Domingo, 27 de Novembro de 2016
Teste de filosofia do 11º ano de escolaridade (Novembro de 2016)

 

 

 

Além da lógica aristotélica, é abordada neste teste a dialética, lógica do movimento. Muito poucos professores de filosofia conhecem as leis da dialética, que não são mencionadas em nenhum manual de filosofia para o ensino secundário do 10º e 11º anos de escolaridade em Portugal, o que evidencia duas coisas: a ignorância dos autores de manuais nesta matéria; o domínio avassalador nas universidades da filosofia analítica, corrente que, de um modo geral, ignora a dialética e exprime indirectamente a ideologia dos imperialismos norte-americano e britânico no ensino de massas e na cultura mundial, interessados em omitir a metafísica cristã e o debate político com o socialismo reformista, o socialismo marxista, o estalinismo, o anarquismo.

 

Agrupamento de Escolas nº1 de Beja

 

Escola Secundária Diogo de Gouveia, Beja

TESTE DE FILOSOFIA, 11º ANO TURMA B

25 de Novembro de 2016. Professor: Francisco Queiroz

I

“Alguns médicos são adeptos da vacinação.

Os laboratórios farmacêuticos são adeptos da vacinação.

Os laboratórios farmacêuticos não são médicos.”

1-A) Indique, concretamente, três regras do silogismo formalmente válido que foram infringidas na construção deste silogismo.

1-B) Indique o modo e a figura deste silogismo.

                                                                        II

“Um só caminho nos fica – o Ser é! Existem milhares de sinais de sinais demonstrativos de que o Ser é incriado, imperceptível, perfeito, imóvel, eterno, não sendo lícito afirmar que o Ser foi ou que será, porque é Ser a todo o instante, uno e contínuo…(Parménides de Eleia)

2-A) Explique o que é o Ser segundo Parménides, com base no texto e em outras fontes, e relacione Ser com realismo, idealismo e fenomenologia.

2-B) Diga em que se diferencia a noção de ser em Parménides da noção de ser em Hegel. Justifique

 

3) Relacione, justificando:

 

3-A) Falácia depois de por causa de, falácia da composição e Indução amplificante.

 3.B) Lei do Salto Qualitativo e Três formas de Estado ou Três Mundos na fase da humanidade, em Hegel

3-C) Lógica Formal, Lógica Material e Argumentação.

 

CORREÇÃO DO TESTE COM A COTAÇÃO TOTAL DE 20 VALORES

 

I

A) Três regras infringidas da validade do silogismo acima foram: de duas permissas afirmativas não se pode extrair uma conclusão negativa; nenhum termo pode ter maior extensão na conclusão do que nas premissas (alguns médicos na permissa maior/ nenhuns médicos, na conclusão); o termo médio (adeptos da vacinação ) tem de ser tomado pelo menos uma vez universalmente e está tomado apenas no sentido de «alguns» e não de «todos». (VALE TRÊS VALORES).

 

1-B) O modo do silogismo é IAE, a figura é PP (predicado e predicado refere-se à  posição do termo médio nas premissas) ou 2ª figura.(VALE UM VALOR).

 

2)  A ontologia de Parménides de Eleia diz que a única realidade é o ser, um ente uno, imóvel, imutável, esférico, invisível, imperceptível, eterno, que não foi nem será porque é eternamente o mesmo e diz que «ser e pensar são um e o mesmo». A mudança das cores, o nascimento, o crescimento, o decrescimento e a morte, a sucessão das estações do ano e todas as mudanças são aparências, ainda que o ser possa estar subjacente a elas, escondido atrás delas. A interpretação realista desta  frase «ser e pensar são um e o mesmo». é: o pensamento é idêntico ao ser, é espelho do ser material ( e aqui podemos «ler» o ser como realismo, doutrina que sustenta que o mundo de matéria é real em si mesmo). A interpretação idealista da mesma frase é: o ser é pensamento, nada existe fora da ideia absoluta que é o ser, e o mundo de matéria, com a mudança das estações do ano, o nascimento e a morte não passa de ilusão (idealismo é a teoria que afirma que o mundo material é irreal é como um sonho dentro da minha ou das nossas imensas mentes). A fenomenologia é a doutrina céptica no seu fundo que afirma que a mente humana e a matéria são correlatas não se sabendo se o mundo material existe em si mesmo ou não. (VALE QUATRO VALORES)

 

2-B) Para Parménides, o ser é invisível, imóvel, imutável, exclui as aparências empíricas. Para Hegel, o ser é invisível e visível consoante as épocas, é mutável, inclui as aparências empíricas (o verde das árvores, o calor do sol, etc) e   desdobra-se em três fases, segundo a lei da tríade: fase lógica, Deus sozinho antes de criar o universo o espaço e o tempo (é a tese ou afirmação, o primeiro momento da tríade); fase da natureza, na qual Deus se aliena ou separa de si mesmo ao transformar-se em espaço, tempo, astros, pedras, montanhas, rios, plantas e deixa de pensar (é a antítese ou negação, o segundo momento da tríade); fase da humanidade ou do espírito, em que a ideia absoluta/Deus emerge com a aparição da espécie humana, que é Deus encarnado evoluindo em direção a si mesmo, por sucessivas formas de estado, desde o despótico mundo oriental até ao mundo cristão da Reforma protestante onde todos os homens são livres (é a síntese ou negação da negação) (VALE TRÊS VALORES).

 

3-A) A falácia depois de por causa de é o erro de raciocínio  que atribui uma relação necessária de causa efeito a dois fenómenos vizinhos por acaso (exemplo: «Há 10 dias vi um gato preto e caí da bicicleta, há 5 dias vi outro gato preto e perdi a carteira, ontem vi um gato preto e o meu telemóvel avariou, logo ver gatos pretos dá-me azar). A falácia da composição é aquela que faz uma generalização errónea, passa abusivamente de um ou poucos exemplos para uma conclusão geral (exemplo: «Cristiano Ronaldo é um dos dez melhores futebolistas do mundo, Cristiano é do Real Madrid, logo a equipa do Real inclui os dez melhores futebolistas do mundo») é uma indução precipitada, ao contrário da indução amplificante ou científica que é a generalização, segundo uma lei necessária, de numerosos exemplos empíricos particulares (exemplo: «fizemos milhares de experiências juntando um ácido e uma base e deu sempre um sal, neutro, mais água, logo induzimos que a mistura de um ácido e uma base gera um sal e água»).  O que todas têm em comum é que generalizam, mal ou bem, a partir de um ou alguns casos particulares.  (TRÊS VALORES).

 

3.B) A lei do salto qualitativo postula que a acumulação lenta e gradual em quantidade de um dado aspecto de um fenómeno leva a um salto brusco ou nítido de qualidade nesse fenómeno.O progresso da humanidade na terceira fase do ser, segundo Hegel, exprime-se através de três formas de estado sucessivas- no início, o despotismo oriental, em que só um homem é livre, o imperador de direito divino ou o faraó,  séculos depois o estado greco-romano, em que só alguns homens são livres e servos e escravos não são livres e por último o estado do cristianismo reformado por Lutero em que todos os homens são livres de examinar a Bíblia sem a manipulação do clero católico romano, completado em 1789-1799 pela revolução francesa que implantou a democracia baseada na liberdade, igualdade e fraternidade. 

Dentro de cada fase/estado vai havendo, lentamente, uma mudança quantitativa lenta até que num dado instante se produz um salto grande. Exemplo: na Idade Média, ainda pertencente ao mundo greco-romano sob o domínio do catolicismo na Europa, crescem as heresias que se opõem aqui e ali ao papado romano que não deixa livres os camponeses e outras classes. A reforma de Lutero é o salto brusco de qualidade que cria um centro religioso  oposto a Roma, inaugurando a fase do estado cristão reformado. (VALE QUATRO VALORES). 

 

3-C) Lógica formal é a ciência do pensamento formalmente correcto ou válido, independentemente do seu conteudo concreto. Lógica material é a aplicação da lógica formal à natureza biofísica e às ideias concretas (exemplo: tem lógica material dizer a abelha comeu mel mas não tem lógica informal dizer o mel comeu a abelha). A argumentação ou arte de encadear juízos e raciocínios, com certa dose de subjetividade ou intersubjectividade (ideologia), visando convencer um auditório, implica lógica material e lógica formal. (VALE DOIS VALORES).

 

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Terça-feira, 28 de Outubro de 2014
Teste de filosofia do 11º B (Outubro de 2014)

 

Eis um teste de filosofia . Evitamos as perguntas de escolha múltipla que, por vezes, enfermam de um deformado espírito de «minúcia», baseado em falsas disjunções, carecido de ordem dialética.

Agrupamento de Escolas nº1 de Beja
Escola Secundária Diogo de Gouveia , Beja
TESTE DE FILOSOFIA, 11º ANO TURMA B
24 de Outubro de 2014. Professor: Francisco Queiroz

 I

“Alguns militares  são generais.

Gabriel Espírito Santo é general.

Gabriel Espírito Santo não é militar".
 

1-A) Indique, concretamente, três regras do silogismo formalmente válido que foram infringidas na construção deste silogismo.
1-B) Indique o modo e a figura deste silogismo

 

2) Construa o quadrado lógico das oposições à seguinte proposição:

«Os alentejanos exercitam-se no cante».


3) Explique, concretamente, o seguinte texto:
«O raciocínio de analogia  apoia-se na percepção empírica e na intuição inteligível e difere da dedução. O realismo crítico de Descartes é diferente do idealismo não solipsista subjectivo

 

4) Construa, tendo como primeira premissa a proposição «Se for ao aeroporto de Beja, viajo de avião»:
A) Um silogismo condicional modus ponens.
B) Um silogismo condicional modus tollens.

 

5) Disserte sobre o seguinte tema: «As falácias ad hominem, depois de por causa de, da generalização precipitada, ad misericordiam integram a lógica informal, não a lógica formal».

 

 

CORRECÇÃO DO TESTE COTADO PARA UM TOTAL DE 20 VALORES

 

1-A) Foram violadas as seguintes regras do silogismo: de duas premissas afirmativas não pode extrair-se uma conclusão negativa; o termo médio (neste caso: general) tem de estar distribuído ao menos em uma das premissas, o que não sucede pois está sempre considerado no sentido de «alguns generais»; nenhum termo pode ter na conclusão maior extensão do que nas premissas, ora isso não sucede com o termo maior «militar» que na primeira premissa tem extensão particular («Alguns militares») e na conclusão apresenta extensão universal («Nenhum militar "). Note-se que o termo "Gabriel Espírito Santo" é universal porque apenas existe aquele Gabriel Espírito Santo no universo que estamos a considerar (VALE TRÊS VALORES).

 

1-B)  O modo do silogismo é IAE (VALE UM VALOR). A figura do silogismo é PP (2ª figura). (VALE UM VALOR)

 

2-A)            A                                         E

     

 

 

                    I                                          O

 

Prposição tipo A (universal afirmativa): Os alentejanos exercitam-se no cante.

Proposição tipo E (universal negativa): Os alentejanos não se exercitam no cante.

Proposição tipo I (particular afirmativa): Alguns alentejanos exercitam-se no cante.

Proposição tipo  O (particular negativa): Alguns alentejanos não se exercitam no cante.

 

A relação entre as proposições é a seguinte: A é contrária de E e viceversa; I é subcontrária de O e viceversa; I é subalterna de A; O é subalterna de E; A é contraditória de O e viceversa, I é contraditória de E e viversa.  (VALE DOIS VALORES)

 

3) O raciocínio de analogia é a inferência que estabelece uma semelhança de forma, função ou posição entre entes muito diferentes entre si. Exemplo: o homem é análogo a uma árvore, os pés equivalem às raízes. Isto implica realmente uma dose de imaginação superior. A percepção empírica (exemplo: ver uma árvore, ver um homem) é a captação directa das formas, cores, sons de um objecto físico nos prgãos sensoriais. A intuição inteligível é a captação instantânea de um objecto ou relação metafísica, sem raciocínio (exemplo: homem e árvore são erectos e possuem tronco, exprimem o mesmo arquétipo abstracto, a cruz).  A dedução  é a inferência que parte de uma premissa geral para chegar a uma conclusão geral ou particular. Exemplo: «Todas as árvores têm raízes, os pinheiros são árvores, logo os pinheiros têm raízes» (VALE TRÊS VALORES).

O realismo crítico de Descartes sustenta que há um mundo real fora das mentes humanas mas estas não o apreendem tal como é: o mundo exterior é composto de formas, tamanhos, movimentos, números e de uma matéria indeterminada (qualidades primárias, objectivas); as cores, sons, cheiros, sabores, sensações tácteis, calor e frio, prazer e dor só pertencem ao mundo interior do sujeito (qualidades secundárias), à sua psique, são causadas por movimentos de partículas exteriores que embatem nos olhos, nos ouvidos, etc, e fazem nascer cores, sons, etc. O idealismo não solipsita subjectivo é a doutrina que diz que o mundo material se reduz a ideias e sensações dentro das múltiplas mentes humanas e é uma ilusão subjectiva, todos o vêem de diversas maneiras, diferentes de pessoa a pessoa  (exemplo: todos vêem diferentes torres de menagem do castelo de Beja que, no entanto desaparece ao extinguir-se a mente - idealismo! ). Há uma diferença de grau entre o realismo crítico de Descartes («Há formas fora das mentes humanas») e o idealismo não solipsita («Todas as formas e todas as coisas são mentais, estão dentro das mentes humanas»). (VALE TRÊS VALORES).

 

4-A) Silogismo tipo modus ponens:

«Se for ao aeroporto de Beja, viajo de avião»

«Vou ao aeroporto de Beja».

«Logo, viajo de avião».  (VALE 1 VALOR).

 

Silogismo tipo modus tollens:

Se for ao aeroporto de Beja, viajo de avião».

«Não viajo de avião».

«Logo, não fui ao aeroporto de Beja». (VALE 2 VALORES)

 

4) Falácia é um erro ou vício de raciocínio na argumentação. A falácia ad hominem é o erro de raciocínio que desvia a argumentação racional para o campo do ataque pessoal ao adversário (exemplo: «Ele´ganhou o concurso para gestor de empresas, mas é gay, vamos impedi-lo de subir a gestor da empresa»). A falácia depois de por causa de é a que estabelece uma relação necessária de causa-efeito entre fenómenos que ocorrem simultaneamente por acaso. (Exemplo: Há uma semana vi um gato preto e uma hora depois bati com a moto em um muro; há 3 dias vi outro gato preto e a seguir perdi a carteira; logo, ver gatos pretos causa-me azares). A falácia da generalização precipitada é a que extrai uma conclusão geral de uma amostra particular insuficiente (exemplo: "ouvi três cantores magníficos da Amareleja, logo todos os habitantes da Amareleja são bons cantores"). A falácia ad misericordiam é  a que faz um apelo à misericórdia do interlocutor de modo a esbater ou apagar a racionalidade de uma decisão ( O aluno diz para o professor: «Sei que não tive nenhum teste com nota positiva ao longo do ano mas tenha piedade e dê-me nota de 10 valores senão o meu pai impede-me de gozar férias fora daqui»). Estas falácias integram a lógica informal ou material que é a lógica formal submetida aos factos e leis da natureza, ou seja, a lógica dos acontecimentos físicos, concretos. Lógica formal é a ordem abstracta do pensamento, das regras, abstraindo dos objectos naturais. O silogismo «As abelhas são cães/ os cães são elefantes/ Logo as abelhas são elefantes» possui lógica formal - o modo de raciocínio está correcto - mas não tem lógica material, é falso no seu conteúdo. (VALE QUATRO VALORES)

 

 

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Segunda-feira, 9 de Setembro de 2013
Étienne Gilson: la existencia es el acto de todas las formas

En su libro «El ser y los filósofos», el filósofo francés neoescolástico Étienne Gilson (Paris, 13 de junio de 1884; Auxerre, 19 de septiembre de 1978) sostuvo que la forma verbal es , no es ni sujeto ni predicado, es decidir, no predica nada, signo significa solamente: existe. Gilson escribió: 

 

«Si decimos simplemente que una cierta cosa es, el juicio en cuestión es un juicio de existencia, y es un juicio perfectamente correcto: está completo y no requiere,  para que se entienda, de ningun otro término, con solo un término y un verbo esto es, el sujeto y el verbo es. No es dificil advertir por qué la lógica no sabe que hacer con tales proposiciones. Las proposiciones atributivas se refieren siempre a la existencia, salvo, precisamente, en la lógica : " Logicus enim considerat, modum praedicandi et non existentiam rei", dice Tomás de Aquino. (...) Las proposiciones existenciales, que no se ocupan de nada más que de la existencia actual, no son objectos adecuados de consideración para el lógico. No plantean problemas formales, porque no se ocupan de formas, sino de la  existencia, que es el acto de todas las formas. Si es cuestión de decir cómo son las cosas, es probable que se planteen muchos problemas, precisamente porque las cosas son de muchos modos diferentes. Hay tantos modos de ser como modos de relacionarse con la existencia actual. Existe el de la materia y el de la forma, el de la sustancia y el de los accidentes, tales como cantidad, cualidad, acción, passión, y todos los demás. Pero, cuando se trata de la existencia, todo es muy sencillo, porque x es o no es, y eso es todo lo que se puede decir acerca de ella. Los juicios existenciales no tienen significado a menos que se los entienda como verdaderos. Si la proposición Pedro es significa algo, significa que un cierto hombre, de nombre Pedro, es actualmente, o existe. Es no predica nada, ni siquiera la existencia, la pone, y no tiene objecto citar tal proposición en lógica formal, excepto como un ejemplo de toda una clase de proposiones que no son objecto de la lógica.»  (Étienne Gilson, El ser y los filósofos, páginas 260-261, Ediciones Universidad de Navarra, SA, 2005; el destaque en negrita es puesto por nosotros) .

 

Así la proposición «Algo es» ( y sus variaciones concretas como por ejemplo: «El cielo es», «El automóviL es», etc) está fuera de la lógica formal que requiere de proposiciones de tipo «S es P».

 

Los que absolutizan la lógica, reduciendo a la nada las intuiciones metafísicas extra lógicas pero racionales (ejemplo: la intuición de un Uno primordial del que brota la multiplicidad, la intuición de Díos o dioses, etc) como hacen muchos partidarios de la filosofía analítica, están en error. Porque, más allá de la lógica, está la ontología en cuanto doctrina y aprehensión de la existencia y eso sólo la intuición, sensible e inteligible, nos puede suministrar


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Sábado, 24 de Janeiro de 2009
Contradições de Thomas Nagel: A filosofia não assenta na observação?

A caracterização da filosofia é feita por Thomas Nagel da seguinte maneira:

 

«Escreve-se àcerca destes problemas desde há milhares de anos, mas a matéria-prima filosófica vem directamente do mundo e da nossa relação com ele, e não de escritos do passado. (...)»

«A filosofia é diferente da ciência e da matemática. Ao contrário da ciência, não assenta em experimentações, nem na observação, mas apenas no pensamento. E, ao contrário da matemática, não tem métodos formais de prova»

(Thomas Nagel, Que quer dizer tudo isto? Uma iniciação à Filosofia, Gradiva, pag 8).

 

Há, neste texto, uma inconsistência: por um lado, diz, correctamente, que «a matéria-prima da filosofia vem directamente do mundo» (através da percepção empírica, da observação, é óbvio); por outro lado, diz, erradamente, que «a filosofia não assenta na observação, mas apenas no pensamento.» Gostaríamos de saber como haveria filosofia em torno do aborto se não houvesse observação das várias fases da gravidez feminina, do aspecto, tamanho e reacções do feto no ventre, etc. E como haveria uma filosofia apologista do capitalismo e outra apologista do socialismo, se não houvesse observação das sociedades, do modo de vida dos capitalistas liberais, dos operários, dos burocratas comunistas, dos mercados, dos bairros, da escala de salários, etc?

 

Além do mais, ao contrário do que sustenta Nagel, a filosofia tem métodos formais de prova: os princípios da lógica formal aristotélica; as leis da dialética. Não falo da lógica proposicional, uma ciência imperfeita do pensamento, com numerosas lacunas.

 

O corte brutal entre filosofia e ciência operado por Nagel prova que este não compreende a conversão dialética de uma na outra. Uma tese científica - exemplo: a molécula da água tem dois átomos de hidrogénio e um de oxigénio - pode dar lugar a uma questão de filosofia - exemplo: Como se chegou à conclusão que a relação é 2-1 entre o hidrogénio e o oxigénio da molécula de água, se é impossível ver o átomo?.

Elevar um Nagel a um prestigiado Prémio de Filosofia da Academia Sueca que atribui o Nobel foi, seguramente, um artifício de alguns, o triunfo do lobby da superficialidade universitária norte-americana no campo filosófico.

 

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