Terça-feira, 17 de Junho de 2014
O grau 10 do signo de Aquário e os golpes de Estado fracassados

 

A passagem de um planeta, do planetóide Quiron, do Sol ou de um Nodo da Lua em 10º signo de Aquário é condição necessária mas insuficiente para gerar um golpe de Estado fracassado, de direita ou de esquerda.

 

Quantos dias em cada ano um planeta e o Sol atravessam o grau 10 do signo de Aquário (grau 310 de longitude eclíptica)? Depende. Em 2014, apenas seis dias (não levamos em conta a Lua): em 17 e 18 de Janeiro (Mercúrio), 29 e 30 de Janeiro (Sol), 17 e 18 de Março (Vénus). Portanto, são significativos os factos que, a seguir, apontamos, porque é relativamente raro ao longo de um ano haver um planeta ou o Sol em 10º de Aquário.

 

Em 18 e 19 de Abril de 1925, com Nodo Sul da Lua em 10º 39´ / 10º 30´ de Aquário, eclode um golpe militar de direita contra a República parlamentar, com a sublevação de 3 unidades militares que acampam na Rotunda do Marquês de Pombal, em Lisboa, duelos de artilharia e a deslocação ao quartel do Carmo do general Sinel de Cordes, revoltoso, para exigir ao presidente da república Teixeira Gomes a destituição do governo de Vitorino Guimarães, de centro-esquerda, e a formação de um governo extrapartidário chefiado por Filomeno da Câmara, no dia 18, e rendição dos revoltosos de direita bombardeados por uma chuva de granadas no dia 19; em 1 de Janeiro de 1962, com Júpiter em 10º 28´/ 10º 41´ de Aquário,  de madrugada, descoordenados entre si, um grupo de civis chefiado por Manuel Serra e um grupo de militares chefiado pelo capitão Varela Gomes assaltam e ocupam o Regimento de Infantaria 3, quartel de Beja, num intento de derrubar Salazar, mas o segundo comandante major Calapez fere gravemente a tiro Varela Gomes e dispara no escuro, durante horas, havendo 3 mortes, entre elas a do subsecretário do exército Jaime da Fonseca, que se deslocara a Beja, de manhã, e o golpe revolucionário fracassa, não chegando a entrar em acção, como chefe do golpe antisalazarista, o general Humberto Delgado, escondido numa casa da Rua Ancha da capital do Baixo Alentejo; em 29 de Junho de 1973, com Júpiter em 10º 50´/ 10º 44´  de Aquário, forças leais ao governo de Unidade Popular repelem um ataque armado ao palácio dopresidente socialista Salvador Allende, fracassando assim um golpe de direita no Chile.

 

em 16 de Março de 1974, com Vénus em 10º 18´/ 11º 6´ de Aquário, o capitão Virgílio Luz Varela e tenentes Rocha Neves, Gomes Mendes e Silva Carvalho, pouco depois da meia-noite, neutralizam o coronel Horácio Lopes Rodrigues e o tenente-coronel FarinhaTavares, comandante e o segundo-comandante do Regimento de Infantaria 5 (Caldasda Rainha), julgando que o CIOE (Lamego), a EPC (Santarém), a EPA, a EPI e o RCn.º 7 iriam secundar o levantamento, e uma coluna militar comandada pelo capitão Piedade Faria sai do RI5, visando derrubar a ditadura de Caetano eTomás, mas obstaculizada às portas de Lisboa, regressa às Caldas da Rainha cujo quartel é cercado por forças militares governamentais, rendendo-se os majores Casanova Ferreira e Manuel Monge e toda a unidade, sendo presos 35 aspirantes aoficial miliciano, e alguns sargentos e furriéis; em 23 de Fevereiro de 1981, com Nodo Sul da Lua em 10º 41´/ 10º 37´ de Aquário, eclode um golpe fascista em Espanha,com a invasão do parlamento por 175 guardas civis chefiados pelo tenente-coronel Tejero Molina, que disparam rajadas de metralhadora e sequestram os deputados mas ante a reacção popular nas ruas os chefes militares, exceptuamdo o general Milans del Bosch, comandante militar de Valencia, não aderem ao golpe que fracassa na madrugada seguinte.

 

Como é possível que catedráticos e doutorados de filosofia como Maria Luísa Ribeiro Ferreira, Sofia Miguens,  Luís de Araújo, Alexandre Franco de Sá, Viriato Soromenho Marques, José Gil, Manuel Maria Carrilho, Roberto Merrill, Susana Cadilha, João L.Cordovil, Olga Pombo, João Sáagua, Porfírio Silva, Ricardo Santos, não possuam a intuição de que os golpes militares e todos os acontecimentos na Terra são reflexo do movimento dos planetas através dos 360º do Zodíaco segundo leis exactas de correspondência? Como é possível que blindem as suas universidades contra a investigação e a exposição de teses da astrologia histórica?

 ,

Terão consciência do papel ideológico vergonhoso, ao serviço da classe burguesa e do clericalismo em geral, que as suas universidades "racionalistas"  desempenham ao silenciar a astrologia histórica que desenvolvemos e que constitui uma teoria tão importante quanto a teoria da relatividade de Einstein?

 

 

www.filosofar.blogs.sapo.pt
f.limpo.queiroz@sapo.pt

 

© (Direitos de autor para Francisco Limpo de Faria Queiroz)



publicado por Francisco Limpo Queiroz às 20:10
link do post | comentar | favorito

Sexta-feira, 9 de Maio de 2014
Equívocos no manual «Como pensar tudo isto? Filosofia 11ºano» da Sebenta (Crítica de Manuais escolares LXII)

 

 

Vários equívocos impregnam o manual  do professor Como pensar tudo isto? Filosofia 11º ano, de Domingos Faria, Luís Veríssimo e Rolando Almeida,  revisão científica de Sofia Miguens, da editora Sebenta

 

 

O CEPTICISMO É AUTORREFUTANTE? É INSUSTENTÁVEL?

 

Sobre o cepticismo, lê-se no manual:

 

« Objecções ao cepticismo

O cepticismo é insustentável

 

«Alguns autores encaram o cepticismo como uma posição autorrefutante. Uma perspectiva é autorrefutante quando se refuta a si mesma, isto é, quando demonstra a sua própria falsidade. Em que medida se pode considerar que o cepticismo incorre neste tipo de erro? Bem, a resposta salta à vista: é simplesmente contraditório afirmar que se sabe que o conhecimento não é possível.  Afinal de contas, se o conhecimento fosse verdadeiramente impossível nem isso se poderia saber. Mas será que isto constitui uma ameaça séria para o cepticismo?» (...)

«Há, contudo, uma crítica mais séria com a qual o cepticismo tem de lidar. No texto que se segue, Bertrand Russell, um dos mais importantes filósofos do século XX, faz notar que, embora possamos ter razões para suspender a crença em relação a este ou àquele assunto, é implausível pensarmos que temos razões para colocar em suspenso todas as nossas crenças em simultâneo.

 

"É claro que é possível que todas ou qualquer uma das nossas crenças possa estar errada, e consequentemente todas devem ser adoptadas com pelo menos um ligeiro elemento de dúvida. Mas não poderemos ter razão para rejeitar uma crença excepto com base noutra crença qualquer" . (Bertrand Russell, Os problemas da filosofia, Trad. Desidério Murcho, Lisboa, Edições 70, 2008, p.87)

 

«Com estas palavras, Russell pretende defender que, embora uma certa forma de cepticismo seja recomendada para nos prevenir de dar assentimento precipitado a algumas crenças, o cepticismo extremo é uma posição insustentável do ponto de vista racional. »

 

(Domingos Faria, Luís Veríssimo e Rolando Almeida, Como pensar tudo isto? Filosofia 11º ano,  revisão científica de Sofia Miguens,  editora Sebenta, pág. 137)

 

Esta argumentação dos autores do manual, e de Bertrand Russell, de que "o cepticismo é autorrefutante, insustentável" cai pela base se atentarmos na definição integral de cepticismo: «Corrente filosófica que afirma ser impossível o conhecimento em todos os domínios, à excepção do conhecimento da tese de que "nada se pode conhecer, tudo são aparências fugazes ou ilusões". Esta definição não se auto contradiz. A definição é a ilha no meio do mar da incerteza. O mar não submerge a ilha. Uma das falhas do pensamento analítico é a destruição da barreira entre definição e objecto definido, fazendo com que este último absorva e destrua a definição que o engloba e transcende.

 

Qual é o valor da argumentação de Russell contra o cepticismo? Nenhum. Ao dizer que «não podemos refutar uma crença a não ser que tenhamos outra» Russell não demonstra nada, faz uma profissão de fé (pistis, em grego) nos orgãos dos sentidos e nos conhecimentos erguidos a partir de estes. Ademais o cepticismo radical rejeita todos os conhecimentos/ crenças, com base na crença de que «nada se pode conhecer», portanto, cumpre a exigência de Russell no texto acima de não se ficar no vazio, sem crer em nada.

 

Por que razão podemos, segundo Russell, ser parcialmente cépticos mas não globalmente cépticos? Já sabemos que o céptico global é só 99% céptico porque aceita um único dogma, o  de que «tudo é incognoscível»; em todo o yang há um pouco de yin.  Russell não justificou a sua tese. Ninguém pode justificar o anti cepticismo de maneira categórica, excluente. É uma questão de gosto, de perspectiva. Do mesmo modo que ninguém pode refutar o comunismo leninista dizendo que «há mais liberdade individual sob o capitalismo de mercado e a democracia parlamentar». A refutação é intersubjectiva: os conservadores, os liberais e socialistas aceitam que o «leninismo é mau, ditatorial», os comunistas, vivendo em democracia capitalista, preferirão sempre a vida da Cuba leninista da "ditadura do proletariado" à vida dos EUA ou da Europa capitalista.

 

FALSA DICOTOMIA CEPTICISMO-FUNDACIONALISMO

 

O manual estabelece uma dicotomia entre cepticismo e fundacionalismo (ver gráfico da página 178, com bifurcação entre estes dois conceitos):

 

«O cepticismo é a perspectiva segundo a qual devemos suspender o juízo relativamente à verdade ou falsidade de uma proposição, pois no geral as nossas pretensões de conhecimento são injustificadas.» (...)

«O fundacionalismo rejeita a conclusão do argumento céptico da regressão infinita, pois defende que nem todas as crenças se justificam com base noutras crenças - existem crenças básicas, que são de tal modo evidentes que se justificam a si mesmas.»

 

(Domingos Faria, Luís Veríssimo e Rolando Almeida, Como pensar tudo isto? Filosofia 11º ano,  revisão científica de Sofia Miguens,  editora Sebenta, pág. 178-179)

 

 

Esta dicotomia cepticismo-fundacionismo é falsa, fruto do magma da confusão dos autores e revisora. O cepticismo pertence ao género ontognosiológico, ao passo que fundacionismo pertence ao género protológico. Não podem opor-se: são espécies de géneros diferentes. Sobre isto Blackburn, Zizeck e a multidão de autores analíticos ou fenomenológicos nada sabe. É dialéctica, no sentido mais alto do termo.

 

David Hume era céptico sobre a natureza da matéria exterior ao dizer que não se pode demonstrar que há objectos físicos como mesas, casas e montanhas, fora do nosso espírito, e ao mesmo tempo, era fundacionista ao colocar as impressões empíricas e as relações filosóficas inerentes à razão como fundamento do limitado conhecimento que o ser humano possui.

 

Os primeiros cépticos gregos Pirron e Timón eram fundacionistas uma vez que afirmavam poder conhecer as aparências - fundavam-se nas aparências - mas não a essência oculta e o sentido oculto das coisas. Assim, fundavam-se nos sentidos. Eram empiristas, de certo modo como David Hume seria séculos mais tarde.

 

 

 

A AUSÊNCIA DE REFERÊNCIA À OPOSIÇÃO REALISMO-IDEALISMO

 

Se consultarmos o glossário deste manual, não encontramos as definições de idealismo nem de realismo. Ora é impossível explicar cabalmente a gnosiologia de Descartes sem explicar e posicionar as teses do realismo e do idealismo ontognoseológico. Em 20 páginas a explicar o pensamento de Descartes, - da página 141 à página 161 - não há uma única referência aos conceitos de realismo e idealismo gnosiológicos, o que prova a fragilidade teórica do manual.

 

ERROS NAS RESPOSTAS DE ESCOLHA MÚLTIPLA

 

Como é habitual nas perguntas de escolha múltipla forjada por autores (de)formados pela escola da filosofia analítica, este manual e guias anexos contêm erros abundantes. Vejamos exemplos no «Guia do Professor,  Como pensar tudo isto? Filosofia 11º ano».

 

No Teste Sumativo 4, figura a seguinte questão que pede uma única resposta certa, excluindo as outras:

 

6. En filosofia recorre-se à argumentação, ao diálogo e à discussão racional para:

 

A. descobrir como as coisas realmente são.

B. descobrir como prever o futuro.

C. descobrir a opinião de cada um.

D. descobrir como as coisas são para cada um. («Guia do Professor,  Como pensar tudo isto? Filosofia 11º ano», pág. 32)

 

Segundo o manual, a única resposta certa é a 6-A.

 

Crítica Minha: não há uma mas três respostas certas, a 6-A, 6-C e 6-D. É absolutamente arbitrário e ilógico dizer que a filosofia visa «descobrir como as coisas realmente são»  (hipótese A) mas não visa «descobrir como as coisas são para cada um» (hipótese D). Isso é fechar a porta da subjectividade à filosofia. E está ainda certo dizer que a filosofia visa «descobrir a opinião de cada um» (hipótese C). Por aqui se pode ver a roleta russa a que os alunos estão sujeitos com uma pergunta mal concebida de várias respostas certas.

 

No Teste Sumativo 5, figura a seguinte questão que pede uma única resposta certa, excluindo as outras:

 

2. O objecto do conhecimento prático é...

A.  uma pessoa, lugar ou objecto.

B.  uma proposição.

C.  uma proposição verdadeira

D.  uma actividade.

 

Guia do Professor,  Como pensar tudo isto? Filosofia 11º ano», pág. 32)

 

Segundo o manual, a única resposta certa é a 6-D.

 

Crítica minha: há duas respostas certas, 6-A e 6-D. Que é o conhecimento prático? Não é apenas o saber-fazer. É também o conhecimento por contacto, isto é, a visão, audição, tacto, sabor, etc, das coisas diante de nós. Ora ver uma pessoa ou um objecto, vivenciar um lugar, é conhecimento prático. Opõe-se ao conhecimento teórico ou proposicional.

 

 

www.filosofar.blogs.sapo.pt
f.limpo.queiroz@sapo.pt

 

© (Direitos de autor para Francisco Limpo de Faria Queiroz)



publicado por Francisco Limpo Queiroz às 19:57
link do post | comentar | favorito

mais sobre mim
pesquisar
 
Julho 2019
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6

7
8
9
11
13

14
15
18
19
20

21
22
23
24
25
26
27

28
29
30
31


posts recentes

O grau 10 do signo de Aqu...

Equívocos no manual «Como...

arquivos

Julho 2019

Junho 2019

Maio 2019

Abril 2019

Março 2019

Fevereiro 2019

Janeiro 2019

Dezembro 2018

Novembro 2018

Outubro 2018

Setembro 2018

Agosto 2018

Julho 2018

Junho 2018

Maio 2018

Abril 2018

Março 2018

Fevereiro 2018

Janeiro 2018

Dezembro 2017

Novembro 2017

Outubro 2017

Setembro 2017

Agosto 2017

Julho 2017

Junho 2017

Maio 2017

Abril 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

Janeiro 2007

Dezembro 2006

Novembro 2006

Setembro 2006

Agosto 2006

Julho 2006

Maio 2006

Abril 2006

Março 2006

Fevereiro 2006

tags

todas as tags

favoritos

Teste de filosofia do 11º...

Pequenas reflexões de Ab...

Suicídios de pilotos de a...

David Icke: a sexualidade...

links
Fazer olhinhos
blogs SAPO
subscrever feeds