda a lei na actividade sexual, e em linha prática a abolição do matrimónio, o coito público, as uniões antinaturais, a pammixis, ou a minimização do vestido. No fundo do erotismo, está um conceito espúrio de liberdade, segundo o qual o dependente desconhece a dependência da idealidade imperativa da lei inscrita no fundo da sua própria natureza.» (...)

 

«Muitos documentos episcopais sobre a sexualidade não têm nenhuma profundidade religiosa: o impudor não é condenado em virtude da prevaricação moral que implica, mas puramente como um desarranjo da mecânica vital e como um impedimento para o desenvolvimento da personalidade. Não aparecem razões teológicas, não se estabelece nenhum nexo com o pecado original, não se considera a cisão entre o homem e a lei moral, nem sequer se adoptam os termos castidade e pudor.

 

(Romano Amerio, Iota Unum, estudo sobre as transformações da igreja católica no século XX, Salamanca 1994, pág. 165; o destaque a negrito é posto por nós).

 

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Segunda-feira, 13 de Julho de 2015
Pequenas reflexões em Julho de 2015

 

 

 

Alguns de nós, no seu pequeno e insignificante quotidiano,  estão em perfeito sincronismo com os acontecimentos mais relevantes do dia a dia. É a teoria dos sincronismos ontofonéticos, que desenvolvo há anos, como variante da doutrina da sincronicidade. Exponho aqui algumas reflexões, mais ou menos banais, que ocorrem neste verão.

 

O QUE ME ACONTECE A CADA DIA É UM BÁROMETRO DO MUNDO? Ontem, 12 de Julho de 2015, fui tomar banho à praia do CARVOEIRO, Algarve, como já descrevi. Hoje, 13 de Julho, a embarcação de pesca “Cavaleiro” encalha nas proximidades do Cabo CARVOEIRO, Peniche, e os seis tripulantes são resgatados por um helicóptero da Força Aérea Portuguesa. Fui eu a causa metafísica e sincrónica deste NAUFRÁGIO  no cabo CARVOEIRO por ter ido ontem BANHAR-ME NA PRAIA DO CARVOEIRO? E o CARBURADOR (sugere: CARVÃO, CARVOEIRO) do meu carro está a funcionar mal, apurou-se hoje. Bem, sei que ides dizer que sou «vaidoso», «megalómano», «autocentrado» etc. - mas esta coincidência é real e soma-se a muitas outras. E sou um humilde servo de Jabulon, o Supremo Arquitecto do Universo (GADU)....

 

ESTAMOS MUITAS VEZES MELHOR NA COMPANHIA DOS DEUSES DO QUE NA DOS HOMENS E MULHERES - Precisamos de horas de solidão e de meditação e aí os deuses manifestam-se. Escrevo diante de um pequeno altar que coloquei na minha sala de estar, altar multifacetado onde há estátuas do dragão azul, de Buda Sorridente, da Fada A, da Virgem Santa Maria, etc. E aí oro, de diferentes maneiras: para a sensualidade, para a espiritualidade pura,etc. Que seríamos nós se não houvesse deuses? Que seria do amor se não houvesse sutiãs, ligas, corsés, meias de rede, botas de couro negro, perucas loiras e, sobretudo, mulheres reais, de corpos esculturais? As formas belas preenchem o vazio da existência.

 

SE O DEUS ESPÍRITO PURO NÃO TE PUDER ATENDER É PORQUE OS ASTROS SÃO DEUSES, deuses inferiores, que fabricam ferreamente o teu destino a partir dos seus tronos que são os graus do Zodíaco. Que podes fazer, irmã, irmão, senão louvar a ordem cósmica ou protestar gnosticamente contra ela?

 

COMO PODES AMAR MULHERES SE GARANTES QUE NÃO TENS NADA DE FEMININO EM TI? Não é pela semelhança - ou alguma semelhança - que amamos os outros?

 

O VERDADEIRO AMOR ESTÁ ACIMA DO BEIJINHO E DA MERA SENSUALIDADE. Vejo-as às vezes, insatisfeitas, porque sabem que são pouco mais que um pedaço de carne apetecível para o namorado ou o marido. O seu amor é incompleto: é pura sensualidade, com algum sentimento à mistura. Mas o verdadeiro amor comporta mais que isso: uma dimensão espiritual. É preciso que ambos se vejam como encarnação do Deus e da Deusa e se considerem a realização da união dos dois princípios, o Yang e o Yin. Sem a divinização da mulher e das operações mágicas dos Fiéis do Amor o verdadeiro amor não desabrocha plenamente

 

A PROVA DE QUE DEUS FALHOU AO CONSTRUIR O MUNDO é a de que os amores falham e estão trocados: muitas vezes, amamos pessoas que não nos amam e somos amados por pessoas a quem não amamos. Em última análise é o interesse (estético, sexual, monetário, social, cultural, etc) que comanda o amor. Todos os amores são interesseiros - ou por interesses nobres ou por interesses mesquinhos.

 

DEUS É INSTANTÂNEO COMO A PAIXÃO - O verdadeiro deus, a verdadeira deusa trazem-nos momentos de paixão, absoluta. O outro, o Ialdabaoth, o demiurgo, o «criador de todas as coisas materiais, visíveis e invisíveis» traz-nos o esforço, a amargura, a doença, o envelhecimento, a censura social opressiva, etc. A Lei do Amor é: ama quem quiseres, como quiseres.

 

APAIXONAS-TE POR UMA MULHER AO LONGE, DESAPAIXONAS-TE AO PERTO. É tão linda à distância aquela mulher jovem... Aproximas-te, seduzido, mas notas que tem uma tatuagem com uma caveira ou outra figura ou inscrição que te desagrada na pele. E notas, se for na praia, quando ela se põe em bikini que tem uma verruga no tronco que achas anti estética ou que tem as ancas demasiado largas e «pneus» e isso te repele ... O amor desaparece, porque a paixão, fundada na emoção estética visual, é a chave de ignição do amor. Que aborrecimento isto acontecer na vida! Que imperfeição, a do deus-demiurgo que moldou a matéria! Só a juventude é bela e mesmo essa é castigada pelo deus da Fealdade, o velho Cronos, que nos condena a ser eremitas perfecionistas.

 

O AMOR É UMA GRANDE COMÉDIA E QUANDO PENSAMOS A FUNDO DESCOBRIMOS QUE NINGUÉM NOS AMA, AS PESSOAS USAM-NOS SEXUAL, SOCIAL OU FINANCEIRAMENTE. É por isso que os nossos maiores amigos são o elevado nível de saúde, juventude e beleza e o dinheiro e bens materiais que possuímos (são o que inconscientemente chamamos Deus). É terrível estar lúcido acerca disso. Entretanto a beleza da natureza, pessoas incluídas, e das formas arquitetónicas e artísticas das cidades vão-nos consolando e dando alento para viver num mundo em que ninguém ama ninguém

 

.O AMOR PAIS FILHOS É O ÚNICO VERDADEIRO - O telejornal da SIC mostrou, em 21 de Julho de 2015, David Ferreira, de 39 anos, em cadeira de rodas, atingido desde Janeiro de 2013 por esclerose lateral amiotrófica. A mulher abandonou-o, levando as duas filhas. Só os pais dele cuidam dele. Conclusão: o amor homem-mulher como casal é uma mistificação, desaparece logo que um dos dois fica inválido. Só o amor de um pai ou de uma mãe por um filho é verdadeiro porque é biológico: sangue do meu sangue. Mas já os filhos não amam os pais: servem-se deles, tiram-lhes o dinheiro da reforma, metem-nos em lares de terceira idade. E Deus, se é Pai ou Mãe, que papel joga no meio disto tudo?

 

SER NOVO E SAUDÁVEL É O MELHOR DO MUNDO. Um empresário de discotecas ou de grandes fábricas e armazéns com 40, 50 ou 60 anos de idade ou um escritor laureado com o Prémio Nobel , de 40. 50 ou 80 anos, é menos rico que um jovem ou uma jovem de 20 anos, cheio de saúde e energia e beleza. Porque a juventude é tudo - e dispensa a religião, que é «coisa de velhos», aparentemente.

 

 

.NÃO OFEREÇAS ROSAS A UMA MULHER - Porque a rosa tem espinhos. A última vez que ofereci uma rosa a uma mulher linda, correu mal. Os espinhos sobrepuseram-se às pétalas. E Maria, a Rosa Mística, tem espinhos: os sofrimentos que Nela a humanidade crava com lancinantes pedidos ou protestos. Há outras flores sem espinhos que simbolizam o amor.

 

CRITICAMOS AS MULHERES PORQUE SE TORNARAM DEMASIADO INDEPENDENTES E «TROCAM DE PARCEIROS, COMO DON JUAN NO FEMININO» - Mas esquecemos que elas vêm de séculos e séculos em que sofreram a opressão do homem, das igrejas católica, judaica, islâmica, hindu, dos Estados com suas leis machistas... Compreendamos as mulheres.

 

A TUA NAMORADA OU O TEU NAMORADO... em que diferem daquela outra rapariga ou daquele rapaz que estão ali a olhar-te? Nem sabes bem. Acontece que conheces ou julgas conhecer a namorada ou o namorado porque estão próximos de ti, já conheces as suas ideias, o seu toque de acariciar e por isso os escolhes, em detrimento de quem não conheces. Mas os estranhos... será que não os amas?

 

NÃO AMAMOS AS PESSOAS MAS AS QUALIDADES QUE VEMOS NELAS, DIZIA PASCAL. Assim, o deus que nos fez é o responsável das traições, das neuroses, dos desequilíbrios, da fome e da miséria que contaminam a humanidade: nós só amamos uma mulher enquanto a Beleza, a Doçura e a Juventude residirem nela, só amamos os desportistas enquanto a Força e a Capacidade de Vencer Competições pousarem neles , só amamos o nosso pai ou a nossa mãe enquanto neles estiver o Instinto Protector para com os Filhos, a Bondade, o Dinheiro, porque se se tornassem diabólicos assassinos já não os amaríamos...Não temos culpa de ser assim, são os deuses /Deus e não os homens que estão sob acusação.

 

A PROSTITUTA É MAIS DIGNA DO QUE A MULHER CASADA FIEL A UM SÓ HOMEM. Custa dizê-lo mas é a verdade. A prostituição é o socialismo sexual. A prostituta partilha o seu corpo com vários homens e mulheres, socializa o prazer orgástico a dois ou mais, atende os jovens anti-sociais incapazes de conquistar namorada, os doentes em cadeira de rodas ou os idosos viúvos ou divorciados sós. Sendo o acto sexual sagrado, ela é uma sacerdotisa que merece mais respeito do que o padre: porque ela oferece o seu corpo num «Tomai e comei, isto é o meu corpo». Ela é, de certo modo, o Cristo em versão feminina. Cobra dinheiro? E que mal tem isso? Ela precisa de comer, vestir, maquilhar-se.

 

O ACTO SEXUAL É SAGRADO E MUITAS VEZES É PREFERÍVEL SER FEITO COM UMA PROFISSIONAL COM «CLASSE» DO QUE COM A ESPOSA- O acto sexual entre homem e mulher reveste-se de enorme sacralidade. Se ele não vir nela a própria Deusa refletida e ela não vir nele o próprio Deus refletido, o acto é pura e simplesmente de prazer sensual e está condenado à monotonia, opera um corte instantâneo numa relação que tende a tornar-se enfadonha e nada mais. É por isso que a operação sexual do amor homem-mulher se realiza muitas vezes melhor com uma acompanhante profissional, uma mulher disposta a cumprir o ritualismo dos Fiéis do Amor, do que com a própria esposa: sentar-se como deusa com a adequada lingerie, receber a homenagem do homem vestido sacerdotalmente, com vestes brancas, douradas e vermelhas, venerar a estátua da deusa Vénus que preside à cerimónia. A oração à Deusa é um pré-requisito para ambos. A noção de fidelidade do casamento é superada pela de fidelidade à Deusa.

 

HETEROSSEXUAL DE FRONTEIRA- Somos heterossexuais de fronteira: apreciamos o crossdressing (travestismo ocasional), amamos a Deusa e as mulheres em geral, não temos complexos em vestir de mulher em público, porque seguimos a igreja católica gnóstica («Veste-te como quiseres») mas tratamos à bofetada os homens que nos quiserem apalpar ou violentar porque não somos gays nem pouco mais ou menos. Defendemos o direito de gays e lésbicas serem livres de se manifestar publicamente e não serem discriminados.

 

EU GOSTO DE VESTIR-ME DE MULHER. E daí? Sou mais homem do que tu que nunca te vestes de mulher, nem no carnaval, e esboças risos de troça relativos à minha fantasia. E sou mais activo com as mulheres do que tu és, provavelmente. Vestir de mulher não é, em princípio, gostar de homens: é gostar de mulheres, duplamente, como homem biológico e como mulher lésbica psicológica. Isto não o podes entender. Terias de começar a pensar e concluirias que usar tal ou qual vestuário não é opção sexual na essência. Afinal grande parte dos gays vestem sempre de homens. Como tu.

 

NA CAMA, NÃO HÁ PROGRAMA, dizia o poeta brasileiro Carlos Drumond de Andrade. Quer dizer que se uma mulher enfiar o dedo ou um dildo num dado sítio do corpo do namorado, do marido ou amante não há que classificar estes como «gays», «bissexuais», etc., nem há que sentirmo-nos superiores só porque «não praticamos esses actos indignos de verdadeiros machos». Mentalmente, a totalidade dos homens é bissexual: não há nenhum homem que nunca tenha tido um pensamento homossexual alguma vez na vida. Ironizando poderíamos dizer que todos os homens são um pouco gays e se dividem em duas classes: os gays praticantes (uns 10% ou 15%) e os gays não praticantes (uns 90% ou 85%). Todos os homens possuem rabo e isso gera inevitavelmente neles uma inclinação, muito pequena, média ou muito grande, à homossexualidade. É assim e os que negam isto são, consciente ou inconscientemente, hipócritas.

 

Sigmund Freud tinha razão: a simples amizade entre duas pessoas do mesmo sexo é uma forma sublimada, espiritualizada, de homossexualidade. De um modo geral, as religiões ignoram estas verdades fundamentais como se fosse possível ao homem transcender o seu lado animal-sexual e pensar e sentir apenas no plano das divindades, etc. Os ascetas merecem respeito mas há que não esquecer que, segundo Wilhelm Reich, foram os missionários católicos dos séculos XVI e XVII quem fez surgir a homossexualidade entre as tribos índias da América do Sul ao imporem a estas uma rígida separação dos sexos, fazendo das mulheres seres «castos e protegidos dos homens» e dos homens «pessoas auto castradas psicologicamente que não podiam ter acesso livre às mulheres». Perdoemos à igreja católica ser uma fonte de homossexualidade - muitos dos novos padres são gays - mas saibamos demarcar-nos da sua moral convencional e parcialmente falsa que esconde a natureza essencialmente sexual de quase todos os actos humanos. Não deixes nunca o teu filho pequeno, de 4, 7, 10 ou 14 anos fechado na sacristia ou no dormitório a sós com o padre! Eros (princípio de vida e desejo sexual) e Tanatos (princípio da morte e destruição) são os governantes do psiquismo humano..

 

UMA CADELA DEU A VIDA PELO SEU VIZINHO?- A história é verdadeira e passou-se em 24 de Julho de 2015 numa vila do Alentejo. Um jovem de 31 anos estava sozinho em casa a tomar banho após uma partida de futebol e sente o coração bater aceleradamente sem parar. Aflito, pressentindo que podia morrer, sai para a rua a fim de que o vejam e ouve a vizinha da frente dizer: «Ai, vizinho, imagine o alvoroço que aqui vai. A cadela dos vizinhos de cima acaba de morrer com um ataque de coração». Os bombeiros da vila levam, na ambulância do INEM, o nosso jovem amigo de 31 anos para o hospital da cidade mais próxima e aqui o médico verifica que o coração do jovem bate a 200 pulsações por minuto. Como é possível? Ouvi falar de casos em que as pessoas morrem quando o coração insiste em bater a 140 ou 160 pulsações por minuto...É um milagre estar vivo com essa pulsação de 200, louca e persistente.A companheira do jovem alvitra uma hipótese: «Acredita-se que os animais dão a vida pelos seus donos ou pelos amigos dos seus donos. A cadela terá dado a vida para que o meu companheiro sobrevivesse.». Magia natural, metafísica... Há leis no universo desconhecidas - estamos todos ligados num psiquismo universal, um pampsiquismo. E que deus é esse a quem a cadela se ofereceu em sacrifício? Ou é pura Energia Cósmica que elimina certos seres e conserva outros? .

 

A DITADURA DO PROLETARIADO - Vivemos sob ditaduras das burguesias, uma vez que os Estados democráticos vivem sob a lei do capitalismo e as polícias agem a favor dos patrões, dos ricos contra os pobres. Há, alguma liberdade individual e nisso a democracia burguesa se distingue da ditadura fascista ou da ditadura teocrática ou da ditadura stalinista - nesta última o partido comunista proíbe os operários de fazerem greves e livres manifestações de rua . A ditadura do proletariado é o Estado anarquista - expressão contraditória porque os anarquistas proclamam o fim do Estado- em que os operários são donos das empresas e os moradores dos respectivos bairros mediante o sistema de autogestão, em que as assembleias amplas de trabalhadores decidem tudo. Há que estar atento a que estas não sejam manipuladas por oradores hábeis e destituídos de equidade socialista.

 

DIREITAS E ESQUERDAS - O que caracteriza as direitas é apoiarem os empresários privados, os capitalistas e os latifundiários, como motores do desenvolvimento económico e estimularem as privatizações, a liberalização da economia, baixando os impostos sobre o capital e impondo austeridade à classe operária, diminuindo ou fazendo desaparecer o subsídio de desemprego, o rendimento social de e outras prestações sociais, o serviço nacional de saúde gratuito ou quase gratuito. As direitas ligam-se, mais ou menos, à igreja católica romana e a outras a fim de anular a luta de classes, o espírito revolucionário do povo trabalhador com missas, procissões, comunhão e ideologia da salvação individual da alma sem levantar ondas de protesto social. O que caracteriza as esquerdas é apoiarem o sector nacionalizado do Estado (o capitalismo de Estado) e um sistema de impostos altos sobre os empresários embora defendendo alguma esquerda a propriedade privada dos meios de produção e troca (social-democracia: PS e Internacional Socialista) e, defendendo as modalidades mais vincadas de esquerda operária, a nacionalização da banca e todas as grandes empresas em governo de hegemonia comunista (PCP ou Bloco de Esquerda) ou a autogestão generalizada ou tomada de poder em cada fábrica pelos operários com supressão do parlamento burguês, do exército e da polícia (anarquismo e anarco-sindicalismo). O PS é uma esquerda muito ténue, mais centro do que esquerda, que no essencial se une com a direita capitalista para manter a economia de mercado e a democracia parlamentar. É, de certo modo, o centro.

 

 

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