Quarta-feira, 14 de Março de 2012
Dois testes de filosofia do 10º ano de escolaridade em Portugal (final do 2º período)

 

Eis dois testes de filosofia do 10º ano de escolaridade em Portugal, nos moldes que preconizo para desenvolver a capacidade filosófica dos alunos, fazer deles seres cultos e raciocinantes. Não tem perguntas de resposta quádrupla em cruz que, normalmente, abundam nos testes dos professores de filosofia de nível mediano ou medíocre que se recusam a pensar ou são incapazes de pôr os seus alunos a pensar em profundidade. Respostas de cruz a perguntas de escolha múltipla em testes de filosofia é sinal de anti-filosofia ou pseudofilosofia, unidimensionalidade do pensamento, em regra.

 

 Escola Secundária com 3º ciclo Diogo de Gouveia, Beja

 

TESTE DE FILOSOFIA, 10º ANO TURMA D

 

Março de 2012,   Professor: Francisco Queiroz              

 

I

 

“A filosofia hermética dos construtores aplicava, na construção das catedrais da idade média, o princípio do microcosmos- macrocosmos que é, de certo modo, um princípio metafísico. A ascese em Platão, a noese e a dianóia ligam-se ao racionalismo mas a epithimia liga-se ao empirismo. A epochê dos estóicos visa atingir a ataraxia e tem semelhanças com a ética do taoísmo. Thomas Hobbes tinha uma visão do estado de natureza diferente daquela que tinha John Locke, e por isso o contratualismo de Hobbes é distinto do de John Locke e um destes dois liga-se ao iluminismo».

 

 

 

1) Explique, concretamente, cada uma destas frases.

 

 

 

2) Relacione, justificando:

 

 

 

A) Valores ético-políticos das esquerdas e das direitas, liberdade e igualdade económica.

 

B) Determinismo com livre-arbítrio e fatalismo.

 

C) Princípio da maior felicidade em Stuart Mill e empirismo.

 

D) Propriedade privada das empresas e autogestão operária, por um lado, e liberalismo, comunismo leninista e anarquismo, por outro lado.

 

E) Imperativo categórico e imperativo hipotético em Kant e dualismo antropológico no estoicismo.

 

F) Uno e múltiplo, por um lado, conceito e percepção empírica, por outro.

 

  

 

CORREÇÃO DO TESTE ( COTADO PARA 20 VALORES)

 

1) A filosofia hermética, isto é, esotérica, inspirada em princípios metafísicos secretos atribuídos a Hermes Trimegistus, dos arquitetos das catedrais medievais incluía o princípio de que o microcosmos (pequeno universo; por exemplo, uma montanha, uma igreja) era o espelho do macrocosmos (grande universo: o céu com as estrelas, as galáxias). Assim, os templários erguiam os seus castelos de modo a que a planta arquitetónica destes imitasse o desenho da constelação do Boeiro ou de outras constelações celestes. A catedral medieval - como vimos na visita de estudo a Sevilha - é um microcosmos que imita o imaginário corpo cósmico de Cristo de braços abertos: a abside representava a cabeça de Cristo e deveria estar voltada a Oriente, onde nasce o Sol, símbolo de Cristo; o transepto representava os braços abertos de Cristo e o altar o coração; as naves, central e lateral, o tronco e as pernas de Cristo. O princípio da correspondência entre o superior e o inferior é metafísico porque se apreende por intuição noética, não pelos orgãos sensoriais (ESTAS QUATRO FRASES ANTERIORES VALEM DOIS VALORES). A ascese em Platão, ou seja, ascensão da alma racional ao inteligível, mediante a filosofia, a matemática e a música, desligando-se da matéria, a noese ou apreensão direta dos arquétipos de Bem, Belo e outros e a dianóia ou raciocínio demonstrativo são formas de racionalismo, doutrina que diz que a razão e os seus raciocínios é a fonte do conhecimento e da verdade, negando ou desvalorizando as sensações, ao passo que a epithimia ou parte inferior da alma localizada no ventre e baixo-ventre (desejos de comer, beber, possuir riquezas materiais, etc) se liga ao empirismo, doutrina que afirma que a grande fonte dos nossos conhecimentos é a experiência sensorial, o que vemos, cheiramos, saboreamos e tocamos (VALE DOIS VALORES). A epochê dos estóicos é a suspensão do juízo de valor ( exemplo: «Dizem-te que a tua casa ardeu, faz epochê, não consideres isso uma tragédia») e visa atingir a ataraxia, isto é, a calma absoluta e é semelhante à ética quietista do taoísmo porque esta preconiza «não ter ambições, não agir, não procurar desvendar os segredos do Estado». (VALE DOIS VALORES). Thomas Hobbes achava que o estado de natureza, isto é, a sociedade sem leis, nem Estado, era perigosa e nela «o homem é o lobo do homem» e preconizava um contratualismo absolutista, ou seja, um acordo de milhares ou milhões de homens para, a troco da sua segurança, entregar o poder a um rei absoluto, um ditador ao passo que John Locke via aspetos positivos no estado de natureza e sustentava o contratualismo liberal, ou seja, o acordo de milhões de homens para a criação de um Estado liberal, que garantisse a propriedade privada e liberdades individuais políticas, dotado de um parlamento livremente eleito, residindo a soberania no povo. É Locke quem se inspira nos princípios iluministas consagrados depois dele: liberdade, igualdade e fraternidade, os homens nascem livres e iguais por direito natural e devem pensar e agir autonomamente, de forma racional (VALE DOIS VALORES).

 

2) A) Os valores ético-políticos das esquerdas (anarquistas, comunistas leninistas, socialistas ou sociais-democratas) são: limitar ou aniquilar o poder dos muitos ricos, da alta burguesia, e promover uma moderada ou radical igualdade económica ( os socialistas, através de impostos progressivos sobre as grandes fortunas, os comunistas nacionalizando estas, os anarquistas impondo a autogestão operária nas empresas), dando liberdade aos sindicatos e correntes de esquerda (excetuando as ditaduras comunistas neoestalinistas onde a liberdade é letra morta). Os valores ético-políticos das direitas (liberais e neoliberais, conservadores e fascistas) são: fazer crescer o poder dos ricos e dos muito ricos, privatizar muitas empresas estatais, na convição de que o capitalismo de concorrência é o melhor sistema possível que dá emprego a quase toda a gente, combatendo o igualitarismo económico dos comunistas e anarquistas e defendendo a democracia liberal capitalista (exceção feita aos fascistas, que desejam uma ditadura direitista). (VALE DOIS VALORES)

 

2) B) Determinismo com livre-arbítrio, chamado no manuais determinismo moderado, é a corrente segundo a qual a natureza se compõe de leis necessárias, infalíveis ( nas mesmas circunstâncias, as mesmas causas produzem sempre os mesmos efeitos) e o homem dispõe da capacidade de escolher,livremente, mediante a reflexão, esta ou aquela cadeia determinista, realizar ou não certo ato, certo valor. O fatalismo é diferente uma vez que sustenta que tudo está predestinado e não há livre-arbítrio humano. (VALE DOIS VALORES)

 

2) C)  O princípio da maior felicidade de Stuart Mill sustenta que a acção moral deve ser altruísta, visar a felicidade de uma maioria das pessoas envolvidas, ainda que com prejuízo de uma minoria de pessoas ou do próprio agente da ação. O empirismo sustenta que quase todas as nossas ideias derivam das sensações, das perceções sensoriais. Assim, por exemplo, a noção de maior felicidade para os alunos de uma dada escola no ultimo dia de aulas exige uma visão empírica ou empirista: se a maioria dos alunos se acumula com prazer no ginásio grande da escola a ouvir música dos «Feedback Line», dos «Contraluz» ou de outro grupo musical adolescente aí está a prova da ligação entre a felicidade da maioria e a apreensão empírica dela. (VALE DOIS VALORES)

 

2) D) A propriedade privada das empresas é o facto de as fábricas, lojas, supermercados, herdades agrícolas, transportadoras aéreas, fluviais ou terrestres, etc, serem, juridicamente, pertença de um ou vários capitalistas ( os acionistas). É defendida pelo liberalismo como sendo a base do progresso e da liberdade mas é combatida por comunistas leninistas - que numa fase inicial defendem as pequenas empresas - e por anarquistas. Estes últimos são os grandes defensores da autogestão operária, isto é, a doutrina da expropriação e expulsão dos patrões das empresas que ficam a funcionar sob o comando da assembleia geral de todos os operários, engenheiros e contabilistas. Os marxistas-leninistas apoiam algumas empresas em autogestão mas preferem as empresas nacionalizadas sob governo comunista porque isso lhes permite centralizar a economia e dirigi-la. ( VALE DOIS VALORES)

 

2) E) O imperativo categórico em Kant é a verdadeira lei moral que se enuncia assim: «Age como se quisesses que a tua ação fosse a lei universal da natureza, aplicando a tua máxima a todos por igual, sem distinções e sem egoísmo.» Brota do eu numénico ou racional. Corresponde às máximas estóicas do tipo «Actua com benevolência em relação a todos os seres humanos, mesmo em relação aos que te ofendem, porque a razão universal é uma só e uma só é a tua linhagem, a espécie humana»  geradas no eu interior ou racional. O imperativo hipotético em Kant, lei amoral ou de falsa moral, diz o seguinte: «Age por interesse egoísta, de modo a beneficiares primeiro que tudo a ti mesmo ou a ti e aos teus familiares e amigos, prejudicando ou desprezando outras pessoas ou a humanidade em geral». Brota do eu fenoménico ou empírico e corresponde, no estoicismo, ao "eu exterior" ou corpo físico de cada um. Assim se correspondem os dois dualismos, sendo designados de dualismo antropológico porque dividem o homem em dois pólos, o racional e o físico-empírico. (VALE DOIS VALORES)

 

2) F) Uno é o Um e múltiplo é o dois, três, quatro e assim infinitamente. O conceito parece ser uno em relação às percepções empíricas similares que são múltiplas. Exemplo:o conceito ou ideia de sobreiro é um só e corresponde às muitas imagens (percepções empíricas) de sobreiros que estou, neste momento, a ver neste campo do Alentejo. (VALE DOIS VALORES) .

 

Nota para a correção: nas perguntas de relacionação entre dois ou mais conceitos, a cotação para cada resposta dada deve obedecer a um princípio de premiar o aluno que estuda e sabe as definições separadamente: assim deverá receber 50% a 60% da cotação da pergunta desde que defina correctamente os conceitos, embora não consiga interligá-los.

 

Vejamos um segundo teste de filosofia.

 

NOTA: A esmagadora maioria dos professores de filosofia, centrados na lógica proposicional clássica - que, no 11º ano mergulha os alunos nos inspetores de circunstâncias, nos operadores verofuncionais, nos silogismos disjuntivos, hipotéticos e dilemas, na «avaliação de argumentos», na negação do condicional, do bicondicional, das leis de Morgan, conhecimentos de lógica inúteis para o verdadeiro filosofare centrados em conteúdos mais ou menos confusos, infetados pelo desprezo da ontologia dos clássicos (Platão, Aristóteles. Leibniz, Hegel, etc), desprezo que os manuais de 10º ano editados veiculam, não pode nem sabe dar testes da qualidade dos que aqui apresento: dá testes superficiais, sem amplitude filosófica autêntica, insubstanciais. E, no entanto, quanta arrogância nesta geração de licenciados, mestres e doutorandos (entre os 25 e os 50 anos de idade) de faculdades de filosofia! Estas estão instrumentalizadas por catedráticos destituídos de visão holística que, entre outras asneiras, declaram que «a astrologia histórica é uma superstição anticientífica» sem, como é óbvio, terem investigado minimamente o assunto! Nenhum dos famosos "vinte e cinco melhores pensadores do mundo" segundo o «Nouvel Observateur», entre eles José Gil, consegue conceber que o destino das pessoas e sociedades é determinado pelas movimentações do Sol, da Lua e dos planetas no Zodíaco. São, cosmologicamente, néscios. A filosofia universitária bloqueia, a partir das cátedras, a aletheia, a desocultação da verdade.

 

 Escola Secundária com 3º ciclo Diogo de Gouveia, Beja

 

TESTE DE FILOSOFIA, 10º ANO TURMA A

 

 Março de 2012         Professor: Francisco Queiroz           

 

I

 

“A filosofia hermética dos construtores aplicava, na arquitectura das catedrais da idade média, o princípio do microcosmos- macrocosmos que é, de certo modo, um princípio metafísico. A substituição do Estado social pelo Estado liberal é uma expressão da luta entre as direitas e as esquerdas no quadro do capitalismo e do Estado de direito democrático inspirado no iluminismo. Thomas Hobbes tinha uma visão diferente da de Rousseau sobre o estado de natureza e, por isso, preconizava um contratualismo diferente do de John Locke e do de John Rawls, o último dos quais se opunha explicitamente ao socialismo autoritário.”

 

 

 

1) Explique, concretamente, cada uma destas frases.

 

                                                        II

 

2) Relacione, justificando:

 

 

 

A) Princípio da maior felicidade em Stuart Mill e imperativo categórico em Kant.

 

B) Essência, acidente e reminiscência em Platão.

 

C) Realismo ontológico, idealismo ontológico e objetividade.

 

D) Ética do taoísmo e ética do estoicismo.

 

E) Relativismo e teoria do acto e da potência em Aristóteles.

 

F) Indeterminismo biofísico  com livre-arbítrio (libertismo) e fatalismo.

 

 

 

CORREÇÃO DO TESTE (COTADO PARA 20 VALORES)

 

1) A filosofia hermética, isto é, esotérica, inspirada em princípios metafísicos secretos atribuídos a Hermes Trimegistus, dos arquitetos das catedrais medievais incluía o princípio de que o microcosmos (pequeno universo; por exemplo, uma montanha, uma igreja) era o espelho do macrocosmos (grande universo: o céu com as estrelas, as galáxias). Assim, os templários erguiam os seus castelos de modo a que a planta arquitetónica destes imitasse o desenho da constelação do Boeiro ou de outras constelações celestes. A catedral medieval - como vimos na visita de estudo a Sevilha - é um microcosmos que imita o imaginário corpo cósmico de Cristo de braços abertos: a abside representava a cabeça de Cristo e deveria estar voltada a Oriente, onde nasce o Sol, símbolo de Cristo; o transepto representava os braços abertos de Cristo e o altar o coração; as naves, central e lateral, o tronco e as pernas de Cristo. O princípio da correspondência entre o superior e o inferior é metafísico porque se apreende por intuição noética, não pelos orgãos sensoriais (ESTAS QUATRO FRASES ANTERIORES VALEM DOIS VALORES). A substituição do Estado social, isto é, do Estado social-democrata, - um Estado capitalista de centro-esquerda, que oferece saúde e ensino gratuitos ou quase gratuitos a toda a população, subsídio de desemprego, rendimento de inserção social e pensões diversas aos desfavorecidos à custa de impostos progressivos sobre os ricos - pelo Estado liberal - um Estado mínimo capitalista, que reduziu ou aboliu a gratuidade do ensino e dós cuidados de saúde, reduziu ao mínimo a segurança social, deixando milhões de desempregados entregues à sorte -  reflete a luta entre a direita (liberais, conservadores e fascistas), adepta das privatizações de empresas,  e as esquerdas (socialistas ou sociais-democratas, comunistas e anarquistas) adeptas da nacionalização de empresas estratégicas ou mesmo da autogestão operária. As esquerdas querem manter, no imediato, o Estado social e as direitas fazem-no emagrecer transformando-o em Estado liberal, não intervencionista na economia, quase reduzido só aos corpos militares e policiais, fiscais, judiciais e político-parlamentares. Ambos - Estado Social e Estado Liberal - são formas do Estado de direito democrático, isto é, um Estado baseado numa constituição que consagra a tripartição de poderes (legislativo, executivo e judicial) e que consiste numa democracia multipartidária, com eleições periódicas de um parlamento nacional e parlamentos locais, liberdade de imprensa, greve operária, propriedade privada de empresas, manifestação de rua e reunião, associação sindical e política, culto religioso e ateísmo, etc, de acordo com os princípios do iluminismo, filosofia da liberdade, igualdade e fraternidade entre todos os homens, que nascem livre e iguais em direitos e deveres e devem pensar e agir autonomamente, de forma racional. (ESTAS FRASES ANTERIORES VALEM TRÊS VALORES NO CONJUNTO). Thomas Hobbes achava que o estado de natureza, isto é, a sociedade sem leis, nem Estado, era perigosa e nela «o homem é o lobo do homem» e preconizava um contratualismo absolutista, ou seja, um acordo de milhares ou milhões de homens para, a troco da sua segurança, entregar o poder a um rei absoluto, um ditador ao passo que Rousseau via o estado de natureza de forma positiva, uma sociedade de homens livres em estado selvagem, cada um alimentando-se dos frutos de árvores à sua disposição, sem impor escravidão ou servidão a outros (doutrina do bom selvagem). John Locke,  e mais tarde, no século XX, John Rawls, sustentavam o contratualismo liberal-democrático, ou seja, o acordo de milhões de homens para a criação de um Estado liberal, que garantisse a propriedade privada e liberdades individuais políticas, dotado de um parlamento livremente eleito, residindo a soberania no povo. Rawls defendia que os cidadãos deveriam votar as leis a coberto de um véu de ignorância sobre a riqueza e o poder de cada um e rejeitava o socialismo autoritário, isto é, a ditadura comunista marxista-leninista que expropria a burguesia tradicional (VALE DOIS VALORES). 

 

2) O princípio da maior felicidade de Stuart Mill sustenta que a acção moral deve ser altruísta, visar a felicidade de uma maioria das pessoas envolvidas, ainda que com prejuízo de uma minoria de pessoas ou do próprio agente da ação.  O imperativo categórico em Kant, a verdadeira lei moral segundo este,  enuncia-se assim: «Age como se quisesses que a tua ação fosse a lei universal da natureza, aplicando a tua máxima a todos por igual, sem distinções e sem egoísmo e trata cada ser humano como um fim em si e não um meio .» Brota do eu numénico ou racional. Stuart Mill contenta-se com a felicidade de uma maioria mas Kant deseja a felicidade ou a infelicidade de todos, uma vez que o seu objetivo é a equidade universal da ação emanada de um mesmo sujeito. (VALE DOIS VALORES).

 

2- B) Em Platão, as essências são os arquétipos do mundo inteligível, as formas imóveis e eternas do Bem, do Belo, do Justo, do Dois, do Quatro, etc. A reminiscência é a lembrança vaga desses arquétipos que a alma na sua descida ao mundo material ou sensível conserva, depois de quase tudo esquecer no rio Letes. O acidente é um traço ou acontecimento fortuito que não existe no arquétipo em si mas no modo como a alma se comporta ante ele: há almas que não contemplam o arquétipo de Justo ou de Sábio e isso é por acidente. (VALE DOIS VALORES).

 

2-C) Realismo ontológico: o mundo material subsiste por si mesmo, fora das mentes humanas. Idealismo ontológico: o mundo material está dentro da imensa mente humana de cada um. Objetividade é o caráter de objeto, coisa ou situação visível para todos ou compreensível para todos mediante uma razão comum. Aparentemente, o realismo ontológico é «mais objetivo» que o idealismo. Mas... (VALE DOIS VALORES).

 

2-D) A ética do taoísmo preconiza o não agir, o refrear os desejos, aceitar uma vida calma e trabalhosa como a de um camponês sedentário, desconfiado dos estudos e dos políticos, astuto, que estuda o seu inimigo elogiando-o, até um dia o poder derrubar. A ética do estoicismo preconiza a aceitação do destino, o autodomínio obtido mediante o eu racional, o «guia interior», a benevolência face a todos os seres humanos, a epoché ou suspensão do juízo de valor («Falam mal de ti? Não consideres isso mau nem bom. Suspende o juízo») visando a ataraxia ou impassibilidade da alma. Tanto o taoísmo como o estoicismo recomendam contenção dos desejos, autodomínio. (VALE DOIS VALORES)

 

2-E) Relativismo é a doutrina segundo a qual as coisas e suas propriedades, os valores, mudam conforme o tempo, o lugar, as sociedades, as culturas. Ato é a realidade presente de algo, potência é a capacidade de esse algo se transformar no futuro e o resultado previsível dessa transformação. Exemplo: a semente é semente em ato e árvore em potência. O relativismo exprime-se na dualidade ato potência: as coisas são algo em ato e são algo diferente em potência, o seu ser é relativo ao tempo em que se encontra. (VALE DOIS VALORES)

 

2-F) Indeterminismo biofísico com livre-arbítrio é a doutrina segundo a qual não há leis fixas, necessárias, de causa-efeito na natureza (exemplo: nem todos os seres humanos envelhecem, nem todos se alimentam de sólidos e sobrevivem) e há livre-arbítrio, possibilidade de deliberar racionalmente sobre as ações. Fatalismo é o oposto, sob certo aspeto: não há livre-arbítrio, todos os acontecimentos estão rigorosamente predestinados. (VALE DOIS VALORES). 

 

 

Nota para a correção: nas perguntas de relacionação entre dois ou mais conceitos, a cotação para cada resposta dada deve obedecer a um princípio de premiar o aluno que estuda e sabe as definições separadamente: assim deverá receber 50% a 60% da cotação da pergunta desde que defina correctamente os conceitos, embora não consiga interligá-los.

 

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publicado por Francisco Limpo Queiroz às 00:55
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Sexta-feira, 27 de Janeiro de 2012
Valores ético-políticos: uma síntese de sete correntes para estudantes de filosofia do secundário

 

Coloquemos sete correntes políticas em análise: três de esquerda (anarquistas, comunistas, sociais-democratas), uma de centro (centristas), três de direita (liberais, conservadores e fascistas/ absolutistas monárquicos). Como caraterizar, de forma sumária, a diferença entre esquerdas e direitas? 
 
As esquerdas desconfiam dos muito ricos e dos ricos e pretendem limitá-los e reduzi-los com elevados impostos (caso da esquerda social-democrata ou socialista reformista) ou eliminá-los enquanto classe social (caso dos comunistas marxistas-leninistas, dos trotskistas e dos anarquistas) visto que entendem que quanto mais ricos houver mais pobres haverá. As direitas apoiam os muito ricos e os ricos e defendem o direito a cada um enriquecer através do trabalho próprio e alheio, dizendo que os capitalistas são o motor da economia próspera e da sociedade livre e plural já que dão emprego a milhões de trabalhadores e promovem a diversidade (a direita fascista exerce um controlo estatal sobre os capitalistas não permitindo o livre funcionamento do mercado de capitais e bens em toda a sua extensão). 
 
ANARQUISMO (EXTREMA-ESQUERDA)
 
Ideia geral: O capitalismo (existência de empresários e assalariados, com os primeiros a apropriarem-se da MAIS-VALIA ou MAIS-VALOR que os operários criam) é um mau regime e o Estado, mesmo que tenha eleições livres e multipartidarismo (caso do Estado de direito democrático), é uma ditadura dos capitalistas ou dos aristocratas ou dos burocratas estalinistas sobre os trabalhadores, que são explorados. No capitalismo social-democrata (PS) ou neoliberal (PSD) e conservador (CDS), o parlamento e as eleições multipartidárias são uma farsa: ganham os partidos que gastam milhões na propaganda escrita e televisiva , nos comícios e campanhas de rua e depois os deputados eleitos não prestam contas ao povo e vivem como burgueses ricos. O marxismo-leninismo é uma má ideologia porque faz os operários cair sob a ditadura comunista-estalinista (Cuba, Coreia do Norte, etc).  Os anarquistas defendem a AÇÂO DIRETA – a luta de rua com a polícia que defende a burguesia – e alguns defendem o ATENTADO TERRORISTA SELETIVO. Há que suprimir o Estado (exército, polícia, tribunais, parlamento, etc) e instaurar a AUTOGESTÃO ou DEMOCRACIA DE BASE SEM PATRÕES anticapitalista: cada fábrica é gerida pela assembleia de operários e engenheiros, cada bairrro por uma assembleia de todos os moradores, as terras são geridas por cooperativas de trabalhadores, etc.. A economia é coletivista e pode haver pequenos negócios individuais (se um barbeiro não quer juntar-se à cooperativa local exerce sozinho, sem empregados): o povo governa e tem armas em casa (milícia popular), o aborto é livre, não há vacinas obrigatórias, gays e lésbicas são livres, a prostituição é proibida («o amor não se compra»), o ensino é gratuito e as escolas fazem os seus programas, as prisões quase não existem, há liberdade de viajar pelo mundo inteiro, as pessoas ganham mais ou menos o mesmo, não há desemprego.
 
 COMUNISMO MARXISTA-LENINISTA (VULGO: ESTALINISMO, ESQUERDA AUTORITÁRIA)
  
Ideia geral: O Estado, no capitalismo (regime da propriedade privada dos meios de produção – fábricas, terras, mar – e troca – hipermercados, bancos, etc) é uma ditadura da classe burguesa sobre o proletariado. Por isso os comunistas estão nos sindicatos, nas fábricas, nas ruas incentivando lutas contra a descida dos salários e a alta de preços nos transportes, na alimentação, etc. No capitalismo europeu e outro, os comunistas concorrem às eleições livres para eleger deputados no parlamento – ao contrário dos anarquistas – mas dizem que as eleições não são isentas porque os muito ricos financiam os partidos maiores, da burguesia, (PSD, CDS e PS, no caso português) e enganam ou alienam os trabalhadores. Quando o partido leninista se apoderar do Estado este passará a ser um instrumento dos trabalhadores. A economia «comunista» é coletivista e centralizada: as minas, a eletricidade, hipermercados, siderurgia, fábricas em geral são nacionalizadas, dirigidas pelo partido comunista, que não permite despedimentos e não autoriza greves nas suas empresas e na sociedade que ele domina. O aborto é permitido, os partidos de direita e centro-esquerda (socialistas) e os grupos anarquistas e trotskistas de extrema-esquerda são proibidos, a televisão e os jornais sofrem a censura (caso de Cuba, China e Coreia do Norte), as eleições são de lista única, em princípio. O estalinismo é a ditadura comunista incarnada num chefe (Estaline na URSS de 1922 a 1953) venerado e temido como um semi-deus. O objetivo último do comunismo é a sociedade sem classes à escala mundial, desaparecendo teoricamente os aparelhos de Estado (governo, parlamento, forças armadas, etc).
 
 
SOCIALISMO REFORMISTA OU SOCIAL-DEMOCRACIA (ESQUERDA CAPITALISTA-SOCIAL)
 
Ideia geral: uma vez que a anarquia é utópica e o comunismo leninista é uma ditadura sufocante, há que criar um capitalismo vincadamente social, dito de esquerda reformista, uma social-democracia, em que ao lado das empresas privadas, - cujos capitalistas pagam grandes impostos a fim de financiar o subsídio de desemprego universal, o ensino público gratuito, o sistema de saúde gratuito – existem as cooperativas e empresas em cogestão ( patrões e operários dividem lucros e direção da empresa) . Sustenta que nem tudo deve ser privatizado, algumas empresas estratégicas devem ficar na mão do Estado que faz preços mais baixos que os privados: a siderurgia, o transporte ferroviário, os autocarros urbanos, a rede nacional de eletricidade, um canal de televisão, os correios, etc. São permitidas as liberdades de imprensa, greve, manifestação de rua, sexual (uniões de gays e lésbicas), religião e ateísmo, aborto, eutanásia, ensino, ação de partidos políticos e sindicatos – tudo isto ideais da maçonaria que tem muitos políticos e intelectuais socialistas. A social-democracia defende a união europeia e a globalização capitalista mas põe reservas à desregulamentação desta. Deixa entrar na Europa os imigrantes vindos da Ásia, América Latina, África. Em Portugal, o PS e a ala direita do BE representam o socialismo reformista ou democrático.
 
 CENTRISMO SOCIAL-LIBERAL (JOHN RAWLS) OU CRISTÃO-DEMOCRATA
 
Ideia geral: o socialismo em qualquer uma das formas (anarquista, comunista leninista ou socialista democrático) é paralisante da economia porque tem demasiado coletivismo ou demasiado Estado na economia, o liberalismo, o conservadorismo e o fascismo são políticas que servem o egoísmo dos muito ricos e criam injustiça social. Assim há que lançar um meio termo: o centro social-liberal ou democrata-cristão. Não exige nacionalizar empresas – ao contrário das esquerdas – mas impõe impostos progressivos sobre os capitalistas (os destes que ganharem 1 milhão de euros ao mês pagarão, por exemplo, 50% de imposto). Defende a subsidiaridade (apoios aos mais pobres). Em Portugal, a ala direita do PS (Sócrates, etc) e ala esquerda do PSD e CDS representam o centrismo.
 
 
LIBERALISMO E NEOLIBERALISMO (DIREITA CAPITALISTA)
 
Ideia geral: o socialismo em qualquer uma das formas (anarquista, comunista leninista ou socialista democrático) é paralisante da economia porque tem demasiado coletivismo ou demasiado Estado na economia, assim o motor desta devem ser as empresas privadas porque os patrões é que sabem desenvolver investimentos e lucros e dar emprego. São permitidas as liberdades de imprensa, greve, manifestação de rua, sexual (uniões de gays e lésbicas), religião e ateísmo, aborto, eutanásia, ensino, ação de partidos políticos e sindicatos – tudo isto ideais da maçonaria que tem muitos políticos e intelectuais liberais e neoliberais . Os despedimentos devem ser fáceis, com pequenas ou nenhumas indemnizações aos operários, a liberdade económica (liberalismo) deve imperar, hospitais, serviços de eletricidade e águas municipais, escolas podem ser privatizados e o Estado deve emagrecer. Deixe-se enriquecer os muitos ricos, que paguem poucos ou nenhuns impostos, porque são eles que movimentam a economia, compram os automóveis, jóias e vestuário de luxo, etc. Os capitais devem circular livremente, apoia-se a União Europeia e a globalização. Em Portugal, o PSD representa esta corrente, ainda que haja uma minoria de centristas e sociais-democratas no PSD.

 
CONSERVADORISMO (DIREITA CAPITALISTA)
 
Ideia geral: o capitalismo (existência de patrões e assalariados) é o melhor regime possível, as esquerdas são negativas porque ameaçam os donos do capital privado, os poderes do Estado e da polícia devem ser fortes para reprimir os extremistas de esquerda e os desordeiros dos sindicatos, as igrejas (protestante ou católica ou outra) devem ser apoiadas porque são contra o aborto livre, o adultério e a promiscuidade sexual, e contra os casamentos de gays e lésbicas, o consumo livre de certas drogas, etc. Defende as privatizações das empresas estatais – a eletricidade, as águas, os transportes públicos urbanos, muitos hospitais e escolas devem sair das mãos do Estado e ser vendidos a capitalistas e acionistas privados- e a extinção do rendimento mínimo garantido a fim de obrigar «os que não trabalham a procurar emprego». O conservadorismo apoia uma certa democracia pluralista (o parlamento, as eleições livres) mas, é fortemente anticomunista e antianarquista e, em certos casos, pode exigir a ilegalização dos partidos comunistas. Quer alguma distância face ao federalismo europeu. Em Portugal, o CDS é o partido conservador.
 
FASCISMO OU ABSOLUTISMO MONÁRQUICO (EXTREMA-DIREITA)
 Ideia geral: O anarquismo e o comunismo são o mal maior porque suprimem a iniciativa privada, mas a social-democracia (centro-esquerda) e o liberalismo e conservadorismo (direitas) são más políticas porque promovem a democracia liberal ou parlamentar, governo dos muito ricos e da imoralidade. Há que expulsar imigrantes e manter a raça portuguesa livre de “contaminação”, fazendo Portugal sair da União Europeia. Há que proibir a pornografia na televisão e cinema, desenvolver as ideias de «Deus, pátria, família e honra militar», perseguir ou neutralizar gays e lésbicas, proibir os partidos políticos e as eleições livres, acabar com os sindicatos, as greves e manifestações de protesto, militarizar a sociedade e estabelecer uma paz autoritária em que as pessoas obedeçam ao chefe sem contestar. Nas escolas, deve haver separação de sexos. Haverá restrições ao uso da internet e a polícia política poderá prender a qualquer momento os subversivos. Ditadura de um partido único anticomunista e tradicionalista é a solução. Há que promover um capitalismo nacional, fortemente controlado pelo Estado, baseado no corporativismo que impede a luta de classes: os patrões ficam proibidos de despedir operários e estes impedidos de fazer greve e propaganda política contra o Estado Nacional.
 
ALGUMAS QUESTÕES PARA ESTUDANTES
 
 
1) Destas 7 correntes políticas há 4 que aceitam a democracia parlamentar/ liberal como um fim em si mesma, como o regime mais perfeito. Quais são?
 
Resposta: São os socialistas reformistas ou sociais-democratas, os centristas, os liberais e neoliberais e os conservadores.
 
2) Destas 7 correntes há 3 que, embora usando o Estado de direito democrático, o querem substituir a longo prazo. Quais são? Quais os seus argumentos?
 
Resposta: As três correntes que desdenham da democracia liberal capitalista e pretendem substitui-la são: anarquistas, comunistas leninistas e fascistas. Os anarquistas dizem que todo o Estado, inclusive o de regime parlamentar democrático, é uma ditadura da burguesia sobre o proletariado e, por isso, não concorrem sequer às eleições legislativas, querem a revolução social. Os comunistas leninistas também consideram o Estado capitalista democrático um orgão de opressão dos trabalhadores e advogam a instauração de um Estado operário comunista centralizado em que suprimem as liberdades burguesas de formação de partidos políticos, de imprensa, etc. Os fascistas dizem que a democracia liberal coloca os plutocratas, os muito ricos, e a imoralidade no poder e desnacionaliza a pátria, pelo que defendem a ditadura nacionalista de direita.
 
 
3) Onde há maior participação dos trabalhadores: na empresa nacionalizada, na empresa em autogestão ou na empresa privada?
 
Resposta: Teoricamente, a maior participação dos trabalhadores é na empresa em autogestão visto que nesta há assembleias deliberativas de todos os trabalhadores, operários, engenheiros, contabilistas.
 
4) Em que medida reflete a democracia liberal ou parlamentar as éticas de Kant e de Stuart Mill?
 
Resposta: A ética de Kant com o imperativo categórico obriga a estender universalmente a todos os indivíduos aquilo que achamos justo fazer e desfrutar. Assim se eu desejo influenciar o poder político, desejo o mesmo para todas as pessoas - e daí surge o direito universal ao voto, a exprimir-se livremente nas ruas, a formar partidos políticos, sindicatos, empresas, etc.
A ética de Mill defende a maximização do prazer, isto é, estendê-lo à maioria das pessoas. Ora a democracia liberal manda que governe o partido da maioria.
 
5) Há três correntes que se reclamam do “socialismo”. Distinga esses três conceitos de socialismo.
 
Resposta: O socialismo reformista é um capitalismo social, reformado, uma combinação entre o capitalismo de estado (exemplo: as grandes empresas de transportes, a siderurgia, a rede elétrica, a universidade, os grandes hospitais, etc, ficam na mão do Estado) e o capitalismo privado, de tal modo que a sociedade capitalista fica um pouco «socializada» com o serviço nacional de saúde e o ensino gratuitos, o rendimento social de inserção, os impostos progressivos,etc. Respeita os patrões e acha-os necessários.
O socialismo marxista-leninista é um capitalismo de estado, ou seja, coloca a economia toda ou quase toda nas mãos do Estado dirigido pelo partido comunista que garante emprego a todos e reduzidas diferenças salariais, ainda que coarctando as liberdades individuais e de classe ( Estado totalitário de esquerda),
O socialismo anarquista é o poder directo dos proletários sobre os meios de produção (fábricas, terras, etc) e implica a desaparição do Estado central, do exército e da polícia e do parlamentarismo.

 

 

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f.limpo.queiroz@sapo.pt

 

© (Direitos de autor para Francisco Limpo de Faria Queiroz)



publicado por Francisco Limpo Queiroz às 17:15
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