Quarta-feira, 27 de Maio de 2015
Uma confusão de Hessen: há subjectivismo geral além do subjectivismo individual?

 

 

 Joahnnes Hessen distinguiu entre subjectivismo individual e subjectivismo geral. Quer-nos parecer que caiu no magma da confusão. Escreveu:

 

«O subjectivismo, como o próprio nome indica, limita a validade da verdade ao sujeito que conhece e julga. Este pode ser tanto o sujeito individual ou o indivíduo humano como o sujeito geral ou o género humano. No primeiro caso, temos um subjectivismo individual; no segundo, um subjectivismo geral. Segundo o primeiro, um juízo é válido unicamente para o sujeito individual que o formula. Se qualquer de nós julga, por exemplo, que 2x2=4, este juízo só é verdadeiro para o próprio segundo o ponto de vista do subjectivismo; para os outros pode ser falso. Para o subjectivismo geral há verdades supra-individuais, mas não verdades universalmente válidas. Nenhum juízo é válido mais do que para o género humano. O juízo 2x2=4 é válido para todos os indivíduos humanos; mas é pelo menos duvidoso que o seja para seres organizados de modo diferente (Johannes Hessen, Teoria do Conhecimento, Arménio Amado- Editor Sucessor, Coimbra, 1978, páginas 46-47).

 

Não há subjectivismo geral, ao contrário do que Hessen faz crer. Há, sim, uma multidão infinita de subjectivismos, cada um ligeira ou radicalmente diferente do outro. Quando o subjectivismo se universaliza deixa de ser subjectivismo: passa a ser intersubjectivismo ou objectivismo intra anima.  Se o juízo 2+2=4 é válido para todos os seres humanos não pode chamar-se a isso subjectivismo. É objectivismo. É um juízo objectivo porque é universal no que se refere ao universo dos homens. Hessen confere um duplo sentido ao termo subjectivismo adulterando a sua significação original que é o de teoria que afirma que a verdade é íntima a cada consciência singular, intransmissível em certa medida e variável de pessoa a pessoa.

  

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Quinta-feira, 29 de Novembro de 2012
Martin Buber: o Eu, o Tu e o Isso

Martin Buber (8 de Fevereiro de 1878, Viena - 13 de Junho de 1965, Jerusalém) foi um filósofo austríaco, de origem judia, de ideologia sionista, que teorizou as relações humanas como um triângulo com três vértices: o Eu, o Tu e o Isso. Escreveu Buber:

 

«As palavras fundamentais da linguagem não são vocábulos isolados, mas pares de vocábulos.»

«Uma destas palavras primordiais é o par de vocábulos Eu-Tu

«A outra palavra primordial é o par Eu-Isso, em que Ele ou Ela podem substituir um Isso

«Quando se diz Isso, diz-se ao mesmo tempo o Eu do par verbal Eu-Tu».

«Daí que também o Eu do homem seja duplo. Pois o Eu da palavra primordial Eu-Tu é distinto do Eu da palavra primordial Eu-Isso.»

 

«As palavras primordiais não significam coisas mas indicam relações.»

«As palavras primordiais não exprimem algo que pudesse existir independentemente delas, mas uma vez ditas, dão lugar à existência.»

«Estas palavras primordiais são pronunciadas a partir do Ser.»

«Quando se diz Tu, diz-se ao mesmo tempo, o Eu do par verbal Eu-Tu

«Quando se diz Isso, diz-se ao mesmo tempo o Eu do par verbal Eu-Isso.(1)»

 

«A palavra primordial Eu-Tu só pode ser pronunciada pelo Ser inteiro.»

«A palavra primordial Eu-Isso jamais pode ser pronunciada pelo Ser inteiro.»

 

«Não há Eu em si, mas somente o Eu da palavra primordial Eu-Tu e o Eu da palavra primordial Eu-Isso

«Quando o homem diz Eu, quer dizer um dos dois.»

 

(Martin Buber, Yo y tú, páginas 7-8, Nueva Visión, Buenos Aires).

 

Vejamos exemplos da distinção entre Tu e Isso. Um construtor civil ou outro industrial que falsifica os materiais de construção da casa ou de outro produto que vende, adulterando a qualidade a fim de obter o máximo lucro, está numa relação Eu-Isso: os seus clientes não constituem um Tú, alguém com personalidade própria de quem o eu cuida, mas sim um Isso, um ente estranho que se explora como uma «coisa material» manipulável. No entanto, se uma casa se desmoronar, depois de vendida a um cliente, e o construtor civil se arrepender da sua lógica de capitalismo implacável e sentir a perda e o prejuízo do cliente como «seus» e o procurar indemnizar com justiça, substituiu a relação Eu-Isso pela relação Eu-Tu.

 

Duas observações sobre a citação acima que nos oferece a súmula da doutrina de Buber.

A primeira: há um fundo fenomenológico de entes correlatos (o Eu e o Tu, o Eu e o Isso) nestas teses. Há intersubjectividade: o Eu não existe isolado, mas em correlação com o Tu ou com o Mundo.

A segunda: há um fundo cabalístico nestas teses, na medida em que os fonemas, as palavras são as estruturas a partir das quais nasce a existência da matéria, do mundo do devir. Lembra a tese da Kaballah judaica: «Deus criou o mundo com as vinte e duas letras do alfabeto hebraico.»

 

NOTA

1) Na versão espanhola que estou a citar esta frase aparece do seguinte modo: «Quando se diz Isso, diz-se ao mesmo tempo o Eu do par verbal Eu-Tu». Como me pareceu um erro ou desatenção na tradução, optei por escrever "par verbal Eu-Isso». Mas a dúvida requer a consulta à versão original...

 

 

 

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Sexta-feira, 8 de Outubro de 2010
É a ciência mais objectiva do que a filosofia?

É habitual dizer-se que «a ciência é mais objectiva do que a filosofia». Esta frase não é exacta: a filosofia profunda é mais objectiva do que a ciência, ao menos num certo sentido.

 

A palavra "objectividade" tem quatro sentidos:

 

1) Racionalidade e rigor de definições e raciocínios. Neste campo, a grande filosofia bate claramente as ciências em geral, se exceptuarmos ciências altamente filosóficas como a teoria da relatividade de Einstein. A filosofia anti vacinação é muito mais objectiva do que a estreita ciência da vacinação que se agarra ao rochedo do seu dogma: «introduzir vírus atenuados ou mortos no organismo estimula beneficamente as defesas deste». A filosofia limita-se a abrir o outro lado da questão: «Certamente, os vírus das vacinas suscitam a produção de anticorpos. Mas também uma queimadura ou um golpe causador de ferimento o faz. O aparecimento de anricorpos não é, por si mesmo, um bom sinal para o organismo. Quem garante que os vírus atenuados não causam doenças degenerativas?» 

 

2) Empiricidade, isto é, estar sustentada pelos factos empíricos.

 

3) Intersubjectividade quase universal, isto é, depósito de ideias e crenças comum a quase toda a humanidade.

 

4)  Realidade exterior aos espíritos humanos, coisa em si cognoscível e indiscutível.

 

Se é verdade que as ciências são, de um modo geral, mais empíricas do que a filosofia - e nesse sentido «mais objectivas» - também é verdade que a filosofia trabalha sobre uma base empírica e não meramente sobre uma base a priori, como sustentam alguns.

 

A filosofia é multiobjectiva - ela permite ver ao mesmo tempo, em vários planos, os contornos e a natureza das coisas - ao passo que a ciência é, em regra, apenas objectiva. A multiobjectividade não deve confundir-se com subjectividade: é distinta desta, embora desencadeie esta ou brote desta. Exemplo da multiobjectividade filosófica e científica: «Os seres são unos e múltiplos; a luz possui uma dupla dimensão, corpuscular e ondulatória».

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Quinta-feira, 18 de Fevereiro de 2010
A interpretação equívoca de Manuel Maria Carrilho sobre Kant e o pragmatismo

No seu livro «Que é Filosofia», editado em 1994, o catedrático português Manuel Maria Carrilho faz algumas equívocas apreciações sobre o kantismo e o pragmatismo: 

 

«O que o neopragmatismo sobretudo contesta é o passo que se dá desta intersubjectividade para a universalidade; ou, dito de outro modo, se há um erro de partida ele não se encontra em Hegel mas em Kant, no modelo epistemológico com que o criticismo pretendeu harmonizar a ciência e a ética. Este modelo tem na objectividade o seu ideal supremo, uma vez que, por um lado, a questão do conhecimento (do seu valor e limites) é decidida pela do objecto e do seu estatuto e, por outro, a moral exige a determinação a priori da legalidade da realidade em consideração. O pragmatismo rejeita completamente este modelo e o modo como ele aponta para um conhecimento a-histórico e acontextual, sugerindo como alternativa uma concepção em que os homens são pensados sempre em comunidade, em que o conhecimento e a acção se enraízam sempre num contexto e numa forma de vida.» (Manuel Maria Carrilho, O que é filosofia, Difusão Cultural, pág. 89; a letra negrita é posta por mim).

 

 Carrilho equivoca-se liminarmente ou é, no mínimo, de grande ambiguidade, ao dizer que na teoria de Kant « a questão do conhecimento (do seu valor e limites) é decidida pela do objecto e do seu estatuto». Mas é justamente o inverso! Afinal o que é a revolução coperniciana da gnoseologia de Kant?

 

É ó facto de o sujeito deixar de gravitar em torno do objecto físico exterior, centro do mundo do conhecimento, e a situação inverter-se, isto é, o objecto físico exterior passar a gravitar «em torno da» mente do sujeito, erigida agora em centro do processo de conhecimento. É a transferência da «objectividade» do objecto «exterior» para o sujeito interior, senciente e pensante.

 

Carrilho nem sequer precisa o que se entende por objectividade. O seu discurso retórico que, a cada passo nos remete para Kant, Hegel, Habermas, Apel, Austin, Heidegger, Derrida, Marx, Nietzschze, Foucault, Lacan, é escasso em definições claras e rigorosas. Voga no pássaro da anfibologia. Leu muito, mas não meditou o suficiente, não apreendeu a esmeralda multifacetada do sentido de certas palavras. Ora, na doutrina de Kant, a objectividade é a existência de leis e formas de conhecimento (espaço e tempo sensíveis, categorias e juízos puros do entendimento) interiores ao eu do sujeito, eu que engloba o espaço e o tempo: uma cadeira, por exemplo, não é objectiva em si mesma – porque nem sequer existe como ens a se, ser por si, real – mas a sua objectividade é uma intersubjectividade, isto é, a existência de um objecto ilusório, aparentemente real, que coincide nas mentes dos diversos sujeitos porque estas têm leis internas similares. Os números, por exemplo, são objectivos, para Kant, porque residem a priori no tempo, forma pura da sensibilidade, e são conceptualizados pela categoria de quantidade  do entendimento a priori, mas a côr ocre de um tronco de árvore e a própria substância madeira do tronco não são objectivas, são criações da sensibilidade e do entendimento, timbradas de subjectividade porque, ao nível do sensível, só a extensão e a figura possuem alguma objectividade na gnoseologia de Kant.

 

A matéria não é real para Kant, é um simples fenómeno, aparência de realidade:

 

«Devíamos, contudo, lembrar que os corpos não são objectos em si, que nos estejam presentes, mas uma simples manifestação fenoménica, sabe-se lá de que objecto desconhecido.» (Kant, Crítica da Razão Pura, Fundação Calouste Gulbenkian, nota de rodapé da Pág. 363).

 

 

Carrilho, tal como Popper, Russell e o próprio Heidegger, nem sequer percebeu esta fina tese de Kant de que o objecto físico, seja uma árvore, um rio ou um animal, é produzido na sensibilidade subjectiva do sujeito, exterior ao corpo físico, e não passa de representação, isto é imagem tridimensional, que desapareceria caso a mente do sujeito cessasse. A objectividade que a teoria de Kant proclama atingir não deriva do objecto físico, como supõem Carrilho e outros, mas sim das leis necessárias imanentes à consciência percipiente e, em alguma medida, do númeno, ou objecto real metafísico, incognoscível (Deus, mundo como totalidade incondicionada, liberdade). 

 

Não é também absolutamente exacto que teoria de Kant « aponta para um modelo de conhecimento a-histórico e acontextual»: isto só é verdade em parte, no que se refere ao modo de conhecer humano, às formas a priori do conhecimento; não é verdade no que se refere à moral, dado que o imperativo categórico é formal e autónomo, varia de pessoa a pessoa, carregando o lastro da historicidade individual. 

 

 

 

Aliás, existem pontos de convergência entre a noção de objectividade de Kant e a de William James fundador do pragmatismo, isto é, um modelo parcialmente comum. Um desses pontos é o de ambos acentuarem que a indução amplificante não é uma lei objectiva inteiramente independente da mente humana mas uma construção desta no sentido de facilitar a interpretação do mundo e a manipulação ou instrumentalização das coisas físicas.

 

 

 

James escreveu:

 

«A verdade descansa, na sua maior parte, num sistema de crédito. Os nossos pensamentos e crenças "passam"  enquanto ninguém os puser à prova, do mesmo modo que passa uma nota de banco enquanto ninguém a recusar. (...)  Outra grande razão - além da economia de tempo - para renunciar a uma verificação completa nos assuntos usuais da vida, é que todas as coisas existem como géneros, e não singularmente. O nosso mundo, de uma vez por todas, teve de mostrar essa peculariedade. Assim, uma vez verificadas directamente as nossas ideias sobre o exemplar de um género consideramo-nos livres de aplicá-los a outros exemplares sem verificação.» (William James, Pragmatismo, Ediciones Folio, Barcelona, Págs. 134-135, a letra negrita é posta por mim).

 

 

 

Ora este modelo de objectivismo em James que recusa segurança absoluta, universalidade, à indução, já havia sido teorizado por David Hume e por Kant quando este escreveu:

 

« Em segundo lugar, a experiência não concede nunca aos seus juízos uma universalidade verdadeira e rigorosa, apenas universalidade suposta e comparativa (por indução) de tal modo que, em verdade, antes se deveria dizer: tanto quanto até agora nos foi dado verificar, não se encontraram excepções a esta ou àquela regra.» (Kant, Crítica da Razão Pura, Introdução (B), Fundação Calouste Gulbenkian, Pág. 38).

 

 

 

Ademais, a transformação, operada por Kant, das ideias de Deus, alma imortal e liberdade em postulados da razão prática, isto é, meros princípios reguladores do comportamento humano, impossíveis de provar experiencialmente, não é, senão, pragmatismo. Kant duvidou, tal como William James, da metafísica especulativa que dá como certo haver um ente transcendente, Deus, criador e senhor do universo e dos homens. Nada disto é sublinhado por Carrilho que opõe, de forma simplista e equívoca, as noções de verdade e objectividade em Kant e no pragmatismo.

 

 

 

A escrita de Manuel Maria Carrilho prima por um certo «impressionismo» filosófico, um estilo retórico feito de muitas pinceladas superficiais, onde está ausente, não poucas vezes, a clareza do verdadeiro pensamento filosófico que, contudo, existe na imensa maioria dos textos de Kant e de William James.  

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