Sexta-feira, 18 de Janeiro de 2019
A incapacidade de definir género no Guião «Conhecimento, Género e Cidadania no Ensino Secundário»

 

Nas 514 páginas do Guião «Conhecimento, Género e Cidadania no Ensino Superior» da autoria de Cristina C. Vieira (Coord.), Conceição Nogueira, Fernanda Henriques, Fernando M. Marques, Filipa Lowndes Vicente, Filomena Teixeira, Lina Coelho, Madalena Duarte, Maria Helena Dias Loureiro, Paula Silva, Rosa Monteiro,Teresa-Cláudia Tavares,Teresa Pinto, Teresa Toldy, Virgínia Ferreira não há uma definição clara e precisa do que se entende por género. O documento proposto aos professores pelo Ministério da Educação é anticientífico na medida em que é impreciso, confuso, embora animado do propósito nobre de proteger as mulheres, os homossexuais, os bissexuais e os transexuais da violência machista. Lê-se no Guião:

 

«No campo da psicologia, e no âmbito de uma tentativa de compreensão do comportamento dos homens e das mulheres ao longo do ciclo de vida, uma das visões mais consensuais do conceito de género foi influenciada pelos trabalhos de Janet Spence (1985; 1993), que o considera de natureza multidimensional e o explica recorrendo aos princípios do desenvolvimento humano. Quer isto dizer que ao falarmos de género nos referimos a um conjunto de componentes, que incluem, para citar apenas algumas, a identidade de género, a orientação sexual, os papéis de género, as características da personalidade, as competências pessoais e os interesses.» (Guião «Conhecimento, Género e Cidadania no Ensino Secundário», pág. 25; o destaque a negrito é posto por nós).

 

Esta definição não é concreta. clara. E é parcialmente tautológica quando diz que género inclui a identidade de género e os papéis de género. O que é o género, afinal?

 

Noutros pontos do Guião denuncia-se a visão estereotipada do género mas nunca se diz qual é a visão correcta de género:

 

«Além disso, os traços avaliados como positivos nas mulheres envolviam,sobretudo, o seu relacionamento com as outras pessoas, como o ser afectuosa, meiga ou sensível características estas que habitualmente integram a visão estereotipada de feminilidade. Nos homens eram mais valorizados aspetos como o ser audacioso, independente ou empreendedor, os quais caracterizam a visão estereotipada de masculinidade. »(Guião «Conhecimento, Género e Cidadania no Ensino Secundário», pág. 38)

 

 

«Robert Smith (2010), por exemplo, fez um estudo onde alertou para a necessidade de analisar detalhadamente a forma como o arquétipo masculino influencia as oportunidades para mulheres e homens se envolverem em iniciativas empreendedoras e o prejuízo que isso representa para as mulheres. O autor considera o machismo, o heroísmo e o excessivo assumir de risco bem como o hedonismo, a arrogância e a superconfiança como elementos constitutivos dos discursos sociais acerca “do empreendedor” (Smith,2010). Também num estudo com estudantes do ensino superior, em Portugal, concluiu-se que existe uma valorização de atributos  como liderança, dinamismo e criatividade ou inovação, associados à ideologia Schumpeteriana de empreendedorismo. Verificou-se também uma associação entre atributos do “empreendedorismo” e atributos estereotipadamente masculinos; emergiu maior heterogeneidade nas representações de mulher empreendedora pela evocação de atributos associados ao estereótipo de feminilidade (simpatia, beleza, elegância, vaidade) (Rosa Monteiro, Catarina Silveiro e Fernanda Daniel, 2015). Importa perceber que se trata de facto de estereótipos e representações associadas a homens e mulheres, com impactos muito nefastos sobre as oportunidades e escolhas de uns e outras. É fundamental desmontar estas concepções estereotipadas e polarizadoras que afastam as mulheres simbólica e concretamente do empreendedorismo, porque o associam a caraterísticas supostamente masculinas. Na discussão deste assunto importa recuperar exercícios de desconstrução de estereótipos de género e da divisão polarizadora e dicotómica entre masculino e feminino, de forma a compreender que a atividade empreendedora... (Guião «Conhecimento, Género e Cidadania no Ensino Secundário», pág. 487; o destaque a negrito é posto por nós).

 

Abolir a distinção entre masculino e feminino é tão ridículo como abolir a distinção entre diabético e não diabético ou abolir a distinção entre patrão e operário...Será um estereótipo sustentar que a maquilhagem é uma tendência predominantemente feminina e o uso da barba uma tendência masculina?

 

Deixemos algumas perguntas a que o Guião e os teóricos em que se apoia parecem incapazes de responder:

 

- Um casal gay a que género pertence? Masculino ou feminino? Se um dos gays é sempre o parceiro activo na união física pode ser considerado de género masculino e o outro, o passivo, de género feminino?

 

-Um rapaz que se traveste e mantém exclusivamente relações sexuais com mulheres, rejeitando a homossexualidade, de que género é: masculino ou feminino?

 

Ao apagar as diferenças psicossomáticas entre homem e mulher, classificando-as como visões estereotipadas, os teóricos da ideologia de género estão apenas a tentar criar cidadãos amorfos, abertos a todo o tipo de práticas sexuais, sem censura, exceptuando a pedofilia, bem entendido.

 

A noção de género não deveria referir-se à dicotomia masculino-feminino porque essa é um subgénero, isto é, uma espécie dentro de um de seis géneros, o heterossexual. Os géneros são: género heterossexual, género autosexual ou autoerótico, género bissexual, género homossexual, género transexual, género assexual. Esta classificação não é teorizada nem sequer abordada no «Guião» dominado por um confuso ecletismo.

 

Género deve pois definir-se em função da orientação sexual, secundarizando as características que lhe são associadas (os papéis sociais, o tipo de vestuário, os orgãos genitais, etc.). O Guião é incapaz de definir a contradição principal nas componentes que faz entrar no conceito confuso de género. De facto, o aspecto dominante é a orientação sexual e não a dicotomia masculino-feminino sem embargo de esta vigorar no seio do género heterossexual.

 

O lema «igualdade de género» assenta no «políticamente correcto», em nome da tolerância desculpa e nivela todos os gostos,  mas não traduz os diferentes graus de verdade biopsicológica inerentes aos diversos comportamentos sexuais: o sexo anal é impróprio porque causa endocardite bacteriana, uma doença do coração resultante da migração para o coração das bactérias fecais que atravessam a parede do intestino, arranhada por um orgão sexual; o acto heterossexual com penetração da vagina pelo pénis é o mais natural e apropriado à biologia. Não se pode fugir a isto por mais «inventivos» que sejam os amantes.

 

www.filosofar.blogs.sapo.pt

f.limpo.queiroz@sapo.pt

© (Direitos de autor para Francisco Limpo de Faria Queiroz)

 



publicado por Francisco Limpo Queiroz às 15:00
link do post | comentar | favorito

mais sobre mim
pesquisar
 
Setembro 2020
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5

6
7
8
9
10
11

13
14
15
17
18
19

20
21
22
23
24
25
26

27
28
29
30


posts recentes

A incapacidade de definir...

arquivos

Setembro 2020

Agosto 2020

Julho 2020

Junho 2020

Maio 2020

Abril 2020

Março 2020

Fevereiro 2020

Janeiro 2020

Dezembro 2019

Novembro 2019

Outubro 2019

Setembro 2019

Agosto 2019

Julho 2019

Junho 2019

Maio 2019

Abril 2019

Março 2019

Fevereiro 2019

Janeiro 2019

Dezembro 2018

Novembro 2018

Outubro 2018

Setembro 2018

Agosto 2018

Julho 2018

Junho 2018

Maio 2018

Abril 2018

Março 2018

Fevereiro 2018

Janeiro 2018

Dezembro 2017

Novembro 2017

Outubro 2017

Setembro 2017

Agosto 2017

Julho 2017

Junho 2017

Maio 2017

Abril 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

Janeiro 2007

Dezembro 2006

Novembro 2006

Setembro 2006

Agosto 2006

Julho 2006

Maio 2006

Abril 2006

Março 2006

Fevereiro 2006

tags

todas as tags

favoritos

Teste de filosofia do 11º...

Pequenas reflexões de Ab...

Suicídios de pilotos de a...

David Icke: a sexualidade...

links
blogs SAPO
subscrever feeds