Quinta-feira, 6 de Fevereiro de 2014
Teste de filosofia do 10ºB, Fevereiro de 2014

 

Eis um teste de filosofia, o primeiro do segundo período lectivo. A temática da filosofia hermética e do simbolismo das catedrais/ geometria sagrada  justifica-se porque serve de base à visita de estudo a monumentos de Sevilha e enquadra-se nos pontos do programa do 10º ano de filosofia em Portugal «O que é a filosofia»,  «Valores Estéticos/ Artísticos» e «Valores Religiosos».

 

Agrupamento de Escolas nº1 de Beja
Escola Secundária Diogo de Gouveia com 3º Ciclo, Beja
TESTE DE FILOSOFIA, 10º ANO TURMA B
6 de Fevereiro de 2014.            Professor: Francisco Queiroz

 

"A filosofia hermética é holística e baseava-se no princípio das correspondências macrocosmos-microcosmos, de que a catedral medieval é um exemplo de aplicação prática. A essência, segundo Platão, não está no mesmo nível que a essência segundo Aristóteles. A lei do devir encaixa-se na lei do salto de qualidade.”

 

1) Explique, concretamente, cada uma destas frases.

 

2) Construa um diálogo de valores ético-políticos ( mínimo: 12 linhas) entre um anarquista, um comunista leninista, um socialista democrático, um liberal, um fascista, de modo a que no diálogo explicite as definições dos conceitos de «nacionalização de empresas», «privatização de empresas», «autogestão», «cogestão»,  «estado de direito democrático», «ditadura do proletariado», «totalitarismo».

 

 

3) Relacione, justificando:

 

A) Imperativo categórico em Kant e princípio da ética de Stuart Mill.
B)  Contratualismo de Hobbes  e de John Locke.
C) Etnocentrismo absolutista, multiculturalismo, subjectivismo.   

 

 

CORRECÇÃO DO TESTE DE FILOSOFIA (COTADO PARA 20 VALORES)

 

1) A filosofia hermética, nascida na Antiguidade e atribuída ao mítico Hermes Trimegistus, é holística porque considera as coisas integradas numa totalidade (holo) cósmica em que tudo se relaciona. Baseia-se na fórmula «o que está em baixo é como o que está em cima, o microcosmo é um espelho do macrocosmo». Exemplo: a catedral medieval é um microcosmo, na medida em que a sua planta reproduz em pedra, o corpo cósmico de Cristo, gigantesco (macrocosmo) que atravessa o universo. A abside equivale à cabeça de Cristo, o transpeto aos braços,  o altar ao coração, as naves ao tronco e pernas. (VALE TRÊS VALORES). A essência, em Platão, é o arquétipo (de Belo, Bem, Homem, Árvore, etc) e encontra-se no mundo supraceleste, inteligível, mas em Aristóteles as essências, formas eternas,estão nos próprios objectos materiais («O Belo só está na rosa e nas coisas belas», «a essência rosa não está fora de cada rosa existente no real físico») e não há mundo inteligível separado. (VALE DOIS VALORES) A lei do devir defende que tudo está em mudança, a cada instante, e está incluída na lei do salto qualitativo porque esta diz que a acumulação lenta e gradual, em quantidade, (devir) de um aspecto num fenómeno leva a uma mudança qualitativa nesse fenómeno (VALE DOIS VALORES).

 

 

2) Anarquista: «Sou contra o capitalismo e todas as formas de Estado. Defendo a autogestão, isto é, as fábricas, hipermercados, empresas agrícolas, de transportes, pescas, deixam de ter patrões e passam a ser geridas por assembleias de trabalhadores (operários, economistas, engenheiros), nivelando-se os salários.»

Comunista: «Sou contra o capitalismo mas, ao contrário dos anarquistas, defendo a nacionalização, isto é, a passagem para as mãos do Estado das grandes e médias empresas ou mesmo de todas. Defendo a ditadura do proletariado: desaparecem as eleições livres porque os partidos da direita ou centro-esquerda as ganham graças ao financiamento dos ricos, só o partido marxista concorre e domina o Estado.»

Socialista democrático: «Não sou contra o capitalismo, porque permitre criar riqueza em grande quantidade, sou contra o capitalismo selvagem que não protege os operários. Defendo a cogestão, isto é, a empresa é propriedade dos patrões mas o conselho de administração inclui um representante dos trabalhadores ou do sindicato. Defendo as eleições livres, base do estado de direito democrático.»

Liberal: «Sou a favor do capitalismo, da privatização das empresas, isto é, de estas passarem a pertencer a patrões (privados), sou apoiante da livre concorrência entre as empresas, da liberdade de o patrão despedir operários. Sou contra o comunismo que é um totalitarismo de esquerda, isto é, um estado de partido único com censura à imprensa,  e contra o fascismo que é um totalitarismo de direita. Defendo o Estado de direito democrático ou democracia pluralista.»

Fascista: «Sou a favor do capitalismo nacional sob uma ditadura de extrema-direita tradicional na qual o povo inteiro obedece ao chefe de Estado e ao partido único, não há liberdade de greve e manifestação de rua, os imigrantes são expulsos do país, a censura é estabelecida na televisão, na imprensa e no ensino, gays e lésbicas são perseguidos e neutralizados. Sou contra o Estado de direito democrático, criação da maçonaria liberal e socialista.» (VALE SEIS VALORES).

 

Nota: Este diálogo pode ser estruturado de outras maneiras.

 

3) A) O imperativo categórico é a verdadeira lei moral em Kant: age como se quisesses que a tua acção fosse uma lei universal da natureza. Por outras palavras: ou comem (ou pagam) todos por igual ou não há moralidade. O princípio da maior felicidade, base da ética de Start Mill, defende que se deve preferir a felicidade da maioria dos envolvidos numa situação à felicidade da minoria  e que os prazeres superiores (filosofia, literatura, ciência, amizade, solidariedade, etc) são preferíveis aos prazeres inferiores (comer, beber, possuir oiro ou dinheiro, etc). Kant e Mill opõem-se, em certa medida. Se um barco com 150 passageiros naufraga e só se podem salvar 30 vidas em salva-vidas, o imperativo de Kant é, aparentemente, impraticável mas não o utilitarismo de Stuart Mill:  salvam-se as mulheres e as crianças (estas são potencialmente, as portadoras de maior felicidade porque têm um largo futuro diante de si) e ficam para morrer os homens e o capitão (VALE DOIS VALORES).

 

3)B) O contratualismo é a filosofia que justifica o Estado como resultado de um contrato social. No caso do filósofo inglês Hobbes, este defendeu um contratualismo base da monarquia absoluta ou ditadura do rei: os cidadãos entregam os seus direitos e liberdades nas mãos de um monarca absoluto que lhes garante a propriedade privada dos seus bens e o direito à vida reprimindo as revoluções, o banditismo, o roubo, etc. No caso do filósofo inglês do século XVIII John Locke, este sustentou que o Estado brota de um contrato social entre os proprietários livres para superar o "estado de natureza" (país sem lei) e reveste a forma de Estado liberal, baseado na livre eleição de um parlamento multipartidário de onde sai o governo e baseado na liberdade de imprensa e na separação tripartida de poderes. (VALE DOIS VALORES).

 

3) C) O etnocentismo absolutista é a corrente e a atitude que sustenta que uma dada etnia, nação ou raça é, genetica e culturalmente, superior a outros povos e raças e por isso tem o direito de humilhar, escravizar ou eliminar estas. Exemplo: os colonizadores portugueses e espanhóis nos séculos XV e XVII , escravizando os negros de África ou os índios da América do Sul e Central, impondo-lhes a religião católica, o vestuário europeu, etc. O multiculturalismo é a corrente e a atitude que sustenta que todas as etnias, raças ou povos são iguais, devem conviver na mesma sociedade sem que nenhuma se superiorize a outra. Exemplo: a democracia portuguesa não deve ser de influência cristã nem dar a hegemonia à raça branca mas acolher o laicismo e todas as pessoas imigrantes (brasileiros, cabo-verdianos, ingleses, indianos, etc) dando direitos iguais a todos. É subjectivo ser etnocentrista absolutista ou multiculturalista, isto é, o acto de optar varia de pessoa a pessoa. Subjectivismo é a corrente que sustenta que a verdade, os valores, são íntimos a cada um, variam de pessoa a pessoa. (VALE TRÊS VALORES).

 

 

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Segunda-feira, 18 de Novembro de 2013
Teste de filosofia do 10º ano, turma B, Novembro de 2013

 

O presente teste de filosofia centra-se  nas rubricas do programa de Filosofia do 10º ano de escolaridade «1.1 O que é a filosofia», «1.2. Quais são as questões da filosofia», do módulo I- nas quais se incluem os conceitos aristotélicos de tó ón e tó tí, a teoria dos três mundos e as doutrinas das três partes da alma humana e dos três estratos da pólis, da  participação e ascese em Platão, as noções aristotélicas de hylé, eidos e proté ousía - e na rubrica  1.2 «Determinismo e liberdade na acção humana» do módulo II do programa  - na qual se incluem os conceitos de fatalismo e determinismo com livre-arbítrio.

 

.Agrupamento de Escolas nº 1 de Beja
Escola Secundária Diogo de Gouveia com 3º Ciclo, Beja
TESTE DE FILOSOFIA, 10º ANO TURMA B
5 de Novembro de 2013.            Professor: Francisco Queiroz

 

I

 

«Em filosofia, há pelo menos dois sentidos da palavra «ser»: o tó on e o tó tí dos gregos. A filosofia relaciona-se com a intuição inteligível e com as percepções empíricas

 

1) Explique, concretamente, este texto.

 

 

2) Relacione, justificando:

 

A) As três partes da alma e os três estratos sociais da pólis, em Platão.
B) A causa material e a causa final, no cosmos aristotélico.
C) Essência, em Platão, essência em Aristóteles e transcendência/ imanência.
D)  Fatalismo e determinismo com livre-arbítrio (determinismo «moderado»)
E)  Ascese e doutrina da participação, em Platão.
F)  Hylé, Eidos e Proté Ousía, em Aristóteles.

 

 

CORREÇÃO DO TESTE COTADO PARA 20 VALORES


 

1) O tó on é o ente, algo que existe, «o que é», o quod. O tó tí é a forma, essencial ou acidental, «o quê-é», o quid: o cavalo distingue-se de árvore porque possuem tó tís diferentes (VALE DOIS VALORES).  A filosofia, isto é, o pensamento racional e especulativo, que vai além das certezas dos dados dos sentidos, usa a intuição inteligível , isto é, a apreensão instantânea de objectos ou relações metafísicas - exemplo: Demócriro intuiu, de modo inteligível, sem os ver, que a matéria era constituída por átomos - e usa a percepção empírica ou conjunto ordenado de sensações visuais, tácteis, - exemplo: a filosofia do socialismo, marxista ou anarquista, nasceu da visão das barracas miseráveis em que viviam muitos operários e camponeses no século XIX. (VALE TRÊS VALORES).

 

2) A)  A correspondência entre a alma humana e a pólis ou cidade-estado grega é a seguinte: o Nous, ou razão intuitiva, que apreende a verdade dos arquétipos, equivale à classe dos filósofos-reis, um grupo de homens e mulheres, honestos e intelectualmente muito dotados, que vivem em comum numa casa do Estado,  não formam casais fixos mas trocam de parceiro, de modo a não saber quem é o pai de cada filho, não possuem ouro e prata nem bens materiais e fazem as leis da cidade e emitem as ordens; o Tymus ou Tumus, coragem ou brio militar, equivale à classe dos guerreiros, um grupo de homens e mulheres com treino militar, que vivem em comum  numa casa do Estado,  não formam casais fixos mas trocam de parceiro, não possuem ouro e prata nem bens materiais e aplicam ao povo as leis e a justiça decretada pelos filósofos-reis, mantendo a ordem na cidade e prendendo os malfeitores; a Epytimia ou concupiscência,  o conjunto dos prazeres da carne (comer e beber em excesso, adquirir e possuir ouro, prata, etc.,), que corresponde à população em geral, composta por classes ricas, médias e pobres, desde os proprietários de grandes terras e comerciantes, aos artesãos, servos e escravos. Esta população pode manipular ouro e prata mas não pode eleger os filósofos-reis e os guerreiros que a governam e julgam, os quais permanecem incorruptíveis. (VALE TRÊS VALORES).

 

2) B) A causa material, no mundo sub-lunar, é terra, água, ar e fogo, que são os constituintes das quatro esferas desse mundo, e a causa final ou finalidade do movimento dos corpos é o regresso à esfera de origem. A causa material no mundo celeste é o cristal das 54 esferas de astros e o éter das estrelas e planetas, a causa final do movimento de estrelas e planetas é Deus, imóvel e perfeito, que pretendem alcançar.  (VALE DOIS VALORES)

 

2) C) Essências, em Platão, são os arquétipos, modelos perfeitos, imóveis e eternos,  existentes num mundo Inteligível, acima do céu visível. As essências são, pois, transcendentes aos corpos materiais do mundo do Outro, o mundo Sensível da Matéria ou terceiro mundo. As árvores físicas, as nuvens ou os animais possuem em si uma essência por participação: a sua forma é uma cópia imperfeita do respectivo arquétipo. Em Aristóteles, as essências são as formas específicas (eidos) eternas, imóveis, imutáveis,  que existem imanentes aos respectivos objectos físicos: a essência de árvore está em todas as árvores físicas, a essência de homem em todos os homens reais. Aristóteles recusa a existência de um mundo inteligível com essências àparte da matéria. (VALE TRÊS VALORES)

 

2) D) O fatalismo é a corrente que afirma que tudo está predestinado, não existe livre-arbítrio nem acaso. O determinismo biofísico com livre-arbítrio é a corrente que afirma que a natureza biofísica tem leis fixas e inexoráveis, isto é, nas mesmas circunstâncias, as mesmas causas produzem sempre os mesmos efeitos mas o homem dispõe de livre-arbítrio, pode rejeitar algumas cadeias deterministas e escolher outras. O determinismo é um semi fatalismo mas deixa espaço, fora de si, ao libertismo ou exercício do livre-arbítrio. (VALE DOIS VALORES)

 

2) E) Ascese é a ascensão da alma ao mundo Inteligível dos arquétipos de Bem, Belo, Número, Triângulo, etc., o que se consegue do seguinte modo: pela meditação filosófica («filosofar é aprender a morrer»), pela matemática (que pensa os números-arquétipos: Um, Dois, Três, etc.,), pela ginástica, pela música, pelo jejum e dietética. A ascese é uma forma de participação. A doutrina da participação sustenta que os entes do mundo da matéria (homens, animais, árvores, montanhas, etc.,) imitam (participam em) os arquétipos do mundo Inteligível e que foi o deus arquitecto, o demiurgo, quem, com a ajuda de Zeus e outros deuses do Olimpo, imprimiu na matéria em caos (chorá) cópias das formas dos arquétipos. (VALE TRÊS VALORES)

 

2) F) A hylé é a matéria-prima universal indeterminada - não é água, nem ar, nem fogo, nem terra, nem éter, etc., - que só existe em potência, isto é, só passa a existir em acto quando se une às formas eternas de cavalo, árvore, homem, montanha, isto é, aos diferentes eidos ou essências. Desta união nasce o composto (synolón) que é, em muitos casos, a proté ousía ou substância primeira, indivíduo concreto. Assim, cada um de nós é uma proté ousía, resultante da fusão da hylé com o eidos Homem. (VALE DOIS VALORES)

 

 

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Quinta-feira, 7 de Março de 2013
Teste de filosofia do 10º ano de escolaridade (2º teste do 2º período, 2013)

 

 Eis um teste de filosofia de final de 2º período lectivo do 10º ano de escolaridade, em Portugal, na linha do ensino da filosofia baseado na compreensão, invenção e relacionação de conteúdos metafísicos, éticos, gnosiológicos, etc, evitando a redução ao deserto da lógica formal e a interpretação minimalista do programa.

 

Escola Secundária Diogo de Gouveia, Beja

TESTE DE FILOSOFIA, 10º ANO TURMA C
4 de Março de 2013.            Professor: Francisco Queiroz

 

"Aparentemente, pelo menos, o imperativo categórico de Kant é mais difícil de pôr em prática do que a moral utilitarista de Stuart Mill. Lao Tse, filósofo do taoísmo, escreveu que  «o santo conhece sem viajar, compreende sem olhar, realiza sem agir.» e isto liga-se ao combate entre racionalismo e empirismo e tem alguma semelhança com a ética do estoicismo.”

 

1) Explique, concretamente, este texto.

II

2) Relacione, justificando:

A) Lei dialéctica da contradição principal e binómio esquerdas/direitas em política.
B) Hierarquia dos valores, esfera dos valores vitais e esfera dos valores espirituais na doutrina de Max Scheler.
C) Indução amplificante, dedução e percepção empírica.

                                                                                                                    III

3) Construa um diálogo entre um anarquista, um comunista leninista, um social-democrata (socialista democrático), um liberal e um fascista sobre a propriedade das fábricas e quem as deve gerir, e sobre o valor da democracia parlamentar ou liberal (burguesa).

 

CORREÇÃO DO TESTE COTADO EM 20 VALORES

 

1) O imperativo categórico em Kant sustenta a equidade, o agir respeitando todos como pessoa humana: «Age como se quisesses que a tua acção seja uma lei universal da natureza». Isto é impraticável em certos casos como, por exemplo, o de um capitão de um navio que se afunda e tem de escolher entre 200 passageiros em risco de morrer os 30 que devem ir no único salva-vidas disponível. A ética utilitarista de Stuart Mill rege-se pelo princípio da maior felicidade, isto é, a acção deve proporcionar felicidade à maioria dos envolvidos numa situação, mesmo prejudicando algumas pessoas, a minoria. E no caso dos 30 passageiros a ser salvos entre 200 cujas vidas se perderiam, o utilitarismo não conseguiria sequer aplicar o princípio da felicidade da maioria dos envolvidos na situação (ESTAS FRASES VALEM TRÊS VALORES). Lao Tse, filósofo do taoísmo, uma doutrina quietista que assenta na oscilação entre o Yang (dia, luz, movimento) e o Yin (noite, escuridão, repouso), defendeu que se conhece sem viajar, e se compreende sem olhar, isto é, defendeu o racionalismo - a grande fonte dos nossos conhecimentos é o raciocínio, a razão - e minimizou o empirismo - doutrina que diz que as percepções empíricas são a fonte dos conhecimentos e moldam as nossas ideias. O taoísmo, doutrina que preconiza, racionalmente, o não agir, isto é, o não ser ambicioso, não lançar guerras, não seguir as carreiras de político e universitário, é semelhante ao racionalismo estóico porque este preconiza o autodomínio, não ser ambicioso nem colérico, não lançar guerras, não se importar com a opinião injusta dos outros, aguentar e abster-se. (ESTAS FRASES VALEM QUATRO VALORES).

 

2) A) A lei dialéctica da contradição principal sustenta que um sistema de múltiplas contradições/ contrariedades pode ser reduzido a uma única contradição, chamada contradição principal, agrupando num dos polos um bloco de contradições, secundárias entre si, e no outro polo as restantes ou quase todas as restantes contradições. A contradição principal manifesta-se, muitas vezes, entre as esquerdas - o bloco social e político desconfiado dos ricos capitalistas ou mesmo inimigo destes enquanto classe social- e as direitas - o bloco das pessoas amigas dos capitalistas privados, em geral, e do valor liberdade empresarial por cima do valor igualdade social. Em momento de eleição presidencial em segunda volta, como sucedeu em 16 de Fevereiro de 1986, as esquerdas socialista, comunista, trotskista e alguns semi amarquistas uniram-se num polo da contradição principal e votou Mário Soares (51% dos votos); as direitas PSD, CDS, monárquica e outa formaram o outro polo da contradição principal, votando Freitas do Amaral (49% dos votos). (VALE TRÊS VALORES)

 

2)  B) Hierarquia de valores é uma escala ou escadaria de valores, dos mais altos aos mais baixos. Nas quatro esferas de valores idealizadas por Max Scheler há uma hierarquia: em baixo, a esfera dos valores sensíveis (o prazer e a dor; o útil e o inútil), um patamar acima está a esfera dos valores vitais (o nobre e o vulgar, os sentimentos de alegria e tristeza, ciúme, orgulho, humilhação, saúde e juventude, doença e velhice, etc), um patamar acima está a esfera dos valores espirituais (estética: o belo e o feio; ética: o bem e o mal e o concomitante direito, o legal e o ilegal; filosofia ou descoberta da verdade em si e as concomitantes ciências, fundadas na utilidade, verdades por referência). (VALE TRÊS VALORES)

 

2) C) A indução amplificante - inferir de alguns casos particulares, empíricos, uma lei geral; exemplo, observo 200 sobreiros e verifico que em todos se forma uma casca de cortiça e induzo que «Todos os sobreiros do mundo produzem cortiça»- baseia-se na percepção empírica ou observação directa pelos sentidos (visão, tacto, etc; vejo a cortiça nos sobreiros). A dedução- inferir de uma lei ou tese geral para outra tese geral ou para casos particulares - também se relaciona com a percepção empírica (o ver, o tocar, o cheirar, etc) na medida em que esta última confirma ou não a dedução. (VALE TRÊS VALORES)

 

3) Anarquista: «A propriedade das fábricas deve ser dos trabalhadores e elas devem ser geridas pela assemleia geral de todos os trabalhadores. Queremos a autogestão e não a nacionalização (o Estado patrão) nem a privatização (o patrão capitalista privado).

Comunista : «A propriedade das fábricas deve ser de todo o povo, elas devem ser nacionalizadas a fim de garantir emprego aos trabalhadores e dirigidas por funcionários comunistas que asseguram a realização do plano de produção colectivista decidido pelo governo leninista».

Social-democrata: «As fábricas devem estar, em grande parte na mão de capitalistas privados, aos quais serão aplicados altos impostos progressivos, mas algumas (minas, siderurgia, armamento, etc) devem estar nacionalizadas, ser propriedade do Estado, a fim de fortalecer a classe média.»

Liberal: «As fábricas devem estar todas ou quase todas nas mãos de capitalistas privados, que são o motor da economia.»

Fascista: «As fábricas devem ser dos patrões mas estes não poderão fechá-las nem despedir operários a seu bel-prazer. O Estado nacional fascista terá algumas empresas nacionalizadas - electricidade, minas, siderurgia, etc - e  zelará para que não haja greves nem protestos de esquerda ou outros nas fábricas em geral.»

 

Anarquista: « A democracia parlamentar é um Estado e todos os Estados são ditaduras da classe capitalista ou das classes feudais e semifeudais sobre os trabalhadores. Os anarquistas desprezam as eleições ao parlamento pois estas nunca levam à autogestão, ao poder do povo.»

Comunista leninista:« A democracia parlamentar é melhor que o fascismo mas é um regime que protege os capitalistas privados e a desigualdade social. Os comunistas concorrem às eleições legislativas e autárquicas locais mas gostariam mais de uma ditadura de esquerda, em que a economia fosse nacionalizada sob um governo comunista.»

Socialista democrático: «A democracia parlamentar é o melhor regime político porque os cidadãos gozam de liberdades de greve, imprensa, manifestação de rua, iniciativa empresarial e escolhem livremente através do voto quem os deve governar.»

Liberal: «A democracia parlamentar é o melhor regime político porque os cidadãos gozam de liberdades de greve, imprensa, manifestação de rua, iniciativa empresarial e escolhem, livremente, através do voto quem os deve governar.»

Fascista: «A democracia parlamentar é um regime de fraca qualidade porque permite a liberdade de acção de anarquistas, comunistas, socialistas, gays, lésbicas, emigrantes indesejados, e entrega aos riquezas da pátria áo capital estrangeiro. Os fascistas desejam um Estado nacional, de partido único, uma ditadura de direita.» (VALE QUATRO VALORES)

 

  

 

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Terça-feira, 26 de Fevereiro de 2013
Equívocos em testes de filosofia do blog «Dúvida metódica»

 

Os professores que seguem a linha das "perguntas de escolha múltipla com uma só resposta certa, expressa num X colocado pelo aluno em uma das quadrículas", dão, frequentemente, erros na construção dos testes de filosofia. Falta-lhes a visão do uno que é própria da dialética: é comum isolarem a «verdade» numa única proposição de entre quatro, sem se aperceberem que formularam mais que uma resposta certa. Milhares de professores de filosofia cometem este tipo de erro de hiper-análise: vêem a árvore, mas não a floresta. 

 

Presumo que a maioria dos que ensinam filosofia são de nível intelectual mediano ou mesmo medíocre. Há até causas sociológicas que ajudam a explicar este fraco nível: em geral, os professores entre os 30 e os 50 anos de idade não filosofaram nem lutaram como antifascistas antes de 25 de Abril de 1974, não conheceram as doutrinas marxista e anarquista, a dialética, o estruturalismo, nem a metafísica de direita tradicional (Guenón, Évola, Mircea Eliade, etc). São duas gerações deficitárias na amplitude do saber filosófico, sugadas, em muitos casos, pelo buraco negro da "filosofia analítica".  

 

Eis algumas questões mal construídas em um teste de diagnóstico de filosofia do 10º ano de escolaridade em Portugal, de Setembro de 2011 extraído do blog «Dúvida Metódica», de Carlos Pires e Sara Raposo, que a propaganda falaciosa de Domingos Faria e outros  amigos de Desidério Murcho e Aires Almeida apresenta como «um dos melhores blogs de filosofia na internet»(!):

 

 

1.3) A diversidade de opiniões existe, por exemplo, em relação a assuntos como:

    A. A religião, a política e a geometria.

    B. As relações sociais e os assuntos da vida.

    C. A política e a geometria

    D.  A religião e a matemática.

    E. Nenhuma das respostas anteriores é correcta.

 

Crítica: À primeira vista, ser-se-ia levado a supor que só a resposta B é correcta. Mas não é assim: a respostas A e C estão igualmente correctas porque na geometria há divergência de opiniões, há geometrias euclidianas e não euclidianas - por exemplo, a concepção de espaço curvo, ondulatório na teoria da relatividade de Einstein, supõe uma geometria não euclidiana e está longe de recolher a unanimidade de opiniões dos geómetras. A questão 1.3 está, pois,mal construída.  

 

 

1,8) A passagem da teoria geocêntrica para a teoria heliocêntrica é um exemplo que permite demonstrar que:

 

A) Uma opinião numa época foi rejeitada numa época seguinte.

B) As opiniões mudam de época para época.

C) Todas as opiniões aceites numa época consideram-se erradas na época seguinte.

D) Algumas opiniões erradas consideram-se verdadeiras na época seguinte.

E) Nenhuma das respostas anteriores é correcta. 

 

Crítica: A autora desta questão, Sara R., pretende que só uma das respostas é correcta. Ora, se reflectirmos bem, verificamos que tanto a resposta A) como a B) e a D) estão correctas. Portanto, esta questão está mal construída e vai penalizar alunos que responderam bem mas diferente da única reposta que se considera certa.

 

E, em um teste de Maio de 2011, de Sara Raposo, figuram as seguinte questões:

 

2.2 "...Concepção de Deus segundo a qual este é único, todo-poderoso, omnisciente, misericordioso, absolutamente bom, etc" expressa uma posição:

 

A) ateísta.

B) teísta.

C) religiosa

D) agnóstica

E) Nenhuma das alternativas anteriores é correcta.

 

Crítica: Há duas respostas correctas e não uma- supostamente a B) teísta - como pensou a autora da questão. O teísmo é espécie dentro do género religião. A resposta C) está também correcta: a crença no Deus único e misericordioso é uma posição religiosa. A questão 2.2 possui, pois, certa ambiguidade.

 

2.3  A alínea que constitui um exemplo de politeísmo é:

 

A) Alá.

B) Zeus.

C) os deuses gregos;

D) Jesus Cristo.

E) Nenhuma das alternativas anteriores é correcta.

 

Crítica: A autora do teste presume que só há uma resposta correcta: a C), os deuses gregos. Mas de facto há duas respostas correctas: a resposta B), Zeus, o pai dos deuses do Olimpo, está igualmente certa, visto que Zeus é apenas a figura mais importante do panteão dos deuses gregos, um politeísmo. Logo, a questão 2.3 é deficiente.

 

CONFUSÕES SOBRE DETERMINISMO

 

Sara Raposo, que com Carlos Pires tem a autoria do blog «Dúvida Metódica», escreveu no post «Se o determinismo radical for verdadeiro, salvar 155 pessoas não tem qualquer mérito, publicado em 3 de Fevereiro de 2009 nesse blog:

 

«A palavra “determinismo” exprime a ideia de que tudo o que acontece é o efeito ou o resultado de um acontecimento anterior. Assim, os acontecimentos não ocorrem devido ao acaso, têm sempre uma causa que, ao ser conhecida, nos permite compreender a razão de ser dos factos.
«Assim, dizemos que o acontecimento X causou o acontecimento Y (por exemplo: ao largar uma caneta, a existência da força gravítica é a causa da sua queda para o solo). Assim, torna-se possível, conhecido o nexo causal entre determinados fenómenos, prever a sua ocorrência, pois supomos que há uma relação necessária entre a causa e o efeito, o que significa que a presença de um conduz inevitavelmente à ocorrência do outro. Esta concepção filosófica permite descrever, segundo a teoria do determinismo radical, não só os fenómenos da natureza como também as acções humanas.» (Sara Raposo. «Se o determinismo radical for verdadeiro, salvar 155 pessoas não tem qualquer mérito»; o bold é posto por mim).

 

Definir determinismo como "a teoria que exprime a ideia de que tudo o que acontece é o resultado de um acontecimento anterior" é um erro, erro generalizado entre os filósofos analíticos. Esta errónea definição dada por Sara Raposo exprime, sim, o princípio da razão suficiente formulado por Schopenhauer - que poderíamos designar por causalismo: nada acontece sem uma causa - mas não o determinismo que postula que nas mesmas circunstâncias as mesmas causas A produzem sempre os mesmos efeitos B. Quando se diz que Deus criou o mundo por um acto livre existe um acontecimento anterior à criação - a vontade divina - mas não há aí qualquer determinismo, mas sim um «livre-arbítrio» divino, uma causa incausada. Ora o livre-arbítrio é causa de muitos acontecimentos e, onde ele existe, há causa sem determinismo.

 

 

NÃO SE PODE CONHECER O QUE É FALSO?

 

A propósito de conhecimento, pairam igualmente confusões neste blog «Dúvida Metódica». Carlos Pires escreve:

 

«Só se pode conhecer o que é verdadeiro, aquilo que de facto sucede. Aquilo que não sucede não pode ser conhecido, pois nada há para conhecer.
Tal como uma pessoa se pode enganar e julgar ver algo sem realmente estar a ver, também se pode enganar e julgar que conhece e afinal não conhecer.
Mas isso não significa que a pessoa tenha um conhecimento falso. É comum ouvirmos falar de conhecimentos falsos. No entanto, essa expressão não pode ser entendida literalmente, é apenas uma maneira de falar. Se conhecer é conhecer verdades, se não se podem conhecer falsidades, então não há conhecimentos falsos. Se uma crença é falsa, não é conhecimento. Se uma crença constitui conhecimento, não é falsa. Por isso, há crenças falsas mas não conhecimentos falsos

 

«Em suma: para haver conhecimento é preciso haver verdade. Esta é uma condição necessária do conhecimento.» (Carlos Pires, O carácter factivo do conhecimento, in «Dúvida Metódica»; o bold é posto por mim).

 

O termo conhecimento possui dois sentidos, como exige a dialética, disciplina estranha a Nigel Warburton, Simon Blackburn, João Branquinho, Desidério Murcho e outros divulgadores da filosofia analítica: o conhecimento de ideias e teorias, que são interpretações da realidade; o conhecimento da realidade, objectiva em si mesma. Por isso, é possível conhecer falsidades, que são ideias, imagens e teorias erróneas. Exemplo: pode conhecer-se a teoria da vacinação, uma falsidade científica que propaga a ideia de imunização através da inoculação de vírus vivos ou atenuados e toxinas no organismo humano; e pode conhecer-se a verdade objectiva de milhares de pessoas não vacinadas que nunca contraíram a "respectiva" doença, a verdade objectiva de pessoas com regimes de saúde natural (veganismo, macrobiótica, lacto-ovo-vegetarianismo, etc) que gozam de maior saúde do que os milhões de infectados por vacinas.

 

A tese de que "só pode conhecer-se a verdade" é antidialética e totalitária: não há verdade sem falsidade, conhecer a verdade implica conhecer ao menos o vulto da não verdade, isto é, da falsidade. Há duas noções de verdade em foco: a verdade em si mesma, objectiva, e a verdade como apreensão pelo sujeito (aletheia). Isto não é entendido por Carlos Pires nem pelos articulistas da «Crítica na rede»,  conhecido veículo de divulgação do confuso pensamento analítico em Portugal e Brasil.

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Terça-feira, 19 de Fevereiro de 2013
Teste de filosofia do 10º ano de escolaridade ( 2º período lectivo)

 

Eis um teste de filosofia, o primeiro do segundo período lectivo, que não usa o terreno pantanoso das perguntas de resposta múltipla que é típico dos sectários da filosofia analítica, pobres em pensamento.  

 

Escola Secundária Diogo de Gouveia , Beja
TESTE DE FILOSOFIA, 10º ANO TURMA C
14 de Fevereiro de 2013. Professor: Francisco Queiroz

 

I

«O imperativo categórico de Kant é formal e autónomo e é distinto do hedonismo sensualista de Aristipo de Cirene. O templo cristão da Idade Média foi construído segundo o princípio da correspondência microcosmo-macrocosmo e implicava uma certa mística, incluindo a gematria da Cabala, e talvez a reminiscência de arquétipos

 

1) Explique concretamente este texto.

 

II

 

2) Relacione, justificando:

 

A) Realismo crítico e racionalismo.
B) Dualismo antropológico no estoicismo e dualismo no taoísmo.
C) Ética utilitarista de Stuart Mill e determinismo com livre-arbítrio (determinismo moderado).

III

3) Disserte sobre o seguinte tema:

 

“As quatro causas de um ente segundo Aristóteles, os quatro arquês e a cosmogénese segundo Pitágoras de Samos ”.

 

 

 

CORRECÇÂO DO TESTE, COTADO PARA UM TOTAL DE 20 VALORES

 

1) O imperativo categórico, verdadeira lei moral, gerada no eu racional ou numénico, é formal, ou seja abstracto, porque apresenta a seguinte formulação: «Age como se quisesses que a tua acção fosse uma lei universal da natureza». Dá-se apenas a forma (equidade, agir de igual modo com todos) mas não o conteúdo concreto. Por isso deixa a cada pessoa autonomia para preencher o seu imperativo categórico pessoal. É, pois, autónomo. É diferente do hedonismo sensualista de Aristipo de Cirene uma vez que este postulava que o maior bem é o prazer dos sentidos (comer, beber, entregar-se ao sexo, etc) e o mal é a dor, a privação de bem-estar. O agir por dever em Kant, opõe-se ao agir por prazer sensual, em Aristipo. (ESTAS FRASES VALEM TRÊS VALORES). O templo cristão da Idade Média era um microcosmo (pequeno mundo organizado) que reflectia o macrocosmo (o grande universo): por isso a catedral medieval tinha a forma de um homem (Cristo) de braços abertos. A abside correspondia à cabeça de Cristo e estava voltada para Oriente, onde nasce o Sol símbolo de Cristo. O altar corresponde ao coração e o transepto aos braços abertos. As naves ao tronco e pernas de Cristo. Assim o que está em baixo (o templo) é espelho do que está em cima (um gigantesco corpo de Cristo atravessando o universo).  Isto implica mística ou seja união íntima com a divindade. E comportava a gematria, uma disciplina da Kabalah judaica, que faz corresponder letras a números (exemplo: A=1, B=2, C=3, D=4). Por exemplo, sendo o nome de Cristo em grego equivalente ao número 888, o eixo que liga a base do altar à cúpula da catedral de Troyes mede 88 pés e 8 polegadas - medida intencional. A construção do templo na medida em que incorporava cilindros, prismas e outros poliedros era talvez uma reminiscência, isto é, uma vaga lembrança dos arquétipos de cilindro, de prisma e outros existentes, segundo Platão, num mundo acima do céu visível chamado mundo inteligível ou das formas puras. (VALE QUATRO VALORES).

 

2) A) Realismo crítico é a teoria gnosiológica segundo a qual há um mundo de matéria exterior ao espírito humano e este não capta esse mundo como é. Descartes, realista crítico, sustentava que as cores, os cheiros, os sons, sabores, o quente e o frio só existem no interior da mente, do organismo do sujeito, e que o mundo exterior é apenas composto de formas, movimentos e tamanhos. Isto é racionalismo, pois esta teoria afirma que a razão é a principal fonte de conhecimento, negando uma parte das percepções empíricas.(VALE TRÊS VALORES).

 

2) B) O dualismo antropológico no estoicismo, filosofia baseada na aceitação do destino e no lema «Aguenta e abstèm-te», consiste em dividir o ser humano en 2 polos: o eu racional ou guia interior, que consegue dominar as paixoes e filosofar; o eu animal ou corpo, fonte das paixões da ambição, da cólera, dos prazeres da carne.

O dualismo no taoísmo pode ser visto segundo vários ângulos: o Tao, mãe e ritmo do universo, desdobra-se em duas ondas contrárias, Yang (luz, calor, verão, vermelho, crescer) e Yin (escuridão, frio, inverno, azul, diminuir); o agir, que é próprio dos ambiciosos, dos políticos e dos que se consagram ao estudo livresco, e o não agir, que é próprio do sábio contemplativo e do camponês que segue o ritmo da natureza, isto é, o Tao. (VALE TRÊS VALORES).

 

2) C) A ética utilitarista de Stuart Mill tem como pilar primeiro o princípio da maior felicidade, isto é, propiciar a felicidade à maioria das pessoas envolvidas numa situação, mesmo prejudicando uma minoria de pessoas, e como pilar segundo, os bons princípios da tolerância e do respeito para com o próximo e a qualidade superior de certos prazeres do espírito (música, literatura, ciências, etc). Supõe, como seu suporte metaético, o determinismo com livre-arbítrio isto é, a doutrina que sustenta que as mesmas causas produzem sempre os mesmos efeitos, na natureza biofísica (determinismo) e ao mesmo tempo, os homens dispõem de livre-arbítrio, isto é, de capacidade de escolha livre após reflexão. (VALE TRÊS VALORES).

 

3) Há 4 causas de um ente, segundo Aristóteles: formal (a forma do ente), material (a matéria-prima de que é formado o ente) eficiente (aquele ou aquilo que gerou ou fabricou o ente) e final (a finalidade do ente). Na doutrina de Pitágoras de Samos, há quatro princípios (arquês) de todas as coisas que configuram a cosmogénese (nascimento do cosmos) do seguinte modo: do vazio surge um ponto (número um); o ponto desdobra-se em dois que afastando-se formam uma linha recta (número dois); da recta sai um ponto que projectando-se sobre ela segundo infinitas rectas gera um plano (este é o número três); do plano sai um ponto que, projectando-se segundo três linhas rectas sobre esse plano, gera o tetraedro ou pirâmide de três lados (esta é o número quatro). Estes números-figuras, combinando-se entre si, formam todos os objectos do universo (árvores, planícies, animais, homens, etc). A soma dos quatro números figuras essenciais dá 10, o número divino ou tétrade. (VALE QUATRO VALORES).

 

 

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Teste de filosofia do 10º ano de escolaridade (2º período lectivo, 2013)

 

Eis um teste de filosofia, o primeiro do segundo período lectivo, que não usa o terreno pantanoso das perguntas de resposta múltipla que é típico dos sectários da filosofia analítica, pobres em pensamento.  Os professores portugueses podem e devem  resistir ao analfabetismo filosófico promovido pelos partidários da filosofia analítica vulgar, objectivamente ao serviço da manipulação e despolitização da juventude. Há muitos professores que são tão ignorantes que não conhecem a teoria triádica da história de Hegel, a teoria dos três mundos em Platão, as leis da dialética, o idealismo de Berkeley e de Kant - apenas conhecem as leis de Morgan, os inspectores de circunstâncias e umas tantas banalidades filosóficas.

 

Escola Secundária Diogo de Gouveia,  Beja
TESTE DE FILOSOFIA, 10º ANO TURMA B
14 de Fevereiro de 2013.            Professor: Francisco Queiroz

 

I

«“O Tao não age e, no entanto, tudo se faz por seu intermédio”, dizia Lao Tse.  O templo cristão da Idade Média foi construído segundo o princípio da correspondência microcosmo-macrocosmo, de que a teoria platónica da participação é um exemplo, e implicava uma certa mística, incluindo a gematria da Cabala

 

1) Explique concretamente este texto.

 

II

 

2) Relacione, justificando:

A) Máxima, Imperativos Categórico e Hipotético, e Vontade Heterónoma e Autónoma em Kant.

 

B) Dualismo antropológico no estoicismo e três partes da alma em Platão.

 

C) Ética utilitarista de Stuart Mill, relativismo e subjectivismo moral.

 

III

3) Disserte sobre os seguintes temas:

 

“O livre-arbítrio, o fatalismo e o determinismo na acção humana. Os quatro arquês e a cosmogénese segundo Pitágoras de Samos ”.

 

 

CORRECÇÂO DO TESTE, COTADO PARA UM TOTAL DE 20 VALORES

 

1) O Tao, origem e ritmo do universo, oscilação permanente entre o Yang, (dilatação, calor, fogo, dia, alto, som) e o Yin (contração, frio, água, noite, baixo, silêncio), não age, isto é, não actua com intencionalidade, acontece espontaneamente. E tudo se faz por seu intermédio: semear e colher obedece aos ritmos da lua, o trabalho nos escritórios, escolas ou nos campos obedece à alternância dia-noite (Tao), a cura das doenças demora X dias (obedecendo ao Tao), as estações o ano desenrolam-se segundo o Tao, etc. (ESTAS FRASES VALEM TRÊS VALORES). O templo cristão da Idade Média era um microcosmo (pequeno mundo organizado) que reflectia o macrocosmo (o grande universo): por isso a catedral medieval tinha a forma de um homem (Cristo) de braços abertos. A abside correspondia à cabeça de Cristo e estava voltada para Oriente, onde nasce o Sol símbolo de Cristo. O altar corresponde ao coração e o transepto aos braços abertos. As naves ao tronco e pernas de Cristo.Assim o que está em baixo (o templo) é espelho do que está em cima (um gigantesco corpo de Cristo atravessando o universo). A teoria da participação em Platão sustenta que os entes do mundo da matéria participam, isto é imitam, dos arquétipos ou modelos perfeitos existentes no mundo inteligível. Assim as estátuas de Cristo na catedral participam no modelo inteligível que é o Cristo vivo, na transcendência. Isto implica mística ou seja união íntima com a divindade. E comportava a gematria, uma disciplina da Kabalah judaica, que faz corresponder letras a números (exemplo: A=1, B=2, C=3, D=4). Por exemplo, sendo o nome de Cristo em grego equivalente ao número 888, o eixo que liga a base do altar à cúpula da catedral de Troyes mede 88 pés e 8 polegadas - medida intencional. (VALE QUATRO VALORES).

 

2) Máxima, segundo Kant, é um princípio moral subjectivo que cada pessoa adopta. A máxima deve ser transformada em imperativo categórico, isto é, na verdadeira lei moral que, à partida, tem uma formulação abstracta: «Age como se quisesses que a tua acção fosse lei universal da natureza», isto é, aplicável a todos sem distinções. Exemplo: A máxima «Gosto de ajudar pessoas como´higienista naturopata, ensinando-lhes a cura das doenças através da alimentação vegetariana» pode ser transformada no imperativo categórico: «Ensina todas as pessoas do mundo a alimentar-se mediante frutos, legumes frescos e cereais de modo a evitarem e curarem todas as doenças e aplica a ti mesmo essa mesma arte dietética». O imperativo categórico baseia-se na vontade autónoma, livre, do eu racional.

O imperativo hipotético, ou falsa lei moral desenhada no eu inferior, corporal, não racional, enuncia-se assim: «Age de modo a beneficares acima de tudo a ti mesmo, familiares e amigos, secundarizando as outras pessoas ou mesmo prejudicando-as.» Baseia-se na vontade heterónoma (isto é a vontade estranha ao eu racional), nos desejos corporais egoístas. Muitas máximas do tipo «Em primeiro lugar, eu e sempre eu», «Ganhar dinheiro e enriquecer sem me preocupar com a pobreza de outros é o meu lema» dão corpo a este imperativo. (VALE TRÊS VALORES).

 

2) B) O dualismo antropológico no estoicismo, filosofia baseada na aceitação do destino e no lema «Aguenta e abstèm-te», consiste em dividir o ser humano en 2 polos: o eu racional ou guia interior, que consegue dominar as paixoes e filosofar; o eu animal ou corpo, fonte das paixões da ambição, da cólera, dos prazeres da carne.

O eu racional equivale, em Platão, ao Nous, ou razão intuitiva, a parte superior da alma, que apreende o Bem, o Belo, o Justo e outros arquétipos; o eu corporal equivale à parte inferior da alma ou Epytimia, sede dos prazeres da comida, bebida, acumulação de dinheiro e bens materiais, etc. A parte intermédia da alma é o Tymus ou Tumus e faz a síntese entre as outras duas: enquanto sede da honra, da coragem e do brio militar tenderá a estar ligada ao Nous. (VALE TRÊS VALORES).

 

2) C) A ética utilitarista de Stuart Mill tem como pilar o princípio da maior felicidade, isto é, propiciar a felicidade à maioria das pessoas envolvidas numa situação, mesmo prejudicando uma minoria de pessoas. É aplicada de forma relativista, isto é, de forma variável, segundo a classe social, a sociedade, a época. Exemplo: a felicidade de um grupo de pessoas X que venceu o euromilhões poderá ser aplicar o dinheiro na compra de casas e automóveis de luxo, mas a felicidade do grupo de pessoas Y que venceu, em outro concurso, o euromilhões poderá consistir em edificar casas de acolhimento para sem abrigo ou crianças orfãs. O subjectivismo é a teoria que afirma que a verdade é íntima, varia de pessoa a pessoa. Ora, em numerosos casos, existe subjectivismo na apreciação do que é fazer feliz a maioria. (VALE TRÊS VALORES)

 

3) O livre-arbítrio é a capacidade de escolher, mediante reflexão, os seus valores e as suas acções. É compatível com o determinismo, princípio segundo o qual nas mesmas circunstâncias as mesmas causas geram os mesmos efeitos, mas é incompatível com o fatalismo, doutrina segundo a qual não existe liberdade nenhuma, nem na natureza física nem no ser humano, e tudo está rigorosamente predestinado.

Na doutrina de Pitágoras de Samos há quatro princípios (arquês) de todas as coisas que configuram a cosmogénese (nascimento do cosmos) do seguinte modo: do vazio surge um ponto (número um); o ponto desdobra-se em dois que afastando-se formam uma linha recta (número dois); da recta sai um ponto que projectando-se sobre ela segundo infinitas rectas gera um plano (este é o número três); do plano sai um ponto que, projectando-se segundo três linhas rectas sobre esse plano, gera o tetraedro ou pirâmide de três lados (esta é o número quatro). Estes números-figuras, combinando-se entre si, formam todos os objectos do universo (árvores, planícies, animais, homens, etc). A soma dos quatro números figuras essenciais dá 10, o número divino ou tétrade. (VALE QUATRO VALORES).

 

  

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Domingo, 12 de Fevereiro de 2012
Testes de filosofia do 10º ano de escolaridade em Portugal (segundo período lectivo)

 

Eis dois testes de filosofia para o 10º ano de escolaridade, a meio do segundo período lectivo, possíveis de ser dado só dentro de uma cultura de exigência e ensino filosófico autêntico. Os alunos dos professores populistas e facilitistas que ensinam pouco, e dão altas classificações sobreavaliadas a muitos desses alunos, não conseguem, presumivelmente, responder com êxito a este teste.

 

 

Escola Secundária Diogo de Gouveia, Beja

 

TESTE DE FILOSOFIA, 10º ANO TURMA A

 

Fevereiro de 2012        Professor: Francisco Queiroz            

 

I

 

“O imperativo categórico em Kant tem analogia com a democracia liberal e é formal e autónomo. O livre-arbítrio, incompatível com o fatalismo mas compatível com o determinismo, parece corresponder às causas eficiente e final de certos actos. A concepção de Estado marxista-leninista é diferente da concepção de Estado fascista.”

 

 

 

1) Explique, concretamente, cada uma destas frase

 

II

 

2) Construa um diálogo entre um anarquista, um liberal e um social-democrata sobre a natureza do Estado de democracia liberal e o valor das eleições, a propriedade privada das empresas e a economia, os impostos, os direitos à greve, ao aborto voluntário, o ensino, o sistema de saúde, o rendimento mínimo garantido.

 

III

 

«Aquele que se dedica ao estudo cresce de dia para dia, aquele que se dedica ao Tao diminui de dia para dia. Vai diminuindo sempre até chegar ao não agir. Pelo não agir, nada há que se não faça.» (Lao Tse)

 

 

IV

 

4) Relacione, justificando:

 

A) Arquétipo, em Platão, e Tó Tí e Tó On.

 

B) Hermenêutica, ideologia e juízo de valor.

 

C) Empirismo/ Racionalismo e doutrinas éticas de Kant e Stuart Mill.

 

D) Realismo Ontológico/ Idealismo Ontológico e Sujetividade/Objetividade.

 

  

5)Disserte sobre os temas seguintes:

 

«A essência, a lei da tríade e o princípio do terceiro excluído na minha escola e na minha cidade.»

 

 

 

 CORREÇÃO DO TESTE (COTADO EM 20 VALORES)

 

 Respostas: 

 

1) O imperativo categórico, em Kant, é a verdadeira lei moral que preconiza «Age como se quisesses que a tua máxima fosse lei universal da natureza», isto é, um princípio igualmente aplicável a todos os homens, incluindo a ti mesmo, princípio de equidade e não de prazer egoísta. Isto tem semelhança com a democracia liberal (regime político-social de eleições livres, liberdade de associação empresarial, sindical e política, liberdade de greve e manifestação de rua, de religião ou ateísmo, liberdade de criação artística, etc) já que essa democracia deriva do seguinte imperativo categórico existente em milhões de pessoas;. «Age politicamente e vive como se quisesses que a tua ação expandisse a toda a humanidade os princípios da liberdade individual concretizados nas regras de de «a cada um homem, um voto», em eleições livres e periódicas aos parlamentos nacionais, regionais e locais, em liberdade de imprensa, de manifestação de rua, de organização e acção livre de sindicatos, empresas privadas e partidos políticos, etc». O caráter formal do imperativo categórico é o facto de ser abstrato, sem conteúdo, e o caráter autónomo é o facto de variar de pessoa a pessoa, ser criação desta. ( A RESPOSTA A ESTA PRIMEIRA FRASE DO TEXTO VALE DOIS VALORES). 

 

O livre-arbítrio, isto é, capacidade de deliberar, livre e racionalmente, sobre atitudes a adotar ou valores a escolher harmoniza-se com o determinismo - princípio segundo o qual nas mesmas circunstâncias as mesmas causas produzem sempre os mesmos efeitos - mas não pode coexistir com o fatalismo, uma vez que este é a teoria segundo a qual todos os acontecimentos estão predestinados ou escritos antes de se materializarem e, portanto, o livre-arbítrio é nele uma ilusão, os seres humanos são marionetas nas mãos do destino. O livre-arbítrio na medida em que exige «ver» intelectualmente a finalidade das nossas decisões e actos corresponde à causa final de algo (exemplo: decido jejuar 24 horas porque "vejo" o resultado final dessa acção, o meu corpo purificado de um excesso de colesterol e ácidos) e na medida em que desencadeia a acção do sujeito corresponde à causa eficiente, isto é, ao agente que faz ou fabrica algo (exemplo: a minha vontade de manter o jejum desvia-me da comida e da bebida). (A RESPOSTA À SEGUNDA FRASE DO TEXTO VALE DOIS VALORES) 

 

A concepção de Estado marxista-leninista é a seguinte: o Estado deve ser um instrumento do poder da classe operária e do seu partido comunista, por isso deve centralizar a economia (nacionalizar todas ou quase todas as empresas e dar emprego a toda a gente), suprimir as eleições "livres" porque estas possibilitam aos partidos da burguesia (conservadores, liberais, centristas e socialistas) fazer propaganda contra o Estado socialista leninista, suprimir o pluripartidarismo, a liberdade de imprensa, de greve e manifestação, eliminar os opositores de esquerda (anarquistas, trotskistas, etc). A concepção de Estado fascista é diferente, embora igualmente ditatorial: o Estado deve ser um instrumento de poder da nação e do seu partido fascista, que regulará a economia deixando coexistir o capitalismo privado e o capitalismo de estado, não permitirá eleições livres e partidos políticos, nem imprensa e televisão livre, impedirá a luta de classes (as greves, as manifestações de rua, etc) e a entrada de emigrantes, fará prender através da polícia política os ativistas de esquerda, centro ou direita liberal que sejam antifascistas perigosos. (A RESPOSTA À TERCEIRA FRASE VALE DOIS VALORES).

 

II

 

2) ANARQUISTA: Não deve haver Estado. O Estado, seja uma ditadura fascista ou monárquica, ou uma democracia liberal ou uma ditadura marxista-leninista, é sempre uma máquina burocrática, uma ditadura sobre a classe operária e os trabalhadores. A propriedade privada das fábricas, terras, bancos e supermercados, empresas de pesca e transportes e comunicações,  é imoral, assenta na exploração dos trabalhadores pela burguesia e deve ser abolida. Sou pela extinção do capitalismo através da autogestão: as fábricas aos operários, as terras aos jornaleiros agrícolas, as escolas aos alunos e professores! O poder aos operários nas fábricas, reunidos em assembleias de base! O poder à assembleia de moradores em cada bairro! O rendimento mínimo garantido é uma concessão dos capitalistas para calar os mais pobres, uma reforma, uma esmola, mas queremos mais, queremos a revolução social, o socialismo autogestionário, a economia colectivista e descentralizada. Apoiamos o direito ao aborto e à greve. 

 

SOCIAL-DEMOCRATA: Tem de haver Estado, um estado de direito democrático, que permita organizar a vida de um povo. A anarquia ou ausência de Estado é uma utopia, um ideal impraticável. Sou contra os Estados totalitários, dominados por um só partido político ou por um presidente ditatorial: o Estado marxista-leninista, à esquerda, e o Estado fascista, à direita, que coincidem ao eliminar as liberdades individuais e as eleições livres, em nome da "classe" ou da "nação". A economia, embora capitalista, deve ter um sector estatizado (metropolitano, carris, águas, electricidade, um canal de televisão, sistema nacional de saúde e ensino, etc) onde o serviço ao público, com preços e taxas baixos se deve sobrepor à busca do lucro. Favoreço o direito à greve, ao aborto livre e impostos progressivos sobre os ricos.O rendimento mínimo garantido e o subsídio de desemprego de longa duração são criações da social-democracia que evitam as situações de pobreza extrema.

 

LIBERAL: O Estado é imprescindível e deve ser uma democracia pluripartidária com eleições livres mas precisamos de menos Estado, isto é, muitas empresas estatais (águas, eletricidade, caminhos de ferro, hospitais e centros de saúde, o sistema prisional ou parte dele, etc) podem e devem ser privatizadas de modo a que desçam os impostos sobre os cidadãos e se atraiam os capitais dos muito ricos, nacionais ou estrangeiros. O capitalismo privado é o grande motor da economia e o modelo justo de sociedade. Sou contra os anarquistas, defensores de um comunismo libertário, de base, e sou contra o socialismo democrático com a sua tendência estatizadora de empresas e o seu rendimento mínimo garantido que desencoraja pessoas válidas a procurar emprego. Sou pela privatização das universidades e dos hospitais, ou de muitos deles, e de parte ou todo o ensino secundário que custam muitos milhões em impostos aos contribuintes. Admito o direito ao aborto livre e à greve. (VALE TRÊS VALORES, NO CONJUNTO DO DIÁLOGO).

 

3)  O Tao é o ritmo do universo, a mãe do Universo, o fundo oculto de onde brotam o ser e o não ser. É uma onda que se desdobra em Yang (calor, convexidade, expansão) e Yin (frio, concavidade, contração). Ver nascer o sol no campo integra-se no Tao mas estar a essa hora numa discoteca a dançar freneticamente ao som de batidas rápidas não é conforme ao Tao. Estudar horas e horas diárias opõe-se ao Tao porque exige um esforço artificial e o estudo não produz os alimentos simples da vida, como o pão, os frutos, as hortaliças. O camponês que cuida do gado e das árvores, esse, sim, dedica-se ao Tao (o ritmo das estações do ano, o crescer e amadurecer das plantas, etc) e vai diminuindo em prestígio até chegar ao não agir, isto é, a não intervir social e politicamente, a apagar-se em importância. E quando não se age, isto é, quando se deixa correr o ritmo natural das coisas, tudo se consegue obter, como no caso daquele que, sentido-se indisposto, jejua dois dias seguidos e com o jejum (não agir) dá repouso ao fígado e permite à força vital corporal eliminar ácido úrico, gorduras de modo a reencontrar a saúde. (VALE DOIS VALORES).

 

4) A)  Arquétipo é uma forma eterna, imutável, do mundo inteligível, incorruptível e perfeita que possui um tó tí, uma determinação ou forma (exemplo: Belo é um to tí diferente de Justo e de Número Dois e todos estes são arquétipos) e possui também um tó ón, uma existência sem forma comum a todos os arquétipos. (VALE DOIS VALORES)

 

4) B) Hermenêutica é a arte de (bem) interpretar os textos e os símbolos em geral, a interpretação supõe juízos de valor isto é afirmações ou negações mais ou menos subjectivos - exemplo: « os líderes políticos e artísticos que saudam fazendo cornos com o dedo indicador e o dedo mínimo estão a transmitir uma mensagem subliminar iluminatti» - e supõe uma ou várias ideologias, isto é, sistemas de valores e ideias correspondentes a grupos sociais, classes sociais, nações, civilizações. (VALE DOIS VALORES).

 

4) C) Empirismo é a doutrina que afirma que a fonte quase exclusiva das nossas ideias é o campo das percepções empíricas e que as ideias são cópias descoloridas dessas percepções. Racionalismo é a doutrina que afirma que a fonte quase exclusiva das nossas ideias é o campo das intuições inteligíveis e dos raciocínios que negam, com frequência, as percepções empíricas. Aparentemente pelo menos, a doutrina de Kant é a mais racionalista, pois formula o imperativo categórico, que despreza o eu empírico e brota do eu racional, que concebe o dever. E a doutrina de Mill é mais empirista, pois maximizar o prazer (sensual ou empírico, antes de mais) implica conhecer bem o terreno, o número de pessoas envolvidos, os resultados práticos - tudo condições empíricas. (VALE DOIS VALORES). 

 

4) D) Realismo ontológico é a doutrina segundo a qual o mundo material é real em si mesmo, fora dos espíritos humanos.Liga-se à objetividade pois considera-se a matéria objetiva, isto é, exterior a nós, visível e palpável a todos. Idealismo ontológico é a doutrina segundo a qual o mundo de matéria não é real fora de nós mas dentro do nosso espírito, em forma de ideias e sensações. Isto parece ligar-se a subjetividade ou seja interioridade psíquica variável de pessoa a pessoa. (VALE DOIS VALORES).

 

5) A essência é a forma fundamental de algo. Na minha escola, a essência é dupla: o edifício, com salas de aula, ginásio, biblioteca, etc, (essência física); o processo de aprendizagem intelectual e manual que aí se realiza todos os dias, envolvendo professores e alunos. Na minha cidade, a essência é a forma geral arquitectónica e a população que nela vive.

A lei da tríade afirma que um processo dialético se compõe de três partes: a tese ou afirmação, a antítese ou negação e a síntese, ou negação da negação, representando esta última um regresso à tese. Na escola, a aula é a síntese, o resultado do confronto intelectual entre os professor (tese, aquele que põe uma matéria) e os alunos (antítese, aqueles que negam ou ignoram, de início, essa matéria). Na cidade, o centro histórico é a tese, os bairros modernos da segunda metade do século XX e XXI é a antítese, as ruas ou praças em que confluem é a síntese.

O princípio do terceiro excluído afirma que uma coisa ou qualidade ou é tal ou não é tal, ou seja, ou pertence ao grupo A ou ao grupo não A, não havendo a terceira hipótese. Na escola, as salas ou são de aulas ou não são de aulas, não havendo a terceira hipótese. Na cidade, cada casa está classificada como património de interesse municipal ou não está classificada como património de interesse municipal. (VALE DOIS VALORES).  

 

 

Nota para a correção: nas perguntas de relacionação entre dois ou mais conceitos, a cotação para cada resposta dada deve obedecer a um princípio de premiar o aluno que estuda e sabe as definições separadamente: assim deverá receber 50% a 60% da cotação da pergunta desde que defina correctamente os conceitos, embora não consiga interligá-los.

 

Analisemos agora outro teste.

 

Escola Secundária Diogo de Gouveia, Beja

 

TESTE DE FILOSOFIA, 10º ANO TURMA D

 

Fevereiro de 2012            Professor: Francisco Queiroz

 

I

“O princípio da máxima felicidade em Stuart Mill tem analogia com a democracia liberal e o imperativo categórico em Kant é formal e autónomo. Nas quatro causas de um ente teorizadas por Aristóteles, duas parecem ter íntima ligação com o livre-arbítrio, e duas parecem ter maior ligação com o determinismo. A concepção de Estado social-democrata é diferente da concepção de Estado fascista.”

 

1) Explique, concretamente, cada uma destas frases.

                                                        II

2) Construa um diálogo entre um anarquista, um comunista leninista e um conservador sobre a natureza do Estado de democracia liberal e o valor das eleições, a propriedade privada das empresas e a economia, os impostos, os direitos à greve, ao aborto voluntário, o ensino, o sistema de saúde, o rendimento mínimo garantido.

III

«.A virtude suprema é sem virtude, é por isso que ela é a virtude. A virtude inferior não se afasta das virtudes, é por isso que não é a virtude. O Tao que se procura alcançar não é o próprio Tao. Pelo não-ser, atinjamos o seu segredo; pelo ser, abordemos o seu acesso. »(Lao Tse)

 

3)  Explique este poema de Lao Tse.

IV

4) Relacione, justificando:

A) Os três mundos em Platão , em Platão, percepção empírica e conceito.

B) Hedonismo cirenaísta, ideologia e mais-valia.

C) Empirismo/ Racionalismo e Metafísica/Pragmatismo.

D) Realismo Ontológico/ Idealismo Ontológico e Dogmatismo/Ceticismo.

 

5)Disserte sobre os temas seguintes:

«A essência e o acidente (interno e externo), e a lei da luta de contrários na minha escola e na minha cidade.»

 

 

CORREÇÃO DO TESTE (COTADO EM 20 VALORES)

 

1) O princípio da máxima felicidade, segundo Stuart Mill, é o que prescreve proporcionar a felicidade à maioria das pessoas envolvidas numa dada situação mesmo que isso implique sacrificar o prazer de quem realiza a ação ou da minoria de pessoas envolvida nessa situação. Sendo a democracia liberal o regime baseado em eleições livres e periódicas por sufrágio universal, com liberdade de imprensa e ação dos partidos políticos, sindicatos, igrejas, etc, regime que forma o seu governo a partir de maiorias de votos da população e dos deputados eleitos por esta, obedece ao princípio da felicidade para o maior número. (VALE UM VALOR) O imperativo categórico de Kant é formal, visto que é vazio de indicações concretas, e autónomo, visto que se baseia no juízo livre de cada pessoa e varia de pessoa a pessoa (VALE UM VALOR).

 

Das quatro causas de um ente, em Aristóteles, as duas que parecem estar mais ligadas ao livre-arbítrio, isto é,à liberdade consciente de escolha são a causa eficiente ( o agente que fabrica o ente; exemplo, os operários que fazem uma casa) e a causa final (a finalidade do ente; exemplo, a casa servir para habitação), ao passo que as causas mais ligadas aparentemente ao determinismo, princípio segundo o qual nas mesmas circunstâncias as mesmas causas produzem sempre os mesmos efeitos, são a causa formal (a forma do ente; exemplo, a forma da casa, com 2 pisos, 5 quartos, etc) e a causa material (a matéria segunda de que o ente é feito; exemplo, os tijolos, o cimento, o ferro, a tinta da casa) (VALE DOIS VALORES; NOTA: HÁ OUTRAS RESPOSTAS VÁLIDAS).

 

A concepção ou seja a ideia fundamental do Estado social-democrata é: o Estado deve garantir direitos iguais a todos os cidadãos, logo deve ser uma democracia multipartidária e parlamentar, permitindo as liberdades de greve, manifestação de rua, imprensa, associação e ação política e sindical, aborto, e deve favorecer a economia capitalista, de livre concorrência e propriedade privada das empresas, mas deve regular essa economia de modo a evitar oligarquias e, portanto, manterá algumas empresas estratégicas em seu poder (exemplo: eletricidade, águas, um canal de televisão, etc) aplicará impostos progressivos aos ricos, de modo a que haja um sistema nacional de saúde e de ensino gratuitos, uma segurança social que estenda o subsídio a todos os desempregados, incluindo o rendimento mínimo. Este Estado democrático de tonalidade social-democrata difere muito do Estado fascista, que é anti parlamentar e tem um caráter policial repressivo de extrema direita, da oposição e das massas populares, impondo a censura à imprensa escrita e televisão, proibindo eleições livres, sindicatos e partidos políticos, favorecendo as igrejas conservadoras que atacam a liberdade de abortar, as uniões de gays e lésbicas, limitando ou impedindo de todo as entradas de imigrantes estrangeiros no país em nome da "unidade da raça, da pátria, da família, de Deus", intervindo na economia de modo a limitar a plena expansão do capitalismo, admitindo os patrões mas proibindo-lhes despedir operários e proibindo a estes a greve e o sindicalismo livre. (VALE DOIS VALORES).

 

2) Anarquista: O capitalismo é um mau regime. Não deve haver Estado. O Estado, seja uma ditadura fascista ou monárquica, ou uma democracia liberal ou uma ditadura marxista-leninista, é sempre uma máquina burocrática, uma ditadura sobre a classe operária e os trabalhadores. A propriedade privada das fábricas, terras, bancos e supermercados, empresas de pesca e transportes e comunicações,  é imoral, assenta na exploração dos trabalhadores pela burguesia e deve ser abolida. Sou pela extinção do capitalismo através da autogestão: as fábricas aos operários, as terras aos jornaleiros agrícolas, as escolas aos alunos e professores! O poder aos operários nas fábricas, reunidos em assembleias de base! O poder à assembleia de moradores em cada bairro! O rendimento mínimo garantido é uma concessão dos capitalistas para calar os mais pobres, uma reforma, uma esmola, mas queremos mais, queremos a revolução social, o socialismo autogestionário, a economia colectivista e descentralizada. Apoiamos o direito ao aborto e à greve. 

 

Comunista leninista: O capitalismo é sem dúvida um mau regime. Assenta na extração de mais valia pelos patrões aos operários assalariados: se, por exemplo, o operário gera um valor de 80 euros diários, o patrão só lhe paga 30 euros, sendo a mais valia equivalente a 50 euros. O anarquismo, de extrema esquerda, é utópico porque faz desaparecer o Estado e permite que a restauração da ordem pública seja levada a cabo pelas forças de direita. A autogestão generalizada não resulta. É necessário um Estado centralizado, forte, a ditadura do proletariado sobre a burguesia, que nacionalize quase todas as empresas, substuindo o patrão por um gestor público comunista. O partido leninista e os sindicatos e sovietes serão a ossatura do novo Estado socialista operário que acabará com as chamadas "eleições livres" da democracia liberal, onde os vencedores são sempre os partidos que a burguesia financia: conservadores, liberais, centristas, socialistas. No Estado leninista, ensino e cuidados de saúde são gratuitos, não há desemprego, são proibidas as greves, há um partido único, o comunista e são proibidos os partidos políticos burgueses e os grupos anarquistas e trotskistas, da extrema-esquerda sectária e irrealista. No entanto, dentro das democracias liberais, nós comunistas concorremos às eleições, promovemos greves, manifestações de rua, acções sindicais e políticas variadas.

 

Conservador: O capitalismo é o melhor regime possível. O Estado é imprescindível e deve ser uma democracia pluripartidária com eleições livres mas precisamos de menos Estado na economia, isto é, muitas empresas estatais (águas, eletricidade, caminhos de ferro, hospitais e centros de saúde, o sistema prisional ou parte dele, etc) podem e devem ser privatizadas de modo a que desçam os impostos sobre os cidadãos e se atraiam os capitais dos muito ricos, nacionais ou estrangeiros. O capitalismo privado é o grande motor da economia e o modelo justo de sociedade. Sou contra os anarquistas, defensores de um comunismo libertário, de base, e sou contra o comunismo leninista, estatizador e totalitário, e contra socialismo democrático com a sua tendência estatizadora de empresas e o seu rendimento mínimo garantido que desencoraja pessoas válidas a procurar emprego. Sou pela privatização das universidades e dos hospitais, ou de muitos deles, e de parte ou todo o ensino secundário que custam muitos milhões em impostos aos contribuintes. Não admito o direito ao aborto livre e ao casamento de gays e lésbicas. Favoreço a moral religiosa tradicional, apoiando igrejas como a católica ou as protestantes, de modo a que não reine a ausência de valores éticos.  (VALE TRÊS VALORES NO SEU CONJUNTO).

 

3) «A virtude suprema é sem virtude» significa: a virtude superior, como por exemplo, a sabedoria, é interior, discreta, não se apresenta com sinais exteriores de virtude (o sábio pode ir dar uma conferência em mangas de camisa, sem gravata e outros adereços exteriores ligados à imagem de "cientista ou professor universitário"). «A virtude inferior não se afasta das virtudes, é por isso que não é a virtude» significa: a virtude inferior, como por exemplo, saber pôr o dinheiro a render em depósitos de juros altos, coisa que toda a gente faz se puder, não é virtude, é esperteza prática. «O Tao que se procura alcançar não é o próprio Tao» pode significar: o Tao ou ritmo ondulatório do universo e fonte de todos os seres é inatingível e não pode ser alterado, é composto de oscilações «Yang» (luz, dilatação, vermelho) e Yin (escuridão, contração, azul) e não é o Tao pessoal que rege a nossa vida (exemplo:o meu Tao é levantar-me às oito da manhã, trabalhar até ao meio dia, almoçar, fazer uma sesta das duas às três, voltar ao trabalho...)«Pelo não ser atinjamos o seu segredo» significa: através do vazio, do não agir, do não desejar nada (não desejar construir um hotel ou um restaurante num lindíssimo campo de oliveiras do Alentejo, por exemplo) entendemos o segredo do Tao, o ritmo do universo. «Pelo ser, abordemos o seu acesso» significa: como o ser é visível e palpável, ao contrário do não ser, é através do ser natural, físico, que acedemos ao Tao (exemplo: o agricultor observa que em tal dia é lua cheia - ser visível- e sabe que dias depois iniciará uma dada sementeira, conforme ao ciclo natural ou Tao). (VALE DOIS VALORES).

 

4) A) Os três mundos em Platão são: o mundo do Mesmo ou Inteligível, povoado de essências eternas, imóveis e imateriais, como o Bem, o Belo, o Justo, o Igual, o Sábio, o Jústo, o Número Um, o Número Dez, mundo que a mente humana só pode alcançar através do conceito, nunca através da perceção empírica ou visão, audição, tato, gosto, gerada nos orgãos sensoriais; o mundo do Semelhante ou do Céu Visível, onde os astros incorruptíveis giram e geram o tempo, «imagem móvel da eternidade», e na medida em que são vistos estão ao alcance da perceção empírica, mundo que é também o das operações matemáticas e nessa medida é alcançado pelo conceito ou ideia que geramos; o mundo do Outro ou Sensível, onde vivemos fisicamente e onde os "seres" nascem, crescem, declinam e morrem e que está ao alcançe da percepção sensível e do conceito. (VALE DOIS VALORES)

 

4) B) O hedonismo cirenaísta ou sensualista identifica o maior bem com os prazeres físicos (comer, beber, nadar ou correr por gosto, etc) e o maior mal com os sofrimentos físicos (dores corporais, fome, sede, etc) e constitui em si uma ideologia - sistema de ideias e valores próprios de um dado grupo social ou de uma civilização - e a mais valia, ou fruto do trabalho operário ilicitamente apropriado pelo capitalista, manifesta o hedonismo cirenaísta deste último («Vou pagar mal aos meus operários para extrair grande mais valia deles e ter jantares de caviar e faisão com as minhas amantes ou acompanhantes»). (VALE UM VALOR).

 

4)C) O empirismo, corrente que sustenta que quase todas as nossas ideias são cópias pálidas das perceções empíricas, liga-se, aparentemente, ao pragmatismo, corrente que centra o conhecimento nas coisas (pragnata) visíveis e sensíveis, e na utilidade delas, pondo entre parêntesis a metafísica, ou reino das entidades invisíveis, inaudíveis, impalpáveis cuja existência é dificil ou impossível de demonstrar. A metafísica liga-se ao racionalismo se este é definido como a corrente que sustenta que as nossas ideias fundamentais são provenientes não dos orgãos dos sentidos mas da razão ou de um mundo racional-ideal que transcende cada pessoa. (VALE DOIS VALORES)

 

4)D) O realismo ontológico diz que o mundo material é real em si mesmo, independente das consciências humanas. Na medida em que não duvida da exterioridade da matéria, é um dogmatismo. O idealismo ontológico diz que um mundo material é ilusório em si mesmo, é um filme montado no salão vastíssimo da nossa consciência. Na medida em que duvida da realidade exterior da matéria, é um cetismo. (VALE DOIS VALORES).

 

5) Essência é a forma fundamental e estável de algo. Exemplo: O edifício da escola, a comunidade alunos em aprendizagem e professores em transmissão dos saberes e avaliação quotidiana.  Acidente interno é um aspeto interior à essência que se manifesta só às vezes. Exemplo: A campainha da escola que toca em cada 45 minutos, aproximadamente. Acidente externo é o que não pertence à essência mas lhe sobrevém. Exemplo: a vinda da equipa médica hospitalar à escola num determinado dia. A lei da luta de contrários estipula que em cada coisa há uma luta de contrários que constitui a essência e o motor de desenvolvimento dessa coisa. Exemplo: na cidade, a luta política entre a burguesia (os ricos, os agricultores abastados, os grandes comerciantes) e o proletariado e semiproletariado (os operários agrícolas, os pequenos funcionários, os empregados de armazém, as cozinheiras, os varredores, etc) (VALE DOIS VALORES).

 

Nota para a correção: nas perguntas de relacionação entre dois ou mais conceitos, a cotação para cada resposta dada deve obedecer a um princípio de premiar o aluno que estuda e sabe as definições separadamente: assim deverá receber 50% a 60% da cotação da pergunta desde que defina correctamente os conceitos, embora não consiga interligá-los.

 

www.filosofar.blogs.sapo.pt

 

f.limpo.queiroz@sapo.pt

 

© (Direitos de autor para Francisco Limpo de Faria Queiroz)



publicado por Francisco Limpo Queiroz às 09:21
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