Domingo, 26 de Agosto de 2012
O ciclo de 12 anos de Júpiter determina a política em Portugal (parte I)

 

Há uma influência contínua, segundo leis necessárias, do planeta Júpiter sobre a vida político-social em Portugal? Há, sem dúvida. Demonstrarei com factos esta tese. ´Grosso modo, o ciclo de Júpiter é de 12 anos. Isto significa que, se Júpiter em 1983 atravessou o signo de Sagitário - os 30º de arco celeste que vão de 240º a 270º da eclíptica - doze anos depois, em 1995, atravessou o mesmo signo ou arco do céu, e doze anos depois, em 2007 percorreu mais uma vez o signo de Sagitário. Signos são segmentos de arco, de 0º a 30º cada um, na circunferência celeste a que chamamos Zodíaco (360º =12 signos, 12x30º). Estão todos no céu em simultâneo, seis na metade visivel do céu e seis na metade invisível, abaixo da linha do horizonte.

 

JÚPITER EM CARNEIRO:

FAVORÁVEL AO CENTRO E À DIREITA, NO MEIO DA TURBULÊNCIA REVOLUCIONÁRIA

 

A passagem de Júpiter no signo de Carneiro (arco do céu de 0º a 30º da eclíptica) produz, em regra, um fenómeno de dupla face: uma esquerdização do movimento popular seguida de um triunfo das direitas ou do centro em eleições legislativas ou mediante um golpe militar.

 

Em 25 de Abril de 1975, com Júpiter em 8º-9º do signo de Carneiro, o PS de Mário Soares vence, sem maioria absoluta, as eleições à Assembleia Constituinte, relegando para terceiro lugar o PCP que demonstrava grande poder de mobilização popular nas ruas. A assembleia ficará com uma maioria de deputados não comunistas e anticomunistas, o que constitui um balde de água fria para a revolução marxista e anarquista em curso.

 

Em 19 de Julho de 1987, com Júpiter em 28º do signo de Carneiro, o PSD do primeiro-ministro Cavaco Silva vence, pela primeira vez com maioria absoluta de deputados, as eleições legislativas em Portugal. A direita burguesa liberal fica agora com o caminho aberto às privatizações na economia.

 

Em 23 de Janeiro de 2011, com Júpiter em 0º do signo de Carneiro, Cavaco Silva, candidato das direitas PSD e CDS, é reeleito presidente da República Portuguesa com 52,95% dos votos, derrotando o candidato do PS e do BE, Manuel Alegre (19,76% de votos)  o independente de centro, maçon, Fernando Nobre (14,10% de votos), o candidato do PCP Francisco Lopes (7,1% de votos), o candidato radical madeirense José Manuel Coelho (4,5% de votos).

 

Outras datas marcadas por Júpiter em Carneiro que traduzem uma inflexão para a direita são:

 

Em 27 de Abril de 1928, com Júpiter em 21º  do signo de Carneiro, Oliveira Salazar, dirigente do centro católico, ascende a ministro das Finanças do 4º governo da ditadura militar de direita.

 

Em 7 de Maio de 1940, com Júpiter em 27º do signo de Carneiro, o governo de Salazar e a Santa Sé assinam uma concordata que restabelece grande parte do poder da igreja católica romana em Portugal, nomeadamente a indissolubilidade dos matrimónios celebrados no rito romano e o ensino do catolicismo nas escolas públicas.

 

Em 1 de Abril de 1964, com Júpiter em 27º do signo de Carneiro, o golpe militar de direita iniciado no dia anterior em Minas Gerais, triunfa na capital do Brasil e derruba o presidente da República João Goulart, instaurando a ditadura militar.

 

Em 25-27 de Novembro de 1975, com Júpiter em 15º de Carneiro, instigados pela CIA, que com Frank Carlucci, Mário Soares e Ramalho Eanes preparam o Termidor da revolução popular, os páraquedistas de Tancos ocupam, no dia 25, a base militar da Ota e outras, visando  derrubar o VI governo provisório chefiado por Pinheiro de Azevedo, mas, no dia 26, os comandos da Amadora chefiados por Jaime Neves neutralizam o ingénuo golpe esquerdista, assaltando o revolucionário regimento da Polícia Militar na Ajuda, à custa de 8 mortes, enquanto Otelo Saraiva de Carvalho, que comanda 10 000 soldados, fica neutro. Opera-se uma viragem à direita que estabiliza, ao centro, o regime político que passará a ser uma democracia burguesa avançada.

 

Em 24 de Março de 1976, com Júpiter em 29º do signo de Carneiro, um sangrento golpe militar fascista promovido pelo general Videla e outros, na Argentina, derruba o governo da presidenta Maria Isabel Perón e instaura uma ditadura que assassinará milhares de militantes de esquerda.

 

JÚPITER EM TOURO:

EXITOS PARCIAIS DO CDS NAS ELEIÇÕES DE 1976 E 2011, DESLIZE PARA A DIREITA

 

A passagem de Júpiter no signo de Touro (arco do céu de 30 a 60º de longitude eclíptica) produz, em regra, um deslizar para a direita do fiel da balança da situação política e liga-se a duas eleições legislativas, em 1976 e 2011, em que o CDS conservador obteve um bom resultado que lhe permitiu ascender ao governo, a curto ou médio prazo, nesse quadro parlamentar.

 

Em 25 de Abril de 1976, com Júpiter em 6º-7º do signo de Touro, o PS de Mário Soares vence, sem maioria absoluta, as eleições legislativas em Portugal e o CDS, de direita conservadora, sobe de quarto para terceiro partido parlamentar, garantindo, a médio prazo, a sua ascensão ao governo, que ocorrerá em Janeiro de 1978, em coligação com o PS de Soares.

 

Em 27 de Junho de 1976, com Júpiter em 21º do signo de Touro, o general Ramalho Eanes, candidato do bloco de direitas e centro-esquerda PS-PSD-CDS, é eleito presidente da República Portuguesa com 61,59% de votos. A esquerda revolucionária polarizada em Otelo Saraiva de Carvalho (16,46% de votos) é derrotada, tal como Pinheiro de Azevedo (14,37% de votos) e Octávio Pato do PCP (7,59% de votos).

 

Em 5 de Junho de 2011, com Júpiter em 0º do signo de Touro, o PSD de Passos Coelho vence as eleições legislativas com 38, 63% de votos. O CDS é um vencedor secundário, com 11,74% de votos, porque ascenderá ao governo coligado com o PSD. Portugal vira à direita.

 

 

Outros factos ligados à passagem de Júpiter em Touro são:

 

Em 6 de Dezembro de 1383, com Júpiter em 17º do signo de Touro, D. João, mestre de Avis, chama ao Paço, em Lisboa, o galego conde João Fernandes Andeiro, amante da rainha Leonor Teles e membro do partido castelhano, e assassina-o, enquanto Álvaro Pais, nas ruas de Lisboa, amotina a multidão gritando «Acudam, que matam o mestre!» e a turba aflui ao Paço aclamando D. João.

 

Em 6 de Abril de 1384, com Júpiter em 27º do signo de Touro, o exército português de 3900 homens, comandado por Nuno Álvares Pereira, derrota na batalha dos Atoleiros, município de Fronteira, o exército castelhano de 6500 homens.

 

Em 5 de Outubro de 1667, com Júpiter em 3º-2º de Touro, à frente de um grupo de nobres e apoiado por um tumulto popular em Lísboa, D. Pedro, que já namorava a rainha D. Maria Francisca de Sabóia, sua cunhada, invade o Paço e intima o rei D. Afonso VI a demitir o secretário de Estado António de Sousa Macedo, incompatibilizado com a rainha, intimação a que Afonso VI, abandonado, cede, ficando à mercê do irmão que dentro de três meses o substituirá como regente do reino de Portugal

 

JÚPITER EM GÉMEOS: 

VIRAGENS DIREITISTAS EM PORTUGAL

 

 

A passagem de Júpiter no signo de Gémeos (arco do céu de 60º a 90º em longitude eclíptica)  liga-se, em regra, a viragens direitistas em Portugal.  

 

De 27 a 31 de Maio de 1823, com Júpiter em  15º-16º de Gémeos, produz-se em Portugal a viragem à direita pela revolta da Vilafrancada, com a proclamação da monarquia absoluta pelo Infante D.Miguel, no dia 27, e a partida do rei D. João VI, apoiado por um regimento militar de Bemposta, para Vila Franca, submetendo D.Miguel, mas suspendendo o regime constitucional liberal de 1820-1822 e instaurando um absolutismo moderado, no dia 31.

 

Em 22 e 23 de Dezembro de 1846, com Júpiter em 9º de Gémeos, o marechal Saldanha, chefe do governo conservador de D. Maria II, ataca com o seu exército a praça de Torres Vedras onde se aquartelara o exército da Junta revolucionária do Porto comandado pelo conde de Bonfim, que, sem o apoio militar do conde das Antas, acaba por se render. É uma vitória da direita liberal.

 

De 5 a 8 de Dezembro de 1917, com Júpiter em 5º do signo de Gémeos, o major Sidónio Pais, ligado aos latifundiários e ao partido Unionista, com apoio de parte do exército, e o concurso de anarco-sindicalistas irritados com a represssão da burguesia PRP, desencadeia um sangrento golpe militar que derruba o governo do PRP de Norton de Matos e Afonso Costa, sendo este preso no Porto, no dia 8. Nasce a República Nova, direitista, sem a «formiga branca» e a Carbonária como colunas de sustentação.

 

 

 

JÚPITER EM CARANGUEJO.

FAVORÁVEL ÀS DIREITAS

 

A passagem de Júpiter no signo de Caranguejo (arco do céu de 90º a 120º ) gera, em regra, o triunfo das direitas liberais ou conservadoras em Portugal.

 

Em 17 de Março de 2002, com Júpiter em 6º do signo de Caranguejo, o PSD de Durão Barroso vence, sem maioria aboluta de deputados, as eleições legislativas, pondo fim à governação do PS de Guterres que durava desde Outubro de 1995. O CDS de Paulo Portas é um co-vencedor destas eleições porque ascenderá ao governo em coligação com o PSD.

 

Outras datas relevantes de Júpiter em Caranguejo são:

 

Em 21 de Outubro de 1147, com Júpiter em 4º do signo de Caranguejo, o rei D. Afonso Henriques com o seu exército de 12000 a 16000 soldados toma aos muçulmanos  a cidade de Lisboa, já saqueada dias antes pelo exército de 13 000 cruzados flamengos, normandos, ingleses e escoceses. 

 

Em 14 de Agosto de 1385, com Júpiter em 22º do signo de Caranguejo, o exército luso-inglês sob o comando de Nuno Álvares Pereira, entrincheirado perto de Aljubarrota e usando a tática do quadrado, vence o exército do rei D. João de Castela e consolida a independência nacional e o reinado de D. João I, mestre da ordem de Avis.

 

Em 24 de Fevereiro de 1777, com Júpiter em 15º do signo de Caranguejo, morre D. José I, déspota iluminado, e com ele cai o seu primeiro ministro Sebastião de Carvalho e Melo, marquês de Pombal, que reprimiu com mão de ferro a alta aristocracia de direita e a esquerda plebeia.

 

Em 29 de Junho de 1847, com Júpiter em 0º de Caranguejo, assina-se a convenção do Gramido entre o governo conservador de Saldanha, defensor da Carta Constitucional, apoiado na Quádrupla Aliança estangeira, e vencedor da guerra civil, e a Junta liberal de esquerda do Porto, defensora da Constituição liberal de 1836, vencida na guerra civil da Patuleia.

 

Em 14 de Dezembro de 1918, com Júpiter em 13º do signo de Caranguejo, José Júlio Costa, republicano, enfurecido pela repressão sidonista aos trabalhadores rurais por altura da greve geral de 18 de Novembro desse ano, assassina a tiro de pistola, na estação do Rossio, em Lisboa, o presidente da República Nova, o protofascista Sidónio Pais, que gozava do apoio da ala direita do Partido Socialista. Este assassinato agrada às direitas e às esquerdas republicanas, mas não à extrema-direita nem aos monárquicos.

 

Em 8 de Dezembro de 1977, com Júpiter em 3º-2º de Caranguejo, o 1º governo constitucional, do PS, chefiado por Mário Soares é derrubado por uma conjunção das direitas (PSD; CDS) e esquerdas (PCP; MDP, UDP) ao rejeitarem a moção de confiança ao governo proposta por este.

 

Em 16 de Dezembro de 2001, com Júpiter em 12º de Caranguejo, o primeiro-ministro do governo socialista, António Guterres, demite-se e faz cair o governo após conhecer os rsultados das eleições para as autarquias locais celebradas nesse dia, em que o PSD superou o PS.

 

Outros factos significativos da passagem de Júpiter em Caranguejo são:

 

De 9 a 11 de Novembro de 1918, com Júpiter em 15º do signo de Caranguejo, irrompe a República na Alemanha, com o derrube do imperador Guilherme II mediante a revolução em Berlim, no dia 9, e a assinatura do armistício que põe fim à primeira guerra mundial com a Alemanha vencida pelos Aliados, no dia 11.

 

Em 9 de Novembro de 1918, com Júpiter em 10º do signo de Caranguejo, nicia-se o derrube do muro de Berlim levado a cabo pela revolução democrática e anticomunista na Alemanha de Leste e os cidadãos berlinenses dos dois lados do muro confraternizam ente si. É a reunificação das duas Alemanhas que principia sob a égide do ocidente capitalista.´

 

JÚPITER EM LEÃO:

INFLUXO DE ESQUERDA

 

A passagem de Júpiter no signo de Leão (arco do céu de 120º a 150º de longitude) gera, em regra, um influxo de esquerda em Portugal.

 

Em 13 de Janeiro de 1991, com Júpiter em 10º do signo de Leão, Mário Soares é reeleito presidente da República com 70,35% dos votos, o apoio do PS e da ala esquerda do PSD e obtém, assim, a segurança necessária para começar a criticar com nitidez a governação do PSD de Cavaco Silva. Basílio Horta, candidato da direita CDS, fica em 14,16% de votos. Carvalhas, do PCP, obtém 12,92% de votos.

 

Outros factos ligados à passagem de Júpiter em Leão são:

 

De 9 a 11 de Setembro de 1836, com Júpiter em 8º do signo de Leão, eclode a revolução de esquerda liberal em Portugal conhecida como «revolução de Setembro», com a aclamação dos deputados radicais vindos do Porto, em particular os irmãos Manuel e José da Silva Passos, por populares armados que dão "vivas" à Constituição de 1820, e morras ao governo de direita e à Carta Constitucional, no dia 9, o pronunciamento da Guarda Nacional que exige à rainha D.Maria II a restauração da Constituição, no dia 10, e a cedência da rainha que jura a Constituição e investe o novo governo em que pontificam o conde de Lumiares (presidente), Manuel da Silva Passos (Reino), Vieira de Castro (Eclesiásticos e Justiça) e Sá da Bandeira (Estrangeiros), da ala esquerda do liberalismo.

 

De 3 a 5 de Novembro de 1836, com Júpiter em 16º do signo de Leão, ocorre a Belenzada, uma tentativa fracassada de expulsar a esquerda setembrista do governo, iniciada com a chegada de uma esquadra inglesa ao rio Tejo a fim de proteger a rainha D.Maria II no intento de abolir a Constituição liberal e a transferência da rainha com os generais conspiradores (Terceira, Saldanha) do palácio das Necessidades para o de Belém onde chama Passos Manuel e Vieira de Castro que recusam restaurar a Carta Constitucional e demite o governo, no dia 3, a nomeação de um governo conservador chefiado pelo marquês de Valença, e a resposta da Guarda Nacional e da plebe revolucionária que impedem o acesso dos conspiradores ao palácio de Belém e inclusive assassinam o liberal conservador Agostinho José Freire, ex ministro de D.Pedro IV, no dia 4, o desembarque de 600 militares ingleses na Junqueira e a reação da Guarda Nacional que desce a Alcântara e se prepara para atacar Belém e tirar a vida à contra-revolucionária D.Maria II, opondo-se a isso Passos Manuel, a quem a rainha reinveste como ministro de um novo governo setembrista chefiado por Sá da Bandeira, no dia 5.

 

Em 1 de Fevereiro de 1908, com Júpiter em 8º do signo de Leão, chegados de Vila Viçosa, o rei D. Carlos I e o príncipe herdeiro Luís Filipe são assassinados a tiro no Terreiro do Paço, em Lisboa, por dois membros da Carbonária, Alfredo Costa e Manuel Buíça, apostados em derrubar a ditadura monárquica de João Franco Castelo Branco que, em consequência deste regicídio, cai nesse dia. Os regicidas são chacinados  O príncipe D. Manuel ascende a rei e inaugura uma era de conciliação com o movimento republicano.

 

 

 

JÚPITER EM VIRGEM:

VITÓRIAS ELEITORAIS DO PSD EM 1979 E 1991, RENOVAÇÃO NA LIDERANÇA DAS DIREITAS

 

A passagem de Júpiter no signo de Virgem (arco do céu de 150º a 180º ) gera, em regra, o triunfo das direitas liberais ou conservadoras em Portugal.

 

Em 2 de Dezembro de 1979, com Júpiter em 9º do signo de Virgem, a Aliança Democrática, coligação das direitas e de parte do centro (PSD, CDS, PPM, reformadores de António Barreto) dirigida por Sá Carneiro e Freitas do Amaral e Ribeiro Teles, vence com maioria absoluta as (121 deputados a que somam 7 do PSD insular, num total de 250) as eleições legislativas em Portugal.

 

Em 6 de Outubro de 1991, com Júpiter em 4º-5º do signo de Virgem, o PSD, do primeiro-ministro Cavaco Silva, vence com maioria absoluta - 135 deputados eleitos num total de 230 - as eleições legislativas em Portugal, satisfazendo os apetites da direita liberal e neoliberal.

 

Outras datas significativas do trânsito de Júpiter em Virgem são:

 

Em 6 de Dezembro de 1185, com Júpiter em 20º do signo de Virgem, morre, em Coimbra, com cerca de 76 anos de idade, D. Afonso Henriques, o primeiro rei de Portugal.

 

De 19 a 21 de Abril de 1506, com Júpiter em 7º do signo de Virgem, enquanto a corte de D. Manuel I está ausente em Abrantes, ocorre em Lisboa o massacre dos judeus responsabilizados pela seca e fome que assolam o país, iniciado com o assassinato de um cristão-novo (judeu convertido) que negara que tivesse surgido no altar do convento de São Domingos, em Lisboa, um rosto místico de Cristo iluminado, no dia 19, e consubstanciado na matança de mais de 1.500 homens, mulheres e crianças de religião judia, estimulada por frades dominicanos que gritavam «Heresia! Heresia!», massacre levado a cabo por lisboetas e por marinheiros da Holanda, da Alemanha e outros países que saqueiam as casas e queimam os corpos em fogueiras no Rossio e na Ribeira das Naus.

 

Em 10 de Julho de 1921, com Júpiter em 14º do signo de Virgem, o Partido Republicano liberal de António Granjo e Carlos da Maia, conservador, vence as eleições legislativas na 1ª República Portuguesa habitualmente hegemonizada pelo Partido Republicano Português, vulgo partido Democrático de Afonso Costa e António Maria da Silva.

 

Em 11 de Abril de 1933, com Júpiter em 14º de Virgem, é proclamada a Constituição do Estado Novo em Portugal, um regime ditatorial católico-fascista que se apresenta como «democracia orgânica» sob a égide de Salazar.

 

Em 4 de Julho de 1945, com Júpiter em 21º do signo de Virgem, Alfredo Dinis (Alex) funcionário do Partido Comunista Português, é assassinado a tiro por uma brigada da Polícia de Vigilância e Defesa do Estado na estrada nacional 115, ao quilómetro 71, em Bemposta, perto de Sobral de Monte Agraço.

 

Em 27 de Setembro de 1968, com Júpiter em 20º do signo de Virgem, Marcelo Caetano, líder da ala esquerda da ditadura salazarista, substitui como primeiro-ministro o incapacitado fundador do regime Oliveira Salazar, de 79 anos, vítima de hemorragia cerebral originada por uma queda em Agosto desse ano.

 

JÚPITER EM BALANÇA :

VITÓRIAS DO PS EM 1980 E EM 2005, EXALTAÇÃO DO REPUBLICANISMO DE ESQUERDA

 

A passagem de Júpiter no signo de Balança (arco do céu de 180º a 210º  de longitude eclíptica) gera vitórias eleitorais da esquerda em Portugal.

 

Em 7 de Dezembro de 1980, com Júpiter em 6º-7º do signo de Balança, o general Ramalho Eanes, com o apoio do PS, PCP e outros sectores da esquerda, é reeleito presidente da República Portuguesa, com 56,44% de votos, vencendo o candidato das direitas agrupadas na Aliança Democrática, general Soares Carneiro, com 40, 23% de votos.

 

Em 20 de Fevereiro de 2005, com Júpiter em 18º do signo de Balança, o PS de José Sócrates vence, com maioria absoluta de deputados (121 eleitos num total de 230), as eleições legislativas em Portugal.

 

Outras datas significativas da passagem de Júpiter em Balança são:

 

Em 25 de Julho de 1139, com Júpiter em 0º do signo de Balança, em Ourique, o exército cristão de Afonso Henriques derrota em combate um exército muçulmano mais numeroso, o que fará com que o conde lusitano passe a usar, a partir de 1140, o título de «Rei dos Portucalenses».

 

Em 30 de Novembro de 1162, com Júpiter em 8º de Balança, a cidade de Beja é tomada aos islâmicos por um exército de Afonso Henriques comandado por Fernão Gonçalves.

 

Em 20 de Junho de 1483, com Júpiter em 0º do signo de Balança, D. Fernando, duque de Bragança, envolvido numa conspiração contra o rei D.João II que procedia à centralização do poder na coroa retirando privilégios à aristocracia feudal, é degolado publicamente em Évora.

 

Em 4 de Agosto de 1578, com Júpiter em 10º do signo de Balança, o exército português, aliado ao exército do sultão Mulei Moluco, é derrotado por um grande exército do sultão de Marrocos  Mulay Mohammed, com apoio otomano, na batalha de Alcácer-Quibir, no norte de Marrocos, desaparecendo o rei D.Sebastião, símbolo da nobreza africanista, e a mais alta fidalguia portuguesa.

 

Em 1 de Novembro de 1755, com Júpiter em 7º  de Balança, um sismo, acompanhado de maremoto, destrói quase por completo a cidade de Lisboa, matando cerca de 90 000 pessoas, e causa grandes destruições no sul de Portugal, em especial no Algarve.

 

De 7 de Abril a 13 de Maio de 1851, com Júpiter em 18º-4º do signo de Balança, dá-se o golpe de Estado da Regeneração que expulsa o direitista António da Costa Cabral da chefia do governo, com a sublevação do marechal Saldanha em Sintra (7 de Abril) buscando apoios em Mafra, Leiria e acabando por fugir para a Galiza, a adesão de Lisboa a Saldanha e a fuga de Costa Cabral substituido no governo pelo duque da Terceira (26 de Abril) e a entrada triunfal de Saldanha em Lisboa para chefiar o primeiro governo da Regeneração (13 de Maio).

 

 

Em 5-8  de Outubro de 1910, com Júpiter em 21º-22º do signo de Balança, a esquerda obtèm um triunfo em Portugal, com a implantação da República através da insurreição de Machado Santos e da Carbonária em Lisboa, no dia 5, e a expulsão dos jesuítas e nacionalização dos bens das ordens religiosas em Portugal decretada pelo novo ministro da Justiça, Afonso Costa.

 

Em 19-20 de Outubro de 1921, com Júpiter em 4º-5º do signo de Balança, unidades da GNR em combinação com o pequeno Partido Republicano Radical de Manuel Maria Coelho desencadeiam um golpe militar em Lisboa contra o governo de direita do Partido Liberal o que conduz ao aprisionamento e assassínio de António Granjo, chefe do governo, do almirante Machado Santos e do comandante Carlos da Maia por um grupo de amotinados em que prevalece o cabo Abel Olímpio, pago em segredo por sectores monárquicos para desestabilizar a República.

 

 

De 14 a 16 de Maio de 1958, com Júpiter em 23º do signo de Balança, a campanha eleitoral do general Humberto Delgado contra Salazar e o Estado Novo atinge o auge, com a concentração de cerca de 250 000 pessoas na baixa da cidade do Porto em apoio do candidato da democracia liberal e da maçonaria, Delgado, que promete suprimir o fascismo português, no dia 14, e a chegada do general Delgado de comboio a Lisboa, no dia 16, havendo cargas de sabres da GNR a cavalo sobre o povo antifascista de Lisboa.

 

 

Em 4 de Dezembro de 1980, com Júpiter em 6º do signo de Balança, a explosão de uma bomba colocada num avião CESNA por Lee Rodrigues, a mando da CIA e do grupo mundialista de Bilderberg, causa a morte dos seus 8 ocupantes, no céu de Camarate, entre os quais o primeiro ministro Francisco Sá Carneiro e o ministro da Defesa Adelino Amaro da Costa, homens íntegros da direita portuguesa que bloqueavam o trânsito de armas dos EUA para o Irão via Portugal.

 

JÚPITER EM ESCORPIÃO:

VIRAGENS À DIREITA, REVOLTA DO PORTO

 

A passagem de Júpiter no signo de Escorpião (arco do céu de 210º a 240º de longitude eclíptica) gera, em regra, uma viragem à direita em Portugal, que se faz acompanhar de uma revolta no Porto.

 

Em 22 de Janeiro de 2006, com Júpiter em 16º do signo de Escorpião, Aníbal Cavaco Silva, candidato das direitas PSD e CDS, é eleito presidente da República Portuguesa com 50,54% de votos. Manuel Alegre, candidato de centro-esquerda independente, recebe 20,74% dos votos, derrotando Mário Soares (14, 31% de votos), candidato do PS, o comunista Jerónimo de Sousa (8,64%) e Francisco Louçã (5,32%), do Bloco de Esquerda. Pela primeira vez desde 1976, um presidente de centro-direita vai habitar o palácio de Belém.

 

Outros factos interessantes ligados à passagem de Júpiter no signo de Escorpião são:

 

De 22 de Fevereiro a 7 de Dezembro de 1828, com Júpiter em 14º-4º- 29º do signo de Escorpião, restauração do absolutismo em Portugal por D.Miguel e revolta liberal do Porto, com a chegada deste a Lisboa (22 de Fevereiro) o seu juramento hipócrita da Carta Constitucional assumindo o lugar de regente (26 de Fevereiro), tumultos absolutistas em Lisboa e aclamação de D. Miguel pelo Senado de Lisboa, de Coimbra e Aveiro (25 de Abril) , a convocação dos três Estados do Reino por D.Miguel a fim de retirar a seu irmão D.Pedro a legitimidade de ser rei (3 de Maio), o levantamento de regimentos em defesa da Carta constitucional no Porto (16 de Maio), a entrada do exército absolutista no Porto e fuga da Junta Liberal para a Galiza (3 de Julho),  o juramento de D. Miguel como rei absoluto perante os três Estados (7 de Julho) e a sua aclamação (11 de Julho), promulgação dos decretos do terror absolutista (4 a 18 de Agosto) a chegada de uma esquadra liberal à Madeira acidente de D. Miguel que parte uma perna ao tombar a carruagem que conduz perto de Caxias (9 de Novembro), dissolução do depósito de emigrados liberais portugueses em Plymouth por ordem do governo inglês (7 de Dezembro).

 

De 12 de Novembro de 1910 a de Dezembro de 1911, com Júpiter em 0º- 14º- 4º- 26º de Escorpião, a República revela-se um regime democrático de direita, com a decisão de conceder a D. Manuel II, rei deposto, continuar a auferir os seus rendimentos pessoais (12 de Novembro) a repressão violenta pela GNR da vaga de greves por todo o país, dos ferroviários, operários da Companhia do gás, corticeiros, jornaleiros do Alentejo e Ribatejo violentamente reprimidas pela GNR (Dezembro de 1910 e Janeiro de 1911),a promulgação da lei de separação entre o Estado e a Igreja (20 de Abril), a eleição, pelo bloco republicano conservador, de Manuel de Arriaga como presidente da República (24 de Agosto), a incursão monárquica de Paiva Couceiro em Chaves e Vinhais (5-17 de Outubro), o espancamento de António José de Almeida por partidários do radical Afonso Costa (20 de Outubro),  o decreto proibindo ao bispo da Guarda residir no distrito por 2 anos (25 de Novembro).

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De 5 de Dezembro de 1981 a de 20 Dezembro de 1982,  com Júpiter em 1º-10º-0º- 28º do signo de Escorpião, o 8º governo constitucional, da Aliança Democrática, liderado por Pinto Balemão, desenvolve uma viragem à direita, com a reeleição do primeiro-ministro Pinto Balsemão como líder do PSD no IX Congresso Nacional deste partido no Porto (5-6 de Dezembro de 1981), o homicídio a tiro pelo corpo de intervenção da PSP de 2 militantes da CGTP e ferimentos em mais de 100 pessoas na baixa do Porto aquando de uma disputa com militantes da UGT(noite de 30 de Abril para 1 de Maio), a demissão de Pinto Balsemão do cargo de primeiro-ministro apesar de sustentado por uma maioria absoluta da AD (20 de Dezembro).

 

 

Nada disto é do conhecimento dos filósofos triunfantes, dos catedráticos de filosofia, professores liceais, astrólogos comerciais «humanistas» que continuam a mentir dizendo que os astros não determinam o destino das pessoas e das sociedades. A estupidez doutorada, anti astrologia, dos Karl Popper, dos Carl Sagan e seguidores impera nas universidades, nos livros e revistas, na televisão e jornais. (CONTINUA)

 



publicado por Francisco Limpo Queiroz às 21:13
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Segunda-feira, 19 de Março de 2012
Teste de filosofia do 11º ano de escolaridade em Portugal (final do 2º período)

 

Eis um teste de filosofia de 11º ano de escolaridade que trata com substancialidade e razão dialética a temática " O conhecimento e a racionalidade científico-tecnológica".

 

Escola Secundária Diogo de Gouveia com 3º Ciclo, Beja

 

TESTE DE FILOSOFIA, 11º ANO TURMA A

 

Março de 2012            Professor: Francisco Queiroz   

 

I

 

«Chamamos a estas faculdades entendimento e razão; esta última, sobretudo, distingue-se propriamente e, sobremodo, de todas as forças empiricamente condicionadas, porque examina os seus objetos segundo ideias, determinando, a partir daí o entendimento ».

 

 (Kant , Crítica da Razão Pura», pag. 471)

 

 

 

1-1) Explique a frase do texto acima.

 

1-2) Explique, segundo a gnosiologia de Kant, o que é e “onde” existe o númeno e onde e como se forma o fenómeno sobreiro.

 

1-3) Explique onde e como se forma o juízo empírico «os sobreiros estão na planície».

 

 

 

II

 

 

2) Relacione, justificando:

 

 

 

A)  Os quatro passos do percurso gnosiológico de Descartes desde a dúvida hiperbólica,  e ser em si e ser para si na teoria de Hegel.

 

B) Anarquismo epistemológico de Paul Feyerabend e conjeturas na ciência em Popper.

 

C) Finalidade dos diversos tipos de movimentos dos entes no cosmos segundo Aristóteles e Vontade em Schopenhauer.

 

D)  Realismo crítico em Descartes e idealismo em David Hume.

 

E)  Verificacionismo/ Corroboracionismo segundo Karl Popper e o positivismo lógico e  causação /necessidade em David Hume.

 

F)  Ciências hermenêuticas/ Ciências empírico-formais, por um lado, e método hipotético-dedutivo, por outro lado.

  

 

 

 CORREÇÃO DO TESTE (COTADO PARA 20 VALORES)

 

 

1-1) A razão é a faculdade das ideias, conceitos metafísicos, incondicionados, e é a faculdade dos princípios: pensa os númenos e a estrutura do entendimento a priori. O entendimento é a faculdade dos conceitos, a priori (exemplo: número dois, unidade) ou a posteriori (exemplo: átomo, cão), e a faculdade dos juízos, puros ou empíricos: pensa os fenómenos mas não sente. O entendimento recebe os dados empíricos da sensibilidade, a razão não. As forças empíricamente condicionadas, isto é, sujeitas a leis da natureza ou do espírito são a sensibilidade com os fenómenos e o entendimento com as suas formas a priori, categorias e juízos puros. Estão, pois fora da razão que é incondicionada, livre. (VALE DOIS VALORES).

 

 

1-2) O númeno, objeto metafísico incognoscível, como Deus e mundo (como totalidade), está, em princípio, fora do espírito humano que se compõe de três níveis essenciais, a sensibilidade, o entendimento e a razão. O fenómeno está dentro da sensibilidade, no espaço ou sentido externo, no caso de fenómenos físicos como árvores, casas, rios. O fenómeno sobreiro forma-se deste modo: do exterior ao espírito, o númeno afeta a sensibilidade e cria nesta um caos de matéria, de intuições, a que o espaço e o tempo, como formas a priori da sensibilidade, vão dar forma e enquadramento temporal e assim surge o sobreiro. (VALE TRÊS VALORES)

 

 

1-3) O juízo empírico "os sobreiros estão na planície"  forma-se no entendimento do seguinte modo: em primeiro lugar, a imaginação reprodutora transporta para o entendimento as intuições empíricas de sobreiro e de planície que são transformadas em conceitos empíricos pelas categorias de unidade, pluralidade, realidade, etc. Estes conceitos acedem à tábua de juízos puros e aqui são unidos em forma de juízo afirmativo «S é P». (VALE DOIS VALORES).

 

 

2-A) Os quatro passos do raciocínio de Descartes são pautados pelo racionalismo, doutrina que afirma que a verdade procede do raciocínio, das ideias da razão e não dos sentidos: 1º Dúvida hiperbólica ( «Duvido da existência do mundo, das verdades da ciência, de Deus e até de mim mesmo uma vez que quando sonho tudo me parece real»); 2º Idealismo solipsista («Penso, logo existo» como mente); 3º Idealismo não solipsista («Se penso tem de haver alguém mais perfeito que eu que me deu a perfeição do pensar, logo Deus existe); 4º Realismo crítico («Se Deus existe, não consentirá que eu me engane em tudo o que vejo, sinto e ouço, logo o mundo de matéria, feito só de qualidades primárias, objetivas, existe fora de mim»). Podemos dizer que o segundo passo («Existe a minha mente») conjugado com o quarto passo («Existe o meu corpo e o mundo físico») formam o ser-para-si da doutrina de Hegel, que significa a humanidade, o homem, que é a Ideia absoluta voltando a si mesma. E o terceiro passo («Existe Deus») significa o ser em si, a Ideia absoluta antes de criar o universo. (VALE TRÊS VALORES).

 

2- B) O realismo crítico em Descartes é a doutrina segundo a qual existe um mundo de matéria real em si mesmo fora das mentes humanas destituído de qualidades secundárias (cores, sons, cheiros, sabores, calor, frio, prazer, dor), consistindo apenas em qualidades primárias ou geométricas. Assim, por as árvores não são duras nem moles, não têm cor, só têm qualidades primárias: figura, matéria impenetrável indeterminada, número, movimento. O idealismo de David Hume vai mais longe do que o idealismo parcelar de Descartes, uma vez que afirma que os objetos materiais são apenas ideias confirmáveis por impressões de sensação, isto é, existem na nossa perceção, mas não necessariamente no mundo exterior cujo conteúdo é incognoscível para nós. Hume insiste, ademais, na impermanência das coisas, no caráter fictício de substância, objeto permanente: é a nossa imaginação que atribui a continuidade a um mesmo objeto em tempos diferentes. (VALE DOIS VALORES)

 

2- C) No mundo sub-lunar de Aristóteles, a finalidade do movimento dos corpos, que nunca é circular, é o regresso à origem do seu constituinte fundamental: assim, a pedra lançada na esfera do ar cai em direção à esfera da Terra, que é a sua origem, porque as pedras integram a terra. No mundo celeste, estrelas e planetas giram em círculos agarrados às suas esferas de cristal com o objetivo de tentar alcançar Deus, o pensamento puro que está fora do universo e funciona como motor imóvel. A vontade em Schopenhauer é a força criadora do universo material e podemos, nesta complexa comparação com o universo de Aristóteles, identificá-la quer com as esferas do mundo sub-lunar, alvos do movimento dos corpos e de certo modo "criadoras" destes movimentos, quer com Deus, que não criou o mundo mas desperta o movimento das esferas celestes. (VALE DOIS VALORES)

 

2-D) O anarquismo epistemológico de Paul Feyerabend é a teoria segundo a qual o motivo de haver ciências universitárias proeminentes que excluem ciências antigas (medicina natural, astrologia, etc) ou práticas religiosas e mágicas é o interesse egoísta dos "cientistas" e académicos e industriais do setor em auferirem de prestígio e grandes financiamentos por parte dos Estados e a visão filosófica deficiente desses cientistas e académicos. Assim, o anarquismo de Feyerabend defende a pluralidade de métodos e a improvisação ad hoc de novos métodos e exige que todas as ciências e rituais não científicos de comprovada utilidade sejam postos em plano de igualdade e sujeitas a testes, a controlos, que eliminem a ideologia dominante. Popper, por sua vez, reconhece que todas as ciências de base empírica são conjuntos de conjeturas ou suposições mas aceita hierarquizá-las, provisoriamente, dizendo que são melhores as que resistiram aos testes de falsificabilidade, e não põe em causa a medicina oficial alopática, classifica a astrologia como "superstição" e afasta a acusação de «má intenção e abuso de poder» que Feyerabend faz aos círculos científicos e tecnocráticos dominantes hoje. (VALE DOIS VALORES)

 

2- E) O verificacionismo é, segundo Popper, impossível de comprovar porque estende, por indução amplificante, alguns casos empíricos (uma amostra) a todos os casos . Assim, verificacionismo e indução amplificante são sinónimos na perspetiva do positivismo lógico: por exemplo, observar 1000 pedaços de quartzo e constatar que em todos  há uma estrutura cristalina trigonal composta de tetraedros de sílica autoriza proclamar que em todo o quartzo existente no mundo há uma estrutura trigonal. Popper discorda desta indução amplificante e prefere dizer que o estudo dos 1000 pedaços de quartzo corroborou ou confirmou nesses casos e só nesses (corroboracionismo) a estrutura trigonal do quartzo, mas não verificou esta.

David Hume é um percursor de Popper ao teorizar que o princípio do determinismo, segundo o qual nas mesmas circunstâncias, as mesmas causas produzem sempre os mesmos efeitos, denominado causação, não é real na natureza porque há muitas excepções ou porque é impossível verificar a totalidade dos casos da lei, mas é apenas uma construção da nossa mente, uma das sete relações filosóficas. (VALE DOIS VALORES)

 

2-F) As ciências hermenêuticas ou sociais são aquelas que não assentam num rigoroso determinismo, quantificável, mas sim em teses mais ou menos metafísicas, desdobrando-se em várias interpretações ( hermenêutica, arte da (boa) interpretação de textos e símbolos diversos) sobre um mesmo tema. A psicanálise, por exemplo, é uma dessas ciências: a hipótese de os meninos de 3 a 5 anos de idade sentirem o complexo de Édipo (desejo de matar ou afastar o pai e casar com a mãe) não se verifica em todas as sociedades, segundo Margaret Mead, logo não é universalmente induzível. De um modo geral, estas ciências hermenêuticas não utilizam o método hipotético-dedutivo que comporta quatro fases: a observação, a hipótese (e sua matematização numa fórmula), a dedução da fórmula (para casos concretos) e a experimentação. Ao contrário, às ciências empírico-formais, isto é, construções racionais matematizadas a partir de uma infinidade de dados sensoriais, aplica-se perfeitamente o método hipotético-dedutivo.  (VALE DOIS VALORES)

 

 

Nota para a correção: nas perguntas de relacionação entre dois ou mais conceitos, a cotação para cada resposta dada deve obedecer a um princípio de premiar o aluno que estuda e sabe as definições separadamente: assim deverá receber 50% a 60% da cotação da pergunta desde que defina correctamente os conceitos, embora não consiga interligá-los.

 

 

www.filosofar.blogs.sapo.pt

 

f.limpo.queiroz@sapo.pt

 

© (Direitos de autor para Francisco Limpo de Faria Queiroz)



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