Quarta-feira, 10 de Fevereiro de 2016
Teste de Filosofia do 10º ano, turma B (Fevereiro de 2016)

 

 Os conteúdos deste teste de filosofia referentes a alquimia, cabala e princípio das correspondências macrocosmos-microcosmos integram-se na rubrica «Os grandes temas da filosofia» e são relativos a uma visita de estudo ao centro histórico de  Sevilha em que se fará hermenêutica de monumentos antigos e seus pormenores artísticos.

 

 

Agrupamento de Escolas nº1 de Beja

Escola Secundária Diogo de Gouveia, Beja

TESTE DE FILOSOFIA, 10º ANO TURMA B

4 de Fevereiro de 2016. Professor: Francisco Queiroz.

 I

“A filosofia da alquimia sustenta a divisa «solve e coagula» e a existência de três princípios/ substâncias do universo material. O templo cristão na idade média foi construído segundo o princípio das correspondências microcosmo-macrocosmo. O não agir do taoísmo exige não só a percepção empírica mas também o conceito empírico e a intuição inteligível".

 

1) Explique, concretamente este texto.


2) Relacione, justificando:

A) Seis esferas da árvore cabalística das Sefirós, as respectivas qualidades, cores e planetas associados a cada uma, e a planta do templo cristão medieval.

 

B) As quatro fases do processo alquímico e respectivas aves, por um lado, realismo e idealismo, por outro lado

 

C)Agir por dever e agir em conformidade com o dever em Kant e três partes da alma na teoria de Platão


D)  Máxima e imperativo categórico em Kant e o princípio moral do utilitarismo em Stuart Mill.

 

3) O que é e para que serve a filosofia? Tem o direito de gerar metafísica? É dogmática? É céptica? É objetiva? É subjetiva?

Disserte sobre isto (mínimo: 7 linhas).

CORREÇÃO DO TESTE COTADO PARA 20 VALORES

 

1) A filosofia da alquimia, doutrina esotérica, hermética que sustenta o processo da Grande Obra ou criação laboratorial da pedra filosofal que concederia a imortalidade ao homem, dotando-o de um corpo astral desmaterializado como o mítico Adão Kadmon (metade homem e metade mulher), defende que há três princípios/ substâncias originárias do universo, o enxofre ou homem vermelho (princípio masculino), sólido, o mercúrio filosófico ou mulher branca (princípio feminino), volátil, e o sal, neutro. A divisa «solve e coagula» significa dissolver o enxofre, sólido, e coagular o mercúrio líquido ou gasoso que se esparge pelas esferas celestes de forma a obter o equilíbrio e a pedra filosofal, ou lapis vermelho  (VALE TRÊS VALORES). O princípio das correspondências microcosmo-microcosmo da filosofia hermética sustenta que o que está em baixo é como o que está em cima, há uma analogia entre o microcosmo ou pequeno universo e o macrocosmo ou grande universo. Assim, o templo cristão da idade média obedeceu a essa lei: o macrocosmos seria um corpo gigantesco de Cristo de braços abertos que atravessaria o universo inteiro e o templo a construir seria um macrocosmos que imitaria, em forma de cruz, esse corpo macrocósmicos. A abside do templo, orientada a Este, ponto cardeal onde nasce o Sol (Cristo é o Sol espiritual) equivale à cabeça, o transepto aos braços abertos, o altar ao coração, as naves ao tronco e pernas de Cristo. (VALE DOIS VALORES) O não agir do taoísmo, isto é, o quietismo ético, doutrina que incita a ser contemplativo, a levar a vida simples de um camponês ou de um artesão e a desprezar a política, as expedições militares e as guerras, os grandes negócios e títulos universitários, exige a percepção empírica, isto é, ver tocar, saborear coisas e situações, o conceito empírico, isto é, a ideia extraída de percepções sensoriais (exemplo: o conceito empírico de guerra é abstraído das percepções de casas destruídas por bombas, corpos ensanguentados nas ruas, disparos ou espadeiradas contra pessoas). Exige também a intuição inteligível isto é um flash ou iluminação metafísica (exemplo: a intuição de que a maior virtude é seguir o Tao, o ritmo natural dos dias e das noites, etc). (VALE TRÊS VALORES)

 

2) A) A árvore das Sefirós (Esferas) é o diagrama do universo, segundo a Cabala (ensinamento secreto) judaica, uma «heresia» do judaísmo como religião de massas. Essa árvore de 10 esferas, que são 10 qualidades manifestas de Deus, é composta de um hexágono em cima, um triângulo debaixo deste e um ponto isolado no fundo. Podemos aplicar este diagrama à planta em cruz da catedral cristã fazendo coincidir Kéther, a primeira Sefiró, com a abside do templo, Binan e Guevurah com a extremidade esquerda do transepto, Hockman e Chesed com a extremidade direita do transpeto, Tiferet com o altar no pilar central.

 

                               KÉTHER (Coroa)

                                Planeta: Úrano

                                Esfera nº 1

                                 Cor : Indefinida

 

BINAH:                                               CHOCKMAH

Esfera nº 2                                          Esfera nº 3

Inteligência                                          Sabedoria

Feminina                                              Masculina

Saturno                                                Neptuno

Cor Negra                                           Cor iridescente

 

GUEVURAH                                          CHESED

Esfera nº 5                                             Esfera nº 4

Justiça                                                    Misericórdia

Marte                                                       Júpiter

Cor: Vermelho                                        Cor Azul

 

                                     THIPHERET

                                      Esfera nº 6.

                                      Beleza. 

                                      Sol                                     

                                      Cor: amarelo ouro.

                                                 (VALE TRÊS VALORES)

 

B) As quatro fases da Grande Obra Alquímica que visa produzir o elixir da longa vida ou pedra filosofal em laboratório são: nigredo, ou fase negra, da putrefação da matéria transformada no laboratório a que corresponde o corvo; albedo, ou fase branca de separação das impurezas, a ave é o cisne; citredo, ou fase multicolor, de alguma dominancia do amarelo limão, a ave é o pavão; rubedo, ou fase vermelha na qual se dá a produção da pedra filosofal cuja ave é a fénix. O realismo é a corrente ontológica que sustenta que a matéria existe em si mesma fora dos espíritos humanos. Parece corresponder à realidade dos processos alquímicos, com as retortas, o atanor (forno), etc. O idealismo é a corrente ontológica que diz que o universo de matéria não passa de um conjunto de ideias ou percepções empíricas dentro da imensa mente de um ou vários indivíduos humanos.A alquimia tanto pode ser encarada de um ponto de vista realista (exemplo: o atanor ou forno do alquimista é real, está ali, etc)  como do ponto de vista idealista ontológico (exemplo: o mundo material e o laboratório não passam de um sonho). (VALE TRÊS VALORES).

2-C) Agir por dever, na doutrina de Kant, é universalizar a sua máxima ou princípio subjetivo, agir de acordo com o imperativo categórico que cada um gera no seu eu racional: trata cada ser humano como um fim em si mesmo, alguém digno de respeito, e nunca como um meio para chegares a fins egoístas. Isto liga-se ao Nous ou parte superior, racional, da alma humana, em Platão, que contempla os arquétipos e dirige os filósofos.reis que vivem colectivamente, sem ouro nem prata, numa casa do Estado e fazem as leis. Também se liga ao Tumus ou parte intermédia da alma que representa o valor militar dos guerreiros, auxiliares dos filósofos-reis.

Agir em conformidade com o dever é cumprir a lei do Estado por medo de ser punido e liga-se à parte inferior da alma humana, a epythimia ou concupiscência, sede dos prazeres egoístas de enriquecer materialmente com ouro e prata, comer requintadamente, desfrutar vida luxuosa, etc. " (VALE DOIS VALORES).

 

2-D- O imperativo categórico ou verdadeira lei moral postula: «Age como se quisesses que a tua ação fosse uma lei universal da natureza». Resulta da universalização da máxima, da aplicação equitativa do princípio subjectivo moral de cada um ou máxima. Exemplo: se a minha máxima é «Combato a vacinação obrigatória porque as vacinas infectam o organismo» o meu imperativo categórico será «Vou difundir a ideia de que a vacinação é nociva e não me vacinarei nem as minhas filhas, quaiquer que sejam as sanções contra mim.» O princípio moral de Stuart Mill é, em cada situação, promover a felicidade da maioria das pessoas, mesmo sacrificando a minoria. Em regra, isto opõ-se ao imperativo categórico de Kant que é absolutamente equitativo e trata por igual todos os indivíduos. (VALE DOIS VALORES).

 

3) A filosofia é uma interpretação livre ou o conjunto das interpretações livres do mundo, dotadas de variáveis graus de especulação (teorização de assuntos difíceis ou impossíveis de demonstrar objectivamente). Naturalmente, gera metafísica, isto é, doutrina sobre os entes e fenómenos invisíveis e imperceptíveis, imaginários ou reais do universo (deuses, reencarnação, buracos negros do universo, ) e sobre as causas primeiras da vida e o sentido desta. A filosofia é dogmática, assenta em certezas, e simultaneamente é cética, instala-se na dúvida. É ao mesmo tempo objectiva (exemplo: os três mundos em Platão são objectivos no sentido em que podem ser compreendidos por toda a gente) e subjectiva na medida em que cada pessoa tem uma filosofia própria diferente das outras pessoas. (VALE DOIS VALORES).

 

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Terça-feira, 23 de Dezembro de 2014
Sincronismos ontofonéticos de 13 a 23 de Dezembro de 2014

 

Os principais acontecimentos de cada dia são regidos por uma mesma ou várias ressonâncias fonéticas. Esta é a base da ontofonética que desenvolvi, doutrina de tonalidades cabalísticas, segundo a qual os sons e as letras são os modeladores dos acontecimentos quotidianos não só a nível internacional mas a nível local e pessoal. Aos que afirmam que isto não passa de subjectividade, respondo com as centenas e milhares de exemplos de notícias extraídas dos telejornais e da minha vida quotidiana que, como microscosmo, espelha o macrocosmo. Vejamos alguns sincronismos fonéticos que vertebram o período de 13 a 23 de Dezembro de 2014.

 

Em 13 e 14 de Dezembro de 2014, as ideias de LUZ, ROSSIO, LIMA e de OURO estão em destaque: no dia 13, a igreja católica celebra o dia de Santa LUZIA, o professor Rui IsidORO (evoca: OURO) orienta uma sessão do Toastmasters Club de Beja no Hotel Francis; no dia 14, o telejornal da SIC exibe o perfumista LOUREnço (evoca: OURO) LUCena (evoca: LUZ) que não revela o segredo da composição dos seus perfumes, o Benfica, clube da LUZ, vence no estádio do Dragão o FC Porto com dois golos marcados por LIMA, passam 96 anos sobre o assassinato a tiros, na estação do ROSSIO, em Lisboa, do presidente da República Nova, Sidónio Pais, semifascista, pelo republicano radical José Júlio da Costa, amigo de Magalhães LIMA, Grão-Mestre da Maçonaria em Portugal, DILMA ( que pela temura ou troca de letras na Kaballah dá: LIMA +D) ROUSSEFF, (evoca: RÚSSIA) ,presidente da República Federativa do Brasil, completa 67 anos de idade, termina em LIMA, Perú, uma cimeira sobre alterações climáticas.

 

 

Em 14 e 15 de Dezembro de 2014, as ideias de SIDÓNIO, LIMA e JÚLIO estão em destaque: no dia 14, passam 96 anos sobre o assassinato a tiros, na estação do Rossio, em Lisboa, do presidente da República Nova, SIDÓNIO Pais, semifascista, pelo republicano radical José JÚLIO da Costa, amigo de Magalhães LIMA, Grão-Mestre da Maçonaria em Portugal, o guarda-redes JÚLIO César garante, com excelentes defesas, a inviolabilidade da baliza do Benfica no jogo contra o FC Porto no qual o benfiquista LIMA marca os dois golos registados; no dia 15, a polícia de New South Walles, Austrália, assalta o café LINDT (sugere: LINDO, LIMA) em SIDNEY (evoca: SIDÓNIO) e põe fim a um sequestro de 17 pessoas matando o sequestrador, o refugiado iraniano Man Haron Monis e dois dos reféns um homem, de 34 anos, e uma mulher, com 38, e resultando feridas 4 pessoas

 

De 14 a 18 de Dezembro de 2014, as ideias de PINTO, LIMA e LINDO estão em destaque: no dia 14, o brasileiro LIMA marca os dois golos no jogo FC Porto 0, SL Benfica 2,o que constitui um desaire para o presidente portista PINTO da Costa, termina a cimeira das mudanças climáticas em LIMA; no dia 15, a polícia de New South Walles, Austrália, assalta o café LINDT (sugere: LINDO, LIMA) em Sidney e põe fim a um sequestro de 17 pessoas matando o sequestrador, o refugiado iraniano Man Haron Monis e dois dos reféns um homem, de 34 anos, e uma mulher, com 38, e resultando feridas 4 pessoas, recebo um presente vindo de BerLIM (evoca: LINDO), José Manuel PINTO Teixeira, embaixador da União Europeia, termina a sua visita à ilha do Fogo, em Cabo Verde, onde constatou o espectáculo dantesco da lava do vulcão a espalhar-se e destruir aglomerados de casas; no dia 16, dois LINCES ibéricos (evoca: LIMA, LINDO) são libertados no Parque Natural do Vale do Guadiana, Jorge PINTO da Costa, presidente do FC Porto, visita o ex primeiro-ministro José Sócrates detido no Estabelecimento Prisional de Évora; no dia 17, encontro, no centro da cidade de Beja, OLÍMpio (evoca: LIMA) Pita, dono de um restaurante e emigrante na Suíça; no dia 18, passam 96 anos sobre a detenção policial em Lisboa de Sebastião Magalhães LIMA, grão-mestre do Grande Oriente Lusitano, suspeito de ter instigado o assassínio do presidente Sidónio Pais por José Júlio Costa. 

 

.Em 16 e 17 de Dezembro de 2014, as ideias de CASTRO, BACALHAU, OLÍMPIO e de SOBRAL estão em destaque: no dia 16, passam 96 anos sobre a eleição em Congresso da República Nova, do almirante CANTO e CASTRO como presidente da República, cargo em que sucede ao assassinado Sidónio Pais, no intervalo do filme de Woody Allen «Magia ao Luar» no teatro Pax Julia, em Beja, saúdo OLÍMPIA, natural de SOBRAL de Adiça; no dia 17, de madrugada, um grupo de turistas em Beja pergunta-me onde fica a Casa do CANTE alentejano, o líder cubano Raul CASTRO anuncia que Cuba concorda restabelecer relações diplomáticas com os Estados Unidos, congeladas desde 1961, indicando, no entanto, que ainda falta resolver a questão do embargo económico imposto por Washington, encontro, no centro da cidade de Beja, OLÍMPIO Pita, dono de um restaurante e emigrante na Suíça, o telejornal da SIC exibe o chef de cozinha Vítor SOBRAL a mostrar o BACALHAU que demolha a frio durante 4 dias para cozinhar depois com requinte, anuncia-se que Portugal conseguiu da Comissão Europeia um aumento em 18% das cotas de pesca para 2015, excepto no BACALHAU.

 

Em 18 de Dezembro de 2014, as ideias de MARGARIDA e de ESPIÂO estão em destaque: na ESDG, dizem-me que a aluna MARGARIDA A. foi transferida de escola, passam 27 anos sobre a morte da escritora MARGUERITE Yourcenar,de 84 anos, autora de "Memórias de Adriano", a primeira mulher admitida na Academia Francesa, passam 68 anos sobre o nascimento do cineasta Steven SPIElberg (evoca: ESPIA), a imprensa noticia a libertação, na véspera, de 3 ESPIÕES cubanos presos nos EUA e de 1 ESPIÃO norte-americano em Cuba. 

 

Em 21 de Dezembro de 2014, a ideia de ESTE encontra-se em destaque: passam 135 anos sobre o nascimento de Iosif Vissanariovich, conhecido como STALIN (evoca; ESTE), revolucionário bolchevique que chefiou o PC da URSS de 1922 a 1953 e é qualificado ora como «grande criminoso, czar vermelho da Rússia» ora como «símbolo do primeiro Estado Operário do mundo e vencedor de Hitler e da agressão nazi-fascista contra os povos soviéticos», é inaugurada na Praça do Mar, no Funchal, uma ESTÁtua (evoca: ESTE) de bronze de Cristiano Ronaldo.

 

Em 22 e 23 de Dezembro de 2014, as ideias de COREIA, RAINHA e CASA estão em destaque: no dia 22, a COREIA do Norte ameaça atacar com mísseis o Pentágono e a CASA Branca, nos EUA, devido a um filme em que dois norte-americanos se propõem liquidar o «grande líder» fascisto-comunista da COREIA do Norte, o papa romano Francisco faz uma alocução no Vaticano em que dirige uma crítica forte à CÚRIA (evoca: COREIA) católica romana, onde a corrupção, o tráfico de influências e as vaidades cardinalícias imperam, noticia-se que a Infanta Cristina, filha da RAINHA Sofia de Espanha, está formalmente acusada de cumplicidade nos crimes de desvio de dinheiros e branqueamento de capitais realizados pelo marido, um camião de lixo despista-se em QUEEN Street (Rua da RAINHA), Glasgow, Escócia, e atropela dezenas de pessoas, matando 6 delas, de imediato ; no dia 23, um telejornal anuncia que pela primeira vez, em quatro ano, o preço das CASAS em Portugal subiu.

 

 

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Sábado, 29 de Março de 2014
Teste de filosofia do 10º B (Março de 2014)

 

Eis um teste de filosofia, o segundo do segundo período lectivo. Evitaram-se as escorregadias questões de escolha múltipla que, em muitos casos, não permitem ao aluno exibir e desenvolver o seu saber filosófico. A última questão sobre a ideia absoluta segundo Hegel espelha o facto de a turma ter escolhido estudar os valores religiosos.

 

Agrupamento de Escolas nº1 de Beja
Escola Secundária Diogo de Gouveia , Beja
TESTE DE FILOSOFIA, 10º ANO TURMA B
27 de Março de 2014. Professor: Francisco Queiroz

 

 

 I

 

“Todos consideram o belo como belo,
é nisso que reside a sua fealdade.
Todos consideram o bem como bem,
é nisso que reside o seu mal.

 

Porque o ser e o nada engendram-se.(…)
Por isso o santo adopta
A táctica do não-agir
E pratica o ensino sem palavra.”

 

LAO TSE

 

1) Explique o significado deste poema característico do taoísmo, indicando se nele há Yang e Yin.

 

II

 

 2) Relacione, justificando:

 

A)  Esfera dos valores vitais e esfera dos valores espirituais em Max Scheler.

 

B) Imperativo categórico em Kant, autogestão e situação original na teoria de Rawls.

 

C) Empirismo, e racionalismo.

 

D) Gematria e objectivismo intra-anima.

 

E) As três fases da Ideia Absoluta na História, segundo Hegel, e teísmo, panteísmo e panenteísmo.

 

 

 

CORRECÇÃO DO TESTE DE FILOSOFIA (COTADO PARA 20 VALORES)

 

1) Ao dizer que a fealdade do belo reside no facto de todos o considerarem belo, o filósofo nega o objectivismo estético, o triunfo do pensamento da maioria sobre a minoria e afirma a preponderância da subjectividade de cada um. É um paradoxo aparente. O taoísmo permanece um individualismo quietista, baseado no não-agir. O mesmo sucede com o bem: o filósofo nega o unanimismo ético, isto é, o diz que o facto de todos acharem "bem" um determinado ente ou acção torna estes maus. Em todo o Yang (fogo, verão, dilatação) há um pouco de Yin (água, inverno, contracção) e viceversa: em todo o belo há algo de feio e em todo o feio há algo de belo. O «ser e o nada engendram-se» significa a dialéctica da vida: o «ser humano» nasce do nada e ao morrer transforma-se em nada. Sabendo que tudo devém e desaparece, o santo taoísta, seguidor do Tao - isto é ao ritmo ondulatório da natureza: semear-regar-colher, inverno-primavera-verão-outono,vaivém das ondas, etc - do universo, pratica o não agir: não se exibe, não procura ir à televisão ou ser eleito para cargos políticos ou económicos em empresas. não faz grandes viagens, não lança guerras, etc. Pratica ainda o ensino sem palavras, através do gesto, do olhar e de uma (não) acção exemplar.  O Yang (fogo, dilatação, movimento) está no poema expresso no ensino sem palavras, que exprime o movimento de transmissão de ideias,  e o Yin (água, contração, repouso) exprime-se no repouso do não agir.(VALE QUATRO VALORES).

 

 

2) A) Segundo Max Scheler, a esfera dos valores vitais refere-se aos estados anímicos e inclui os valores de: nobre e vulgar, amor-paixão e ciúme, cólera, inveja, sentimentos de vitória e de derrota, de juventude e de velhice, de coragem e cobardia, de vaidade e humildade, de saúde e de doença, etc. Opõe-se-lhe a esfera de valores espirituais, essencialmente intelectual, que inclui os valores estéticos (belo, feio, sublime, horrível), os valores éticos (bem, mal, justo injusto) e os seus derivados do direito (legal, ilegal, etc) os valores do conhecimento da verdade (filosofia) e os derivados deste (ciências: matemática, física, biologia, história, etc). (VALE TRÊS VALORES).

 

2) B) O imperativo categórico ou verdadeira lei moral, gerado pelo eu numénico ou racional, enuncia-se assim: «Age de modo que a tua acção seja como uma lei universal da natureza», que a todos se aplica com imparcialidade, incluindo a ti mesmo. Autogestão, conceito anarquista, significa a gestão das fábricas, hipermercados, lojas, bairros, escolas feita pelos próprios trabalhadores, moradores ou estudantes dessas empresas ou instituições: a assembleia reune, decide os salários, as escalas de trabalho e férias, sem patrões nem directores.Situação original é, em John Rawls, uma situação ideal de democracia de base em que toda uma população de uma cidade ou região se reune para debater e aprovar leis, sob um véu de ignorância, isto é, ignorando a profissão e a importância social e financeira de cada um. Estes três conceitos possuem em comum a noção de democracia basista fundada na liberdade individual. (VALE TRÊS VALORES)

 

2-C) Empirismo é a corrente gnosiológica que sustenta que as nossas ideias são cópias desbotadas das percepções empíricas, estas últimas são a principal ou única fonte de conhecimento. Racionalismo é a corrente gnosiológica que sustenta que a principal ou única fonte das nossas ideias é a razão, o raciocínio, marginalizando ou negando mesmo as percepções empíricas, e que as nossas ideias não são cópias das percepções sensoriais. São duas correntes opostas. (VALE TRÊS VALORES).

 

2-D) A gematria é uma teoria da Kaballah (Cabala ou tradição secreta judaica) que estabelece que cada letra do alfabeto equivale a um número e que Deus fez o mundo com as 22 letras do alfabeto hebraico. Exemplo: A=1, B=2, C=3, D=4, E=5, etc...A objectividade intra anima é o facto de a generalidade de as pessoas partilharem entre si a mesma opinião, a mesma percepção de algo, ainda que este algo não seja perceptível ou palpável, de forma indiscutível, na realidade exterior. Pode considerar-se que a gematria é um objectivismo intra anima, uma verdade comum a todos os iniciados na Cabala, que não é aceite por muitas pessoas ditas «mais terra a terra». (VALE DOIS VALORES).

 

2-E) Hegel divide a história universal da ideia absoluta ou Deus em três fases:  a fase lógica ou do ser em si, na qual só existe um espírito, Deus, antes de criar o universo material o espaço e o tempo, espírito ou ideia absoluta que se limita a pensar (isto corresponde ao teísmo, doutrina segundo a qual há um ou vários deuses independentes da natureza física); a fase da natureza ou do ser fora de si em que Deus se aliena em matéria bruta, isto é, se transforma em astros, sol, montanhas, rios, rochas, plantas e animais não humanos (isto corresponde ao panteísmo, doutrina que sustenta que Deus é a natureza física e biológica); a fase da humanidade ou do ser para si, em que Deus renasce, como espírito livre, em forma de homens que lentamente, progridem em direcção à liberdade de espíriro que é regresso à primeira fase. (esta terceira fase corresponde ao panenteísmo, doutrina que afirma que Deus é tudo, a natureza material, a humanidade e é Ele mesmo como espírito transcendente). Este progresso exprime-se através de três formas de estado sucessivas- no início, o despotismo oriental, em que só um homem é livre, séculos depois o estado greco-romano, em que só alguns homens são livres e por último o estado do cristianismo reformado por Lutero em que todos os homens são livres de examinar a Bíblia sem a manipulação do clero católico romano, completado em 1789-1799 pela revolução francesa que implantou a democracia baseada na liberdade, igualdade e fraternidade (VALE CINCO VALORES).

 

 

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Quinta-feira, 21 de Junho de 2012
Equívocos na prova 714 de Exame nacional de filosofia de 20 de Junho de 2012

 

O exame nacional de filosofia em Portugal (Prova 714/ 1ª fase) , de 20 de Junho de 2012, possui um certo número de equívocos importantes. Nem a Sociedade Portuguesa de Filosofia nem a Associação de Professores de Filosofia detectaram os erros que, aqui, passo a explanar. O essencial no ensino da filosofia não é preparar os alunos para exame, como defendem os burocratas cinzentos, licenciados, mestres ou doutorados na disciplina,  mas sim pôr os alunos a pensar em profundidade, o que implica fornecer-lhes, de forma rica e sintética, uma vasta gama de conceitos e teorias sem censuras científicas, religiosas, políticas, etc.  

 

Não conheço, por exemplo, nenhum professor de filosofia, além de mim, que ponha em causa o dogma da vacinação e forneça textos e videos críticos sobre esse tema,  o que prova que o ensino da filosofia  nas escolas é, quase todo, uma mera extensão das ciências oficiais e não uma crítica inteligente destas. Quantos são os professores de filosofia que sabem contrapor à medicina alopática, com a sua teoria causal bacteriana e viral das doenças, a concepção neo-hipocrática holística de que as múltiplas doenças locais são manifestação de uma só doença geral, a toxe-sangue-linfa (doutrina da unicidade das doenças) e de que um mesmo alimento são (exemplo: maçãs, uvas,etc) é ´capaz de curar doenças distintas em diferentes orgãos do corpo(unicidade da terapia alimentar)? Muitíssimo poucos... A incultura epistemológica reina entre os utilizadores dos «inspectores de circunstâncias», das «derivações», que vivem na casa vazia de uma lógica formal...

 

Aliás, os patrões das grandes editoras escolares não autorizam manuais de filosofia com textos contra a vacinação porque são amigos de médicos alopatas e querem estar nas boas graças dos políticos ligados às multinacionais farmacêuticas. Assim se condiciona e limita o campo filosófico, vergando-o aos lobbies do dinheiro...

 

Basta ver como os manuais escolares enfatizam os textos e a teoria de Karl Popper, um filósofo de segunda classe, inócuo para as ciências ideologicamente dominantes, e omitem, quase sempre por completo, os textos e a teoria de Paul Feyerabend. O servilismo dos manuais escolares escritos por membros da Sociedade Portuguesa de Filosofia (Desidério Murcho, Aires Almeida, Pedro Galvão, Luís Rodrigues, Pedro Madeira, etc) face à medicina alopática, à historiografia oficial liberal , etc, é confrangedor e obedece ao princípio positivista lógico: «nós em filosofia só tratamos da análise da linguagem e da ética, as questões científicas da medicina, astronomia, biologia, etc ficam a vosso cargo, ó cientistas, escrevam e façam o que quiserem, nós não incomodamos».

 

 

DETERMINISMO NÃO É EXATAMENTE O MESMO QUE DETERMINISMO EXCLUENTE DO LIVRE-ARBÍTRIO 

 

 

Vejamos algumas questões de estrutura ou correção oficial erróneas na prova 714 (versão 1) de exame nacional de filosofia de Junho de 2012.

 

GRUPO 1. 1.

 

Leia o texto seguinte do filósofo Espinosa acerca do problema do livre-arbítrio.

 

 

Texto A

 

Uma pedra recebe de uma causa exterior que a empurra uma certa quantidade de movimento,

 pela qual continuará necessariamente a mover-se depois da paragem da impulsão externa. [...]

 Imaginai agora, por favor, que a pedra, enquanto está em movimento, sabe e pensa que é

 ela que faz todo o esforço possível para continuar em movimento. Esta pedra, seguramente, […]

 acreditará ser livre e perseverar no seu movimento pela única razão de o desejar. Assim é esta

 liberdade humana que todos os homens se vangloriam de ter e que consiste somente nisto, que os

 homens são conscientes dos seus desejos e ignorantes das causas que os determinam.

 

Spinoza, «Lettre àSchuller», in Oeuvres Complètes, Paris, Gallimard, 1954

 

 

 

Identifique a tese defendida no texto.

 

Justifique a resposta, a partir do texto.

 

 

 

Cenário de resposta:

 

A resposta integra os seguintes aspetos, ou outros considerados relevantes e adequados:

 

– identificação da tese defendida no texto como sendo a tese do determinismo;

 

– interpretação do exemplo e da conclusão do texto – aplicação do argumento da causalidade e da tese

 

da negação do livre-arbítrio.

 

 

 

Crítica minha:  Existe aqui uma confusão. A tese que Spinoza exprime não é a do determinismo em geral , princípio da conexão necessária e uniforme de causas e efeitos, mas sim a do determinismo sem livre-arbítrio a rodeá-lo, isto é, aquilo que os manuais designam como determinismo radical. O que Spinoza nega no texto é a possibilidade real de os homens interferirem nas ações em que estão lançados por causas que lhe são estranhas e o que Spinoza realça é a ilusão em que os homens vivem de possuirem livre-arbítrio.  No texto não está presente, de modo explícito,  a tese do determinismo associado ou compatibilizado com livre-arbítrio, isto é, aquilo que os manuais e Blackburn designam por determinismo moderado . Logo, dizer que a tese do texto é o determinismo é uma resposta vaga, parcialmente errónea. A resposta correcta seria: determinismo excluente do livre arbítrio (vulgo determinismo radical). 

 

A ANÁLISE SEM VISÃO DE SÍNTESE DEFORMA, ISOLA, FRAGMENTA, O QUE NÃO PODE SER ISOLADO

 

 

 

Vejamos a segunda  pergunta  do grupo I:

 

2.

 

 

Leia o texto seguinte.

 

Texto B

 

Quando Kant propõe […], enquanto princípio fundamental da moral, a lei «Age de modo que

 a tua regra de conduta possa ser adotada como lei por todos os seres racionais», reconhece

 virtualmente que o interesse coletivo da humanidade, ou, pelo menos, o interesse indiscriminado

 da humanidade, tem de estar na mente do agente quando este determina conscienciosamente a

 moralidade do ato. Caso contráio, Kant estaria [a] usar palavras vazias, pois nem sequer se pode

 defender plausivelmente que mesmo uma regra de absoluto egoísmo não poderia ser adotada por

 todos os seres racionais, isto é, que a natureza das coisas coloca um obstáculo insuperável à sua

 adoção. Para dar algum significado ao princípio de Kant, o sentido a atribuir-lhe tem de ser o de que

 devemos moldar a nossa conduta segundo uma regra que todos os seres racionais possam adotar

 com benefício para o seu interesse coletivo.

  

John Stuart Mill,Utilitarismo, Porto, Porto Editora, 2005

 

 

 

Na resposta a cada um dos itens de2.1. a 2.4., selecione a única opção adequada ao sentido do texto.

 

Escreva, na folha de respostas, o número do item e a letra que identifica a opção escolhida.

 

 

2.1.

 

 

Segundo Stuart Mill, Kant verdadeiramente valoriza:

 

(A)as circunstâncias da ação.

 

(B)o interesse da humanidade.

 

(C)o imperativo categórico.

 

(D)um imperativo hipotético.

 

 

Crítica: Os critérios  de correção dizem que a resposta certa é a B, o interesse da humanidade. Está certo mas não pode considerar-se menos certa a resposta C) , o imperativo categórico, que manda que se considere cada pessoa como um fim em si e não um meio da ação do sujeito. Portanto, há duas respostas certas e não uma. A análise sem uma concomitante visão de síntese deforma, isola e fragmenta o que não pode ser isolado, fazendo ver só árvore sem ver a floresta. 

 

MILL VALORIZA A INTENÇÃO NA AÇÃO MORAL, AO CONTRÁRIO DO QUE SUPÕEM OS AUTORES DA PROVA

 

Analisemos outra questão de escolha múltipla, o tipo de questão em que é habitual os autores, que carecem de uma visão dialética de síntese, escorregarem.

 

2.3.

 

Stuart Mill defende que uma ação tem valor moral

 

(A)sempre que o agente renuncia ao prazer.

(B)quando a intenção do agente é boa.

(C)sempre que resulta de uma vontade boa.

(D)quando dela resulta um maior bem comum.


 

Crítica minha: os critérios de correção sustentam que só a  hipótese D está correcta. Na verdade, a hipótese B está igualmente correcta porque Mill, ao contrário do que supõem os autores da prova, valoriza a intenção do agente.  Em "Utilitarismo", Mill dá o exemplo de um homem que salva um seu inimigo de morrer afogado a fim de o torturar com requintes sádicos e considera que essa ação de salvamento é moralmente má porque a intenção do agente é má. Isto prova que, em certas ações, a intenção é mais importante que o resultado prático, segundo Mill. A moral deste é deontológica, ao invés do que dizem as mentes «quadradas» dos «analíticos».  É uma deontologia, não da universalidade abstracta, mas das maiorias particulares e concretas em cada situação.

 

 

Os vesgos parafilósofos analíticos dividem a ética em três grandes correntes: ética das virtudes de Aristóteles, ética deontológica de Kant e ética consequencialista de Mill. Não se dão conta da unidade essencial destas três correntes: são todas deontológicas.  

 

A NÃO DISTINÇÃO ENTRE VALIDADE DEDUTIVA E VALIDADE INDUTIVA E AS AMBIGUIDADES QUE ISSO GERA

 

Vejamos o grupo II da prova de exame (versão 1).

 

 

2.2.

 

 

 

Num raciocínio indutivo forte, a verdade

 

 

(A)da conclusão é garantida pela verdade das premissas.

 

 

(B)das premissas torna provável a validade da conclusão.

 

 

(C)da conclusão é garantida pela validade das premissas.

 

 

(D)das premissas torna provável a verdade da conclusão.

 

 

Crítica minha: Os critérios de correção indicam que só a resposta D é correcta, o que é uma estupidez : a resposta A está também certa (exemplo: a verdade da permissa "o Sol nasce diariamente desde há milhões de anos no horizonte terrestre", garante a verdade da conclusão  "logo, hoje mais uma vez o Sol tinha de nascer no horizonte")  e a resposta B está também correcta. Note-se que se pode falar em validade formal dedutiva e em validade indutiva, substancial mas o texto e os critérios de correção não esclarecem esta distinção...Por isso, há mais que uma resposta certa.

 

DA NÃO DISTINÇÃO ENTRE IMPRESSÕES DE SENSAÇÃO E IMPRESSÕES DE REFLEXÃO, EM HUME

 

 

 

Vejamos uma questão do grupo IV da prova 714.

 

 

GRUPO IV

 

1.

 

Leia o texto seguinte.

 

Texto E

 

 

[…] Quando analisamos os nossos pensamentos ou ideias, por mais complexos ou sublimes que

 possam ser, sempre constatamos que eles se decompõem em ideias simples copiadas de alguma

 sensação ou sentimento precedente. Mesmo quanto àquelas ideias que, à primeira vista, parecem

 mais distantes dessa origem, constata-se, após um exame mais apurado, que dela são derivadas.

 A ideia de Deus, no sentido de um Ser infinitamente inteligente, sábio e bondos, deriva da reflexão

sobre as operações da nossa própria mente e de aumentar sem limites aquelas qualidades de

bondade e de sabedoria.

 

 

David Hume, «Investigação sobre o Entendimento Humano», in

 

Tratados Filosóficos I, Lisboa, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2002

 

  

1.1.Nomeie os tipos de perceção da mente, segundo Hume.

 

 

1.2.Explicite, a partir do texto, a origem da ideia de Deus na filosofia de Hume.

 

2.Confronte as ideias expressas no texto de Hume com o racionalismo de Descartes.

 

Na sua resposta, deve abordar, pela ordem que entender, os seguintes aspetos:

 

 

inatismo;

 

valor da ideia de Deus.

 

  

Cenário de resposta

 

A resposta integra os seguintes aspetos, ou outros considerados relevantes e adequados:

 

– relação entre as impressões e as ideias e entre as ideias simples e as ideias complexas;

 

– identificação da ideia de Deus como ideia complexa que tem por base ideias simples que a mente e

 

a vontade compõem e potenciam.»

 

 

Crítica minha: nos critérios de correção não se faz a distinção entre impressões de sensação e impressões de reflexão, ambas elas tipos de percepção da mente, distinção capital na gnosiologia de Hume. Se não houvesse impressões de reflexão como os sentimentos de bondade, de respeito por todos os seres humanos, etc, seria impossível formar a ideia de Deus.

 

Verifica-se, por conseguinte, analisando o teor deste exame 714, que as provas de exame nacional de filosofia em Portugal continuam a ser elaboradas por intelectuais de segunda e terceira categorias, destituídos de racionalidade holística e de poder de análise rigorosa. Há muita falta de imaginação, rigor e criatividade na elaboração destas provas, reflexo do ensino burocrático que a grande maioria dos professores do ensino secundário e universitário ministra. 

 

Os burocratas da filosofia, pequenos Stalines do formalismo lógico, chegam ao ponto de dizer que «o programa de filosofia do 10º ano não permite que se fale nos três mundos de Platão nem nos conceitos de tó on e tó tí nem na teoria das quatro causas de Aristóteles nem no taoísmo e dualismo Yin-Yang, nem na tese do microcosmos como espelho do macrocosmos»... Na sua ânsia de atacar-nos,  aos que somos criativos e cultos no ensino da filosofia, os «stalino»-analíticos confundem deliberadamente o programa (conjunto de linhas gerais) com os conteúdos que cada professor pode e deve livremente explanar e argumentam, falaciosamente, que «Platão, Aristóteles, Hegel, a teoria dos valores de Max Scheler, realismo/idealismo, estão fora do programa» só porque este não os menciona explicitamente. O que eles não sabem é quase nada de filosofia, não pensam, e mordem-se de inveja dos que sabem, dos que pensam...

 

O grande caos mental da filosofia analítica, iniciado com a tese paradoxal de Bertrand Russel de que «há classes que são membros, isto é, partes, de si mesmas, como a classe dos objetos abstratos», não cessa de aumentar e contamina os "filósofos de cátedra", os professores do secundário e os alunos - excepto os inteligentes, que resistem.

Platão dizia que o povo não é filósofo e isso aplica-se ao povo dos professores de filosofia que é ainda uma pequena multidão, pouco destacada intelectualmente, da multidão em geral.

 

Uma pequena multidão de professores demasiado uniforme, portadora de um horizonte totalitário de «não sair do programa, uniformizar», «agnóstica», politicamente demoliberal (numa democracia sequestrada), epistemológica e cosmologicamente totalitária, rejeitando, por princípio, a astrologia determinista histórico-social e as «ciências herméticas» (Cabala, I Ching, antroposofia de Rudolf Steiner, medicinas sagradas tradicionais, etc), socialmente empenhada na ascensão através de mestrados e doutoramentos que lhe dêem prestígio e vantagens económicas. As universidades, mesmo as estatais, parecem estar a transformar-se em prostitutas que, a troco de dinheiro, vendem mestrados e doutoramentos a qualquer professor/ licenciado medianamente inteligente.

 

Assim, a estratégia dos que amam a verdade, dos autênticos filósofos, passa por denunciar as actuais universidades, ocupadas por catedráticos e professores auxiliares sem qualidades superiores de inteligência e de saber erudito e sem coragem para afrontar a tecnociência e os interesses económicos e políticos das burguesias e burocracias dominantes.

 

E criticar, com paciência e clareza racional, a esmagadora maioria dos professores do ensino secundário que repetem os mesmos clichés confusos do tipo «o utilitarismo é um consequencialismo», «as éticas de Mill e de Aristóteles não são deontológicas», «o determinismo duro, o determinismo moderado, o libertismo e o indeterminismo são as quatro correntes sobre a questão do livre-arbítrio e da acção humana», «o libertismo é um incompatibilismo», «o relativismo é incompatível com o objectivismo», etc. É uma grande maioria, relativamente impensante, de professores, medianos e medíocres.

 

Destes, alguns, anti-racionalistas confessos, porque o curto raio (ratio) de alcance do seu pensamento não lhes permite atingir e compreender a posição dos planetas no Zodíaco e correlacionar com os factos terrestres sociais e biofísicos - refiro, entre outros, Carlos Pires («Dúvida Metódica»), Sérgio Lagoa, Tiago Pita, Valter Boita, Vítor Guerreiro, Aires Almeida, Carlos Alberto Gaspar, Rolando Almeida, Olívia Macedo, António Gomes, Luis Mendes, Isabel Versos, Rui Areal - destilam sarcasmos e falácias ad hominem contra este blog e o seu autor, o que me diverte bastante, mas não me desvia da luta pela claridade do pensamento filosófico e pela verdade. Doa a quem doer.

 

www.filosofar.blogs.sapo.pt

 

f.limpo.queiroz@sapo.pt

 

© (Direitos de autor para Francisco Limpo de Faria Queiroz)



publicado por Francisco Limpo Queiroz às 09:06
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