Quinta-feira, 21 de Janeiro de 2016
Marte em 10º-11º de Escorpião no dia 24: Marcelo eleito presidente à segunda volta, no dia 14 de Fevereiro?

 

Marte forçará uma segunda volta nas eleições presidenciais de 24 de Janeiro de 2016, dia em que Marte estará em 10º-11º de Escorpião? É uma hipótese plausível se levarmos em conta dois exemplos de resultados eleitorais com Marte na área 10º-16º de Escorpião que deram vitórias à esquerda moderada.

 

Em 1 de Outubro de 1995, com Marte em 16º de Escorpião, o PS de António Guterres vence as eleições legislativas, elegendo 112 deputados num total de 230, com 43,76% de votos, deixando o PSD em segundo lugar, com 88 deputados eleitos, e 34,12% de votos, .

 

Em 14 de Janeiro de 2001, com Marte em 12º-13º de Escorpião, Jorge Sampaio, socialista, é reeleito presidente da República Portuguesa, com 55,55 % de votos, vencendo o candidato da direita, Joaquim Ferreira do Amaral, do PSD, que recolhe 34,68% de votos.

 

Assim mantenho a previsão que fiz: Marcelo Rebelo de Sousa será eleito presidente da República Portuguesa, seja em 24 de Janeiro (Júpiter em 22º de Virgem) ou em 14 de Fevereiro de 2016 (Júpiter em 21º de Virgem) porque Júpiter no signo Virgem (de 150º a 180º de arco celeste) tem dado, sempre, a vitória eleitoral, relativa ou absoluta, às direitas PSD ou PSD-CDS em Portugal.

 

Mas esta última hipótese, de Marcelo ser eleito em 14 de Fevereiro de 2016, contra Sampaio da Nóvoa, parece ser a mais forte. Porque nesse dia, Saturno estará em 15º do signo de Sagitário - um grau nocivo ao PS - e em 19 de Julho de 1987, dia da vitória do PSD de Cavaco com maioria absoluta Saturno estava em ... 15º de Sagitário, posição que só ocupa durante alguns dias uma vez de 29 em 29 anos.

 

E Marte, em 14 de Fevereiro de 2016, estará em 21º do signo de Escorpião, perto da posição em que esteve a 5 de Outubro de 1980, em 24º-25º de Escorpião, dia da segunda vitória eleitoral da AD de Sá Carneiro e Freitas do Amaral em eleições legislativas.

 

Como se vê, na nossa astrologia histórica - oposta à pseudo astrologia dos semiastrólogos que vão à televisão e editam livros de previsões pessoais tipo «previsões para os nativos do Carneiro, do Touro, etc» - induzimos a partir de factos histórico-sociais/astronómicos. Não prevemos à toa, ainda que não sejamos infalíveis.

 

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Segunda-feira, 15 de Junho de 2015
Erros no Exame Nacional de Filosofia de 15 de Junho de 2015

 

O exame final nacional de filosofia do ensino secundário em Portugal, 11º   ano de escolaridade, prova 714/ 1ª fase, realizado em 15 de Junho de 2015, enferma de erros teóricos. Eis alguns desses erros na versão 2 da Prova 714/1ª fase, nas questões de escolha múltipla em que só se dá como correcta uma das quatro opções.

 

GRUPO I

 

«2. Em qual das seguintes opções é referida, de forma inequívoca, uma acção:

(A) A Mariana foi picada por um mosquito.

(B) O Rui esqueceu-se de tirar o boné da cabeça.

(C) Um mosquito picou a Mariana.

(D) A professora mandou o Rui tirar o boné.»

 

Crítica minha: Os critérios de correção apontam que a resposta D é a única certa. Mas a resposta C está igualmente certa: picar uma pessoa é uma acção... de um animal, um mosquito. Há três tipos de acções: da natureza geofísica (exemplo: a erupção de um vulcão), dos animais inumanos (exemplo: o leão persegue e mata a gazela) do homem (exemplo: um condutor atropela involuntariamente uma pessoa). Se o autor do exame queria que só a resposta D fosse certa, a pergunta devia falar de acção humana e não somente de acção. Não é ridículo considerar acção o facto de um homem comer frango e não considerar acção o facto de um leão comer uma gazela? É assim o espírito minucioso e míope, sem visão global, dos analíticos...

 

«6. Segundo a UNICEF, devido à epidemia de ébola que, em 2014, atingiu o continente africano, 4 000 crianças perderam ambos os pais e 13 000 crianças perderam um dos pais. Portanto, a epidemia de ébola causou 17 000 orfãos em África.»

O argumento anterior é:

(A) um mau argumento de autoridade.

(B) um bom argumento de autoridade.

(C) uma indução a partir de um número insuficiente de casos.

(D) uma indução a partir de uma amostra representativa.»

 

Segundo os critérios de correção a resposta correcta é a opção B: é um bom argumento da autoridade já que a Unicef tem prestígio na matéria.

 

Crítica minha: nenhuma das respostas está correcta. Embora a Unicef invocada seja uma autoridade mundial no problema das crianças, e pareça que se trata de um bom argumento de autoridade, o essencial do argumento está na correção da operação matemática referente aos meninos e meninas que ficaram orfãos ou  duplamente orfãos de África em 2014. Trata-se de uma indução completa, sem salto no vazio, isto é, de uma inferência que consiste em  chegar ao resultado por enumeração, contando a totalidade dos casos singulares. Ou, se se quiser, trata-se de uma dedução - a operação matemática 4 000 + 13 000= 17 000 é uma dedução, não necessita de uma amostra empírica- fundada numa indução completa ou contagem exaustiva de todos os elementos de um conjunto. Se o autor da prova queria que a opção B fosse a resposta correta devia te-la formulado assim: «um argumento de autoridade e uma dedução fundada numa indução completa».

 

«7. Considere os textos seguintes:

        1. A ciência está na base das tecnologias que mudaram as nossas vidas. Por conseguinte, para que o avanço tecnológico não abrande, os investimentos da ciência não devem ser reduzidos.

         2. Após a Segunda Guerra Mundial, importava assegurar a recuperação económica dos países europeus envolvidos. Além disso, os líderes das principais nações europeias pretendiam impedir um novo conflito armado. Foi esta dupla ambição que esteve na origem da União Europeia.

 

(A) 1 e 2 são textos argumentativos.

(B) 1 e 2 não são textos argumentativos.

(C) 2 é um texto argumentativo; 1 não é um texto argumentativo.

(D) 1 é um texto argumentativo; 2 não é um texto argumentativo.»

 

A resposta considerada correcta nos critérios de correção é a (D).

Crítica minha: A resposta correcta é a A: ambos os textos, um e dois, são (parcialmente) argumentativos, se por argumentativo se entende uma afirmação ideológica, que exprime o ponto de vista de uma classe social, de um grupo cultural, político ou religioso, ou de um povo, não sendo absolutamente neutra ou isenta. Ao dizer «para que o avanço tecnológico não abrande, os investimentos da ciência não devem ser reduzidos»  está-se a argumentar, no texto 1, a favor do investimento com dinheiro nos programas científicos e tecnológicos, e isto é ideologia do capitalismo, privado ou estatal, posição que não merece o acordo dos grupos ecologistas defensores do «crescimento zero», da paralisação do fabrico de automóveis, barcos, aviões, telemóveis, postes de energia eléctrica, etc. Ao dizer no texto dois que «Após a Segunda Guerra Mundial, importava assegurar a recuperação económica dos países europeus envolvidos. Além disso, os líderes das principais nações europeias pretendiam impedir um novo conflito armado» está-se a argumentar com as intenções supostamente pacifistas dos líderes europeus como base da criação do Mercado Comum Europeu, o que é discutível, isto é, argumentativo. Alguns dirão que as burguesias francesa e alemã tinham por objectivo não uma recuperação económica dos países comunitários mas um aumento da sua hegemonia no mundo e a realização do máximo lucro..

 

«8. Em qual das opções seguintes se apresenta um exemplo do conhecimento a priori?

(A) Sei que nenhum irmão é filho único.

(B) Sei qual é o meu nome.

(C) Sei que alguns pais não são casados.

(D) Sei que idade tenho.»

 

Os critérios de correção apontam como resposta «certa» a opção A

 

Crítica minha: nenhuma das respostas é correcta. O que é o conhecimento a priori? É aquele que se opera independentemente das sensações, das percepções de objectos do mundo empírico. Segundo Kant só os conceitos matemáticos e alguns da física pura são a priori: os conceito de números Dois, Três, Quatro, etc., são a priori e os juízos «Três mais Quatro é igual a Sete» ou «Dois Vezes Dois é igual a Quatro» são a priori, mas os conceitos de «Irmão» de «Filho Único», de «Pai», de «Idade» , de «Casado», de «Nome» e o juízo «Ter irmãos implica não ser filho único» são a posteriori, isto é, derivam da experiência sensorial, de pessoas e situações qiue vemos e ouvimos. Ora, em todas as quatro frases acima citadas há conceitos a posteriori.

 

Os critérios de correção apontam como resposta «certa» a opção A. Mas a frase «Sei que nenhum irmão é filho único» é tão a priori - se assim me posso exprimir; em rigor não é a priori - como a frase C «Sei que alguns pais não são casados». Ser irmão implica não ser filho único e ser pai, em muitos casos, implica não ser casado.

 

«9. Identifique o par de termos que permite completar a afirmação seguinte.

       A dúvida cartesiana é_________; por isso, Descartes não é um filósofo____________

(A) metódica...racionalista

(B) metódica.....cético

(C) hiperbólica....empirista

(D) cética..... empirista.»

 

Os critérios de correção da prova apontam como única opção correcta a resposta B: A dúvida cartesiana é metódica  por isso, Descartes não é um filósofo cético.

 

Crítica minha: há duas respostas certas, as opções B e C, e não apenas uma. A opção C diz o seguinte:  «A dúvida cartesiana é hiperbólica   por isso, Descartes não é um filósofo empirista». Isto está correto. O que é a dúvida hiperbólica? É aquela que se estende a tudo e duvida mesmo do próprio corpo físico do sujeito e do eu pensante. Formula-se assim: «Os sentidos , fonte da verdade segundo o emprismo, enganam-me e é possível que tudo o que vejo, toco e penso não exista, duvido da existência das árvores, das casas e cidades,  da paisagem , da realidade dos animais, dos homens, dos céus e da terra, de Deus, das verdades matemáticas e outras e do meu próprio eu. Ora esta dúvida hiperbólica faz com que Descartes não seja um filósofo empirista já que estes dão crédito às percepções empíricas e tomam-nas como a base, ao contrário de Descartes. 

 

 

A existência de tantos erros neste exame nacional é a prova da incompetência da universidade portuguesa na área da filosofia, porque a tutela da comissão que fabrica a prova nacional de filosofia é, tanto quanto se sabe, da universidade portuguesa. Fechem-se as faculdades de filosofia porque os doutoramentos e as cátedras - dignidades «clericais» que não existiam no tempo de Platão e Aristóteles - são centros de poder pessoal onde reinam incompetentes adeptos da filosofia analítica, do positivismo lógico ou da fenomenologia que distorcem, em regra, a verdade da qual julgam ser donos. Precisa-se de uma revolução estudantil-operária como a de Maio de 1968 em França, em que os estudantes destituem os catedráticos da burguesia, os papas da igreja laica que é a universidade das humanísticas (filosofia, história, sociologia, antropologia, etc.), carregados de ideologia contra a dialética, a  ciência da astrologia histórica, as medicinas naturais, etc.

 

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Domingo, 29 de Maio de 2011
É legítimo induzir que Júpiter em 0º de Touro causará úma vitória do PS nas legislativas de 5 de Junho de 2011?

É legítimo induzir resultados político-eleitorais a partir de posições planetárias no céu, na faixa circular de 12 signos chamada Zodíaco?

Digo que é. O vulgar professor ou estudante de filosofia responde, mecanicamente: «A astrologia não é ciência. É uma supertição. Basta ler o que Carl Sagan e Karl Popper dizem sobre a astrologia.» 

 

Contra a estupidez cristalizada nas mentes que deveriam ser filosóficas, mas estão embotadas pelo preconceito, pouco ou nada há a fazer... Querem ser livres ou julgam ser livres e rejeitam, à partida, estudar a hipótese de sermos simples marionetas dos movimentos planetários, hipótese absolutamente racional, que já os filósofos estóicos da Antiguidade encaravam.

 

Em 4 de Junho de 2011, Júpiter transitará de 29º do signo de Carneiro - espaço do céu de 0º a 30º da eclíptica - para 0º do signo de Touro - espaço do céu de 30º a 60º da eclíptica. Assim, em 5 de Junho de 2011, Júpiter estará em 0º do signo de Touro , o que me levaria, por indução, a prognosticar a vitória do PS de Sócrates nas eleições legislativas.

 

 

Esta indução assenta em dois únicos exemplos:

 

1) Em 25 de Abril de 1976, com Júpiter em 6º-7º do signo de Touro, o PS de Mário Soares vence, sem maioria absoluta, as eleições legislativas em Portugal, e o CDS ascende a terceiro partido.

 

2) Em 10 de Outubro de 1999, com Júpiter em 1º do signo de Touro, o PS de António Guterres vence, elegendo 115 de um total de 230 deputados, as eleições legislativas em Portugal.

 

É legítimo fazer esta indução? Creio que sim, apesar de que a amostra é muito escassa e falível. Júpiter só um em cada doze anos atravessa o signo de Touro. Posso falhar ? Sim, atendendo a que há diversos ciclos planetários cujas influências se contrapõem ou se conjugam. No entanto, tenho um paradigma científico - o da Astrologia Histórico-Social, baseada em factos históricos - diferente do paradigma dos astrólogos, comerciais ou não, que constituem 99% dos que se debruçam sobre a influência planetária na vida humana.

 


 

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Segunda-feira, 7 de Março de 2011
Equívocos de Rambaldi sobre o Pirronismo e a Teoria Conjecturalista de Popper

 

Em «Oposição/ Contradição», um artigo muito interessante sobre a dialéctica, Enrico Rambaldi desenvolveu variados equívocos.  Passemos a analisar alguns.

 

O REALISMO DA CONTRADIÇÃO NÃO É EXCLUSIVO DA DIALÉCTICA (INTERNALISTA) 

 

Após descartar o senso comum por rejeitar a racionalidade da existência de contradições e oposições e "não ser significativo", Rambaldi escreve:

 

«Entre os modos de entender a oposição e a contradição que, pelo contrário, são significativos, um é o de evidenciá-las, para negar que seja possível um juízo de verdade, ou para contradizer um discurso e sobre ele construir outro; um segundo é o de analisá-las para delimitar o campo do saber; um terceiro, realista, é o de considerá-las o motor de todo o desenvolvimento.» (Enrico Rambaldi, Oposição/Contradição, Enciclopédia Einaudi, volume 10, pag 45, Casa da Moeda).

 

Esta distinção está confusa: há realismo da contradição - ou seja existência autónoma desta, fora da mente humana - tanto na segunda posição como na terceira, esta última heraclitiana/ hegeliana /marxista. O realismo não pode restringir-se à doutrina que coloca a contradição como motor interno de desenvolvimento de todos os entes e processos. É realista também a doutrina que reconhece a contradição como forma externa às coisas e entre estas mas não situada na essência interna de cada coisa.

 

Quanto ao cepticismo, não se trata de privação absoluta: o cepticismo apenas nos priva da certeza ontológica, mas não da imagem sensorial gnoseológica. Assim, o céptico possui algo, a verdade da aparência em si mesma e a dúvida metódica sobre a meta-aparência, a essência oculta, o ser do fenómeno.

 

O CEPTICISMO PIRRÓNICO É SUBJECTIVISMO RADICAL NEGATIVO? E O CONJECTURALISMO DE POPPER É SUBJECTIVISMO MODERADO CONSTRUTIVO?

 

Rambaldi designa o cepticismo de subjectivismo radical negativo:

 

«Subjectivismo radical negativo»

«(...) Na sua forma mais rigorosa (pirronismo), o cepticismo não deixa qualquer possibilidade de que este ou aquele juízo possa, mesmo fortuitamente, ser verdadeiro, mas demonstra , pelo contrário,  a necessidade da dúvida universal. » (Enrico Rambaldi, Oposição/Contradição, Enciclopédia Einaudi, volume 10, pag 45-46, Casa da Moeda; o negrito é colocado por mim).

 

Esta definição de cepticismo é parcialmente errónea: o cepticismo comporta juízos verdadeiros, para o cepticismo pirrónico o juízo «sinto calor neste dia de verão» é verdadeiro, porque se reporta a sensações, a percepções empíricas. Para os cépticos, a dúvida não é universal no sentido de extensão total, de abrangente de todo o tipo de representação e ideação. A dúvida hiperbólica desenvolvida por Descartes, essa sim, foi total, mas não coincide com o pirronismo. Descartes duvidou das percepções empíricas, do "eu", de tudo, Pirron duvidou só do lado oculto, física ou especulativamente falando.

 

Na verdade, o cepticismo pirrónico não é um subjectivismo radical negativo: Pirrón não negava que vissemos o céu como azul e sentíssemos como salgada a água do mar, simplesmente negava que pudéssemos saber (intelectualmente ou sensório-idealmente)  o que é o sabor salgado e se a côr existe mesmo no céu ou não. É um objectivismo antimetafísico e anti-racionalista: objectivismo no seu duplo sentido, porque a doutrina é perfilhada por muitos e porque capta o objecto exterior tal como é, na sua aparência visível e palpável; anti-racionalismo porque nega à razão o poder de arquitectar certezas por si mesma, para além da evidência sensorial E a teoria de Popper de que «as ciências são conjuntos de conjecturas, inverificáveis como teses» não é, senão, um cepticismo pirrónico.

 

Rodolfo Mondolfo escreveu:

 

«Os primeiros cépticos, PIRRÓN e TIMÓN, colocam três problemas capitais para o sábio: qual é a natureza das coisas; que atitude devemos assumir face a elas; que resultará dessa atitude. À primeira questão respondem (desenvolvendo motivos do relativismo de Heráclito e de Protágoras): só conhecemos o que sentimos; podemos afirmar que o fenómeno tal como nos aparece, por exemplo que o mel nos parece doce, mas que tal seja o seu ser em si. E por isso, a resposta à segunda questão é que devemos reconhecer e seguir os fenómenos, mas suspender o juízo sobre o que está oculto (a coisa em si); desta maneira temos no fenómeno o critério necessário para a conduta prática, sem possuir o inalcançável critério da verdade objectiva.» ( Rodolfo Mondolfo, Breve Historia del pensamento antiguo, Editorial Losada, pág 75, Buenos Aires, 1953; o negrito é posto por mim).

 

E Rambaldi classifica, de forma errónea, a teoria das conjunturas e refutações de Karl Popper de subjectivismo moderado construtivo:

 

«1.2 Subjectivismo moderado construtivo»

«Nem todas as perspectivas que excluem (ou se recusam a examinar a examinar se) os conceitos podem recapitular o mundo exterior implicam, no entanto, um tal pessimismo. Existem, pelo contrário, algumas que desenvolvem um uso heurístico positivo de contradições e oposições. Assim, Popper critica grande parte da epistemologia sua contemporânea porque ela lhes não concedia espaço adequado.» (Enrico Rambaldi, Oposição/Contradição, Enciclopédia Einaudi, volume 10, pag 46, Casa da Moeda; o negrito é colocado por mim).

 

Popper não é, em termos de princípio filosófico, mais construtivo do que Pirron ou Carnéades, autor do probabilismo, um cepticismo diferencial. Sucede que Popper é um céptico pragmático e, como tal, valoriza a acção, os exemplos corroborados, mas nega certeza a qualquer doutrina científica fundada na indução, excepto à matemática e à ontologia realista (o mundo material subsiste fora do meu espírito). Não há, pois, razão para esta distinção entre subjectivismo radical negativo e subjectivismo moderado construtivo, quando se põe Pirron num prato da balança e Popper no outro. Decerto, a obra de Popper é muito mais substancial do que a de Pirron mas a posição filosófica é, talvez salvo uma ou outra diferença, a mesma: cepticismo.

 

Nem o cepticismo pirrónico clássico nem a teoria de Popper são espécies do género subjectivismo. Subjectivismo pertence ao género "número de sujeitos que perfilham uma doutrina" e cepticismo é espécie do género «grau de certeza de uma doutrina».

 

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Sábado, 6 de Junho de 2009
São inválidos os raciocínios sobre classes vazias? (Crítica de Manuais Escolares- XXXVII)

No manual português de Filosofia do 11º ano «A arte de pensar» afirma-se que não se pode usar a lógica silogística para raciocinar sobre classes vazias, isto é, classes sem elementos - ainda que se afirme também o contrário, em certa passagem. Diz o referido manual:

«Todos os A são B.

Logo, Alguns A são B

«Se eliminarmos as classes vazias, não encontraremos argumentos com esta forma que tenham premissas verdadeiras e conclusão falsa. Assim, a maneira de aceitar que esta forma argumentativa é válida é excluir as classes vazias. E era isso que se fazia na lógica silogística tradicional.»

«Mas o que é uma classe vazia?»

«Uma classe vazia é uma classe sem elementos.»

«Por exemplo, as classes das fadas, dos marcianos, dos selenitas ou dos seres humanos de mais de duzentos metros de altura são vazias.»

«Se não excluirmos classes vazias, a lógica silogística irá considerar válidos argumentos que de facto são inválidos. Assim, não poderíamos usar esta lógica para raciocinar sobre classes que não sabemos se são vazias ou não. Por exemplo, não a poderíamos usar para raciocinar sobre anjos, pois não sabemos se há tal coisa.»

«Contudo, hoje em dia não é necessário aceitar a exclusão de classes vazias. Podemos usar a lógica silogística de um modo que nos permite raciocinar validamente sobre classes vazias.»

(Aires Almeida, Célia Teixeira, Desidério Murcho, Paula Mateus, Pedro Galvão, A arte de pensar, Didáctica Editora, pag 62; o bold é nosso)

 

Crítica : Em primeiro lugar, a noção de classe vazia é paradoxal. A classe vazia é uma classe com essência mas sem existência. Ora, a essência, que é forma, existe de uma maneira especial, a priori, e por si mesma, como sustentava Aristóteles. Se pensamos em classe, isso supõe um conjunto de elementos similares, em certa medida, entre si. Portanto, originalmente, não há classes vazias: para ter estrutura, uma classe tem que estar preenchida por elementos, mesmo que estes sejam puras ideias ou percepções imaginárias. Há sim classes que, em certas circunstâncias, se esvaziaram. Nenhuma classe é vazia de per si.

Em segundo lugar, os autores de a «Arte de pensar» confundem o raciocínio dedutivo com o raciocínio indutivo. O problema das classes vazias não se coloca ao nível da dedução pura: aqui o raciocínio opera-se segundo leis necessárias, com entidades ideais, essências, que podem ou não ter tradução na existência material (plano da indução).

O que determina que uma classe seja vazia ou não? A indução, isto é, o conhecimento empírico de tal ou tais casos particulares, com tendência generalizante. E aqui está o nó do erro: transferir para o plano da indução aquilo que deveria decorrer, de forma lógica e necessária, no plano da dedução.

Aliás é curioso que o manual «A arte de pensar» considere vazias as classes das fadas e dos marcianos e duvide de que a classe dos anjos seja vazia. Não são as fadas anjos, numa certa versão mitológica?  Porque há-de ser vazia a classe dos marcianos? É ilógico e impossível que vivam em galerias no interior do planeta vermelho?

 

Considere-se , por exemplo, o silogismo:

As fadas são seres do mundo invisível.

Ariana é uma fada.

Ariana é um ser do mundo invisível.

 

É um silogismo válido, isto é, verdadeiro num plano abstracto  - e não inválido como sustentam os autores de «A arte de pensar».

Portanto, os argumentos dedutivos sobre classes vazias podem ser perfeitamente válidos: operam num plano ideal, distinto da indução. O que importa é a sua coerência interna, isto é, a conexão lógica entre as suas proposições e respectivos termos. Declará-los à partida inválidos é atirar-lhes nuvens de poeira vinda do plano empírico.

 

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