Terça-feira, 19 de Maio de 2020
Wilhelm Reich: a mística é o desejo inconsciente do orgasmo

 

A contemplação de Jesus crucificado que, para os cristãos, é uma fonte de energia espiritual que os sustenta em épocas difíceis é para o psicanalista Wilhelm Reich (24 de Março de 1897, Galícia, Austria-Hungria- 3 de Novembro de 1957, penitenciária de Ludwigburg, EUA)  um desvio da energia sexual para uma atitude de homossexualidade passiva. Reich escreveu: 

 

«Apela-se para o culto mariano para promover a castidade e, reconheça-se, com muito êxito. Temos de interrogar-nos de novo quanto ao mecanismo psicológico que assegura o êxito de tais objectivos. É uma vez mais um problema que afecta as massas de jovens sujeitas a essas influências traduzindo-se, fundamentalmente, na repressão dos instintos genitais. Se o culto de Jesus mobiliza as forças homossexuais passivas contra a sexualidade genital, o culto mariano mobiliza também forças sexuais, mas na esfera heterossexual. "Não faças mal a nenhuma rapariga; lembra-te que também a tua mãe foi rapariga". Deste modo, a mãe de Deus vai ocupar na vida do jovem cristão o lugar da sua própria mãe, e ele consagra-lhe todo o amor que anteriormente sentiu pela própria mãe: todo o forte amor dos seus primeiros desejos genitais. A proibição do incesto dividiu então a sua genitalidade em desejo do orgasmo e ternura assexual. O desejo do orgasmo tem de ser recalcado e a sua energia reforça a tendência para a ternura, transformando-a numa ligação, difícil de dissolver, com a experiência mística. Isto é acompanhado por uma defesa violenta não só contra o desejo do incesto mas também contra qualquer relação genital natural com uma mulher. Toda a força viva e o grande amor que o jovem saudável desenvolve na vivência orgástica com a mulher amada vai apoiar, no homem místico, e depois do recalcamento da sensualidade genital o culto mariano. (...)

 

«O importante não é a devoção a Maria ou a qualquer outro ídolo, mas sim a produção da estrutura mística em cada nova geração humana. mas a mística não é mais que o desejo inconsciente do orgasmo (identificação do plasma com o universo). (...) Pode-se sentir admiração pelo Antigo e pelo Novo Testamento, como criações gigantescas do espírito humano mas não se deve utilizar essa admiração para recalcar a própria vida amorosa.» (Wilhelm Reich, Psicologia de Massas do Fascismo, Publicações Dom Quixote, 1976, pp. 175-177; o destaque a bold é nosso).

 

SEXUALIDADE NATURAL E SENSIBILIDADE MÍSTICA SÃO A MESMA ENERGIA COM FINS DIFERENTES 

 

A tese central de Reich é a de que a repressão da sexualidade genital natural da criança mediante o autoritarismo do pai e ideologia mística com consignas como «São pecado a masturbação, a relação sexual física, a pureza agrada a Deus» gera um permanente estado de instatisfação disfarçada no misticismo, na oração a Deus, que não passa de excitação sexual controlada,no culto da honra, da pureza, da obediência cega aos chefes, ao Estado. Reich escreveu:

 

«Não nos interessa discutir a existência ou inexistência de Deus: limitamo-nos a suprimir os recalcamentos sexuais e a romper os laços infantis em relação aos pais. A destruição do misticismo não faz parte das intenções do terapeuta. Este trata-o simplesmente como a qualquer outro factor psíquico que funcione como apoio do recalcamento sexual consumindo as energias naturais. O processo da economia sexual  não consiste, pois, em opor à concepção mística do mundo uma concepção "materialista", "anti-religiosa"; isso é propositadamente evitado, pois de nada serviria; tratar-se-ia, acima de tudo, de desmascarar a atitude religiosa como força anti-sexual e de canalizar noutras direções as forças que a alimentam. O homem que era exageradamente moralista em ideologia, mas perverso, lascivo e neurótico na vida real, liberta-se dessa contradição, e ao mesmo tempo que do moralismo, do carácter associal da sexualidade e da imoralidade, no sentido da economia sexual. »

«A consciência sexual e a sensibilidade mística são incompatíveis. Sexualidade natural e sensibilidade mística são, de um ponto de vista energético, uma e a mesma coisa, enquanto a primeira for recalcada,  transformando-se em excitação mística incontrolada.»

(Wilhelm Reich, Psicologia de Massas do Fascismo, Publicações Dom Quixote, 1976, pp. 189-190; o destaque a bold é nosso).

 

A DEMOCRACIA DO TRABALHO E A ENERGIA ORGÓNICA 

 

Criticando o capitalismo e o socialismo estalinista - este último, capitalismo de estado vermelho - que vigorou na URSS de 1922 a 1953, Reich preconizou a democracia do trabalho, um regime AUTOGESTIONÁRIO que promove o conhecimento, a partilha de tecnologia e o bem-estar de todos, que rejeita os místicos e os políticos, vendedores de ilusões, e protege as crianças e os jovens dos moralistas e maus educadores que condenam a energia sexual genital:

 

«A revolução russa de 1917 foi no fundo uma revolução político-ideológica, mas não uma verdadeira revolução social. Baseou-se em ideias políticas provenientes dos campos da economia e da política, e não das ciências que estudam o homem» (ibid, pág 234)

 

«O amor, o trabalho e o conhecimento abarcam tudo aquilo que está contido no conceito de democracia do trabalho» (ibid, pág. 337). «O trabalho é uma actividade fundamentalmente biológica que assenta, de um modo geral, tal como a vida em pulsões de prazer» (ibid, pág. 278).«A democracia natural do trabalho não tem uma orientação política nem de "esquerda" nem de "direita"(.. ) Não tem na sua essência a intenção de ser contra ideologias, portanto não pretende ser contra ideologias políticas mas é, também pela sua essência, obrigada, se quer funcionar, a insurgir-se contra qualquer orientação política e certamente contra qualquer partido político que se lhe atravesse no caminho de maneira irracional. Mas, no fundo, a democracia do trabalho não  é contra, como é geralmente a política, mas é a favor da resolução de tarefas concretas» (ibid, pág 302, o bold é posto por nós).

E Reich teoriza ter descoberto a energia orgónica que circula por todo o universo - os chineses diriam a energia benéfica Ki - e será a fonte de cura de todas as doenças:

«Comecei a trilhar até então  via oculta que me levaria à descoberta do orgono quando entrei no domínio proibido das palpitações orgásticas do plasma (...) (ibid, pág 340).

«O desconhecimento das leis biológicas funcionais produziu o mecanicismo e substituiu a realidade viva pelo misticismo. Pelo contrário, o orgono cósmico - a energia especificamente biológica que existe no universo - não funciona de modo mecanicista e não é de natureza mística.» (ibid, pág 341, o bold é posto por nós).

 

O facto de alguns aparelhos construídos por Reich desenvolverem alto nível de radioactividade  levou os tribunais a condená-lo a penas de prisão e o governo a deter o grande psicanalista em 12 de Março de 1957. Morreria 7 meses depois na prisão. 

 

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Terça-feira, 4 de Junho de 2013
Teste de filosofia do 10º ano, incluindo valores religiosos ( 2013)

Eis um teste de final de 3º período de uma turma que escolheu tratar os valores religiosos no programa de 10º ano de filosofia em Portugal. Um teste sem perguntas de escolha múltipla, que permite aos alunos exprimir uma opinião própria, relacionar criativamente conteúdos e mostrar que sabem filosofar.  

Escola Secundária Diogo de Gouveia com 3º Ciclo, Beja

TESTE DE FILOSOFIA, 10º ANO TURMA C

3 de Junho de 2013.            Professor: Francisco Queiroz
I

“A religião, segundo Freud, implica neurose e sublimação e terá tido origem num parricídio. Nietzshe, no século XIX, defendeu a teoria do eterno retorno e propôs a transmutação dos valores

 

1) Explique concretamente este texto.

II

2) Relacione, justificando:

A) As três fases da Ideia Absoluta na História segundo Hegel e o dualismo do Tao.
B)  Os três estádios da existência segundo Kierkegaard, o existencialismo e o essencialismo.

 

 III

3) Exponha, em síntese, os seguintes temas:

«Como a gnose resolveu filosoficamente o problema da existência do mal no mundo.  Os dharmas e o nirvana no budismo. O argumento ontológico de Santo Anselmo para demonstrar Deus. O panteísmo, o teísmo e a metafísica.»

.

 
 

    CORRECÇÃO DO TESTE (COTADO PARA 20 VALORES)

                                                                     

                                                                                                   

1) A religião, isto é, a veneração de deuses ou Deus, da natureza física como sagrada ou de anjos e almas metafísicas, implica a neurose, isto é, a  tristeza ou frustração resultante da repressão da energia sexual e a sublimação ou seja espiritualização de instintos recalcados, em especial do instinto sexual. Exemplo: «Procura ser pura, abstém-te de práticas sexuais, imita a Virgem Maria». Segundo Freud, em tempos primordiais, no seio de um clã, os filhos, cansados da autoridade do pai que os proibia de possuir as mulheres que quisessem, mataram o pai (parricídio) e comeram o corpo em banquete. Depois, arrependeram-se imaginando que o espírito do Pai os perseguia desde o «Além» e aplacaram-no mediante preces e sacrifícios religiosos que, no caso do catolicismo, se exprimem no «comer o meu Corpo» (a hóstia na missa) e «beber o meu sangue» (o vinho no cálice). (VALE TRÊS VALORES). Nietzsche defendeu o eterno retorno: a história repete-se, o tempo gira em círculo. Aos «gloriosos» tempos dos valores nobres, em que a aristocracia, feliz e cruel, reinava (escravatura, feudalismo) sucedem-se os «tenebrosos» tempos da civilização dos escravos e da plebe, isto é, da democracia liberal, em que a burguesia, classe intermédia reina, ou do socialismo, do comunismo e do anarquismo, episódios em que o proletariado reina e que são o ponto «mais baixo» da escala de valores. Mas o regresso ao antigo é inevitável e para isso Nietzsche propõe a transmutação ou inversão dos valores: o bem, que para os cristãos era cuidar dos fracos, dos doentes e idosos, estabelecer a igualdade social, fazer a paz, passa a ser, na preferência de Nietzsche, esmagar os fracos, os velhos e os doentes e impor a desigualdade social, os direitos desiguais, com a ditadura dos nobres e fazer a guerra; o mal passa a ser a piedade cristã, a repressão dos instintos sexual e guerreiro, o sacrifício da cruz, o niilismo (reduzir a vida ao nada) em nome do «Além». (VALE TRÊS VALORES).

 

2) a) Para Hegel, a ideia absoluta ou Deus desenvolve-se em três fases: a primeira é o Ser em si, ou Deus espírito, sozinho, antes de criar o universo, o espaço, o tempo, a matéria e pode comparar-se ao Tao, a mãe do Universo, algo invisível e misterioso que circula por toda a parte; a segunda é o Ser fora de Si ou transformação de Deus no seu oposto (alienação), a matéria física, em astros, céus, montamnhas, oceanos, vulcões, plantas e animais e pode equiparar-se ao Yang, dilatação, sair fora de si, visto que Deus se exteriorizou em matéria; a terceira é o Ser para si ou transformação de Deus em humanidade que vai progredindo lentamente em direcção à liberdade - desde o mundo oriental, em que só um homem é livre, até ao cristianismo reformado por Lutero e completado pela revolução francesa de 1789, em que todos os homens são livres - que é o fim da história, fase que pode comparar-se ao Yin, isto é, à contracção ou movimento para dentro, uma vez que, através da humanidade, Deus volta a si mesmo.Yang-Yin, ou seja, dia-noite, sol-lua, alto-baixo, verão-inverno, expansão-contracção, são as duas partes da onda que perpetuamente agita o universo. (VALE TRÊS VALORES).

 

2) B) Segundo Kierkegaard, filósofo existencialista cristão, há três estádios na existência humana: estético, ético e religioso. No estádio estético, o protótipo é o Don Juan, insaciável conquistador de mulheres que vive apenas o prazer do instante, e sente angústia se está apaixonado por uma mulher e teme não a conquistar. O desespero é posterior à angústia: é a frustração sobre algo que já não tem remédio ou que se esgotou. Ao cabo de conquistar e deixar centenas de mulheres, o Don Juan cai no desespero: afinal nada tem, o prazer efémero esvaiu-se. Dá então o salto ao ético: casa-se. No estado ético, o paradigma é do homem casado, fiel à esposa, cumpridor dos seus deveres familiares e sociais. Este estado relaciona-se com o essencialismo, doutrina que afirma que a essência, o  modelo do carácter ou do comportamento vem antes da existência e condiciona esta. A monotonia e a necessidade do eterno faz o homem saltar ao estádio religioso, em que Deus é o valor absoluto, apenas importa salvar a alma e os outros pouco ou nada contam. Abraão estava no estádio religioso, de puro misticismo, quando se dispunha a matar o filho Isaac porque «Deus lhe ordenou fazer isso». O estádio religioso é o do puro existencialismo, doutrina que afirma que a existência vive-se em liberdade e angústia sem fórmulas (essências) definidas, buscando um Deus que não está nas igrejas nem nos ritos oficiais. Neste estádio, o homem casado pode abandonar a mulher e os filhos se «Deus lhe exigir» retirar-se para um mosteiro a meditar ou para uma região subdesenvolvida a auxiliar gente esfomeada. A escolha a cada momento ante a alternativa é a pedra de toque do existencialismo. (VALE TRÊS VALORES).

 

3) A gnose é uma filosofia de carácter dualista que explica o mal no mundo através da existência da matéria e do seu criador, o demiurgo ou Satã ou Iavé, e o bem através da existência de um mundo espiritual, da Luz (o Pleroma) acima da sete esferas de planetas, mundo aquele onde vivem Cristo, Sofia e os Éons . Assim, o mal é intrinseco ao corpo, ao mundo material. Estes não são obra do verdadeiro deus da Luz. (VALE DOIS VALORES). Os dharmas são qualidades psíquicas e psicofísicas (inteligência, imaginação, memória, visão, audição, olfacto, tacto, etc) que existem por si mesmas no espaço e quando se reunem num feixe formam a personalidade de uma pessoa. Desaparecem ou dispersam-se com a morte corporal, restando apenas a consciência que pode estar, ou não, apta para atingir o nirvana, espaço vazio de repouso absoluto, sem desejos, segundo o budismo. (VALE DOIS VALORES). O argumento ontológico de Santo Anselmo diz o seguinte: Deus é um ser sumamente perfeito, é omnipotente, omnisciente, bondade, justiça e misericórdia absolutas, possui todas as perfeições, logo tem de ter a perfeição de existir (VALE DOIS VALORES). O panteísmo identifica a natureza biofísica com Deus ou deuses. O teísmo diz que Deus ou deuses são transcendentes à natureza biofísica, podendo ser os criadores desta. Ambas as correntes são metafísicas, isto é, doutrinas que descrevem o invisível, o impalpável, o transcendente, ainda que o teísmo seja, aparentemente, mais metafísico.(VALE DOIS VALORES).

 

 

 

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