Domingo, 29 de Março de 2020
Durão Barroso, a Loja Maçónica Trilateral e a presidência da UE

 

Encontro, casualmente, um amigo bem informado. Conversamos à sombra de uma tília, na rua, frente a uma vivenda construída segundo as sólidas regras da arquitectura do Estado Novo.

Ele diz: «Durão Barroso é membro da Loja Trilateral, integrada no Grande Oriente Lusitano, uma loja maçónica que inclui o chefe da comunidade muçulmana em Portugal e o líder da comunidade judaica em Portugal. Isso pesou quando, sendo Primeiro-Ministro de Portugal de 2002 a 2004, foi chamado em Julho de 2004 a ser o 11.º Presidente da Comissão Europeia, cargo que exerceu de 2004 a 2014.»

 

«E há-de reparar que, quando Durão Barroso sai da presidência da UE, as guerras no Médio Oriente rebentam com mais intensidade. Claro que o facto de ele estar ligado ao grupo Goldman Sachs que controla os bancos e ao clube de Bilderberg que promove a União Europeia, pesou na sua ascensão a grande figura internacional.»

 

Nesse momento da conversa, eu penso em datas capitais do abalo do mundo árabe, com Barack Obama na presidência dos EUA desde 2009 e Durão Barroso na presidência da comissão europeia: a Guerra Civil na Líbia, iniciada pelos protestos em Bengazi em 13 de Fevereiro de 2011; a Guerra na Síria iniciada em 15 de Março de 2011, no  contexto da Primavera Árabe quando houve uma série de protestos contra o governo de Bashar al-Assad (1965); a Guerra na Tunísia, iniciada em  14 de setembro de 2012, com a invasão de mil manifestantes da embaixada estadunidense em Túnis, incendiando dois de seus edifícios e hasteando a bandeira negra dos salafistas jihadistas. do Ansar al-Sharia, a Al-Qaeda no Magrebe Islâmico.

 

E o meu amigo prossegue:

«Em Portugal, como sabe, é imenso o poderio das lojas maçónicas que formam uma tarântula que domina o parlamento, as câmaras municipais, os grandes escritórios de advogados, as televisões e jornais, as direções centralistas dos partidos políticos, todos cúmplices entre si. Os políticos não são livres nem intérpretes dos interesses populares, são agentes dos grandes empresários da banca, das indústrias química, farmacêutica, metalúrgica, da construção civil e auto-estradas,etc. É um país sem planeamento regional em que cada município age por si sem se coordenar regionalmente com os vizinhos, e isso facilita a corrupção, o mau uso de fundos públicos. A Inglaterra há 20 anos que pratica o planeamento regional, cada região possui a sua universidade, os custos de transportes públicos são definidos cosendo o mapa dos interesses e investimentos de cada município e por isso estava prepatada para sair da UE. Nós ainda não começamos a fazer isso.»

 

«A França e a Alemanha são mais sérias e decidiram reduzir as ajudas dos Fundos de Coesão a países como Portugal que não investem nos concelhos do interior. Foi por isso e contra isso que António Costa promoveu a Cimeira dos Amigos da Coesão em Beja, em 1 de Fevereiro de 2020, com governantes de 17 países da UE. Em 46 anos de regime democrático, os sucessivos governos do PS, do PSD e do CDS fizeram só 40 quilómetros de via férrea, de Évora a Badajoz, desprezando o comboio que é o meio de transporte mais ecológico e barato para servir as populações».

 

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Domingo, 10 de Novembro de 2019
Daniel Estulin: o clube de Bilderberg está em declínio

 

 

Daniel Estulín (29 de Agosto de 1966, Vilnius, República Socialista Soviética da Lituânia), ex oficial do KGB, politólogo, especializou-se em estudar a influência Clube de Bilderberg na política mundial - um grupo de multimilionários, banqueiros, presidentes de repúblicas e chefes de governo, deputados, directores de cadeias de televisão e jornais, aristocratas, sociólogos, especialistas de manipulação de massas, que reúne uma vez por ano, em Maio ou Junho, desde 1954.

 

Marcelo Rebelo de Sousa, Jorge Sampaio, António Guterres, José Sócrates, Eduardo Ferro Rodrigues, Augusto Santos Silva, Inês de Medeiros, Santana Lopes, António Costa, Rui Rio, Elisa Ferreira, Fernando Teixeira dos Santos, Paulo Macedo, Fernando Medina, Durão Barroso, Manuela Ferreira Leite, Maria Luís Albuquerque, Nuno Morais Sarmento, Paulo Portas, Ricardo Salgado, Leonor Beleza, Artur Santos Silva, Clara Ferreira Alves, José Eduardo Moniz, Paula Amorim, Vasco de Melo, Eduardo Marçal Grilo, João Gomes Cravinho, Miguel Horta e Costa, Nicolau Santos, Isabel Mota, Luís Amado, foram, pelo menos uma vez, a reuniões deste Clube que impulsionou a criação do Mercado Comum Europeu e da União Europeia.

 

Em Portugal, o membro permanente é Francisco Balsemão que, em Novembro de 1980, semanas antes do assassinato pela C.I.A, em 4 de Dezembro de 1980, do seu amigo e primeiro-ministro de Portugal Francisco Sá Carneiro, que desagradava aos EUA, reuniu em Lisboa com o bilderberger Henry Kissinger, mentor do golpe fascista de 1973 no Chile. Escreveu Estulin em 2006 em um seu livro:

 

«A Segunda Guerra Mundial tal como demonstro neste livro e como amplamente expus no meu primeiro livro sobre o Clube de Bilderberg, foi astutamente financiada  pelos Rockefeller, os Loeb e os Warberg. O príncipe Bernhard, fundador do Clube Bilderberg, também estava implicado. Era nazi. A família real britânica, na sua maioria, simpatizava com os nazis, do mesmo modo que o Eastern Establishment "liberal" dos Estados Unidos, a rede plutocrática que domina a vida económica, política e social de este país. Hitler, a besta, foi criado pelos mesmos que hoje assistem em segredo às reuniões do Clube de Bilderberg, do CFR (Council on Foreing Relations) e da Comissão Trilateral.  A história, para esta gente, é um quadro em branco na qual defecar contra a angústia dos outros.»

(Daniel Estulin, Los secretos del Club de Bilderberg, Editorial Planeta, 2006, pag. 268).

 

Em entrevista publicada no jornal I em 19 de Fevereiro de 2019, Daniel Estulin declara que o clube de Bilderberg está em declínio porque o sistema de livre comércio e de convertibilidade do dólar em ouro definido nos acordos de Bretton Woods de 1944 entrou em colapso

 

«Quem são as outras figuras importantes deste plano para controlar o mundo?

 

«Temos sido condicionados para pensar que os presidentes e primeiros-ministros eleitos são realmente quem decide o destino dos nossos países e que, através de “eleições democráticas”, as pessoas podem mudar o destino das suas nações. Isto não faz qualquer sentido. Presidentes e primeiros-ministros são “mão-de-obra contratada” que comanda em nome da elite invisível. Conceptualmente, o mundo é governado por poderes supranacionais que não respondem aos cidadãos das nações, mas às estruturas de poder supranacionais das elites. Pode pensar que o presidente Trump é “o mais poderoso político à face da Terra”, quando, de facto, Trump é um projeto de um grupo alternativo de interesses supranacionais que nem sequer é americano. Os EUA são hoje parte de um projeto da elite banqueira financeira liberal/projeto especulativo com base em Wall Street. Esse projeto está hoje morto e podemos ver isso pelo colapso que vemos ao nosso redor. O grupo alternativo, chamado Black International (aristocracia europeia, realeza, os Rotschild, o Vaticano), conseguiu fazer com que o seu candidato se tornasse presidente. Em novembro de 2014, disse publicamente que o presidente dos EUA seguinte seria, muito provavelmente, alguém como Trump.»

 

Só os convidados podem participar na conferência. Quem é convidado e porquê?

 

«Não se pode comprar a entrada no Bilderberg. O comité diretivo decide quem convidar. Procuram um banqueiro liberal entusiasta One World ou um socialista fabiano que possam fazer avançar a agenda. Por vezes, os seus candidatos acabam por ocupar posições importantes no palco nacional e internacional, como é o caso de José Manuel Durão Barroso, do presidente Bill Clinton. Quando um membro Bilderberg se vê envolvido em escândalos públicos que podem estragar a reputação do Grupo Bilderberg, esses membros são impedidos para sempre de voltar a participar nos encontros, como é o caso do príncipe Bernardo da Holanda.»

 

Em que podemos ver a influência de Bilderberg hoje em dia?

 

«A sua influência está a decair porque o modelo que representa está moribundo. Ainda são muito fortes como se pode ver pela sua luta contra Trump e os Estados Unidos, mas acabarão por desaparecer, juntamente com o FMI, Banco Mundial, Organização Mundial de Comércio, Davos, porque todas essas instituições representam um modelo acabado – Bretton Woods.» ( in Jornal I, entrevista de António Rodrigues, 19 de Fevereiro de 2019; o destaque a negrito é posto por nós)NOTA:

 

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Sábado, 10 de Março de 2018
Do fascismo nacionalista de Salazar ao eurofascismo

Em 30 anos, de 1974 a 2004,  passamos do fascismo nacionalista e católico de Salazar ao eurofascismo anti-nacional da União Europeia.  Não há meio termo. Do 8 oscila-se para o 80. De ano a ano, o federalismo europeu avança, uniformizando tudo. A Alemanha de Hitler, sem campos de extermínio, renasce na Alemanha de Merkel e de Schultz. A UE é já um estado fascista brando que persegue os patriotas anti UE rotulando-os de "extrema-direita", absorve milhões de imigrantes islâmicos para destruir as identidades nacionais da Itália, Suécia, França, etc. e esse fascismo unitário está presente na forma como silencia ou ignora, de Outubro de 2017 ao momento presente, os desejos de independência dos catalães.O PCP mantém uma correcta exigência de saída de Portugal da UE. O BE tem uma posição ambígua a este respeito, fruto da sua visão trotskista original de revolução em permanente expansão a outros países.

 

 

Tanto António Costa como Rui Rio, Durão Barroso, António José Seguro, António Barreto, Ferro Rodrigues, Marcelo Rebelo de Sousa, Paulo Portas, Jorge Sampaio, Manuela Ferreira Leite, Santana Lopes, José Sócrates, Ricardo Salgado e outros são membros do Clube de Bilderberg, um dos tentáculos dos Illuminati que lutam por um governo mundial único, uma ditadura fascista global colorida de "regionalismos". Votar neles é que os Illuminati querem...São políticos marionetas dos banqueiros e das elites político-financeiras transnacionais.

 

Quase todos os  professores de filosofia, de sociologia, de história, de política, os jornalistas e comentadores em geral, de Pacheco Pereira a António José Teixeira, de José Manuel Fernandes a António Vitorino, não denunciam nem discutem o carácter progressivamente fascista da União Europeia, um novo império romano, cuja génese está no tratado de Roma de Março de 1957. Todos são vozes «diferentes» do mesmo Big Brother, do mesmo patrão. A ditadura comunista na China não é, no essencial, muito distinta da ditadura "democrática" da União Europeia: em ambas os opositores são censurados, silenciados e por vezes assassinados a tiro. O MI5, espionagem britânica, e a CIA assassinam cidadãos «perigosos» que denunciam o sistema capitalista global, promotor das guerras do tráfico de drogas, etc.

 

«São os grupos (NOTA NOSSA: dos Illuminati, supremos maçons satanistas globalizadores) os responsáveis da aparição do estado fascista centralizado chamado União Europeia». (David Icke, Hijos de Matrix, pag 483).

 

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Segunda-feira, 1 de Julho de 2013
Jean Baudrillard: o hiper-realismo e a simulação ou o papel perverso da síntese fechada e eclética

 

Em livro publicado há 31 anos, o  filósofo e sociólogo francês Jean Baudrillard, nascido em 27 de Julho de 1929, caracterizou o fenómeno do hiper-realismo, da simulação e dos simulacros, que, através dos media, a televisão em particular, domina desde os anos 70, pelo menos, as democracias ocidentais. A simulação é, por exemplo, o fingimento orquestrado de que as pessoas são donas do seu destino através de um cenário que lhes confere essa ilusão: comporta, por exemplo,  o  programa «Big Brother», o «Peso Pesado» e todos os programas de televisão que exibem grupos de pessoas na sua privacidade quotidiana, deixando o espectador "ver" a intimidade dos actores,  as engrenagens ocultas do poder familiar, grupal, dando "poder" ao espectador e aos actores.

 

A simulação comporta, igualmente, o protesto de massas controlado por dirigentes ordeiros, que fingem ser contra os governantes, a alta finança, os poderosos mas suavizam o protesto e desarmam-no.

É algo que é real e fictício ao mesmo tempo, que elimina a possibilidade de uma revolução anti capitalista genuinamente democrática que eleve a sociedade a um estádio novo, se este for possível.

 

Baudrillard escreveu, distinguindo entre dissimulação e simulação:

 

«Dissimular é fingir não ter ainda o que se tem. Simular é fingir ter o que não se tem. O primeiro refere-se a uma presença, o segundo a uma pura ausência. Mas é mais complicado pois simular não é fingir: " Aquele que finge uma doença pode simplesmente meter-se na cama e fazer crer que está doente. Aquele que simula uma doença determina em si próprio alguns dos respectivos sintomas.» (Littré). Logo, fingir ou dissimular deixam intacto o princípio da realidade: a diferença continua a ser clara, está apenas disfarçada, enquanto que a simulação põe em causa a diferença do "verdadeiro" e do "falso", do "real" e do "imaginário". O simulador está ou não doente, se produz "verdadeiros" sintomas? Objectivamente não se pode tratá-lo nem como doente nem como não doente» (Jean Baudrillard, Simulacros e Simulação, páginas 9-10, Relógio d´Água).

 

 

«Hoje a abstracção já não é a do mapa, do duplo, do espelho e do conceito. A simulação não é já a simulação de um território, de um ser referencial, de uma substância. É a geração pelos modelos de um real sem origem nem realidade: hiper-real. O território já não precede o mapa, nem lhe sobrevive. É agora o mapa que precede o território - precessão dos simulacros - é ele que engendra o território cujos fragmentos apodrecem lentamente sobre a extensão do mapa. É o real, e não o mapa, cujos vestígios sobrevivem aqui e ali, nos desertos que já não são os do Império, mas o nosso. O deserto do próprio real

 

«De facto, mesmo invertida, a fábula é inutilizável. Talvez subsista apenas a alegoria do Império. Pois é com o mesmo imperialismo que os simuladores actuais tentam fazer coincidir o real, todo o real, com os seus modelos de simulação. Mas já não se trata do mapa nem de território. Algo desapareceu: a diferença soberana de um para o outro, que constituía o encontro da abstracção. Pois é na diferença que consiste a poesia do mapa e o encontro do real. .Este imaginário da representação, que culmina e ao mesmo tempo se afunda no projecto louco de cartógrafos, de uma coextensividade ideal dos mapas e do território, desaparece na simulação  - cuja operação é nuclear e genética e já não espectacular e discursiva. É toda a metafísica que desaparece.» (Jean Baudrillard, Simulacros e simulação, pag 8, Relógio d´Água).

 

 

A metafísica, isto é, a crença num mundo ideal, diferente e «transcendente» a este como, por exemplo, uma democracia participativa radical individualista em que todos os cidadãos estão informados e controlam a governação, ou o comunismo, desaparece porque a simulação faz desabar o andar de cima da casa da idealização humana.

 

Exemplo de como a simulação absorve  a generalidade dos protestos sociais foram as grandes manifestações de 80 000 e 100 000 professores em 8 de Março e 8 de Novembro de 2007 em Lisboa, contra o novo e burocrático sistema de avaliação de professores desenvolvido pelo ministério da educação de Maria de Lurdes Rodrigues e o governo Sócrates: os professores manifestaram-se, os sindicatos tansportaram em autocarros os manifestantes e discursaram ameaçando a ministra (simulação) mas acabaram por esvaziar a luta aceitando um memorando de entendimento (17 de Abril de 2008, simulacro) e marcando um dia de greve (3 de Dezembro) sem sequência de luta (simulação).

 

O interessante traço da hiper-realidade é que as manifestações estavam a ser transmitidas em directo pela televisão a todo o país como se a classe dominante, a burguesia, representada pelo PS, PSD e CDS, se estivesse a criticar ou a destruir a si mesma. Os sindicatos, tal como os profissionais da informação, são agentes de simulacros: aparelhos, entidades, que fingem estar ou estão momentaneamente à esquerda, cativando o descontentamento dos professores e as quotas sindicais, e, depois, surgem à direita ao assinar acordos com o ministro da Educação, ao suavizar a contestação, ou ao modelar a informação televisiva, dando uma no cravo e outra na ferradura.

 

Baudrillard escreveu:

«Os media carregam consigo o sentido e o contra-sentido, nada pode controlar este processo, veiculam a simulação interior ao sistema e a simulação destruidora do sistema, segundo uma lógica absolutamente (...) circular. Não há alternativa, não há resolução lógica. Apenas uma exacerbação lógica e uma resolução catastrófica.» (ibid, pag 116)

 

 

São dois problemas distintos, mas interdependentes: a desaparição do ideal metafísico, densificando por completo o real; o abarcar horizontal de todo o campo das alternativas possíveis por uma mesma força, multifacetada, hidra de muitas cabeças, que domina os media.

 

É esta a visão dos estrategas da globalização do tipo clube de Bilderberg de George Soros, Henry Kissinger e Durão Barroso que, em reuniões anuais, secretas no seu conteúdo, escolhem, no centro-direita e no centro-esquerda, os políticos que lideram grandes partidos concorrentes entre si às eleições num dado país de modo a que, ganhe um ou ganhe outro, ganha sempre o mundialismo anti-pátrias de Bilderberg. Nas eleições de 20 de Fevereiro de 2005, em Portugal, tanto o primeiro-ministro e líder do PSD Santana Lopes como o líder do maior partido de «oposição», o PS, José Sócrates, eram membros do grupo de Bilderberg: tinham ido ambos à reunião de Seveso, Itália, em Junho de 2004, a convite de Francisco Pinto Balsemão, e, um ou vários meses depois, haviam ascendido à liderança dos respectivos partidos.

 

 

O hiper-realismo é a realidade sem o sonho, com a subversão, por elites manipulatórias, dos valores éticos, estéticos  e políticos das massas populares, é o pragmatismo no seu grau extremo. É a síntese fechada, englobando a tese e a antítese, de modo «pluralista»..

 

Sob um certo aspecto, o nacional-socialismo e o marxismo-leninismo-estalinismo são sínteses entre o capitalismo liberal ou social-democrata e o seu oposto, o socialismo baseado na autogestão das empresas: o nacional-socialismo ou fascismo de demagogia social ataca alguns grupos capitalistas (a finança judeo-maçónica, os republicanos democratas) e em simultâneo esmaga as organizações operárias (os anarquistas, anarco-sindicalistas, comunistas, socialistas de esquerda ou centro); o leninismo-estalinismo idem, ao fazer uma síntese entre a burguesia e o proletariado através da criação de estados totalitários em que a antiga burocracia capitalista se funde com a propriedade colectiva dos meios de produção (uma antiga reivindicação do anarquismo). Estas sínteses que se convertem em teses ditatoriais geram antíteses fortes.

 

Mas o hiper-realismo de aparência democrática e dialética não é a síntese que esmaga a tese a antítese, a síntese redutora, mas a síntese eclética, a síntese fechada, que não permite a criação de uma nova tese. Por isso, Baudrillard no final deste livro elogia o terrorismo anti estatal e anti capitalista como a solução digna dos oprimidos e explorados: a democracia formalmente instituída é uma farsa, um cenário de pluralismo controlado pela classe dominante.

 

  

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