Quinta-feira, 1 de Junho de 2017
Identidade de género, uma expressão ambígua

O termo identidade de género tão usado para distinguir pessoas com orientação sexual diferente daquela que fisiologicamente lhes corresponde, segundo a tradiçao, é um termo ambíguo. Identidade de género não pode aplicar-se com clareza à heterossexualidade de fronteira: homens que gostam de vestir roupas femininas e usar maquilhagem e fazer gestos femininos mas recusam, por instinto biológico, quaisquer contactos homossexuais e não entram, sequer, na categoria de «bissexuais» práticos. Continuam a amar as mulheres, exclusivamente. Que são estes homens? Em que género se encaixam?

 

Há uma insuficiência da distinção em voga entre identidade de sexo e género/identidade de género: um crossdresser heterossexual homem é de sexo masculino, aparência feminina ou andrógina (isto é género?) e orientação sexual hétero (ou isto é que é o género?). Não pode classificar-se como sendo «sexo masculino e género feminino» como alguns o fazem, reduzindo a dois os três níveis apontados: é feminino na aparência e masculino na essência. O que é, pois, o género? 

 

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Quarta-feira, 6 de Julho de 2016
Crossdressers heterossexuais (homens-lésbicas), o segmento sócio-erótico silenciado

 

 Existe um número indefinido de homens e mulheres em Portugal - talvez entre  50 000 a 80 000,  - que, sendo heterossexuais, gostam de travestir-se, de envergar a roupa e a maquilhagem usada pelo sexo oposto. O seu psiquismo é complexo e não surpreende que as organizações queer, gays e lesbianas, como a ILGA (Intervenção Lésbica, Gay, bissexual e transgénero) por exemplo, não contemplem acolher formalmente as pessoas deste género. Há quem lhes chame os homens-lésbicas.

 

O crossdresser heterossexual masculino não pode ser sumariamente classificado como drag queen porque este último é um homem que se traveste com fins artísticos, de forma cómica ou exagerada. E há drag queens homossexuais e bissexuais. O síndrome do crossdresser hetero é a penisfobia: apesar de usar, ocasionalmente, sutiã, ligas, calcinha, corpetes, vestidos e cabeleira o homem tem horror ao pénis, é uma verdadeira lésbica em corpo masculino e só ama fisicamente mulheres.

 

Abandonado por muitas mulheres que, sem o experimentarem, o acham «amaricado» e bloqueiam a aproximação, e desprezado por gays e bissexuais que o consideram um «gay indeciso, não praticante por falta de coragem», o crossdresser hetero, ou fetichista do feminino,  é muitas vezes um solitário que só no carnaval sai à rua travestido (nalguns casos nem sai) e que vive na esperança de encontrar a mulher que o ame, o bar destinado exclusivamente a mulheres e a homens crossdressers hetero.

 

Por outro lado, os grandes midia ocultam de um modo geral esta sensibilidade que abala o campo dos heterossexuais, dado os riscos de confusão com a homossexualidade e a perda da visão a preto e branco da sexualidade própria do machismo Quem se veste de mulher é sempre homossexual, os machos nunca se travestem»): um representante deste movimento hetero fetichista, que desfilou travestido de loira de vestido vermelho na marcha LGBT de Lisboa, em 18 de Junho de 2016, escreveu-me a dizer que a TVI o entrevistou em plena marcha e ele exprimiu o que é ser crossdresser heterossexual mas o canal de televisão censurou, não passou nos telejornais nada disso. Tal como as televisões não passaram o conteúdo anticapitalista e antipatriarcal dos discursos no comício final junto ao rio Tejo, perto da Praça do Comércio.

 

Este crossdresser hetero invoca o facto, obviamente discutível, de ao travestir-se aumentar a sua potência sexual com as mulheres, porque as ama duplamente, como homem e como «mulher».

 

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Segunda-feira, 13 de Julho de 2015
Pequenas reflexões em Julho de 2015

 

 

 

Alguns de nós, no seu pequeno e insignificante quotidiano,  estão em perfeito sincronismo com os acontecimentos mais relevantes do dia a dia. É a teoria dos sincronismos ontofonéticos, que desenvolvo há anos, como variante da doutrina da sincronicidade. Exponho aqui algumas reflexões, mais ou menos banais, que ocorrem neste verão.

 

O QUE ME ACONTECE A CADA DIA É UM BÁROMETRO DO MUNDO? Ontem, 12 de Julho de 2015, fui tomar banho à praia do CARVOEIRO, Algarve, como já descrevi. Hoje, 13 de Julho, a embarcação de pesca “Cavaleiro” encalha nas proximidades do Cabo CARVOEIRO, Peniche, e os seis tripulantes são resgatados por um helicóptero da Força Aérea Portuguesa. Fui eu a causa metafísica e sincrónica deste NAUFRÁGIO  no cabo CARVOEIRO por ter ido ontem BANHAR-ME NA PRAIA DO CARVOEIRO? E o CARBURADOR (sugere: CARVÃO, CARVOEIRO) do meu carro está a funcionar mal, apurou-se hoje. Bem, sei que ides dizer que sou «vaidoso», «megalómano», «autocentrado» etc. - mas esta coincidência é real e soma-se a muitas outras. E sou um humilde servo de Jabulon, o Supremo Arquitecto do Universo (GADU)....

 

ESTAMOS MUITAS VEZES MELHOR NA COMPANHIA DOS DEUSES DO QUE NA DOS HOMENS E MULHERES - Precisamos de horas de solidão e de meditação e aí os deuses manifestam-se. Escrevo diante de um pequeno altar que coloquei na minha sala de estar, altar multifacetado onde há estátuas do dragão azul, de Buda Sorridente, da Fada A, da Virgem Santa Maria, etc. E aí oro, de diferentes maneiras: para a sensualidade, para a espiritualidade pura,etc. Que seríamos nós se não houvesse deuses? Que seria do amor se não houvesse sutiãs, ligas, corsés, meias de rede, botas de couro negro, perucas loiras e, sobretudo, mulheres reais, de corpos esculturais? As formas belas preenchem o vazio da existência.

 

SE O DEUS ESPÍRITO PURO NÃO TE PUDER ATENDER É PORQUE OS ASTROS SÃO DEUSES, deuses inferiores, que fabricam ferreamente o teu destino a partir dos seus tronos que são os graus do Zodíaco. Que podes fazer, irmã, irmão, senão louvar a ordem cósmica ou protestar gnosticamente contra ela?

 

COMO PODES AMAR MULHERES SE GARANTES QUE NÃO TENS NADA DE FEMININO EM TI? Não é pela semelhança - ou alguma semelhança - que amamos os outros?

 

O VERDADEIRO AMOR ESTÁ ACIMA DO BEIJINHO E DA MERA SENSUALIDADE. Vejo-as às vezes, insatisfeitas, porque sabem que são pouco mais que um pedaço de carne apetecível para o namorado ou o marido. O seu amor é incompleto: é pura sensualidade, com algum sentimento à mistura. Mas o verdadeiro amor comporta mais que isso: uma dimensão espiritual. É preciso que ambos se vejam como encarnação do Deus e da Deusa e se considerem a realização da união dos dois princípios, o Yang e o Yin. Sem a divinização da mulher e das operações mágicas dos Fiéis do Amor o verdadeiro amor não desabrocha plenamente

 

A PROVA DE QUE DEUS FALHOU AO CONSTRUIR O MUNDO é a de que os amores falham e estão trocados: muitas vezes, amamos pessoas que não nos amam e somos amados por pessoas a quem não amamos. Em última análise é o interesse (estético, sexual, monetário, social, cultural, etc) que comanda o amor. Todos os amores são interesseiros - ou por interesses nobres ou por interesses mesquinhos.

 

DEUS É INSTANTÂNEO COMO A PAIXÃO - O verdadeiro deus, a verdadeira deusa trazem-nos momentos de paixão, absoluta. O outro, o Ialdabaoth, o demiurgo, o «criador de todas as coisas materiais, visíveis e invisíveis» traz-nos o esforço, a amargura, a doença, o envelhecimento, a censura social opressiva, etc. A Lei do Amor é: ama quem quiseres, como quiseres.

 

APAIXONAS-TE POR UMA MULHER AO LONGE, DESAPAIXONAS-TE AO PERTO. É tão linda à distância aquela mulher jovem... Aproximas-te, seduzido, mas notas que tem uma tatuagem com uma caveira ou outra figura ou inscrição que te desagrada na pele. E notas, se for na praia, quando ela se põe em bikini que tem uma verruga no tronco que achas anti estética ou que tem as ancas demasiado largas e «pneus» e isso te repele ... O amor desaparece, porque a paixão, fundada na emoção estética visual, é a chave de ignição do amor. Que aborrecimento isto acontecer na vida! Que imperfeição, a do deus-demiurgo que moldou a matéria! Só a juventude é bela e mesmo essa é castigada pelo deus da Fealdade, o velho Cronos, que nos condena a ser eremitas perfecionistas.

 

O AMOR É UMA GRANDE COMÉDIA E QUANDO PENSAMOS A FUNDO DESCOBRIMOS QUE NINGUÉM NOS AMA, AS PESSOAS USAM-NOS SEXUAL, SOCIAL OU FINANCEIRAMENTE. É por isso que os nossos maiores amigos são o elevado nível de saúde, juventude e beleza e o dinheiro e bens materiais que possuímos (são o que inconscientemente chamamos Deus). É terrível estar lúcido acerca disso. Entretanto a beleza da natureza, pessoas incluídas, e das formas arquitetónicas e artísticas das cidades vão-nos consolando e dando alento para viver num mundo em que ninguém ama ninguém

 

.O AMOR PAIS FILHOS É O ÚNICO VERDADEIRO - O telejornal da SIC mostrou, em 21 de Julho de 2015, David Ferreira, de 39 anos, em cadeira de rodas, atingido desde Janeiro de 2013 por esclerose lateral amiotrófica. A mulher abandonou-o, levando as duas filhas. Só os pais dele cuidam dele. Conclusão: o amor homem-mulher como casal é uma mistificação, desaparece logo que um dos dois fica inválido. Só o amor de um pai ou de uma mãe por um filho é verdadeiro porque é biológico: sangue do meu sangue. Mas já os filhos não amam os pais: servem-se deles, tiram-lhes o dinheiro da reforma, metem-nos em lares de terceira idade. E Deus, se é Pai ou Mãe, que papel joga no meio disto tudo?

 

SER NOVO E SAUDÁVEL É O MELHOR DO MUNDO. Um empresário de discotecas ou de grandes fábricas e armazéns com 40, 50 ou 60 anos de idade ou um escritor laureado com o Prémio Nobel , de 40. 50 ou 80 anos, é menos rico que um jovem ou uma jovem de 20 anos, cheio de saúde e energia e beleza. Porque a juventude é tudo - e dispensa a religião, que é «coisa de velhos», aparentemente.

 

 

.NÃO OFEREÇAS ROSAS A UMA MULHER - Porque a rosa tem espinhos. A última vez que ofereci uma rosa a uma mulher linda, correu mal. Os espinhos sobrepuseram-se às pétalas. E Maria, a Rosa Mística, tem espinhos: os sofrimentos que Nela a humanidade crava com lancinantes pedidos ou protestos. Há outras flores sem espinhos que simbolizam o amor.

 

CRITICAMOS AS MULHERES PORQUE SE TORNARAM DEMASIADO INDEPENDENTES E «TROCAM DE PARCEIROS, COMO DON JUAN NO FEMININO» - Mas esquecemos que elas vêm de séculos e séculos em que sofreram a opressão do homem, das igrejas católica, judaica, islâmica, hindu, dos Estados com suas leis machistas... Compreendamos as mulheres.

 

A TUA NAMORADA OU O TEU NAMORADO... em que diferem daquela outra rapariga ou daquele rapaz que estão ali a olhar-te? Nem sabes bem. Acontece que conheces ou julgas conhecer a namorada ou o namorado porque estão próximos de ti, já conheces as suas ideias, o seu toque de acariciar e por isso os escolhes, em detrimento de quem não conheces. Mas os estranhos... será que não os amas?

 

NÃO AMAMOS AS PESSOAS MAS AS QUALIDADES QUE VEMOS NELAS, DIZIA PASCAL. Assim, o deus que nos fez é o responsável das traições, das neuroses, dos desequilíbrios, da fome e da miséria que contaminam a humanidade: nós só amamos uma mulher enquanto a Beleza, a Doçura e a Juventude residirem nela, só amamos os desportistas enquanto a Força e a Capacidade de Vencer Competições pousarem neles , só amamos o nosso pai ou a nossa mãe enquanto neles estiver o Instinto Protector para com os Filhos, a Bondade, o Dinheiro, porque se se tornassem diabólicos assassinos já não os amaríamos...Não temos culpa de ser assim, são os deuses /Deus e não os homens que estão sob acusação.

 

A PROSTITUTA É MAIS DIGNA DO QUE A MULHER CASADA FIEL A UM SÓ HOMEM. Custa dizê-lo mas é a verdade. A prostituição é o socialismo sexual. A prostituta partilha o seu corpo com vários homens e mulheres, socializa o prazer orgástico a dois ou mais, atende os jovens anti-sociais incapazes de conquistar namorada, os doentes em cadeira de rodas ou os idosos viúvos ou divorciados sós. Sendo o acto sexual sagrado, ela é uma sacerdotisa que merece mais respeito do que o padre: porque ela oferece o seu corpo num «Tomai e comei, isto é o meu corpo». Ela é, de certo modo, o Cristo em versão feminina. Cobra dinheiro? E que mal tem isso? Ela precisa de comer, vestir, maquilhar-se.

 

O ACTO SEXUAL É SAGRADO E MUITAS VEZES É PREFERÍVEL SER FEITO COM UMA PROFISSIONAL COM «CLASSE» DO QUE COM A ESPOSA- O acto sexual entre homem e mulher reveste-se de enorme sacralidade. Se ele não vir nela a própria Deusa refletida e ela não vir nele o próprio Deus refletido, o acto é pura e simplesmente de prazer sensual e está condenado à monotonia, opera um corte instantâneo numa relação que tende a tornar-se enfadonha e nada mais. É por isso que a operação sexual do amor homem-mulher se realiza muitas vezes melhor com uma acompanhante profissional, uma mulher disposta a cumprir o ritualismo dos Fiéis do Amor, do que com a própria esposa: sentar-se como deusa com a adequada lingerie, receber a homenagem do homem vestido sacerdotalmente, com vestes brancas, douradas e vermelhas, venerar a estátua da deusa Vénus que preside à cerimónia. A oração à Deusa é um pré-requisito para ambos. A noção de fidelidade do casamento é superada pela de fidelidade à Deusa.

 

HETEROSSEXUAL DE FRONTEIRA- Somos heterossexuais de fronteira: apreciamos o crossdressing (travestismo ocasional), amamos a Deusa e as mulheres em geral, não temos complexos em vestir de mulher em público, porque seguimos a igreja católica gnóstica («Veste-te como quiseres») mas tratamos à bofetada os homens que nos quiserem apalpar ou violentar porque não somos gays nem pouco mais ou menos. Defendemos o direito de gays e lésbicas serem livres de se manifestar publicamente e não serem discriminados.

 

EU GOSTO DE VESTIR-ME DE MULHER. E daí? Sou mais homem do que tu que nunca te vestes de mulher, nem no carnaval, e esboças risos de troça relativos à minha fantasia. E sou mais activo com as mulheres do que tu és, provavelmente. Vestir de mulher não é, em princípio, gostar de homens: é gostar de mulheres, duplamente, como homem biológico e como mulher lésbica psicológica. Isto não o podes entender. Terias de começar a pensar e concluirias que usar tal ou qual vestuário não é opção sexual na essência. Afinal grande parte dos gays vestem sempre de homens. Como tu.

 

NA CAMA, NÃO HÁ PROGRAMA, dizia o poeta brasileiro Carlos Drumond de Andrade. Quer dizer que se uma mulher enfiar o dedo ou um dildo num dado sítio do corpo do namorado, do marido ou amante não há que classificar estes como «gays», «bissexuais», etc., nem há que sentirmo-nos superiores só porque «não praticamos esses actos indignos de verdadeiros machos». Mentalmente, a totalidade dos homens é bissexual: não há nenhum homem que nunca tenha tido um pensamento homossexual alguma vez na vida. Ironizando poderíamos dizer que todos os homens são um pouco gays e se dividem em duas classes: os gays praticantes (uns 10% ou 15%) e os gays não praticantes (uns 90% ou 85%). Todos os homens possuem rabo e isso gera inevitavelmente neles uma inclinação, muito pequena, média ou muito grande, à homossexualidade. É assim e os que negam isto são, consciente ou inconscientemente, hipócritas.

 

Sigmund Freud tinha razão: a simples amizade entre duas pessoas do mesmo sexo é uma forma sublimada, espiritualizada, de homossexualidade. De um modo geral, as religiões ignoram estas verdades fundamentais como se fosse possível ao homem transcender o seu lado animal-sexual e pensar e sentir apenas no plano das divindades, etc. Os ascetas merecem respeito mas há que não esquecer que, segundo Wilhelm Reich, foram os missionários católicos dos séculos XVI e XVII quem fez surgir a homossexualidade entre as tribos índias da América do Sul ao imporem a estas uma rígida separação dos sexos, fazendo das mulheres seres «castos e protegidos dos homens» e dos homens «pessoas auto castradas psicologicamente que não podiam ter acesso livre às mulheres». Perdoemos à igreja católica ser uma fonte de homossexualidade - muitos dos novos padres são gays - mas saibamos demarcar-nos da sua moral convencional e parcialmente falsa que esconde a natureza essencialmente sexual de quase todos os actos humanos. Não deixes nunca o teu filho pequeno, de 4, 7, 10 ou 14 anos fechado na sacristia ou no dormitório a sós com o padre! Eros (princípio de vida e desejo sexual) e Tanatos (princípio da morte e destruição) são os governantes do psiquismo humano..

 

UMA CADELA DEU A VIDA PELO SEU VIZINHO?- A história é verdadeira e passou-se em 24 de Julho de 2015 numa vila do Alentejo. Um jovem de 31 anos estava sozinho em casa a tomar banho após uma partida de futebol e sente o coração bater aceleradamente sem parar. Aflito, pressentindo que podia morrer, sai para a rua a fim de que o vejam e ouve a vizinha da frente dizer: «Ai, vizinho, imagine o alvoroço que aqui vai. A cadela dos vizinhos de cima acaba de morrer com um ataque de coração». Os bombeiros da vila levam, na ambulância do INEM, o nosso jovem amigo de 31 anos para o hospital da cidade mais próxima e aqui o médico verifica que o coração do jovem bate a 200 pulsações por minuto. Como é possível? Ouvi falar de casos em que as pessoas morrem quando o coração insiste em bater a 140 ou 160 pulsações por minuto...É um milagre estar vivo com essa pulsação de 200, louca e persistente.A companheira do jovem alvitra uma hipótese: «Acredita-se que os animais dão a vida pelos seus donos ou pelos amigos dos seus donos. A cadela terá dado a vida para que o meu companheiro sobrevivesse.». Magia natural, metafísica... Há leis no universo desconhecidas - estamos todos ligados num psiquismo universal, um pampsiquismo. E que deus é esse a quem a cadela se ofereceu em sacrifício? Ou é pura Energia Cósmica que elimina certos seres e conserva outros? .

 

A DITADURA DO PROLETARIADO - Vivemos sob ditaduras das burguesias, uma vez que os Estados democráticos vivem sob a lei do capitalismo e as polícias agem a favor dos patrões, dos ricos contra os pobres. Há, alguma liberdade individual e nisso a democracia burguesa se distingue da ditadura fascista ou da ditadura teocrática ou da ditadura stalinista - nesta última o partido comunista proíbe os operários de fazerem greves e livres manifestações de rua . A ditadura do proletariado é o Estado anarquista - expressão contraditória porque os anarquistas proclamam o fim do Estado- em que os operários são donos das empresas e os moradores dos respectivos bairros mediante o sistema de autogestão, em que as assembleias amplas de trabalhadores decidem tudo. Há que estar atento a que estas não sejam manipuladas por oradores hábeis e destituídos de equidade socialista.

 

DIREITAS E ESQUERDAS - O que caracteriza as direitas é apoiarem os empresários privados, os capitalistas e os latifundiários, como motores do desenvolvimento económico e estimularem as privatizações, a liberalização da economia, baixando os impostos sobre o capital e impondo austeridade à classe operária, diminuindo ou fazendo desaparecer o subsídio de desemprego, o rendimento social de e outras prestações sociais, o serviço nacional de saúde gratuito ou quase gratuito. As direitas ligam-se, mais ou menos, à igreja católica romana e a outras a fim de anular a luta de classes, o espírito revolucionário do povo trabalhador com missas, procissões, comunhão e ideologia da salvação individual da alma sem levantar ondas de protesto social. O que caracteriza as esquerdas é apoiarem o sector nacionalizado do Estado (o capitalismo de Estado) e um sistema de impostos altos sobre os empresários embora defendendo alguma esquerda a propriedade privada dos meios de produção e troca (social-democracia: PS e Internacional Socialista) e, defendendo as modalidades mais vincadas de esquerda operária, a nacionalização da banca e todas as grandes empresas em governo de hegemonia comunista (PCP ou Bloco de Esquerda) ou a autogestão generalizada ou tomada de poder em cada fábrica pelos operários com supressão do parlamento burguês, do exército e da polícia (anarquismo e anarco-sindicalismo). O PS é uma esquerda muito ténue, mais centro do que esquerda, que no essencial se une com a direita capitalista para manter a economia de mercado e a democracia parlamentar. É, de certo modo, o centro.

 

 

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Domingo, 7 de Junho de 2015
Breves reflexões de Junho de 2015

 

 

Eis algumas reflexões de circunstância em Junho de 2015, inscritas no meu quotidiano.

 

A MISSA CATÓLICA, ORTODOXA OU PROTESTANTE É A MAQUILHAGEM DE DEUS- O rosto de Deus, se existir, é desconhecido. Só vemos a maquilhagem ~os altares e a talha dourada, os ícones, os crucifixos, as vestes cerimoniais dos padres, pastores ou bispos - mas não se conhece o rosto do Supremo. A maquilhagem, normalmente, melhora o poder de atração sexual e transforma alguém feio ou vulgar em alguém belo e incomum.

 

HÁ SEIS OU SETE PECADOS CAPITAIS?- A luxúria, ou sensualidade erótica exacerbada e livre, é apontada como um dos 7 pecados capitais segundo o catolicismo. Diversas correntes gnósticas veem o problema de outra maneira: a luxúria é um estado de união com a deusa ou o deus através da união sexual física com uma ou várias pessoas. Por que razão a luxúria é um pecado mortal e não é pecado mortal o capitalismo selvagem que despede arbitrariamente os trabalhadores e favorece, em certos casos, o suicídio ou a degradação física acelerada destes? Os sete pecados capitais refletem, em parte, a ideologia da teocracia, da aristocracia ou da burguesia dominante. «Não cobiçarás as coisas alheias» é um mandamento que impede a reforma agrária e a expropriação dos capitalistas.

 

AS MAIORES DESCOBERTAS NA FILOSOFIA E NA CIÊNCIA E A CRENÇA NOS DEUSES - A astrologia histórica, com as duas teorias que descobri - a do significado político, religioso, económico, biofísico, etc, das pequenas áreas do Zodíaco, de 2 a 10 graus de arco, e a dos graus-minutos numericamente homólogos entre si - é a ciência holística suprema e a filosofia suprema. É superior às filosofias de Kant, Hume, Hegel, Husserl, Heidegger, Sartre, Singer, Rorty, etc, e mesmo à teoria da relatividade de Einstein. A astrologia histórica  teoriza que tudo está predestinado nas movimentações planetárias e desvenda as leis que são métodos de calcular com grande exactidão  o futuro de cada indivíduo, de cada família, empresa, partido político, nação, erc. Curioso é ser eu, um insignificante intelectual que diariamente invoca as divindades, o autor dessas duas teorias. Sinal de que ser crente no divino expande a inteligência e ser ateu fracciona e reduz a inteligência?

 

A BANALIZAÇÃO DA EUCARISTIA. Embora sendo gnóstico (adepto da teoria de que dois deuses, o da Luz e o da Matéria, fizeram o mundo e o ser humano), participo, de vez em quando,  na missa católica. Ouvi, neste 7 de Junho de 2015, na igreja de Santa Maria, em Beja, a homilia do bispo auxiliar D. João Marcos, um discurso inteligente no qual o prelado criticou a «banalização da Eucaristia» interpretada por muitos como um rito sem espírito de Cristo que é o do sacrifício a favor dos outros e do auto-aperfeiçoamento.

Banalização é fazer sempre as mesmas coisas que, a princípio eram sagradas ou dotadas de um valor único, e se tornam vulgares, despidas de sacralidade, de vida espiritual, de criatividade... Mas a própria igreja é fonte de banalização dos sacramentos. A maioria das pessoas presentes numa missa vai comungar, tomar a hóstia na mão ou na boca. Estarão espiritualmente preparadas para «receber o corpo de Deus alojado nesse círculo de farinha branca»? Duvido.
O próprio casamento é banalizado pela igreja ao torna-lo indissolúvel, o que é contra a natureza humana, ávida de novidade. Até os gays e lésbicas banalizaram o amor-paixão ao consagrar na lei o casamento homossexual. A paixão que está, muitas vezes, na origem dos casamentos acaba ao fim de 2 meses, 6 meses, um ano, quatro anos, sete anos.. Fica só a amizade. E a casa comum de família. E os filhos. E o álbum de fotos do dia do casamento ou da viagem a Madrid, a Paris ou a Roma... Nós, gnósticos, valorizamos a paixão, hétero ou homo. A meio da missa, estava-me a apetecer «saltar em cima» de uma mulher provocante que estava perto de mim...Seria uma tentação do Diabo, como diz a igreja católica? Ou uma indicação do Deus do Amor que diz «Ama e faz o que quiseres» (mandamento de Aleister Crowley)?

 


A verdade é que saí da missa a meio, como convém a quem não é um seguidor do Vaticano e protesta contra a inquisição, a repressão bárbara da igreja católica romana às heresias, em particular aos cátaros e aos templários. Aqui, no Alentejo, está bastante calor. E esta madrugada estive na Nora de Serpa, a ouvir músicas do festival Encontro de Culturas e depois fui a Pias, a um espaço musical que me agrada, porque se pode entrar e sair à vontade sem porteiro, mas onde sou completamente desconhecido. Nem sequer a mulher mais bonita de Pias lá estava...São elas que nos escolhem e não nós a elas - é a regra que sigo. Ainda parei o carro na estrada Serpa-Beja e dormi 5 minutos, às 2 horas da manhã, de porta aberta, a sentir o erotismo das estrelas e da planície...O universo é todo ele sexual, feito de pares macho-fêmea. O céu é masculino (yang), a terra é feminina (yin). A chave é masculina e a fechadura onde entra é feminina. O lado direito do cérebro é masculino e o lado esquerdo do cérebro é feminino. O Sol é masculino, a Lua é feminina. O vermelho é cor masculina, o azul é cor feminina. A seta ascendente, símbolo do PSD, é masculina. A rosa, símbolo do PS, é feminina. A foice, do símbolo do PCP é feminina, e o martelo é masculino.  A torre do castelo de Beja é masculina, os lagos e planos horizontais são femininos. O telhado de uma casa é masculino, o chão da casa é feminino. O pénis é masculino e o rabo é feminino (é por isso que todos os homens possuem um lado mulher ainda que dizer isso seja heresia, aqui no Alentejo, onde nós, homens, «somos todos muito machos e marginalizamos os panilas»...ahahah, toma que já levaste).

 

 

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Quinta-feira, 6 de Novembro de 2014
David Icke: a sexualidade, a franco-maçonaria, o papa e a elite global

 

David Vaughan Icke, escritor e filósofo espiritualista, (Leicester, Reino Unido, 29 de Abril de 1952)  teórico da conspiração mundial dos illuminati e da invasão da Terra por reptilianos, é um autor famoso que promove conferências sobre as suas ideias.  Em 1991, após uma viagem ao Peru, Icke, que fora porta-voz do partido Os Verdes de Inglaterra começou, a usar, por razões místicas, apenas roupas na cor azul  turquesa - a cor do chakra do alto da cabeça.

 

Em 27 de Março de 1991, fez uma conferência de imprensa para anunciar: "eu sou um canal para o espírito de Cristo. O título foi-me conferido muito recentemente por Deus." Isto valeu-lhe acusações de «ser louco» mas sobreviveu como autor mediático. Vou destacar aqui algumas das suas ideias sobre o mundo e a vida extraídas de «Eu sou eu, eu sou livre, o guia para os robôs obterem a liberdade», livro que, em Portugal, foi retirado das grandes livrarias talvez por ordem da «mão invisível» illuminati.

 

 A DISTORSÃO DA SEXUALIDADE PELAS RELIGIÕES E PELO CASAMENTO

 

David Icke, numa modalidade de pensamento gnóstico libertino, sustenta que a repressão da sexualidade livre, incluindo a condenação do homossexualismo gay e lésbico, é um erro da humanidade que acaba por atar esta ao preconceito, submetê-la aos líderes políticos e religiosos do «rebanho» e aumentar a violência existente. Escreve, referindo-se à teoria dos chakras (rodas de luz), centros energéticos, sete no mínimo, que se distribuem verticalmente no corpo humano, e à kundalini ou energia vital sexual :

 

« A mesma força quadridimensional que criou e usou as religiões. particularmente o Cristianismo, Judaísmo e o Islão, para destruir a verdade sobre o sexo, também inspirou a cultura da pornografia e da "queca" rápida. O denominador comum entre estes oposi-mesmos está a fechar o chacra da raíz, a desiquilibrar os chakras emocionais e sacral, a reter o fluxo da kundalini, que, se não fosse perturbada, iria activar e ligar todos os níveis da existência num todo.  A religião transformou o sexo num foco de explosão de culpa, a um nível atómico. A instituição do casamento está no próprio centro disso, mas não é de todo a única razão. O casamento institucionaliza as separações. Ele é meu, ela é minha. Caso contigo, por isso sou teu dono. É esta a realidade expressa ou oculta do casamento e das relações em geral. São os meios através dos quais as pessoas compram um falso sentimento de segurança e uma visão desesperadamente limitada do "amor".» (David Icke, «Eu sou eu, eu sou livre, o guia para os robôs obterem a liberdade», Lux-citania, 1ª Edição, Dezembro de 2009, pág 169; o destaque a negrito é da minha autoria).

 

E sobre a homossexualidade escreve Icke, divergindo de Freud, Carl Jung e Wilhelm Reich:

 

«Por exemplo, o que é a homossexualidade? É uma experiência, apenas isso, uma forma de expressar amor por outro ser humano. Dois homens ou duas mulheres que se amam profunda e sexualmente é considerado uma afronta moral, ao passo que um homem e uma mulher que se odeiem e que se mantenham num casamento por ter medo de acabá-lo, já é considerado aceitável. A minha filosofia é permitir todas as experiências, desde que as pessoas nelas envolvidas tenham feito essa decisão da sua livre vontade, sem pressão ou imposição de qualquer espécie.» (David Icke, «Eu sou eu, eu sou livre, o guia para os robôs obterem a liberdade», Lux-citania, 1ª Edição, Dezembro de 2009, pág 181).

 

O CRISTIANISMO, A FRANCO-MAÇONARIA, A NOVA ORDEM MUNDIAL E OS DESMANDOS DA ELITE GLOBAL

 

Referindo-se à elite global, uma aristocracia do mal que integra personagens como Rockfeller, a família Rothschild, Henry Kissinger, George Bush, a rainha Isabel II de Inglaterra, Bill Clinton, Brian Mulroney, Tony Blair, George Soros,  Kris Kristofferson, Boxcar Willie, José Luís Cebrián, Alan Greenspan, Pinto Balsemão, Durão Barroso, etc, muitos dos quais «são reptilianos», escreve David Icke:

 

«O objectivo da Elite é um governo mundial, ao qual os estados-nação e mesmo os continentes sejam subordinados. Chamam a isto a Nova Ordem Mundial. O processo contínuo de centralizar o poder político ao longo de centenas de anos não aconteceu por acaso: foi estipulado que assim fosse. A centralização a um nível global, com o governo mundial, é o resultado natural destas políticas. quem controlar o governo mundial (Elite Global) controlará o banco central mundial e a moeda mundial, que também fazem parte dos planos da Nova Ordem Mundial. »(David Icke, «Eu sou eu, eu sou livre, o guia para os robôs obterem a liberdade», Lux-citania, 1ª Edição, Dezembro de 2009, pág 37; o destaque a negrito é posto por mim).

 

Icke denuncia a colonização extra europeia feita pela igreja católica romana nos séculos XV-XVIII, cristianizando à espada e escravizando os índios, os negros e os asiáticos, e denuncia a igreja ortodoxa e as igrejas protestantes, os templários, a rosa-cruz e a franco-maçonaria, incluindo a sociedade secreta Skull and Bones que iniciou George W.Bush,  como sendo outros tantos veículos do governo mundial em marcha:

 

«À medida que o Cristianismo continuou a espalhar o seu credo através da morte e da destruição, pelas Américas, África, Austrália, e por aí adiante, as culturas nativas foram sendo destruídas e "Cristianizadas" e o conhecimento esotérico foi perdido. (...). À medida que os séculos passavam e o Cristianismo retirava o conhecimento da arena pública, o trabalho destas Escolas de Mistério evoluiu para a rede gigantesca das sociedades secretas que existem actualmente e que incluem os Franco-Mações e os Cavaleiros de Malta, que controlam ambas, o Papa e o Vaticano. Que forma maravilhosa de dirigir e influenciar todos aqueles Católicos Romanos, espalhados por todo o mundo. Se um Papa não alinha no jogo, é retirado, tal como aconteceu com o assassínio do Papa João Paulo I , em 1978 (ler "E a Verdade vos libertará"). A moderna rede de Franco-Mações é a única detentora do conhecimento antigo, disfarçada de um clube de cavalheiros. Na época das Cruzadas, surgiram várias ordens de Cavaleiros, sendo os mais famosos de todos os Cavaleiros Templários. Eles envergavam o símbolo da cruz vermelha num fundo branco, que simbolizava sangue e fogo e que representava o poder da energia sexual, da força criativa, seja positiva ou negativa, no seu uso. Os Templários afirmavam ser uma organização cristã - uma mera fachada para o seu conhecimento e crenças secretas, com origem no antigo Egipto e talvez mesmo antes. Eles foram purgados pelo Papa e pelo rei de França, mas continuaram a funcionar como uma rede clandestina, até reemergirem publicamente como... Franco-Mações. Trata-se da mesma organização; os cavaleiros Templários sob outro nome e uma das maiores ferramentas da Elite Global, no controlo do mundo.»

«A conspiração Grupo Bilderberg/ Instituto Real de Assuntos Internacionais/ Conselho de Relações Internacionais/ Comissão Trilateral é supervisionada por uma sociedade secreta chamada Távola Redonda. (...) No topo da pirâmide e, mesmo noutros níveis, a mentalidade por detrás da manipulação é baseada no Satanismo e na Magia Negra. Chamo-lhe o "Culto do Olho que Tudo vê " porque um dos seus símbolos é uma pirâmide com um olho que tudo vê - a própria imagem que pode ser encontrada na nota de 1 dólar americano».

(David Icke, «Eu sou eu, eu sou livre, o guia para os robôs obterem a liberdade», Lux-citania, 1ª Edição, Dezembro de 2009, pág 53-55; o destaque a negrito é posto por mim).

 

Mesmo admitindo exageros de Icke na crítica ao processo de globalização em marcha - nomeadamente, a discutível tese dos reptilianos que viverão em grutas na Terra e estarão a assumir forma humana - perguntamos: por que estão os filósofos, os sociólogos, os politólogos e os historiadores institucionais tão silenciosos sobre o «bloco central dos illuminati» - os EUA, a União Europeia, a ONU, o grupo de Bilderberg, a Comissão Trilateral, etc - e apenas criticam a extrema-direita nacionalista e o comunismo? Não estará corrompida a filosofia institucional?

 

Há filósofos livres? Ou são apenas académicos bem pagos, subornados pelo poder oligárquico para cantar loas à «democracia liberal», puramente formal, sem substância verdadeiramente popular porque manipulada?

 

ELIMINAR OS JUROS DOS EMPRÉSTIMOS BANCÁRIOS

 

O sistema de juros bancários é o garrote que aperta a maior parte da população de cada país. É imoral cobrar juros - este tema é comum a muitos pensadores desde há séculos. Sobre o óbvio disto escreveu David Icke:

 

«Ao pedir um empréstimo bancário de 50 000 euros, o mais provável é que se acabe por pagar mais de 150 000 euros, no final das contas. O triplo! (...) O débito do Terceiro Mundo que crucifixa milhões de pessoas por dia, é um débito assombroso de dinheiro que nunca existiu nem irá existir. E toleramos isto!

«É uma aldrabice. Não é necessário. Existe para nos controlar. Foi para isso que o sistema foi criado.»

«Apesar da loucura óbvia deste roubo legalizado, as nossas mentes ainda estão condicionadas a acreditar que cobrar juros por dinheiro que não existe é essencial, e sem isso a economia mundial iria colapsar. Não é assim. A ditadura bancária global, ditada pela Elite Global, iria acabar e isso seria fantástico. Mas as pessoas escravizadas a pagar juros sobre dinheiro que não existe, defendem o sistema e dizem que deve continuar! Hei, guarda prisional: não te atrevas a abrir essa porta, estás-me a ouvir? O sistema de juros não é uma salvaguarda contra o sofrimento económico. Em boa verdade, o sistema de juros cria pobreza e desigualdade, permitindo a acumulação do poder global. Responde-me a isto: o que aconteceria se, em vez de pedirmos dinheiro inexistente ao sistema bancário privado, os nossos governos imprimissem dinheiro, em quantidade suficiente e livre de juros, e o emprestassem às pessoas com uma taxa de juro reduzida, para cobrir taxas administrativas? Já não seríamos capazes de comprar tudo o que precisamos?  Claro que seríamos e com maior facilidade, já que o custo de tudo baixaria. O custo de uma hipoteca baixaria em dois terços e já não seria necessário pagar juros. Os sem abrigo teriam casas e não teríamos de ver pessoas a dormir na ruas, por não conseguirem juntar pedaços de papel em número suficiente ou números não existentes num computador.»

 

(David Icke, «Eu sou eu, eu sou livre, o guia para os robôs obterem a liberdade», Lux-citania, 1ª Edição, Dezembro de 2009, pág 47; o destaque a negrito é posto por mim).

 

O MATRIX CRIADO POR NÓS MESMOS

 

David Icke defende uma teoria espiritualista: o mundo material é criação do meu espírito. Somos então o Matrix, a matriz geradora da realidade do nosso corpo físico e de tudo o que nos acontece. Escreveu:

 

«As pessoas falam de viver num mundo real, como se estas divisões, dor e controlo, da densa realidade física deste planeta, fossem o "mundo rea"l. É a última coisa que isto é.  O "mundo real" , se lhe quisermos chamar assim, é o nível de existência altamente evoluído chamado Unicidade. O mundo que vemos diante dos nossos olhos é um jogo de realidade virtual, tridimensional, criado pela Unicidade, como uma vasta experiência de aprendizagem.(...) Este mundo não é real, é uma Hollywood espiritual. Um cenário.(...) Somos nós que escrevemos o guião e criamos uma realidade física para equivaler à imaginação de nós próprios e do nosso papel, no filme. Pode ser um bonito filme de família repleto de amor e de respeito, ou pode ser um filme de terror. Nós, tu, eu, todos nós, decidimos qual é. Mais ninguém. Não há "Deus", não há "acontecimentos aleatórios"; somos só nós. Pensas que a tua vida é um filme de terror? Então é isso que será. Pensas em ti como o tipo que morre logo no início do filme? Então é isso que acontecerá. Vês-te como uma daquelas pessoas que acaba o filme a rir e em felicidade? Assim será. »

(David Icke, «Eu sou eu, eu sou livre, o guia para os robôs obterem a liberdade», Lux-citania, 1ª Edição, Dezembro de 2009, pág 113-114; o destaque a negrito é posto por mim).

 

Esta teoria, apesar de interessante no destaque que dá ao optimismo, ao pensamento positivo,  tem um ou vários calcanhares de Aquiles. Se a nossa imaginação desencadeia a realidade, por que motivo milhões de apostadores no euro milhões se imaginam milionários, ao concorrerem anos a fio a esse sorteio,  e esse enriquecimento nunca se concretiza? Se este mundo não é real ,para quê preocuparmo-nos em combater a Elite Global e o seu projecto de escravatura universal?

 

Então os biliões de pessoas que vivem mal neste mundo, atormentados por fome, doenças, guerras, falta de água potável e habitação condigna escolheram esse destino antes de nascer e são responsáveis da má situação em que vivem? Escolhem o mal só para ter uma aprendizagem? Isso lembra a estúpida doutrina da vacinação: «Temos de inocular vírus mortos e toxinas no sangue para ensinar o corpo a defender-se...» Mas para quê "ensinar" o corpo de forma negativa, lesando as suas defesas orgânicas com invasores estranhos ? E foram esses biliões de pessoas que escolheram a Elite Global de reptilianos que tende ao domínio absoluto da Terra? Os pais que perdem os filhos ou que morrem, eles mesmos, em guerras absurdas mas reais escolheram esse destino?

 

Esta explicação mentalista, espiritualista, de David Ike é conversa de guru ou de cidadão médio burguês ou grande burguês com dinheiro para pagar a professores de ioga e gurus que lhe garantem que, meditando, altera a sua vida para melhor, que «o pensamento é tudo e a matéria é nada». É certo que a meditação altera o rumo da vida, melhora psicologicamente muitos seres humanos, pode salvar do suicídio, do alcoolismo e da droga, mas não altera o destino deles. Ninguém pode fugir ao determinismo planetário. Icke ignora a astrologia histórica, as leis planetárias inexoráveis. O mundo material não é criação nossa: ele impõe-se-nos com a sua opacidade, a sua densidade.  

 

www.filosofar.blogs.sapo.pt
f.limpo.queiroz@sapo.pt

 

© (Direitos de autor para Francisco Limpo de Faria Queiroz)

 



publicado por Francisco Limpo Queiroz às 20:38
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