Segunda-feira, 18 de Dezembro de 2017
Cátaros da Idade Média: a recusa da ingestão de carnes, a admissão do peixe

 

Os cátaros, cristãos dualistas dos séculos XI a XIV, herdeiros dos bogomilos,  comiam peixe mas não carne. Consideravam o coito um acto impuro  e a ingestão de carne uma manifestação de impureza que estimulava as uniões sexuais no plano físico. Escreve o historiador Lohengrin García de Yzaguirre:

 

«Sobre a alimentação dos cátaros fala-se na carta do prior Evervin de Steinfield a Bernardo de Claraval (1143): " Nas suas comidas proibe-se o leite e os produtos lácteos e qualquer coisa produzida por coito.»

 

«A Moneta de Cremona responderam uns cátaros: "A carne dos animais vem da fornicação, pois o seu coito é uma fornicação".»

 

«Segundo Belibaste, Cristo ensinou: " Filhinhos meus, há três tipos de carne, a do homem, a das bestas e a dos peixes que se fazem na água. Não comais mais do que as que estão na água, pois não têm corrupção e os espíritos não se incorporam nelas; mas as outras contêm a corrupção e tornam a carne muito orgulhosa. (Salvo os tubarões, poucos outros peixes copulam: fecundam os ovos fora do corpo da mãe).»

 

«Os cátaros pirenaicos do século XIV chamavam à carne "ferocidade": comer carne desenvolve no homem a sua agressividade, instintos brutais e paixões sexuais. A força vital contida no sangue animal é transferida para a carne e para o homem, dificultando o desenvolvimento da sua vida psíquica e o acesso à sua vida espiritual.»

 

«A origem do vegetarianismo ocidental nem sempre foi a Índia: durante o consolament cátaro recitava-se esta passagem do Génesis: Disse também Deus - Aí vos dou quantas ervas de semente há sobre a face de toda a Terra, e quantas árvores produzem fruto de semente, para que todas vos sirvam de alimento (Génesis I, 29).»

 

(Lohengrin García de Yzaguirre, Los cátaros del siglo XXI sobre la Historia del Catarismo, L´ Associació per l´estudi de la cultura càtara, 2015, España, pp. 216-217; o destaque a negrito é posto por nós).

 

A Inquisição Medieval e os papas e bispos que ordenaram e dirigiram, com os senhores feudais do norte da França, incultos, brutos e carnívoros, o massacre dos cátaros da Ocitânia e da costa nordeste de Espanha nos séculos XIII e XIV invejavam e vituperavam o regime alimentar dos cátaros.

 

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Domingo, 29 de Outubro de 2017
Cátaros do século XXI: o pecadocentrismo faz crescer a árvore do vício

Os cátaros do século XXI admitem a existência de um inferno tártaro, extraterrestre ou intraterrestre, onde jazerão aprisionadas almas que não quiseram e não querem despertar os 144 castelos interiores de bondade e sabedoria existentes em cada ser humano nas suas vidas terrestres. De acordo com a gnose cátara, o ser humano é divino (teohumanidade) é um espírito celeste aprisionado num corpo material alterado por Elohim (o remodelado de adaptação): foi Lúcifer quem modelou o actual corpo adâmico do homo sapiens, a partir do barro. O homem actual é um descendente degenerado da humanidade da Atlântida e da Hiperbórea de que falam os mitos ancestrais.

 

 O teólogo cátaro João do Santo Graal (João Bereslavsky, nascido em 1946) afirma que quanto mais o homem cai no pecadocentrismo, insistindo na sua culpa, segundo os ritos das igrejas romana e bizantina, mais preso fica de Lúcifer no inferno. Nas comunicações que a Divindade teria feito a este místico haveria a seguinte:

 

«Os fariseus mentem ao afirmar que aos pecadores lhes esperam torturas eternas. A verdade é a seguinte: desde a Terra é fácil regressar ao céu no caso de haver arrependimento e uma visão clara dos seus mistérios (das armadilhas do príncipe de este mundo) e muitas almas voltam às suas moradas celestiais. Mas o caminho de volta é quase impossível depois da estada no inframundo das seitas do tártaro, esses templitos guardados pelo cão Cerbero de três cabeças e com serpentes venenosas que se enroscam à sua volta.» 

 

«Ajudai as vítimas do inferno que habitam nos templos cristãos de ultratumba, semelhantes aos Abraãos, Moisés e Noés do Antigo Testamento que estiveram no Sheol! Ajudai-os a recuperar a visão espiritual! Hoje em dia não rezeis pelos defuntos ,mas pelos que estão atolados na terceira armadilha, a armadilha de Lúcifer. Sair desta, meu filho, é mais difícil do que sair da armadilha terrena; é quase impossível.»

«Milhões de almas são arrastadas às esferas do tártaro astral. A missa de defuntos apaga-lhes para sempre a memória mística da sua origem divina e submerge-as numa constante recordação dos seus pecados, para conveniência do maligno que, durante o modelado ilegítimo lhes introduziu o princípio pecaminoso.»

«Quanto mais medita o homem sobre os seus pecados, mais cresce a árvore do vício (o que também convém ao nosso inimigo, filho meu). Quanto mais busca o arrependimento infrutuoso nos limites das antigas instituições, mais se alimenta da maldita árvore e se perde definitivamente.»

«Segundo foi revelado aos discípulos do Grande Cálice, aqueles hebreus que cumpriam as leis de Moisés ficavam no Sheol. Não podiam regressar ao céu porque professavam a fé no amo do tártaro fúnebre, Lúcifer. O destino póstumo dos cristãos é parecido a este e inclusivamente mais terrível».

 

(Juan de San Grial, « Rosa de los Serafitas, Evangelio cátaro bogomilo», Associaciò per l´estudi de la cultura càtar, 2015, pp. 257-258; o destaque a negrito é posto por nós).

 

E nesta passagem parece aplicar-se a lei do pensamento negativo («Se pensas que vais fracassar, fracassarás mesmo, se pensas que há inferno eterno este plasma-se, de inexistente que era, no real») o que sugere que o inferno poderia ser uma co-criação do Diabo e da alma que desespera dos seus pecados:

 

«No inferno tártaro, não há nenhuma esperança de salvação. Quanto mais se sume a alma na visão dos seus pecados, mais profundamente é consciente da sua incorrigibilidade e dá desesperadamente o seu consentimento para os sofrimentos eternos, que é precisamente o que quer o Diabo! Os seus planos perseguem levar as almas, depois de as ter arrastado do céu à Terra na sua primeira tentação, aos seus templitos e logo enviá-las às torturas eternas nos seus campos de concentração incorrigíveis do arrependimento do pecado.» (ibid, pág 259; o negrito é de nossa lavra).

 

Assim, segundo João do Santo Graal, a teologia católica e ortodoxa, pessimista e pecadocentrista. faria o jogo de Lúcifer gerando um inferno que é real e irreal, psicológico, uma vez que a mente do cristão que  morre se automortifica e alimenta esse inferno pois não vê que o verdadeiro Deus é Amor e não envia ninguém ao Inferno. É racional que o Inferno, se existe, não seja eterno e que as almas possam sair dele.

 

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Segunda-feira, 23 de Outubro de 2017
Teologia cátaro-bogomila: Cristo (Ammi) não morreu no Gólgota

 

O teólogo cátaro por excelência do século XXI, João Bereslavsky, russo, escreveu:

 

«Cristo não morreu no Gólgota, como o representa a versão sinodal-rabínica

«Pelo contrário, Cristo não pôde morrer de nenhum modo porque era imortal; mas sim derramou cinco litros de valioso mirró (NOTA NOSSA: mirró, na versão espanhola, é, segundo o editor,« um líquido oleoso e fragante de origem celestial, manifestado de modo misterioso no mundo material em forma de gotas e correntes que caem dos objectos sagrados e relíquias), o tesouro para divinizar o homem. E o seu sangre mírrico, multiplicado, transubstanciado voltou a ele.»

«Por isso, Cristo da segunda vinda é portador dos compostos mírricos e supracelestiais.»

«Isto é o que ensinava Cristo, chegando em corpos transfigurados.»

«Ele dizia:" De igual modo que pelo corpo humano correm os glóbulos vermelhos do sangue, também no corpo de Divino Ammi, o Mestre Divino da segunda vinda, corre o mirró fragantíssimo do Pai».

«A comunhão do Santo Graal era a comunhão de Cristo da segunda vinda. Não se comungava do sangue e do corpo, mas dos compostos mírricos do Nosso Altíssimo.»

 

(Juan de San Grial, « El Santuario del Grial en el Catarismo», Associaciò per l´estudi de la cultura càtar, 2010, pp. 382-383; o destaque a negrito é posto por nós).

 

Cristo, segundo Juan de San Grial, não gostava de usar o nome de Jesus para se demarcar do pecadocentrismo dos judeus:

 

«Cristo da segunda vinda rejeitava o nome "Jesus" e inclusive "Cristo"  por causa da intersecção com o messianismo pecadocêntrico. Cristo da segunda vinda pedia que lhe chamassem Ammi (o mestre, a divindade). »

«O seu verdadeiro destino de Messias é ser vela. Ele é o autêntico salvador dos descendentes de Adão, da teia de aranha de Elohim».

(Juan de San Grial, ibid, pp. 381-382; o destaque a negrito é nosso).

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Teologia cátaro-bogomila: diferenças entre Guan Min, a Deusa Mãe, e a Virgem Maria católica e Lilith

 

Segundo o teólogo cátaro russo Juan de San Grial (João do Santo Graal, de seu nome João Bereslavsky), nascido em 1946, a Virgem Maria está num escalão inferior ao da Deusa do Universo ou Mãe Teoengendradora da Teohumanidade, que assume várias encarnações entre as quais Guan Min, a Minné ou Amor Divino Feminino.


«7. (1) Guan Min é divindade (!), diferenciando-se da Virgem Maria que continua sendo um ser humano e não entra no panteão das divindades. A deusa está no cume do panteão. A Mãe Divina cristã, apesar de ser Rainha celestial, não é deusa. Esta é a diferença essencial».

«(2). É a mensageira do Deus do Amor ( Dieu d´ Amour), não de Jehová com a sua legislação jurídica e trazida do mal, luxúria, quimeras,etc. Guan Min é de outra Divindade, a que é um Todo - e não é «um» - com os seus filhos. Ela leva até ao outro Pai, até ao Hierodamante -um dos seus múltiplos nomes - o Pai do puro amor.»

 

«(3). É penetrante e não distante. A Mãe Divina nas suas aparições costuma limitar-se ao Verbo, a presságios. Por exemplo, durante o «baile do sol» em Fátima, a Mãe Divina está em alguma parte do céu, debaixo há uma multidão de mil pessoas, o sol desce à Terra, a gente teme queimar-se com os seus raios... Mas em pouco tempo tudo volta ao lugar.

 

«(4) É bodistávica.  Veio de aquele que diviniza os seus filhos. O seu objectivo é fazer dos recém nascidos teomeninos, bodisatvas e budas.
A Virgem Maria não se une, não diviniza e não se manifesta como NOSSA Teonoiva. O máximo que pode dar é o amparo consagrado.»

 

(Juan de San Grial, «Guan Min, la Madre Divina, Enciclopedia del Catarismo, Associaciò per l´estudi de la cultura càtar, 2013, pp. 129).

 

«(27) A grande Arquitecta é Guan Min. a que está contra o Demiurgo, o diabo que finge ser deus e que criou Adão e Eva como meio-serpentes luxuriosas».

(Juan de San Grial, «Guan Min, la Madre Divina, Enciclopedia del Catarismo, Associaciò per l´estudi de la cultura càtar, 2013, pág.132).

 

«37. A doutrina dos pédricos (NOTA NOSSA: discípulos de Pedro, romanos e ortodoxos) sobre a Virgem Maria está tão tergiversada e caricaturada como a visão da cruz do Gólgota -ao qual Cristo nunca ascendeu - como símbolo de morte e desonra:

"Ela não é divindade mas sim purificada previamente pelos méritos de Cristo, depois de nove meses de gestação nas suas entranhas, milagrosamente dá à luz o Salvador do mundo." Ela só é a Mãe de Cristo e só oferece aos demais um amparo distante.»

«37. A Mãe divina formalizada impede a percepção de Guan Min com o coração aberto. O "Sou a Imaculada Conceição" de Lourdes permanece como mito arquetípico dogmático».

«38. (...) Quem é a Mãe Divina hoje em dia? A Teonoiva da Montanha de Ruiseñor? A Mãe Divina transubstanciou-se em Guan Min, que talvez João o Evangelista não conhecesse.»

(ibid, pág 101; o negrito é posto por nós).

 

 

LUCIMARIA E LUCICRISTO, AS FORMAS DE LÚCIFER, SENHOR DO CATOLICISMO ROMANO E BIZANTINO

 

Segundo o catarismo, a igreja católica romana e a igreja católica bizantina veneram uma Lucimaria, uma mistura de Virgem Maria e Lúcifer, e um Lucicristo, mistura do mesmo Lúcifer com Cristo. Dizem a história e a lenda que Domingos de Gusmão, frade fanático que impulsionou em 1209 o assassínio massivo dos cátaros da Ocitânia, rezou diante de uma imagem da Virgem Maria e a estátua teria levantado os braços ao céu pedindo «justiça», isto é, a morte das centenas de milhar de cátaros que divergiam da corrupta igreja romana. Se este episódio foi verdadeiro, seria Lúcifer, disfarçado de Maria, isto é, como Lucimaria a provocar esse efeito mágico designado como milagre. Como poderia a Mãe Divina apoiar e incentivar o assassinio dos cátaros e o roubo das suas terras? Não poderia. Só Lilith, a Deusa negra do mal, deseja as guerras com as suas brutalidades sangrentas e nisso se opõe a Guan Min, a Mãe Divina, Alma Mater Dei et Humani.

 

Escreve o místico líder da pequena igreja cátara do século XXI sobre a existência de dois Deuses, um o Deus do Amor, Arquétipo Solar da Luz, da Beleza da Paz, o outro o Deus negro, ou Adonai-Elohim, deus do judaísmo, da matéria, da acumulação de dinheiro à custa da exploração de seres humanos, da escravatura, da guerra, da bruxaria, da corrupção da natureza:

 

«Deus negro manifestava-se em distintas civilizações e religiões como um ídolo malvado que exigia sacrifícios no seu altar, um açoitador, odioso, juíz e vampiro. Os cultos pagãos, ridicularizados tradicionalmente por judeus e cristãos, ligados aos sacrifícios (como os representam as tribos africanas e os índios mesoamericanos) são a manifestação de Elohím, de este "Todo Poderoso", antigo Deus negro.»

«A grande luta entre o Deus branco e o Deus negro (Luzbel) não termina nunca em nenhum momento.»

«Luzbel ("Luci-branco") é um grande fingidor, é Lúcifer que se faz passar pela Divindade. De aqui provêm Cristo Romano, Lucicristo, e Maria Romana, Lucimary, dingindo hipocritamente que eram mensageiros do Deus branco, baixavam à Terra, e em seu nome, os sacerdotes cometiam os seus actos malvados e os verdugos romanos imolavam os santos.»

(Juan de San Grial, « El Santuario del Grial en el Catarismo», Associaciò per l´estudi de la cultura càtar, 2010, pág.114; o destaque a negrito é posto por nós).

 

LILITH, A DEUSA NEGRA DOS HUMANÓIDES E DOS SENHORES DA GLOBALIZAÇÃO, QUE SE OPÕE À MÃE DIVINA GUAN MIN

 

O lado feminino do Deus do mal é Lilith, a segunda mulher que havia no Paraíso Terrestre, deusa da luxúria e da corrupção, em alguns relatos:

 

«Guan Min intervém contra Lilith - a adversária com seus humanóides, serviços especiais, tecnocratas do governo, Comité dos 300 e as mafias religiosa, militar, petrolífera, médica, banqueira, farmacêutica.»

«1. O plano secreto dos humanóides, escondido escrupulosamente pelos serviços especiais das potências mundiais, consiste em destruir os homo sapiens, o "modelo sem saída", e implantar a espécie do "post-homem", homo sapiens-sapiens, sapiens ao quadrado, os "lilinos" (de Lilith), os gobelinos.

«2. Os humanóides estão excessivamente inquietos. Eles transmitem as tecnologias destrutivas mas têm medo de que se voltem contra eles próprios: "um quarto de século mais e as nossas tecnologias poderiam ser dirigidas contra nós!"»

«Exigem-se duas condições para a transmissão das tecnologias humanóides:

- milhões de vítimas sangrentas - exige-as Lilith negra, sentada sobre a besta púrpura, embriagada com o sangue dos inocentes -

-a destruição absoluta da 84º civilização. o homo sapiens é substituído pelo tecnorobot, o "post-homem", o "lílin".

«3. A Terra, do ponto de vista dos humanóides, está predestinada a repetir o destino de Saturno, da Lua, de Marte...quer dizer, converter-se em um planeta morto durante milhões de anos, o quartel general dos OVNI de segunda classe

 

(Juan de San Grial, «Guan Min, la Madre Divina, Enciclopedia del Catarismo, Associaciò per l´estudi de la cultura càtar, 2013, pág.103; o negrito é colocado por nós).

 

MINNÉ E SAN SALVADOR, O CASTELO MÁGICO JUNTO A PORTBOU, GIRONA

É interessante notar que os cátaros, embora considerando o Deus judaico Iavé-Elohim o príncipe do mal, têm estima pelos cabalistas que se afastaram da ortodoxia da Tora e prescrutam o Deus desconhecido, o Ein Sof Aur (Nada Infinito da Luz). O município de Girona que, ao norte da Catalunha, confina com França e onde se situa o mítico castelo de San Salvador, perto de Portbou, é talvez o centro cátaro mais importante na Europa Ocidental. O centro da teohumanidade, conceito cátaro que sustenta que em cada homem há 144 castelos interiores onde habita o verdadeiro Deus da Luz e que a distância entre o homem e Deus é muito menor do que a proclamada pelos católicos, ortodoxos, judeus e islâmicos. Escreve Juan de San Grial:

 

«Minné é a rainha de todas as culturas e civilizações. Os heróis e as mães formosas adoravam-na desde os inícios.»

«Nós renovamos e passamos da 84ª à 85ª civilização, a civilização de Minné.»

«Vilajuiga, uma povoação ao pé de San Salvador...Aqui viviam os melhores cabalistas, Isaac Luria visitava-a. As ideias dos cátaros sobre o Pai do Puro Amor transubstanciaram-se nos tratados solares da Cábala e estenderam-se por todo o mundo (posteriormente na versão do judaísmo hassídico russo e outras).»

«Também aqui, perto de Vilajuiga, viviam os sufis espanhóis.»

«San Salvador é o centro místico da teohumanidade. Assim como o foi na Idade Média, o é no III Milénio.»

(Juan de San Grial, «Guan El Santuario del Grial en el Catarismo», Associaciò per l´estudi de la cultura càtar, 2010, pp. 217-218; o destaque a negrito é posto por nós).

 

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Sábado, 14 de Outubro de 2017
Teologia cátaro-bogomila: Evolucionismo de Darwin e Criacionismo Bíblico são doutrinas erróneas

Na Idade Média, a filosofia cátara, expressa por exemplo no «Livro dos Dois Princípios» do perfeito Jean de Luigio, foi sempre superior à escolástica de São Boaventura, São Tomás de Aquino, Escoto Eriúgena e muitos outros. Porquê?  Porque não caiu no erro de postular que um mundo imperfeito onde o assassínio, a exploração de milhões de seres, a doença e a mentira imperam é obra de um Deus perfeito e bondoso.  

 

Escreve o filósofo neocátaro russo João do Santo Graal, nascido em 1946:

 

«12. Vejamos as doutrinas tradicionais sobre a origem do homem:

(1) A teoria da evolução de Darwin - sobre a origem das espécies a partir das mais primitivas até às mais desenvolvidas - ao fim e ao cabo leva a uma visão humanóide do homem: o Homo Sapiens encontra-se um degrau mais abaixo de desenvolvimento que os humanóides. Esta visão está próxima da do Tibete e das doutrinas cósmicas sobre a mudança de raças, expressa na Doutrina Secreta de E.Blavatsky, o clássico do ocultismo moderno e da «nova era».

 

«(2) A doutrina criacionista considera que o homem está criado por compostos materiais, modelado a partir do pó e da argila. Sobre este postulado se apoiam os fundamentalistas bíblicos: professam isto os hebreus, cristãos e muçulmanos.»

 

«13. Do ponto de vista da antropologia bogomila, as duas doutrinas são falsas. O homem não «evolui» desde as formas primitivas até às mais desenvolvidas, mas tampouco está "criado". É nascido de civilizações de Divindades bondosas e trazido milagrosamente à Terra como uma flor celestial que caiu sobre prados verdes e pulverizou ao redor de si o seu pólen empíreo.»
«Não só Cristo nasceu do Pai, mas também o homem nasce do Pai e da Mãe do puro amor. Na terceira hipóstase (Pai- Mãe-Cristo) está presente cada um dos homens. Cada um dos encarnados na Terra está chamado a entrar na trindade bogomila suprema e cristificar-se, divinizar-se.»

 

(Juan de San Grial, «Guan Min, la Madre Divina, Enciclopedia del Catarismo», Associaciò per l´estudi de la cultura càtar, 2013, pp. 137-138; o destaque a negrito é nosso).

 

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Sexta-feira, 25 de Agosto de 2017
Neocátaros versus budismo e Nova Era

O cristianismo neocátaro ou catarismo do século XXI emanado da Rússia e vivo na Catalunha e Valencia e no sudeste de França opõe-se ao budismo e às doutrinas da Nova Era em geral (a tarologia, a cura pelos cristais, a medicina quântica, etc.) As (supostas) mensagens do Além de Santa Eufrosínia, mística cátara russa falecida em finais do século XX, ao patriarca da igreja cátara identificam Elohim, deus do antigo Testamento, como corruptor da humanidade, incluem o seguinte:

 

«Grita para que não entrem pelo arco de Lúcifer. Isto é o mais perigoso. As portas luciferinas são: o karma, o progresso, as reencarnações, o nirvana (como saída da ordem terrena para um planeta morto) elohim propõe a sua própria arca, a caixa de Pandora. Em volta desta há serpentes. A entrada pelas portas luciferinas implica a perdição eterna. A quem passa por elas espera-o o destino mais desafortunado: a paulatina desintegração, a explosão nos planetas mortos. Dispersar-se-á na inexistência como poeira cósmica.»

«O Pai do Puro Amor é o Rei do Universo, é o Rei misericordioso. Nas suas mãos estão o destino e o futuro.»

«Não façais compromissos com a «Nova Era»! A façanha hoje é a oração, a catarse, a liturgia. O fariseísmo está vencido mas tendes um novo inimigo - o cosmismo.»

(Juan de San Grial, «Madre Eufrosinia. la guia del nuevo catarismo», Associaciò per l´estudì de la cultur catàr, 2012, pag. 378).

«Não saias da oração. Dedica à oração dois-três dias, a uma oração incessante e verás que frutos haverá.»
«A oração com o coração lavado pelas lágrimas é improfanável. Aqui mesmo está a chama, na oração.»
«Durante a terceira hora de oração revelou-se o mundo do silêncio, a paz dulcíssima.» (ibid, pág. 421).

 

É de notar que a Nova Era inclui os mágicos, os bruxos, os astrólogos comerciais, os tarólogos, os mestres de Reiki que prometem ajudar a pessoa nos seus desejos carnais. Esta oração constante ao Deus verdadeiro e à Virgem deve ser feita fora dos templos das igrejas católica, ortodoxa-bizantina, protestante, judaica, islâmica, etc, porque em todas elas «reinam sacerdotes, bispos ou imãs do Anti Cristo».

 

REJEIÇÃO DO PROGRESSO MATERIAL

O cristianismo ascético dos cátaros implica fazer muitos sacrifícios para alcançar o Reino, o pleroma do Altíssimo. Assim, há uma rejeição de princípio dos automóveis, dos televisores e computadores, pelos riscos que comportam de adormecimento do espírito que deve estar vigilante num mundo material que pertence a Elohim-Adonai, o demiurgo, identificado com Lúcifer, deus do Mal. 

 

«Os automóveis são demónios materializados; por isso são tão difíceis nas horas de afluência do tráfego. Reza as orações de exorcismo para expulsar, outros te ajudarão . Os condutores que se protejam benzendo-se com a cruz, com a oração, com os ícones, com os rosários, como os guerreiros no campo de batalha, senão perderão a saúde, a graça e as forças. O sacerdote melquisedequiano, se usa o carro, não tem que perder a oração».(Juan de San Grial, «Madre Eufrosinia. la guia del nuevo catarismo», pag. 278).

 

 «O grande ancião Anfiloquio, curador e fazedor de milagres, contava-nos como um enxame de demónios basta para povoar os televisores, fazendo ninhos; como fazem troça das pessoas; como semeiam as doenças, a loucira; como atiram para as hienas. O ecrã de televisão é a janela para os mundos infernais, o computador é ainda pior. O televisor lança-nos ao precipício abismal, aos planetas mortos. E o computador convida-nos ao diálogo com elohim, este é o seu altar pestilento. Quantas doenças vêm do computador e da técnica moderna!»
(Juan de San Grial, «Madre Eufrosinia. la guia del nuevo catarismo», Associaciò per l´estudì de la cultur catàr, 2012, pp 133-134).

 

 

DEMARCAÇÃO FACE AO CATOLICISMO ROMANO E ORTODOXO, AO PROTESTANTISMO E OUTROS

 

Sendo, na perspectiva cátara, as igrejas católica romana, católica ortoxa ou protestante sedes do anti Cristo, uma vez que todas perseguiram os cátaros, com relevo para a sanguinária igreja do papa de Roma, não se deve visitar os seus templos.

 

«Não te afeiçoes particularmente às aparições da Rainha Celeste no mundo católico. Na Rússia, a Mãe Divina não se revela com menos frequência ou menos generosamente, ela é a Czarina da Rússia».(Juan de San Grial, «Madre Eufrosinia. la guia del nuevo catarismo», pag. 58).

 «Os pais perfeitos e imortais e os santos nos céus não abençoam visitar os actuais templos. Como predisseram os grandes santos há séculos, chegará a hora em que os templos serão abertos, as cúpulas serão doiradas, mas não se poderão visitar já que a abominação e a devastação se instalarão neles: as serpentes, os escorpiões e os espíritos infernais. Não há graça neles mas uma contínua iniquidade e os paroquianos perecem espiritualmente. Tira-se-lhes a última fé e recebem os selos do anti Cristo na fonte». (Juan de San Grial, «Madre Eufrosinia. la guia del nuevo catarismo», pag. 423).

O ensinamento é claro: a teologia católica e a prática de uma igreja romana em que os fiéis não jejuam semanalmente, idolatram um papa apóstata (tal como idolatram Cristiano Ronaldo) e os sacerdotes comem bons bifes e têm bons carros está manipulada desde há séculos por Lúcifer, o pai da mentira e do mundo material. Deve o cristão cátaro orar continuamente e não entrar nos templos católicos, ortodoxos, protestantes, judaicos e outros pois o verdadeiro Deus, o Altíssimo, não está neles.

 

O ponto de divergência filosófica com judeus, católicos, protestantes e islâmicos está na natureza do mundo material e do seu autor: segundo os judeus, os católicos e os protestantes foi o Deus do Bem que fez a natureza física onde há beleza e crimes constantes e animais e homens se devoram, invejam e oprimem uns aos outros; segundo os cristãos cátaros, a natureza física e os corpos humanos foram feitos pelo Demiurgo, Adonai- Elohim um deus castigador e maléfico, Satã, a Serpente, e o Deus da Luz, no Pleroma, apenas fez os nossos espíritos. A Árvore da Cabala judaca tem um problema teórico: o panenteísmo, a descida das qualidades divinas à matéria, expressa na última esfera, Malkuth, o reino material. Ora para os cátaros isso é doutrina de Elohim-Jeová, mistifica a existência do Pleroma, mundo divino que só gerou as nossas almas e nada gerou de material.

 

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Quinta-feira, 24 de Agosto de 2017
Teologia neocátara: sem jejuar semanalmente, ninguém entra no Reino dos Céus

O movimento político-religioso dos cátaros, cristãos dualistas pacíficos que sustentavam, na linha do maniqueísmo e do bogomilismo, na Idade Média, que o mundo terreno material tinha sido feito por Lúcifer que tinha a sua coroa no papa da igreja católica romana e na servidão feudal, espalhou-se do Languedoc e da Provença, no Sudeste de França, ao norte de Itália e à Catalunha na Alta Idade Média. Os cátaros que adoravam o Deus da Luz, o Pai do Puro Amor, e igualavam a mulher ao homem, foram massacrados pela cruzada do papa e da inquisição de 1209 a 1244 e as suas terras roubadas pela igreja de Roma e vassalos. Segundo a teologia neocátara actual, a Virgem Santíssima, através da já falecida Santa Eufrosínia, freira russa expulsa pela igreja ortodoxa dos fariseus do século XX, teria chegar as seguintes mensagens ao místico Juan de San Grial, patriarca da igreja cátara no século XXI que acentuam a importância do jejum:

 

«Os sacerdotes cristãos ensinam os livros santos mas não mantêm o jejum! Tais mestres não valem nada! Sem livros santos, mas ...colocando zelo santo no jejum, é possível transformar-se, mas sem jejum a pessoa não avançará nem um passo.»

«Só alguns poucos santos justos, guiados pelo Espírito Santo, como Padre Pío, não só jejuavam como durante semanas não comiam absolutamente nada de comida e alimentavam-se do Espírito Santo.» (...)

«O jejum é uma das doze portas do Espírito Santo Divinizador que abre o nosso Altíssimo junto à da Palavra da Revelação, à do saltério, à da oração, à das abluções e outras. E a quem desdenha esta portas se vão fechando outras pouco a pouco.»

«Do jejum procede a santa pureza, a unção virginal, o rosto do amiel (mensageiro do Céu) e a alegria dos habitantes do céu.»
«Pedi ao Altíssimo o dom de jejuar como um dom de fé - e Ele vo-lo enviará segundo os santos da Igreja solovkiana, a mártir dos tempos do Gulag vermelho.» (...)

«A primeira tentação dos que venceram a luxúria  está no ventre, a gula. Sem jejum, também a vitória sobre a fornicação se considera como nada. Hoje em dia elohím (NOTA NOSSA: Deus dos católicos e judeus) aperfeiçoou-se em milhares de falsificações químicas. O que come a gente! Veneno e imundície! As serpentes e os dragões vivem neles.» (...)

«Não um mas dezenas de Belzebús estão nos vossos ventres e tranquilamente tecem os seus ninhos hediondos. Pois com isto, que valor têm as vossas orações e glorificações ao Altíssimo? Pode, acaso, o paladino que deu consentimento de ser cova ambulante de belzebú lograr as alturas puríssimas dos habitantes celestiais? Assim como é incompatível, segundo as palavras de Cristo, o serviço ao Altíssimo e ao Seu inimigo (elohim), igualmente é impossível servir a dois senhores em simultâneo, ao Altíssimo e ao ventre». (...)

«O mundo cristão morre por falta de jejum. Elohim e os seus cúmplices introduziram na igreja o comer à farta como regra - o espírito de este mundo. Os cristãos comem carne.
«Que ninguém tenha ilusões - Lúcia de Fátima leva mais de 20 anos encarcerada com o mais austero jejum à base de pão e água e os amieles, servidores celestes, alimentam-na.» (...)

«O Pai Celestial mandou-te tantos dons do Espírito Santo Divinizador! E tu entrega-lhe em resposta o teu pequeno sacrifício, um jejum.»

(Juan de San Grial, «Madre Eufrosinia. la guia del nuevo catarismo», Associaciò per l´estudì de la cultur catàr, 2012, pp. 504-510; o destaque a negrito é posto por nós).

 

Assim, segundo a teologia neocátara, os sacerdotes, bispos e fiéis das igrejas católica romana, ortodoxa e protestante não irão ao Paraíso porque não praticam o jejum semanal e estão presos dos Diabos da gula que albergam nos seus ventres.

 

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Sábado, 19 de Agosto de 2017
Breves reflexões de Agosto de 2017

Eis algumas breves reflexões neste Agosto de 2017 marcado por grandes incêndios florestais e seca intensa em Portugal.

 

O PAPA DA CÁTEDRA DA IGREJA GRANDE DE PEDRO EM PORTUGAL E O INCÊNDIO DE PEDROGÃO GRANDE. Em 13 de Maio de 2017, o papa Francisco canonizou os pastorinhos Jacinta e Francisco em Fátima ante uma imensa multidão de católicos. Nesse mesmo dia, o Benfica sagrou-se campeão nacional de futebol  e Salvador Sobral ganhou o Festival da Canção da Eurovisão e muita gente pensou que «a vinda do papa romano a Fátima deu boa sorte a Portugal».

 

Mas como deu boa sorte se o futebol televisionado e vivido nos estádios é uma das armas de Lúcifer, do ponto de vista cátaro, para desviar as pessoas da oração ao Altíssimo e multiplicar os rancores entre claques distintas?

E como deu boa sorte ao país se, para o cristianismo cátaro oposto a Roma, Salvador Sobral não passa de um ídolo barato, um cantor não cristão que afasta massas da fé em Cristo com os seus temas musicais? Um mês e cinco dias depois do papa, o GRANDE representante da igreja de PEDRO sair de Portugal, eclodiu em 17 de Junho de 2017 o terrível incêndio de PEDROGÂO GRANDE (sugere: a GRANDE cátedra de PEDRO no Vaticano) que matou 64 pessoas e feriu centenas de outras. Não haverá uma misteriosa ligação entre estes factos foneticamente similares? E como interpretar o facto de a data de 17 de Junho distar exactamente meio ano de 17 de Dezembro, dia de aniversário de Jorge Bergoglio, o papa Francisco? Será que a vinda deste idolatrado personagem vestido de branco, promotor do deus Elhoim que preside à degenerada igreja católica, trouxe sorte a Portugal, no plano espiritual e social?

Ou trouxe o azar dos incêndios florestais que simbolizam o Inferno cujas portas se abrem, supostamente, para os adeptos da nova teologia «católica» de amar as coisas deste mundo e abandonar a vida de sacrifício, oração e jejum que marcaram as igrejas em séculos passados?

 

SINCRONISMOS ONTOFONÉTICOS- Em 16 e 17 de Agosto de 2017, as ideias de JOANA, BAR e REPÚBLICA CHECA estão em foco: no dia 16, saúdo casualmente JOANA Reis, de Ferreira do Alentejo, junto à biblioteca municipal de Beja; no dia 17, no interior da biblioteca municipal de Beja, quando converso com o professor Luciano Caetano da Rosa, intelectual de grande cultura que, apesar de admirar Álvaro Cunhal, já não crê no marxismo-leninismo, conversa essa sobre a invasão da CHECOSLOVÁQUIA pelas tropas do Pacto de Varsóvia em 21 de Agosto de 1968, surge JOANA, que vive há 6 anos na REPÚBLICA CHECA onde conclui a sua formação como MÉDICA e falamos, David Coelho, campeão nacional de BARistas (empregados de BAR), é entrevistado na RTP3, uma furgoneta tripulada por dois terroristas islâmicos atropela a multidão que circula nas Ramblas, na cidade de BARcelona (evoca: BAR) matando 13 pessoas e ferindo mais de 100 pessoas

 

 

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Quarta-feira, 6 de Abril de 2016
Gilberto de Lascariz e os mistérios do Wicca

 

 Em «Ritos e Mistérios Secretos do Wicca» Gilberto de Lascariz, nascido na Venezuela, esoterista da Bruxaria Iniciática e Neo-Pagã adverso à sua superficialização New-Age, escritor que, em 1989 criou em Portugal o Conventículo TerraSerpente de Wicca Alexandriano e lançou a Confraria Sol-Negro, revela-se um conhecedor profundo de uma religião da Natureza, o Wicca, e das suas componentes bruxaria e feitiçaria, dos seus arquétipos primordiais.

Não se trata de um livro «light», isto é, superficial ao alcance de qualquer semi-analfabeto como há livros de divulgação que deturpam o Wicca, mas de um estudo sério e denso. Referirei apenas alguns apontamentos sobre este livro rico em sabedoria filosófica e antropológica.

 

O ANJO-BODE E A NUDEZ SAGRADA DAS BRUXAS

 

Lascariz refere que os Anjos Guardiões ou Grigori desobedeceram a Deus ao darem aos homens livre-arbítrio e conhecimentos de tecnologias da guerra e da beleza, da agricultura e da medicina, e Deus puniu-os ao expulsá-los do éter superior e fazê-los descer ao mundo da matéria visível. Passaram a ser Demónios ou Daimonius. Estes anjos amaldiçoados uniram-se a mulheres da Terra e deram origem à mais antiga linhagem das bruxas. São os autores da civilização, os libertadores da humanidade, ao promoverem a ciência e a gnose (conhecimento global, dos princípios do universo) que se opõem ao obscurantismo das religiões cristã, islâmica e outras. Escreve Lascariz:

 

«O líder desta campanha prometeica foi Azael, o Anjo-Bode. Trata-se do bode saudado e reverenciado na Bruxaria Arcaica e que, em lembrança da sua origem estelar, traz uma tocha entre os seus cornos, símbolo do meteoro incandescente que no passado remoto da humanidade desceu do céu para a primeira assembleia de bruxos e bruxas. Ele foi o primeiro nascido do Fogo Divino, antes de todas as demais criaturas! Foi através da atração sexual que estes seres desceram à essência da humanidade. Esta lenda revela a emergência da sacralidade do sexo oposta à sexualidade animal e reprodutiva, celebrada pelas bruxas antigas e modernas ao exigirem que a nudez fosse o seu único vestuário. Vestuário branco de carne e que na sua alvura lembra as sombras do Submundo onde reina Azael! Mas também vestuário celeste de um corpo que está coberto apenas pelas estrelas de onde vieram os Grigori. A Instrução do Wicca, por isso, é muito clara: E como sinal que estais verdadeiramente livres estais nús nos nossos ritos. Gardner que, provavelmente conhecia a lenda dos Grigori, transvasada no Aradia de Charles Leland dizia que a nudez era «estar vestido de céu», isto é, no estádio primeiro em que os Anjos viram as primeiras feiticeiras e as fecundaram com o fogo cósmico do seu espírito. Os Grigori são a corrente da Iniciação Primordial ainda hoje invocada no seio da Bruxaria Tradicional pela críptica palavra "atalaia" quando o Alto Sacerdote clama por exemplo: Eu vos evoco, convoco e chamo Senhores do Fogo, Senhores das Atalaias do Sul.

 

(Gilberto de Lascariz, «Ritos e mistérios secretos do Wicca», Zéfiro, Sintra, 2ª edição, Novembro de 2014,  pag.281; o destaque a old é colocado por nós)

 

Há, pois, um erotismo mágico, sagrado, fundador da Wicca, visto como demoníaco e anti sagrado por parte da igrejas católica, evangélicas, judaica e outras. Note-se que o bode sagrado é, decerto, o Baphomet venerado secretamente pelos  templários que eram um elo da cadeia não cristã da sabedoria primordial, da tradição hermética.

 

O REINO DE DEUS ESTÁ DENTRO DE VÒS

 

Em Platão, um gnóstico da antiguidade, a anamnese é a recordação intuitiva dos arquétipos de Bem, Belo, Justo, Círculo, Triângulo, Número, etc. Ora a Iniciação na Magia é uma anamnese operacionalizada através de ritos. A divindade está dentro do iniciado e ao mesmo tempo extravasa-o, está por toda a natureza biofísica, é esta natureza. Escreve Gilberto Lascariz:

 

«O que determina o processo de Iniciação é um acto de vontade dinamizada pela meditação e o ritual, transfigurando o indivíduo e fazendo-o transitar para um outro estado de consciência: o da anamnese. Por isso, a palavra Iniciação vem da palavra in re, ir para dentro de si mesmo. Neste estado transfigurado de recordação das suas origens ele pode comunicar com os princípios arquetípicos e as forças divinas dentro de si mesmo. O Iniciado é, assim, aquele que se recorda! Ele torna-se um Portador da Luz da Gnose. Daí o epíteto que se dava antigamente aos Iniciados de Portadores do Fogo. Eles eram aqueles que seguravam as tochas de Hécate durante a Iniciação ao Mundo Subterrâneo e lhes revelavam os Mistérios! A religião com o seu misticismo depende, pelo contrário, de um estado de graça concedida pela imprevisibilidade do seu Deus e de um sacrifício do seu "eu" para o receber, até alcançar o estado de êxtase. Visto de outro ângulo, pode dizer-se que enquanto a religião vê Deus fora de si e apela para a sua misericórdia, o Iniciado vê Deus dentro de si e apela para a sua força de vontade. Deus est Hommo, como dizia Crowley com o seu travo poético nietzschiano. Na Magia, o Iniciado gira à volta de si-mesmo, do seu Daimon. Deuses e Demónios existem dentro de nós! Os Demónios somos nós próprios.»(...)

«Na Instrução do Wicca a Deusa adverte de forma semelhante ao Evangelho de Tomé: se o que procuras não o encontras dentro de ti mesmo então nunca o encontrarás fora de ti próprio. (...) O wiccan tem uma religiosidade que é fundamentalmente mágica, caracterizada pela re-santificação do corpo e do mundo natural, síntese exaltante do Cosmos que ele abençoa pela quíntupla benção dos seus beijos veneráveis sobre o corpo desnudado da Grande Sacerdotisa nos ritos do plenilúnio».

 

(Gilberto de Lascariz, «Ritos e mistérios secretos do Wicca», Zéfiro, Sintra, 2ª edição, Novembro de 2014,  pag.109; o destaque a bold é de nossa lavra)

 

UNIR-SE COM A FLORESTA E NÃO CONQUISTAR A FLORESTA

 

O templo por excelência da maggia wicca é a floresta, o mundo da natureza vegetal e mineral e não os templos em pedra ou tijolo construídos por mão humana. Escreve Lascariz:

«O efeito da floresta e da natureza selvagem, seja num deserto ou numa floresta, é de quatro ordens:

1. Expor-se a um lugar de forte ionização negativa.

2. Desencadear uma forte dinamização dos sonhos visionários e de arquétipos específicos da sua criação.

3. Dissolver as limitações do ego.

4. Estimular energicamente o duplo astral.

 

«Para que este efeito seja garantido é necessário ir para a floresta, não na perspectiva dos desportos radicais, que se baseiam numa filosofia que está totalmente centrada no ego e nos seus valores de domínio e auto-suficiência, mas na perspectiva mágica.  Os desportos radicais são um sucedâneo do cartesianismo e do materialismo moderno, que vêem o mundo natural apenas como um obstáculo a ser vencido e conquistado, reforçando assim a sua alteridade em relação à Natureza. No ideário mágico-pagão vamos para a Natureza com o fim de regressar, na medida do possível, ao estado selvagem e numa perspectiva não de controlo mas de empatia».

(Gilberto de Lascariz, «Ritos e mistérios secretos do Wicca», Zéfiro, Sintra, 2ª edição, Novembro de 2014,  pag.149; o destaque a bold é de nossa lavra).

 

BRUXARIA, SIMBOLIZADA NO SAPO, É DIFERENTE DE FEITIÇARIA

Gilberto de Lazcariz distingue a bruxaria, um poder inato em muitas pessoas, como por exemplo, a intensidade do olhar capaz de «mau olhado» e a crença em Hecate e no Bode Sagrado, da feitiçaria, a técnica operativa de mediante rituais alcançar efeitos mágicos.

«O povo português tem um provérbio antigo que diz: «feiticeira é quem quer e bruxa é quem puder» (...)

«Existe um sapo chamado bruca, que em castelhano se pronuncia brucha, que foi aplicado às mulheres que praticavam as artes da goetia. O bruca é um sapo dos pântanos que condensa a ideia, muito em voga em Espanha, de que a bruxa vive nos lugares isolados da terra, como o Caim bíblico, onde o ser humano não pode viver. Neste sentido a bruxaria integra-se num mito europeu de origem xamânica, que acredita que ela habita "entre os mundos": de um lado o mundo civilizado e do outro o mundo sobrenatural.»

«(Gilberto de Lascariz, «Ritos e mistérios secretos do Wicca», Zéfiro, Sintra, 2ª edição, Novembro de 2014,  pag.102-103; o destaque a bold é de nossa lavra).

 

A ESTACA DO WICCA, SÍMBOLO DA ÁRVORE DO MUNDO

A religião Wicca contrapõe à cruz de Cristo a Estaca, símbolo do martírio de milhoes de mulheres e homens dissidentes ou contrários à igreja católica e a outras. Escreve Gilberto de Lascariz:

 

«A Bruxaria Tradicional conserva no seu memorial um símbolo fundamental que traz consigo recordações angustiosas: a Estaca. Sobre ela os cristãos amarraram milhares de pessoas inocentes acusadas de bruxaria, cujo única nota de culpa era o de terem uma opinião diferente daquela que a leitura eclesiástica da Bíblia impunha. Trata-se de um genoicídio macabro, executado por uma religião cega e embebedada pelo seu poder. (...) Na realidade, eles não adoravam estátuas da mesma forma que o cristão não adora os títeres de pau que vemos nos seus altares, mas adoravam o princípio espiritual que eles representavam. Os objectos de culto são suportes visuais que facilitam à nossa imaginação os meios físicos para transpor as dificuldades de apreensão do mundo invisível. Símbolo da Árvore do Mundo, Eixo cósmico que perfura a terra no seu eixo norte-sul, a Estaca Tradicional apresenta a particularidade de ser bifurcada na sua extremidade superior e, por vezes, adornada de um círio onde brilha e lembrança dos nossos antepassados.»

«A Estaca é o altar mais básico e fundamental de um feiticeiro tradicional e é o símbolo do Deus de Chifres, com as suas duas pontas erguidas e abertas como se fossem cornos. A sua origem aparece sugerida num outro Deus de Chifres da antiguidade pagã: Hermes. O seu nome deu o epíteto às pedras fálicas que se encontravam distribuídas pela Grécia Arcaica e marcavam os cruzamentos dos caminhos por entre florestas e montanhas, desde que Pisístrato (527-514 A.E.C.) as mandara restaurar. Deus das Encruzilhadas como a Deusa das bruxas Hécate, Hermes era o protector da transição entre os mundos visíveis e invisíveis, subterrâneo e cósmico».

 

(Gilberto de Lascariz, «Ritos e mistérios secretos do Wicca», Zéfiro, Sintra, 2ª edição, Novembro de 2014,  pag.263-264; o destaque a bold é de nossa lavra).

 

Note-se que na teologia esotérica de Aleister Crowley (1875-1947), fundador da igreja católica gnóstica,  Hermes era o deus protector da homossexualidade: Crowley colocava a estátua deste deus grego no centro do quarto quando iniciava uma magia sexual, uma cópula com o seu amante.

 

HECÁTE, A DEUSA DAS TRÊS FORMAS E DAS TRÊS FASES DA LUA VISÍVEL

A figura de Hecaté, deusa do mundo subterrâneo, protectora das bruxas na Ibéria, representada em três posições, com três corpos, na mesma estátua - de frente, de perfil direito e de perfil esquerdo, isto é, como se fossem três mulheres encostadas umas às outras - é merecedora de nota. As três figuras unidas numa só são as três fases da lua visíveis: o quarto crescente, a lua cheia (a figura daestátua voltada de frente para nós) e o quarto minguante. Escreve Lascariz:

 

«O erro da concepção tripla da divindade feminina no Wicca é vê-la dividida quando ela é apenas uma só! Isso deve-se ao facto de esta triplicidade ser as três fases visíveis e principais da lua. Nós devemos habituar.nos a vê-las as três ao mesmo tempo. É esse o caminho do trabalho mágico e a solução do paradoxo tão difícil de compreender durante a aprendizagem wiccan. Através de exercícios meditativos e rituais o wiccan acaba por apreender os fenómenos da sua existência a partir de uma matriz tripla e não de maneira dualista. Essa triplicidade permite aceder à unidade subjacente de todas as coisas. Esse ponto de fusão e exclusão das três forças é a Lua Negra que não se vê no horizonte. É o olho da visão panorâmica e da clarividência que permite essa experiência da Alma. Assim a esmeralda perdida é restituída à fronte do Antigo Portador da Luz» (...)

«Deve-se lembrar que a Deusa por excelência da Bruxaria, segundo a tradição greco-romana, é Hecáte, conhecida por muitos nomes, sobretudo como Hecáte Trimorphus, a das Três Formas. (...)

«A encruzilhada tornou-se pela possessão hecatiana, o lugar onde, com as suas chaves simbólicas, se abrem as portas de comunicação com o Mundo dos Mortos e dos Antepassados. A encruzilhada é um perigoso ponto de colisão entre transeuntes visíveis e invisíveis e um lugar de poder. Lugar de sacrifício, como os automobilistas sabem pela experiência, onde ela sacrificava com o cutelo as suas vítimas e com a sua corda amarrava os encantamentos de benção e maldição, a Hécate Tripla tornou-se desde muito cedo, por isso, a figura predilecta das bruxas latinas.»

(Gilberto de Lascariz, «Ritos e mistérios secretos do Wicca», Zéfiro, Sintra, 2ª edição, Novembro de 2014,  pag.354-355; o destaque a bold é de nossa lavra).

 

A encruzilhada, note-se, é a interseção de três caminhos que formam, simbolicamente, vistos do céu, a Estaca sagrada, dois cornos e um tronco vertical de onde eles saem - os quartos crescente e minguante e a lua cheia ou plenilúnio.  É pois, de certo modo, a figuração estilizada do Deus Cornudo ou do Anjo-Bode na superfície da terra. E a realidade é, de facto, triádica como dizia Hegel: tese, antítese e síntese. Infância (tese), velhice (antítese) e idade adulta jovem (síntese). Dia de plena luz, noite escura e crepúsculo. Marte (masculinidade), Vénus (feminilidade), Mercúrio (hermafroditismo, androginia). Capitalismo (patrões e assalariados), Comunismo (Partido único marxista e assalariados) e Produtores Independentes.

 

A ESPADA E O CALDEIRÃO

 

A espada e o caldeirão, instrumentos da liturgia Wicca, são, como se detecta intuitivamente, materializações do princípio masculino e do princípio feminino, do Yang (luz, fogo, grande, movimento) e do Yin (escuridão, água, pequeno, imobilidade). Escreve Lascariz:

 

«O caldeirão de ferro, redondo como um ventre prenhe de vida e assente sobre os seus três pés, como um tripé de pitonisa, é um dos objectos mais belos e mais ricos de significado entre os wiccans (...).»

«O caldeirão, seja pela sua função de suporte à transformação das plantas alimentares ou das poções e dos metais na forja, era o recipiente sagrado das transmutações.»

«Na realidade, o caldeirão que vemos no círculo nada mais é do que uma representação da "alma do lugar". (...) Se o caldeirão representa a Água Cósmica, então o seu princípio complementar é o Fogo Cósmico. O símbolo ideal desse Fogo Cósmico é a Espada. Antigamente, o caldeirão seria feito de ferro terrestre extraído das minas enquanto a espada seria feita do ferro cósmico dos meteoros caídos do céu». (...)

«No Wicca tradicional, a Espada está profundamente ligada ao Mundo Subterrâneo. No mito wiccan, ela é conferida pelo Deus Cornígero à Deusa quando ela se encontra com ele nas suas profundezas. Esse mito iniciático em que o Deus Cornígero deposita a Espada aos pés da Deusa, nas trevas do Mundo Subterrâneo, refere-se ao facto do poder da Deusa ser um poder delegado, da mesma maneira que a luminosidade da Lua é um dom delegado do Sol. Esta alegoria subverte o mito a que estamos habituados nas lendas arturianas, em que a espada é concedida a um soberano por uma entidade feminina guardiã do Submundo, como vemos na história da Dama do Lago e do Rei Artur.»

 

(Gilberto de Lascariz, «Ritos e mistérios secretos do Wicca», Zéfiro, Sintra, 2ª edição, Novembro de 2014,  pag.255-257; o destaque a bold é de nossa lavra). 

 

A VASSOURA E A TÚNICA NEGRA COM CAPUZ

A dualidade masculino-feminino está igualmente presente na estrutura da vassoura das Bruxas. Eis uma passagem muito bonita desta obra de Gilberto de Lascariz:

 

«No Wicca a vassoura ritual é um símbolo bicéfalo: é o emblema do triângulo público da Deusa, quando erguida e fincada no solo, mas quando usada para montar, cavalgar e dançar à volta do Circulo, torna-se a insígnia do Falo Divino do Deus de Chifres. Na essência, é um símbolo ambivalente: o bastão é o princípio masculino e as ramagens o elemento feminino, unidos um ao outro. Mas nem todas as tradições usam este símbolo litúrgico, que pode ser completamente dispensado da prática wiccam. Depois de usada para limpar o espaço cerimonial a vassoura ritual deve ser deitada a noroeste ou mantida pela Donzela nesse ponto do círculo. Existem muitas variações na escolha da madeira utilizada na vassoura ritual, variando de grupo para grupo e de indivíduo para indivíduo (...) Na Tradição Nórdica, por exemplo, o primeiro homem e mulher nasceram de um freixo e de um ulmeiro. Tradicionalmente o cabo da vassoura é de freixo e as suas ramagens são de bétula, unidas por flexíveis ramos de salgueiro, símbolismo das forças lunares. Algumas tradições usam uma mistura de varas de aveleira, bétula e sorveira, na sua ramagem, simbolizando a Sabedoria, Purificação e a Protecção.»

 

(Gilberto de Lascariz, «Ritos e mistérios secretos do Wicca», Zéfiro, Sintra, 2ª edição, Novembro de 2014,  pag.260; o destaque a bold é de nossa lavra). 

 

Note-se que no Feng Shui, filosofia e ciência chinesa da geografia cósmica milenar, o noroeste é a região dos antepassados, dos deuses e isso coaduna-se com a colocação nessa orientação da vassoura do Wicca. No que respeita à túnica, escreve Lascariz:

«Sempre fez parte dos hábitos rituais do Wicca, na sua fase gardneriana, estar em círculo completamente desnudado. Chamava-se a isto Skyclad, isto e, vestido de céu.» (..)«

«O uso do vestuário cerimonial que vemos em algumas fotos da época, com Alexander Sanders ou Doreen Valiente, na sua fase em que era discípula de Robert Cochrane, apresenta algumas diferenças subtis do vestuário usado noutros grupos mágicos como os da Golden Dawn. Em ambos os casos o vestuário é um robe negro que cobre o corpo inteiro, da cabeça à ponta dos pés mas o vestuário ritual wiccan tem um pormenor muito específico: o do seu capuz ser pontiagudo.»(...)

«Num culto mistérico onde a Deusa predomina, haveria razão para o Grande Sacerdote estar sugestivamente vestido de vestes femininas. Assim se passava no culto de Hércules, na Lídia, e de Sabazius, na Frigia, onde os sacerdotes se vestiam de mulheres, e o mesmo se passava entre as tribos germânicas do norte e entre os sacerdotes de Cibele, em Creta e em Roma, e um pouco por todo o mundo desde a Patagónia ao Equador. (...) Os longos robes não deixam de estar associados às vestes femininas no subconsciente do homem ocidental e o seu porte cria um sentimento de incontida feminilidade na rígida mentalidade masculina do homem de hoje».

(Gilberto de Lascariz, «Ritos e mistérios secretos do Wicca», Zéfiro, Sintra, 2ª edição, Novembro de 2014,  pag.261-263; o destaque a bold é de nossa lavra). 

 

Note-se que o negro da túnica associa-se á terra, ao mundo subterrâneo, ao mundo das Bruxas e inspira-se na veste negra com capuz dos cátaros, gnósticos cristãos dos séculos XI-XIV perseguidos e chacinados pela igreja católica romana como «herejes».

 

O CÍRCULO MÁGICO E O SAGRADO EM TODA A PARTE

Sabe-se o rico simbolismo do círculo: representa a eternidade, em contraposição ao ponto, que representa um dado instante; representa o seio feminino, um orgão comunitário, antes de mais porque o bebé aí suga o seu alimento inicial; representa a ágora ou praça pública na antiga Grécia, lugar de igualdade entre os cidadãos, a mesa da Távola Redonda onde todos os cavaleiros são iguais, a roda do Zodíaco de onde parte a predestinação de todos os nossos actos na Terra, o Sol etc. Lascariz escreve:

 

«Todos os rituais do Wicca iniciam-se com a realização do Círculo Mágico. Chama-se a esse acto litúrgico "talhar o círculo", porque ele é tradicionalmente efectuado com uma faca ou adaga consagrada. Trata-se de criar um círculo à nossa volta e compor um lugar fora do espaço-tempo ou, como se costuma dizer, "entre os mundos". (...) A flexibilidade de, em qualquer altura e lugar, poder transfigurar o espaço profano em espaço sagrado e o Caos e Cosmos. Isso só é possível porque o wiccan reconhece que qualquer lugar é sagrado. (...)

«Há uma outra função subentendida na prática do Círculo Wiccan: a da possibilidade do Passado e do Futuro se reencontrarem no Eterno Presente do Círculo Mágico. (...) Traçá-lo ou desenhá-lo no ar, como é costume entre os wiccans, funciona como uma gestalt geometrizada no espaço que rememora o nosso passado de imersão no ventre da mãe. O círculo é o primeiro acto cerimonial porque reactualiza o estado de gestação antes do nascimento. Ele é o simbólico Ventre da Grande Mãe que protege e sustém todas as coisas.» (...)

«Por si só o Círculo Mágico só poderá representar um estado de caos e indiferenciação no Todo Universal. Pode colocar lá dentro a vida inteira mas se não puder perceber que o círculo é um movimento dotado de ritmos, nunca compreenderá o seu significado cosmológico! Coloque-se dentro de um círculo desenhado no chão ou visualizado no espaço e tente meditar sobre a sua forma arquetípica e verá que o que obterá é muito insubstancial !   É insubstancial porque um círculo significa a Totalidade, esse cume da experiência que é incognoscível e nos escapa à nomeação. Foi Jung o primeiro a notar que, quando os seus pacientes sonhavam com formas circulares, estavam próximos da cura, porque no círculo está subentendido a completa integração da complexidade humana, até aí fragmentada e alienada, num todo funcional e criativo».

(Gilberto de Lascariz, «Ritos e mistérios secretos do Wicca», Zéfiro, Sintra, 2ª edição, Novembro de 2014,  pag. 169-175; o destaque a bold é de nossa lavra). 

 

O ALTAR  WICCA OU PANTÁCULO

O altar é uma espécie de mesa onde se oferece um banquete propiciatório aos deuses. E a forma importa: cúbica não tem o mesmo significado que rectangular ou circular. No Wicca tradicional o altar seria uma placa ou mesa circular com um pentagrama no centro mas diversos grupos wiccan usam altares rectangulares ou cúbicos. Escreve o sábio Lascariz:

 

«O altar de muitos povos antigos era apenas uma superfície vulgar de pedra, a conhecida pedra de cúpula. Tratava-se de um bloco de rocha com cúpulas semi-esféricas gravadas ou naturais, datando do neolítico. (...) »

«Esta pedra original que veio mais tarde desembocar estilisticamente na ara romana, o araceli,  o altar do céu, é representada no Wicca pelo pantáculo com os seus símbolos sacrais gravados, de sugestão estelar, sobre os quais se fazem todas as consagrações do coventículo»

«O altar wiccan é, como o altar cristão, um altar de culto que funde os dois tipos de altares supracitados: o altar da celebração das Forças da Vida, sob a forma do altar da comunhão, e o altar de celebração das Forças da Morte, sob a forma do altar cúbico do sacrifício.»

 

(Gilberto de Lascariz, «Ritos e mistérios secretos do Wicca», Zéfiro, Sintra, 2ª edição, Novembro de 2014,  pag. 205-207; o destaque a bold é de nossa lavra). 

 

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