Domingo, 13 de Maio de 2018
Esther Vilar: As mulheres, sexo forte, dominam os homens, sexo fraco

Esther Vilar (16 de Setembro de 1935, Buenos Aires), escritora e psicóloga, feminina mas não feminista radical, sustentou em 1971, no seu livro O homem subjugado que o poder das mulheres é superior ao dos homens na sociedade aparentemente patriarcal dos anos 70 do século XX - e por maioria de razão hoje no século XXI. Escreveu:

 

«"A primeira opressão social é a da mulher pelo homem", disse Friederich Engels numa frase célebre. Engels confundiu poder e violência. Como depois dele fizeram muitos homens de esquerda, cometeu na sua crítica o erro de transpor para a luta dos sexos as estruturas de domínio que se apoiam sobre a violência física. Pelo facto de o homem ser muscularmente mais forte e consequentemente ganhar dinheiro, Engels imaginou que o homem exercia o poder e a mulher o sofria. Certamente que é possível submeter uma classe social pela violência física, mas não é assim que se decide o poder quando se trata do domínio de um sexo por outro.»

«Nesta luta, o menos forte fisicamente não é o oprimido potencial, é o mais forte que o é. O homem que deseja uma mulher jamais será o seu déspota. O déspota será a mulher, pois que é ela a desejada. Se a maior parte das mulheres, por causa da sua inferioridade física e espiritual mais desejo ainda inspiram ao homem, "a primeira opressão social" não pode ser a da mulher pelo homem, mas a do homem pela mulher. De resto, em geral, quando tudo segue para a mulher, as coisas vão bem pior ainda para o marido.»

 

«O poder da mulher é a infraestrutura de todos os edifícios sociais, de todas as relações de forças. Um sistema social onde o domínio não se apoie sobre a satisfação dos nossos instintos primordiais, nunca poderá ser mais que uma superestrutura, e os seus chefes não poderão exercer mais que um domínio limitado ao qual os parceiros sexuais e objectos biológicos não dão qualquer valor. (...) Sem o assentimento da mulher, o fascismo, o imperialismo ou a inquisição nunca teriam sido possíveis. Se não dependessem das mulheres, nunca os homens se tornariam instrumentos de tais sistemas. Para sofrer a violência de um destes sistemas secundários e ver-se obrigado a aceitar o terror, a hipocrisia e a traição, a condição prévia está em um ser humano estar ligado a outro pelos seus instintos mais primordiais. O poder da mulher faz o jogo da violência universal».

 

«Padres da Igreja, políticos e ditadores, todos conhecem esta lei não escrita. O acto político mais importante de um déspota é sempre o de lisonjear a mulher, bajulá-la. Todos os ditadores o sabem: se por eles tiverem a mulher, o homem automaticamente enfileirará do seu lado. Assim, enquanto a Igreja recomendar a mulher como objecto a proteger, o homem aceitará que os seus filhos sejam educados nesta fé por criaturas invisíveis, necessárias à perpetuação do culto. Enquanto os políticos prometerem à mulher facilidades de ordem social, poderão com inteira tranquilidade de consciência nada alterar no serviço militar nem nas reformas dos homens. Enquanto os ditadores renunciarem a exércitos de mulheres, não terão qualquer dificuldade em enviar para guerra os homens jovens.»

(Esther Vilar, Sexo Polígamo, Editorial Futura, Carlos & Reis Lda, Lisboa, 1978, pp. 49-51; o destaque a negrito é posto por nós).

 

A actual sociedade democrática é matriarcal e configura uma ditadura ginocrática mundial. A rainha de Inglaterra, uma mulher, que David Icke afirma tomar a forma de um lagarto em cerimónias satânicas no castelo de Balmoral, é a cabeça coroada do império britânico. Angela Merkel e Teresa May são as primeiras ministras da Alemanha e do Reino Unido nestes anos de 2017 e 2018, em que, na Suécia e nos EUA, irrompeu um movimento de denúncias públicas femininas sobre "acosso sexual" feito por homens célebres que gerou expulsões de cargos em instituições de actores e directores de cinema, políticos, juízes, jornalistas influentes, homens da cultura. Julian Assange, fundador da Wikileaks, está refugiado na embaixada do Equador em Londres, acusado de «violar» uma mulher que aceitou ir com ele para a cama na Suécia. Há anos, Dominique Strauss Khan, socialista, director do FMI, foi destituído porque uma empregada de hotel nos EUA se queixou de "acosso sexual". Há escolas onde alunas com más notas acusam maldosamente professores de "assédio sexual" para se vingarem deles. As mulheres são as grandes manipuladoras dos homens, são elas o sexo forte que domina os homens, o sexo fraco.

 

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Sábado, 19 de Março de 2016
Teste de Filosofia do 10º ano, turma A (Março de 2016)

 

Eis um teste de filosofia fora do estereótipo dos testes que os autores dos manuais escolares da Porto Editora, Leya, Santillana, Areal Editores, etc, divulgam. E sem questões de escolha múltipla que, frequentemente, são incorrectamente concebidas por quem não domína o método dialético e desliza para a horizontalidade da filosofia analítica vulgar.

 

 

Agrupamento de Escolas nº1 de Beja

Escola Secundária Diogo de Gouveia, Beja

TESTE DE FILOSOFIA, 10º ANO TURMA A

3 de Março de 2016. Professor: Francisco Queiroz.

 I

  “A lei do salto de qualidade está presente na passagem da percepção empírica ao respectivo conceito empírico. O mítico Adão Kadmon possui na essência a luta entre Yang e Yin. O totaliratismo, de direita ou de esquerda, parece coadunar-se com a moral utilitarista de Stuart Mill, num certo aspeto, e com o imperativo categórico de Kant, sob outro aspeto.”

 

1) Explique, concretamente este texto.

 

2)Escolha e caracterize (qualidade, número, cor, planeta) cada uma de cinco esferas da árvore dos Sefirós e distribua-as segundo a lei da contradição principal, enunciando esta.

 

3) Construa um diálogo sobre a propriedade e a gestão das empresas e sobre a democracia parlamentar entre um anarquista, um comunista leninista, um socialista democrático, um liberal, um conservador e um fascista.

 

4) Relacione, justificando:

A) Temura, Gematria e Metafísica.

B) Realismo natural realismo crítico e idealismo.

C)  Pragmatismo e cepticismo.

 

CORREÇÃO DO TESTE COTADO PARA 20 VALORES

 

1) A lei do salto qualitativo postula que a acumulação lenta e gradual em quantidade de um dado aspecto de um fenómeno leva a um salto brusco ou nítido de qualidade nesse fenómeno. Acumulando percepções empíricas similares (ver um cavalo baio, ver um cavalo branco, ver um cavalo negro) chega-se a um salto qualitativo que é a formação da ideia ou conceito empírico de cavalo no intelecto  (VALE DOIS VALORES). O Adão Kadmon, mítico antepassado da humanidade, era andrógino, a sua metade direita era masculina e a metade esquerda feminina, por isso a sua essência é uma  luta entre Yang (fogo, luz, expansão, masculino, alto, crescimento) e Yin (água, escuridão, contração, feminino, baixo, diminuição)  (VALE DOIS VALORES). O totalitarismo, de direita (caso da ditaduras de Hitler e Mussolini) ou de esquerda (ditadura de Estaline ou de Kim Il Sung na Coreia do Norte) é todo o regime que suprime a autogestão e a democracia parlamentar, regime de liberdade de imprensa, greve, religião, associação política e sindical e impõe uma ditadura brutal de partido único, e não se coaduna com a filosofia da Stuart Mill porque este defendia que se deve agir visando proporcionar a felicidade à maioria das pessoas e a democracia é um regime de maiorias, em princípio, ao passo que o totalitarismo favorece a felicidade da elite ditatorial, uma minoria opressora da maioria. Também não se coaduna com o imperativo categórico de Kant porque este diz «Age de modo a considerares cada pessoa como um fim em si e não um meio» e o totalitarismo não respeita a individualidade de cada  um, não deixa falar e votar livremente(VALE TRÊS VALORES).

 

2) A lei da contradição principal diz que um sistema de múltiplas contradições pode ser reduzido a uma só, organizando-as em dois blocos, podendo haver uma ou outra contradição na zona neutra. Ora ao contemplarmos a árvore das 10 sefirós da Cabala podemos agrupar duas esferas do pilar direito - Chesed (Misericórdia, Júpiter, cor azul e número 4) e Netzac ( Vitória-Emoção, Vénus, cor verde e número 7) num bloco oposto a duas esferas do pilar esquerdo- Gueburah (Justiça, Marte, cor vermelha, número 5) e Hod (Intelecto, Mercúrio, cor laranja e número 8), ficando Thiphetet (Sol) na zona neutra, fora de ambos os blocos. (VALE TRÊS VALORES).

 

3) Anarquista: «A propriedade das fábricas e de todas as empresas deve ser dos trabalhadores. Instituímos a autogestão, isto é, a assembleia geral de todos os operários, engenheiros e contabilistas toma decisões sobre salários, investimentos, vendas, etc. O patrão desaparece e desaparece o Estado de democracia parlamentar que não é mais que ditadura disfarçada dos capitalistas.»

Comunista: «A propriedade de todas ou quase todas as fábricas deve ser do Estado, dirigido por um partido marxista-leninista, que impedirá os patrões de extorquirem a mais valia à classe operária. A democracia burguesa que actualmente apoiamos, concorrendo às eleições e usando as liberdades, deve ser substituída pela ditadura do proletariado onde não há eleições livres nem imprensa livre como no capitalismo liberal».

 

Socialista democrático/ social-democrata: «A propriedade da grande maioria das empresas deve ser privada, isto é, estar na mão dos patrões que, em certos casos, devem aceitar a cogestão. Mas há empresas de sectores fundamentais - siderurgia, electricidade, televisão, etc - que devem estar na mão do Estado democrático. Este deve impor impostos progressivos aos capitalistas de modo a ter serviço nacional de saúde e escolaridade pública gratuita até ao final do curso universitário. Defendo a democracia parlamentar».

 

Liberal: «A propriedade das empresas deve ser privada pois os empresários são os criadores de emprego os motores primeiros da economia. Os subsídios de desemprego e o rendimento social de inserção deviam acabar ou ser reduzidos para estimular o mercado de trabalho. Defendo as privatizações, democracia parlamentar, a liberdade de imprensa, o capitalismo puro e duro.»

 

Conservador: «A propriedade das empresas deve ser privada pois os empresários são os criadores de emprego os motores primeiros da economia. Os subsídios de desemprego e o rendimento social de inserção deviam acabar ou ser reduzidos para estimular o mercado de trabalho. Defendo as privatizações, a democracia parlamentar, a liberdade de imprensa. Mas a democracia não deve permitir o aborto livre, o casamento de gays e lésbicas, a eutanásia: deve ser guiada por bons princípios religiosos, cristãos.»

 

Fascista: «As empresas devem ser de patrões nacionais e do Estado fascista e corporativo que, através da polícia política e da censura à imprensa impedirá a luta de classes, o sindicalismo livre, a imoralidade sexual. Não deve haver democracia parlamentar mas ditadura nacionalista que expulse a generalidade dos imigrantes e tenha por princípios «Deus, pátria, família» como princípios fundamentais». (VALE QUATRO VALORES).

 

4-A) A temura é a disciplina ou método da Kaballah (ensinamento secreto de itelectuais judeus) que estabelece correspondências de ideias entre palavras diferentes alterando a posição das letras e por vezes substituindo uma ou outra dessas letras ou abolindo-a. Exemplo: ROMA equivale a AMOR; BEJA equivale a IAVE porque se transforma em JABE e depois em IABE. A gematria é a disciplina da Kaballah que estabelece a correspondência entre cada letra e um número (exemplo: A=1, B=2, C=3, D=4, E=5, F=6, G=7, H=8, I,J,Y=9, K=10, L=20, M=30, N, ~ =40) de modo a obter o número que traduz a essência de cada palavra. BEJA (B=2, E=5, J=9 e A=1) vale 2+5+9+1=17, isto é DEZASSETE. Ambas estas disciplinas, temura e gematria, são metafísicas na medida em que ultrapassam a ciência experimental e trabalham com teses especulativas, de uma racionalidade holística discutível, a raiar a mística.(VALE UM VALOR)

             

2-B)- O realismo natural é a teoria segundo a qual a matéria é real e exterior às nossas mentes e estas espelham-na como ela é (exemplo: a erva é verde, o céu é azul). Realismo crítico é a teoria segundo a qual a matéria é real e exterior às nossas mentes mas estas não espelham como ela é. O realismo crítico de Descartes é a teoria qiue sustenta que há um mundo real de matéria exterior às mentes humanas composto de uma matéria indeterminada, sem peso nem dureza/moleza, apenas formado de figuras geométricas, movimento, números (qualidades primárias, objetivas), sendo subjectivas, isto é exclusivamente mentais, as cores, os cheiros, os sabores, as sensações do tacto, o calor e frio (qualidades secundárias, subjectivas).  O idealismo é a corrente que afirma que o universo material não é real em si mesmo mas está dentro da nossa mente, como imagens e ideias.  (VALE TRÊS VALORES)

 

2.C) Pragmatismo é a teoria que diz que devemos lidar, de forma útil, com os factos empíricos palpáveis e devemos pôr de parte a metafísica, os grandes princípios morais ou políticos inaplicáveis de momento. O cepticismo é a corrente que põe tudo ou uma parte das coisas em dúvida e é usado pelo pragmatismo. (VALE DOIS VALORES)

 

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Terça-feira, 24 de Março de 2015
Teste de filosofia do 10º C (Março de 2015)

 

 

 

 

Eis um teste de filosofia do 10º ano de  escolaridade em Portugal, evitando as perguntas de escolha múltipla em que o aluno coloca um X na hipótese que supõe estar certa e fica dispensado de explanar as suas ideias num corpo discursivo coerente.

 

Agrupamento de Escolas nº1 de Beja
Escola Secundária Diogo de Gouveia, Beja
TESTE DE FILOSOFIA, 10º ANO TURMA C
11 de Março de 2015. Professor: Francisco Queiroz

 

I

“A autogestão nas empresas, a cogestão e a nacionalização de empresas são valores ético-políticos e económicos aceites ou rejeitados como valores supremos por uma ou outra de três correntes como o comunismo leninista, o anarquismo e o socialismo reformista, sendo uma destas correntes classificada, por alguns, de totalitária. A figura andrógina do Adão Kadmon, da filosofia hermética, obedece de certo modo à lei da tríade e ao dualismo Yang-Yin»

I

1) Explique, concretamente este texto. 

 

2) Relacione, justificando:

A) As quatro fases do processo alquímico e respectivas aves- símbolos, por um lado, e quatro correntes ético-políticas (três de direita e uma do centro).

B) O imperativo categórico em Kant, por um lado, multiculturalismo e valores ético-políticos fascistas, por outro lado.

C) Gematria, princípio holístico macrocosmos-microcosmos e lei dialética do uno.. 

 

 

CORRECÇÃO DO TESTE ESCRITO (COTADO PARA 20 VALORES)

1)«A autogestão nas empresas é o regime em que as fábricas, as explorações agrícolas, os hipermercados, as empresas de transportes são propriedade dos trabalhadores e não do Estado nem de patrões ou sociedades privadas: semanal ou mensalmente reune a assembleia de todos os operátrios, engenheiros e técnicos de contas da empresa e decide democraticamente os investimentos a fazer, a escala de salários, a repartição dos lucros, os horários de trabalho, etc. A autogestão é um valor central da doutrina anarquista que é contra o capitalismo privado e contra o capitalismo de estado marxista~leninista, anarquismo que defende a extinção do Estado, do exército profissional e das polícias e que promove a luta de rua (acção directa) e a greve geral revolucionária contra a democracia parlamentar ou burguesa. A cogestão nas empresas é o regime em que estas são propriedade privada de patrões mas estes incluem um representante da comissão de trabalhadores ou do sindicato na gestão da empresa concertando com estes os ritmos de trabalho, a escala de salários, etc. A cogestão é um valor central da doutrina da social-democracia ou socialismo reformista, isto é do capitalismo de centro-esquerda, corrente que defende a democracia parlamentar, os impostos progressivos sobre os ricos, o rendimento mínimo garantido e o subsídio de desemprego para todos os necessitados, o ensino secundário e universitário público gratuitos, o serviço nacional de saúde. O socialismo tem forte componente maçónica e defende uma economia de mercado, uma economia capitalista. A nacionalização é um valor central da doutrina comunista marxista-leninista que defende uma revolução política e social em que as fábricas e terras são nacionalizadas, isto é, passam das mãos de capitalistas privadas para o Estado gerido pelo partido comunista em nome do povo (ditadura do proletariado, sem eleições livres porque estas trariam o capitalismo de volta). Em democracia parlamentar, os comunistas concorrem às eleições, apesar de considerarem que os partidos vencedores - socialistas, liberais ou conservadores - ganham por serem subsidiados pela alta finança e grandes industriais, já que no parlamento apresentarão propostas de lei contra o fascismo clássico e a favor da classe operária. O mundo ocidental designa de totalitária a corrente marxista-leninista porque nos países em que se erigiu em poder de Estado acabou com a democracia liberal, impôs a censura à imprensa, proibiu a greve operária e tudo controla através de um partido único que se confunde com o Estado (VALE SEIS VALORES). O Adão Kadmon era, segundo relatos alquímicos, da filosofia hermética, - isto é, esotérica, inacessível às massas -  o Adão primitivo, dotado de um corpo astral, que atravessava as pedras e a matéria, andrógino, hermafrodita - metade mulher (Sofia), metade homem (Adão), com duas cabeças em algumas representações, correspondente ao arcano XXI do Tarot - que viveria no Paraíso Terrestre, no limite entre o Pleroma (Mundo da Luz divina) e o Kenoma (Mundo do Vazio, das trevas exteriores). A lei da tríade diz que um processo dialético se divide em três fases: a tese ou afirmação, a antítese ou negação e a síntese ou negação da negação. Aplicando esta lei a Adão: a tese é a metade masculina do Adão, a antítese a sua metade feminina (Sofia)e a síntese o Adão-Sofia na sua totalidade. O dualismo Yang-Yin do taoísmo- Yang é o masculino, a luz, o calor, o dia, o movimento, a dilatação; Yin é o feminino, a sombra, o frio, o  repouso, a contração - é patente no facto de a parte masculina de Adão ser yang e a parte feminina, Sofia, ser Yin (VALE TRÊS VALORES).

 

2) A)  As quatro fases da Grande Obra alquímica são: nigredo, albedo, citredo e rubedo. As três correntes de direita política, são liberais, conservadores e fascistas/monárquicos absolutistas. Há várias maneiras de relacionar as fases alquímicas e as correntes políticas  e mostrarei apenas uma dessas maneiras. Os fascistas - que faço corresponder à fase do nigredo ou da putrefação, sendo a ave símbolo o corvo - querem um Estado nacional, uma ditadura de partido único, defensor de um capitalismo controlado, sem direito às greves, à imprensa livre e ao lock-out, um Estado defensor dos valores tradicionais (masculinidade do homem, feminilidade e espírito de dona de casa na mulher; perseguição e punição de gays e lésbicas; respeito às igrejas católica, protestante ou islâmica e proibição do divórcio nos casamentos religiosos), profundamente anticomunista, antimaçónico e antiberal, xenófobo, isto é, expulsando imigrantes estrangeiros.

Menos à direita estão os conservadores - que faço corresponder à fase do albedo, da cor branca, com o cisne como ave-símbolo - em que há a separação das substâncias impuras; por exemplo, os conservadores como Churchill afastam-se dos fascistas como Hitler - defendem uma democracia parlamentar (regime de eleições livres de parlamentos, com muitos partidos a concorrer), liberdade sindical, de imprensa e de greve mas opõem-se a impostos progressivos sobre os ricos, ao casamento de gays e lésbicas, à legalização das drogas leves. Os conservadores defendem os valores tradicionais da família, do respeito a Deus e são contra o aborto livre.

 

À esquerda dos conservadores, mas ainda no campo da direita, estão os liberais, - que faço  corresponder à fase do citredo, da cor amarela, e da policromia, cuja ave símbolo é o pavão - que defendem o capitalismo privado puro, poucos ou nenhuns impostos sobre os capitalistas, o fim do serviço nacional de saúde e do ensino universitário gratuitos, a privatização de quase todas as empresas públicas (correios, comboios, aviação, minas, siderurgia, etc), o quase desaparecimento do subsídio de desemprego e do rendimento mínimo garantido, a liberdade de os patrões despedirem os empregados sem os indemnizar. Os liberais, também com grande influência da maçonaria no seu seio, defendem a globalização da economia e a sinarquia, o governo mundial único numa base pluralista.

 

Ao centro, figuram os centristas, também defensores da democracia parlamentar ou burguesa - que faço corresponder à fase do rubedo  ou fase vermelha, cujo ave símbolo é o pelicano, fase em que se acaba de produzir o lapis ou pedra filosofal capaz de dar ao homem um corpo adâmico, imaterial- com mais preocupações sociais, que se opõem ao capitalismo selvagem de liberais e conservadores e também ao comunismo, ao anarquismo e ao socialismo reformista embora sejam vizinhos deste último. Ao contrário dos liberais e conservadores, os centristas já defendem o Estado social, um Estado capitalista que confere protecção básica aos mais pobres, dando-lhes saúde gratuita nos hospistais, refeições gratuitas e outros apoios. John Rawls foi, nos EUA, o teórico desta corrente. Advogava que as leis deviam ser debatidas e votadas por grandes comunidades segundo uma democracia de base a coberto de um véu de ignorância, na posição original. (VALE CINCO VALORES).

 

2) B) O imperativo categórico de Kant é uma lei moral autónoma, formal, abstracta, variável de pessoa a pessoa, formulada no eu numénico ou racional, mas com equidade universal, sem interesses egoístas: «Age de modo que a tua acção seja como uma lei universal da natureza», isto é, faz o bem sem olhar a quem e nem mesmo a ti mesmo ou pune a todos, por espírito justo, sem olhar a quem. O multiculturalismo é a posição que diz que num país todas as comunidades - os nacionais de origem, os emigrantes africanos, latino-americanos, do leste, etc - devem estar em pé de igualdade ante o Estado e a lei: nas escolas devem ensinar-se as diversas línguas e culturas, qualquer imigrante se pode candidatar a presidente da república, deputado nacional ou autarca local, as diferentes religiões e o ateísmo devem ter direitos iguais, etc. Os valores ético-políticos do fascismo , ideologia de extrema-direita anticomunista que diz que o Estado nacional é tudo e o indivíduo é nada e deve haver uma ditadura de partido único sem eleições livres nem imprensa livre e perseguição a gays e lésbicas assumidos- são contra o multiculturalismo porque defende a expulsão de imigrantes e a subalternização das culturas minoritárias.(VALE TRÊS VALORES).

 

2)C) A gematria é a vertente da Cabala judaica que faz corresponder a cada letra do alfabeto um número (A=1, B=2, C=3, D=4, E=5, F=6, G=7, H=8, I, J, Y=9, K=10, L=20, M=30, N=40, etc.) e isso exprime a lei dialética do uno que diz que no universo tudo se relaciona e nada está isolado: as letras correspondem a números, os planetas a partes do corpo humano, etc. Também a gematria exprime o princípio holístico macrocosmo-microcosmo que diz que o grande universo se espelha no pequeno universo, em qualquer pequena coisa do mundo inferior: assim cada número existente no mundo dos arquétipos ou no universo inteiro se liga ou reflecte em cada letra dos livros, jornais e papéis quotidianamene escritos ou lidos por seres humanos (VALE TRÊS VALORES).

 

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Quinta-feira, 6 de Fevereiro de 2014
Teste de filosofia do 10ºB, Fevereiro de 2014

 

Eis um teste de filosofia, o primeiro do segundo período lectivo. A temática da filosofia hermética e do simbolismo das catedrais/ geometria sagrada  justifica-se porque serve de base à visita de estudo a monumentos de Sevilha e enquadra-se nos pontos do programa do 10º ano de filosofia em Portugal «O que é a filosofia»,  «Valores Estéticos/ Artísticos» e «Valores Religiosos».

 

Agrupamento de Escolas nº1 de Beja
Escola Secundária Diogo de Gouveia com 3º Ciclo, Beja
TESTE DE FILOSOFIA, 10º ANO TURMA B
6 de Fevereiro de 2014.            Professor: Francisco Queiroz

 

"A filosofia hermética é holística e baseava-se no princípio das correspondências macrocosmos-microcosmos, de que a catedral medieval é um exemplo de aplicação prática. A essência, segundo Platão, não está no mesmo nível que a essência segundo Aristóteles. A lei do devir encaixa-se na lei do salto de qualidade.”

 

1) Explique, concretamente, cada uma destas frases.

 

2) Construa um diálogo de valores ético-políticos ( mínimo: 12 linhas) entre um anarquista, um comunista leninista, um socialista democrático, um liberal, um fascista, de modo a que no diálogo explicite as definições dos conceitos de «nacionalização de empresas», «privatização de empresas», «autogestão», «cogestão»,  «estado de direito democrático», «ditadura do proletariado», «totalitarismo».

 

 

3) Relacione, justificando:

 

A) Imperativo categórico em Kant e princípio da ética de Stuart Mill.
B)  Contratualismo de Hobbes  e de John Locke.
C) Etnocentrismo absolutista, multiculturalismo, subjectivismo.   

 

 

CORRECÇÃO DO TESTE DE FILOSOFIA (COTADO PARA 20 VALORES)

 

1) A filosofia hermética, nascida na Antiguidade e atribuída ao mítico Hermes Trimegistus, é holística porque considera as coisas integradas numa totalidade (holo) cósmica em que tudo se relaciona. Baseia-se na fórmula «o que está em baixo é como o que está em cima, o microcosmo é um espelho do macrocosmo». Exemplo: a catedral medieval é um microcosmo, na medida em que a sua planta reproduz em pedra, o corpo cósmico de Cristo, gigantesco (macrocosmo) que atravessa o universo. A abside equivale à cabeça de Cristo, o transpeto aos braços,  o altar ao coração, as naves ao tronco e pernas. (VALE TRÊS VALORES). A essência, em Platão, é o arquétipo (de Belo, Bem, Homem, Árvore, etc) e encontra-se no mundo supraceleste, inteligível, mas em Aristóteles as essências, formas eternas,estão nos próprios objectos materiais («O Belo só está na rosa e nas coisas belas», «a essência rosa não está fora de cada rosa existente no real físico») e não há mundo inteligível separado. (VALE DOIS VALORES) A lei do devir defende que tudo está em mudança, a cada instante, e está incluída na lei do salto qualitativo porque esta diz que a acumulação lenta e gradual, em quantidade, (devir) de um aspecto num fenómeno leva a uma mudança qualitativa nesse fenómeno (VALE DOIS VALORES).

 

 

2) Anarquista: «Sou contra o capitalismo e todas as formas de Estado. Defendo a autogestão, isto é, as fábricas, hipermercados, empresas agrícolas, de transportes, pescas, deixam de ter patrões e passam a ser geridas por assembleias de trabalhadores (operários, economistas, engenheiros), nivelando-se os salários.»

Comunista: «Sou contra o capitalismo mas, ao contrário dos anarquistas, defendo a nacionalização, isto é, a passagem para as mãos do Estado das grandes e médias empresas ou mesmo de todas. Defendo a ditadura do proletariado: desaparecem as eleições livres porque os partidos da direita ou centro-esquerda as ganham graças ao financiamento dos ricos, só o partido marxista concorre e domina o Estado.»

Socialista democrático: «Não sou contra o capitalismo, porque permitre criar riqueza em grande quantidade, sou contra o capitalismo selvagem que não protege os operários. Defendo a cogestão, isto é, a empresa é propriedade dos patrões mas o conselho de administração inclui um representante dos trabalhadores ou do sindicato. Defendo as eleições livres, base do estado de direito democrático.»

Liberal: «Sou a favor do capitalismo, da privatização das empresas, isto é, de estas passarem a pertencer a patrões (privados), sou apoiante da livre concorrência entre as empresas, da liberdade de o patrão despedir operários. Sou contra o comunismo que é um totalitarismo de esquerda, isto é, um estado de partido único com censura à imprensa,  e contra o fascismo que é um totalitarismo de direita. Defendo o Estado de direito democrático ou democracia pluralista.»

Fascista: «Sou a favor do capitalismo nacional sob uma ditadura de extrema-direita tradicional na qual o povo inteiro obedece ao chefe de Estado e ao partido único, não há liberdade de greve e manifestação de rua, os imigrantes são expulsos do país, a censura é estabelecida na televisão, na imprensa e no ensino, gays e lésbicas são perseguidos e neutralizados. Sou contra o Estado de direito democrático, criação da maçonaria liberal e socialista.» (VALE SEIS VALORES).

 

Nota: Este diálogo pode ser estruturado de outras maneiras.

 

3) A) O imperativo categórico é a verdadeira lei moral em Kant: age como se quisesses que a tua acção fosse uma lei universal da natureza. Por outras palavras: ou comem (ou pagam) todos por igual ou não há moralidade. O princípio da maior felicidade, base da ética de Start Mill, defende que se deve preferir a felicidade da maioria dos envolvidos numa situação à felicidade da minoria  e que os prazeres superiores (filosofia, literatura, ciência, amizade, solidariedade, etc) são preferíveis aos prazeres inferiores (comer, beber, possuir oiro ou dinheiro, etc). Kant e Mill opõem-se, em certa medida. Se um barco com 150 passageiros naufraga e só se podem salvar 30 vidas em salva-vidas, o imperativo de Kant é, aparentemente, impraticável mas não o utilitarismo de Stuart Mill:  salvam-se as mulheres e as crianças (estas são potencialmente, as portadoras de maior felicidade porque têm um largo futuro diante de si) e ficam para morrer os homens e o capitão (VALE DOIS VALORES).

 

3)B) O contratualismo é a filosofia que justifica o Estado como resultado de um contrato social. No caso do filósofo inglês Hobbes, este defendeu um contratualismo base da monarquia absoluta ou ditadura do rei: os cidadãos entregam os seus direitos e liberdades nas mãos de um monarca absoluto que lhes garante a propriedade privada dos seus bens e o direito à vida reprimindo as revoluções, o banditismo, o roubo, etc. No caso do filósofo inglês do século XVIII John Locke, este sustentou que o Estado brota de um contrato social entre os proprietários livres para superar o "estado de natureza" (país sem lei) e reveste a forma de Estado liberal, baseado na livre eleição de um parlamento multipartidário de onde sai o governo e baseado na liberdade de imprensa e na separação tripartida de poderes. (VALE DOIS VALORES).

 

3) C) O etnocentismo absolutista é a corrente e a atitude que sustenta que uma dada etnia, nação ou raça é, genetica e culturalmente, superior a outros povos e raças e por isso tem o direito de humilhar, escravizar ou eliminar estas. Exemplo: os colonizadores portugueses e espanhóis nos séculos XV e XVII , escravizando os negros de África ou os índios da América do Sul e Central, impondo-lhes a religião católica, o vestuário europeu, etc. O multiculturalismo é a corrente e a atitude que sustenta que todas as etnias, raças ou povos são iguais, devem conviver na mesma sociedade sem que nenhuma se superiorize a outra. Exemplo: a democracia portuguesa não deve ser de influência cristã nem dar a hegemonia à raça branca mas acolher o laicismo e todas as pessoas imigrantes (brasileiros, cabo-verdianos, ingleses, indianos, etc) dando direitos iguais a todos. É subjectivo ser etnocentrista absolutista ou multiculturalista, isto é, o acto de optar varia de pessoa a pessoa. Subjectivismo é a corrente que sustenta que a verdade, os valores, são íntimos a cada um, variam de pessoa a pessoa. (VALE TRÊS VALORES).

 

 

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Quarta-feira, 14 de Março de 2012
Dois testes de filosofia do 10º ano de escolaridade em Portugal (final do 2º período)

 

Eis dois testes de filosofia do 10º ano de escolaridade em Portugal, nos moldes que preconizo para desenvolver a capacidade filosófica dos alunos, fazer deles seres cultos e raciocinantes. Não tem perguntas de resposta quádrupla em cruz que, normalmente, abundam nos testes dos professores de filosofia de nível mediano ou medíocre que se recusam a pensar ou são incapazes de pôr os seus alunos a pensar em profundidade. Respostas de cruz a perguntas de escolha múltipla em testes de filosofia é sinal de anti-filosofia ou pseudofilosofia, unidimensionalidade do pensamento, em regra.

 

 Escola Secundária com 3º ciclo Diogo de Gouveia, Beja

 

TESTE DE FILOSOFIA, 10º ANO TURMA D

 

Março de 2012,   Professor: Francisco Queiroz              

 

I

 

“A filosofia hermética dos construtores aplicava, na construção das catedrais da idade média, o princípio do microcosmos- macrocosmos que é, de certo modo, um princípio metafísico. A ascese em Platão, a noese e a dianóia ligam-se ao racionalismo mas a epithimia liga-se ao empirismo. A epochê dos estóicos visa atingir a ataraxia e tem semelhanças com a ética do taoísmo. Thomas Hobbes tinha uma visão do estado de natureza diferente daquela que tinha John Locke, e por isso o contratualismo de Hobbes é distinto do de John Locke e um destes dois liga-se ao iluminismo».

 

 

 

1) Explique, concretamente, cada uma destas frases.

 

 

 

2) Relacione, justificando:

 

 

 

A) Valores ético-políticos das esquerdas e das direitas, liberdade e igualdade económica.

 

B) Determinismo com livre-arbítrio e fatalismo.

 

C) Princípio da maior felicidade em Stuart Mill e empirismo.

 

D) Propriedade privada das empresas e autogestão operária, por um lado, e liberalismo, comunismo leninista e anarquismo, por outro lado.

 

E) Imperativo categórico e imperativo hipotético em Kant e dualismo antropológico no estoicismo.

 

F) Uno e múltiplo, por um lado, conceito e percepção empírica, por outro.

 

  

 

CORREÇÃO DO TESTE ( COTADO PARA 20 VALORES)

 

1) A filosofia hermética, isto é, esotérica, inspirada em princípios metafísicos secretos atribuídos a Hermes Trimegistus, dos arquitetos das catedrais medievais incluía o princípio de que o microcosmos (pequeno universo; por exemplo, uma montanha, uma igreja) era o espelho do macrocosmos (grande universo: o céu com as estrelas, as galáxias). Assim, os templários erguiam os seus castelos de modo a que a planta arquitetónica destes imitasse o desenho da constelação do Boeiro ou de outras constelações celestes. A catedral medieval - como vimos na visita de estudo a Sevilha - é um microcosmos que imita o imaginário corpo cósmico de Cristo de braços abertos: a abside representava a cabeça de Cristo e deveria estar voltada a Oriente, onde nasce o Sol, símbolo de Cristo; o transepto representava os braços abertos de Cristo e o altar o coração; as naves, central e lateral, o tronco e as pernas de Cristo. O princípio da correspondência entre o superior e o inferior é metafísico porque se apreende por intuição noética, não pelos orgãos sensoriais (ESTAS QUATRO FRASES ANTERIORES VALEM DOIS VALORES). A ascese em Platão, ou seja, ascensão da alma racional ao inteligível, mediante a filosofia, a matemática e a música, desligando-se da matéria, a noese ou apreensão direta dos arquétipos de Bem, Belo e outros e a dianóia ou raciocínio demonstrativo são formas de racionalismo, doutrina que diz que a razão e os seus raciocínios é a fonte do conhecimento e da verdade, negando ou desvalorizando as sensações, ao passo que a epithimia ou parte inferior da alma localizada no ventre e baixo-ventre (desejos de comer, beber, possuir riquezas materiais, etc) se liga ao empirismo, doutrina que afirma que a grande fonte dos nossos conhecimentos é a experiência sensorial, o que vemos, cheiramos, saboreamos e tocamos (VALE DOIS VALORES). A epochê dos estóicos é a suspensão do juízo de valor ( exemplo: «Dizem-te que a tua casa ardeu, faz epochê, não consideres isso uma tragédia») e visa atingir a ataraxia, isto é, a calma absoluta e é semelhante à ética quietista do taoísmo porque esta preconiza «não ter ambições, não agir, não procurar desvendar os segredos do Estado». (VALE DOIS VALORES). Thomas Hobbes achava que o estado de natureza, isto é, a sociedade sem leis, nem Estado, era perigosa e nela «o homem é o lobo do homem» e preconizava um contratualismo absolutista, ou seja, um acordo de milhares ou milhões de homens para, a troco da sua segurança, entregar o poder a um rei absoluto, um ditador ao passo que John Locke via aspetos positivos no estado de natureza e sustentava o contratualismo liberal, ou seja, o acordo de milhões de homens para a criação de um Estado liberal, que garantisse a propriedade privada e liberdades individuais políticas, dotado de um parlamento livremente eleito, residindo a soberania no povo. É Locke quem se inspira nos princípios iluministas consagrados depois dele: liberdade, igualdade e fraternidade, os homens nascem livres e iguais por direito natural e devem pensar e agir autonomamente, de forma racional (VALE DOIS VALORES).

 

2) A) Os valores ético-políticos das esquerdas (anarquistas, comunistas leninistas, socialistas ou sociais-democratas) são: limitar ou aniquilar o poder dos muitos ricos, da alta burguesia, e promover uma moderada ou radical igualdade económica ( os socialistas, através de impostos progressivos sobre as grandes fortunas, os comunistas nacionalizando estas, os anarquistas impondo a autogestão operária nas empresas), dando liberdade aos sindicatos e correntes de esquerda (excetuando as ditaduras comunistas neoestalinistas onde a liberdade é letra morta). Os valores ético-políticos das direitas (liberais e neoliberais, conservadores e fascistas) são: fazer crescer o poder dos ricos e dos muito ricos, privatizar muitas empresas estatais, na convição de que o capitalismo de concorrência é o melhor sistema possível que dá emprego a quase toda a gente, combatendo o igualitarismo económico dos comunistas e anarquistas e defendendo a democracia liberal capitalista (exceção feita aos fascistas, que desejam uma ditadura direitista). (VALE DOIS VALORES)

 

2) B) Determinismo com livre-arbítrio, chamado no manuais determinismo moderado, é a corrente segundo a qual a natureza se compõe de leis necessárias, infalíveis ( nas mesmas circunstâncias, as mesmas causas produzem sempre os mesmos efeitos) e o homem dispõe da capacidade de escolher,livremente, mediante a reflexão, esta ou aquela cadeia determinista, realizar ou não certo ato, certo valor. O fatalismo é diferente uma vez que sustenta que tudo está predestinado e não há livre-arbítrio humano. (VALE DOIS VALORES)

 

2) C)  O princípio da maior felicidade de Stuart Mill sustenta que a acção moral deve ser altruísta, visar a felicidade de uma maioria das pessoas envolvidas, ainda que com prejuízo de uma minoria de pessoas ou do próprio agente da ação. O empirismo sustenta que quase todas as nossas ideias derivam das sensações, das perceções sensoriais. Assim, por exemplo, a noção de maior felicidade para os alunos de uma dada escola no ultimo dia de aulas exige uma visão empírica ou empirista: se a maioria dos alunos se acumula com prazer no ginásio grande da escola a ouvir música dos «Feedback Line», dos «Contraluz» ou de outro grupo musical adolescente aí está a prova da ligação entre a felicidade da maioria e a apreensão empírica dela. (VALE DOIS VALORES)

 

2) D) A propriedade privada das empresas é o facto de as fábricas, lojas, supermercados, herdades agrícolas, transportadoras aéreas, fluviais ou terrestres, etc, serem, juridicamente, pertença de um ou vários capitalistas ( os acionistas). É defendida pelo liberalismo como sendo a base do progresso e da liberdade mas é combatida por comunistas leninistas - que numa fase inicial defendem as pequenas empresas - e por anarquistas. Estes últimos são os grandes defensores da autogestão operária, isto é, a doutrina da expropriação e expulsão dos patrões das empresas que ficam a funcionar sob o comando da assembleia geral de todos os operários, engenheiros e contabilistas. Os marxistas-leninistas apoiam algumas empresas em autogestão mas preferem as empresas nacionalizadas sob governo comunista porque isso lhes permite centralizar a economia e dirigi-la. ( VALE DOIS VALORES)

 

2) E) O imperativo categórico em Kant é a verdadeira lei moral que se enuncia assim: «Age como se quisesses que a tua ação fosse a lei universal da natureza, aplicando a tua máxima a todos por igual, sem distinções e sem egoísmo.» Brota do eu numénico ou racional. Corresponde às máximas estóicas do tipo «Actua com benevolência em relação a todos os seres humanos, mesmo em relação aos que te ofendem, porque a razão universal é uma só e uma só é a tua linhagem, a espécie humana»  geradas no eu interior ou racional. O imperativo hipotético em Kant, lei amoral ou de falsa moral, diz o seguinte: «Age por interesse egoísta, de modo a beneficiares primeiro que tudo a ti mesmo ou a ti e aos teus familiares e amigos, prejudicando ou desprezando outras pessoas ou a humanidade em geral». Brota do eu fenoménico ou empírico e corresponde, no estoicismo, ao "eu exterior" ou corpo físico de cada um. Assim se correspondem os dois dualismos, sendo designados de dualismo antropológico porque dividem o homem em dois pólos, o racional e o físico-empírico. (VALE DOIS VALORES)

 

2) F) Uno é o Um e múltiplo é o dois, três, quatro e assim infinitamente. O conceito parece ser uno em relação às percepções empíricas similares que são múltiplas. Exemplo:o conceito ou ideia de sobreiro é um só e corresponde às muitas imagens (percepções empíricas) de sobreiros que estou, neste momento, a ver neste campo do Alentejo. (VALE DOIS VALORES) .

 

Nota para a correção: nas perguntas de relacionação entre dois ou mais conceitos, a cotação para cada resposta dada deve obedecer a um princípio de premiar o aluno que estuda e sabe as definições separadamente: assim deverá receber 50% a 60% da cotação da pergunta desde que defina correctamente os conceitos, embora não consiga interligá-los.

 

Vejamos um segundo teste de filosofia.

 

NOTA: A esmagadora maioria dos professores de filosofia, centrados na lógica proposicional clássica - que, no 11º ano mergulha os alunos nos inspetores de circunstâncias, nos operadores verofuncionais, nos silogismos disjuntivos, hipotéticos e dilemas, na «avaliação de argumentos», na negação do condicional, do bicondicional, das leis de Morgan, conhecimentos de lógica inúteis para o verdadeiro filosofare centrados em conteúdos mais ou menos confusos, infetados pelo desprezo da ontologia dos clássicos (Platão, Aristóteles. Leibniz, Hegel, etc), desprezo que os manuais de 10º ano editados veiculam, não pode nem sabe dar testes da qualidade dos que aqui apresento: dá testes superficiais, sem amplitude filosófica autêntica, insubstanciais. E, no entanto, quanta arrogância nesta geração de licenciados, mestres e doutorandos (entre os 25 e os 50 anos de idade) de faculdades de filosofia! Estas estão instrumentalizadas por catedráticos destituídos de visão holística que, entre outras asneiras, declaram que «a astrologia histórica é uma superstição anticientífica» sem, como é óbvio, terem investigado minimamente o assunto! Nenhum dos famosos "vinte e cinco melhores pensadores do mundo" segundo o «Nouvel Observateur», entre eles José Gil, consegue conceber que o destino das pessoas e sociedades é determinado pelas movimentações do Sol, da Lua e dos planetas no Zodíaco. São, cosmologicamente, néscios. A filosofia universitária bloqueia, a partir das cátedras, a aletheia, a desocultação da verdade.

 

 Escola Secundária com 3º ciclo Diogo de Gouveia, Beja

 

TESTE DE FILOSOFIA, 10º ANO TURMA A

 

 Março de 2012         Professor: Francisco Queiroz           

 

I

 

“A filosofia hermética dos construtores aplicava, na arquitectura das catedrais da idade média, o princípio do microcosmos- macrocosmos que é, de certo modo, um princípio metafísico. A substituição do Estado social pelo Estado liberal é uma expressão da luta entre as direitas e as esquerdas no quadro do capitalismo e do Estado de direito democrático inspirado no iluminismo. Thomas Hobbes tinha uma visão diferente da de Rousseau sobre o estado de natureza e, por isso, preconizava um contratualismo diferente do de John Locke e do de John Rawls, o último dos quais se opunha explicitamente ao socialismo autoritário.”

 

 

 

1) Explique, concretamente, cada uma destas frases.

 

                                                        II

 

2) Relacione, justificando:

 

 

 

A) Princípio da maior felicidade em Stuart Mill e imperativo categórico em Kant.

 

B) Essência, acidente e reminiscência em Platão.

 

C) Realismo ontológico, idealismo ontológico e objetividade.

 

D) Ética do taoísmo e ética do estoicismo.

 

E) Relativismo e teoria do acto e da potência em Aristóteles.

 

F) Indeterminismo biofísico  com livre-arbítrio (libertismo) e fatalismo.

 

 

 

CORREÇÃO DO TESTE (COTADO PARA 20 VALORES)

 

1) A filosofia hermética, isto é, esotérica, inspirada em princípios metafísicos secretos atribuídos a Hermes Trimegistus, dos arquitetos das catedrais medievais incluía o princípio de que o microcosmos (pequeno universo; por exemplo, uma montanha, uma igreja) era o espelho do macrocosmos (grande universo: o céu com as estrelas, as galáxias). Assim, os templários erguiam os seus castelos de modo a que a planta arquitetónica destes imitasse o desenho da constelação do Boeiro ou de outras constelações celestes. A catedral medieval - como vimos na visita de estudo a Sevilha - é um microcosmos que imita o imaginário corpo cósmico de Cristo de braços abertos: a abside representava a cabeça de Cristo e deveria estar voltada a Oriente, onde nasce o Sol, símbolo de Cristo; o transepto representava os braços abertos de Cristo e o altar o coração; as naves, central e lateral, o tronco e as pernas de Cristo. O princípio da correspondência entre o superior e o inferior é metafísico porque se apreende por intuição noética, não pelos orgãos sensoriais (ESTAS QUATRO FRASES ANTERIORES VALEM DOIS VALORES). A substituição do Estado social, isto é, do Estado social-democrata, - um Estado capitalista de centro-esquerda, que oferece saúde e ensino gratuitos ou quase gratuitos a toda a população, subsídio de desemprego, rendimento de inserção social e pensões diversas aos desfavorecidos à custa de impostos progressivos sobre os ricos - pelo Estado liberal - um Estado mínimo capitalista, que reduziu ou aboliu a gratuidade do ensino e dós cuidados de saúde, reduziu ao mínimo a segurança social, deixando milhões de desempregados entregues à sorte -  reflete a luta entre a direita (liberais, conservadores e fascistas), adepta das privatizações de empresas,  e as esquerdas (socialistas ou sociais-democratas, comunistas e anarquistas) adeptas da nacionalização de empresas estratégicas ou mesmo da autogestão operária. As esquerdas querem manter, no imediato, o Estado social e as direitas fazem-no emagrecer transformando-o em Estado liberal, não intervencionista na economia, quase reduzido só aos corpos militares e policiais, fiscais, judiciais e político-parlamentares. Ambos - Estado Social e Estado Liberal - são formas do Estado de direito democrático, isto é, um Estado baseado numa constituição que consagra a tripartição de poderes (legislativo, executivo e judicial) e que consiste numa democracia multipartidária, com eleições periódicas de um parlamento nacional e parlamentos locais, liberdade de imprensa, greve operária, propriedade privada de empresas, manifestação de rua e reunião, associação sindical e política, culto religioso e ateísmo, etc, de acordo com os princípios do iluminismo, filosofia da liberdade, igualdade e fraternidade entre todos os homens, que nascem livre e iguais em direitos e deveres e devem pensar e agir autonomamente, de forma racional. (ESTAS FRASES ANTERIORES VALEM TRÊS VALORES NO CONJUNTO). Thomas Hobbes achava que o estado de natureza, isto é, a sociedade sem leis, nem Estado, era perigosa e nela «o homem é o lobo do homem» e preconizava um contratualismo absolutista, ou seja, um acordo de milhares ou milhões de homens para, a troco da sua segurança, entregar o poder a um rei absoluto, um ditador ao passo que Rousseau via o estado de natureza de forma positiva, uma sociedade de homens livres em estado selvagem, cada um alimentando-se dos frutos de árvores à sua disposição, sem impor escravidão ou servidão a outros (doutrina do bom selvagem). John Locke,  e mais tarde, no século XX, John Rawls, sustentavam o contratualismo liberal-democrático, ou seja, o acordo de milhões de homens para a criação de um Estado liberal, que garantisse a propriedade privada e liberdades individuais políticas, dotado de um parlamento livremente eleito, residindo a soberania no povo. Rawls defendia que os cidadãos deveriam votar as leis a coberto de um véu de ignorância sobre a riqueza e o poder de cada um e rejeitava o socialismo autoritário, isto é, a ditadura comunista marxista-leninista que expropria a burguesia tradicional (VALE DOIS VALORES). 

 

2) O princípio da maior felicidade de Stuart Mill sustenta que a acção moral deve ser altruísta, visar a felicidade de uma maioria das pessoas envolvidas, ainda que com prejuízo de uma minoria de pessoas ou do próprio agente da ação.  O imperativo categórico em Kant, a verdadeira lei moral segundo este,  enuncia-se assim: «Age como se quisesses que a tua ação fosse a lei universal da natureza, aplicando a tua máxima a todos por igual, sem distinções e sem egoísmo e trata cada ser humano como um fim em si e não um meio .» Brota do eu numénico ou racional. Stuart Mill contenta-se com a felicidade de uma maioria mas Kant deseja a felicidade ou a infelicidade de todos, uma vez que o seu objetivo é a equidade universal da ação emanada de um mesmo sujeito. (VALE DOIS VALORES).

 

2- B) Em Platão, as essências são os arquétipos do mundo inteligível, as formas imóveis e eternas do Bem, do Belo, do Justo, do Dois, do Quatro, etc. A reminiscência é a lembrança vaga desses arquétipos que a alma na sua descida ao mundo material ou sensível conserva, depois de quase tudo esquecer no rio Letes. O acidente é um traço ou acontecimento fortuito que não existe no arquétipo em si mas no modo como a alma se comporta ante ele: há almas que não contemplam o arquétipo de Justo ou de Sábio e isso é por acidente. (VALE DOIS VALORES).

 

2-C) Realismo ontológico: o mundo material subsiste por si mesmo, fora das mentes humanas. Idealismo ontológico: o mundo material está dentro da imensa mente humana de cada um. Objetividade é o caráter de objeto, coisa ou situação visível para todos ou compreensível para todos mediante uma razão comum. Aparentemente, o realismo ontológico é «mais objetivo» que o idealismo. Mas... (VALE DOIS VALORES).

 

2-D) A ética do taoísmo preconiza o não agir, o refrear os desejos, aceitar uma vida calma e trabalhosa como a de um camponês sedentário, desconfiado dos estudos e dos políticos, astuto, que estuda o seu inimigo elogiando-o, até um dia o poder derrubar. A ética do estoicismo preconiza a aceitação do destino, o autodomínio obtido mediante o eu racional, o «guia interior», a benevolência face a todos os seres humanos, a epoché ou suspensão do juízo de valor («Falam mal de ti? Não consideres isso mau nem bom. Suspende o juízo») visando a ataraxia ou impassibilidade da alma. Tanto o taoísmo como o estoicismo recomendam contenção dos desejos, autodomínio. (VALE DOIS VALORES)

 

2-E) Relativismo é a doutrina segundo a qual as coisas e suas propriedades, os valores, mudam conforme o tempo, o lugar, as sociedades, as culturas. Ato é a realidade presente de algo, potência é a capacidade de esse algo se transformar no futuro e o resultado previsível dessa transformação. Exemplo: a semente é semente em ato e árvore em potência. O relativismo exprime-se na dualidade ato potência: as coisas são algo em ato e são algo diferente em potência, o seu ser é relativo ao tempo em que se encontra. (VALE DOIS VALORES)

 

2-F) Indeterminismo biofísico com livre-arbítrio é a doutrina segundo a qual não há leis fixas, necessárias, de causa-efeito na natureza (exemplo: nem todos os seres humanos envelhecem, nem todos se alimentam de sólidos e sobrevivem) e há livre-arbítrio, possibilidade de deliberar racionalmente sobre as ações. Fatalismo é o oposto, sob certo aspeto: não há livre-arbítrio, todos os acontecimentos estão rigorosamente predestinados. (VALE DOIS VALORES). 

 

 

Nota para a correção: nas perguntas de relacionação entre dois ou mais conceitos, a cotação para cada resposta dada deve obedecer a um princípio de premiar o aluno que estuda e sabe as definições separadamente: assim deverá receber 50% a 60% da cotação da pergunta desde que defina correctamente os conceitos, embora não consiga interligá-los.

 

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Sexta-feira, 27 de Janeiro de 2012
Valores ético-políticos: uma síntese de sete correntes para estudantes de filosofia do secundário

 

Coloquemos sete correntes políticas em análise: três de esquerda (anarquistas, comunistas, sociais-democratas), uma de centro (centristas), três de direita (liberais, conservadores e fascistas/ absolutistas monárquicos). Como caraterizar, de forma sumária, a diferença entre esquerdas e direitas? 
 
As esquerdas desconfiam dos muito ricos e dos ricos e pretendem limitá-los e reduzi-los com elevados impostos (caso da esquerda social-democrata ou socialista reformista) ou eliminá-los enquanto classe social (caso dos comunistas marxistas-leninistas, dos trotskistas e dos anarquistas) visto que entendem que quanto mais ricos houver mais pobres haverá. As direitas apoiam os muito ricos e os ricos e defendem o direito a cada um enriquecer através do trabalho próprio e alheio, dizendo que os capitalistas são o motor da economia próspera e da sociedade livre e plural já que dão emprego a milhões de trabalhadores e promovem a diversidade (a direita fascista exerce um controlo estatal sobre os capitalistas não permitindo o livre funcionamento do mercado de capitais e bens em toda a sua extensão). 
 
ANARQUISMO (EXTREMA-ESQUERDA)
 
Ideia geral: O capitalismo (existência de empresários e assalariados, com os primeiros a apropriarem-se da MAIS-VALIA ou MAIS-VALOR que os operários criam) é um mau regime e o Estado, mesmo que tenha eleições livres e multipartidarismo (caso do Estado de direito democrático), é uma ditadura dos capitalistas ou dos aristocratas ou dos burocratas estalinistas sobre os trabalhadores, que são explorados. No capitalismo social-democrata (PS) ou neoliberal (PSD) e conservador (CDS), o parlamento e as eleições multipartidárias são uma farsa: ganham os partidos que gastam milhões na propaganda escrita e televisiva , nos comícios e campanhas de rua e depois os deputados eleitos não prestam contas ao povo e vivem como burgueses ricos. O marxismo-leninismo é uma má ideologia porque faz os operários cair sob a ditadura comunista-estalinista (Cuba, Coreia do Norte, etc).  Os anarquistas defendem a AÇÂO DIRETA – a luta de rua com a polícia que defende a burguesia – e alguns defendem o ATENTADO TERRORISTA SELETIVO. Há que suprimir o Estado (exército, polícia, tribunais, parlamento, etc) e instaurar a AUTOGESTÃO ou DEMOCRACIA DE BASE SEM PATRÕES anticapitalista: cada fábrica é gerida pela assembleia de operários e engenheiros, cada bairrro por uma assembleia de todos os moradores, as terras são geridas por cooperativas de trabalhadores, etc.. A economia é coletivista e pode haver pequenos negócios individuais (se um barbeiro não quer juntar-se à cooperativa local exerce sozinho, sem empregados): o povo governa e tem armas em casa (milícia popular), o aborto é livre, não há vacinas obrigatórias, gays e lésbicas são livres, a prostituição é proibida («o amor não se compra»), o ensino é gratuito e as escolas fazem os seus programas, as prisões quase não existem, há liberdade de viajar pelo mundo inteiro, as pessoas ganham mais ou menos o mesmo, não há desemprego.
 
 COMUNISMO MARXISTA-LENINISTA (VULGO: ESTALINISMO, ESQUERDA AUTORITÁRIA)
  
Ideia geral: O Estado, no capitalismo (regime da propriedade privada dos meios de produção – fábricas, terras, mar – e troca – hipermercados, bancos, etc) é uma ditadura da classe burguesa sobre o proletariado. Por isso os comunistas estão nos sindicatos, nas fábricas, nas ruas incentivando lutas contra a descida dos salários e a alta de preços nos transportes, na alimentação, etc. No capitalismo europeu e outro, os comunistas concorrem às eleições livres para eleger deputados no parlamento – ao contrário dos anarquistas – mas dizem que as eleições não são isentas porque os muito ricos financiam os partidos maiores, da burguesia, (PSD, CDS e PS, no caso português) e enganam ou alienam os trabalhadores. Quando o partido leninista se apoderar do Estado este passará a ser um instrumento dos trabalhadores. A economia «comunista» é coletivista e centralizada: as minas, a eletricidade, hipermercados, siderurgia, fábricas em geral são nacionalizadas, dirigidas pelo partido comunista, que não permite despedimentos e não autoriza greves nas suas empresas e na sociedade que ele domina. O aborto é permitido, os partidos de direita e centro-esquerda (socialistas) e os grupos anarquistas e trotskistas de extrema-esquerda são proibidos, a televisão e os jornais sofrem a censura (caso de Cuba, China e Coreia do Norte), as eleições são de lista única, em princípio. O estalinismo é a ditadura comunista incarnada num chefe (Estaline na URSS de 1922 a 1953) venerado e temido como um semi-deus. O objetivo último do comunismo é a sociedade sem classes à escala mundial, desaparecendo teoricamente os aparelhos de Estado (governo, parlamento, forças armadas, etc).
 
 
SOCIALISMO REFORMISTA OU SOCIAL-DEMOCRACIA (ESQUERDA CAPITALISTA-SOCIAL)
 
Ideia geral: uma vez que a anarquia é utópica e o comunismo leninista é uma ditadura sufocante, há que criar um capitalismo vincadamente social, dito de esquerda reformista, uma social-democracia, em que ao lado das empresas privadas, - cujos capitalistas pagam grandes impostos a fim de financiar o subsídio de desemprego universal, o ensino público gratuito, o sistema de saúde gratuito – existem as cooperativas e empresas em cogestão ( patrões e operários dividem lucros e direção da empresa) . Sustenta que nem tudo deve ser privatizado, algumas empresas estratégicas devem ficar na mão do Estado que faz preços mais baixos que os privados: a siderurgia, o transporte ferroviário, os autocarros urbanos, a rede nacional de eletricidade, um canal de televisão, os correios, etc. São permitidas as liberdades de imprensa, greve, manifestação de rua, sexual (uniões de gays e lésbicas), religião e ateísmo, aborto, eutanásia, ensino, ação de partidos políticos e sindicatos – tudo isto ideais da maçonaria que tem muitos políticos e intelectuais socialistas. A social-democracia defende a união europeia e a globalização capitalista mas põe reservas à desregulamentação desta. Deixa entrar na Europa os imigrantes vindos da Ásia, América Latina, África. Em Portugal, o PS e a ala direita do BE representam o socialismo reformista ou democrático.
 
 CENTRISMO SOCIAL-LIBERAL (JOHN RAWLS) OU CRISTÃO-DEMOCRATA
 
Ideia geral: o socialismo em qualquer uma das formas (anarquista, comunista leninista ou socialista democrático) é paralisante da economia porque tem demasiado coletivismo ou demasiado Estado na economia, o liberalismo, o conservadorismo e o fascismo são políticas que servem o egoísmo dos muito ricos e criam injustiça social. Assim há que lançar um meio termo: o centro social-liberal ou democrata-cristão. Não exige nacionalizar empresas – ao contrário das esquerdas – mas impõe impostos progressivos sobre os capitalistas (os destes que ganharem 1 milhão de euros ao mês pagarão, por exemplo, 50% de imposto). Defende a subsidiaridade (apoios aos mais pobres). Em Portugal, a ala direita do PS (Sócrates, etc) e ala esquerda do PSD e CDS representam o centrismo.
 
 
LIBERALISMO E NEOLIBERALISMO (DIREITA CAPITALISTA)
 
Ideia geral: o socialismo em qualquer uma das formas (anarquista, comunista leninista ou socialista democrático) é paralisante da economia porque tem demasiado coletivismo ou demasiado Estado na economia, assim o motor desta devem ser as empresas privadas porque os patrões é que sabem desenvolver investimentos e lucros e dar emprego. São permitidas as liberdades de imprensa, greve, manifestação de rua, sexual (uniões de gays e lésbicas), religião e ateísmo, aborto, eutanásia, ensino, ação de partidos políticos e sindicatos – tudo isto ideais da maçonaria que tem muitos políticos e intelectuais liberais e neoliberais . Os despedimentos devem ser fáceis, com pequenas ou nenhumas indemnizações aos operários, a liberdade económica (liberalismo) deve imperar, hospitais, serviços de eletricidade e águas municipais, escolas podem ser privatizados e o Estado deve emagrecer. Deixe-se enriquecer os muitos ricos, que paguem poucos ou nenhuns impostos, porque são eles que movimentam a economia, compram os automóveis, jóias e vestuário de luxo, etc. Os capitais devem circular livremente, apoia-se a União Europeia e a globalização. Em Portugal, o PSD representa esta corrente, ainda que haja uma minoria de centristas e sociais-democratas no PSD.

 
CONSERVADORISMO (DIREITA CAPITALISTA)
 
Ideia geral: o capitalismo (existência de patrões e assalariados) é o melhor regime possível, as esquerdas são negativas porque ameaçam os donos do capital privado, os poderes do Estado e da polícia devem ser fortes para reprimir os extremistas de esquerda e os desordeiros dos sindicatos, as igrejas (protestante ou católica ou outra) devem ser apoiadas porque são contra o aborto livre, o adultério e a promiscuidade sexual, e contra os casamentos de gays e lésbicas, o consumo livre de certas drogas, etc. Defende as privatizações das empresas estatais – a eletricidade, as águas, os transportes públicos urbanos, muitos hospitais e escolas devem sair das mãos do Estado e ser vendidos a capitalistas e acionistas privados- e a extinção do rendimento mínimo garantido a fim de obrigar «os que não trabalham a procurar emprego». O conservadorismo apoia uma certa democracia pluralista (o parlamento, as eleições livres) mas, é fortemente anticomunista e antianarquista e, em certos casos, pode exigir a ilegalização dos partidos comunistas. Quer alguma distância face ao federalismo europeu. Em Portugal, o CDS é o partido conservador.
 
FASCISMO OU ABSOLUTISMO MONÁRQUICO (EXTREMA-DIREITA)
 Ideia geral: O anarquismo e o comunismo são o mal maior porque suprimem a iniciativa privada, mas a social-democracia (centro-esquerda) e o liberalismo e conservadorismo (direitas) são más políticas porque promovem a democracia liberal ou parlamentar, governo dos muito ricos e da imoralidade. Há que expulsar imigrantes e manter a raça portuguesa livre de “contaminação”, fazendo Portugal sair da União Europeia. Há que proibir a pornografia na televisão e cinema, desenvolver as ideias de «Deus, pátria, família e honra militar», perseguir ou neutralizar gays e lésbicas, proibir os partidos políticos e as eleições livres, acabar com os sindicatos, as greves e manifestações de protesto, militarizar a sociedade e estabelecer uma paz autoritária em que as pessoas obedeçam ao chefe sem contestar. Nas escolas, deve haver separação de sexos. Haverá restrições ao uso da internet e a polícia política poderá prender a qualquer momento os subversivos. Ditadura de um partido único anticomunista e tradicionalista é a solução. Há que promover um capitalismo nacional, fortemente controlado pelo Estado, baseado no corporativismo que impede a luta de classes: os patrões ficam proibidos de despedir operários e estes impedidos de fazer greve e propaganda política contra o Estado Nacional.
 
ALGUMAS QUESTÕES PARA ESTUDANTES
 
 
1) Destas 7 correntes políticas há 4 que aceitam a democracia parlamentar/ liberal como um fim em si mesma, como o regime mais perfeito. Quais são?
 
Resposta: São os socialistas reformistas ou sociais-democratas, os centristas, os liberais e neoliberais e os conservadores.
 
2) Destas 7 correntes há 3 que, embora usando o Estado de direito democrático, o querem substituir a longo prazo. Quais são? Quais os seus argumentos?
 
Resposta: As três correntes que desdenham da democracia liberal capitalista e pretendem substitui-la são: anarquistas, comunistas leninistas e fascistas. Os anarquistas dizem que todo o Estado, inclusive o de regime parlamentar democrático, é uma ditadura da burguesia sobre o proletariado e, por isso, não concorrem sequer às eleições legislativas, querem a revolução social. Os comunistas leninistas também consideram o Estado capitalista democrático um orgão de opressão dos trabalhadores e advogam a instauração de um Estado operário comunista centralizado em que suprimem as liberdades burguesas de formação de partidos políticos, de imprensa, etc. Os fascistas dizem que a democracia liberal coloca os plutocratas, os muito ricos, e a imoralidade no poder e desnacionaliza a pátria, pelo que defendem a ditadura nacionalista de direita.
 
 
3) Onde há maior participação dos trabalhadores: na empresa nacionalizada, na empresa em autogestão ou na empresa privada?
 
Resposta: Teoricamente, a maior participação dos trabalhadores é na empresa em autogestão visto que nesta há assembleias deliberativas de todos os trabalhadores, operários, engenheiros, contabilistas.
 
4) Em que medida reflete a democracia liberal ou parlamentar as éticas de Kant e de Stuart Mill?
 
Resposta: A ética de Kant com o imperativo categórico obriga a estender universalmente a todos os indivíduos aquilo que achamos justo fazer e desfrutar. Assim se eu desejo influenciar o poder político, desejo o mesmo para todas as pessoas - e daí surge o direito universal ao voto, a exprimir-se livremente nas ruas, a formar partidos políticos, sindicatos, empresas, etc.
A ética de Mill defende a maximização do prazer, isto é, estendê-lo à maioria das pessoas. Ora a democracia liberal manda que governe o partido da maioria.
 
5) Há três correntes que se reclamam do “socialismo”. Distinga esses três conceitos de socialismo.
 
Resposta: O socialismo reformista é um capitalismo social, reformado, uma combinação entre o capitalismo de estado (exemplo: as grandes empresas de transportes, a siderurgia, a rede elétrica, a universidade, os grandes hospitais, etc, ficam na mão do Estado) e o capitalismo privado, de tal modo que a sociedade capitalista fica um pouco «socializada» com o serviço nacional de saúde e o ensino gratuitos, o rendimento social de inserção, os impostos progressivos,etc. Respeita os patrões e acha-os necessários.
O socialismo marxista-leninista é um capitalismo de estado, ou seja, coloca a economia toda ou quase toda nas mãos do Estado dirigido pelo partido comunista que garante emprego a todos e reduzidas diferenças salariais, ainda que coarctando as liberdades individuais e de classe ( Estado totalitário de esquerda),
O socialismo anarquista é o poder directo dos proletários sobre os meios de produção (fábricas, terras, etc) e implica a desaparição do Estado central, do exército e da polícia e do parlamentarismo.

 

 

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Sábado, 5 de Dezembro de 2009
Max Scheler: El cristianismo se opone a la filantropía universal socialista

El cristianismo se opone al socialismo: el primero, brota de la teología, de la revelación bíblica de la vida de Jesús Cristo, y del sentimiento natural de compasión de unos hombres hacía los otros, y el segundo emana  de un ideal racional de igualdad y fraternidad entre todos los hombres y de un sentimiento de compasión. El cristianismo, al menos en versión católica, se opone, en general, al matrimonio homosexual, al divorcio y al aborto libre y preconiza una discreta sumisión de la hembra al varón en el matrimonio; el socialismo establece el matrimonio homosexual, no se opone al divorcio y favorece el aborto libre, la emancipación de la mujer respecto al hombre, incluso la plena igualdad de la mujer con el hombre en el matrimonio heterosexual.  Max Scheler vio muy bien esta distinción al escribir:

 

 

 

«Nietzschze no advirtió que el amor en sentido cristiano está referido siempre, de manera primaria y exclusiva, al sí mismo espiritual ideal del hombre y a su característica de miembro del reino de Díos. Esto tuvo como consecuencia que Nietzschze pudiese identificar la idea cristiana del amor con otra totalmente distinta, que surge en un suelo histórico y psicológico muy distinto y que se funda en valoraciones que también nosotros, con Nietzschze, enraizadas en el resentimiento. Me refiero a la idea y al movimiento de la moderna filantropía universal, del "humanitarismo", "amor a la humanidad" o, dicho plásticamente, "amor a todo cuanto tiene rostro humano". Quien no se quede en el sonido de las palabras y penetre en su significado y atmósfera espiritual al pasar del amor cristiano a la filantropía universal, respirará inmediatamente un aire espiritual distinto. Primeramente la filantropía moderna es un concepto polémico, de protesta, en todos los sentidos. Protesta contra el amor de Díos y por tanto también contra esa unidad y armonía cristianas entre el amor de díos, el amor a uno mismo y el amor al prójimo, tal como lo expresa el "mandamiento básico" del evangelio. El amor debe dirigirse no a lo "divino" en el hombre, sino al hombre en cuanto "hombre", en tanto que puede ser reconocido como miembro de la especie humana, al ser "que tiene rostro humano". Así como esta idea reduce "por arriba" el amor y lo confina al genero humano desligado de todas las fuerzas y valores superiores, así también lo reduce "por abajo", excluyendo de él a los restantes seres animados, al conjunto del mundo.» (Max Scheler, Vom Umsturz der Werte. Abhanlungen und Aufsätze, Vol. III, 1955, citado en Scheller  (1874-1928), Antonio Pintor-Ramos, Ediciones del Orto, Madrid, Págs. 77-78; la letra negrita es añadida por nosotros).

 

 

 

El cristianismo, en su versión catolica más conservadora, puede sostener un régimen de tipo nacional fascista - es el caso de los regimenes portugués de Salazar (1932-1974),  español de Franco (1939-1975) y de la República francesa de Vichy (1940-1944) - porque carece de suficiente insumisión antifascista y el socialismo, en su versión marxista o marxizante - caso del marxismo leninismo o del socialismo estatal tercermundista - puede sostener un régimen de tipo social fascista, o burocrático totalitario - caso de la Rusia de Lenin y Stalin, del régimen de Cuba, de las dictaduras de  Corea del Norte y China- porque carece de suficiente personalismo y sentido de libertad individual frente al colectivo.

 

La ala izquierda del cristianismo, no marxista, y la ala derecha, social-demócrata reformista, del socialismo, convergen en muchas posiciones filosóficas y político-sociales. En verdad, no se puede hablar de un marxismo cristiano o de un cristianismo marxista, puesto que son antagónicos en sus principios: el marxismo es un humanismo colectivista, no individualista, anti teísta; el cristianismo es un teísmo y un humanismo individualista, excepción hecha al nacional-catolicismo fascista.

 

 

Intentando distinguir el amor cristiano como um sentimiento personal, concreto, del amor socialista o de ideal colectivista en tanto que amor impersonal, Scheler escribió:

 

 

«Así, por ejemplo, el amor (en el sentido cristiano) es absolutamente amor individual, lo mismo si es amor a uno mismo que si es amor a un extraño, el llamado "amor al prójimo", mas no es amor a alguién como miembro, por ejemplo, de la clase obrera o como "defensor" o "representante" de un colectivo. El "sentimiento social" en la clase obrera nada tiene que ver con el "amor al prójimo"; éste alcanza también al "obrero", pero unicamente como individuo humano.» (Max Scheler, Ética, Caparrós, Pág 170, nota de pie de página; la letra negrita es añadida por nosotros).

 

Nos podemos preguntar si el amor impersonal plasmado en la teoría de los Derechos Humanos Universales - derechos iguales para todos, excepción hecha a casos especiales de niños, discapacitados y otros - no es condición sine qua non para la irrupción del amor personal, en un modo generalizado... Pero Scheler es categórico: no hay amor a entidades abstractas como la clase social, la nación o la humanidad,  solo hay amor al individuo. El amor como acto parece ser una suerte de nominalismo o existencialismo, aunque el valor del Amor y los valores éticos y estéticos son esencias objetivas comunes a todos los individuos.

 

  

 

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