Segunda-feira, 2 de Abril de 2018
Confusões do Compêndio em Linha de Problemas de Filosofia Analítica: explicacionismo e evidencialismo explicacionista

 

A divisão entre explicacionismo e evidencialismo explicacionista exposta em artigo «Evidencialismo» do Compêndio em Linha de Problemas de Filosofia Analítica, de Ricardo Santos e Pedro Galvão, é uma nuvem de confusão conceptual. Vejamos o texto:

 

«Explicacionismo** Um estado mental não-factivo E é evidência para P se e somente se P faz parte da melhor explicação de porque é que ele tem E que S tenha ao seu dispor, ou P está disponível para S enquanto consequência explicativa da melhor explicação de E que S tenha ao seu dispor. e

Evidencialismo Explicacionista** (EE**) Uma proposição P está justificada epistemicamente para um sujeito S num tempo t se e somente se P faz parte da melhor explicação de porque é que ele tem E que S tenha ao seu dispor, ou P está disponível para S enquanto consequência explicativa da melhor explicação de E que S tenha ao seu dispor.»

 

Esta divisão entre um "estado mental" , o explicacionismo, e a sua materialização numa corrente designada "evidencialismo explicacionista" é uma confusão de todo o tamanho.

É a decadência da filosofia, a desaparição da clareza intelectual. O que significa "fazer parte da melhor explicação"? Qual o critério para determinar «a melhor explicação»? E existe algum explicacionismo que não seja evidencialista?

 

As variáveis S, P - e as letras «mágicas» EJ, Explicação/ Justificação - usadas pelo autor do artigo e pelos filósofos analíticos norte-americanos que copia não passam de máscaras para ocultar um pensamento pobre e vazio.

 

E nem sequer o parágrafo seguinte salva a confusão mental que impregna todo o artigo:

«A noção de consequência explicativa precisa de ser esclarecida. Conforme explica McCain (2015a: 339), P é uma consequência explicativa de Q se Q é uma explicação melhor de P que de não-P. A proposição (P) de eu falar italiano é uma consequência explicativa neste sentido da proposição (Q) de eu ter nascido em Itália. Pois o facto de eu ter nascido em Itália explicaria melhor o facto de eu falar italiano que o facto de eu não falar italiano.»

 

Escreve o autor:

 

«5 Conclusão O evidencialismo é uma família de posições internistas sobre a justificação epistémica. Estas posições partilham a ideia, veiculada pelo princípio EJ, de que a justificação epistémica depende apenas da evidência que o sujeito tiver ao seu dispor. Diferentes variantes desta concepção podem ser geradas a partir de EJ, respondendo de forma pormenorizada à questão de saber como se deve entender a ontologia da evidência, a relação de suporte epistémico e a noção de um sujeito ter uma determinada evidência ao seu dispor. Estas diferenças reflectem-se nas proposições que as várias teorias comprometem a caracterizar como sendo racionais ou justificadas e, portanto, determinam a sua maior ou menor adequação. Neste artigo, esclareci as principais motivações filosóficas a favor do princípio EJ e as suas implicações, não apenas para a análise da justificação proposicional, mas também para a justificação doxástica e para o conhecimento. Expus as principais objecções que têm sido apresentadas contra este princípio na literatura e discuti as respostas mais prometedoras que evidencialistas como Conee e Feldman, e McCain, têm desenvolvido nos últimos anos. Em seguida apresentei as principais opções que os evidencialistas têm ao seu dispor quanto à ontologia da evidência, ao suporte epistémico e à noção de ter evidência. Como vimos, muitas opções inicialmente prometedoras enfrentam dificuldades complexas. Finalmente, apresentei o debate contemporâneo sobre a forma mais debatida de interpretar EJ, a saber, o evidencialismo explicacionista esboçado por Conee e Feldman e mais extensamente desenvolvido por K. McCain numa série de publicações recentes.»

 

É uma incoerência afirmar que o evidencialismo é uma posição internista quando em outro ponto do artigo se fala em evidência adicional, externista expressa no seguinte exemplo: dois homens estão fechados na sala de um aeroporto e aventam hipóteses sobre como estará o tempo meteorológico lá fora mas só um deles vai ver se chove e fica com uma evidência adicional fornecida pela experiência sensorial, "externa".

 

Este tipo de filosofia, rico em incoerências, com definições vagas, que multiplica os ismos (fiabilismo, evidencialismo, eliminativismo, explicacionismo, etc.) sem os saber definir com clareza e hierarquizar, é produzido na universidade de Lisboa e constitui o seu núcleo Lancog de "vanguarda". Os doutoramentos em filosofia são, em um grande número de casos, verdadeiras mistificações, teses de retórica falaciosa. Desconfiemos da universidades ocupadas por burocratas antifilosóficos! A filosofia está a morrer nas universidades...

 

 www.filosofar.blogs.sapo.pt

 

 f.limpo.queiroz@sapo.pt

 

© (Direitos de autor para Francisco Limpo de Faria Queiroz)



publicado por Francisco Limpo Queiroz às 09:47
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