Quarta-feira, 18 de Setembro de 2019
Ontologia distingue-se de ontognosiologia?

 

Que diferenças há entre os conceitos de ontologia e ontognosiologia?

 

Na década de 90, enviei à Guimarães &Editores um ensaio sobre a ontognosiologia de Kant que a editora não publicou - creio ter sido o primeiro a usar este termo ao menos na língua portuguesa; um ou dois anos mais tarde constatei que Miguel Reale usava este termo «ontognosiologia de Kant» em publicação de Guimarães &Editores. Talvez tenha lido o meu ensaio e aproveitado o título...

 

O realismo, doutrina que postula que há um mundo de matéria real em si mesmo anterior à existência da humanidade e independente das mentes humanas, é uma corrente do género ontológico (respeitante ao ser: a matéria é ser, existe fora de nós) e simultaneamente é corrente do género gnosiológico (respeitante ao conhecer: conheço a matéria fora de mim).  Por isso ontognosiologia realista é um conceito com razão de ser. E ontognosiologia idealista, como é o caso da teoria de Kant, também é um conceito justificado. Considerei, no meu «Dicionário de Filosofia e Ontologia» que o género ontologia comporta quatro modalidades: realismo, idealismo, fenomenologia, objectualismo. Este último, como corrente que faz desaparecer o sujeito cognoscente, inserindo-o na matéria («Não há nada senão as coisas» dizia Sartre), é ontologia mas não ontognosiologia. Portanto, é possível distinguir ontognosiologia de ontologia sem embargo de se fundirem em diversos casos.

 

Mas onde inserir os conceitos de materialismo, espiritualismo e dualismo hilonoético? Na gnosiologia? Não. Não são ontologias? São. Para as distinguir de realismo-idealismo-fenomenologia- objectualismo, que são do género ontologia, coloquei-as no género ontologia principial porque o espírito/deuses é, para alguns, o começo de tudo e a matéria, no caos ou ordenada é, para outros, o começo de tudo.

 

Realismo não pode confundir-se com materialismo e idealismo não pode confundir-se com espiritualismo, confusões estas perfilhadas por Karl Marx e Vladimir Lenin. Este, chamava idealismo objectivo à visão realista e simultaneamente espiritualista do mundo, aos cristãos que acreditavam na matéria como real e em Deus. Há realistas (pessoas que crêem na realidade do mundo material) que são espiritualistas (crêem em Deus ou Deuses ou na consciência individual (alma) imortal) e há realistas que são materialistas (não crêem em Deus, Deuses nem em vida além da morte). 

 

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       www.filosofar.blogs.sapo.pt

          f.limpo.queiroz@sapo.pt

 

© (Direitos de autor para Francisco Limpo de Faria Queiroz

 

 



publicado por Francisco Limpo Queiroz às 22:02
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