Quinta-feira, 1 de Dezembro de 2016
O ministro da Saúde apela à vacinação como desejam as multinacionais

 Adalberto Campos Fernandes, ministro português da Saúde do governo PS, apelou na Tv à vacinação em massa «contra a gripe» e disse que ele mesmo se ia vacinar em conjunto com o presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa. Que estatura intelectual e moral têm estes políticos para embarcar na campanha das multinacionais farmacêuticas que lucram milhões com a mentira de que «as vacinas imunizam porque ensinam o corpo a defender-se»...?

 

Vacinar-se é infectar o sangue e encurtar a esperança de vida. É adquirir arterioesclerose, nefrites, perturbações do sistema nervoso, etc, porque os vírus atenuados das vacinas ficam dentro do corpo em ação nociva...

Carlos Brandt escreveu há dezenas de anos:

 

«Quando a medicina tiver estabelecido um dia uma vacina preventiva para cada uma das mil e uma doenças que ameaçam a espécie humana, os homens não terão tempo senão para se vacinarem constantemente. Pela minha parte, não reconheço como “ciência” uma seita médica, cujo ideal de saúde consiste em inocular no sangue das pessoas sãs o pus de animais empestados, que outra coisa não é a vacina.»

 

«É um ideal asqueroso, e ao mesmo tempo imoral, pois, como se sabe, para extrair a vacina é necessário em primeiro lugar empestar artificialmente – e sacrificar cruelmente – pobres e inocentes animais.» (…) «Tem circulado, em quase todas as línguas, uma obra muito interessante intitulada Envenenas-te e suicidas-te, de que é autor o Dr. Graefe. É um formidável libelo contra a vacina, no qual se citam as opiniões de mais de mil professores de Universidades e Médicos facultativos que foram alguma vez partidários da vacina e que agora a condenam».

 (Carlos Brandt, A superstição médica, Editorial Natura, Págs. 133-135, Lisboa 1949).

 

O biologista francês Pierre Valentin Marchesseau (1910-1994)escreveu a propósito das descobertas do médico e investigador francês J.Tissot sobre a nocividade das vacinas: 

 

«Os partidários de Pasteur atacaram violentamente Tissot desde o aparecimento da sua obra magistral em 1926. Na realidade, esta obra destruía as ideias pasteurianas ao mesmo tempo que era susceptível de pôr termo aos interesses particulares consideravelmente representados pelo fabrico e venda de soros e vacinas.» (...)

 

 «...O vírus das vacinas inoculado prejudica o organismo. Segundo o Dr.Tissot, os prejuízos que se verificam são:

 

1º As nefrites, problemas hepáticos, de glândulas e do sistema nervoso.

 

2º Todas as doenças do cértebro e da espinal medula, encefalites e mielites várias.

 

3º Arterioesclerose, enfraquecimento cerebral, etc.

 

4º Diminuição considerável da longevidade no homem.» (...)

 

«Tissot condena as vacinas antidiftéricas, antitetânicas, anti-rábicas, antituberculosas, BCG que não têm qualquer poder vacinador e que não protegem. A vacina antitífica é de rejeitar por perigosa. « Ela inocula de certeza (100%) a fase crónica da febre tifóide com os seus perigos, e isto para evitar o risco insignificante, quase nulo (1/20.000) de a contrair.» Tissot condena ainda os soros antidiftéricos e antitetânicos, que inoculam o colibacilo do cavalo, e que não têm qualquer acção.» (...)

 

«Para terminar, notemos que Tissot não toma posição definida com referência à vacinação antivariólica, que parece admitir, em detrimento da sua peremptória afirmação:

 

«Não se deve, seja qual for o pretexto, deixar inocular um vírus vivo, mesmo atenuado, nem um soro, nem qualquer produto proveniente de seres vivos. Exceptuam-se os produtos químicos isentos de elementos figurados».

 

(in Curso Completo Teórico e Prático de Biologia Naturopática, de PIERRE MARCHESSEAU, Nova Editorial Natura, Lisboa, 1970, Págs  100-101).

 

Proponho que o ministro da Saúde Adalberto Campos Fernandes se demita! O seu apelo à vacinação não respeita a opção dos que não vacinam os filhos e usam a ingestão de limões, laranjas, alho, cebola, vegetais frescos como purificadores do sangue, verdadeiros imunizantes. O ministro toma partido pela medicina alopática contra a medicina naturopática e outros tratamentos alternativos.

 

Só os pequenos intelectuais, medularmente estúpidos, acreditam na bondade da vacinação e no mito falacioso de que as vacinas fizeram desaparecer doenças. É tudo mentira: a medicina oficial é um monstruoso sistema de intoxicação das populações, ainda que, através de cirurgias ou tratamentos urgentes possa salvar milhares de vidas. Mata muitos com a medicação tóxica, com os transplantes de orgãos humanos (se o orgão está vivo, o dador «em morte cerebral» está vivo e é assassinado pelo cirurgião) e salva menos. Adalberto Fernandes, demissão, já!

 

 



publicado por Francisco Limpo Queiroz às 13:16
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Quinta-feira, 26 de Fevereiro de 2015
Feyerabend e a fraqueza das ciências contemporâneas universitárias

Paul Feyerabend (Viena, 13 de Janeiro de 1924- Genolier, 11 de Fevereiro de 1994)  talvez o maior filósofo do século XX, desmistificou as ciências contemporâneas, mostrando que elas brotam de um fanatismo «religioso» sectário. São, na sua raíz, ideologia, visão partidária própria de certas classes ou camadas sociais. Nada é absolutamente indiscutível nas ciências académicas: os diagnósticos médicos, os tratamentos hospitalares, os fármacos e as vacinas são métodos questionáveis e não podem ser apresentados como «a verdadeira ciência»; a astrologia não pode ser marginalizada ou reduzida a deturpações como «horóscopos generalistas de jornais», se os sábios antigos ou renascentistas, como Galileu e Kepler, a utilizavam na previsão de ciclos políticos, pessoais, etc. 

 

A ASTROLOGIA, CONDENADA SEM PROVAS, POR UMA «CIÊNCIA» QUE É A NOVA RELIGIÃO

 

Escreveu Feyerabend:

«A ciência é a nossa religião. O que sucede no seu interior é a Boa Nova. O que sucede extramuros de ela são idiotices pagãs. Não obstante, dito isto, devo pedir desculpa aos teólogos pela comparação porque, enquanto eles realizaram cuidadosos estudos sobre todo o tipo de heresias e crenças pagãs, os cientistas só possuem uma noção um tanto vaga das disciplinas que ridicularizam. A condenação da astrologia por cento e oitenta e seis cientistas - uma verdadeira encíclica científica - é um exemplo disso. Por complexa que seja a crítica, limita-se sempre à afirmação de que uma opinião ou um argumento não são correctos porque não são científicos, do mesmo modo que as teologias antigas se limitavam a afirmar que uma religião não era boa porque não era cristã e não era a religião da Santa Igreja Romana. E as palavras utilizadas na condenação - porque não posso qualificar como raciocínio o procedimento seguido - são quase as mesmas. Os padres da Igreja denominavam as teses pagãs de «superstições irracionais», precisamente a mesma expressão utilizada pelos Pais da Ciência para condenar o que não gostam nela. Assim, como não há nada que dispute a sua supremacia, hoje em dia a ciência parece, naturalmente, um assunto muito mais sublime que os demais e os acontecimentos científicos parecem os acontecimentos mais importantes, depois dos assuntos políticos e as bodas das estrelas de rock...« (Paul K. Feyerabend, «Dialogo sobre el metodo», Ediciones Cátedra, 1989, Madrid, pág 69-70; o destaque a negrito é posto por mim).

 

OS FILÓSOFOS SÃO MEROS AGENTES DE UMA OU MAIS CLASSES SOCIAIS

 

Acerca do triunfo dos filósofos sobre os poetas na Grécia antiga, Feyerabend escreveu:

«Ora bem, o problema é o seguinte: porque tiveram os filósofos tanto êxito? Que foi o que assegurou o seu predomínio, de modo que, posteriormente, a poesia pareceu simples emotividade ou simbolismo desprovido de todo o conteúdo? Não pode ter sido a força argumentativa, pois a poesia, adequadamente interpretada, já implicava por si uma argumentação. Podem realizar-se observações similares àcerca da origem da ciência no século XVII. Neste caso, a força motriz foi o nascimento de novas classes que se tinham visto excluídas do campo do conhecimento e que converteram a dita exclusão em proveito próprio, afirmando que o conhecimento era o que elas possuíam, e não o dos seus adversários. Uma vez mais esta ideia foi aceite por todos, nas artes, na ciência, na religião, até ao ponto de que hoje temos uma religião sem ontologia, uma arte sem conteúdos, e uma ciência sem sentido».

(Paul K. Feyerabend, «Dialogo sobre el metodo», Ediciones Cátedra, 1989, Madrid, pág 86-87; o destaque a negrito é posto por mim).

 

Que significa dizer que hoje temos uma religião sem ontologia?  Significa que temos um conjunto de ritos cujo simbolismo profundo já perdemos, em cuja filosofia já não penetramos. Por exemplo, ignoramos que o facto de a pia de baptismo de antigas ser . Constroem-se hoje igrejas com uma arquitectura moderna ignorando o número de oiro (1,618), número mágico de proporção entre o comprimento e a largura e a altura de um compartimento. Que significa dizer que hoje impera uma arte sem conteúdos? Significa, por exemplo, que uma tela branca salpicada de pontos vermelhos é um quadro sem conteúdo, um significante sem significado. Que significa dizer que há uma ciência sem sentido? Significa, por exemplo, que há uma medicina que não percebe o sentido da febre - acção de autodefesa do organismo, expulsando as toxinas através do suor ou de urinas escuras - e manda reprimir os sintomas, tomando anti piréticos.

 

E os filósofos de hoje são, na esmagadora maioria, os arautos da civilização tecnológica avançada e biologicamente atrasada em muitos campos que a burguesia promove - as vacinas infectam milhões de pessoas e os filósofos do establishment não as denunciam como erro médico, o omnivorismo é vendido como a natureza biodigestiva do homem quando este é um grande frugívoro como o chimpanzé ou o gorila, etc.

 

 

CONTRA A MEDICINA QUÍMICA QUE REDUZ O PACIENTE A ÁTOMOS E NÚMEROS DE ´GLÓBULOS VERMELHOS E BRANCOS, CONTRA A CONCEPÇÃO FRAGMENTÁRIA DA DOENÇA LOCAL

 

A medicina dos diagnósticos feitos por aparelhos complexos, incluindo computadores, praticada por médicos que não ouvem os pacientes, e os tratam apenas como aglomerados de átomos vivos, ignorando a psicossomática - como as tristezas psíquicas geram doenças físicas - é uma ciência fragmentária, errada. Há pessoas que as análises clínicas revelam estar nos «valores normais» que estão doentes, a ponto de morrerem de ataque de coração ou AVC, e outros com excesso de colesterol ou ácido úrico que estão mais saudáveis que as primeiras.

 

«Já te disse que os conceitos de saúde e doença variam dependendo das culturas e dos indivíduos. Curar significa restituir o estado desejado pelo paciente e não restabelecer uma condição abstracta que parece desjável a partir de um ponto de vista teórico. O tipo de doutor em que estou pensando mantém uma estreita relação pessoal com o paciente, não só porque é médico e o médico devia ser um amigo mais que um engenheiro do corpo, mas também porque necessita do contacto pessoal para aprender o seu ofício: a aprendizagem e as relações pessoais progridem a um ritmo semelhante. Sem embargo, o médico de formação científica observa o paciente através da lente de uma teoria abstracta; conforme a teoria que se adopte, o paciente converte-se num sistema de condutos, em um agregado molecular ou em um recipiente de humores».

(Paul K. Feyerabend, «Dialogo sobre el metodo», Ediciones Cátedra, 1989, Madrid, pág 110-111; o destaque a negrito é colocado por mim).

Feyerabend coloca em causa a teoria da doença localizada ou local que dá origem a tantas especialidades médicas quantos os orgãos do corpo: médico de rins, médico do fígado, médico gastro-intestinal, médico do coração, etc. Na verdade, a doença é geral, segundo os neo-hipocráticos e manifesta-se localmente. Exemplifiquemos: ingerir sal em excesso faz com que este circule no sangue que banha todos os orgãos do corpo e se deposite aqui ou ali causando sintomas e doenças locais diversas, dores nos rins, dores de cabeça, dores nas articulações, etc. A doença é uma só doença geral do organismo mas assume várias máscaras locais. Como diria o falecido biologista Pierre Marchesseau, os vírus não são a causa das doenças mas sim a consequência destas e afinal as doenças  consistem no terreno orgânico sujo por colas (açúcares, gorduras) e cristais (sais úricos e sulfúricos vindos das carnes, peixes, etc). Escreveu Feyerabend:

 

«Estreitamente ligada com essa fé, encontra-se a ideia de que toda a doença tem uma causa próxima, que é altamente teórica e se deve descobrir. Como se supõe que o diagnóstico revela a causa próxima, eis que se fazem radiografias, explorações cirúrgicas, biópsias e outras estupidezes do mesmo estilo. » (....)

«Mas quem nos diz que a causa da doença estriba num fenómeno localizável? Pode acontecer que a doença seja uma modificação estrutural do processo vital, que não tenha uma causa localizável, e a melhor forma de diagnosticá-la poderia consistir em prestar atenção às mudanças gerais do corpo, como por exemplo, o pulso, o tónus muscular...»

(Paul K. Feyerabend, «Dialogo sobre el metodo», Ediciones Cátedra, 1989, Madrid, pág 41; o destaque a negrito é colocado por mim).

 

OS HOMENS DA IDADE DA PEDRA ERAM MAIS INTELIGENTES QUE OS HOMENS DA CIVILIZAÇÃO TECNOLÓGICA DO SÉCULO XXI

 

Feyerabend insistiu em que a visão especializada, fragmentária, das actuais ciências dos séculos XIX a XXI perdeu a percepção holística, global dos fenómenos:

 

«Segundo o mito hopi da criação, a crescente abstração do pensamento humano e o crescente interesse do homem por si mesmo provocou um afastamento deste da natureza e, por consequência, os velhos ritos, que se baseavam na harmonia deixaram de funcionar. Não devemos estranhar em absoluto que os nossos antepassados estivessem em condições de descobrir ideias e procedimentos que são potenciais rivais das nossas teorias científicas mais avançadas. Por que teriam de ser menos inteligentes do que ´nós? O homem da idade da pedra já era um homo sapiens plenamente desenvolvido, tinha diante de si problemas e resolveu-os com grande engenho. Mede-se a ciência pelas suas conquistas, assim não esqueçamos que os inventores dos mitos descobriram o fogo e os meios para o conservar. Domesticaram os animais, criaram novas classes de plantas e identificaram as espécies melhor do que o poderia fazer a actual agricultural científica. Inventaram a rotação das culturas agrícolas e desenvolveram uma arte  que pode competir com as melhores criações do homem ocidental. Livres do jugo da especialização, estavam conscientes da grande quantidade de relações entre os homens e entre estes e a natureza, e serviam-se delas para fazer progredir a ciência e a sociedade: a melhor filosofia ecológica encontra-se na idade da pedra. Se se aprecia a ciência pelos seus resultados, dever-se-ia apreciar os mitos cem vezes mais, e com maior entusiasmo, já que as suas conquistas foram incomparavelmente maiores: os inventores dos mitos deram início à cultura, enquanto que os cientistas só a modificaram, e nem sempre para melhor. Já mencionei um exemplo: o mito, a tragédia e a velha épica tratavam, de forma simultânea, de emoções e estruturas reais e exerceram um profundo e benéfico influxo sobre as sociedades que os criaram.  Separaram-se o pensamento e a emoção, inclusive o pensamento e a natureza, e mantiveram-se afastados por decreto («elaboremos a astronomía sem ter em conta os céus», diz Platão »(Paul K. Feyerabend, «Dialogo sobre el metodo», Ediciones Cátedra, 1989, Madrid, pág 103-105; o destaque a negrito é posto por mim ).

 

A DANÇA DA CHUVA FUNCIONA

 

Feyerabend afirma, contra o racionalismo estreito de agnósticos e ateus, que cerimónias mágicas como a dança da chuva podem funcionar:

«Onde está a teoria incompatível com a ideia de que a dança da chuva traz a chuva? Como é lógico este modo de pensar baseia-se em algumas convicções fundamentais, mas, segundo eu entendo, as ditas convicções não encontram a sua expressão em teorias concretas, que pudessem ser utilizados para excluir os mitos. Tudo o que temos é uma vaga ainda que intensíssuma sensação de que no mundo da ciência a dança da chuva não pode funcionar. Não há um conjunto de observações que contradiga esta ideia». (Paul K. Feyerabend, «Dialogo sobre el metodo», Ediciones Cátedra, 1989, Madrid, pág 88-89; o destaque a negrito é posto por mim ).

 

OS FILÓSOFOS DA CIÊNCIA NÃO SABEM O QUE É CIÊNCIA

 

A informação que nos dão diariamente as televisões e as aulas nas diferentes escolas sobre o que é ciência e o que não é ciência é falaciosa, está contaminada pela ideologia dos filósofos de «mente quadrada» como Karl Popper, John W.Watkins ou Imre Lakatos. Popper, por exemplo, classificou a astrologia de pseudociência e a medicina de ciência que a conjectural - mas que sabia ele de astrologia para a eliminar, sumariamente, do campo das ciências? Nada. Popper ignorava, por exemplo, que a 1ª Guerra Mundial começou em 1 de Agosto de 1914, com Neptuno em 28º de Caranguejo (grau 118 de longitude eclíptica), e que a guerra do Golfo começou em 17 de Janeiro de 1991, com o Nodo Sul da Lua em 28º de Caranguejo. Não ligava factos terrestres similares e factos astronómicos similares. Feyerabend escreveu:

 

«A ciência não é mais que um "depósito" de conhecimentos, mas o mesmo se pode dizer dos mitos, fábulas, tragédias, relatos épicos, e muitas outras criações das tradições não científicas. (...) «És um optimista se crês que os filósofos da ciência têm alguma ideia da complexidade da ciência. (...) Eu diria, pelo contrário, se se trata de explicar ciência a gente de uma inteligência média, os divulgadores como Assimov fazem, no máximo, um trabalho melhor. Quem ler o Assimov sabe mais ou menos o que é ciência mas quem ler Popper, Watkins ou Lakatos aprenderá um tipo de lógica mais precisamente simplista, mas não o que é ciência. Ademais, ainda que a filosofia da ciência fosse melhor do que efectivamente é, continuaria a ver-se afectada pelo problema comum a todas as ciências, já que aceita pressupostos não facilmente comprováveis, que caem fora da esfera de competência dos seus seguidores.Portanto, complementar a ciência com a filosofia da ciêncianão elimina os problemas de que estamos falando, se acaso acrescenta problemas adicionais do mesmo tipo. A pesar de se poder ter opinião contrária, a confusão aumenta, não diminui, devido à ignorância e à mentalidade simplista dos filósofos» (Paul K. Feyerabend, «Dialogo sobre el metodo», Ediciones Cátedra, 1989, Madrid, pág 103-105; o destaque a negrito é posto por mim ).

 

Note-se a desproporção : em todos os manuais escolares de filosofia para o ensino secundário em Portugal dá-se um grande destaque às ideias de Karl Popper, ao passo que as ideias de Paul Feyerabend são omitidas ou truncadas, não havendo em regra nenhum texto deste último filósofo em cada manual. Longe de ser um terreno livre, a filosofia que se ensina aos adolescentes está condicionada, balizada, por escolas de sectários denominados «filósofos analíticos», «positivistas lógicos» e «fenomenólogos» que agem por meio de manuais escolares, da prova de exame nacional para formatar as mentes dos alunos. Os manuais e os programas estão, ao memos em abstracto, ao serviço da ideologia da burguesia democrática mundialista e dos seus agentes nas faculdades de filosofia e cabe a cada professor consciente desmontar este embrutecimento da capacidade de pensar.

 

 

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Sexta-feira, 10 de Dezembro de 2010
Sobre o raciocínio de analogia (Crítica de manuais escolares - XXXIX)

 

Os manuais de filosofia no ensino secundário em  Portugal não sabem, em regra, definir analogia e raciocínio de analogia. No Manual português «A Arte de pensar, Filosofia 11º»  lê-se o seguinte:

 

«Num argumento por analogia pretende-se concluir que algo é de certo modo porque esse algo é semelhante a outra coisa que é desse modo. Por exemplo:

 

As mulheres são como os homens.

Os homens têm o direito de votar.

Logo, as mulheres tambèm têm o direito de votar.

 

«Não se deve confundir os argumentos por analogia com as analogias propriamente ditas. Uma analogia é apenas uma semelhança entre coisas; os argumentos por analogia baseiam-se nesta semelhança mas não são, eles mesmos, analogias. Como se pode ver, nos argumentos por analogia uma das premissas é uma analogia.» ( Aires Almeida, Célia Teixeira, Desidério Murcho, Paula Mateus, Pedro Galvão, A arte de pensar, Filosofia 11º ano, Plátano Editora, pag 94).

 

Até aqui, a explanação é aceitável. Lê-se, linhas abaixo, no mesmo manual:

 

«Vejamos duas das regras necessárias, mas não suficientes, para que um argumento por analogia seja válido:

 

1. As semelhanças têm de ser relevantes e numerosas.

2. Não pode haver diferenças relevantes. »

 (Aires Almeida, Célia Teixeira, Desidério Murcho, Paula Mateus, Pedro Galvão, A arte de pensar, Filosofia 11º ano, Plátano Editora, pag 94).

 

Aqui reside um erro deste manual. O que é analogia? À letra, significa raciocínio ou discurso (logos) superior, dirigido para cima (ana). A analogia é, pois, um tipo de semelhança estabelecida no intelecto superior, ou num plano ontológico mais elevado, entre dois ou mais entes, duas ou mais qualidades bastante diferentes entre si. Na analogia entre dois ou mais entes há sempre uma ou muitas diferenças relevantes, ao contrário do que afirma «A arte de pensar.» A criança que brinca com uma lata de sardinhas de conserva como se fosse um barco intuiu uma analogia de forma entre a lata e o barco, apesar das relevantes diferenças entre estes.

A poesia baseia-se em analogias, plasmadas em metáforas. Por exemplo: «coração de oiro»  estabelece analogia entre o coração como fonte dos afectos valiosos e o ouro como sede de valor. É uma quádrupla analogia coração-bondade-oiro-validade. Apesar de serem entes muito diferentes, há uma analogia de forma entre homem e árvore: os ramos da árvore sugerem os braços do homem, o tronco da árvore sugere o tronco e pernas do homem.

 Vejamos o seguinte raciocínio de analogia:

 

1. O homem erecto é, na sua configuração, análogo a uma árvore, sendo os ramos análogos aos braços, e a cabeça à folhagem superior.

2. O homem possui um centro nervoso superior, situado no cérebro, que lhe dá conta do mundo exterior.

3. Logo, a árvore deve possuir uma espécie de "cérebro vegetal", através do qual intui a realidade circundante.

 

Quem pode garantir que está errado  este raciocínio de analogia? Decerto, é especulativo, mas não implausível de todo. Os defensores da naturopatia estabelecem uma analogia entre o homem e o gorila e raciocinam concluindo que o homem se deve alimentar, em termos biológicos como o gorila. Pierre Marchesseau e Gregóire Jauvais, eminentes naturopatas franceses, escreveram:

 

«B) Fundamentos do Método Biológico

As observações fundamentais que presidiram ao nascimento deste método são ao mesmo tempo filosóficas e científicas e, como acabamos de dizer, saídas de um raciocínio de analogia (onde o pensamento procede por comparação). » (...)

«Primeira observação: Não há animais «omnívoros». Cada animal tem um regime que lhe é próprio, ou seja, "específico". O tigre come carne; o boi, erva; a ave (galináceos), grãos; a hiena, cadáveres; o escaravelho, excrementos; a termita, madeira, etc.«(...)                     

« Terceira observação: o homem é um macaco, na série animal. Portanto, deve alimentar-se como o macaco.

a)  A dentadura, o tubo digestivo dos macacos, com a bolsa estomacal única, de paredes finas e ácidos fracos, o seu intestino de tamanho médio (situado entre o do herbívoro e o do carnívoro, o seu fígado pequeno, não muito irrigado, e os seus rins impermeáveis ao amoníaco, indicam claramente o seu destino alimentar.(...) É lógico pensar: para orgãos semelhantes, funções semelhantes. E quem diz funções digestivas semelhantes, subentende obrigatoriamente os mesmos alimentos.» (Pierre Marchesseau e Gregóire Jauvais,Curso Completo de Biologia Naturopática, Nova Editorial Natura, Lisboa, pags 227-228 e 233).

 

Neste excerto acima, está o exemplo de um perfeito raciocínio de analogia: «o homem, tal como o macaco, possui um tubo digestivo de 6 a 8 metros de comprimento, ao contrário dos carnívoros, com tubos digestivos de 2,5 metros; logo, se o gorila em liberdade se alimenta de 80% a 90% de frutos e afins (maçãs, mangas, bananas, amendoins, caules de cana do açúcar, bolbos e raízes diversas) e 10 % a 20% de subprodutos animais (ovos, pequenos mariscos, leite coalhado), esta deve ser a alimentação humana, baseada no dualismo grande frugivorismo- pequeno carnivorismo não sangrento».

 

 A antiga ciência astronómico-astrológica estabeleceu analogias entre um grupo de estrelas e um touro, designando-o de constelação do Touro, entre outro grupo de estrelas e um escorpião, designando-o de constelação do Escorpião, e entre o homem-microcosmos e o homem-Zodíaco macrocosmos: a cabeça humana estaria na constelação de Carneiro, o pescoço na de Touro, os ombros e braços na de Gémeos, o peito e estômago na de Caranguejo, o coração e as costelas na constelação de Leão, os intestino na da Virgem, etc. "Ver" na faixa do Zodíaco com doze constelações as doze partes de um homem gigantesco é obra da imaginação que compara e é mola crucial da analogia. Não se pode aqui falar de "falsa analogia". É uma analogia, nada mais.

 

O raciocínio de analogia que, em regra, superiorizou a filosofia às ciências parcelares e alargou o horizonte de cada uma destas, possui um poder multiplicador, holístico. E não é fácil classificar peremptoriamente as analogias em verdadeiras e falsas. Por exemplo, a teoria da vacinação sustenta-se numa analogia deficiente entre vírus/ toxinas e atacantes de um castelo, por um lado, e anticorpos gerados no organismo e defensores de um castelo. A deficiência reside no facto de que os anticorpos são defensores feridos já pela intrusão do inimigo no castelo (a picada da vacina) e não podem, pois, combater eficazmente o veneno instalado já dentro de portas: não é um combate de igual para igual.

 

O manual «A arte de pensar» reduz a analogia a uma semelhança óbvia, quase uma indução amplificante - ou seja, como multiplicação de cópias - não percebendo que a analogia se dá entre contrários e entidades muito díspares entre si, como o caso do homem e do gorila, do homem e das constelações do Zodíaco, etc. Por exemplo, o estalinismo é análogo ao nazismo na estrutura piramidal de submissão totalitária do indivíduo ao Estado-partido. A analogia é essencial parcial. Há diferenças substanciais: os capitalistas alemães preferiam Hitler a Estaline, os operários "avançados" preferiam o inverso. O nazismo não é, em termos substanciais, o mesmo que o comunismo estalinista, ainda que, no esqueleto formal, possuam muito em comum. A analogia subsiste entre as cores vivas da diferença.

 

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