Quinta-feira, 21 de Março de 2019
Teste de Filosofia do 11º ano (21 de Março de 2019)

 

É possível e desejável estruturar testes de filosofia sem perguntas de escolha múltipla, muitas das quais são deficientemente formuladas pelos professores que não pensam dialecticamente. O princípio macrocosmo-microcosmo não é abordado nos manuais de filosofia em voga capturados pela filosofia analítica que exclui o racionalismo metafísico, hostiliza a astrologia, a geometria sagrada, a numerologia, a medicina natural, a medicina holística, o feng shui, etc.

 

Agrupamento de Escolas nº1 de Beja
Escola Secundária Diogo de Gouveia

TESTE DE FILOSOFIA, 11º ANO TURMA A

21 de Março de 2019. Professor: Francisco Queiroz


I

“A cosmisação do espaço feita pelos povos primitivos ou pelos arquitectos das catedrais da Idade Média exprime o princípio da correspondência microcosmo-macrocosmo. David Hume estabeleceu existirem sete relações filosóficas e definiu uma certa posição face à indução amplificante que influenciou o falsificacionismo de Popper no século XX. A social-democracia e o liberalismo de direita divergem sobre o modelo económico de capitalismo e John Rawls fala em posição original, véu de ignorância e princípio maximin. »

 

1) Explique concretamente este texto.

 

II

2)Relacione, justificando:

A) Res extensa, em Descartes, e Arquétipos em Platão.

B)Anarquismo epistemológico de Paul Feyerabend e incomensurabilidade dos paradigmas em    Tomas Kuhn.

C) Obstáculo epistemológico em Bachelard e racionalismo.

D) Proposições sem sentido e proposições com sentido, segundo o Círculo de Viena.

E) Os três tipos de ciências, por um lado, corroboração e conjectura em Popper, por outro lado.

 

CORREÇÃO DO TESTE (COTADO EM 20 VALORES)

1) Cosmisação do espaço significa transformar o espaço físico, originariamente caótico, em um espaço ordenado, hierarquizado, um pequeno cosmos. Por exemplo, traçar o eixo norte-sul e o eixo este-oeste no solo e no cruzamento estabelecer o centro da aldeia onde será colocado o poste sagrado ou a cruz é cosmisar. A configuração das muralhas de castelos dos templários (microcosmo ou pequeno universo) reproduzia certas constelações (macrocosmo). As plantas das catedrais da Idade Média sugerem um Cristo cósmico de braços abertos na cruz. O princípio das correspondências diz: o que está em cima é como o que está em baixo, o microcosmo espelha o macrocosmo. (VALE TRÊS VALORES). As sete relações filosóficas de Hume são categorias a priori da mente humana: identidade, semelhança, proporção de quantidade, graus de qualidade, relações de tempo e lugar, contrariedade e causação. Hume duvidou da indução amplificante e no século XX Karl Popper adoptou esse cepticismo formulando a tese de que as ciências são conjuntos de conjecturas (hipóteses), podem ser falsificadas, isto é destruídas, por testes experimentais ou novos raciocínios. (VALE TRÊS VALORES). A social-democracia, no centro-esquerda, defende o capitalismo (propriedade privada dos meios de produção) na modalidade social: os ricos pagam grandes impostos de modo a criar subsídio de desemprego e rendimento social de inserção, pensões de invalidez e de velhice, ensino público gratuito, serviço nacional de saúde gratuito, eleições livres, multipartidarismo. O liberalismo de centro-direita defende o capitalismo puro, selvagem, sob a democracia parlamentar: privatizar os hospitais, transportes ferroviários e aéreos, os correios e quase todas as empresas, os empresários podem despedir facilmente os operários quase sem indemnização, devem pagar baixos impostos, acabar com o ensino e o serviço hospitalar gratuitos. John Rawls, inimigo do socialismo à esquerda e do capitalismo selvagem à direita, defende, com a democracia liberal, a posição original, isto é, uma grande assembleia de todos os cidadãos em que estes debatem e votam as leis em pé de igualdade, com um véu de ignorância (cada um ignora o grau de riqueza e a profissão dos outros) e de acordo com o princípio maximin, que estabelece o máximo consenso possível (exemplo: as leis protegem não só a maioria heterossexual mas também as minorias gay, lésbica e bissexual). (VALE TRÊS VALORES).

 

2)A) Res extensa é o comprimento, largura e altura no mundo material. Se aplicarmos isto à teoria de Platão diremos que a res extensa recebe as formas projectadas dos arquétipos ou modelos perfeitos de Bem, Belo, Árvore, Esfera, etc., existentes no Mundo Inteligível (VALE DOIS VALORES).

 

2)B) O anarquismo epistemológico de Paul Feyerabend coloca as ciências oficiais universitárias (biologia, química, física, matemática, electrónica, etc.) e as ciências e práticas antigas tradicionais (astrologia, medicina pelas plantas, aromaterapia, geoterapia, dança da chuva, etc.) ao mesmo nível. Kuhn coloca todos os paradigmas (exemplo: a teoria da terra esférica, a teoria da terra plana; a teoria da vacinação e a teoria antivacinação) no mesmo plano dizendo que são incomensuráveis, não se pode medir, no global, qual deles é mais verdadeiro. (VALE DOIS VALORES).

 

2)C) Obstáculo epistemológico é todo o entrave ao conhecimento científico, como por exemplo, a primeira experiência (muitas vezes enganadora), o realismo natural, a falta de tecnologia (falta de computadores, microscópios, raios laser, raios X, aviões, submarinos, etc.), os preconceitos raciais. O racionalismo, que sustenta ser a razão a grande fonte de conhecimento, marginalizando ou superando as percepções empíricas, detecta e combate os obstáculos epistemológicos (VALE DOIS VALORES).

 

2)D) Para o Círculo de Viena as proposições metafísicas como «Deus existe», «O Inferno é eterno» são destituídas de sentido porque não podem ser verificadas. Ao contrário, os enunciados empíricos como «O Alentejo é rico em olivais e montados de sobro» e «Lisboa bordeja o estuário do Tejo, a norte» têm sentido porque são verificáveis. (VALE DOIS VALORES)

 

2)E) Os três tipos de ciências são: formais (matemática, lógica pura); empírico-formais ou naturais, assentes em factos empíricos e leis deterministas, infalíveis (física e lei da gravitação universal; química e estrutura dos átomos; biologia e mitose e meiose, dois modos de divisão das células); hermenêuticas ou sociais assentes em factos empíricos mas intersubjectivas, que recebem diversas interpretações nos mesmos temas (psicologia, filosofia, sociologia, história, economia política, etc.). Popper sustentou que as empírico-formais e as hermenêuticas são conjuntos de conjecturas ou hipóteses que não podem ser verificadas com milhões de exemplos mas sim corroboradas, isto é, ilustradas com alguns exemplos falíveis. (VALE TRÊS VALORES).

 

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Sexta-feira, 18 de Março de 2016
Teste de Filosofia do 11º ano, turma C (Março de 2016)

 

Eis um teste de filosofia fora do estereótipo dos testes que os autores dos manuais escolares da Porto Editora, Leya, Santillana, Areal Editores, etc, divulgam. E sem questões de escolha múltipla que, frequentemente, são incorrectamente concebidas por quem não domína o método dialético e desliza para a horizontalidade da filosofia analítica vulgar.

 

 

Agrupamento de Escolas nº1 de Beja

Escola Secundária Diogo de Gouveia, Beja

TESTE DE FILOSOFIA, 11º ANO TURMA C

14 de Março de 2016. Professor: Francisco Queiroz.

 I

 “Bachelard afirma que «a opinião não pensa, traduz necessidades em conhecimentos» e que «na ciência nada é dado». A ciência normal e a ciência extraordinária, segundo Kuhn, são paradigmas incomensuráveis. Feyerabend, anarquista epistemológico, sustentou que, hoje, com o racionalismo fragmentário dominante, mera ideologia, « temos uma religião sem ontologia, uma arte sem conteúdos, e uma ciência sem sentido».."

1)Explique, concretamente este texto

 

2)Explique como, na ontognoseologia de Kant, se formam o fenómeno CHUVA e o juízo a priori «Os três ângulos internos de um triângulo somam 180 graus».

 

3) Relacione, justificando:

A) Positivismo lógico do círculo de Viena, por um lado, e falsificacionismo de Karl Popper, por outro lado .


B) Internalismo e externalismo nas Ciências Empírico-Formais e nas Ciências Hermenêuticas.


C) Núcleo Duro e Cinto Protector na teoria de Lakatos sobre a ciência e obstáculo epistemológico na teoria de Gaston Bachelard-


D)  Realismo crítico, fenomenologia, e idealismo em David Hume.

 

CORREÇÃO DO TESTE COTADO PARA 20 VALORES

 

1) A opinião, isto é, o senso comum, não pensa, isto é, traduz necessidades em conhecimentos, fabrica a explicação que mais lhe convém. Exemplo: a maioria das pessoas que sentem frequentes dores de cabeça não perdem tempo a investigar a causa dessas dores, tomam um comprimido de farmácia que faz desaparecer o sintoma mas não a causa que lhe está subjacente. Na ciência nada é dado porque tudo ou quase tudo é construção racional. Exemplo: a teoria do espaço-tempo de Einstein, que diz que o espaço encurva na proximidade de grandes massas não nos é dada pelos orgãos dos sentidos, é pensada na razão (VALE UM VALOR). A ciência normal é a ciência oficial, dominante, em cada época ou sociedade, o paradigma (modelo teórico ou teórico-prático) aceite pela grande maioria . Nos séculos XV-XVI era, na astrofísica europeia, o geocentrismo. A ciência extraordinária é a ciência dos dissidentes, que combate a ciência oficial e procura tomar o lugar desta. No século XVI, na cosmologia, era o heliocentrismo de Copérnico e Galileu. A incomensurabilidade dos paradigmas é a impossibilidade de medir exactamente o valor de cada doutrina científica e das suas rivais: não se pode dizer que o heliocentrismo é melhor que o geocentrismo, em termos globais, ainda que se possa dizer que, neste ou naquele aspecto (exactidão/experimentação, fecundidade, etc) um deles é superior ao outro  (VALE DOIS VALORES). Segundo Feyerabend as actuais universidades funcionam como igrejas dotadas de «infalibilidade ciêntífica». Ele critica os filósofos e académicos que acham que a ciência é a nossa religião, o que  significa que a mentalidade científica actual é dogmática como a teologia, acreditando em dogmas que não podem ser postos em causa, como por exemplo, « O Big Bang deu-se há 15 000 milhões de anos e foi o começo do universo», «as vacinas conferem imunidade», «os astros não comandam o comportamento humano». Os cientistas de hoje são os bispos e papas da nova religião da ciência. Por isso, Feyerabend proclama-se anarquista epistemológico: no anarquismo não há chefes e assim devia ser no campo das ciências, a astrologia, a medicina hopi, a cura através dos cristais, a dança da chuva deveriam ser disciplinas universitárias a par da física, da medicina alopática, da biologia molecular. As ciências actuais nasceram com o emergir da burguesia industrial e financeira actual e por isso estão impregnadas de ideologia - sistema de ideias e valores de uma classe social- neste caso, a burguesia. A ciência e a tecnologia do automóvel como veículo de transporte individual ou familiar insere-se na ideologia individualista da burguesia: «Enriquece, compra um carro próprio, viaja livremente».

Que significa dizer que hoje temos uma religião sem ontologia?  Significa que temos um conjunto de ritos cujo simbolismo profundo já perdemos, em cuja filosofia original já não penetramos. Por exemplo, ignoramos que o facto de a pia de baptismo de antigas igrejas e catedrais ser octogonal é porque o oito significava a oitava esfera que, em alguma gnose, era a esfera de Sofia, a Virgem Maria do cristianismo, a Stela Maris representada na rosa dos ventos ou estrela de oito pontas que orientava os navegantes (as almas) perdidos . Constroem-se hoje igrejas com uma arquitectura moderna ignorando o número de oiro (1,618), número mágico de proporção entre o comprimento e a largura e a altura de um compartimento. Que significa dizer que hoje impera uma arte sem conteúdos? Significa, por exemplo, que uma tela branca salpicada de pontos vermelhos é um quadro sem conteúdo, um significante sem significado. A arte abstracta é sem conteúdo. Que significa dizer que há uma ciência sem sentido? Significa, por exemplo, que há uma medicina que não percebe o sentido da febre - acção de autodefesa do organismo, expulsando as toxinas através do suor ou de urinas escuras - e manda reprimir os sintomas, tomando anti piréticos. (VALE QUATRO VALORES).

 

2-A)  Segundo a gnoseologia de Kant, o fenómeno chuva forma-se na sensibilidade, no espaço exterior ao meu corpo físico, do seguinte modo: de '«fora» da sensibilidade, os númenos afectam esta fazendo nascer nela um caos de matéria (exemplo: água, ferro, areia, etc, em um magma) que as duas formas a priori da sensibilidade, o espaço (com figuras geométricas) e o tempo (com a duração, a sucessão e a simultaneidade) moldam, fazendo nascer uma ou mais fenómenos de chuva. O entendimento, com as categorias de unidade, pluralidade, necessidade, confere consistência ao fenómeno galo. Não existe númeno «chuva», «chuva» é fenómeno na sua totalidade.(VALE UM VALOR E MEIO).

O juízo a priori «A soma dos três ângulos de um triângulo é 180 graus» forma-se no entendimento por acção das categorias de unidade, pluralidade, totalidade com dados a priori vindos da sensibilidade. a imagem de triângulo vinda da forma a priori do espaço, os números (180, etc) vindos da forma a priori do tempo. (VALE UM VALOR E MEIO)

 

                  

3. A) O positivismo lógico do círculo de Viena considera sem sentido a metafísica e afirmações desta como «Deus criou o Paraíso e o Inferno e pune os maus» porque não podem ser comprovadas empiricamente. Para este positivismo, só os factos empíricos ( exemplo: maçã, tornado, etc) e as suas relações lógico-matemáticas são verdade e a indução amplificante - generalização segundo uma lei necessária de alguns casos empíricos semelhantes entre si - é perfeitamente legítima. Karl Popper opõe-se ao positivismo lógico pois, na linha de David Hume, duvida da indução amplificante, achando que há sempre excepções a uma dada lei da natureza e considera ser impossível verificar essa lei pois teríamos de estudar centenas de milhar ou milhões de exemplos concretos. Popper diz que só é possível a corroboração ou confirmação de alguns exemplos através da testabilidade, isto é, realização de testes experimentais. Falsificacionismo de Popper significa que as teorias científicas não passam de conjecturas, hipóteses, falsificáveis, isto é potencialmente falsas.(VALE TRÊS VALORES).  

 

3-B)  O internalismo, posição sustentada por Lakatos, é a doutrina segundo uma teoria já é ciência mesmo que confinada a um só cientista, o seu autor, desde que apresente coerência interna e a experimentação a confirme, ao passo que o externalismo diz que uma teoria só é ciência se obtiver o assentimento externo do resto da comunidade científica, do governo e ministério da ciência, das revistas da especialidade, dos fóruns televisivos, do grande. As ciências empírico-formais são as ciências da natureza biofísica - química, física, astronomia, biologia, geologia - e baseiam-se em leis necessárias ou tendencialmente necessárias e por isso assentam na indução amplificante. As ciências hermenêuticas, ou seja, as que se baseiam em interpretações mais ou menos subjectivas e leis estatísticas - psicologia, sociologia, história, economia, - não recorrem ou recorrem pouco à indução amplificante. Mas tanto umas como outras podem ser validadas segundo o internalismo ou segundo o externalismo, ainda que a tendência mais frequente seja ligar o internalismo às hermenêuticas, subjectivas, e o externalismo às empírico-formais, objetivas (VALE TRÊS VALORES)

 

3-C) Imre Lakatos, epistemólogo, defendeu que a ciência se estrutura em Programas de Investigação Científica (PIC). Cada um destes tem três níveis: o núcleo duro, conjunto das teses imutáveis; o cinto protector, conjunto das teses revisíveis, que podem ser rectificadas ou substituídas; a heurística, conjunto dos métodos de investigação livre, teórica e prática, que pode confirmar ou anular o PIC. O obstáculo epistemológico em Bachelard é todo o entrave ao conhecimento científico: a primeira impressão,  o realismo natural ( o mundo exterior como parece ser: o céu é azul, o mármore é frio, etc, o preconceito do senso comum, a falta de tecnologia apropriada (exemplo: a falta de telescópios, microscópios, reagentes químicos, máscaras antigás, fatos de amianto, bússolas, aparelhos de refrigeração, etc.). Pode dizer-se que o racionalismo enfrenta o obstáculo epistemológico que, muitas vezes, é um facto bruto, uma primeira impressão sensorial. Como o obstáculo epistemológico leva, dialeticamente, à rectificação parece relacionar-se com o cinto protector em Lakatos, isto é, com as teses revisíveis (VALE DOIS VALORES) . .

 

.

3-D- O realismo crítico é a teoria segundo a qual a matéria é real e exterior às nossas mentes mas estas não espelham como ela é. O realismo crítico de Descartes é a teoria qiue sustenta que há um mundo real de matéria exterior às mentes humanas composto de uma matéria indeterminada, sem peso nem dureza/moleza, apenas formado de figuras geométricas, movimento, números (qualidades primárias, objetivas), sendo subjectivas, isto é exclusivamente mentais, as cores, os cheiros, os sabores, as sensações do tacto, o calor e frio (qualidades secundárias, subjectivas). A fenomenologia é a ontologia que sustenta não saber se o mundo material subsiste ou não fora das mentes humanas. O idealismo é a corrente que afirma que o universo material não é real em si mesmo mas está dentro da nossa mente, como imagens e ideias. Por exemplo, o"eu" em David Hume não é uma realidade, mas uma ideia ilusória, uma vez que somos apenas uma corrente de percepções empíricas a que a memória e a imaginação atribuem um núcleo invariável chamado «eu». Do mesmo modo, a   substância (exemplos: as substâncias cadeira ou nuvem) é uma ideia fabricada pela nossa imaginação servindo-se das sete relações filosóficas que são disposições sensório-intelectuais a priori da mente humana: semelhança, identidade, relações de tempo e lugar, proporção de quantidade ou número, graus de qualidade, contrariedade e causação. (VALE DOIS VALORES)

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Terça-feira, 25 de Janeiro de 2011
A astrologia científica, a pseudo-astrologia e as presidenciais de 23 de Janeiro de 2011

A grande maioria dos filósofos, inteligências superiores ou inteligências médio-elevadas, foram néscios a respeito da astrologia. Platão, Aristóteles, Marco Aurélio, Tomás de Aquino, Galileu, Kepler, Tycho Brahe, Paul Feyerabend reconheceram a realidade das influências planetárias sobre a vida física e social, colectiva e individual, na Terra, e alguns deles fizeram estudos matemático-astrológicos, convictos de que há uma astrologia científica - a astrologia não é senão uma matemática celeste, uma geometria descritiva, uma astronomia correlacionada com os factos histórico-sociais. Voltaire, Rousseau, Nietzschze, Marx, Kant, Hegel, Popper, Husserl, Santayana, Heidegger, Thomas Nagel, Simon Blackburn e tantos outros atacaram ou ignoraram a astrologia como "superstição" , "fantasia anti científica", "religião primitiva irracional". É do senso comum que «nenhum catedrático da área das ciências empíricas, da filosofia ou da sociologia deve defender a veracidade e a racionalidade da astrologia». Se o fizer, verá anulada a sua tese de doutoramento, como já sucedeu em França com um académico.

 

A verdade é que a astrologia científica é absolutamente racional e constitui uma ciência empírico-formal como a Física ou a Astronomia: há nela leis astronómicas exactas que servem de base à descoberta de leis astronómico- políticas e biosociais que regem as sociedades humanas no quotidiano. Considerar a História como ciência e a Astrologia Histórico-Social como superstição é absurdo: a Astrologia engloba a História Social e Política, quantifica ou matematiza os factos histórico-sociais e, portanto, é ainda mais científica do que a História Política, Económica e Social.

 

Quase todos os que atacam a astrologia nada sabem da sua base astronómica. Não sabem sequer, em regra, o que é um signo: julgam que se trata de um período de tempo de 30 dias que vai aproximadamente dos dias 21 oa 23 de um dado mês aos dias 20 a 22 do mês seguinte quando não é nada disso; um signo é uma porção de espaço de 30º graus de arco do Zodíaco, concebido como a faixa menos interior de um  círculo celeste, e os doze signos são os doze fatias desse "pneu" de 360º  que estão no céu o ano inteiro, a cada dia, hora, minuto e segundo.

 

A FALÁCIA DOS «13 SIGNOS», RESULTANTE DA CONFUSÃO ENTRE SIGNOS E CONSTELAÇÕES

 

Os néscios deixam-se enganar pela notícia televisiva falaciosa de que «a descoberta da constelação de Serpentário implica a criação de um 13º signo do Zodíaco e destrói a geometria dos signos em vigor.»´Isso é tão absurdo como dividir uma estrada de 12 quilómetros em 13 partes: cada divisão deixaria de ser um quilómetro exacto, do mesmo modo que cada um dos doze signos deixaria de ser um signo de 30º se tivesse de ceder 2º 30´ de arco a um 13º signo. Não há espaço na eclíptica para este. Essa falácia confunde as constelações - grupos de estrelas - com os signos - fatias de 30º cada um do céu, imutáveis, porque só dependem da distância ao ponto vernal (0º do signo de Carneiro), que o sol atravessa em 21 de Março de cada ano. A constelação do Serpentário está desde há milhares de anos alojada dentro do signo de Sagitário (de 6º a 25º deste signo), é um hóspede deste, tal como grande parte da constelação de Escorpião. Assim sendo, o Serpentário não cria signo nenhum: já é parte de um signo existente. Hoje o ponto vernal, grau 0º do signo de Carneiro, situa-se no grau 5º da constelação de Peixes e no ano 3000 esse ponto estará no grau 3º da constelação de Peixes mas não há confusão nenhuma nisso: os 12 signos são como uma auto-estrada imutável de 12 quilómetros e as constelações são comparáveis a casas que se derrubam ou constroem ao longo dessa auto-estrada.

 

AS LEIS ASTRONÓMICAS APLICADAS À VIDA DAS SOCIEDADES DESVENDAM LEIS ASTRONÓMICO-SOCIAIS

 

A descoberta das leis astrológicas, ou melhor, astronómico-histórico-sociais, faz-se não por dedução, mas por indução de dezenas ou centenas de milhar de factos históricos, sociais e biofísicos, comparando-os entre si e isolando as variáveis planetário-zodiacais comuns. Vou dar um exemplo. Descobri entre centenas de outras, a seguinte lei, que publiquei em livro, há anos:

 

ÁREA 14º A 20º DO SIGNO DE LEÃO:

EXPLOSÕES NOTÁVEIS DE BOMBAS

 

A passagem do Sol, de um planeta ou de um nodo lunar na área 14º-20º do signo de Leão (graus 134º a 140º da eclíptica ou trajectória aparente do sol) é condição necessária mas não suficiente para gerar explosões de bombas notáveis. Eis alguns exemplos:

 

Em 16 de Julho de 1945, com Mercúrio em 18º-20º do signo de Leão, rebenta em Alamo Gordo, Novo México, EUA, uma potente bomba atómica de fissão nuclear; em 6 de Agosto de 1945, com Plutão em 9º-10º e Sol em 13º-14º do signo de Leão, uma bomba atómica é lançada de um avião dos EUA sobre Hiroshima; em 22 de Setembro de 1949, com Plutão em 17º do signo de Leão, a URSS provoca a explosão da sua primeira bomba nuclear; em 3 de Outubro de 1952, com Nodo Sul da Lua em 20º de Leão, a Inglaterra faz explodir a sua primeira bomba nuclear; em 16 de Outubro de 1964, com Marte em 18º do signo de Leão, a China torna pública a explosão de uma sua bomba nuclear; em 19 de Abril de 1995, com Marte em 16º do signo de Leão, em Madrid, um carro armadilhado da ETA rebenta à passagem do veículo blindado do chefe do governo espanhol, José María Aznar, que escapa ileso; em 11 de Setembro de 2001, com Vénus em 17º-18º do signo de Leão, dois aviões de passageiros chocam contra as torres gémeas em Nova Iorque e um míssil é disparado contra a parede do Pentágono, em Washington, num "auto-atentado" que causa cerca de 2940 mortos, urdido pela elite política secreta mundialista dos EUA (Dick Cheney, Bush e outros).

 

Gostaria que algum desses cretinos - licenciados, mestres ou doutorados - que atacam a priori a astrologia, por pura lavagem ao cérebro «anti astrológica» a que foram submetidos, refutassem estes dados concretos e continuassem a jurar que não há bases nenhumas científicas para sustentar a correlação necessária entre posições planetárias e solares no Zodíaco e factos biofísicos, políticos, sociais e económicos na Terra...

 

A astrologia científica para a qual tenho dado um contributo fundamental durante décadas, sistematicamente silenciado por uma imprensa ao serviço da universidade obscurantista - contributo materializado, por exemplo, na escrita e publicação de «Sincronismos, Cabala e Graus do Zodíaco» (Editorial Estampa, Lisboa 2001), o primeiro livro na história da astrologia mundial a identificar cada grau do Zodíaco do ponto de vista político, económico, cultural, geográfico-nacional, religioso, artístico, anatómico, etc, e ainda na escrita e publicação de «Os acidentes em Lisboa na Astrologia-Astronomia, Astrology and accidents in USA» (Beja, 2008) livro bilingue, que expõe a novíssima teoria da equivalência biofísica e político-social entre os graus-minutos homólogos dos vários signos - é absolutamente distinta da psico-astrologia convertida em pseudo-astrologia pelos astrólogos comerciais do momento, através de medíocres prestações televisivas, de livros de previsões anuais e dos "horóscopos" dos jornais e revistas da especialidade.

 

A LEI ASTRONÓMICA DOS DESAIRES DO PARTIDO SOCIALISTA QUANDO UM PLANETA TRANSITA 14º-17º DO SIGNO DE SAGITÁRIO FOI CONFIRMADA NAS PRESIDENCIAIS DE 23 DE JANEIRO DE 2011

 

As eleições presidenciais em Portugal de 23 de Janeiro de 2011, com Vénus a transitar 16º-17º de Sagitário ( dito de outro modo: nos graus 256º-257º da eclíptica, uma vez que o grau 0º de Sagitário é o grau 240 da eclíptica e o grau 30 de Sagitário ou 0º de Capricórnio é o grau 270 da eclíptica), confirmaram a seguinte lei astronómica:

 

A passagem do Sol, de um Nodo da Lua ou de um planeta na área 14º-17º de Sagitário, é condição necessária mas não suficiente para provocar a queda de um governo do Partido Socialista Português ou uma derrota eleitoral de este ou outro facto político infausto. Exemplos:

 

Em 8 de Dezembro de 1977, com Neptuno em 15º de Sagitário, o governo PS de Mário Soares é derrubado no parlamento ao ser rejeitada a moção de confiança; em 27 de Julho de 1978, com Neptuno em 15º de Sagitário, o presidente Ramalho Eanes destitui Mário Soares, líder do PS, do cargo de primeiro-ministro, dias depois de os ministros CDS abandonarem o governo; em 13 de Junho de 1985, com Úrano em 15º de Sagitário, os ministros e secretários de Estado do PSD abandonam o governo de coligação PS-PSD, chefiado pelo socialista Mário Soares, precipitando a queda do governo; em 6 de Outubro de 1985, com Úrano em 14º de Sagitário, o PS é clamorosamente derrotado, com 20% de votos, em eleições legislativas, pelo PSD de Cavaco Silva, com 29% de votos, o que origina a subida ao poder de um governo minoritário do PSD, ancorado no PRD de Hermínio Martinho;  em 28 de Fevereiro de 1986, com Marte em 14º de Sagitário, o primeiro-ministro sueco, o socialista Olof Palme, amigo de Mário Soares e do PS português, é assassinado a tiro em Estocolmo, presumivelmente por Roberto Thierne, genro do ditador fascista chileno Augusto Pinochet; em 19 de Julho de 1987, com Saturno em 14º de Sagitário, o PSD de Cavaco Silva vence com maioria absoluta as eleições legislativas derrotando o PS de Vítor Constâncio; em 16 de Dezembro de 2001, com Vénus em 17º-18º de Sagitário, o PS é derrotado em eleições autárquicas e o primeiro-ministro socialista católico António Guterres demite-se, fazendo cair o governo; em 17 de Março de 2002, com Plutão em 17º de Sagitário, o PSD de Durão Barroso derrota o PS de Ferro Rodrigues em eleições legislativas e fica apto a formar governo de coligação com o CDS de Paulo Portas; em 23 de Janeiro de 2011, com Vénus em 16º-17º de Sagitário, Cavaco Silva, candidato liberal-conservador, é reeleito presidente da república portuguesa com 52,9 % dos votos válidos, derrotando o candidato formal do PS, Manuel Alegre, que colhe 19,8% de votos, e o candidato independente Fernando Nobre, apoiado pela ala direita do PS, o qual obtém 14,1% de votos.

 

É extremamente verosímil crer que há, por conseguinte, determinismo planetário, leis astrais exactas, na eclosão de todos os factos políticos, sociais, económicos, culturais que dia a dia constituem o fluir do rio da vida humana na Terra. Temos uma ciência astrológica capaz de fazer previsões sustentadas na indução dos factos históricos, numa perspectiva positivista.

  

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