Terça-feira, 21 de Fevereiro de 2017
Teste de filosofia do 10º ano (14 de Fevereiro de 2017)

 

 Eis um teste de filosofia do ensino secundário em Portugal, a contra-corrente do modelo simplista da filosofia analítica hegemónico entre os docentes de filosofia. Os conteúdos deste teste de filosofia referentes a alquimia, cabala e princípio das correspondências macrocosmos-microcosmos integram-se na rubrica «Os grandes temas da filosofia» e são relativos a uma visita de estudo ao centro histórico de  Sevilha em que se faz hermenêutica de monumentos antigos e seus pormenores artísticos.

 

Agrupamento de Escolas nº1 de Beja

Escola Secundária Diogo de Gouveia, Beja

TESTE DE FILOSOFIA, 10º ANO TURMA C

14 de Fevereiro de 2017. Professor: Francisco Queiroz

I

“A filosofia da alquimia, que aceita a ideia de Adão Kadmon ser o antepassado dos humanos e as noções de pleroma, kenoma e hebdómada, sustenta a divisa «solve e coagula» e a existência de três princípios/ substâncias do universo material. Na Grande Obra Alquímica, que traduz a lei dialética do devir, há quatro fases correspondendo uma ave a cada uma. O axis mundis dos primitivos implica percepção empírica, conceito empírico e intuição inteligível e liga entre si vários mundos.”

                                                                                                         

  1. Explique, concretamente este texto.

 1) Relacione, justificando:

 A)Seis ou mais esferas da árvore cabalística dos Sefirós, as respectivas qualidades, e planetas, por um lado, e emanacionismo.

 B) Oito direções do espaço, respectivas áreas de vida e elementos ou partes da natureza na filosofia do Feng Shui, por um lado, e lei da contradição principal, por outro lado.

 

C) Vontade autónoma e vontade heterónoma e dois eus na moral de Kant, por um lado, hedonismo em Stuart Mill, por outro lado.

 

CORREÇÃO DO TESTE COTADO PARA 20 VALORES

 

 1) A filosofia da alquimia, doutrina esotérica, hermética que sustenta o processo da Grande Obra ou criação laboratorial da pedra filosofal que concederia a imortalidade ao homem, dotando-o de um corpo astral desmaterializado como o mítico Adão Kadmon (metade homem e metade mulher), defende que há três princípios/ substâncias originárias do universo, o enxofre ou homem vermelho (princípio masculino), sólido, o mercúrio filosófico ou mulher branca (princípio feminino), volátil, e o sal, neutro. A divisa «solve e coagula» significa dissolver o enxofre, sólido, e coagular o mercúrio líquido ou gasoso que se esparge pelas esferas celestes de forma a obter o equilíbrio e a pedra filosofal, ou lapis vermelho. O pleroma é o mundo divino, da luz, o mundo dos éons ou dos arquétipos perfeitos, o kenoma é o vazio, das trevas e da matéria exterior ao pleroma, a hebdómada é o mundo das sete esferas planetárias que tem a Terra no centro, criado por Deus ou pelo demiurgo (deus inferior) no seio do kenoma para alojar Adão que, ao sair do Éden atraído por Lúcifer, se materializou e perdeu Sofia, a sua metade espiritual  (VALE QUATRO VALORES).As quatro fases da Grande Obra Alquímica que visa produzir o elixir da longa vida ou pedra filosofal em laboratório são: nigredo, ou fase negra, da putrefação da matéria transformada no laboratório a que corresponde o corvo; albedo, ou fase branca de separação das impurezas, a ave é o cisne; citredo, ou fase multicolor, de alguma dominancia do amarelo limão, a ave é o pavão; rubedo, ou fase vermelha na qual se dá a produção da pedra filosofal cuja ave é a fénix. A lei do uno sustenta que tudo se relaciona e isso exemplifica-se no facto de estas quatro fases da Grande Obra estarem ligadas entre si num processo de continuidade. (VALE TRÊS VALORES). O axis mundis ou eixo do mundo ou pilar cósmico liga, nas cosmologias dos povos primitivos, três mundos, o mundo subterrâneo dos mortos ao mundo terreno dos vivos e este ao céu dos deuses, na vertical do lugar, a partir do umbigo do mundo, que é, muitas vezes, o centro da aldeia ou da cidade. A percepção empírica, isto é, o acto da visão, da audição, do tacto, etc, mostra-nos um pau comprido na vertical ou um pilar de pedra ou uma árvore ou uma montanha, o conceito empírico é a ideia formada com a abstração das percepções empíricas - exemplo: fecho os olhos e penso na árvore como axis mundis - e a intuição inteligível é a ideia metafísica,instantânea - exemplo: «ver» como que num flash o axis mundi lá no alto dos céus a tocar o corpo de um deus» (VALE TRÊS VALORES).

 

2-A) A árvore das Sefirós (Esferas) é o diagrama do universo, segundo a Cabala (ensinamento secreto) judaica, uma «heresia» do judaísmo como religião de massas. Essa árvore de 10 esferas, que são 10 qualidades que emanam de Deus (emanacionismo),  é composta de um triângulo  em cima, onde a presença de Deus é directa, expressa  nas sefirós Kéther- Chokmah- Binah, dois triângulos invertidos debaixo deste, onde já não há a presença directa de Deus mas sim dos arcanjos e dos anjos,  e um ponto isolado no fundo.

                               KÉTHER (Coroa)

                                Planeta: Úrano

                                Esfera nº 1

                                 Cor : Indefinida

 

BINAH:                                               CHOCKMAH

Esfera nº 3                                          Esfera nº 2

Inteligência                                          Sabedoria

Feminina                                              Masculina

Saturno                                                Neptuno

Cor Negra                                           Cor iridescente

 

GUEVURAH                                          CHESED

Esfera nº 5                                             Esfera nº 4

Justiça                                                    Misericórdia

Marte                                                       Júpiter

Cor: Vermelho                                        Cor Azul

 

                                     THIPHERET

                                      Esfera nº 6.

                                      Beleza.

                                      Sol.

                                      Cor: amarelo ouro.

                                      (VALE TRÊS VALORES)

 

 O emanacionismo é a teoria segundo a qual a criação emana, brota como água a jorrar de uma fonte, do princípio único (a bica da fonte) de tal modo que a radiação vai enfraquecendo à medida que se afasta da fonte: o universo é como uma escadaria em direção à matéria pura, muito afastada da fonte que é o espírito. A árvore da Cabala revela isso mesmo: Malkut, o Reino Material, é a última, directamente oposta a Kéther, Coroa, que tem a presença de Deus. (VALE TRÊS VALORES).

 

2) O Feng Shuei é uma filosofia chinesa geocósmica, holística, que sustenta a correspondência entre pontos cardeais (N,S,E,O) e os quatro pontos colaterais (NE,SE, SO, NO), as áreas de vida social e pessoal, alguns animais e cores.

 

NORTE. TERRA.  Tartaruga negra. A profissão, os negócios. Audição. Inverno. Meia noite, velho Yi ( máximo Yin ou máxima escuridão e frio).

NORDESTE. MONTANHA. Área de estudos e vida escolar.

ESTE, TROVÃO. Dragão verde. Crescimento, família. Cor verde. Visão. Nascer do sol. Jovem Yang.

SUDESTE. VENTO, MADEIRA. Dinheiro, riqueza material.

SUL.FOGO. Fénix. Fama. Fala. Cor vermelha. Verão. meio dia, velho Yang (máximo Yang ou máxima luz e calor).

SUDOESTE.TERRA. Sudoeste (ou Centro, segundo algumas interpretações). Serpente. Cor: amarelo. Fim do verão. Casamento, amores.  Sabor. Meio da tarde. Igual proporção de Yang e Yin.

OESTE. ÁGUA., Lago. Oeste. Tigre branco. A criatividade, os filhos. O olfato. Outono. Cor branca. Pôr do sol. Jovem yin (algum frio e humidade). 

NOROESTE.  CÉU. Os protectores, os amigos influentes.

 O princípio das correspondências microcosmo-microcosmo da filosofia hermética sustenta que o que está em baixo é como o que está em cima, há uma analogia entre o microcosmo ou pequeno universo e o macrocosmo ou grande universo. Assim sucede com o FengShuei: por exemplo, o Norte (macrocosmos) corresponde à profissão da pessoa (microcosmos) e à Tartaruga Negra (microcosmos), etc. A lei da contradição principal estabelece que um sistema de múltiplas contradições (em rigor: contrariedades) é redutível a uma só grande contradição, chamada principal, agrupando num dos polos algunas contradiçoes, e no outro as restantes. Assim podemos determinar a seguinte contradição principal: de um lado, o Este e o Sul, ambos Yang, e os respectivos pontos colaterais Sudeste e Sudoeste; do outro lado, o Oeste e o Norte, ambos Yang e os pontos colaterais Nordeste e Noroeste. (VALE TRÊS VALORES)

 

C) A vontade autónoma reside no eu numénico, ou eu racional, na doutrina de Kant, e permite  a cada pessoa universalizar a sua máxima ou princípio subjetivo, agir de acordo com o imperativo categórico que cada um gera no seu eu racional: trata cada ser humano como um fim em si mesmo, alguém digno de respeito, e nunca como um meio para chegares a fins egoístas. . A vontade heterónoma situa-se no eu fenoménico ou eu empírico e é governada por interesses materiais, instintos e paixões contrárias ao eu racional. O hedonismo é a teoria que identifica o prazer com o bem e a dor com o mal, Stuart Mill defende a felicidade para a maioria dos envolvidos numa dada situação e isso não coincide com o imperativo categórico de Kant que contempla todos por igual e não busca necessariamente o prazer.  O princípio moral de Mill tem algo de imperativo hipotético (o prazer) e algo de imperativo categórico (o serviço aos outros). VALE TRÊS VALORES).

 

 

www.filosofar.blogs.sapo.pt

f.limpo.queiroz@sapo.pt

 

© (Direitos de autor para Francisco Limpo de Faria Queiroz)



publicado por Francisco Limpo Queiroz às 09:44
link do post | comentar | favorito

Terça-feira, 7 de Fevereiro de 2017
Teste de Filosofia do 10º ano (3 de Fevereiro de 2017)

 

Eis um teste de filosofia do 10º ano de escolaridade do início do segundo período lectivo, em Portugal. Os conteúdos deste teste de filosofia referentes a alquimia, cabala e princípio das correspondências macrocosmos-microcosmos integram-se na rubrica «Os grandes temas da filosofia» e são relativos a uma visita de estudo ao centro histórico de  Sevilha em que se faz hermenêutica de monumentos antigos e seus pormenores artísticos. Os manuais escolares do 10º ano não têm praticamente textos de filosofia esotérica e holístico-científica: autores como Mircea Elíade, historiador das religiões, Edgar Morin, Paul Feyerabend, Jules Evola, Gerson Scholen, Jean Hani, são censurados, ignorados pelos académicos da filosofia analítica que estão na mó de cima na época filosoficamente impensante que atravessamos.

 

Agrupamento de Escolas nº1 de Beja

Escola Secundária Diogo de Gouveia, Beja

TESTE DE FILOSOFIA, 10º ANO TURMA A

3 de Fevereiro de 2017. Professor: Francisco Queiroz

I

“A filosofia da alquimia, que aceita as noções de pleroma, kenoma e hebdómada, sustenta a divisa «solve e coagula» e a existência de três princípios/ substâncias do universo material. Na Grande Obra Alquímica, que traduz a lei dialética do uno, há quatro fases correspondendo uma ave a cada uma.  A esfera dos valores espirituais em Max Scheler e a esfera dos valores do santo e do profano podem ter algo a ver com a cosmisação do espaço e o axis mundis dos povos primitivos."

 

1) Explique, concretamente este texto.

 

2) Relacione, justificando: 

A) Seis ou mais esferas da árvore cabalística dos Sefirós, as respectivas qualidades, e planetas, por um lado, e quatro arquês em Pitágoras de Samos, por outro lado.

 

B) Oito direções do espaço, respectivas áreas de vida e elementos ou partes da natureza na filosofia do Feng Shui e princípio das correspondências macrocosmos-microcosmos.

 

C) Máxima e imperativo categórico em Kant e o princípio moral do utilitarismo em Stuart Mill. 

 

 CORREÇÃO DO TESTE,  COTADO MAXIMAMENTE PARA 20 VALORES

 

1) A filosofia da alquimia, doutrina esotérica, hermética que sustenta o processo da Grande Obra ou criação laboratorial da pedra filosofal que concederia a imortalidade ao homem, dotando-o de um corpo astral desmaterializado como o mítico Adão Kadmon (metade homem e metade mulher), defende que há três princípios/ substâncias originárias do universo, o enxofre ou homem vermelho (princípio masculino), sólido, o mercúrio filosófico ou mulher branca (princípio feminino), volátil, e o sal, neutro. A divisa «solve e coagula» significa dissolver o enxofre, sólido, e coagular o mercúrio líquido ou gasoso que se esparge pelas esferas celestes de forma a obter o equilíbrio e a pedra filosofal, ou lapis vermelho. O pleroma é o mundo divino, da luz, o mundo dos éons ou dos arquétipos perfeitos, o kenoma é o vazio, das trevas e da matéria exterior ao pleroma, a hebdómada é o mundo das sete esferas planetárias que tem a Terra no centro, criado por Deus ou pelo demiurgo (deus inferior) no seio do kenoma para alojar Adão que, ao sair do Éden atraído por Lúcifer, se materializou e perdeu Sofia, a sua metade espiritual  (VALE TRÊS VALORES).As quatro fases da Grande Obra Alquímica que visa produzir o elixir da longa vida ou pedra filosofal em laboratório são: nigredo, ou fase negra, da putrefação da matéria transformada no laboratório a que corresponde o corvo; albedo, ou fase branca de separação das impurezas, a ave é o cisne; citredo, ou fase multicolor, de alguma dominancia do amarelo limão, a ave é o pavão; rubedo, ou fase vermelha na qual se dá a produção da pedra filosofal cuja ave é a fénix. A lei do uno sustenta que tudo se relaciona e isso exemplifica-se no facto de estas quatro fases da Grande Obra estarem ligadas entre si num processo de continuidade. (VALE TRÊS VALORES). A esfera dos valores espirituais em Max Scheller engloba os valores éticos (bem e mal), estéticos (belo e feio) jurídicos (legal, ilegal) de verdade filosófica (real, irreal, etc.) e científica (certo e errado na matemática, etc) e a esfera dos valores do santo e do profano ( Deus ou deuses versus matéria como essência da vida). A cosmisação do espaço é a transformação de um território caótico ou homologo ao caos num cosmos, isto é, num pequeno mundo organizado. Os povos antigos determinavam, nesse terreno, o Centro, o «umbigo do mundo», um lugar sagrado - e aqui entram os valores do divino, do santo e também éticos- onde situavam a pedra angular e erigiam o axis mundis, cruzando duas linhas perpendiculares no solo, uma norte-sul outra este-oeste. Assim a aldeia ficava dividida em quatro partes.A partir do Centro, elevava-se o axis mundi, um poste, ou um pilar ou uma árvore que ligava o mundo subterrâneo dos mortos ao mundo terrestre dos vivos e ao céu dos deuses.  (VALE QUATRO VALORES).

 

2-A) A árvore das Sefirós (Esferas) é o diagrama do universo, segundo a Cabala (ensinamento secreto) judaica, uma «heresia» do judaísmo como religião de massas. Essa árvore de 10 esferas, que são 10 qualidades que emanam de Deus (emanacionismo),  é composta de um triângulo  em cima, onde a presença de Deus é directa, expressa  nas sefirós Kéther- Chokmah- Binah, dois triângulos invertidos debaixo deste, onde já não há a presença directa de Deus mas sim dos arcanjos e dos anjos,  e um ponto isolado no fundo.

                               KÉTHER (Coroa)

                                Planeta: Úrano

                                Esfera nº 1

                                 Cor : Indefinida

 

BINAH:                                               CHOCKMAH

Esfera nº 3                                          Esfera nº 2

Inteligência                                          Sabedoria

Feminina                                              Masculina

Saturno                                                Neptuno

Cor Negra                                           Cor iridescente

 

GUEVURAH                                          CHESED

Esfera nº 5                                             Esfera nº 4

Justiça                                                    Misericórdia

Marte                                                       Júpiter

Cor: Vermelho                                        Cor Azul

 

                                     THIPHERET

                                      Esfera nº 6.

                                      Beleza.

                                      Sol.

                                      Cor: amarelo ouro.

                                      (VALE TRÊS VALORES)

 

A cosmogonia de Pitágoras de Samos diz que o universo se formou a partir de  quatro números-figuras arquetípicos: do vazio surge um ponto que simboliza o número um; o ponto divide-se em dois, gerando a linha recta, que é o número dois; da recta sai um ponto que ao projectar-se através de infinitas rectas sobre a recta original gera um plano, que é o número três; do plano sai um ponto que prpjectando-se segundo três rectas sobre o plano gerando a pirâmide de três lados ou tetraedro, que é o número quatro. A gematria é a atribuição a cada letra de um número (por exemplo A= 1, B=2, C=3, N=40, Z=400) . Tanto a cosmogonia de Pitágoras como a gematria  consideram os números como essências dos entes.

Podemos relacionar a árvore da Cabala, que sustenta haver DEZ esferas ou Séfirós com a teoria de Pitágoras que venerava o DEZ como número de Deus já que é a soma dos quatro arkhés (1+2+3+4=10). (VALE TRÊS VALORES).

 

 2) O Feng Shuei é uma filosofia chinesa geocósmica, holística, que sustenta a correspondência entre pontos cardeais (N,S,E,O) e os quatro pontos colaterais (NE,SE, SO, NO), as áreas de vida social e pessoal, alguns animais e cores.

 

NORTE. TERRA.  Tartaruga negra. A profissão, os negócios. Audição. Inverno. Meia noite, velho Yi ( máximo Yin ou máxima escuridão e frio).

NORDESTE. MONTANHA. Área de estudos e vida escolar.

ESTE, TROVÃO. Dragão verde. Crescimento, família. Cor verde. Visão. Nascer do sol. Jovem Yang.

SUDESTE. VENTO, MADEIRA. Dinheiro, riqueza material.

SUL.FOGO. Fénix. Fama. Fala. Cor vermelha. Verão. meio dia, velho Yang (máximo Yang ou máxima luz e calor).

SUDOESTE.TERRA. Sudoeste (ou Centro, segundo algumas interpretações). Serpente. Cor: amarelo. Fim do verão. Casamento, amores.  Sabor. Meio da tarde. Igual proporção de Yang e Yin.

OESTE. ÁGUA., Lago. Oeste. Tigre branco. A criatividade, os filhos. O olfato. Outono. Cor branca. Pôr do sol. Jovem yin (algum frio e humidade). 

NOROESTE.  CÉU. Os protectores, os amigos influentes.

    O princípio das correspondências microcosmo-microcosmo da filosofia hermética sustenta que o que está em baixo é como o que está em cima, há uma analogia entre o microcosmo ou pequeno universo e o macrocosmo ou grande universo. Assim sucede com o FengShuei: por exemplo, o Norte (macrocosmos) corresponde à profissão da pessoa (microcosmos) e à Tartaruga Negra (microcosmos), etc. (VALE TRÊS VALORES)

 

C) O imperativo categórico ou verdadeira lei moral, em Kant, postula: «Age como se quisesses que a tua ação fosse uma lei universal da natureza». Resulta da universalização da máxima, da aplicação equitativa do princípio subjectivo moral de cada um ou máxima. Exemplo: se a minha máxima é «Combato a vacinação obrigatória porque as vacinas infectam o organismo» o meu imperativo categórico será «Vou difundir a ideia de que a vacinação é nociva e não me vacinarei nem as minhas filhas, quaiquer que sejam as sanções contra mim.» O princípio moral de Stuart Mill é, em cada situação, promover a felicidade da maioria das pessoas, mesmo sacrificando a minoria. Em regra, isto opõe-se ao imperativo categórico de Kant que é absolutamente equitativo e trata por igual todos os indivíduos. (VALE QUATRO  VALORES)

 

www.filosofar.blogs.sapo.pt

f.limpo.queiroz@sapo.pt

 

© (Direitos de autor para Francisco Limpo de Faria Queiroz)

 



publicado por Francisco Limpo Queiroz às 19:41
link do post | comentar | favorito

Quarta-feira, 9 de Março de 2016
Notas pessoais, filosóficas ou não, de Março de 2016

 

 

Eis algumas notas de vida pessoal com reflexões avulsas que só interessarão a uma parte dos leitores deste blog.

 

NÃO HÁ O «FAZER AMOR»-O amor não se faz: sente-se, como contemplação estética de outrém ou como comunhão espiritual com outrém. Aquilo que se «faz» com uma parceira ou um parceiro é troca física de carícias, manipulação do corpo da/o outra/o de modo a atingir o orgasmo e isso não é fazer amor, mas fazer actos sexuais que são, sobretudo,amor-próprio

 

O AMOR É, DE CERTO MODO, UMA EXPLORAÇÃO DE ALGUÉM. Não «exploração» no sentido de descobrir ou percorrer o corpo ou a alma do ser amado. Exploração no sentido de apropriação do que não é nosso, da beleza, do corpo, da personalidade da outra pessoa, no sentido de extração de mais valia: amo-te mas quero que me sejas fiel, que me beijes e acaricies e ajudes na lida da casa, no prestígio social (estar casado dá estatuto) ou no aumento da conta bancária. Estou a desfrutar-te e a explorar-te subtilmente.

 

O VERDADEIRO AMOR É NÃO GOSTARES DE MIM MAS VIVERES COMIGO E EU TER DESEJO SEXUAL DE TI. E assim continuarmos pelos anos fora, deitando fora essas baboseiras do «amo-te muito». Eu amo o teu corpo - a ti não sei se amo porque és invisível. Onde está a tua alma? Mas sou-te leal e apoio-te sempre.

 

O QUE MAIS ME ATRAI NA MULHER? O rosto e os seios.

 

AMO-TE TANTO QUE O AMOR DESAPARECEU. O ser e o nada remetem um para o outro.

 

O DUPLO CARÁCTER DO CASAMENTO. Para as feministas, defensoras da mais radical liberdade individual, o casamento é uma capitulação da mulher face ao homem que, assim, a aprisiona e submete ao seu capricho (os homens são porcos, só pensam em sexo físico). Para os noivos apaixonados, o casamento é o alicerce de uma relação de «amor eterno» e não carece de ser alvo de ironia ou desmontagem - mas Saturno ou Cronos, senhor do tempo, acaba por enrugar a relação entre os cônjugues e introduzi-la no deserto da monotonia.

 

AS MULHERES BELAS SÃO COMO OS CASTELOS ALTANEIROS. Inconquistáveis. Podes conquistar-lhes o corpo mas nunca a alma, a não ser temporariamente, no momento do riso, do beijo ou do orgasmo. Elas são superiores a nós, homens, em engenho e arte de sedução. O Don Juan, o mais feminino dos homens, é capaz de conquistar muitas mas no final sai derrotado. As mulheres só se deixam conquistar por homens com algo de feminino na alma - e um orgão sexual masculino, claro.

 

QUANDO FORES VELHA E FEIA DEIXAREI DE AMAR-TE. Mas isso nunca acontecerá porque te escolhi, mulher, dezenas de anos mais nova que eu. Assim o amor não falhará porque o amor é sempre o amor da forma bela e da harmonia de carácter

 

É TÃO BOM TER UM CORPO JOVEM DE MULHER NA NOSSA CAMA. E quando não se tem? Há uma sensação de privação estética e orgástica. Mas isso não significa que valha a pena arrastar qualquer mulher para a cama. Afinal o acto sexual é anti higiénico e só pode levar-se a cabo mediante uma alta emoção estética, um encantamento. É por isso que rejeito sexo com mulheres da minha idade ou até 10-15 anos mais novas. A carne deve ser o mais espiritual possível e para isso o adequado é uma jovem de 25 a 30 anos de idade. Rejeito também comer carne: é um caldo de purinas e cadaverinas. Rejeito, na minha vida pessoal, qualquer acto homossexual entre homens, é repulsivo biologicamente - mas defendo os gays e as lésbicas, o direito a serem como são, felizes ou em busca da felicidade. Só gosto da mulher que me habita interiormente. E de algumas mulheres exteriores fisicamente. E hoje, às 7 horas da manhã, havia uma circunferência luminosa projectada na parede do meu quarto pela luz solar vinda da janela de um outro quarto..sinal de quê?

 

DOIS DIAS E MEIO NO PORTO POR CAUSA DO MEU FILME NO FANTASPORTO. À 1.40 da madrugada, de sexta feira, 4 de Março de 2016, chego ao Porto, após 8 horas de viagem desde Beja por autoestrada - eu guio a 80-90 km por hora, poupo o carro antigo e paro em locais diversos para comer algo, tomar café e descontrair. Na sexta de tarde, pelas 16 horas e pico entro no cineteatro Rivoli onde decorre, desde 26 de Fevereiro, o Festival Internacional de Cinema do Porto denominado Fantasporto. Um grande festival com mais de uma centena de filmes a ser exibidos ora no grande auditório ora no pequeno auditório.

 

A minha curta-metragem de 11 minutos «Adão Andrógino no Alentejo» feita com a magnífica equipa da Videoplanos ( Frederico e Nelson) é exibida cerca das 18 horas em competição com outras 10 curtas metragens portuguesas selecionadas: «O que é feito dos dias na cave», de Rafael Almeida ; «Quarto em Lisboa» de Francisco Carvalho ( vencedor; inclui a actriz conhecida Custódia Galego); «Cinestesias» de Luís Miranda; «A peça» de Bruno Canas; «Nature experiences» de Martin Dale; «São João» de Maria Nery; «Motorphobia», de Isabel Pina e Ricardo Figueira; «Senhor Jaime» de Cláudio Sá; «Esta noite vi dois marcianos de smoking» de Filipe Canêdo e «Palhaços» de Pedro Crispim. Fui chamado ao palco, frisei que nasci no Porto e sou mais de Beja onde vivo e trabalho há 28 anos. Ser selecionado já é uma vitória, um reconhecimento de qualidade.

 

No final da exibição, Josep C, fotógrafo do festival, intelectual catalão, do bairro de Graciá em Barcelona vem ter comigo e diz-me: «O teu filme encantou-me quando começas a cantar uma canção a Buenaventura Durruti, o grande líder anarquista espanhol, morto em 19 de Novembro de 1936, em Madrid. Durruti é venerado na Catalunha pelas esquerdas revolucionárias. Em Portugal ninguém o conhece». E falamos do Partido Obrero de Unificación Marxista (POUM), de que fui simpatizante, esmagado em Junho-Agosto de 1937 pelos estalinistas que assassinaram Andreu Nin, o líder poumista. Josep narra que na comemoração dos 60 anos da fundação do POUM, portanto em 1995, na sede do Parti Socialista de Catalunya, em Barcelona, um velho militante do POUM octogenário emocionou-se ao evocar um camarada e morreu de ataque cardíaco. Enfim, se há vidas anteriores eu creio que posso ter combatido nas fileiras da 83ª Brigada Mista do Exército Popular da República Espanhola , criada no sector Este da frente de Teruel, em 1937, com base nos batalhões anarquistas da antiga Coluna de Ferro saída de Valencia...

 

Janto em casa de um irmão, no Porto, e, já na madrugada de domingo, saio com o irmão e um primo e respetivas consortes para a zona dos Clérigos, na baixa do Porto, onde há centenas de bares abertos e milhares de pessoas a divertir-se, apesar do frio da noite. Entramos na «Galeria de Paris» e depois no grande bar «Destilaria», na Rua Cândido Reis, com dois grandes espelhos em duas paredes uma em frente da outra. Muito agradável estar ali. Ao fim de semana, o Porto supera Beja para quem precisa de música entre a multidão. Mas tudo é relativo. Ser jovem, audaz e optimista é que é bom. Os jovens é que beijam bem, não usam placas dentárias...Almoço com a filha, neste domingo, uma querida que põe reticências às incursões cinematográficas do pai, e volto a Beja às 16,30 horas, guiando, orando e cantando fados. Só nesta madrugada de 7 de Março entro em casa. Para levantar às 7.30 horas da manhã e voltar às aulas. Tudo correu bem 

 

OS MACHOS LATINOS- Há pouco eu disse a uma amiga: os machos latinos sao apenas mulheres musculadas viradas do avesso. Mantenho esta tese.

 

GOSTAVA DE VIVER MARITALMENTE COM DUAS MULHERES JOVENS E BELAS (20-25 ANOS) NA MESMA CASA.  Seria amor a três. Assim, o ciúme diminuiria. Seria possível um diálogo não asfixiante, a constituição de alianças táticas no plano afectivo. Seria a Trindade: a Mãe, a Filha e o Santo Espírito. E Deus proibe isto? Afinal amar duas mulheres ao mesmo tempo, uma em presença da outra, não é trair, nem cometer adultério. É sinceridade, generosidade no amor. A fidelidade exclusiva a uma parece ser demasiado egoísta. Somos gnósticos, não católicos romanos. Não cremos no papa Francisco mas sim nos Eóns do Pleroma, no Deus da Luz. A única lei divina é a Lei do Amor: ama como quiseres desde que não oprimas os seres a quem amas e lhes permitas devolver-te livremente o amor e ser feliz.

 

VIVER COM UMA «MIÚDA» DE 20 A 27 ANOS DE IDADE FAZ BEM. Porque ela está no auge da beleza física e esta corresponde, muitas vezes, a maior beleza espiritual. Porque não tem «pneus» nem teve muitos homens a conhecer-lhe o corpo. Porque não tem filhos. Porque acredita, moderadamente, no amor romântico, o amor de toda a vida. Porque ainda tem os pulmões pouco poluídos do fumo do tabaco. Porque é gentil e ardente a fazer amor. Porque usa sutiã que lhe realça os seios firmes. Porque a mãe dela critica; «Ai filha foste juntar te com um homem que podia ser teu pai, pela idade»

 

DEUS AMA MAIS AS PROSTITUTAS E OS TRAVESTIS DO QUE AS MULHERES CASADAS E OS HOMENS NÃO TRAVESTIS. Porque as prostitutas e os travestis correm riscos e são perseguidos por grupos violentos e homófobos ao passo que as mulheres casadas e os homens vestidos no masculino, como eu, estamos tranquilos no redil da normalidade dos costumes sociais felizes.

 

O PROBLEMA É O CORPO. Estive sentado na esplanada do «Luís da Rocha». Uma senhora de uns 70 anos, magra, muito enrugada senta-se na mesa ao lado. Era certamente bela, aos 20 ou 22 anos, as idades da B., da K., da M., etc. E penso: «O problema é o corpo, no amor conjugal. Um corpo de mulher jovem é sempre preferível ao de uma mulher velha. Isto é incontornável. Coitada ou coitado de quem transporta as marcas do envelhecimento visível e real. Já não pode amar como os jovens. Não me venham dizer que a idade não conta.»

 

NÓS, OS VIVOS, SOMOS UM BANDO DE REFUGIADOS que atravessamos o continente da existência para escapar à morte.

 

PARA QUE EXISTE A BELEZA? Para suportar a dureza, a crueldade sem limites da existência. A beleza é o véu de Maya, a deusa da ilusão das formas, como diria Nietzsche. A beleza do bebé e da criança dão alento e recompensa a quem cuida deles. A beleza da mulher jovem atrai os homens, leva-os a lutar por conquistá-la com um comportamento adequado, automóveis, jantares, bailes, idas ao cinema - onde a vida flui e palpita. A beleza é aliada da vida mas a desigualdade existe: há mulheres muito belas e há mulheres feias (as muito velhas em especial). As mulheres maquilham-se porque sabem que isso acrescenta beleza ao seu ser exterior.

 

UMA SIMPLES FOTO PODE DISSIPAR UMA PAIXÃO. Gostamos das mulheres por causa da sua beleza física, revestida de simpatia e graciosidade. Mas uma simples foto delas, desfavorável - sobretudo quando não conhecemos ao vivo essa mulher por quem nos apaixonamos idealmente - pode destruir a paixão. Porque esta obedece a estritos cânones de beleza

 

BEJA VERSUS LISBOA- Em Beja, há uma calma e uma qualidade ecológica superior a Lisboa. Encontro na rua a S. que me diz: «Agora trabalho em Lisboa. Não tem nada a ver com Beja. Nunca acontece nada em Beja, há um controlo social grande, as pessoas olham-nos como se estivessem a cobrar-nos algo. Em Lisboa, somos livres, ninguém nos conhece. Podemos ir aqui e ali, ter aventuras amorosas, ninguém nos vai pedir satisfações.» E não será verdade?

 

SUICÍDIO - 15 de Março de 2015. Em final de período, os alunos do 11º pedem-me um tema livre para discutir na aula inteira. Escolhem: o suicídio. O Miguel acha que suicidar-se é uma cobardia. Pergunto: e os samurais japoneses que, por se sentirem desonrados, espetam uma espada no seu próprio ventre, são cobardes? Falamos do suicídio por amor: «é uma estupidez» dizem os alunos, significa que «a pessoa se fechou obsessivamente no afeto a uma só pessoa». A Claire diz: «Bom é não estar preso amorosamente a ninguém e viver a adrenalina de se interessar, no momento, por esta ou por aquela pessoa»....Fora da escola, alguém me diz que num estabelecimento de ensino X, um aluno fala em suicidar-se por ter tido notas baixas e não se sentir bem tratado por alguém docente. Preocupante. Os adolescentes escolares são a nossa razão de ser enquanto professores. Temos de falar, sem culpar ninguém.

 

NICOLAU BREYNER E O AZAR DE CORAÇÃO EM SERPA-Em 13 de Março de 2016, discuti com uma mulher que amo, originária do concelho de SERPA, e ficamos um pouco «azedados» de CORAÇÂO (eu não, porque tenho sentimentos firmes de amor terno e eterno, já não sou adolescente). Em 14 de Março de 2016, o célebre ator Nicolau Breyner, originário de SERPA, morreu de ataque de CORAÇÂO. Fui eu ou ela quem matou telepaticamente Nicolau Breyner? Ou fomos ambos? Se não tivessemos discutido - ela uma SERPENSE - teria Nicolau (SERPENSE) morrido no dia seguinte?.

 

BEBER ALHO FERVIDO EM LEITE CURA. Uma amiga enviou-me a seguinte mensagem: «Venho informa-lo de um argumento para a sua tese de que os medicamentos não prestam. Como sabe, tenho estado doente e receitaram-me um xarope e um spray, que apenas me fizeram ficar pior. No entanto, soube de uma receita que é ferver alho em leite e beber tudo, incluindo o alho. Apenas bebi 3 vezes e melhorei quase que instantaneamente. O que acha?».

 

O que acho? Penso, de acordo com Ivan Ilich e outros, que a medicina oficial alopática é uma indústria do lucro, que mantém artificialmente a multiplicidade de doenças em toda a humanidade ao não proibir o consumo de carne, alcool, tabaco, açúcar refinado, fármacos iatrogénicos, vacinas, pão branco e cereais refinados.

 

ACREDITAR QUE UM VÍRUS ATENUADO OU UMA TOXINA INJECTADA NO CORPO ATRAVÉS DA VACINA ENSINA O CORPO A DEFENDER-SE CONTRA UMA DOENÇA É UMA ENORME INGENUIDADE... OU UMA ENORME ESTUPIDEZ. Um tóxico (vacina) introduzido no corpo só acrescenta mais toxicidade ao sangue e envenenamento lento aos orgãos internos. Mas a medicina oficial que temos, herdeira das «poções mágicas» de feiticeiros, acredita na imbecil doutrina da vacinação. Não vacines os teus filhos. Muita gente nos EUA se está a revoltar contra a vacinação que o Estado quer tornar obrigatória ou semi obrigatória.. Luta! O corpo é teu! Ninguém tem direito de o infectar com a picada mórbida da linfa de animais doentes.

 

SINCRONISMO CAVACO SILVA-PERDA DE RELÓGIO. Em 9 de Novembro de 1995, o candidato presidencial Aníbal CAVACO SILVA visitou a sua sede de candidatura na cidade de Beja. Eu passei no local com minha filha mais nova e peguei nela ao colo para ver, de entre a multidão, o político em causa. Ao chegar a casa, notei que PERDERA O RELÓGIO que tinha no pulso. Voltei ao local de onde a pequena multidão se evaporara e, perguntando, consegui que alguém me devolvesse o RELÓGIO.  

Em  9 de Março de 2016, CAVACO SILVA foi substituído por Marcelo Rebelo de Sousa como presidente da República Portuguesa. Horas depois fui à pastelaria O RELÓGIO, na vila da Vidigueira, ver na TV o jogo de futebol Zenit-Benfica e a PULSEIRA METÀLICA DO MEU RELÓGIO DE PULSO quebrou.

 

Que significa este sincronismo entre destaques de CAVACO SILVA e PERDA OU DANO DO RELÓGIO que levo no pulso esquerdo? Que Cavaco Silva «é» um relógio, um autómato? Que acelera ou atrasa a marcha do tempo?

 

 

www.filosofar.blogs.sapo.pt
f.limpo.queiroz@sapo.pt

 

© (Direitos de autor para Francisco Limpo de Faria Queiroz)

 



publicado por Francisco Limpo Queiroz às 23:43
link do post | comentar | ver comentários (4) | favorito (1)

Segunda-feira, 23 de Fevereiro de 2015
Teste de filosofia do 10º C (Fevereiro de 2015)

 

Os temas de alquimia incluídos neste texto conexionam-se com a visita de estudo a Sevilha que o liceu de Beja (ESDG) realiza anualmente. Nenhum manual do 10º ano de filosofia do ensino secundário em Portugal inclui textos sobre alquimia, filosofia hermética, astrologia - temas obrigatórios para quem queira pensar a sério filosofia. Um professor  de filosofia que não conheça os princípios da alquimia (o enxofre, o mercúrio e o sal), o dualismo yang-yin do taoísmo, as leis da dialética, o princípio das correspondências macrocosmos-microcosmos é um sujeito inculto, de mente quadrada, muito mais inculto que o empregado de escritório Fernando António Nogueira Pessoa, genial poeta e pensador, falecido em 30 de Novembro de 1935, em Lisboa. Hoje, vive-se um clima de censura na universidade portuguesa e mundial, pretensamente racionalista, comparável à censura da inquisição.

 

A esmagadora maioria dos actuais professores liceais e universitários de filosofia e sociologia são incompetentes, anti filosóficos. A universidade está infiltrada de doutorados que são alunos «marrões» que fizeram «copy paste» de trabalhos dos «mestres», fizeram o «beija-mão», pagaram milhares em propinas e foram cooptados. Os doutoramentos em filosofia enfermam de erros graves, em regra, e superabundam em verniz retórico. É um show-off. Vamos ao nosso teste que, certamente, ensina algo a muitos desses ignorantes donos de cátedras, agentes da burguesia inculta, superficial e endinheirada que domina o Estado e o sistema de ensino.

 

Agrupamento de Escolas nº1 de Beja
Escola Secundária Diogo de Gouveia, Beja
TESTE DE FILOSOFIA, 10º ANO TURMA C
11 de Fevereiro de 2015. Professor: Francisco Queiroz

 

.”A queda de Adão levou Deus, segundo alguns filósofos, a criar a hebdómada fora do pleroma e assim passou a haver três mundos, uma vez que o inferno de Lúcifer já existia no kenoma. O templo cristão na idade média foi construído segundo o princípio das correspondências microcosmo-macrocosmo, que exprime a lei dialética do uno. Solve e coagula, divisa dos alquimistas, tal como o fluxo e refluxo da onda ou o par dogmatismo-cepticismo podem ser classificados de acordo com o dualismo Yang-Yin

 

1) Explique, concretamente este texto.

2) Relacione, justificando:

A) As quatro fases do processo alquímico e respectivas aves- símbolos, por um lado, e os quatro arkês segundo Pitágoras de Samos, por outro lado.

B) O imperativo categórico em Kant e o princípio moral do utilitarismo de Stuart Mill.

3) Enuncie a lei dialética da contradição principal e aplique-a a três ou quatro esferas (sefirós) da Árvore da Vida da Cabala judaica.

 

 

 

CORRECÇÃO DO TESTE ESCRITO (COTADO PARA 20 VALORES)

1) A queda de Adão, que a bíblia apresenta como resultado de ter provado a maçã da árvore do conhecimento, consiste na perda do seu corpo glorioso, metade masculino metade feminino (Sofia, a sua parte feminina), que atravessaria as pedras e a matéria em geral: Deus tê-lo-ia expulsado do Paraíso Terrestre, na periferia do Pleroma ou mundo da Luz divina. Para evitar que Adão caísse no inferno de Lúcifer, no Kenoma ou mundo do Vazio, das trevas da matéria, Deus - ou segundo alguns; o demiurgo, um deus inferior - criou um mundo material com sete esferas planetárias, chamado Hebdómada  (a de Mercúrio, a de Vénus, a do Sol, a de Marte, a de Júpiter e a de Saturno) em redor da Terra onde ficou a viver Adão com a sua nova companheira, Eva, sujeitos às leis da matéria, da doemça e do envelhacimento e morte.  Ficou pois a haver três mundos: o Pleroma divino, a Hebdómada com a Terra no centro, e o Inferno de Lúcifer (VALE TRÊS VALORES).O templo cristão da idade média obedecia ao princípio hermético das correspondências «o que está em baixo é como o que está em cima, o microcosmo espelha o macrocosmo»: o templo é um microcosmo que espelha o macrocosmo, o corpo gigantesco de Cristo que atravessa o universo. Na planta da catedral, a  abside corresponde à cabeça de Cristo, o transepto aos braços abertos, o altar ao coração, as naves ao tronco e pernas. A catedral tinha a abside virada a Leste, onde nasce o Sol, símbolo de Cristo. A lei do uno diz que tudo se relaciona: Cristo com o Sol e com o templo em pedra, por exemplo. Outra expressão deste princípio é a correspondência entre a catedral e a natureza física envolvente: o altar equivale à montanha sagrada, as colunas às árvores, as abóbadas ao céu, as janelas de vitrais às estrelas e planetas, as paredes aos desfiladeiros, a pia baptismal aos lagos e mares (VALE  TRÊS VALORES). Solve e coagula é a divisa dos alquimistas (químicos metafísicos da antiguidade clássica e da idade média) e quer dizer dizer dissolver o masculino, sólido, o enxofre e coagular o feminino, líquido e gasoso, o mercúrio, a fim de obter o lapis ou pedra filosofal, vermelha. Os dois princípios de que os alquimistas falavam são o princípio masculino, representado pelo enxofre e pelo salitre, sólidos, designado de «homem vermelho» e o princípio feminino, o mercúrio filosófico, líquido e volátil, designado de «mulher branca». No taoísmo, yang significa princípio masculino, dilatação, calor, verão, vermelho, som e yin significa princípio feminino, contração, inverno, azul ou branco, silêncio. Embora o yang corresponda de modo geral ao enxofre e o yin ao mercúrio, a correspondência não é perfeita porque no taoísmo o sólido é o feminino e na alquimia o sólido é o masculino. O dogmatismo é a corrente filosófica que afirma existir certezas, expansão do conhecimento - nesse sentido pode equparar-se ao Yang e ao fluxo da onda - e o cepticismo é a posição filosófica que proclama a dúvida quase sobre tudo, contracção do conhecimento que se reduz ao visível e palpável imediato - neste sentido pode equiparar-se ao Yin e ao refluxo da onda(VALE TRÊS VALORES).

 

2- A) As quatro fases do processo alquímico e respectivas correspondências com a teoria de Pitágoras - esta é uma interpretação entre outras - são:

NIGREDO ou fase negra, da putefração do cadáver. A ave é o corvo. Pode equiparar-se ao ponto que em Pitágoras representava o número um (Do vazio veio um ponto).

ALBEDO ou fase branca, da separação das impurezas.A ave é o cisne. Pode equiparar-se à linha recta que representa o número dois e se forma da separação em dois do ponto, pontos que se vão afastando.

 

CITREDO ou fase amarela e polícroma. A ave é o pavão. Pode equiparar-se ao plano, número três segundo Pitágoras, que se formou quando um ponto se destaca da recta e . É esta multiplicidade, onde existe Sol e Lua, que irá originar o lapis da última fase.

 RUBEDO ou fase vermelha na qual se produz o lápis ou elixir da longa vida ou pedra filosofal que permite ao homem regressar ao estado adâmico, adquirir um corpo andrógino que atravessaria as pedras e a matéria densa e viveria no Paraíso Terrestre. A ave é o pelicano ou a fénix. Pode equiparar-se ao tetraedro ou pirâmide de três lados, porque este sólido é o mais completo dos arkhês.  (VALE QUATRO VALORES)

 

2-B) O imperativo categórico é a verdadeira lei moral em Kant, é formado na razão ou eu numénico, que se opõe aos instintos corporais e ao eu fenoménico ou inferior. Enuncia-se assim: «Age de modo a transformares a tua máxima em princípio universal, como se fosse uma lei universal da natureza que não beneficia em particular ninguém, nem sequer a ti mesmo». Este imperativo é formal e autónomo, varia de pessoa a pessoa no seu conteúdo concreto.

O princípio moral de Stuart Mill é o da maximização social do prazer: é bem promover a felicidade da maioria dos envolvidos numa situação, mesmo à custa da infelicidade da maioria ou do próprio autor da acção.

Teoricamente,  é imoral, na doutrina de Kant, expropriar 20 famílias que vivem em casas de um bairro que a câmara municipal da cidade quer destruir para aí fazer uma circular rodoviária exterior para satisfazer 20 000 famílias que vivem nessa cidade porque cada pessoa é um fim em si mesma e deve-se aplicar a todas a mesma lei. Mas segundo a ética de Stuart Mill seria legítimo destruir esse bairro porque o interesse da maioria (20 000 famílias) se sobrepõe ao interesse da maioria (20 famílias). Ainda que se classifique habitualmente a moral de Kant como «deontológica», centrada no dever («déon») e a de Mill como «teleológica», centrada nos resultados da acção, a verdade é que esta última é igualmente «deontológica» porque para Mill os fins não justificam qualquer meio, há princípios morais a respeitar. (VALE QUATRO VALORES)

 

C) A lei dialética da contradição principal consiste em reduzir um conjunto de contradições a uma só composta por dois blocos. Exemplo: na 2ª Guerra Mundial, a URSS aliou-se à Inglaterra, aos EUA, ao Canadá, Brasil e formaram o bloco dos Aliados, e a Alemanha aliou-se à Itália e Roménia fascistas e ao Japão formando o bloco do Eixo. A árvore da Vida, cabalística é composta por dez esferas ou sefirós que exprimem as qualidades conhecidas de Deus. A forma da árvore é um hexágono tendo por baixo um triângulo de vértice para baixo e no final, abaixo do triângulo,  uma esfera isolada. Podemos escolher três esferas, duas do lado direito da árvore - a Sabedoria (Hocmah) e a Misericórdia (Chesed) - e uma do lado esquerdo - a Justiça- Severidade (Gueburah).. Neste caso a Justiça, de um lado, opõe-se à Sabedoria e à Misericórdia, do outro. (VALE TRÊS VALORES)

  

www.filosofar.blogs.sapo.pt
f.limpo.queiroz@sapo.pt

 

© (Direitos de autor para Francisco Limpo de Faria Queiroz)

 



publicado por Francisco Limpo Queiroz às 19:39
link do post | comentar | favorito

Quarta-feira, 11 de Junho de 2014
Teste de Filosofia do 10º B (Junho de 2014)

 

Eis um teste de filosofia, para o terceiro período lectivo, para o 10º A. Os alunos escolheram os valores religiosos e, neste âmbito, foram estudados o mito celta-cristão do Santo Graal, a lenda do rei Artur e da Távola Redonda, a espiritualidade gibelina e a espiritualidade guelfa, a heresia cátara dos séculos XII e XIII e o catolicismo romano, o budismo, a teoria de Hegel sobre a ideia absoluta/Deus, a teoria de Freud sobre a libido e a religião. Evitaram-se as escorregadias questões de escolha múltipla que, em muitos casos, não permitem ao aluno pensar multidimensionalmente, exibir e desenvolver o seu saber filosófico.

 

Agrupamento de Escolas nº1 de Beja
Escola Secundária Diogo de Gouveia com 3º Ciclo, Beja
TESTE DE FILOSOFIA, 10º ANO TURMA B
9 de Junho de 2014. Professor: Francisco Queiroz

 

 “A sede do Graal aparece sempre como um castelo, como um palácio real fortificado, e nunca como uma igreja ou um templo.(…) E (constata-se) a já observada e estreita relação do Graal com a espada e a lança, além de com uma figura de rei, ou de traços reais» (Julius Evola, “O mistério do Graal”, pág. 106)


1) Relacione este pensamento com a filosofia de guelfos e de gibelinos e com as várias descrições do Graal.


2) Relacione, justificando:
A) TEOLOGIA CÁTARA, TEOLOGIA CATÓLICA E MONISMO-DUALISMO
B) HOMENS HÍLICOS, PSÍQUICOS E PNEUMÁTICOS, OGDDÓADA E PLEROMA NA GNOSE DE VALENTIM
C) SIMBOLISMOS DO ANDRÓGINO, DA PERGUNTA, DE AVALON, DAS DUAS ESPADAS, NA LENDA DO GRAAL.
D) FASE DO SER EM SI E DO SER FORA DE SI, EM HEGEL, E DOIS DOS TRÊS MUNDOS NA TEORIA DE PLATÃO
E) DHARMAS, NO ATOMISMO ONTOLÓGICO DO BUDISMO, LÍBIDO E COMPLEXO DE ÉDIPO, EM FREUD.
F) VEIAS DO DRAGÃO, REI DO MUNDO E PRINCÍPIO MICROCOSMOS-MACROCOSMOS, NA FILOSOFIA ESOTÉRICA ANTIGA.

 

 

 

 

CORRECÇÃO DO TESTE DE FILOSOFIA (COTADO PARA 20 VALORES)

 

1) A sede do Graal aparece como um castelo a conquistar e não como uma igreja porque o Graal é um ideal da cavalaria medieval e não de pacíficos frades conventuais, bispos ou do Papa. O Graal tem de ser conquistado de armas na mão e implica duras provas para o cavaleiro Parsifal e outros da Távola Redonda. Não é consensual a teoeia de que o cálice do Graal fosse a taça em que José de Arimateia tivesse recolhido o sangue de Cristo pendurado na cruz, até porque a doutrina secreta dos templários rejeita a tese da crucifixão do Senhor. Assim, há outras teses: o Graal-pedra, esmeralda caída da fronte de Lúcifer; o Graal-lança, talvez relacionado com a lança do soldado Longinos que teria trespassado o peito de Jesus na cruz; o Graal-livro, que conteria os segredos, alquímicos e outros, do universo, sendo alquimia a arte de transformar o chumbo em oiro, quer no plano simbólico quer no plano material(VALE TRÊS VALORES).

 

 

2-A) A teologia cátara é dualista: há dois princípios originários do mundo, o Deus do Bem, que fez as nossas almas espirituais, e o Deus do Mal ou da Matéria que fez os nossos corpos . Para os cátaros a guerra e o sistema feudal aprovado e protegido pela igreja católica de Roma são criações de Lúcifer. Por isso, os cátaros reuniam-se nas cidades do sul da França no século XIII, os seus perfeitos praticavam a castidade e difundiam dois sacramentos o melhoramentum (pedir a benção de joelhos) e o consolamentum (imposição de mãos, como baptismo sem água nem fogo). Os cátaros não veneravam a cruz, símbolo de escravidão à hierarquia católica, pois achavam impossível que o Deus do Bem incarnasse num corpo material feito pelo seu rival. Não aceitavam que a hóstia consagrada fosse o corpo de Cristo e falavam no pão supersubstancial (o pão espiritual) que pode ligar-se ao Graal. Foram reprimidos sangrentamente pela cruzada romana que em 1244 tomou a fortaleza de Montségur e lançou na fogueira homens, mulheres e crianças. A teologia católica é monista: foi um Deus único que fez as almas e o mundo material, sendo o mal existente neste atribuído ao livre-arbítrio dos homens, e sendo o papa o representante de Cristo. Os católicos dizem que «Deus não quer o mal mas permite-o». Os cátaros refutam esta interpretação: se apenas houvesse um Deus benévolo todo poderoso Ele não permitiria sequer o mal. (VALE TRÊS VALORES).

 

2-B) Os homens hílicos possuem almas materiais que se extinguem com a morte do corpo: não têm salvação, segundo a gnose. Estão coninados à Terra, no centro das sete Esferas Planetárias. Os homens psíquicos são aqueles que vão à igreja, comugam e cumprem os ritos e as regras morais: as suas almas não foram geradas no Pleroma, mas na Ogdóade, a oitava esfera onde vive o eón Sofia, a Sabedoria exterior, que, por equívoco, gerou o Demiurgo, o autor do mundo das sete esferas planetárias. Os homens pneumáticos estão destinados à salvação, mesmo sem irem à missa e sem cumprirem os mandamentos da igreja, porque as suas almas foram geradas no pleroma e estão predestinadas a regressar a este, depois de serem exiladas em corpos O pleroma, na gnose de Valentim, é o mundo superior da Luz, onde vivem originalmente os trinta Éons: sabedoria, inteligência, bondade, igreja, etc. Os Eóns são essências espirituais perfeitas, a primeira das quais é o Ingénito, ou Pai de todas as coisas, que, sendo andrógino, gerou os outros Eóns. Estes equivalem aos arquétipos de Bem, Belo, Justo, Número, essências imóveis e eternas, que integram o Mundo Inteligível de Platão, situado acima do céu visível. (VALE TRÊS VALORES).

 

2-C) O simbolismo do andrógino, referido por Platão em «O banquete», consiste no seguinte: as primeiras raças humanas eram compostas de seres andróginos uma vez que o deus que as gerou era masculino na sua metade direita (correspondências: fogo, yang, razão) e feminino na sua metade esquerda (correspondências: água, Yin, intuição). Temendo a autosuficiência dessa raça humana primordial, o deus dividiu cada exemplar em dois, um masculino e o outro feminino, de modo a que cada um se sentisse incompleto e carente do outro.

 

  

O simbolismo da pergunta.  A pergunta é exactamente a que o cavaleiro eleito faz ao rei doente ou em morte aparente no castelo: «Onde está o Graal? De onde veio o Graal?» . Tem um valor iniciático algo similar, no plano formal, à pergunta que o mestre da loja maçónica faz ao neófito: «Que buscas?» . «A luz» -- responderá este.

Évola escreveu: «O poder milagrosamente redentor atribuído à pergunta resulta como uma extravagância somente nesse sentido. Perguntar equivale a apresentar o problema. A indiferença que, no herói do Graal, é culpa, o seu assistir, "sem perguntar", ao espectáculo do esquife, do rei que sobrevive, inanimado, morto, ou que conserva uma aparência artificial de vida, depois de terem sido realizadas todas as condições da cavalaria "terrena" e da "espiritual" e se tenha conecido o Graal, é a indiferença a este problema,» (Julius Évola, O Mistério do Graal, pág 117).

 

Avalon ou Thule é, na lenda do Graal, a ilha giratória situada no polo, terra dos hiperbóreos, situada no eixo do mundo. É a ilha mágica de cristal, que possui a Árvore da Vida e o elixir da vida eterna (Avalon indica Maçã, na língua celta) e onde estaria, em certas descrições, o castelo do Graal, o cálice ou pedra sagrada que emitiria uma luz mais intensa que o Sol e restabeleceria a saúde a qualquer doente ou ferido de guerra. Ferido de morte, o rei Artur seria trasladado num navio a Avalon e aí ficaria a viver, na quarta dimensão. «Antes de mais, mencionou-se o episódio de Mordrain, raptado pelo Espírito Santo na "ilha torre" no meio do oceano. A ilha está deserta. Mordrain é exortado a manter-se firme em sua fé. Sucede-se a isso a tentação de uma mulher, e resulta claro que nela é o próprio Lúcifer quem age.»(Julius Évola, O Mistério do Graal, Pensamento, pág 105).

 

. O simbolismo das duas espadas exprime o duplo sentido da espada e do cavaleiro: arma de guerra, militar, força física; instrumento da realeza, e mesmo Santo Graal, força espiritual e social. Um tema recorrente das lendas sobre o Graal é o do cavaleiro das Duas Espadas. A duplicação é uma determinação ontológica: aparência - essência, mundo sensível-mundo inteligível, virilidade material- virilidade espiritual, etc.

«A insuficiência da força heróica, não no sentido técnico específico já indicado deste termo mas no sentido comum, exprime-se também no motivo da dupla espada. A primeira espada, aquela que Parsifal carrega naturalmente consigo, ou que conquistou em suas aventuras premilitares, corresponde às virtudes puramente guerreiras devidamente vividas. A segunda, em Wolfram, Parsifal consegue obtê-la somente no castelo do Graal, como aquele do qual todos esperam que "faça a pergunta". Enfim, é aquela mesma que o rei vivo apenas aparentemente, no Diu Crône, transmite a Galvão antes de desaparecer, no sentido de passar a ela a sua própria função; e é a espada que no Grand St. Graal Celidoine diz estimar como o próprio Graal». ( Julius Evola, O Mistério do Graal, pág. 111).

 (VALE TRÊS VALORES)

 

2-D) A fase do ser em si, na teodiceia de Hegel, é a primeira fase da ideia absoluta ou Deus em que esta está sozinha, ainda ñão criou o espaço, o tempo e o universo material, limita-se a pensar. Equivale ao racionalismo, doutrina segundo a qual a razão é a fonte preponderante dos nossos conhecimentos. A fase do ser fora de si é aquela em que a ideia absoluta se aliena no seu contrário, se converte em mundo empírico da narureza, em montanhas, rios, árvores, girafas e outros animais. Equivale ao empirismo, doutrina que afirma as percepções empíricas como a fonte dos comhecimentos humanos.(VALE TRÊS VALORES)

 

2-E) Na filosofia budista, os «dharmas» são qualidades impessoais - memória, imaginação, força física, capacidade visual e auditiva, etc - que flutuam no universo e se juntam, acidentalmente, ao núcleo eterno do "eu" individual para formarem a personalidade de cada indivíduo durante uma dada encarnação ou vida terrestre da alma (atomismo ontológico do budismo). A libido ou energia sexual é um dos dharnas,  varia de pessoa a pessoa, e está presente no complexo de Édipo, que segundo Freud, é o desejo de o menino, de entre 3 a 5 anos de idade, eliminar o pai e (VALE TRÊS VALORES).

 

2-F) As veias do Dragão é a expressão que designa um sistema de túneis e grutas no interior do planeta Terra que conduzem ao centro deste, o reino de Agharta, segundo o esoterismo milenar, que dispõe de um sol interior e de habitantes, onde vive Melquisedec, o rei do mundo. «No interior da Terra, circula um poderoso campo de energia, é o Feng-Shui e Lung-Mei dos Chineses, e foi conhecido como o caminho das correntes telúricas, também chamado "As Veias do Dragão". (Ernesto Barón, A mensagem cósmica arturiana, Centro de Estudos de Antropologia Gnóstica, pág.111) .

O dragão terrestre seria uma imitação, um reflexo, na sua figura, da constelação do Dragão E isto é o princípio segundo o qual o microcosmos ou pequeno universo (exemplo: uma rede de túneis e grutas) espelha o macrocosmos ( o grande universo, as constelações).

 

«As linhas telúricas, Linhas-lei, tinham um traçado coerente com o formato das constelações. (...) Também descobriu-se que muitas cúpulas cheias de água que se encontram em numerosos megalitos reflectem as constelações, principalmente da Ursa Maior e da Ursa Menor. Porquê?»

«As pedras Ofitas integram-se maravilhosamente com os condutos intraterrestres. Essa energia é conhecida também como o Sangue do Dragão que o Mago Merlin, guia condutor do rei Artur, conheceu.» (Ernesto Barón, A mensagem cósmica arturiana, Centro de Estudos de Antropologia Gnóstica, pág.125) . (VALE DOIS VALORES)

 

Nota: Não é necessário o aluno saber de cor e escrever as citações de Julius Evola e Ernesto Barón que apenas foram inseridas na resposta para melhor a ilustrar.

 

 

www.filosofar.blogs.sapo.pt

f.limpo.queiroz@sapo.pt

 

 

 

© (Direitos de autor para Francisco Limpo de Faria Queiroz)



publicado por Francisco Limpo Queiroz às 06:56
link do post | comentar | favorito

Terça-feira, 4 de Junho de 2013
Teste de filosofia do 10º ano, incluindo valores religiosos ( 2013)

Eis um teste de final de 3º período de uma turma que escolheu tratar os valores religiosos no programa de 10º ano de filosofia em Portugal. Um teste sem perguntas de escolha múltipla, que permite aos alunos exprimir uma opinião própria, relacionar criativamente conteúdos e mostrar que sabem filosofar.  

Escola Secundária Diogo de Gouveia com 3º Ciclo, Beja

TESTE DE FILOSOFIA, 10º ANO TURMA C

3 de Junho de 2013.            Professor: Francisco Queiroz
I

“A religião, segundo Freud, implica neurose e sublimação e terá tido origem num parricídio. Nietzshe, no século XIX, defendeu a teoria do eterno retorno e propôs a transmutação dos valores

 

1) Explique concretamente este texto.

II

2) Relacione, justificando:

A) As três fases da Ideia Absoluta na História segundo Hegel e o dualismo do Tao.
B)  Os três estádios da existência segundo Kierkegaard, o existencialismo e o essencialismo.

 

 III

3) Exponha, em síntese, os seguintes temas:

«Como a gnose resolveu filosoficamente o problema da existência do mal no mundo.  Os dharmas e o nirvana no budismo. O argumento ontológico de Santo Anselmo para demonstrar Deus. O panteísmo, o teísmo e a metafísica.»

.

 
 

    CORRECÇÃO DO TESTE (COTADO PARA 20 VALORES)

                                                                     

                                                                                                   

1) A religião, isto é, a veneração de deuses ou Deus, da natureza física como sagrada ou de anjos e almas metafísicas, implica a neurose, isto é, a  tristeza ou frustração resultante da repressão da energia sexual e a sublimação ou seja espiritualização de instintos recalcados, em especial do instinto sexual. Exemplo: «Procura ser pura, abstém-te de práticas sexuais, imita a Virgem Maria». Segundo Freud, em tempos primordiais, no seio de um clã, os filhos, cansados da autoridade do pai que os proibia de possuir as mulheres que quisessem, mataram o pai (parricídio) e comeram o corpo em banquete. Depois, arrependeram-se imaginando que o espírito do Pai os perseguia desde o «Além» e aplacaram-no mediante preces e sacrifícios religiosos que, no caso do catolicismo, se exprimem no «comer o meu Corpo» (a hóstia na missa) e «beber o meu sangue» (o vinho no cálice). (VALE TRÊS VALORES). Nietzsche defendeu o eterno retorno: a história repete-se, o tempo gira em círculo. Aos «gloriosos» tempos dos valores nobres, em que a aristocracia, feliz e cruel, reinava (escravatura, feudalismo) sucedem-se os «tenebrosos» tempos da civilização dos escravos e da plebe, isto é, da democracia liberal, em que a burguesia, classe intermédia reina, ou do socialismo, do comunismo e do anarquismo, episódios em que o proletariado reina e que são o ponto «mais baixo» da escala de valores. Mas o regresso ao antigo é inevitável e para isso Nietzsche propõe a transmutação ou inversão dos valores: o bem, que para os cristãos era cuidar dos fracos, dos doentes e idosos, estabelecer a igualdade social, fazer a paz, passa a ser, na preferência de Nietzsche, esmagar os fracos, os velhos e os doentes e impor a desigualdade social, os direitos desiguais, com a ditadura dos nobres e fazer a guerra; o mal passa a ser a piedade cristã, a repressão dos instintos sexual e guerreiro, o sacrifício da cruz, o niilismo (reduzir a vida ao nada) em nome do «Além». (VALE TRÊS VALORES).

 

2) a) Para Hegel, a ideia absoluta ou Deus desenvolve-se em três fases: a primeira é o Ser em si, ou Deus espírito, sozinho, antes de criar o universo, o espaço, o tempo, a matéria e pode comparar-se ao Tao, a mãe do Universo, algo invisível e misterioso que circula por toda a parte; a segunda é o Ser fora de Si ou transformação de Deus no seu oposto (alienação), a matéria física, em astros, céus, montamnhas, oceanos, vulcões, plantas e animais e pode equiparar-se ao Yang, dilatação, sair fora de si, visto que Deus se exteriorizou em matéria; a terceira é o Ser para si ou transformação de Deus em humanidade que vai progredindo lentamente em direcção à liberdade - desde o mundo oriental, em que só um homem é livre, até ao cristianismo reformado por Lutero e completado pela revolução francesa de 1789, em que todos os homens são livres - que é o fim da história, fase que pode comparar-se ao Yin, isto é, à contracção ou movimento para dentro, uma vez que, através da humanidade, Deus volta a si mesmo.Yang-Yin, ou seja, dia-noite, sol-lua, alto-baixo, verão-inverno, expansão-contracção, são as duas partes da onda que perpetuamente agita o universo. (VALE TRÊS VALORES).

 

2) B) Segundo Kierkegaard, filósofo existencialista cristão, há três estádios na existência humana: estético, ético e religioso. No estádio estético, o protótipo é o Don Juan, insaciável conquistador de mulheres que vive apenas o prazer do instante, e sente angústia se está apaixonado por uma mulher e teme não a conquistar. O desespero é posterior à angústia: é a frustração sobre algo que já não tem remédio ou que se esgotou. Ao cabo de conquistar e deixar centenas de mulheres, o Don Juan cai no desespero: afinal nada tem, o prazer efémero esvaiu-se. Dá então o salto ao ético: casa-se. No estado ético, o paradigma é do homem casado, fiel à esposa, cumpridor dos seus deveres familiares e sociais. Este estado relaciona-se com o essencialismo, doutrina que afirma que a essência, o  modelo do carácter ou do comportamento vem antes da existência e condiciona esta. A monotonia e a necessidade do eterno faz o homem saltar ao estádio religioso, em que Deus é o valor absoluto, apenas importa salvar a alma e os outros pouco ou nada contam. Abraão estava no estádio religioso, de puro misticismo, quando se dispunha a matar o filho Isaac porque «Deus lhe ordenou fazer isso». O estádio religioso é o do puro existencialismo, doutrina que afirma que a existência vive-se em liberdade e angústia sem fórmulas (essências) definidas, buscando um Deus que não está nas igrejas nem nos ritos oficiais. Neste estádio, o homem casado pode abandonar a mulher e os filhos se «Deus lhe exigir» retirar-se para um mosteiro a meditar ou para uma região subdesenvolvida a auxiliar gente esfomeada. A escolha a cada momento ante a alternativa é a pedra de toque do existencialismo. (VALE TRÊS VALORES).

 

3) A gnose é uma filosofia de carácter dualista que explica o mal no mundo através da existência da matéria e do seu criador, o demiurgo ou Satã ou Iavé, e o bem através da existência de um mundo espiritual, da Luz (o Pleroma) acima da sete esferas de planetas, mundo aquele onde vivem Cristo, Sofia e os Éons . Assim, o mal é intrinseco ao corpo, ao mundo material. Estes não são obra do verdadeiro deus da Luz. (VALE DOIS VALORES). Os dharmas são qualidades psíquicas e psicofísicas (inteligência, imaginação, memória, visão, audição, olfacto, tacto, etc) que existem por si mesmas no espaço e quando se reunem num feixe formam a personalidade de uma pessoa. Desaparecem ou dispersam-se com a morte corporal, restando apenas a consciência que pode estar, ou não, apta para atingir o nirvana, espaço vazio de repouso absoluto, sem desejos, segundo o budismo. (VALE DOIS VALORES). O argumento ontológico de Santo Anselmo diz o seguinte: Deus é um ser sumamente perfeito, é omnipotente, omnisciente, bondade, justiça e misericórdia absolutas, possui todas as perfeições, logo tem de ter a perfeição de existir (VALE DOIS VALORES). O panteísmo identifica a natureza biofísica com Deus ou deuses. O teísmo diz que Deus ou deuses são transcendentes à natureza biofísica, podendo ser os criadores desta. Ambas as correntes são metafísicas, isto é, doutrinas que descrevem o invisível, o impalpável, o transcendente, ainda que o teísmo seja, aparentemente, mais metafísico.(VALE DOIS VALORES).

 

 

 

www.filosofar.blogs.sapo.pt
f.limpo.queiroz@sapo.pt

 

© (Direitos de autor para Francisco Limpo de Faria Queiroz)

 



publicado por Francisco Limpo Queiroz às 16:23
link do post | comentar | favorito

mais sobre mim
pesquisar
 
Agosto 2019
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3

4
5
6
7
8
9
10

11
13
15
16
17

19
20
21
22
24

25
26
27
28
29
30
31


posts recentes

Teste de filosofia do 10º...

Teste de Filosofia do 10º...

Notas pessoais, filosófic...

Teste de filosofia do 10º...

Teste de Filosofia do 10º...

Teste de filosofia do 10º...

arquivos

Agosto 2019

Julho 2019

Junho 2019

Maio 2019

Abril 2019

Março 2019

Fevereiro 2019

Janeiro 2019

Dezembro 2018

Novembro 2018

Outubro 2018

Setembro 2018

Agosto 2018

Julho 2018

Junho 2018

Maio 2018

Abril 2018

Março 2018

Fevereiro 2018

Janeiro 2018

Dezembro 2017

Novembro 2017

Outubro 2017

Setembro 2017

Agosto 2017

Julho 2017

Junho 2017

Maio 2017

Abril 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

Janeiro 2007

Dezembro 2006

Novembro 2006

Setembro 2006

Agosto 2006

Julho 2006

Maio 2006

Abril 2006

Março 2006

Fevereiro 2006

tags

todas as tags

favoritos

Teste de filosofia do 11º...

Pequenas reflexões de Ab...

Suicídios de pilotos de a...

David Icke: a sexualidade...

links
Fazer olhinhos
blogs SAPO
subscrever feeds