Terça-feira, 29 de Maio de 2012
Sismo em Portugal em 17-18 de Julho de 2012? ( Da legitimidade da Astrologia Histórico-Biofísica e do obscurantismo universitário)

As leis astronómico-biofísicas, que tive o privilégio de descobrir há anos, apontam para uma possibilidade razoavelmente forte de sismo em Portugal nos dias 17 ou 18 de Julho de 2012. Como não sou um pseudo astrólogo sensacionalista mas um investigador - possivelmente, o melhor do mundo nesta área - aqui vão as razões que fundamentam a previsão.

 

A) Em 17 de Dezembro de 2009, com Saturno em 3º 58´/ 4º 1´de Balança, às 01:37:47h, um sismo abala Portugal e toda a Península Ibérica numa intensidade de 6,0 na escala de Richter, tendo o epicentro no mar, a 30 km de profundidade e a Oeste de Gibraltar, cerca de 185km a Oeste de Faro e 264 km a Sudoeste de Lisboa, sendo seguido de dezasseis réplicas.

 

B) Em 8 de Fevereiro de 2010, com Saturno em 4º 5´/ 4º 2´ de Balança, a TVI emite “Catástrofe Anunciada”, uma reportagem de Carlos Enes sobre um possível grande sismo em Portugal.

 

C) Em 2 de Novembro de 2010, com Marte em 3º 23´/ 4º 7´ de Sagitário, Nodo Norte da Lua em 4º 21´/ 4º 14´ de Capricórnio, ocorre um sismo de magnitude 2.1 (Richter) na região da Maia.

 

D)Em 17 e 18 de Julho de 2012, o Nodo norte da Lua estará 4º 6´/ 3º 54´ do signo de Sagitário...

Um sismo nesta última data em Portugal é uma probabilidade, obviamente.

 

Note-se que em 11 de Março de 1975, com Nodo norte da Lua em 4º 10´/ 3º 57´ de Sagitário, páraquedistas de Tancos, galvanizados pelo ex presidente da República António de Spínola, bombardeiam o Regimento de Artilharia 1, em Lisboa, base vermelha da esquerda revolucionária, havendo 2 mortos e uma guinada para a esquerda da revolução portuguesa, com a subsequente nacionalização de bancos e seguros portugueses. Foi um «sismo» político.

 

Contra estas e dezenas de milhar de outras evidências empíricas, as cátedras universitárias de filosofia (analítica, fenomenológica, estruturalista, marxista, etc) e a generalidade dos professores de filosofia continuam a negar a possibilidade e a realidade de uma ciência astrológica, de os movimentos dos planetas no Zodíaco determinarem, a cada momento, tudo o que sucede na Terra e no cosmos.  É a estupidez generalizada. Dizer que «é impossível haver uma radiação constante dos planetas que provoca os acidentes aéreos, marítimos e ferroviários, os golpes de estado, o nascimento, o crescimento, as mudanças profissionais e a morte de cada indivíduo» é uma afirmação de ignorantes, destituídos de conhecimentos empíricos, de imaginação científica, de racionalidade holística.

 

Descartes, Hume, Kant, Hegel, Nietzsche, Heidegger, Husserl, Einstein, Heisenberg, Quine, Samuel Kripke, Sartre, Foucault, Deleuze, Derrida, Nelson Goodman, Carl Sagan, Stephen Hawking nada sabiam ou nada sabem disto. Ainda que fossem filósofos ou matemáticos superiormente cultos e inteligentes em certas áreas do saber, eram medíocres na intuição da correlação entre as áreas do Zodíaco e os fenómenos sociais e biofísicos.

 

Como é possível que Simon Blackburn, Thomas Nagel, Anthony Kenny, Adela Cortina, José Gil, Eduardo Lourenço,  José Barata-Moura, Michel Renauld, João Branquinho, Ricardo Santos, Olivier Feron, Porfírio Silva, Viriato Soromenho Marques, Alexandre Franco de Sá, José Matoso, José Hermano Saraiva, José Pacheco Pereira, António Barreto e tantos outros ocupem cátedras de filosofia, de  história ou de sociologia se não sabem sequer traçar um horóscopo (mapa das posições dos planetas no Zodíaco em dada hora e dia)? Como é possível que se intitulem «professores doutores» se nada sabem do essencial, se olham, com olímpica indiferença e total ignorância, os planetas que determinam a vida na Terra e as suas existências pessoais e os comandam, até no mais ínfimo pormenor?

 

Os títulos dos catedráticos de filosofia são imerecidos. São, quase todos, néscios e arrogantes. Ridiculamente arrogantes. Apesar da sua diversidade relativa ("analíticos", "fenomenólogos", "neoaristotélicos", "marxistas", etc,) são todos do mesmo partido: o partido anti racionalismo holístico, isto é, o partido anti astrologia histórica como ciência determinista. A primeira lei da dialética afirma que «tudo é uno, no universo nada está isolado e todas as coisas se relacionam entre si» o que implica que o movimento dos planetas se correlaciona com os fenómenos terrestes: com o nascimento, o apogeu, a derrota ou a morte de pessoas singulares, de máquinas e instrumentos da tecnociência, de governos, de partidos e regimes políticos, de programas económicos, sociais e culturais, etc.

 

Extinga-se a universidade na área da filosofia e nada se perderá. Pelo contrário: abrir-se-ão torrentes de fontes de investigação vivas de que jorrarão edições de livros, debates públicos, artigos de revistas, blogs, etc. Não há autoridade em filosofia, excepto aquela que vem da empiricidade sólida (por exemplo, da investigação de milhares de factos históricos a partir da astronomia) e da racionalidade. As cátedras de filosofia fundam-se num modelo eclesial dogmático, funesto à descoberta da verdade. Nem papa, nem catedráticos de filosofia! Abaixo o «fascismo cultural» e a «realeza» dos doutorados impensantes!

 

Para que serve a filosofia institucional, universitária, se conduz uma campanha obscurantista, um verdadeiro fascismo no plano epistemológico, contra a ciência maior do cosmos, a astrologia histórica, social e biofísica, ciência que reduz a proporções ínfimas a importância da lógica proposicional e de toda a estéril especulação? Eles, os catedráticos, não permitem a entrada da Astrologia Histórica na universidade. Episódio recente: o secretariado das IV Jornadas Internacionais de Investigadores de Filosofia, do grupo Krisis sediado na Universidade de Évora, impediu a apresentação, nas jornadas de Junho de 2012, de uma tese de astrologia histórica com evidentes implicações filosóficas. O obscurantismo e a censura reacionária inspiram pois, nesta importante temática do livre-arbítrio e do fatalismo de origem planetária, o grupo Krisis-Évora e os departamentos de filosofia universitária em geral, em todo o mundo.

 

E tu, que és professor de filosofia do ensino secundário e ignoras que pelo menos três revoluções/golpes militares de esquerda eclodiram em Portugal quando Júpiter percorria o signo de Peixes - a revolução liberal de 24 de Agosto de 1820, com Júpiter em 16º do signo de Peixes, a revolução popular republicana de 14 de Maio de 1915, com Júpiter em 22º do signo de Peixes, e a revolução de 25 de Abril de 1974, com Júpiter em 10º do signo de Peixes - como podes continuar a mentir aos teus alunos dizendo que «não há provas de que haja uma ciência astrológica»? Não te dás conta da ignorância em que vives e que propagas à tua volta? És um racionalista? Ou um obscurantista?

 

Julgas-te iluminista, filósofo, racional,  porque ingenuamente acreditas nas mentiras de Descartes, Nietzsche, Heidegger, Popper, Blackburn, Kenny, Deleuze, Gilson, Goodman, Russel, Witgenstein, Foucault e tantos outros sobre a astrologia. Endeusas filósofos que eram ou são homenzinhos ignorantes em muitos aspectos. E, tal como eles, nunca investigaste a história social com tabelas astronómicas, e, portanto, nada sabes. Isso prova o quão impensante és, uma ovelha de um grande rebanho de filósofos, catedráticos e professores de filosofia do ensino secundário que viveram ou vivem na obscuridade sobre o destino que os espera e à humanidade, sobre os mecanismos planetários que modelam os factos terrestres dia a dia.

 

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Quinta-feira, 8 de Março de 2012
O pseudoparadoxo de Burali-Forti (fragilidades da filosofia analítica anglo-saxónica- V)

 

O "paradoxo de Burali-Forti" é um argumento da teoria dos conjuntos considerado verdadeiro pela filosofia analítica anglo-saxónica. Blackburn  enuncia-o assim:

 

«Paradoxo de Burali-Forti - O primeiro paradoxo a ser descoberto na teoria dos conjuntos. A todos os conjuntos bem ordenados é atribuído um número ordinal. Estes ordinais podem ser comparados: de quaisquer dois se pode dizer que são iguais, ou que um é mais pequeno e o outro maior. Eles formam, por sua vez, um conjunto bem ordenado. O ordinal deste conjunto tem de ser maior do que qualquer ordinal que pertença ao conjunto. Seja C o conjunto de todos os ordinais. Uma vez que é um conjunto bem ordenado, tem um número ordinal, w, que tem de ser maior do que qualquer elemento do conjunto. Mas C era o conjunto de todos os ordinais e tem de incluir w

(Simon Blackburn, Dicionário de Filosofia, pag 316, Gradiva, 2007; o destaque a negrito é posto por mim).

 

Trata-se de um pseudoparadoxo. Exemplifiquemos. Apliquemos este problema da teoria dos conjuntos aos 10 países latinos que existem na Europa, partindo do princípio que cada país é um conjunto de habitantes, atribuindo um número a cada um : a San Marino (cerca de  30 000 habitantes) o número 1, ao Mónaco (cerca de 32 000 habitantes) o número 2,  a Andorra (cerca de 78 000 habitantes) o número 3, à  Suíça (cerca de 7,8 milhões de habitantes) o número 4,  à Bélgica (cerca de 10,4 milhões de habitantes) que tem a Valónia, região de língua francesa, o numero 5, a Portugal cerca de 10,5 milhões de habitantes) o numero 6, à  Roménia (cerca de 22,2 milhões de habitantes) o número 7, a Espanha (cerca de 46 milhões de habitantes) o número 8, a Itália (cerca de 60,3 milhões de habitantes) o número 9, a França (cerca de 65,4 milhões de habitantes) o número 10.

 

Assim C é o conjunto de todos estes ordinais (1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10) e tem de ter um número w - seja por exemplo 11 - maior do que qualquer elemento do conjunto.

E Blackburn escreve acima, delineando o dito paradoxo: «Mas C era o conjunto de todos os ordinais e tem de incluir w

Perguntamos: por que carga de água C tem de incluir w?  O conjunto [1,2,3...10] tem de incluir o número 11? É absurdo. É evidente que C não se inclui a si mesmo enquanto número 11 (w) ao lado dos números de escalão inferior que são os seus elementos. O erro aqui é similar ao do paradoxo de Russel que rebaixa a espécie - um conjunto de entes similares - à condição de elemento ou parte de si mesma.

 

Os matemáticos não são fiáveis,  no plano da especulação, não se inserem, em regra, no raciocínio multidimensional que caracteriza a verdadeira filosofia. É muito simples desmascarar este pseudoparadoxo da teoria dos conjuntos mas, pelos vistos, nem Russel, nem Wittgenstein, nem Quine, nem Samuel Kripke, nem Nagel, nem Blackburn, nem Anthony Kenny, nem João Branquinho, nem José Gil, nem a generalidade dos académicos actuais e do século passado o fizeram. Teremos que nos curvar e calar ante uma universidade de obnóxios doutorados em filosofia que veneram pseudoraciocínios de aparência matemática?  

 

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Sexta-feira, 7 de Outubro de 2011
Questionar João Branquinho: o estudo dos primeiros princípios é separável do estudo do ser?

João Branquinho, catedrático de filosofia analítica da universidade de Lisboa escreveu no blog  "crítica na rede": 
 

«Com efeito, a província da metafísica foi dividida por Aristóteles em três departamentos: a) o estudo dos primeiros princípios e das primeiras causas; b) o estudo do divino, ou teologia; e c) o estudo do ser enquanto ser, ou ontologia. Ora, à luz de uma maneira corrente de mapear o território da filosofia e as suas disciplinas e problemas, pode-se dizer, por um lado, que a investigação mencionada em b pertence actualmente à disciplina de filosofia da religião, e, por outro lado, com respeito à investigação mencionada em a, que uma parte dela cai no âmbito da lógica e a outra parte no âmbito da filosofia da ciência. » (João Branquinho, Objecto e método da metafísica, Metafísica logicamente disciplinada, em 19 de Agosto de 2004, transcrito por mim em 6 de Outubro de 2011; o negrito é por mim colocado).

 

 

Esta divisão em três departamentos da metafísica é ambígua - não vou discutir, de imediato, se o responsável da ambiguidade é o próprio Aristóteles, ou se é João Branquinho. A questão está em que não se pode separar os primeiros princípios, do ser enquanto ser. Para Tales de Mileto, a água é princípio - ainda que Hegel tenha posto em dúvida que Tales já possuisse um grau de abstracção do pensamento que lhe permitisse supor a água como princípio interno de todas as coisas - e é também o ser, ou pelo menos a parte material do ser, se admitirmos que deus ou deuses é a parte espiritual do ser. 

O ser inclui os princípios gerais mas também a tessitura permanente ou estável das coisas.

 

Aristóteles escreveu:

 

«Posto que também o matemático utiliza os axiomas comuns, mas no seu âmbito particular, à filosofia primeira corresponderá estudar também os seus princípios. Pois "se se subtraem quantidades iguais de quantidades iguais, os restos são iguais" é um axioma comum a todo o tipo de quantidades, mas as matemáticas investigam aplicando-o a alguma parte da matéria que lhes é própria, por exemplo, linhas, ângulos, números, ou algum dos outros tipos de quantidade, mas não enquanto coisas que são, mas enquanto cada uma de estas coisas é contínua em uma, duas ou três dimensões. A filosofia, pelo contrário, não investiga acerca de realidades particulares, enquanto a cada uma delas acontece ter alguma propriedade, mas sim acerca do que é, enquanto cada uma delas é algo que é. E o mesmo que com as matemáticas acontece também com a ciência física. Com efeito, a física estuda os acidentes e os princípios das coisas que são, enquanto são movidas, e não enquanto coisas que são (enquanto que dissemos que a ciência primeira se ocupa de estas, na medida em que as coisas que estuda são coisas que são, e não enquanto são alguma outra coisa). Por isso ha-de afirmar-se que esta e a ciência matemática são partes da sabedoria». (Aristóteles, Metafísica, Livro X, 1061 b, 20-30; o negrito é posto por mim)

 

Há, pois, na doutrina de Aristóteles, uma anterioridade ontológica das coisas imóveis, objecto da filosofia, em relação às operações matemáticas, que são móveis na inteligência, e em relação aos movimentos dos corpos físicos. A filosofia estuda as coisas que são - esta forma do presente do indicativo do verbo «ser» significa eternidade, imobilidade e imutabilidade.

 

No fundo, a filosofia engloba os princípios gerais de todas as ciências - o ser enquanto ser - e é o resíduo, a ossatura comum a todas as ciências. Estuda o que é invariável, imutável - nisto, Aristóteles é um platónico, considera imóveis as essências principiais e eternas- aquilo que não que devém. A física estuda as coisas que são, em movimento- as essências de esfera, dardo, onda, por exemplo. Mas cada ciência assenta num suporte imóvel, as essências eternas, e, portanto, assenta no objecto da  filosofia que, como coluna vertebral, aguenta as ciências. Há os princípios imóveis, raíz da «árvore» do ser, princípios que fazem parte do ser. Na filosofia de Aristóteles, Deus é um dos princípios imóveis.

 

Ao dizer que o estudo dos primeiros princípios e das primeiras causas caem, hoje, na esfera da lógica, João Branquinho exprime o seu pendor para a filosofia "analítica".

Mas por que  razão a lógica há de abarcar as primeiras causas e não apenas as segundas? Por que motivo há-de a lógica conter os primeiros princípios? Por que razão não poderá a lógica nascer do terreno principial do ilógico e os primeiros princípios escaparem à lógica? E a filosofia da ciência abarca os primeiros princípios, como diz João Branquinho?  Terá capacidade para tal?

 

Em minha opinião, os primeiros princípios - como por exemplo, matéria ou espírito como fonte do universo, de tudo - continuam a ser objecto prioritário da filosofia da qual a ciência materialista é apenas uma versão. Não concordo pois que sejam a lógica ou a filosofia da ciência a absorver hoje o estudo dos primeiros princípios, das primeiras causas, como sustenta João Branquinho: é uma visão excessivamente positivista... Estes princípios são ainda objecto da metafísica ou filosofia primeira, como o eram há 2400 anos.

 

 

ARISTÓTELES NO LIVRO XI: FÍSICA, MATEMÁTICA E TEOLOGIA COMO AS CIÊNCIAS TEORÉTICAS

 

Aristóteles distingue no livro XI da Metafísica, três ciências teoréticas: a física, a matemática e a teologia. E, aparentemente pelo menos, omite a filosofia primeira, a metafísica racional.

 

«Por outro lado, posto que há uma ciência do que é, enquanto é e enquanto é separado, há-de observar-se se esta acaso se identifica com a física ou se, mais precisamente, é distinta dela. Certamente, a física trata das coisas que têm em si mesmas um princípio de movimento, enquanto que a matemática, por sua vez, é ciência teorética acerca de coisas que têm permanência, mas não existência separada. Portanto, alguma de estas ciências distintas se ocupa do que é separado e imóvel, se é que há alguma tal substância, quer dizer, separada e imóvel, algo que tratamos de demonstrar. E, se entre as coisas que são, existe uma tal natureza, ali estará também seguramente o divino, e ela será princípio primeiro e supremo. É, pois, evidente, que há três géneros de ciências teoréticas: Física, Matemáticas, Teologia. » (Aristóteles, Metafísica, Livro XI, 1064 a, 30-35, 1064 b, 1-5; o negrito é colocado por mim).

 

Assim, a filosofia é a ciência do que é - essências e relações eternas anteriores aos objectos físicos - e a teologia é a ciência do que é e separado- Deus, a inteligência suprema, imóvel, alheio ao mundo. Dir-se-ia que a teologia está contida na filosofia mas não esgota esta. A filosofia é a razão vertebradora da física, da matemática, das ciências teoréticas: é lógica, ontologia, eidologia (ou noologia).

 

A filosofia apreende, por exemplo, a essência de cavalo e o género animal, conceitos que são anteriores ontologicamente aos cavalos reais e animais reais e formula o juízo «Os cavalos são animais» que integra a espécie cavalo no género animal . Este juízo é uma relação. A física estuda os cavalos e os animais em geral no seu movimento local (phorá) e, se não estou em erro - isto é,  se considerarmos a biologia incluída na física ou ciência geral da natureza-  no seu movimento interno que é a geração (génesis), alteração (alloíosis), corrupção (phtorá). 

 

 

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Terça-feira, 2 de Janeiro de 2007
Essencialismo: Pobreza e Riqueza na Definição

 

A revista Crítica (www.criticanarede.com), a propósito da Dissertação de Mestrado "Essencialismo Naturalizado, de Desidério Murcho sob a Supervisão de João Branquinho, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa,no ano 2000, de 97 páginas, insere a seguinte definição de essencialismo:

O essencialismo é a doutrina que defende que certos particulares, como Sócrates, têm certas

 propriedades essencialmente, ao passo que têm outras propriedades apenas acidentalmente. Assim, uma doutrina essencialista poderá afirmar que Sócrates é essencialmente um ser humano, ao passo que só acidentalmente vivia em Atenas. Isto significa que Sócrates não poderia não ter sido um ser humano, ao passo que poderia não ter vivido em Atenas.» (o negrito é nosso).

 

Esta definição de essencialismo é, no fundo, uma tautologia. Na verdade, todos os seres ou fenómenos são dotados de uma essência ou estrutura fundamental e,assim sendo, todas as ciências e todas as filosofias seriam essencialismos a partir do momento em que postulam propriedades fundamentais inerentes a qualquer ser ou ente (a alma ou a forma física como essência do homem, o átomo como essência da matéria, a célula como essência da vida, etc). Definir desta maneira essencialismo equivale a definir racionalismo como «doutrina que sustenta que todo o homem é dotado de razão».

Ora, também os empiristas sustentam que o homem é dotado de razão...

 

Creio que a definição de essencialismo não pode cingir-se a uma tautologia onde cabem todas as correntes filosóficas. A história da Filosofia, tão menosprezada por alguns revisionistas do ensino filosófico hoje, coloca-nos uma distinção entre existencialismo e essencialismo.

 

Ora a definição de essencialismo expressa na «Crítica» e no Dicionário Oxford de Filosofia de Simon Blackburn, presumivelmente defendida por Desidério Murcho, levaria a classificar a doutrina de Sartre, expressa em «O ser e o nada», como um essencialismo: é que Sartre, que se considerava um existencialista oposto ao essencialismo, sustentava que a essência do homem é a liberdade, a existência pura. Sartre não seria, portanto, existencialista mas sim essencialista, o que levanta uma nuvem de imprecisão conceptual..

 

A definição por excelência de essencialismo não é a tautologia pobre expressa na «Crítica» de que há coisas com propriedades inerentes ou essenciais. Não. A definição mais rica de essencialismo remonta à coluna vertebral da história da filosofia - Platão, Aristóteles, Ockham, Tomás de Aquino, Hegel - e inscreve-se na problemática do ser enquanto essência na sua relação com a existência material e de movimento.

 

 

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