Quinta-feira, 21 de Junho de 2012
Equívocos na prova 714 de Exame nacional de filosofia de 20 de Junho de 2012

 

O exame nacional de filosofia em Portugal (Prova 714/ 1ª fase) , de 20 de Junho de 2012, possui um certo número de equívocos importantes. Nem a Sociedade Portuguesa de Filosofia nem a Associação de Professores de Filosofia detectaram os erros que, aqui, passo a explanar. O essencial no ensino da filosofia não é preparar os alunos para exame, como defendem os burocratas cinzentos, licenciados, mestres ou doutorados na disciplina,  mas sim pôr os alunos a pensar em profundidade, o que implica fornecer-lhes, de forma rica e sintética, uma vasta gama de conceitos e teorias sem censuras científicas, religiosas, políticas, etc.  

 

Não conheço, por exemplo, nenhum professor de filosofia, além de mim, que ponha em causa o dogma da vacinação e forneça textos e videos críticos sobre esse tema,  o que prova que o ensino da filosofia  nas escolas é, quase todo, uma mera extensão das ciências oficiais e não uma crítica inteligente destas. Quantos são os professores de filosofia que sabem contrapor à medicina alopática, com a sua teoria causal bacteriana e viral das doenças, a concepção neo-hipocrática holística de que as múltiplas doenças locais são manifestação de uma só doença geral, a toxe-sangue-linfa (doutrina da unicidade das doenças) e de que um mesmo alimento são (exemplo: maçãs, uvas,etc) é ´capaz de curar doenças distintas em diferentes orgãos do corpo(unicidade da terapia alimentar)? Muitíssimo poucos... A incultura epistemológica reina entre os utilizadores dos «inspectores de circunstâncias», das «derivações», que vivem na casa vazia de uma lógica formal...

 

Aliás, os patrões das grandes editoras escolares não autorizam manuais de filosofia com textos contra a vacinação porque são amigos de médicos alopatas e querem estar nas boas graças dos políticos ligados às multinacionais farmacêuticas. Assim se condiciona e limita o campo filosófico, vergando-o aos lobbies do dinheiro...

 

Basta ver como os manuais escolares enfatizam os textos e a teoria de Karl Popper, um filósofo de segunda classe, inócuo para as ciências ideologicamente dominantes, e omitem, quase sempre por completo, os textos e a teoria de Paul Feyerabend. O servilismo dos manuais escolares escritos por membros da Sociedade Portuguesa de Filosofia (Desidério Murcho, Aires Almeida, Pedro Galvão, Luís Rodrigues, Pedro Madeira, etc) face à medicina alopática, à historiografia oficial liberal , etc, é confrangedor e obedece ao princípio positivista lógico: «nós em filosofia só tratamos da análise da linguagem e da ética, as questões científicas da medicina, astronomia, biologia, etc ficam a vosso cargo, ó cientistas, escrevam e façam o que quiserem, nós não incomodamos».

 

 

DETERMINISMO NÃO É EXATAMENTE O MESMO QUE DETERMINISMO EXCLUENTE DO LIVRE-ARBÍTRIO 

 

 

Vejamos algumas questões de estrutura ou correção oficial erróneas na prova 714 (versão 1) de exame nacional de filosofia de Junho de 2012.

 

GRUPO 1. 1.

 

Leia o texto seguinte do filósofo Espinosa acerca do problema do livre-arbítrio.

 

 

Texto A

 

Uma pedra recebe de uma causa exterior que a empurra uma certa quantidade de movimento,

 pela qual continuará necessariamente a mover-se depois da paragem da impulsão externa. [...]

 Imaginai agora, por favor, que a pedra, enquanto está em movimento, sabe e pensa que é

 ela que faz todo o esforço possível para continuar em movimento. Esta pedra, seguramente, […]

 acreditará ser livre e perseverar no seu movimento pela única razão de o desejar. Assim é esta

 liberdade humana que todos os homens se vangloriam de ter e que consiste somente nisto, que os

 homens são conscientes dos seus desejos e ignorantes das causas que os determinam.

 

Spinoza, «Lettre àSchuller», in Oeuvres Complètes, Paris, Gallimard, 1954

 

 

 

Identifique a tese defendida no texto.

 

Justifique a resposta, a partir do texto.

 

 

 

Cenário de resposta:

 

A resposta integra os seguintes aspetos, ou outros considerados relevantes e adequados:

 

– identificação da tese defendida no texto como sendo a tese do determinismo;

 

– interpretação do exemplo e da conclusão do texto – aplicação do argumento da causalidade e da tese

 

da negação do livre-arbítrio.

 

 

 

Crítica minha:  Existe aqui uma confusão. A tese que Spinoza exprime não é a do determinismo em geral , princípio da conexão necessária e uniforme de causas e efeitos, mas sim a do determinismo sem livre-arbítrio a rodeá-lo, isto é, aquilo que os manuais designam como determinismo radical. O que Spinoza nega no texto é a possibilidade real de os homens interferirem nas ações em que estão lançados por causas que lhe são estranhas e o que Spinoza realça é a ilusão em que os homens vivem de possuirem livre-arbítrio.  No texto não está presente, de modo explícito,  a tese do determinismo associado ou compatibilizado com livre-arbítrio, isto é, aquilo que os manuais e Blackburn designam por determinismo moderado . Logo, dizer que a tese do texto é o determinismo é uma resposta vaga, parcialmente errónea. A resposta correcta seria: determinismo excluente do livre arbítrio (vulgo determinismo radical). 

 

A ANÁLISE SEM VISÃO DE SÍNTESE DEFORMA, ISOLA, FRAGMENTA, O QUE NÃO PODE SER ISOLADO

 

 

 

Vejamos a segunda  pergunta  do grupo I:

 

2.

 

 

Leia o texto seguinte.

 

Texto B

 

Quando Kant propõe […], enquanto princípio fundamental da moral, a lei «Age de modo que

 a tua regra de conduta possa ser adotada como lei por todos os seres racionais», reconhece

 virtualmente que o interesse coletivo da humanidade, ou, pelo menos, o interesse indiscriminado

 da humanidade, tem de estar na mente do agente quando este determina conscienciosamente a

 moralidade do ato. Caso contráio, Kant estaria [a] usar palavras vazias, pois nem sequer se pode

 defender plausivelmente que mesmo uma regra de absoluto egoísmo não poderia ser adotada por

 todos os seres racionais, isto é, que a natureza das coisas coloca um obstáculo insuperável à sua

 adoção. Para dar algum significado ao princípio de Kant, o sentido a atribuir-lhe tem de ser o de que

 devemos moldar a nossa conduta segundo uma regra que todos os seres racionais possam adotar

 com benefício para o seu interesse coletivo.

  

John Stuart Mill,Utilitarismo, Porto, Porto Editora, 2005

 

 

 

Na resposta a cada um dos itens de2.1. a 2.4., selecione a única opção adequada ao sentido do texto.

 

Escreva, na folha de respostas, o número do item e a letra que identifica a opção escolhida.

 

 

2.1.

 

 

Segundo Stuart Mill, Kant verdadeiramente valoriza:

 

(A)as circunstâncias da ação.

 

(B)o interesse da humanidade.

 

(C)o imperativo categórico.

 

(D)um imperativo hipotético.

 

 

Crítica: Os critérios  de correção dizem que a resposta certa é a B, o interesse da humanidade. Está certo mas não pode considerar-se menos certa a resposta C) , o imperativo categórico, que manda que se considere cada pessoa como um fim em si e não um meio da ação do sujeito. Portanto, há duas respostas certas e não uma. A análise sem uma concomitante visão de síntese deforma, isola e fragmenta o que não pode ser isolado, fazendo ver só árvore sem ver a floresta. 

 

MILL VALORIZA A INTENÇÃO NA AÇÃO MORAL, AO CONTRÁRIO DO QUE SUPÕEM OS AUTORES DA PROVA

 

Analisemos outra questão de escolha múltipla, o tipo de questão em que é habitual os autores, que carecem de uma visão dialética de síntese, escorregarem.

 

2.3.

 

Stuart Mill defende que uma ação tem valor moral

 

(A)sempre que o agente renuncia ao prazer.

(B)quando a intenção do agente é boa.

(C)sempre que resulta de uma vontade boa.

(D)quando dela resulta um maior bem comum.


 

Crítica minha: os critérios de correção sustentam que só a  hipótese D está correcta. Na verdade, a hipótese B está igualmente correcta porque Mill, ao contrário do que supõem os autores da prova, valoriza a intenção do agente.  Em "Utilitarismo", Mill dá o exemplo de um homem que salva um seu inimigo de morrer afogado a fim de o torturar com requintes sádicos e considera que essa ação de salvamento é moralmente má porque a intenção do agente é má. Isto prova que, em certas ações, a intenção é mais importante que o resultado prático, segundo Mill. A moral deste é deontológica, ao invés do que dizem as mentes «quadradas» dos «analíticos».  É uma deontologia, não da universalidade abstracta, mas das maiorias particulares e concretas em cada situação.

 

 

Os vesgos parafilósofos analíticos dividem a ética em três grandes correntes: ética das virtudes de Aristóteles, ética deontológica de Kant e ética consequencialista de Mill. Não se dão conta da unidade essencial destas três correntes: são todas deontológicas.  

 

A NÃO DISTINÇÃO ENTRE VALIDADE DEDUTIVA E VALIDADE INDUTIVA E AS AMBIGUIDADES QUE ISSO GERA

 

Vejamos o grupo II da prova de exame (versão 1).

 

 

2.2.

 

 

 

Num raciocínio indutivo forte, a verdade

 

 

(A)da conclusão é garantida pela verdade das premissas.

 

 

(B)das premissas torna provável a validade da conclusão.

 

 

(C)da conclusão é garantida pela validade das premissas.

 

 

(D)das premissas torna provável a verdade da conclusão.

 

 

Crítica minha: Os critérios de correção indicam que só a resposta D é correcta, o que é uma estupidez : a resposta A está também certa (exemplo: a verdade da permissa "o Sol nasce diariamente desde há milhões de anos no horizonte terrestre", garante a verdade da conclusão  "logo, hoje mais uma vez o Sol tinha de nascer no horizonte")  e a resposta B está também correcta. Note-se que se pode falar em validade formal dedutiva e em validade indutiva, substancial mas o texto e os critérios de correção não esclarecem esta distinção...Por isso, há mais que uma resposta certa.

 

DA NÃO DISTINÇÃO ENTRE IMPRESSÕES DE SENSAÇÃO E IMPRESSÕES DE REFLEXÃO, EM HUME

 

 

 

Vejamos uma questão do grupo IV da prova 714.

 

 

GRUPO IV

 

1.

 

Leia o texto seguinte.

 

Texto E

 

 

[…] Quando analisamos os nossos pensamentos ou ideias, por mais complexos ou sublimes que

 possam ser, sempre constatamos que eles se decompõem em ideias simples copiadas de alguma

 sensação ou sentimento precedente. Mesmo quanto àquelas ideias que, à primeira vista, parecem

 mais distantes dessa origem, constata-se, após um exame mais apurado, que dela são derivadas.

 A ideia de Deus, no sentido de um Ser infinitamente inteligente, sábio e bondos, deriva da reflexão

sobre as operações da nossa própria mente e de aumentar sem limites aquelas qualidades de

bondade e de sabedoria.

 

 

David Hume, «Investigação sobre o Entendimento Humano», in

 

Tratados Filosóficos I, Lisboa, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2002

 

  

1.1.Nomeie os tipos de perceção da mente, segundo Hume.

 

 

1.2.Explicite, a partir do texto, a origem da ideia de Deus na filosofia de Hume.

 

2.Confronte as ideias expressas no texto de Hume com o racionalismo de Descartes.

 

Na sua resposta, deve abordar, pela ordem que entender, os seguintes aspetos:

 

 

inatismo;

 

valor da ideia de Deus.

 

  

Cenário de resposta

 

A resposta integra os seguintes aspetos, ou outros considerados relevantes e adequados:

 

– relação entre as impressões e as ideias e entre as ideias simples e as ideias complexas;

 

– identificação da ideia de Deus como ideia complexa que tem por base ideias simples que a mente e

 

a vontade compõem e potenciam.»

 

 

Crítica minha: nos critérios de correção não se faz a distinção entre impressões de sensação e impressões de reflexão, ambas elas tipos de percepção da mente, distinção capital na gnosiologia de Hume. Se não houvesse impressões de reflexão como os sentimentos de bondade, de respeito por todos os seres humanos, etc, seria impossível formar a ideia de Deus.

 

Verifica-se, por conseguinte, analisando o teor deste exame 714, que as provas de exame nacional de filosofia em Portugal continuam a ser elaboradas por intelectuais de segunda e terceira categorias, destituídos de racionalidade holística e de poder de análise rigorosa. Há muita falta de imaginação, rigor e criatividade na elaboração destas provas, reflexo do ensino burocrático que a grande maioria dos professores do ensino secundário e universitário ministra. 

 

Os burocratas da filosofia, pequenos Stalines do formalismo lógico, chegam ao ponto de dizer que «o programa de filosofia do 10º ano não permite que se fale nos três mundos de Platão nem nos conceitos de tó on e tó tí nem na teoria das quatro causas de Aristóteles nem no taoísmo e dualismo Yin-Yang, nem na tese do microcosmos como espelho do macrocosmos»... Na sua ânsia de atacar-nos,  aos que somos criativos e cultos no ensino da filosofia, os «stalino»-analíticos confundem deliberadamente o programa (conjunto de linhas gerais) com os conteúdos que cada professor pode e deve livremente explanar e argumentam, falaciosamente, que «Platão, Aristóteles, Hegel, a teoria dos valores de Max Scheler, realismo/idealismo, estão fora do programa» só porque este não os menciona explicitamente. O que eles não sabem é quase nada de filosofia, não pensam, e mordem-se de inveja dos que sabem, dos que pensam...

 

O grande caos mental da filosofia analítica, iniciado com a tese paradoxal de Bertrand Russel de que «há classes que são membros, isto é, partes, de si mesmas, como a classe dos objetos abstratos», não cessa de aumentar e contamina os "filósofos de cátedra", os professores do secundário e os alunos - excepto os inteligentes, que resistem.

Platão dizia que o povo não é filósofo e isso aplica-se ao povo dos professores de filosofia que é ainda uma pequena multidão, pouco destacada intelectualmente, da multidão em geral.

 

Uma pequena multidão de professores demasiado uniforme, portadora de um horizonte totalitário de «não sair do programa, uniformizar», «agnóstica», politicamente demoliberal (numa democracia sequestrada), epistemológica e cosmologicamente totalitária, rejeitando, por princípio, a astrologia determinista histórico-social e as «ciências herméticas» (Cabala, I Ching, antroposofia de Rudolf Steiner, medicinas sagradas tradicionais, etc), socialmente empenhada na ascensão através de mestrados e doutoramentos que lhe dêem prestígio e vantagens económicas. As universidades, mesmo as estatais, parecem estar a transformar-se em prostitutas que, a troco de dinheiro, vendem mestrados e doutoramentos a qualquer professor/ licenciado medianamente inteligente.

 

Assim, a estratégia dos que amam a verdade, dos autênticos filósofos, passa por denunciar as actuais universidades, ocupadas por catedráticos e professores auxiliares sem qualidades superiores de inteligência e de saber erudito e sem coragem para afrontar a tecnociência e os interesses económicos e políticos das burguesias e burocracias dominantes.

 

E criticar, com paciência e clareza racional, a esmagadora maioria dos professores do ensino secundário que repetem os mesmos clichés confusos do tipo «o utilitarismo é um consequencialismo», «as éticas de Mill e de Aristóteles não são deontológicas», «o determinismo duro, o determinismo moderado, o libertismo e o indeterminismo são as quatro correntes sobre a questão do livre-arbítrio e da acção humana», «o libertismo é um incompatibilismo», «o relativismo é incompatível com o objectivismo», etc. É uma grande maioria, relativamente impensante, de professores, medianos e medíocres.

 

Destes, alguns, anti-racionalistas confessos, porque o curto raio (ratio) de alcance do seu pensamento não lhes permite atingir e compreender a posição dos planetas no Zodíaco e correlacionar com os factos terrestres sociais e biofísicos - refiro, entre outros, Carlos Pires («Dúvida Metódica»), Sérgio Lagoa, Tiago Pita, Valter Boita, Vítor Guerreiro, Aires Almeida, Carlos Alberto Gaspar, Rolando Almeida, Olívia Macedo, António Gomes, Luis Mendes, Isabel Versos, Rui Areal - destilam sarcasmos e falácias ad hominem contra este blog e o seu autor, o que me diverte bastante, mas não me desvia da luta pela claridade do pensamento filosófico e pela verdade. Doa a quem doer.

 

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publicado por Francisco Limpo Queiroz às 09:06
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39 comentários:
De Armando Almas a 17 de Outubro de 2012 às 11:16
Caro Colega, gostei das suas palavras e da sua visão do que deveria ser a filosofia. Na prática acaba por ser mais uma disciplina cinzentona, força das circunstância que, pela crise de emprego, nos vemos condicionados a seguir... Creio que estará, até, destinada a desaparecer dos currículos do ensino oficial. Pensar sempre foi muito perigoso, não ser partidário da opinião oficial é provavelmente ainda pior. Abraço, e também poderei aprender bastante com o seu blog.

http://scriptorium-virtual.blogspot.pt/


De Francisco Limpo Queiroz a 18 de Outubro de 2012 às 01:29
Prezado colega, as suas palavras sensibilizam-me. Sem dúvida, a filosofia está, no quadro institucional do Estado, das escolas públicas e privadas, num estado deplorável, submetida aos jogos lógicos da filosofia analítica. Proibe-se, encapotadamente, fazer metafísica fora das religiões e dos cãnones dos"filósofos" dominantes. Em breve, a filosofia dissolver-se-á nas ciências fragmentárias, resumindo-se a uma teoria da linguagem.

Resistamos! É fácil derrotar no plano intelectual a canalha filosófica que domina as universidades e os media e o ministério da Educação. Combate implacável a esses pseudo racionalistas de vistas curtas! Um abraço.


De Luna a 13 de Junho de 2014 às 23:46
Irei fazer o exame nacional de Filosofia esta terça feira, e tal como senhor professor exprimo o meu pensamento com base na tese que este exame é desvalorizado não havendo rigor científico apresentado, muita ambiguidade que levam a fazer escolhas múltiplas erradas e textos algo confusos, não havendo clara distinção de teses.
As escolhas múltiplas baseiam-se em pensamentos superficiais, uma pessoa que pense profundamente sobre aquilo chega a uma conclusão " errada " segundo os critérios, e uma pessoa que olhou, leu uma vez e acabou ali sem pensar muito, tem mais probabilidade de acertar, dado o seu comportamento igualmente superficial. Veremos como corre. Cumprimentos, Luna.


De Francisco Limpo Queiroz a 14 de Junho de 2014 às 00:47
Ainda bem que a Luna se apercebe da falta de clareza em uma parte das perguntas de escolha múltipla («uma só resposta certa» em quatro hipóteses) que têm estado em voga nos testes de exame nacional e nos manuais escolares de filosofia.

Entre os senhores que elaboram estas perguntas não faltam autores com mestrados e doutoramentos - o que prova a mediocridade de muitos destes graus académicos em universidades que só querem facturar dinheiro e vender diplomas.

Desejo boa sorte no exame à Luna. Cumprimentos.


De Luna a 14 de Junho de 2014 às 00:41
Uma questão, eu estava aqui a fazer os exercicios de lógica aristotélica que foram avaliados em exame no decorrer dos tempos, e peço a sua atenção para o exame de 2013 da segunda fase, Grupo II, no percurso A, na pergunta 2.A, nos critérios de correção é apresentado um silogismo dito válido que decorre de uma falácia existencial, dizendo eles que AAI, é correto. Será possivel isto estar nos critérios de exame no ensino secundário, ainda por cima uma falácia básica como esta?! Corriga-me se estiver errada, mas não acho que isto esteja correto.


De Francisco Limpo Queiroz a 14 de Junho de 2014 às 05:28

Se bem percebo a que pergunta a Luna se refere, é a seguinte desse exame

«PERCURSO A
2. A. Considere os termos seguintes.
Termo maior – «convincentes».
Termo médio – «oradores».
Termo menor – «políticos».
Construa um silogismo categórico válido da terceira figura, utilizando os termos apresentados.
Indique o modo do silogismo construído.»

A meu ver, responde-se assim:

Todos os oradores são convincentes.
Alguns oradores são políticos.
Alguns políticos são convincentes.

O modo do silogismo é AII, um modo válido.

O modo AAI é válido na 3ª figura como prova o seguinte silogismo:

Todos os oradores são convincentes.
Todos os oradores são políticos.
Alguns políticos são convincentes.


De Luna a 14 de Junho de 2014 às 14:12
Eu respondi tal como o senhor professor respondeu, pois pareceu o mais correto.
Bem, pensava que tinha ocorrido uma falácia existencial, obrigada pela explicação!


De Francisco Limpo Queiroz a 14 de Junho de 2014 às 14:54
De nada, Luna. Espero que a Lua Cheia de hoje, sábado, irradie boas influências sobre os alunos que fazem exame de Filosofia neste 17 de Junho.


De Luna a 14 de Junho de 2014 às 19:54
Sabe que maior parte dos alunos que fazem exame a Filosofia é para fugir a uma das disciplinas que normalmente estão a exame,no meu curso Fisica Quimica A e Biologia e Geologia A... Encaram este exame como uma fuga, e os resultados são o que são, já que é só " fazer e já tenho o ano passado", por isso muitas vezes a discrepância entre a média interna e o exame. Eu optei por fazer este exame porque o meu futuro não passava por Fisica Quimica A, esclarecendo, não precisava como prova de ingresso, já Filosofia é diferente, como tenho em opção cursos como Filosofia e Direito ( entre outros), é sempre importante ter este exame feito... Mas sinceramente estou um " bocado aterrorizada", levo um 18 a exame como média interna, mas exame é exame, não sei se o vou conseguir manter, ainda por cima com este tempo de estudo e com a proximidade do exame de Biologia. E na segunda fase são dias seguidos, muito stressante, ás vezes são 4 da manhã e eu acordada, não a estudar mas sim por não conseguir dormir. Enfim, desculpa o desabafo.


De Francisco Limpo Queiroz a 14 de Junho de 2014 às 22:03
Sim, Luna, sei que o exame nacional de Filosofia é uma escada de emergência para escapar ao fogo da Física e Química A e da Biologia e Geologia A. O seu testemunho do stress da aluna que vai a exame ( «na segunda fase são dias seguidos, muito stressante, ás vezes são 4 da manhã e eu acordada, não a estudar mas sim por não conseguir dormir») é elucidativo de uma situação que abrange milhares e milhares de adolescentes.


De Luna a 14 de Junho de 2014 às 22:33
E uma coisa que eu acho, os exames não refletem nem um pouco o trabalho dos alunos durante o ano letivo e há professores/ pais que simplesmente não entendem isso, pensam que é só chegar lá e fazer, que nós temos muito tempo para estudar mas não aproveitamos bem, não é nada disso...
Por exemplo, a Biologia e Geologia A, são imensas escolhas multiplas, á volta de uns 12 valores, veja bem, quem errar muitas não tem hipótese de uma nota razoável sequer... E escolhas multiplas destas a Filosofia, tão ambiguas, não ajudam em nada também. E uma questão acerca da matéria de 10º ano, considera a parte da relação de Aristósteles e o Estado importante para exame? E a parte de Kant na religião? Nas orientações nem lá aparece, mas nunca se sabe...


De Francisco Limpo Queiroz a 14 de Junho de 2014 às 22:40
Sim, os alunos estudam a correr várias disciplinas, o tempo é escasso. Não lhe sei dizer, Luna, a relevância de Aristóteles e Kant para o exame. Há manuais escolares que nem sequer abordam Kant - a meu ver, porque os autores não percebem o idealismo transcendental kantiano. É habitual sair Descartes e David Hume além de Karl Popper.


De Luna a 15 de Junho de 2014 às 01:17
Também Kuhn, Rawls,lembro-me de ter visto uma questão sobre Locke, mas de Aristóteles e Kant na religião nada. Senhor professor, poderei colocar aqui eventuais questões que me surjam durante o estudo?


De Francisco Limpo Queiroz a 15 de Junho de 2014 às 01:54
Claro que pode, Luna. Estamos cá para responder a questões e gerar conhecimento filosófico.


De Luna a 16 de Junho de 2014 às 01:40
A minha dificuldade maior está em Kant. O que se entende mesmo por autonomia da vontade?


De Francisco Limpo Queiroz a 16 de Junho de 2014 às 09:17
Autonomia da vontade é o facto de a vontade racional, nascida no eu numénico, ser independente dos instintos e pressões sociais.
Exemplo: «Vou proclamar a verdade, como é meu imperativo categórico, apesar das ameaças de vir a perder o emprego e da tentativa de comprarem com dinheiro o meu silêncio».

Há uma vontade inferior, heterónoma, escravizada aos instintos e interesses materiais.


De Luna a 17 de Junho de 2014 às 12:41
Boas senhor professor. Acabei de fazer o exame e tenho a dizer que algumas múltiplas eram vagas, o que me levou fazer pelo menos 3 mal, de resto, não era muito fácil, mas fez-se. Só o tempo é que não era muito, mesmo com a tolerância, faltavam 10 minutos e eu com a lógica e as múltiplas por fazer! Acho que nem vou ver os critérios agora, quando sair a nota vejo, quanto mais fico a pensar nisto pior.


De Francisco Limpo Queiroz a 17 de Junho de 2014 às 14:01
Boa tarde, Luna. É verdade que havia perguntas de escolha múltipla construídas de forma ambígua (mal construídas) neste exame nacional de filosofia. Em breve, espero expor neste blog os pontos fracos deste exame que não prestigia a disciplina. Não se incomode: faça epokhê, suspenda o juízo do tipo «será um horror se tiver má nota», etc.


De Luna a 17 de Junho de 2014 às 16:19
Pois havia, houve colegas meus que acertaram justamente por não pensarem muito acerca...Eles não valorizam a disciplina, o que interessa é "Matemática, Biologia, Quimica", enfim. Eu sei que positiva tenho, mas é aquela coisa de "fui com 18, é muita responsabilidade".


De Francisco Limpo Queiroz a 17 de Junho de 2014 às 18:03
Também os autores deste exame de Filosofia não pensaram muito, Luna.


De Luna a 17 de Junho de 2014 às 22:08
Que prova mais desvalorizada a nivel nacional! Eu até nem a posso precisar, mas enerva fazer um exame destes, que por sua vez foi feito por pessoas que o fizeram de qualquer maneira. Não acredito que não hajam professores devidamente qualificados para fazerem um exame digno, mas não...Este ensino português tem muito que evoluir.


De Francisco Limpo Queiroz a 18 de Junho de 2014 às 13:18

Já houve exames nacionais de filosofia pior concebidos do que este, Luna. (Já publiquei a crítica a este exame de 17 de Junho de 2014 neste blog).

É um exame razoavelmente acessível aos alunos, embora com erros de construção. Quando nos livrarmos da ditadura logicista da «filosofia analítica» - a filosofia dos «robôs» doutorados - será possível estruturar outro tipo de programa de filosofia e de testes de exame.


De Luna a 18 de Junho de 2014 às 13:29
Lá isso já, já vi piores do que este,sim. Quem faz estes exames é quem precisamente? Olhe, eu estou aqui com uma dúvida, eu comecei a fazer o teste a começar pelas de desenvolvimento e deixei as de escolha multipla para o fim, e quando faltava muito pouco para acabar o tempo fui fazer as multiplas e não tenho a certeza se coloquei o grupo correspondente. Isso é corrigido com a ausência do grupo? :/


De Francisco Limpo Queiroz a 18 de Junho de 2014 às 16:12
Não sei, de momento, dar lhe a resposta exacta mas julgo que desde que o corrector identifique a sua resposta deve analisá-la e cotá-la.


De Luna a 18 de Junho de 2014 às 16:24
É que eu tive a ver as orientações dos critérios e diz que só são anuladas as escolhas múltiplas se não se indicar a versão ( e felizmente esta tenho a certeza que meti em todas as folhas de prova). Está a dizer também que "...em caso de omissão ou de engano na identificação de uma resposta, esta pode ser classificada
se for possível identificar inequivocamente o item a que diz respeito.", que foi praticamente o que o senhor professor respondeu. Vou ter de ter muito mais cuidado para a próxima, enganos destes saem caro. Posso-lhe perguntar se costuma corrigir provas nacionais?


De Francisco Limpo Queiroz a 18 de Junho de 2014 às 20:30
Já tenho corrigido provas de exame nacional.


De Luna a 18 de Junho de 2014 às 21:04
E o que costuma observar? Os alunos em geral vão bem preparados?


De Francisco Limpo Queiroz a 18 de Junho de 2014 às 21:20
O conteúdo da prova de exame é uma porção bastante reduzida daquilo que costumo dar ao longo do 10º e 11º anos- reducionismo do exame. Dou Kant, na teoria do conhecimento ( númeno/ fenómeno; intuição sensível, conceito puro e conceito empírico, ideia, etc) e o exame habitualmente, não foca este Kant idealista. Dou Paul Feyerabend e o seu anarquismo epistemológico (apoio à acupunctura, astrologia, naturopatia, etc). Dou realismo (ingenuo, critico, idealismo, fenomenologia). O exame nada pergunta disto.

Como quer que eu saiba que os alunos vão bem preparados?


De Luna a 19 de Junho de 2014 às 00:21
Eu não dei nada disso em Kant, o meu professor limitou-se ao que vinha no livro e acabou ali, como maior parte dos professores fazem. A minha questão foi mal formulada,peço desculpa, eu estava a perguntar num sentido de avaliação, se as notas eram boas, ou se não eram a nivel dos exames que corrigiu, ou seja, o grau de interesse que os alunos demonstravam na prova que efetuavam. Não sei se estou a ser demasiado ambigua, se estiver, desculpe.


De Francisco Limpo Queiroz a 19 de Junho de 2014 às 00:31
Luna, até à publicação das notas de exame a 11 de Julho nenhum corrector deve produzir comentários sobre as notas registadas. E eu não lhe disse se sou ou não corrector. É matéria de sigilo.


De Luna a 19 de Junho de 2014 às 02:27
Eu não me estava a referir a este ano. Mas entendo que tenha de haver confidencialidade. Desculpe.


De Francisco Limpo Queiroz a 19 de Junho de 2014 às 09:22
Não tem problema.


De Luna a 19 de Junho de 2014 às 14:20
E olhe, precisava de uma opinião, esta não tem qualquer problema, penso eu. O que é que o senhor professor acha de se querer tirar um curso em Filosofia nestes tempos que correm? Para que tipo de trabalhos isso dá para alem do ensino?


De Francisco Limpo Queiroz a 19 de Junho de 2014 às 15:45
Como sabe, Luna, há muito poucas vagas no ensino em filosofia em Portugal. Algumas empresas poderão contratar uma filósofa para criar bom ambiente no trabalho ou dar ideias no plano do marketing: uma editora de livros, uma empresa de consultadoria, etc. Antigamente, o licenciado em Filosofia podia seguir carreira diplomática: cônsul, embaixador, etc. Hoje já há licenciaturas nessa área. Eu acho que se puder montar o seu próprio negócio é bom tirar um curso de Filosofia...


De Luna a 20 de Junho de 2014 às 00:56
Não é que eu me importasse de seguir a via de ensino, porque gosto de explicar as coisas e gosto de ver que me faço entender e que consigo ajudar alguns colegas que têm mais dificuldade na disciplina, mas é muito instável, então a Filosofia, que só existe no Secundário...Mas depois é aquela coisa de não ficar colocada e etc.
E o que se entende por criar o próprio negócio? E mais uma coisa, qual foi a razão de o senhor professor ter escolhido este curso?


De Francisco Limpo Queiroz a 20 de Junho de 2014 às 12:42
Olhe, Luna, eu escolhi Filosofia em 1972 depois de estudar alguns meses no segundo ano de engenharia civil em Coimbra, farto da aridez da matemática e da física, e apaixonado pela luta política contra o fascismo de Marcelo Caetano e Américo Tomaz.

E Filosofia era o que mais se coadunava com a cultura política de resistência à ditadura: havia livros de Marx, Lenin, Mao, Sartre, Wilhem Reich e outros a sair, vendidos, por exemplo, em certas livrarias do Porto (Leitura, Unicepe, etc) até que a PIDE-DGS os apreendesse e nós devorávamos essas leituras. Foi aí que assimilei a dialética - coisa que os doutorados de hoje, em especial da filosofia analítica, não sabem muito bem o que é.

Criar o próprio negócio é o que a Luna quiser e puder fazer (com o capital de que disponha). Pode criar uma pastelaria, sendo licenciada em Filosofia, e fazer os pastéis Descartes, as queijadas Hegel, etc. Pode fazer agricultura biológica e um workshop de filosofia no mês de Agosto, usando a internet, etc...


De Luna a 20 de Junho de 2014 às 14:54
Então pode-se dizer que a Filosofia no meio do ambiente que estava instalado na altura era uma "fuga" aos ideais que eram impostos na época em Portugal?
E porque escolheu ser professor de Filosofia? Foi por alguma razão especial?
E desculpe se estou a fazer demasiadas perguntas.


De Francisco Limpo Queiroz a 20 de Junho de 2014 às 15:21
A Filosofia era uma via essencial da liberdade que urgia instaurar em Portugal em 1972-1974. Ser professor de Filosofia foi a consequência natural de me ter licenciado nesta área já anos após a revolução de Abril de 1974-Novembro de 1975 e foi também consequência de eu sentir vocação, conhecimento teórico sólido, que é a base do exercício da docência em humanidades.


De Luna a 20 de Junho de 2014 às 17:01
Ora lá está. Hoje em dia há muita gente ( pelo menos as pessoas que eu conheço), a licenciar-se em Filosofia apenas porque não teve média para mais nada e encontrou ali um curso só mesmo para ter um papel no final e dizer que tem , e alguns deles nem sequer gostaram da disciplina no Secundário, quanto mais.
Aqui há uns meses vi uma noticia no Público, sobre um jovem que estava a "dar cartas" na Filosofia, o que não faltou nos comentários da noticia foi pessoas a afirmarem que a Filosofia não leva a lado nenhum e é uma perda de tempo e que só leva ao desemprego, porque " pensamentos leva-os o vento", enfim, entristece um bocado ver a mentalidade portuguesa.


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