Domingo, 22 de Abril de 2018
Lei da atração do Bem Estar versus cristianismo dolorista

A lei da atração do Bem Estar ou técnica do pensanento positivo, alegre e otimista, opõe-se, na essência, ao cristianismo sofredor e adorador do Cristo crucificado. A meditação do crucificado cria um estado de espírito melancólico, sofredor, que atrai melancolia e sofrimento: o semelhante atrai o semelhante.

 

Escrevem os teóricos da Lei da Atração:

 

«O leitor é Consciência eterna, de momento neste corpo físico maravilhoso para o júbilo de focagem e criação específicas. O ser físico que o define como é encontra-se na Vanguarda de Pensamento, enquanto que a Consciência, que é na realidade a sua Fonte, passa por si.» (Esther e Jerry Hicks, «Pedir e receber», Estrela Polar, pág 49).

 

«Não é possível dar uma melhor orientação aos nossos amigos físicos do que as palavras "Siga a sua felicidade" pois, na busca incessante da felicidade, ficará decididamente alinhado com a Energia da sua Fonte.» (ibid, pág 103).

 

O sujeito é o criador da sua própria existência, segundo a lei da atração: basta alinhar-se vibracionalmente com os objectos ou pessoas desejadas não sentindo ausência ou dificuldade em possuir ou ter na sua esfera estes e estas. Sentir ausência, ansiedade é negar a intensidade vibracional que permite atrair felicidade, amor e pessoas queridas.

 

«Quanto à sua criação da sua própria experiência só há, de facto, uma questão importante a colocar: Como consigo levar-me ao alinhamento vibracional com os desejos que a minha experiência já produziu?»

«E a resposta é simples: Preste atenção à forma como se sente e escolha pensamentos intencionalmente - sobre todas as coisas - que o façam sentir-se bem quando pensa sobre eles.» (Esther e Jerry Hicks, «Pedir e receber», Estrela Polar, pág 49).

 

A MEDITAÇÃO, CHAVE PARA FAZER SURGIR O QUE ANTES SE PEDIU AO UNIVERSO

 

Meditar não é fazer oração de súplica. Não é pedir mas sim fazer cessar a mente no acto de pedir / desejar. É um descanso no vazio mental sem imagens ou a contemplação de imagens belas e portadoras de felicidade.

 

«Muitos professores, entre os quais, nós, ensinam a Meditação como um processo muito bom para aumentar a vibração. Uma Meditação eficaz distrai-o de qualquer consciência física que cause resistência dentro da sua vibração pois, quando transfere a sua atenção para longe daquilo que sustenta a sua vibração num local inferior, a sua vibração aumentará naturalmente. É como a retirada da Consciência mas enquanto ainda está acordado.»

 

(Esther e Jerry Hicks, «Pedir e receber», Estrela Polar, pág 227).

 

Pelo não agir conquista-se o universo, dizia o filósofo Lao Tse. E sobre os 15 minutos de Meditação diária com que se deve começar o dia afirmam os autores:

 

«Um grande benefício que notará imediatamente é que coisas que tem estado a desejar começarão a aparecer. E porque é que assim é? "Afinal", dirá talvez, "Abraham, eu não me sentei e intencionei. Eu não me sentei e defini objectivos. Não me sentei e clarifiquei o que queria. Não disse o que queria ao Universo. Porque é que quinze minutos de simplesmente ser põem todo esse tipo de coisas em andamento?" Porque já esteve a pedir e agora, durante o seu tempo de Meditação, parou a resistência que tem estado a alimentar os seus desejos. Por causa da sua Meditação praticada, está agora a permitir que os seus desejos fluam para a sua experiência.»

(Esther e Jerry Hicks, «Pedir e receber», Estrela Polar, pág 230; o destaque a negrito é posto por nós).

 

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Quarta-feira, 10 de Fevereiro de 2016
Teste de Filosofia do 10º ano, turma B (Fevereiro de 2016)

 

 Os conteúdos deste teste de filosofia referentes a alquimia, cabala e princípio das correspondências macrocosmos-microcosmos integram-se na rubrica «Os grandes temas da filosofia» e são relativos a uma visita de estudo ao centro histórico de  Sevilha em que se fará hermenêutica de monumentos antigos e seus pormenores artísticos.

 

 

Agrupamento de Escolas nº1 de Beja

Escola Secundária Diogo de Gouveia, Beja

TESTE DE FILOSOFIA, 10º ANO TURMA B

4 de Fevereiro de 2016. Professor: Francisco Queiroz.

 I

“A filosofia da alquimia sustenta a divisa «solve e coagula» e a existência de três princípios/ substâncias do universo material. O templo cristão na idade média foi construído segundo o princípio das correspondências microcosmo-macrocosmo. O não agir do taoísmo exige não só a percepção empírica mas também o conceito empírico e a intuição inteligível".

 

1) Explique, concretamente este texto.


2) Relacione, justificando:

A) Seis esferas da árvore cabalística das Sefirós, as respectivas qualidades, cores e planetas associados a cada uma, e a planta do templo cristão medieval.

 

B) As quatro fases do processo alquímico e respectivas aves, por um lado, realismo e idealismo, por outro lado

 

C)Agir por dever e agir em conformidade com o dever em Kant e três partes da alma na teoria de Platão


D)  Máxima e imperativo categórico em Kant e o princípio moral do utilitarismo em Stuart Mill.

 

3) O que é e para que serve a filosofia? Tem o direito de gerar metafísica? É dogmática? É céptica? É objetiva? É subjetiva?

Disserte sobre isto (mínimo: 7 linhas).

CORREÇÃO DO TESTE COTADO PARA 20 VALORES

 

1) A filosofia da alquimia, doutrina esotérica, hermética que sustenta o processo da Grande Obra ou criação laboratorial da pedra filosofal que concederia a imortalidade ao homem, dotando-o de um corpo astral desmaterializado como o mítico Adão Kadmon (metade homem e metade mulher), defende que há três princípios/ substâncias originárias do universo, o enxofre ou homem vermelho (princípio masculino), sólido, o mercúrio filosófico ou mulher branca (princípio feminino), volátil, e o sal, neutro. A divisa «solve e coagula» significa dissolver o enxofre, sólido, e coagular o mercúrio líquido ou gasoso que se esparge pelas esferas celestes de forma a obter o equilíbrio e a pedra filosofal, ou lapis vermelho  (VALE TRÊS VALORES). O princípio das correspondências microcosmo-microcosmo da filosofia hermética sustenta que o que está em baixo é como o que está em cima, há uma analogia entre o microcosmo ou pequeno universo e o macrocosmo ou grande universo. Assim, o templo cristão da idade média obedeceu a essa lei: o macrocosmos seria um corpo gigantesco de Cristo de braços abertos que atravessaria o universo inteiro e o templo a construir seria um macrocosmos que imitaria, em forma de cruz, esse corpo macrocósmicos. A abside do templo, orientada a Este, ponto cardeal onde nasce o Sol (Cristo é o Sol espiritual) equivale à cabeça, o transepto aos braços abertos, o altar ao coração, as naves ao tronco e pernas de Cristo. (VALE DOIS VALORES) O não agir do taoísmo, isto é, o quietismo ético, doutrina que incita a ser contemplativo, a levar a vida simples de um camponês ou de um artesão e a desprezar a política, as expedições militares e as guerras, os grandes negócios e títulos universitários, exige a percepção empírica, isto é, ver tocar, saborear coisas e situações, o conceito empírico, isto é, a ideia extraída de percepções sensoriais (exemplo: o conceito empírico de guerra é abstraído das percepções de casas destruídas por bombas, corpos ensanguentados nas ruas, disparos ou espadeiradas contra pessoas). Exige também a intuição inteligível isto é um flash ou iluminação metafísica (exemplo: a intuição de que a maior virtude é seguir o Tao, o ritmo natural dos dias e das noites, etc). (VALE TRÊS VALORES)

 

2) A) A árvore das Sefirós (Esferas) é o diagrama do universo, segundo a Cabala (ensinamento secreto) judaica, uma «heresia» do judaísmo como religião de massas. Essa árvore de 10 esferas, que são 10 qualidades manifestas de Deus, é composta de um hexágono em cima, um triângulo debaixo deste e um ponto isolado no fundo. Podemos aplicar este diagrama à planta em cruz da catedral cristã fazendo coincidir Kéther, a primeira Sefiró, com a abside do templo, Binan e Guevurah com a extremidade esquerda do transepto, Hockman e Chesed com a extremidade direita do transpeto, Tiferet com o altar no pilar central.

 

                               KÉTHER (Coroa)

                                Planeta: Úrano

                                Esfera nº 1

                                 Cor : Indefinida

 

BINAH:                                               CHOCKMAH

Esfera nº 2                                          Esfera nº 3

Inteligência                                          Sabedoria

Feminina                                              Masculina

Saturno                                                Neptuno

Cor Negra                                           Cor iridescente

 

GUEVURAH                                          CHESED

Esfera nº 5                                             Esfera nº 4

Justiça                                                    Misericórdia

Marte                                                       Júpiter

Cor: Vermelho                                        Cor Azul

 

                                     THIPHERET

                                      Esfera nº 6.

                                      Beleza. 

                                      Sol                                     

                                      Cor: amarelo ouro.

                                                 (VALE TRÊS VALORES)

 

B) As quatro fases da Grande Obra Alquímica que visa produzir o elixir da longa vida ou pedra filosofal em laboratório são: nigredo, ou fase negra, da putrefação da matéria transformada no laboratório a que corresponde o corvo; albedo, ou fase branca de separação das impurezas, a ave é o cisne; citredo, ou fase multicolor, de alguma dominancia do amarelo limão, a ave é o pavão; rubedo, ou fase vermelha na qual se dá a produção da pedra filosofal cuja ave é a fénix. O realismo é a corrente ontológica que sustenta que a matéria existe em si mesma fora dos espíritos humanos. Parece corresponder à realidade dos processos alquímicos, com as retortas, o atanor (forno), etc. O idealismo é a corrente ontológica que diz que o universo de matéria não passa de um conjunto de ideias ou percepções empíricas dentro da imensa mente de um ou vários indivíduos humanos.A alquimia tanto pode ser encarada de um ponto de vista realista (exemplo: o atanor ou forno do alquimista é real, está ali, etc)  como do ponto de vista idealista ontológico (exemplo: o mundo material e o laboratório não passam de um sonho). (VALE TRÊS VALORES).

2-C) Agir por dever, na doutrina de Kant, é universalizar a sua máxima ou princípio subjetivo, agir de acordo com o imperativo categórico que cada um gera no seu eu racional: trata cada ser humano como um fim em si mesmo, alguém digno de respeito, e nunca como um meio para chegares a fins egoístas. Isto liga-se ao Nous ou parte superior, racional, da alma humana, em Platão, que contempla os arquétipos e dirige os filósofos.reis que vivem colectivamente, sem ouro nem prata, numa casa do Estado e fazem as leis. Também se liga ao Tumus ou parte intermédia da alma que representa o valor militar dos guerreiros, auxiliares dos filósofos-reis.

Agir em conformidade com o dever é cumprir a lei do Estado por medo de ser punido e liga-se à parte inferior da alma humana, a epythimia ou concupiscência, sede dos prazeres egoístas de enriquecer materialmente com ouro e prata, comer requintadamente, desfrutar vida luxuosa, etc. " (VALE DOIS VALORES).

 

2-D- O imperativo categórico ou verdadeira lei moral postula: «Age como se quisesses que a tua ação fosse uma lei universal da natureza». Resulta da universalização da máxima, da aplicação equitativa do princípio subjectivo moral de cada um ou máxima. Exemplo: se a minha máxima é «Combato a vacinação obrigatória porque as vacinas infectam o organismo» o meu imperativo categórico será «Vou difundir a ideia de que a vacinação é nociva e não me vacinarei nem as minhas filhas, quaiquer que sejam as sanções contra mim.» O princípio moral de Stuart Mill é, em cada situação, promover a felicidade da maioria das pessoas, mesmo sacrificando a minoria. Em regra, isto opõ-se ao imperativo categórico de Kant que é absolutamente equitativo e trata por igual todos os indivíduos. (VALE DOIS VALORES).

 

3) A filosofia é uma interpretação livre ou o conjunto das interpretações livres do mundo, dotadas de variáveis graus de especulação (teorização de assuntos difíceis ou impossíveis de demonstrar objectivamente). Naturalmente, gera metafísica, isto é, doutrina sobre os entes e fenómenos invisíveis e imperceptíveis, imaginários ou reais do universo (deuses, reencarnação, buracos negros do universo, ) e sobre as causas primeiras da vida e o sentido desta. A filosofia é dogmática, assenta em certezas, e simultaneamente é cética, instala-se na dúvida. É ao mesmo tempo objectiva (exemplo: os três mundos em Platão são objectivos no sentido em que podem ser compreendidos por toda a gente) e subjectiva na medida em que cada pessoa tem uma filosofia própria diferente das outras pessoas. (VALE DOIS VALORES).

 

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Sábado, 29 de Março de 2014
Teste de filosofia do 10º B (Março de 2014)

 

Eis um teste de filosofia, o segundo do segundo período lectivo. Evitaram-se as escorregadias questões de escolha múltipla que, em muitos casos, não permitem ao aluno exibir e desenvolver o seu saber filosófico. A última questão sobre a ideia absoluta segundo Hegel espelha o facto de a turma ter escolhido estudar os valores religiosos.

 

Agrupamento de Escolas nº1 de Beja
Escola Secundária Diogo de Gouveia , Beja
TESTE DE FILOSOFIA, 10º ANO TURMA B
27 de Março de 2014. Professor: Francisco Queiroz

 

 

 I

 

“Todos consideram o belo como belo,
é nisso que reside a sua fealdade.
Todos consideram o bem como bem,
é nisso que reside o seu mal.

 

Porque o ser e o nada engendram-se.(…)
Por isso o santo adopta
A táctica do não-agir
E pratica o ensino sem palavra.”

 

LAO TSE

 

1) Explique o significado deste poema característico do taoísmo, indicando se nele há Yang e Yin.

 

II

 

 2) Relacione, justificando:

 

A)  Esfera dos valores vitais e esfera dos valores espirituais em Max Scheler.

 

B) Imperativo categórico em Kant, autogestão e situação original na teoria de Rawls.

 

C) Empirismo, e racionalismo.

 

D) Gematria e objectivismo intra-anima.

 

E) As três fases da Ideia Absoluta na História, segundo Hegel, e teísmo, panteísmo e panenteísmo.

 

 

 

CORRECÇÃO DO TESTE DE FILOSOFIA (COTADO PARA 20 VALORES)

 

1) Ao dizer que a fealdade do belo reside no facto de todos o considerarem belo, o filósofo nega o objectivismo estético, o triunfo do pensamento da maioria sobre a minoria e afirma a preponderância da subjectividade de cada um. É um paradoxo aparente. O taoísmo permanece um individualismo quietista, baseado no não-agir. O mesmo sucede com o bem: o filósofo nega o unanimismo ético, isto é, o diz que o facto de todos acharem "bem" um determinado ente ou acção torna estes maus. Em todo o Yang (fogo, verão, dilatação) há um pouco de Yin (água, inverno, contracção) e viceversa: em todo o belo há algo de feio e em todo o feio há algo de belo. O «ser e o nada engendram-se» significa a dialéctica da vida: o «ser humano» nasce do nada e ao morrer transforma-se em nada. Sabendo que tudo devém e desaparece, o santo taoísta, seguidor do Tao - isto é ao ritmo ondulatório da natureza: semear-regar-colher, inverno-primavera-verão-outono,vaivém das ondas, etc - do universo, pratica o não agir: não se exibe, não procura ir à televisão ou ser eleito para cargos políticos ou económicos em empresas. não faz grandes viagens, não lança guerras, etc. Pratica ainda o ensino sem palavras, através do gesto, do olhar e de uma (não) acção exemplar.  O Yang (fogo, dilatação, movimento) está no poema expresso no ensino sem palavras, que exprime o movimento de transmissão de ideias,  e o Yin (água, contração, repouso) exprime-se no repouso do não agir.(VALE QUATRO VALORES).

 

 

2) A) Segundo Max Scheler, a esfera dos valores vitais refere-se aos estados anímicos e inclui os valores de: nobre e vulgar, amor-paixão e ciúme, cólera, inveja, sentimentos de vitória e de derrota, de juventude e de velhice, de coragem e cobardia, de vaidade e humildade, de saúde e de doença, etc. Opõe-se-lhe a esfera de valores espirituais, essencialmente intelectual, que inclui os valores estéticos (belo, feio, sublime, horrível), os valores éticos (bem, mal, justo injusto) e os seus derivados do direito (legal, ilegal, etc) os valores do conhecimento da verdade (filosofia) e os derivados deste (ciências: matemática, física, biologia, história, etc). (VALE TRÊS VALORES).

 

2) B) O imperativo categórico ou verdadeira lei moral, gerado pelo eu numénico ou racional, enuncia-se assim: «Age de modo que a tua acção seja como uma lei universal da natureza», que a todos se aplica com imparcialidade, incluindo a ti mesmo. Autogestão, conceito anarquista, significa a gestão das fábricas, hipermercados, lojas, bairros, escolas feita pelos próprios trabalhadores, moradores ou estudantes dessas empresas ou instituições: a assembleia reune, decide os salários, as escalas de trabalho e férias, sem patrões nem directores.Situação original é, em John Rawls, uma situação ideal de democracia de base em que toda uma população de uma cidade ou região se reune para debater e aprovar leis, sob um véu de ignorância, isto é, ignorando a profissão e a importância social e financeira de cada um. Estes três conceitos possuem em comum a noção de democracia basista fundada na liberdade individual. (VALE TRÊS VALORES)

 

2-C) Empirismo é a corrente gnosiológica que sustenta que as nossas ideias são cópias desbotadas das percepções empíricas, estas últimas são a principal ou única fonte de conhecimento. Racionalismo é a corrente gnosiológica que sustenta que a principal ou única fonte das nossas ideias é a razão, o raciocínio, marginalizando ou negando mesmo as percepções empíricas, e que as nossas ideias não são cópias das percepções sensoriais. São duas correntes opostas. (VALE TRÊS VALORES).

 

2-D) A gematria é uma teoria da Kaballah (Cabala ou tradição secreta judaica) que estabelece que cada letra do alfabeto equivale a um número e que Deus fez o mundo com as 22 letras do alfabeto hebraico. Exemplo: A=1, B=2, C=3, D=4, E=5, etc...A objectividade intra anima é o facto de a generalidade de as pessoas partilharem entre si a mesma opinião, a mesma percepção de algo, ainda que este algo não seja perceptível ou palpável, de forma indiscutível, na realidade exterior. Pode considerar-se que a gematria é um objectivismo intra anima, uma verdade comum a todos os iniciados na Cabala, que não é aceite por muitas pessoas ditas «mais terra a terra». (VALE DOIS VALORES).

 

2-E) Hegel divide a história universal da ideia absoluta ou Deus em três fases:  a fase lógica ou do ser em si, na qual só existe um espírito, Deus, antes de criar o universo material o espaço e o tempo, espírito ou ideia absoluta que se limita a pensar (isto corresponde ao teísmo, doutrina segundo a qual há um ou vários deuses independentes da natureza física); a fase da natureza ou do ser fora de si em que Deus se aliena em matéria bruta, isto é, se transforma em astros, sol, montanhas, rios, rochas, plantas e animais não humanos (isto corresponde ao panteísmo, doutrina que sustenta que Deus é a natureza física e biológica); a fase da humanidade ou do ser para si, em que Deus renasce, como espírito livre, em forma de homens que lentamente, progridem em direcção à liberdade de espíriro que é regresso à primeira fase. (esta terceira fase corresponde ao panenteísmo, doutrina que afirma que Deus é tudo, a natureza material, a humanidade e é Ele mesmo como espírito transcendente). Este progresso exprime-se através de três formas de estado sucessivas- no início, o despotismo oriental, em que só um homem é livre, séculos depois o estado greco-romano, em que só alguns homens são livres e por último o estado do cristianismo reformado por Lutero em que todos os homens são livres de examinar a Bíblia sem a manipulação do clero católico romano, completado em 1789-1799 pela revolução francesa que implantou a democracia baseada na liberdade, igualdade e fraternidade (VALE CINCO VALORES).

 

 

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Sexta-feira, 27 de Janeiro de 2012
Ontologia e ética do taoísmo

 

Quais os traços da ontologia e da ética do taoísmo, tal como são expressos no «Livro do caminho» de Lao Tsé?
 
A Ontologia ou teoria do ser e do ente, base da ética, resume-se assim: o Tao, mistura de Não-Ser e Ser, é o fundo sem forma e o movimento estruturador das formas do universo, e traduz-se em uma onda com duas partes ou momentos, Yin (escuridão, frio, contração, azul, baixo, feminino, interior, matéria) e Yang (luz, calor,dilatação, vermelho, alto, masculino, exterior, espírito).
 
A ética do taoísmo resume-se assim: praticar o não agir ou quietismo- exemplo: um país grande não deve lançar guerras contra os outros, em particular contra os pequenos; uma pessoa não deve contrair empréstimos para fazer investimentos de risco nem ambicionar mais do que a sua situação natural lhe oferece - esconder do povo os negócios secretos do Estado, levar uma vida simples de camponês ou ecologista ligado ao ritmo natural do universo (Tao), ser astucioso com os inimigos fortes, adulando-os e fortalecendo-os, de modo a derrubá-los em momento posterior, desconfiar do ensino livresco que busca honras e afasta do Tao e praticar o ensino sem palavras 
 
Eis alguns poemas e excertos de poemas de Lao Tsé que demonstram isso:
 
 
XXXVII
«O Tao propriamente dito não age
 «e, no entanto, tudo se faz por seu intermédio.» (...)
«A profundidade sem nome
 é o que não tem desejo.
«É pelo sem desejo e pela quietude
«que o universo se rege por si próprio.»
(Lao Tsé, Tao Te King, Editorial Estampa, pag 49)
 
 XLVIII
«Aquele que se dedica ao estudo
cresce de dia para dia.
Aquele que consagra ao Tao
diminui de dia para dia. »
 
«Vai diminuindo sempre,
para chegar ao não-agir.  
Pelo não-agir,
nada há que se não faça.
 
«É pelo não fazer
que se ganha o universo.
Aquele que que quer fazer
não pode ganhar o universo.» (ibid, pag. 61)
 
 XLVII
 
«Sem passar a soleira da sua porta,
conhece-se o universo.
Sem olhar pela sua janela,
percebe-se a via do céu. »
 
«Quanto mais se caminha,
menos se conhece.»
 
«O santo conhece sem viajar,
«compreende sem olhar,
realiza sem agir.»  (ibid, pag. 60).
 
 
XXXVI
«Quem quer humilhar alguém
deve primeiro engrandecê-lo.
Quem quer enfraquecer alguém,
deve primeiro fortalecê-lo.
 
Quem quer eliminar alguém,
deve primeiro exaltá-lo.
Quem quer suplantar alguém
deve primeiro fazer-lhe concessões.
Tal é a visão subtil do mundo.» (ibid, pag 48)
 
 
XIX
«Rejeita a sabedoria e o conhecimento,
o povo tirará cem vezes mais proveito.
 
«Rejeita a bondade e a justiça,
o povo voltará à piedade filial e ao amor paternal.
«Rejeita a indústria e o seu lucro,
os ladrões desaparecerão.»
 
«Se estes três preceitos não forem suficientes,
ordena o que se segue:
«Distingue o simples e abraça o natural,
reduz o teu egoísmo
e refreia os teus desejos».
 
 XXXVIII
«A virtude suprema é sem virtude,
é por isso que ela é a virtude.
A virtude inferior não se afasta das virtudes,
é por isso que não é a virtude.
 
«Quem possui a virtude superior não age
e não tem objetivos.
Quem só possui a virtude inferior age
 e tem um objetivo.
 
«Depois da perda do Tao, vem a virtude.
Depois da perda da virtude, vem a bondade.
Depois da perda da bondade, vem a justiça.
Depois da perda da justiça vem o rito.
O rito é a aparência da fidelidade e da confiança,
mas é também a fonte da desordem.» (ibid, página 50)
 
«O Tao que se procura alcançar não é o próprio Tao;
o nome que se lhe quer dar não é o seu nome adequado.»
 
«Sem nome, representa a origem do universo;
com um nome, torna-se a mãe de todos os seres.
Pelo não-ser, atinjamos o seu segredo;
pelo ser, abordemos o seu acesso.
Não-Ser e Ser saindo de um fundo único só se diferenciam pelos seus nomes.
Esse fundo único chama-se Obscuridade.
Obscurecer esta obscuridade, eis a porta de toda a maravilha.»  (ibid, pag 13)
 
II
«Todos consideram o belo como belo,
é nisso que reside a sua fealdade.
Todos consideram o bem como bem,
é nisso que reside o seu mal.
 
«Porque o ser e o nada engendram-se.
O fácil e o difícil completam-se.
O antes e o depois sucedem-se».
 
«Por isso, o santo adota
a tática do não-agir,
e pratica o ensino sem palavra.
Todas as coisas do mundo surgem
sem que seja ele o autor. »
 
«Produz sem se apropriar,
age sem nada esperar,
acabada a sua obra, a ela não se prende,
e porque a ela não se prende,
a sua obra permanecerá.» (ibid, pag 14)
 

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