Domingo, 7 de Julho de 2019
José António Solís: a Trindade Cristã é cópia da religião do Antigo Egipto

 

O paralelismo entre a religião cristã e a religião do antigo Egipto é reconhecido por diversos estudiosos que afirmam que o cristianismo copiou o modelo teológico egípcio. José Antonio Solis, investigador espanhol,  afirmou que a trindade egípcia - Osíris, o pai, assassinado por Set seu irmão, Ísis, esposa de Osíris, e Hórus, o filho do casal, que se identifica com o Sol - corresponde à santíssima trindade do cristianismo - Deus Pai, Jesus Cristo/ Deus filho, e o Espírito Santo, o espírito feminino, consubstanciado na Virgem Maria rainha do céu. Escreve Solis:

 

«No antigo Egipto acreditava-se que Isis, a Virgem Rainha dos Céus, fica grávida no mês de Março e dava à luz o seu filho Horus em finais de Dezembro. O deus Horus, com cabeça de falcão, filho de Osiris e Isis, era recebido como «a substância do seu pai», Osiris, de quem era uma encarnação. Concebido milagrosamente por Isis quando o deus Osiris, seu esposo, já tinha sido morto e despedaçado pelo seu irmão Set; era uma divindade casta, tal como Apolo, e o seu papel entre os humanos era apresentar as almas a seu pai, o Julgamento.»

 

«Mas aqui surge o mais extraordinário. Durante o solstício de inverno, a imagem de Horus, em forma de menino recém nascido, era tirada do santuário para ser exposta à adoração pública de massas. Aparecia representado como um recém nascido, amiúde recostado em um presépio, com o cabelo dourado, um dedo na boca e o disco solar sobre a sua cabeça (Alguém dá mais?). Os antigos gregos e romanos adoraram-no sob o nome de Harpócrates, o menino Horus, filho de Isis.»

 

«Na tradição cristã encontra-se uma curiosa similitude existente entre os Reis Magos do Oriente e a lenda que acompanha o nascimento do deus Horus. Segundo a mitologia egípcia, o deus com cabeça de falcão foi visitado pouco depois de nascer por quatro estranhos reis, os quais representavam cada um os quatro pilares externos (os pontos cardeais) sobre os que se sustentava o corpo celeste da deusa Nut. Cada um dos Magos trazia consigo ricas oferendas para presentear o recém nascido».

 

(Jose Antonio Solís, La verdadera Historia del Cristianismo, El Arca de Papel Editores, La Coruña, 2003, pp. 104-105; o destaque a negro é posto por nós).

 

A VIRGEM MARIA, UM DISFARCE DA DEUSA ISIS

 

O paganismo greco-romano e, antes dele, a religião do antigo Egipto, integrava o culto das estátuas representando os deuses e este culto da escultura tangível é o que permite ao cristianismo triunfar, convertendo os deuses em santos do catolicismo. Escreve Solís:

 

«O prestígio de Isis era tão grande que acabou absorvendo todas as divindades femininas, em primeiro lugar as do Egipto e posterormente a todas as do Império romano (...)»

«O consul Nicómano Flaviano ordenou celebrar em Roma, no ano 394, festas em honra de Isis; mas esse mesmo ano viu o triunfo do cristianismo, com Teodósio à cabeça: os templos pagãos foram fechados e os sacrifícios proibidos. No Egipto, a situação foi a mesma. O paganismo encontrou o seu último refúgio no círculo dos filósofos místicos que se mantiveram fiéis aos deuses do Nilo já bem entrado o século IV(o templo de Isis em File sobreviveu até ao ano 540). Mas sabiam que o mundo pertencia daí em diante aos cristãos e que muito em breve ninguém mostraria interesse pela antiga religião, nem pelas inumeráveis inscrições que celebravam, sobre as paredes dos templos em ruínas, a glória dos deuses pagãos. A Virgem Maria tinha substituído a grande deusa egípcia Isis ou, para dizê-lo com mais propriedade, Isis tinha decidido disfarçar-se com a roupagem da divindade pertencente ao culto triunfante

«Quando o cristianismo se propagou até Alexandria, o culto pagão da mãe foi cuidadosamente injectado na Cristandade pelos teólogos da Igreja. Isto mostra-se de maneira definitiva ao confirmar como os títulos que se conferiram a Maria, assim como a forma ritual dos seus cultos, são os mesmos que os da deusa egípcia. »

«Como divindade feminina, Isis foi identificada com a lua e recebeu o apelido de «Mãe do Mundo», que reflectia a glória reflectida pelo Sol. Para os egípcios, a mãe-deusa era conhecida como «Estrela dos Mares», título que ainda hoje se aplica à Virgem do Carmo, apesar de que não há absolutamente nenhuma conexão entre Maria e o mar nos evangelhos».

 

(Jose Antonio Solís, La verdadera Historia del Cristianismo, El Arca de Papel Editores, La Coruña, 2003, pp. 110-111; o destaque a negro é colocado por nós).

 

Uma das imagens tipo da Virgem Maria no catolicismo é a estátua que tem os pés assentes sobre a lua crescente e a cabeça rodeada de doze estrelas, exactamente como  uma estátua da deusa Isis. Estas semelhanças resultam perturbadoras para uma parte da cristandade.

 

BACO, ORFEU E DIONISOS FORAM CRUCIFICADOS COMO JESUS

 

A crucifixão de um deus ou filho de deus já era um tema de religiões pagãs pré-cristãs. Assim, os evangelhos que descrevem a paixão (a agonia no horto, a prisão de Jesus, a flagelação e coroação de espinhos, o caminho para o calvário, a crucifixão) e morte de Cristo no Gólgota limitar-se-iam a copiar a cena arquetípica de um deus ou homem divino crucificado para aplacar a ira de deuses. Escreve Solis:

 

«Porquê se Baco, Orfeu e Dionisos apareciam cravados em uma cruz, onde o filho de deus se sacrificava para acalmar a cólera do seu pai, não iriam fazer o mesmo com Jesus Cristo? Ao fim e ao cabo, tanto Dionisos como Orfeu tinham descido aos infernos e regressado ao terceiro dia; e Baco, filho de uma mãe virginal, depois de regressar do reino dos mortos, tinha ascendido gloriosamente aos céus. Todos esses deuses gnósticos provinham da religião primigénia egípcia e eram representados na cruz sagrada que levavam os deuses do deserto. Porquê desaproveitar essa oportunidade com Jesus Cristo?»

 

(Jose Antonio Solís, La verdadera Historia del Cristianismo, El Arca de Papel Editores, La Coruña, 2003, pp. 107-108; o destaque a negro é colocado por nós).

 

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publicado por Francisco Limpo Queiroz às 19:27
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