Domingo, 17 de Junho de 2018
Charles Taylor: a homossexualidade faz desaparecer os horizontes de inteligibilidade

 

Charles Margrave Taylor, nascido em 5 de Novembro de 1931, na cidade de Montreal, no Canadá, professor emérito de Filosofia e Ciência Política na Universidade de McGill, é um filósofo que faz uma crítica subtil à filosofia igualitarista em voga - a que chamaremos relativismo nivelador e Taylor designa por relativismo brando - que eleva a homossexualidade a um estatuto científico e social idêntico ao da heterossexualidade.

 

Escreve Taylor:

«O termos certa impressão das coisas nunca pode constituir base suficiente para respeitar a nossa posição, porque a nossa impressão não pode determinar o que é significativo. O relativismo brando autodestrói-se.»

«As coisas adquirem importância contra um fundo de inteligibilidade. Chamaremos a isto horizonte. Deduz-se que uma das coisas que não podemos fazer, se temos de nos definir significativamente, é suprimir ou negar os horizontes contra os que as coisas adquirem significado para nós. Este é o tipo de passo contraproducente que se dá com frequência na nossa civilização subjectivista. Ao acentuar a liberdade de escolha entre certas opções, muito frequentemente deparamos com o facto de que privamos as opções do seu significado. Existe, por exemplo, um certo discurso de justificação de orientações sexuais não convencionais. Há pessoas que desejam sustentar que a monogamia heterossexual não é a única forma de conseguir a realização sexual, que aqueles que se inclinam pelas relações homossexuais, por exemplo, não deveriam ter a impressão de que empreendem um caminho secundário, menos digno de recorrer. Isto encaixa bem na moderna compreensão da autenticidade, com a sua noção de diferença, de originalidade, de aceitação da diversidade. Tentarei ampliar estas conexões mais adiante. Mas por mais que o expliquemos, está claro que esta retórica da "diferença", da "diversidade" (inclusive do "multiculturalismo") resulta central para a cultura contemporânea da autenticidade

«Mas em algumas das suas formas, este discurso desliza para uma afirmação da própria escolha. Toda a opção é igualmente valiosa, porque é fruto da livre escolha, e é a livre escolha a que lhe confere valor. O princípio subjectivista que subjaz ao relativismo débil está aqui presente. Ainda que isto nega explicitamente a existência de um horizonte de significado, pelo qual algumas coisas valem a pena e outras algo menos, e outras não valem a pena em absoluto, muito antes da escolha. Mas nesse caso a escolha da orientação sexual perde todo o significado especial.»

 

(Charles Taylor, Horizontes ineludibles, em  Carlos Gómez (ed.), Doce Textos Fundamentales de la Ética del siglo XX, Alianza Editorial, pp 234-235, extraido do livro de Taylor La ética de la autenticidad, Barcelona, Paidós, 1994, capítulo 4, pp. 67-76, o bold é destaque posto por nós).

 

E defendendo a existência de valores sociais como o primado da heterossexualidade, da solidariedade, etc., Taylor, classificando tacitamente de "narcísica" e "inautêntica"  a homossexualidade, escreve:

 

«O agente que busca significado para a vida, tratando de defini-la, dando-lhe um sentido, há-de existir em um horizonte de questões importantes. É isto que resulta contraproducente nas formas de cultura contemporânea que se concentram na auto-realização por oposição às exigências da sociedade, ou da natureza, que se fecham à história e aos laços de solidariedade. Estas formas "narcisistas" e egocêntricas são desde logo superficiais e trivializadas; são "estreitas e planas", como diz Bloom. Mas isto não sucede assim porque pertençam à cultura da autenticidade. Ocorre, pelo contrário, porque fogem das suas estipulações.»

 

(Charles Taylor, Horizontes ineludibles, em  Carlos Gómez (ed.), Doce Textos Fundamentales de la Ética del siglo XX, Alianza Editorial, pág 37, extraido do livro de Taylor La ética de la autenticidad, Barcelona, Paidós, 1994, capítulo 4, pp. 67-76, o bold é destaque posto por nós).

 

 

A lei da atração dos contrários inteligível na heterossexualidade, no par homem-mulher, torna-se ininteligível no plano físico-visual na homossexualidade, com o par homem-homem. Se ensinarmos na escola do primeiro ciclo que tanto faz um menino beijar na boca uma menina como beijar na boca um menino, criamos uma ideologia e uma educação perversas, que não distinguem entre valores superiores e valores inferiores.

 

É óbvio que a homossexualidade masculina representa um desiquilíbrio psíquico e fisiológico: um homem que se submete sexualmente a outro homem perde a confiança em si mesmo e, ademais, a relação homossexual comporta geralmente penetração anal e o ânus é um orgão excretor de resíduos fecais, absolutamente impróprio para sexo.  Freud, Jung e Adler não estão ultrapassados na ciência do psiquismo ao classificarem a homossexualidade como desvio, distorsão do Eros. Todos os psiquiatras e teóricos modernos adeptos da tese de que «é tão normal ser heterossexual como ser homossexual» estão errados, fazem o discurso do "politicamente correcto". Nenhum médico ousaria dizer que "é tão normal ser diabético com 140 mg/ dl de glucose no sangue como não ser diabético com 85 mg/dl de glucose no sangue"...

 

O argumento hedonista de que «sexo anal dá prazer» não tem solidez face aos danos corporais, visíveis ou não, que provoca nos esfíncteres, na parede intestinal  e no coração.

 

Demonstrou-se que a frição do pénis ou de um objecto similar dentro do intestino recto faz migrar as bactérias fecais para o coração criando neste uma doença chamada endocardite bacteriana, comum à generalidade dos homossexuais - e também às mulheres que consentem relações sexuais anais. Este é um argumento muito forte a favor da superioridade das relações heterossexuais pénis-vagina.

 

No entanto, o direito à  homossexualidade é inquestionável, juridicamente falando, e os homossexuais devem ser defendidos contra agressões homófobas, estimados,  compreendidos, sem embargo de a homossexualidade ser criticada. Mas não deveriam ter o direito de adoptar crianças.

 

  

www.filosofar.blogs.sapo.pt

 

 f.limpo.queiroz@sapo.pt

 

© (Direitos de autor para Francisco Limpo de Faria Queiroz

 

 

 



publicado por Francisco Limpo Queiroz às 14:44
link do post | comentar | favorito

mais sobre mim
pesquisar
 
Novembro 2018
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3

4
5
6
7
8
9
10

13
14
15
16
17

18
19
20
21
22
23
24

25
26
27
28
29
30


posts recentes

17-19 November 2018: Mars...

17-19 de Novembro de 2018...

Equívocos no manual «Como...

Áreas 9º-10º de Touro, 26...

«Dicionário de Filosofia ...

Os filósofos, os astrónom...

Neptuno em 13º de Peixes:...

Equívocos nos manuais da ...

As Leis de Morgan, da lóg...

Lançamento em Beja de «Di...

arquivos

Novembro 2018

Outubro 2018

Setembro 2018

Agosto 2018

Julho 2018

Junho 2018

Maio 2018

Abril 2018

Março 2018

Fevereiro 2018

Janeiro 2018

Dezembro 2017

Novembro 2017

Outubro 2017

Setembro 2017

Agosto 2017

Julho 2017

Junho 2017

Maio 2017

Abril 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

Janeiro 2007

Dezembro 2006

Novembro 2006

Setembro 2006

Agosto 2006

Julho 2006

Maio 2006

Abril 2006

Março 2006

Fevereiro 2006

tags

todas as tags

favoritos

Teste de filosofia do 11º...

Pequenas reflexões de Ab...

Suicídios de pilotos de a...

David Icke: a sexualidade...

links
Fazer olhinhos
blogs SAPO
subscrever feeds