Domingo, 3 de Janeiro de 2016
Teste de filosofia do 10º ano turma B (Dezembro de 2015)

Eis um teste de filosofia numa perspectiva que ultrapassa o modelo de testes dos manuais escolares da chamada «filosofia analítica» que se limita quase só à análise lógica da linguagem e à ética, ignorando quase todos os grandes  problemas da ontologia e da metafísica.

 

Agrupamento de Escolas nº1 de Beja
Escola Secundária Diogo de Gouveia, Beja
TESTE DE FILOSOFIA, 10º ANO TURMA B
10 de Dezembro de 2015.

Professor: Francisco
Queiroz

I

“Os movimentos dos corpos no mundo sublunar e no mundo celeste, em Aristóteles, são teleológicos e Deus segundo o mesmo filósofo, é o acto puro (energeia), não tem potência (dynamis). Lao Tse, filósofo do taoísmo, entendia a dualidade Yang-Yin e escreveu que «aquele que se dedica ao Tao vai diminuindo sempre até chegar ao não agir e pelo não agir nada há que se não faça

 

1)Explique, concretamente este texto.

 

2)Mostre as diferenças entre determinismo com livre-arbítrio («moderado»), determinismo sem livre-arbítrio («radical»), indeterminismo (biofísico) com livre-arbítrio e fatalismo.

 

3)Defina radicalidade filosófica, explanando os quatro passos gnosiológicos do racionalismo de Descartes desde a dúvida absoluta.ou hiperbólica até à certeza do mundo exterior.
  

4)Relacione, justificando;
    

A) Percepção empírica, conceito e juízo.
B) Esfera dos valores espirituais e esfera dos valores vitais e sentimentais na teoria de Max Scheler.

 

CORREÇÃO DO TESTE COTADO PARA UM MÁXIMO DE 20 VALORES

 

1) Segundo Aristóteles, o mundo sublunar era composto de quatro esferas concêntricas - Terra, Água, Ar e Fogo - e os corpos existentes neste mundo são dotados de movimentos teleológicos, isto é, com finalidades (télos significa finalidade) inteligentes: os corpos movem-se no sentido de regressar à origem, à esfera do seu constituinte principal (exemplo: a pedra largada no ar cai porque deseja regressar ao seu lugar de origem, a mãe Terra). No mundo celeste, de 54 esferas de cristal, incorruptíveis, estas giram porque a finalidade dos planetas e estrelas incrustados nelas é atingir Deus, o motor imóvel, espírito puro, que se encontra fora do universo e não criou este. Deus é acto puro, isto é, realidade presente, não tem potência, isto é, capacidade de mudar e vir a ser algo diferente, porque é perfeito em absoluto, não carece de aperfeiçoamento. (ESTA PRIMEIRA PARTE VALE TRÊS VALORES). O taoísmo preconiza que a Mãe do Universo é o Tao, um ritmo sinusoidal do universo que se compõe de duas ondas (dualismo), Yang ( alto, avanço do mar, expansão, luz do dia, fogo, verão) e Yin (baixo, recuo do mar, contração, escuridão da noite, água, inverno) Lao Tse entendia por não agir o levar a vida sem ambições políticas, económicas, profissionais de renome, isto é, dedicar-se a trabalhos agrícolas de autosubsistência, contemplar o céu e o curso das estações do ano, ficar quieto em sua casa, Por isso aquele que se dedica ao Tao ou ritmo ondulatório do universo vai diminuindo em notoriedade pública já que não vai à universidade nem frequenta altos negócios nem os círculos políticos influentes. Através desse não agir, isto é, quietismo, ele consegue tudo: saúde, paz, alegria no trabalho, reflexão filosófica. (VALE TRÊS VALORES)

 

2) Determinismo com livre-arbítrio (vulgo: determinismo moderado) é a teoria segundo a qual, na natureza, as mesmas causas produzem sempre os mesmos efeitos e o homem dispõe de liberdade racional de escolha (livre-arbítrio). Exemplo: um homem decide, racionalmente, atirar-se do alto de um avião em páraquedas, sabendo que se sujeita ao determinismo na lei da gravidade, que o faz cair para a Terra. Determinismo sem livre-arbítrio (vulgo: determinismo radical) é a teoria segundo a qual, na natureza, as mesmas causas produzem sempre os mesmos efeitos e o homem não dispõe de liberdade racional de escolha (livre-arbítrio). Exemplo: movido por uma força irracional, sem liberdade de escolha,  um homem atira-se do alto de um arranha-céus, sujeitando-se determinismo na lei da gravidade, que o faz cair para a Terra e morrer esmagado. Indeterminismo com livre-arbítrio  é a teoria segundo a qual, na natureza, as mesmas causas não produzem sempre os mesmos efeitos e o homem não dispõe de liberdade racional de escolha (livre-arbítrio). Exemplo: beber água nem sempre faz funcionar os rins, às vezes paralisa-os (indeterminismo) e um grupo de pessoas ingere água por motivo de uma sede abrasadora, por  decisão livre e meditada. Fatalismo  é a teoria segundo a qual tudo na vida está predestinado e os homens não dispõem de livre-arbítrio nem existe o acaso. (VALE TRÊS VALORES).

 

.2) A radicalidade filosófica consiste no poder de a filosofia ir à raíz dos problemas, destruindo certezas do senso comum e inventando hipóteses e teses incomuns, especulativas. Os quatro passos do raciocínio de Descartes são pautados pelo racionalismo, doutrina que afirma que a verdade procede do raciocínio, das ideias da razão e não dos sentidos, racionalismo esse que é uma forma de radicalidade filosófica:

 

Dúvida hiperbólica ou Cepticismo Absoluto( «Uma vez que quando sonho tudo me parece real, como se estivesse acordado, e afinal os sentidos me enganam, duvido da existência do mundo, das verdades da ciência, de Deus e até de mim mesmo »).

 

Idealismo solipsista («No meio deste oceano de dúvidas, atinjo uma certeza fundamental: «Penso, logo existo» como mente, ainda que o meu corpo e todo o resto do mundo sejam falsos»).

 

3º Idealismo não solipsista («Se penso tem de haver alguém mais perfeito que eu que me deu a perfeição do pensar, logo Deus existe).

 

Realismo crítico («Se Deus existe, não consentirá que eu me engane em tudo o que vejo, sinto e ouço, logo o mundo de matéria, feito só de qualidades primárias, objetivas, isto é, de figuras, tamanhos, números, movimentos, existe fora de mim»). Realismo crítico é a teoria gnosiológica segundo a qual há um mundo de matéria exterior ao espírito humano e este não capta esse mundo como é. Descartes, realista crítico, sustentava que as qualidades secundárias, subjectivas, isto é, as cores, os cheiros, os sons, sabores, o quente e o frio só existem no interior da mente, do organismo do sujeito, pois resultam de movimentos vibratórios exteriores e que o mundo exterior é apenas composto de formas, movimentos e tamanhos e uma matéria indeterminada. (VALE CINCO VALORES).

 

4-A) A percepção empírica é um conjunto organizado de sensações visuais, tácteis, olfativas, térmicas, sonoras, etc. Exemplo: vejo e cheiro esta rosa vermelha. O conceito é a ideia de uma qualidade ou coisa ou classe de coisas, obtida geralmente por comparação e abstração de percepções empíricas similares. Exemplo: vejo várias rosas, fecho os olhos, e formo, no intelecto, a imagem abstrata de uma rosa vermelha. O juízo é uma afirmação ou negação, ligando dois ou mais conceitos através de uma forma verbal. Exemplo: A rosa é vermelha.

 

4. B) A esfera dos valores espirituais, na concepção de Scheler, engloba os valores estéticos (belo e feio), éticos ( bom e mau, justo e injusto), jurídicos (legal, ilegal; justo, injusto), filosóficos (verdade e erro) científicos (verdade e erro por referência, isto é, na experiência, no pragmatismo). Há valor de coisa - por exemplo, o quadro Mona Lisa de Leonardo da Vinci - valor de função - no exemplo olhar o quadro, apreciar o sorriso de Mona Lisa - e valor de estado - no exemplo: a felicidade resultante dessa contemplação visual.

A esfera ou modalidade dos valores vitais e sentimentais engloba os valores anímicos: o nobre e o vulgar, o amor e o ódio, o ciúme e a indiferença, o sentimento de juventude e o sentimento de velhice, o sentimento de vitória e o sentimento de derrota, a coragem e a cobardia.

 

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Quinta-feira, 7 de Março de 2013
Teste de filosofia do 10º ano de escolaridade (2º teste do 2º período, 2013)

 

 Eis um teste de filosofia de final de 2º período lectivo do 10º ano de escolaridade, em Portugal, na linha do ensino da filosofia baseado na compreensão, invenção e relacionação de conteúdos metafísicos, éticos, gnosiológicos, etc, evitando a redução ao deserto da lógica formal e a interpretação minimalista do programa.

 

Escola Secundária Diogo de Gouveia, Beja

TESTE DE FILOSOFIA, 10º ANO TURMA C
4 de Março de 2013.            Professor: Francisco Queiroz

 

"Aparentemente, pelo menos, o imperativo categórico de Kant é mais difícil de pôr em prática do que a moral utilitarista de Stuart Mill. Lao Tse, filósofo do taoísmo, escreveu que  «o santo conhece sem viajar, compreende sem olhar, realiza sem agir.» e isto liga-se ao combate entre racionalismo e empirismo e tem alguma semelhança com a ética do estoicismo.”

 

1) Explique, concretamente, este texto.

II

2) Relacione, justificando:

A) Lei dialéctica da contradição principal e binómio esquerdas/direitas em política.
B) Hierarquia dos valores, esfera dos valores vitais e esfera dos valores espirituais na doutrina de Max Scheler.
C) Indução amplificante, dedução e percepção empírica.

                                                                                                                    III

3) Construa um diálogo entre um anarquista, um comunista leninista, um social-democrata (socialista democrático), um liberal e um fascista sobre a propriedade das fábricas e quem as deve gerir, e sobre o valor da democracia parlamentar ou liberal (burguesa).

 

CORREÇÃO DO TESTE COTADO EM 20 VALORES

 

1) O imperativo categórico em Kant sustenta a equidade, o agir respeitando todos como pessoa humana: «Age como se quisesses que a tua acção seja uma lei universal da natureza». Isto é impraticável em certos casos como, por exemplo, o de um capitão de um navio que se afunda e tem de escolher entre 200 passageiros em risco de morrer os 30 que devem ir no único salva-vidas disponível. A ética utilitarista de Stuart Mill rege-se pelo princípio da maior felicidade, isto é, a acção deve proporcionar felicidade à maioria dos envolvidos numa situação, mesmo prejudicando algumas pessoas, a minoria. E no caso dos 30 passageiros a ser salvos entre 200 cujas vidas se perderiam, o utilitarismo não conseguiria sequer aplicar o princípio da felicidade da maioria dos envolvidos na situação (ESTAS FRASES VALEM TRÊS VALORES). Lao Tse, filósofo do taoísmo, uma doutrina quietista que assenta na oscilação entre o Yang (dia, luz, movimento) e o Yin (noite, escuridão, repouso), defendeu que se conhece sem viajar, e se compreende sem olhar, isto é, defendeu o racionalismo - a grande fonte dos nossos conhecimentos é o raciocínio, a razão - e minimizou o empirismo - doutrina que diz que as percepções empíricas são a fonte dos conhecimentos e moldam as nossas ideias. O taoísmo, doutrina que preconiza, racionalmente, o não agir, isto é, o não ser ambicioso, não lançar guerras, não seguir as carreiras de político e universitário, é semelhante ao racionalismo estóico porque este preconiza o autodomínio, não ser ambicioso nem colérico, não lançar guerras, não se importar com a opinião injusta dos outros, aguentar e abster-se. (ESTAS FRASES VALEM QUATRO VALORES).

 

2) A) A lei dialéctica da contradição principal sustenta que um sistema de múltiplas contradições/ contrariedades pode ser reduzido a uma única contradição, chamada contradição principal, agrupando num dos polos um bloco de contradições, secundárias entre si, e no outro polo as restantes ou quase todas as restantes contradições. A contradição principal manifesta-se, muitas vezes, entre as esquerdas - o bloco social e político desconfiado dos ricos capitalistas ou mesmo inimigo destes enquanto classe social- e as direitas - o bloco das pessoas amigas dos capitalistas privados, em geral, e do valor liberdade empresarial por cima do valor igualdade social. Em momento de eleição presidencial em segunda volta, como sucedeu em 16 de Fevereiro de 1986, as esquerdas socialista, comunista, trotskista e alguns semi amarquistas uniram-se num polo da contradição principal e votou Mário Soares (51% dos votos); as direitas PSD, CDS, monárquica e outa formaram o outro polo da contradição principal, votando Freitas do Amaral (49% dos votos). (VALE TRÊS VALORES)

 

2)  B) Hierarquia de valores é uma escala ou escadaria de valores, dos mais altos aos mais baixos. Nas quatro esferas de valores idealizadas por Max Scheler há uma hierarquia: em baixo, a esfera dos valores sensíveis (o prazer e a dor; o útil e o inútil), um patamar acima está a esfera dos valores vitais (o nobre e o vulgar, os sentimentos de alegria e tristeza, ciúme, orgulho, humilhação, saúde e juventude, doença e velhice, etc), um patamar acima está a esfera dos valores espirituais (estética: o belo e o feio; ética: o bem e o mal e o concomitante direito, o legal e o ilegal; filosofia ou descoberta da verdade em si e as concomitantes ciências, fundadas na utilidade, verdades por referência). (VALE TRÊS VALORES)

 

2) C) A indução amplificante - inferir de alguns casos particulares, empíricos, uma lei geral; exemplo, observo 200 sobreiros e verifico que em todos se forma uma casca de cortiça e induzo que «Todos os sobreiros do mundo produzem cortiça»- baseia-se na percepção empírica ou observação directa pelos sentidos (visão, tacto, etc; vejo a cortiça nos sobreiros). A dedução- inferir de uma lei ou tese geral para outra tese geral ou para casos particulares - também se relaciona com a percepção empírica (o ver, o tocar, o cheirar, etc) na medida em que esta última confirma ou não a dedução. (VALE TRÊS VALORES)

 

3) Anarquista: «A propriedade das fábricas deve ser dos trabalhadores e elas devem ser geridas pela assemleia geral de todos os trabalhadores. Queremos a autogestão e não a nacionalização (o Estado patrão) nem a privatização (o patrão capitalista privado).

Comunista : «A propriedade das fábricas deve ser de todo o povo, elas devem ser nacionalizadas a fim de garantir emprego aos trabalhadores e dirigidas por funcionários comunistas que asseguram a realização do plano de produção colectivista decidido pelo governo leninista».

Social-democrata: «As fábricas devem estar, em grande parte na mão de capitalistas privados, aos quais serão aplicados altos impostos progressivos, mas algumas (minas, siderurgia, armamento, etc) devem estar nacionalizadas, ser propriedade do Estado, a fim de fortalecer a classe média.»

Liberal: «As fábricas devem estar todas ou quase todas nas mãos de capitalistas privados, que são o motor da economia.»

Fascista: «As fábricas devem ser dos patrões mas estes não poderão fechá-las nem despedir operários a seu bel-prazer. O Estado nacional fascista terá algumas empresas nacionalizadas - electricidade, minas, siderurgia, etc - e  zelará para que não haja greves nem protestos de esquerda ou outros nas fábricas em geral.»

 

Anarquista: « A democracia parlamentar é um Estado e todos os Estados são ditaduras da classe capitalista ou das classes feudais e semifeudais sobre os trabalhadores. Os anarquistas desprezam as eleições ao parlamento pois estas nunca levam à autogestão, ao poder do povo.»

Comunista leninista:« A democracia parlamentar é melhor que o fascismo mas é um regime que protege os capitalistas privados e a desigualdade social. Os comunistas concorrem às eleições legislativas e autárquicas locais mas gostariam mais de uma ditadura de esquerda, em que a economia fosse nacionalizada sob um governo comunista.»

Socialista democrático: «A democracia parlamentar é o melhor regime político porque os cidadãos gozam de liberdades de greve, imprensa, manifestação de rua, iniciativa empresarial e escolhem livremente através do voto quem os deve governar.»

Liberal: «A democracia parlamentar é o melhor regime político porque os cidadãos gozam de liberdades de greve, imprensa, manifestação de rua, iniciativa empresarial e escolhem, livremente, através do voto quem os deve governar.»

Fascista: «A democracia parlamentar é um regime de fraca qualidade porque permite a liberdade de acção de anarquistas, comunistas, socialistas, gays, lésbicas, emigrantes indesejados, e entrega aos riquezas da pátria áo capital estrangeiro. Os fascistas desejam um Estado nacional, de partido único, uma ditadura de direita.» (VALE QUATRO VALORES)

 

  

 

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Quarta-feira, 5 de Dezembro de 2012
Teste de filosofia para o 10º ano de escolaridade- II (Dezembro de 2012)

Eis um teste de filosofia para o 10º ano de escolaridade, final do primeiro período lectivo,  em Portugal, numa linha oposta à do lobby da filosofia analítica que descasca, mutila e exaure de forma empobrecedora a árvore da filosofia tradicional e contemporânea substantiva. Damos conteúdos inteligentes e pedimos aos alunos que os interiorizem e relacionem para depois os extravasar.

 

Escola Secundária Diogo de Gouveia com 3º Ciclo, Beja

 

TESTE DE FILOSOFIA, 10º ANO TURMA C

 

5 de Dezembro de 2012.            Professor: Francisco Queiroz

 

I

 

“A teoria da participação em Platão, do mesmo modo que a relação entre conceito e percepção empírica, exprime bem o problema do uno e do múltiplo na filosofia. O indeterminismo biofísico com livre-arbítrio (vulgo: libertismo) implica responsabilidade na acção, ao contrário do determinismo biofísico sem livre-arbítrio (vulgo: determinismo radical).

 

 

 

1) Explique concretamente este texto.

 

 

 

II

 

2)Relacione, justificando:

 

  

A)    Juízo de facto, juízo de valor e metafísica.

 

B)    Indução amplificante necessitarista, indução estatística e dedução.

 

C)    Hylé, substância e eidos, em Aristóteles, e lei da tríade.

 

III

 

3)Disserte sobre o seguinte tema:

 

   “As quatro esferas ou modalidades de valores segundo Max Scheler e o Nous, o Tumus/Tymus e a Concupiscência na alma humana, segundo Platão”.

  

 

CORREÇÃO DO TESTE COTADO PARA UM TOTAL DE VINTE VALORES

1) A teoria da participação, segundo a qual os entes materiais participam - imitam - nos arquétipos que estão no mundo superior inteligível envolve as noções de uno e múltiplo. O uno - por exemplo, o arquétipo ou forma pura de Triângulo - é participado ou imitado pelo múltiplo - neste caso: as centenas de milhar de triângulos em pedra, gesso, madeira, ferro ou escrita de papel que há no mundo material em que vivemos.  O conceito ou ideia representa o uno  e as percepções empíricas ou conjuntos de sensações visuais são o múltiplo. Exemplo: o conceito de sobreiro é um só e corresponde a múltiplos, milhares de sobreiros que estamos a ver (percepções empíricas). (A PRIMEIRA FRASE DO TEXTO DA PERGUNTA VALE TRÊS VALORES). O indeterminismo biofísico com livre-arbítrio é a teoria segundo a qual a natureza não funciona segundo leis necessárias mas ao acaso (exemplo: a chuva pode cair fria e pouco depois quente no mesmo local, a pedra largada no ar ora cai ora flutua no ar, etc) e o homem dispõe de livre-arbítrio, isto é, capacidade de escolher livremente após reflexão. Como tem livre-arbítrio, é responsável. O determinismo biofísico sem livre-arbítrio é a teoria segundo a qual a natureza se rege por leis necessárias de causa-efeito e não existe o livre-arbítrio, os homens decidem por instinto, sem reflexão. Neste caso, os homens são irresponsáveis, não têm culpa dos erros que cometem. (A SEGUNDA FRASE DO TEXTO DA PERGUNTA VALE TRÊS VALORES)

 

2-A) O juízo de facto é uma afirmação ou negação ligando dois ou mais conceitos referindo-se a realidades objectivas, patentes a todos. Exemplo: «O Alentejo possui muitos olivais e montados de azinho e sobro.» Aparentemente, não há metafísica neste juízo, sendo metafísica a região das entidades invisíveis e desconhecidas e a teoria sobre elas. O juízo de valor é uma afirmação ou negação de caracter subjectivo ou intersubjectivo (neste caso: comum a várias pessoas). Exemplos: «O aborto voluntário é um acto mau», «As revoluções são acontecimentos benéficos», etc. No juízo de valor existe metafísica, isto é, especulação sobre o que é bem ou mal, «vida no além», Deus, origem da vida no cosmos, etc. (VALE TRÊS VALORES).

 

2-B) A indução amplificante  é a generalização, em lei infalível, de alguns exemplos empíricos (exemplo: «Aplicamos a cura de beber água destilada em 1000 pessoas e todas melhoraram, logo beber um litro e meio ou dois de água destilada por dia melhora a saúde de todos os seres humanos»). A dedução é um raciocínio em que a conclusão está implícita nas premissas processa-se por necessidade lógica, de uma premissa geral a uma conclusão particular ou do geral ao geral (exemplo: «Os peixes respiram por guelras, a sardinha é um peixe, portanto a sardinha respira por guelras»). A indução estatística é o raciocínio que parte de alguns exemplos empíricos, algo aleatórios, e generaliza segundo uma média estatística. Exemplo: «Há 15 dias, num domingo, vieram 617 pessoas a esta praia, há 8 dias, num domingo, vieram 530 pessoas a esta praia, induzo que hoje, domingo, venham entre 550 a 600 pessoas a esta praia.» (VALE TRÊS VALORES).

 

2-C) A hylé ou matéria-prima universal é como um vasto oceano sem forma nem existência, segundo Aristóteles. Ao receber o eidos ou forma de uma espécie, como um papel em branco recebe a marca de um carimbo metálico, a hylé dá origem a compostos ou substâncias individuais: este cavalo branco, aquele cavalo castanho. A lei da tríade diz que um processo dialético se divide em três fases: a tese ou afirmação, a antítese ou negação e a síntese ou negação da negação, que resume e concilia as duas anteriores. Assim a substância individual é a síntese, a forma/eidos é a tese e a hylé/matéria universal é a antítese. (VALE TRÊS VALORES).

 

3) Max Scheler estabeleceu quatro esferas ou modalidades de valor e em cada uma delas valores de coisa, de função e de estado:

- Esfera dos valores sensíveis (prazer e dor físicos, agradável e desagradável, sendo o útil e o inútil valores de referência). Corresponde à concupiscência ou parte inferior da alma, sede dos instintos de comer, beber, reproduzir-se, etc, na teoria de Platão. Exemplo: nesta esfera, sopa de feijão é um valor de coisa, apetite e capacidade digestiva é um valor de função e sensação de saciedade com o estômago cheio ou semi cheio é um valor de estado

- Esfera dos valores vitais ( o nobre e o vulgar, coragem e cobardia, saúde e doença, juventude e velhice, sentimento de vitória ou de derrota, ciúme, inveja, etc). Corresponde sobretudo, ao tumus ou tymus, ou parte média da alma, onde residem a coragem, o sentimento de coragem, de honra, de brio militar, de orgulho. Exemplo: nesta esfera, um castelo ou cidade a conquistar pelas armas é um valor de coisa, apetite guerreiro e capacidade de luta  é um valor de função e sentimento  de vitória ou de derrota após a batalha é um valor de estado.

- Esfera dos valores espirituais ( bem e justo,mau e injusto, ética; belo e feio, estética; verdadeiro e falso, filosofia, e como domínio derivado, ciências ). Corresponde, em Platão, ao Nous ou Razão intuitiva ou parte superior da alma que apreende os arquétipos do Bem, do Belo, do Número, do Justo- e à Dianóia ou razão discursiva matemática. Exemplo: nesta esfera, o livro «Metafísica» de Aristóteles é um valor de coisa, a capacidade de ler e entender as suas teses é um valor de função e sentimento  de sabedoria filosófica alcançado é um valor de estado.

- Esfera dos valores do santo e do profano ( deuses ou Deus ou espíritos eternos, numa perspectiva; o universo sem Deus nem deuses, noutra perspectiva). Corresponde ao Nous, que apreende Deus, o arquétipo de Bem, ou à Dianóia, no caso dos ateus, que apreende os entes matemáticos e outras formas.  Exemplo: nesta esfera, o santuário cátaro de Montsegur é  um valor de coisa, a capacidade de sentir o divino ou o mágico desse lugar montanhoso é um valor de função e o sentimento  de integração com a divindade ou o cosmos inteiro  é um valor de estado. (VALE CINCO VALORES; OUTRAS RESPOSTAS CORRECTAS SÂO POSSÍVEIS).

 

 

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