Quarta-feira, 7 de Novembro de 2012
Teste de filosofia do 10º ano de escolaridade (1º período, ano de 2012/2013)

 Eis um teste de filosofia do meio do primeiro período lectivo de 2012-2013 numa escola do ensino secundário, em Portugal, onde o fogo sagrado da grande filosofia, do pensamento dialético, se mantém.  Contra os ventos "analíticos" e "lógico/ ametafísicos" da pequena ou mesmo da anti filosofia que sopram fortes em muitas escolas e em muitos sistemas de ensino por esse mundo fora.

 

Escola Secundária Diogo de Gouveia com 3º Ciclo, Beja

TESTE DE FILOSOFIA, 10º ANO TURMA C

31 de  Outubro de 2012.            Professor: Francisco Queiroz

I

“Filósofos como Tales de Mileto e Hipócrates de Cos compreendiam que a multiplicidade das aparências empíricas no cosmos ocultava uma só essência que se apreende através do conceito. Embora ambas sejam essencialismos, as filosofias de Aristóteles e Platão diferem entre si na questão da transcendência e imanência dos valores e das essências.”

 

1) Explique concretamente este texto.

 

II

2) Relacione, justificando:

 

A) Reminiscência e participação, em Platão.

B) Teoria das quatro causas em Aristóteles e acção humana de construir uma casa.

C) Hierarquia e polaridade dos valores na ética e na estética, por um lado, e lei do uno, por outro.

 

III

3)  Disserte sobre o seguinte tema:

   “ O tó tí e o tó on, a lei da luta de contrários e a lei das causas internas e causas externas na escola ou na minha vida fora da escola.”

 

.

 

CORREÇÃO DO TESTE, DE COTAÇÃO MÁXIMA DE 20 VALORES

 

1) Tales de Mileto postulou ser a água o princípio de tudo, (arquê), a essência primordial, eterna, incriada. Era o caos inicial. Moldada, depois por uma inteligência chamada Deus, a água deu origem ao cosmos, universo hierarquizado: as múltiplas aparências empíricas, isto é, as montanhas, os céus, as nuvens, as rochas os animais, são dotados de uma mesma essência oculta, que é água - solidificada, condensada, em estado puro ou sublimada. Isto apreende-se através do intelecto, do conceito ou ideia formada por abstração de percepções empíricas similares. Hipócrates de Cos, o pai da medicina, teorizou a unicidade de todas as (múltiplas) doenças locais: as doenças de fígado, rins, coração, articulações, etc, são apenas máscaras, manifestações locais de uma mesma doença geral, a intoxicação do sangue e da linfa (formulação dos neo-hipocráticos) que circulam por todo o corpo e depositam as partículas tóxicas (dos alimentos, medicamentos, etc) neste ou naquele orgão ou músculo (ESTA PARTE DA RESPOSTA VALE 4 VALORES). Embora as filosofias de Platão e Aristóteles sejam ambas essencialismos, isto é, doutrinas que dizem que as essências ou formas estáveis dos entes são anteriores a estes, elas diferem entre si: para Platão os valores (qualidades subjectivas ou intersubjectivas, hierarquizáveis e polarizáveis, como Bem, Belo, Justo) e outras essências (Triângulo, Número Dois, etc) são transcendentes à matéria, estão acima desta, num mundo inteligível; para Aristóteles, os valores de Bem, Belo e outras essências (Árvore, Cavalo, Mulher, etc) são imanentes, existem dentro do mundo da matéria e nas pessoas que nele vivem (NOTA: ESTA PARTE DA RESPOSTA VALE 4 VALORES).

 

2) A) Reminiscência é a recordação vaga dos arquétipos de Bem, Belo, Justo, Igual, Número, Círculo, etc, que a alma humana guarda depois de se encerrar num corpo físico, uma vez descida do mundo Inteligível, que é metafísico, espiritual, invisível e impalpável.  Participação é a imitação dos arquétipos ou formas puras operada no mundo do Outro, ou mundo sensível da  matéria: as árvores participam (imitam) no arquétipo de árvore que existe acima do céu visível, etc. A reminiscência é uma forma de participação mental porque, como «fotografia» dos arquétipos liga o homem físico do mundo terreno aos arquétipos do mundo superior ( NOTA: VALE DOIS VALORES).

 

2) B) Aristóteles definiu quatro causas de um ente: formal (exemplo: a forma da casa), material (no mesmo exemplo: tijolos, cimento, ferro, areia), eficiente (exemplo: quem fez a casa , isto é, os pedreiros e o arquitecto) e final (exemplo: para que serve a casa, isto é, para habitação e trabalho abrigado do homem).No caso da acção humana de construir uma casa a resposta, algo complexa, pode ser a seguinte: causa formal - a forma dos braços e da mão humana no movimento de assentar os tijolos, a placa da casa; causa material - os músculos do braço e da mão, a colher  e a talocha, o cimento, na medida em que são a "matéria-prima" da acção; causa eficiente - o homem, porque é o agente da acção; causa final, a casa como lugar para o homem habitar e trabalhar abrigado.  (NOTA: VALE TRÊS VALORES; OUTRAS RESPOSTAS CERTAS DE TEOR ALGO DISTINTO DESTA SÃO POSSÍVEIS). 

 

2) C)  Hierarquia de valores é a ordem, do superior ao inferior, dos valores. Polaridade dos valores é a contrariedade de valores, como polos opostos, em cada tema ou área. Na ética, o Bem (no comportamento humano) é o valor mais alto e o Mal o valor mais baixo (hierarquia) sendo entre si polos antagónicos (polaridade). Na estética, o Belo e o Sublime são os valores mais altos e o Feio e o Horrível os valores mais baixos (hierarquia) existindo antagonismos ente sublime e horrível e entre belo e feio (polaridade). A lei do uno diz que tudo se relaciona no universo e no pensamento, por isso ética e estética formam um uno, o reino dos valores humanos. (NOTA: VALE TRÊS VALORES; OUTRAS RESPOSTAS CERTAS DE TEOR ALGO DISTINTO DESTA SÃO POSSÍVEIS).

 

3) Tó ón significa o ente, algo indeterminado que existe. Tó tí significa o quê é, a característica ou forma de algo, a essência (neste último caso é tó tí en einai, o quê é o se r). O tó on da escola é a sua existência. O tó tí é a arquitectura dos edifícios e os espaços exteriores, a forma das salas, das carteiras, do pátio dos alunos, da cantina, etc. A lei da luta de contrários ensina que em cada coisa ou ente há uma luta de contrários que constitui a essência e o motor de de desenvolvimento dessa coisa ou ente. A escola é, na sua essência, uma luta de contrários: entre o conhecimento (de que professores e alunos são portadores) e a ignorância; entre os tempos de aula e os tempos de recreio, etc. A lei das causas internas e externas postula que há dois tipos de causas de um fenómeno ou ente, as internas, que são determinantes, e as externas, secundárias, sendo, embora, ambas indispensáveis. Exemplos: nas aulas as consciências dos alunos (causas internas) são mais importantes que o discurso explanativo do professsor (causa externa), se o aluno quiser estar desatento invalida a eficácia  da transmissão do conhecimento pelo  professor; um aluno bem alimentado com proteínas, frutas e verduras em boa quantidade purifica o sangue (causa interna) e assim os vírus e toxinas vindos do exterior (causa externa) não podem instalar a doença no corpo, excepção feita às vacinas, caldos muito agressivos que violam a parede da pele e dos vasos sanguíneos ao ser inoculadas artificialmente, o que coloca novas causas internas artificiais e temporárias.  (NOTA: VALE QUATRO VALORES; OUTRAS RESPOSTAS CERTAS, DE TEOR ALGO DISTINTO DESTA, SÃO POSSÍVEIS).

 

 

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Segunda-feira, 5 de Novembro de 2012
Teste de filosofia para o 10º ano de escolaridade (Outubro de 2012)

 

Eis um teste de filosofia que transcende a restrita visão "analítica" de muitos docentes e de autores de manuais escolares, presos a rotinas de exercícios lógicos, sem horizontes de especulação racional, própria da grande filosofia. As leis da dialética, os conceitos de Platão e Aristóteles, entre eles o de tó tí e tó ón,  foram lecionados, a título de exemplos, na rubrica programática «O que é a filosofia.» Criatividade, amplo saber cultural e autonomia exige-se aos professores que querem formar alunos que pensem a sério filosofia.

 

 

Escola Secundária Diogo de Gouveia com 3º Ciclo, Beja,  

TESTE DE FILOSOFIA, 10º ANO TURMA B

 

30 de  Outubro de 2012.            Professor: Francisco Queiroz

 

I

 

“A passagem da percepção empírica ao conceito que lhe corresponde obedece à lei do salto qualitativo. Embora ambas sejam essencialismos, as filosofias de Aristóteles e Platão diferem entre si na questão da transcendência e imanência dos valores e das essências.”

  

1)  Explique concretamente este texto.

 

 

 

II

 

2)      Relacione, justificando:

 

A)     Reminiscência e metafísica, em Platão.

 

B)     Teoria das quatro causas em Aristóteles e acção humana de apanhar azeitona do olival.

 

C)    Uno e múltiplo nas teorias de Hipócrates de Cós e Platão.

 

 

 

III

 

3)      Disserte sobre o seguinte tema:

 

   “ O tó tí e o tó on, a lei da tríade e a lei do devir na escola ou na minha vida fora da escola.”

 

  

 

CORREÇÃO DO TESTE COTADO EM UM TOTAL DE 20 VALORES

 

1) A percepção empírica é um conjunto organizado  de sensações: cores, formas, sabores, cheiros, sensações tácteis, de prazer e dor, etc. A acumulação de percepções empíricas similares - exemplo: uma criança que nunca tinha visto cavalos, vê um cavalo negro árabe, depois um cavalo branco lusitano, depois um cavalo baio -  gera, por abstração das diferenças de pormenor entre essas percepções, o conceito, isto é a ideia de cavalo. Isto obedece à lei do salto qualitativo que postula que a acumulação lenta e gradual de um factor num fenómeno (neste caso: factor percepções sensoriais) culmina numa mudança brusca de qualidade ( o surgimento do conceito ou ideia correspondente). ( NOTA: VALE 3 VALORES). Embora as filosofias de Platão e Aristóteles sejam ambas essencialismos, isto é, doutrinas que dizem que as essências ou formas estáveis dos entes são anteriores a estes, elas diferem entre si: para Platão os valores (qualidades subjectivas ou intersubjectivas, hierarquizáveis e polarizáveis, como Bem, Belo, Justo) e outras essências (Triângulo, Número Dois, etc) são transcendentes à matéria, estão acima desta, num mundo inteligível; para Aristóteles, os valores de Bem, Belo e outras essências (Árvore, Cavalo, Mulher, etc) são imanentes, existem dentro do mundo da matéria e nas pessoas que nele vivem (NOTA: A RESPOSTA VALE 4 VALORES).

 II

 

2) A) Reminiscência é a recordação vaga dos arquétipos de Bem, Belo, Justo, Igual, Número, Círculo, etc, que a alma humana guarda depois de se encerrar num corpo físico, uma vez descida do mundo Inteligível, que é metafísico, espiritual, invisível e impalpável. Assim a reminiscência recorda objectos metafísicos ( NOTA: VALE DOIS VALORES).

 

2) B) Aristóteles definiu quatro causas de um ente: formal (exemplo: a forma da azeitona), material (no mesmo exemplo: a polpa da azeitona e o óleo), eficiente (exemplo: quem fez a azeitona, isto é, a natureza) e final (exemplo: para que serve a azeitona, isto é, para alimentação sólida ou líquida do homem).No caso da acção humana de apanhar azeitona a resposta, algo complexa, pode ser a seguinte: causa formal - a forma dos braços e da mão humana no movimento de varejar a oliveira e colher a azeitona; causa material - os músculos do braço e da mão, a vara, na medida em que são a "matéria-prima" da acção; causa eficiente - o homem, porque é o agente da acção; causa final, o consumo da azeitona como fruto a mastigar ou transformada em azeite.  (NOTA: VALE TRÊS VALORES; OUTRAS RESPOSTAS CERTAS DE TEOR ALGO DISTINTO DESTA SÃO POSSÍVEIS).

 

2) C) O Uno e o Múltiplo opõem-se e coexistem no mesmo fenómeno ou entidade.Na teoria de Hipócrates de Cos, sustenta-se a ideia da unicidade das doenças e dos métodos de cura: as múltiplas doenças locais (de fígado, rins, coluna, reumatismo articular, etc) são manifestações de uma só ( Uno) doença geral do organismo, a intoxicação do sangue e da linfa (na formulação dos neo-hipocráticos); a cura das múltiplas doenças é una, uma só (exemplo: fazendo uma dieta exclusiva de maçãs, o sangue purifica-se ao nível do fígado e intestino e vai limpar os diversos orgãos do corpo, fazendo desaparecer os sais tóxicos dos rins, fígado, coração, articulações, etc). Na teoria de Platão, o universo, uno, divide-se em três níveis (múltiplo): o mundo inteligível, acima do céu visível; o mundo do semelhante, que é o próprio céu visivel com os astros que geram o tempo;  o mundo sensível da matéria, terrestre, abaixo do céu. (NOTA: QUATRO VALORES; OUTRAS RESPOSTAS CERTAS DE TEOR ALGO DISTINTO DESTA SÃO POSSÍVEIS).

 

III

 

3) Tó ón significa o ente, algo indeterminado que existe. Tó tí significa o quê é, a característica ou forma de algo, a essência (neste último caso é tó tí en einai, o quê é o se r). O tó on da escola é a sua existência. O tó tí é a arquitectura dos edifícios e os espaços exteriores, a forma das salas, das carteiras, do pátio dos alunos, da cantina, etc. A lei da tríade diz que um processo dialético se compõe de tese (afirmação), antítese (negação) e síntese (negação da negação). Se considerarmos a aula na sala como tese (espaço em que os alunos estão intelectualmente estimulados e condicionados por um professor) e os intervalos como antítese ( tempo em que os alunos estão livres dos professores) podemos considerar a permanência dos alunos na biblioteca em regime livre como síntese, isto é, meio termo entre o estudo exigido na aula e a liberdade do recreio. A lei do devir significa que tudo está em constante mudança e nada permanece na mesma. Exemplo: o meu corpo muda a cada dia, imperceptivelmente, cresço, emagreço ou engordo; o meu nível de conhecimentos muda a cada dia, já aprendi, desde Setembro, o que são arquétipos, reminiscências, nous, tumus e concupiscência na teoria de Platão, já mudei de opinião sobre a teoria da vacinação que eu julgava científica e agora suspeito ser a apologia de uma infecção do sangue que trava doenças agudas libertadoras para as transformar em crónicas, etc (NOTA: VALE QUATRO VALORES; OUTRAS RESPOSTAS CERTAS DE TEOR ALGO DISTINTO DESTA SÃO POSSÍVEIS).

  

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