Sábado, 28 de Maio de 2016
Teste de Filosofia do 10º ano, turma A (Maio de 2016)

 

Eis um teste de filosofia centrado no tema religião, opção escolhida pelos alunos da turma.

 

 

Agrupamento de Escolas nº1 de Beja

Escola Secundária Diogo de Gouveia, Beja

TESTE DE FILOSOFIA, 10º ANO TURMA A

24 de Maio de 2016. Professor: Francisco Queiroz.

 I

  «O rito é a reactualização do mito que se refere à transcendência. O realismo crítico não se liga necessariamente ao espiritualismo ou ao materialismo”.

 

1) Explique estes pensamentos.

 

2)Faça corresponder a cada um dos cinco elementos da filosofia chinesa do Feng Shui e do taoísmo, o respectivo ponto cardeal, animal, campo de vida (profissão, casamento, etc), cor, sentido humano (audição, visão, etc.), estação do ano, hora do dia, percentagem de yang (jovem, velho) e de yin, e aplique a lei da contradição principal a esse conjunto

 

.3)Relacione, justificando:

A) Dharmas, eu e impermanência, no budismo.
B) Ser fora de si, alienação e panteísmo, na doutrina de Hegel sobre a ideia absoluta.

 

CORREÇÃO DO TESTE COTADO PARA 20 VALORES

 

1)  O rito é um conjunto de gestos e cerimónias (exemplo: a missa dos católicos, o passar as contas de um rosário entre as mãos dos budistas) que visam reacender os mitos sagrados do princípio do mundo, isto é, as cenas lendárias dos deuses, anjos, demónios ou antepassados de uma tribo ou povo. O partir do pão (rito) na missa católica evoca ou põe na ordem do dia a morte de Cristo na cruz (mito). Transcendência é estar fora de ou além de e neste contexto mito da transcendência significa o mito que fala de seres sobrenaturais, em regra deuses que criam o mundo ou nele intervêm.  (VALE TRÊS VALORES). O realismo crítico é a teoria que afirma que há um mundo material anterior às mentes humanas e independente destas que o captam de maneira distorcida. O realismo crítico em Descartes consiste em postular o seguinte: há um mundo de matéria exterior às mentes humanas, feito só de qualidades primárias, objetivas, isto é, forma, tamanho, número, movimento. As cores, os cheiros, os sons, sabores, o quente e o frio só existem no interior da minha mente, do organismo do sujeito, pois resultam de movimentos vibratórios de partículas exteriores já que o mundo exterior é apenas composto de formas, movimentos e tamanhos. Ora esta teoria é compatível com o materialismo, doutrina que afirma que a matéria é o princípio eterno do mundo, que Deus e deuses não existem nem almas no «Além», e que o espírito é uma forma subtil de matéria. É também compatível com a maioria das formas de espiritualismo, doutrina que afirma que o espírito (Deus, deuses, espíritos humanos) é eterno ou criador do universo de matéria e que esta deriva do espírito. (VALE QUATRO VALORES)

 

2) Os cinco elementos da filosofia chinesa do taoísmo são: madeira, fogo, terra, metal e água. As correspondências de cada um são:

 

MADEIRA. Este. Dragão verde. Crescimento, família. Cor verde. Visão. Nascer do sol. Jovem Yang.

FOGO. Sul. Fénix. Fama. Fala. Verão. meio dia, velho Yang (máximo Yang ou máxima luz e calor).

TERRA. Sudoeste (ou Centro, segundo algumas interpretações). Serpente. Cor: amarelo. Fim do verão. Casamento, amores.  Sabor. Meio da tarde. Igual proporção de Yang e Yin.

METAL. Oeste. Tigre branco. A criatividade, os filhos. O olfato. Outono. Cor branca. Pôr do sol. Jovem yin (algum frio e humidade).

ÁGUA. Norte. Tartaruga negra. A profissão, os negócios. Audição. Inverno. Meia noite, velho Yi ( máximo Yin ou máxima escuridão e frio).

A lei da contradição principal diz que um sistema de múltiplas contradições pode ser reduzido a uma só, organizando-as em dois blocos, podendo haver uma ou outra contradição na zona neutra. Assim podemos, por exemplo, colocar de um lado o bloco Yang (Madeira/primavera ; Fogo/Verão) e do outro lado o bloco Yin (Metal/ Outono, Água/Inverno), ficando na zona neutra a Terra/Fim do Verão na qual Yang e Yin se equilibram. Há outras maneiras de estruturar a contradição principal. (VALE SEIS VALORES)

 

3) A)  Dharma em sentido geral significa Lei da Natureza. Dharmas em sentido particular são as qualidades físicas, psíquicas e intelectuais que, por assim dizer, flutuam no cosmos como átomos, sem sujeito, e se juntam para formar o eu mutável, a personalidade de uma pessoa. Assim a cor dos olhos, a forma do rosto e do corpo, as sensações de prazer e dor, os impulsos sentimentais, a consciência são dharmas que formam o eu em mudança ou impermanência de cada um: quem fica cego perdeu o dharma da visão, quem fica em coma perdeu o dharma da consciência. O eu é impermanente, na verdade nem existe, porque os dharmas que o formam mudam a cada instante, embora haja um eu superior, o Atmã, destituído de dharmas e imortal. (VALE QUATRO VALORES)

 

3-B) O ser fora de si é a segunda fase da ideia absoluta: Deus, que era ser em si, pensamento puro,  alienou-se em matéria física, isto é, separou-se de si mesmo enquanto espírito pensante, transformou-se em espaço, tempo, em astros, montanhas, rios, plantas e animais. Isto é panteísmo, doutrina que afirma que a natureza biofísica é divina: o sol e a lua são olhos de Deus, os mares são a linfa de Deus, erc. (VALE TRÊS VALORES).

 

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Quarta-feira, 16 de Dezembro de 2015
Pequenas reflexões de Dezembro de 2015

 

 Eis algumas reflexões avulsas, várias delas banais,  que surgiram no meu espírito neste Dezembro de 2015 .

 

O ANTI-SEXO- Quando pensamos racionalmente de forma muito aguda, descobrimos que o acto sexual entre duas ou mais pessoas é anti-higiénico. Sexo anal? Tem um aspecto nojento, ainda que possa ser agradável a uma parte dos que o praticam. Sexo bucal? Só de pensar que a rapariga que desejo beijar já teve a sua boca numa protuberância masculina do baixo ventre impede-me de a beijar. Gangbang? Que porcaria tão promíscua, casais na mesma sala a fazer sexo em grupo. Mesmo o sexo vaginal, o menos anti higiénico, comporta riscos, inconvenientes. A natureza criou a beleza nos corpos para os levar a cometer essa coisa anti-higiénica chamada acto sexual. Poder-se-á chamar a isso amor biológico, que quase nada tem a ver com o amor espiritual. O sexo menos viral, mais puro, ainda é o auto.sexo. Para nós, homens, era mais tranquilizante quando as mulheres chegavam, em grande quantidade, virgens ao casamento e não conheciam a inquietante promiscuidade de hoje em que as jovens são quase todas muito «rodadas»...Enfim, é a liberdade delas e longe de mim impedi-las.

 

AVALON E ABALOU. No Alentejo, costumamos dizer em vez de «ela/ele foi-se embora» a expressão «ela/ele ABALOU». Ora, foneticamente, ABALOU sugere AVALON, a ilha mítica da MAÇÃ, onde se dava culto à Deusa Mãe da Natureza, fomentando o matriarcado, a sociedade das mulheres livres e hegemónicas face ao homem. Talvez o Alentejo, agora com as albufeiras de Alqueva que possuem ilhas no meio, seja a Avalon de Portugal...

 

AVALON, BABALON, BABILÓNIA -O nome Avalon, a ilha mágica onde se daria culto à grande Deusa Mãe, do matriarcado, das mulheres sacerdotisas e das mulheres livres sexualmente, lembra Babalon, a deusa da luxúria, a Vénus libertina, e lembra Babilónia.

 

A HISTÓRIA BÍBLICA DE EVA E A MAÇÃ. Segundo o livro do Génesis, no Paraíso Terrestre, a serpente . isto é o dragão, símbolo dos poderes celestes - teria dado a Eva a MAÇÃ e esta a teria dado a provar a Adão, o que teria desagradado a Deus que os expulsou do Paraíso. A MAÇÃ simboliza a ilha de Avalon ou Thule, suposta sede de culto à Grande Deusa da Natureza, fonte da liberdade da mulher, da sexualidade livre e da magia natural, e esta mitologia matriarcal é condenada pelo judaísmo, religião dos patriarcas e da opressão da mulher. Segundo o catolicismo e o protestantismo, «Eva introduziu o pecado» no mundo. Mas que pecado é esse? O da sexualidade livre, o da sensualidade feminina? E que Deus é esse senão o Deus masculino, Iavé, que se opõe à Grande Deusa?

 

E TU, HOMEM, QUE, COM RISO TROCISTA, ATACAS COM VIRULÊNCIA OS HOMOSSEXUAIS (GAYS E LÉSBICAS), LEMBRA-TE que estás apenas a atacar o homossexual escondido que existe na tua alma e cuja existência não queres admitir.

 

AS VIAGENS INÚTEIS. Ir de Beja a Lisboa é uma viagem inútil, espiritualmente falando. Lisboa é bela mas entediante, está cheia de comerciantes, de intelectuais superficiais, de filósofos de meia tigela que elogiam Karl Popper e Peter Singer e proclamam que «os astros não podem determinar o destino dos homens», Lisboa está cheia de bares, cafés e hostels...Essa viagem será útil, no sentido físico e monetário do termo, se trabalhas em Lisboa e aí recebes o teu salário ou se lá vais fazer compras. De resto, as grandes viagens, as substanciais, fazem-se dentro do centro histórico de Beja: do liceu para a esplanada do Luís da Rocha onde te sentas às 11,30 da manhã de sábado, corriges alguns testes escritos e vais observando a sociedade bejense que desfila na rua, os casais, os bebés, os reformados, depois vais a pé ao Jardim do Bacalhau, podes ir à Praça da República, algo vazia a esta hora, e ao castelo com a grande torre de menagem. Em Beja, há de tudo e tens tudo - ires para Lisboa é fugires a ti mesmo. Beja é familiar, ama-te e protege-te, com os seus campos de trigo, oliveiras e girassóis em redor. Quando o degelo fizer subir as águas do mar estas cobrirão Faro, Lisboa, Porto mas Beja ficará acima do nível das águas... Somos Camelot, a cidade mágica do Graal (GRANDE ALENTEJO)...Beja!

  

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