Sábado, 12 de Dezembro de 2009
O protótipo, o exemplar, a contrafigura e o caudilho na teoria de Scheler

Ao lermos Scheler, perguntamo-nos se não terá sido da vasta e rica obra deste que Carl Gustav Jung terá extraído as noções de arquétipo do inconsciente colectivo e do inconsciente individual.

  

Scheler distinguiu entre protótipo - por exemplo: o modelo de Pai, o modelo de Sábio - exemplar - por exemplo: o pai concreto, de nome X, que mais se aproxima do modelo; -  e contrafigura - por exemplo: o modelo de anti Pai, isto é, o pai que não assume autoridade moral e física mas que se torna um joguete na mão dos filhos, um simples camarada destes; o sábio anti universitário que diz que as universidades nada valem. O protótipo ou modelo não é um caudilho isto é um condutor de homens mergulhado na acidentalidade e na imperfeição da existência.

  

«En todos los "movimiento" reactivos de valores, por ejemplo, en el protestantismo, la Contrarreforma, el romanticismo, hay siempre la tendencia a crear simples contrafiguras de un ideal dominante: el "alma bella" del romanticismo es, así, una contrafigura del burgués del siglo XVIII, odiado y valorado como “filisteo”. En estos casos continúa existiendo la dependencia del ideal dominante. Las contrafiguras continúan teniendo una estructura semejante a la de los prototipos.»

 

(Max Scheler, Ética, Caparrós, Pág 735-736, nota de al pie de página).

 

 

«En el rebaño y en la masa, hay animales guías pero no prototipos. Un conocimiento no estimativo del objeto que sirve de prototipo (o de la persona prototipo) no da a éste, de ninguna manera, la condición de prototipo. Aquí también los valores están dados en principio antes que la imagen o el contenido significativo. El “padre”, la “madre”, el “tío”, el “príncipe”, etc, son en primer lugar, personas valiosas, con una cualidad determinada, y su elemento representativo y significativo no hace más que agruparse en torno de ese su núcleo de valor. (...) La conciencia de prototipo es enteramente prelogica y anterior a la aprehensión de esferas electivas sólo posibles  (Max Scheler, Ética, Caparrós, Pág 738 ).

  

O conhecimento do protótipo - Deus, Pai, Mãe, Amante, Irmão, Sábio, Conquistador, etc - é intuitivo e dá-se antes da formação do raciocínio lógico que arrasta consigo os mecanismos do juízo e do conceito.

 

 

O protótipo ou modelo não é um caudilho: ao contrário deste, o modelo não coage ou não conduz imperativa e sociologicamente, suscita a paixão da alma por um valor estético, moral, filosófico, científico ou religioso que se tem como perfeito.

 

« El caudillo puede ser un salvador o puede ser un demagogo sin escrúpulos; puede ser un conductor en sentido positivo valioso o un seductor, puede ser un caudillo de una liga virtuosa o de una banda de facinerosos. En la medida en que busca conducir y cuenta con un número de seguidores, es "caudillo" en sentido sociológico.»

 

«Muy distinto es el concepto de modelo. El "modelo" supone en sentido inmanente y permanente un concepto de valor. Todos consideran a su modelo, en la medida en que tienen uno y lo siguen, como lo bueno, lo perfecto, lo que debe ser.» (Max Scheler, in Scheler (1874-1928), Antonio Pintor-Ramos, Ediciones del Orto, Madrid, Págs. 72-73)

  

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Terça-feira, 17 de Março de 2009
Nietzsche, admirador do racionalismo francês

Frederico Nietzsche (1844-1900), o filósofo maldito, sempre nutriu uma especial admiração pela cultura da França, o país do humanismo por excelência: a França é a pátria europeia do cristianismo, depois é a pátria do humanismo filosófico, em terceiro lugar o berço da revolução de 1789-1799 e do humanismo político e social contemporâneo.

 

«No fundo é a um pequeno número de velhos franceses que regresso sempre: creio só na cultura francesa e tenho por equívoco tudo quanto na Europa se chame «cultura», para não falar de «cultura alemã».. Os poucos casos de alta cultura que na Alemanha encontrei, eram todos de origem francesa, e mais que todos a senhora Cosima Wagner, de longe a voz mais elevada em matéria de gosto que jamais ouvi. Se leio, se amo Pascal, como a vítima mais instrutiva do cristianismo, gradualmente assassinado, primeiro no corpo e logo no espírito, como lógico resultado dessa horrível forma de crueldade humana; se tenho no espírito, e, quem sabe?, também no corpo, alguma coisa da audácia de Montaigne; se o meu gosto de artista toma sob a sua protecção, não sem cólera, perante um género bárbaro como Shakespeare, os nomes de Moliére, Corneille e Racine; tudo isso não impede que, para mim, os franceses mais recentes constituam uma sociedade encantadora. Não vejo de modo nenhum em que século tantos psicólogos tão interessantes e, ao mesmo tempo, tão subtis poderiam encontrar-se como em Paris, nos nossos dias: tomo como exemplos, porque o número deles não é pequeno: Paul Bourget, Pierre Loty, Gyp, Meilhac, Anatole France, Jules Lemaitre, ou, para mencionar um dos de mais forte garra, autêntico latino, a que sou particularmente afeiçoado, Guy de Maupassant. Prefiro esta geração, seja dito entre nós, às dos seus grandes mestres, que foram estragados pela filosofia alemã (Taine, por exemplo, estragado pela leitura de Hegel, à qual deve o ter-se equivocado na compreensão dos grandes homens e das grandes épocas). Onde chega a Alemanha, corrompe-se a cultura. Só a guerra «salvou» o espírito em França.» (Nietzsche, Ecce Homo, Guimarães e Cª  Editores, pags 56-57; o bold é nosso)

 

Contra-revolucionário, Nietzsche está longe de ser um espírito geométrico do tipo do racionalismo alemão, personificado em Kant ou Hegel. Constituído por uma rede de finas intuições psicológicas, o pensamento de Nietzsche é ainda um pensamento romântico, de um romantismo socialmente às avessas porque a liberdade do filósofo e da elite de aristocratas se vira contra a universalização da liberdade individual.

 

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