Quarta-feira, 16 de Setembro de 2020
Equívocos de Hegel: o uno é tão abstrato como a forma universal?

 

"Fenomenologia do Espírito" é um livro enfadonho de Hegel (Estugarda, 27 de agosto de 1770 – Berlim, 14 de novembro de 1831), excessivamente esquemático, a prefigurar o raciocínio fragmentado da filosofia analítica, e com subtis paralogismos, sem embargo de conter algumas ideias notáveis. O mestre alemão da dialética na universidade de Berlim na primeira metade do  século XIX, que Schopenhauer classificava de charlatão, tem, na verdade, erros teóricos, ambiguidades,  na sua exposição. 

 

No texto abaixo afirma Hegel, por exemplo, que o uno e a forma da universalidade são contrários e igualmente abstractos. Isto é um erro. E fala na forma do uno. Mas o uno tem forma? O uno é sem forma e esta inscreve-se no uno, não é abstrata, ou pelo menos, não é  tão abstracta como ele. Do sem forma à forma universal (e esta é: o triângulo, o hexágono, o círculo, o cubo, a esfera, a pirâmide, etc.) vai um passo no sentido do concreto. Entendendo habitualmente o termo autoconsciência como a consciência do indivíduo isolado, Hegel escreveu:

 

«3.A contradição na autoconsciência»

«O trânsito opera-se da forma do uno à forma da universalidade, de uma abstração a outra, do fim do puro ser para si que rejeitou a comunidade com outros, ao puro contrário, que é com isso um ser em si igualmente abstrato.» 

(G.W.F. Hegel, Fenomenología del Espíritu, Fondo de Cultura Económica, México, 2007, pag. 216)

 

NÃO HÁ MEDIAÇÃO ENTRE A VIDA E A MORTE? O PRAZER É UM MEDIADOR COM A ESSÊNCIA?

 

Hegel sustenta erradamente que não há mediação entre a vida e a morte. Então e o estado de vida vegetativa, o coma? Não é um mediador entre a vida e a morte? Hegel escreveu:

 

«Este trânsito do ser vivo à necessidade carente de vida manifesta-se ante ele, portanto, como uma inversão sem mediação alguma. O mediador tinha que ser aquilo  em que ambos os lados formavam uma unidade, em que a consciência, portanto, reconhecia um momento no outro, reconhecia o seu fim e o seu operar no destino e o seu destino no seu fim e no seu operar, reconhecia a sua própria essência em esta necessidade. Mas esta unidade é para esta consciência precisamente o próprio prazer ou o sentimento simples, singular e o trânsito do momento de este seu fim ao momento da sua verdadeira essência é, para esta consciência, um puro salto ao contraposto; com efeito, estes momentos não se entrelaçam no sentimento mas no puro si mesmo, que é um universal ou o pensamento. »

(Hegel, ibid, pág. 217; o destaque a negro é posto por mim)

 

Por que razão o prazer é o mediador, se se contrapõe à essência, isto é, ao outro, à comunidade? Há uma certa ambiguidade nestas reflexões. 

 

A filosofia de Hegel move-se mecanicamente em um mecanismo triádico, assenta em três ideias básicas: o em si, isto é, o ser, abstracto e universal; a essência, isto é, o  contrário do em si, o ser desdobrado, o ser que se contêm a si e ao outro ; o para si, isto é, o ser que desfaz o desdobramento e se recolhe, enriquecido pela experiência, pelo contacto com a comunidade.

 

O MOVIMENTO DE ALIENAÇÃO É SIMULTANEAMENTE LIBERDADE DO SER E NECESSIDADE?

 

Ao referir-se à forma superior do espírito, isto é, ao espírito absoluto que é a filosofia ou a racionalidade de Deus/ Ideia Absoluta, Hegel escreve: 

«3.O espírito concebido no seu retorno à imediatez, que é ali

 

«Assim pois, no saber do espírito, fechou-se o movimento de configuração, ao ser ele mesmo afectado pela diferença superada da consciência. O espírito conquistou o puro elemento do seu ser ali, o conceito. O conteúdo é, segundo a liberdade do seu ser, o si mesmo que se aliena ou a unidade imediata do saber de si mesmo. O puro movimento de esta alienação constitui, considerado enquanto ao conteúdo, a necessidade de este.»

(Hegel, ibidem pág.471)

 

Há, nestas passagens de Hegel, uma incoerência: primeiro, afirma que o conteúdo - exemplifiquemos: o Estado surgido da revolução francesa de 1789-1799 é um conteúdo em que o Espírito Deus se aliena ou separa de si mesmo - surge como liberdade do ser, depois diz que a alienação quanto ao seu conteúdo é necessidade, isto é, lei obrigatória, infalível que exclui a liberdade. Conteúdo livre e ao mesmo tempo necessário. Há aqui uma violação do princípio da não contradição...Tudo isto se permite a Hegel porque é grande na linguagem abstracta onde o transvase ilegítimo de conceitos ocorre.

 

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Sábado, 12 de Setembro de 2020
Hegel opõe-se ao cristianismo do Evangelho de São João

 

Em um debate com intelectuais jesuítas que postulam, citando Hegel e Heidegger, ser possível unir religião e filosofia, superando o dualismo ontológico da velha metafísica, discordo. Sustento  que a união da religião e da filosofia é uma impossibilidade. Lembro que não existe a religião mas múltiplas religiões e também não existe a filosofia mas múltiplas filosofias. É claro que Hegel usa a razão (Vernunft), a arma do pensamento holístico ( «A verdade é o todo») para integrar a religião sob as abóbadas da SUA filosofia. Ele escreveu :

 

«O Reino de Deus é, antes de mais, a Igreja Invisível, que engloba todas as regiões e as diferentes religiões; em seguida, a Igreja exterior.»

«Na igreja Católica, a comunidade cinde-se em sacerdotes e leigos. Aqueles são os plenipotenciários e exercem a força. A reconciliação com Deus torna-se, em parte, externa; domina sobretudo entre os católicos, uma realidade não espiritual da religião. Entre os protestantes, os sacerdotes são apenas mestres. Na comunidade, todos são iguais perante Deus como espírito presente da comunidade. As obras, como tais, são impotentes. Interessa a fé, a disposição de ânimo. O mal conhece-se como nada em si e por si. Esta dor deve penetrar o homem. Ele deve receber livremente a graça de Deus...(George Wilhelm Friedrich Hegel, Propedêutica Filosófica, Edições 70, pág. 84)

 

Na primeira carta as cristãos, capítulo 2, São João sustenta que o cristianismo implica não amar o mundo, a concupiscência da carne, e ainda que o Anticristo - e aí poderíamos incluir o judaísmo,o islamismo, o budismo, o hinduísmo, as religiões animistas - é aquele que nega o Pai e o Filho Jesus Cristo:

«4 Eu vos escrevi, pais, porque já conhecestes aquele que é desde o princípio. Eu vos escrevi, jovens, porque sois fortes, e a palavra de Deus está em vós, e já vencestes o maligno.
15 Näo ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai näo está nele.
16 Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, näo é do Pai, mas do mundo.
17 E o mundo passa, e a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre.
18 Filhinhos, é já a última hora; e, como ouvistes que vem o anticristo, também agora muitos se têm feito anticristos, por onde conhecemos que é já a última hora.
19 Saíram de nós, mas näo eram de nós; porque, se fossem de nós, ficariam conosco; mas isto é para que se manifestasse que näo säo todos de nós.
20 E vós tendes a unçäo do Santo, e sabeis tudo.
21 Näo vos escrevi porque näo soubésseis a verdade, mas porque a sabeis, e porque nenhuma mentira vem da verdade.
22 Quem é o mentiroso, senäo aquele que nega que Jesus é o Cristo? É o anticristo esse mesmo que nega o Pai e o Filho.»

 

E no Evangelho de São João, 14: 5-8, o apóstolo assegura que a única via para chegar ao Paraíso, ao Pai Celeste, é Jesus Cristo:


5Disse-lhe Tomé: «Senhor, não sabemos para onde vais, como podemos nós saber o caminho?» 6*Jesus respondeu-lhe: «Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém pode ir até ao Pai senão por mim. 7*Se ficastes a conhecer-me, conhecereis também o meu Pai. E já o conheceis, pois estais a vê-lo.»

 

Hegel é, portanto, um corruptor do cristianismo ascético, tal como os últimos papas da igreja católica romana, ao defender que todas as religiões e regiões constituem a igreja universal. O cristianismo autêntico  é dualista, opondo-se ao ateísmo e às religiões do anti Cristo, ou não é cristianismo e mergulha na sopa do ecumenismo como hoje sucede. 

 

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Segunda-feira, 7 de Setembro de 2020
Reflexões breves de Setembro de 2020

 

1- LEVANTAR CALÇADA BELA E COLOCAR EM SEU LUGAR EMPEDRADO FEIO OU COMO AS CÂMARAS FAVORECEM OS SEUS EMPREITEIROS... 5 de Setembro de 2020. Frente ao cinema Melius, em Beja, há uma paragem de autocarro. Passo aí e fico espantado e desiludido: mandaram os operários arrancar as pedras de calcário branco, que faziam um belo passeio, e começaram a colocar grandes blocos de pedra cinzenta, feia. E os moradores da zona não protestam? E a Associação de Defesa do Património nada diz? A câmara municipal (ou melhor 4 pessoas, um directório restrito: o presidente Dr. Paulo Arsénio e 3 vereadores socialistas) decidiu, segundo um critério obscuro, adjudicar esta obra a um empreiteiro. Para quê? Com que contrapartidas?
 
 
Também no Largo Dr. Lima Faleiro e na Rua D. Diniz, adjacentes ao castelo de Beja, há obras de substituição do empedrado da rua por grandes blocos de granito velho e mudanças (para maior fealdade) do pavimento dos passeios. O custo total elegível desta obra é 634.117, 65 euros sendo o apoio financeiro da UE é de 539.000 euros. Para quê isto tudo? Porque não investir em centros de investigação e novas tecnologias?
 
 
Haverá aqui um mecanismo de corrupção? A regra geral de corrupção em muitas autarquias locais é esta: o presidente da câmara adjudica, por exemplo, por 300 000 euros uma obra a uma empresa e esta devolve à sucapa, em envelopes, 10% para o presidente da câmara (neste caso 30 000 euros) e 5% para o partido do presidente (neste caso 15 000 euros).

 

2- AS PESSOAS QUE FAZEM SEXO FÍSICO NÃO SÃO FELIZES PORQUE SE PREOCUPAM EM REPETIR OS ORGASMOS, INCORREM EM CIÚMES, MEDO DE PERDER O SER "AMADO"/DESEJADO, ETC. Só estando em Deus, sem pedir nenhum consolo sexual - pois o desejo sexual foi despertado por Satã, a Serpente do Paraíso Terrestre- só orando tranquila e constantemente pela salvação das almas dos familiares, amigos, inimigos e desconhecidos se encontra a felicidade. Peçamos a Jesus o Amor sem desejos sexuais, o Amor verdadeiro a todos, sem falar mal de ninguém (excepto dos políticos corruptos, dos ladrões e dos pedófilos, dos maridos violentos, dos satanistas, dos capitalistas sem piedade dos desfavorecidos).

 

3- O MAIOR DOS ERROS NÃO É USAR MÁSCARA: É VACINAR-SE PORQUE ISSO INTRODUZ PARA SEMPRE O VÍRUS DO COVID, MERCÚRIO E ALUMÍNIO NO ORGANISMO. Não te infectes com a vacinação! Esta visa controlar a tua mente e alterar o código genético! O corpo é teu e é sagrado! Vacinar é violar a integridade física! As vacinas nunca reduziram as doenças, as estatísticas não levam em conta os factores decisivos: a alimentação saudável (frutos, legumes frescos, peixe, levedura de cerveja, etc.) a higiene corporal, o vestuário adequado, o sono nocturno, a prática do desporto, as longas caminhadas ao ar puro, a oração a Deus, são o que elimina as doenças «infeciosas» e outras. A OMS é a maldade «científica».

 

4-SINCRONISMO ONTOFONÉTICO. Em 6 de Setembro de 2020, as ideias de VIOLINO e de LÍNGUA emergem: a RTP emite, a partir de Carrazeda de Ansiães, o programa «Aqui Portugal» no qual uma jovem aparece a tocar VIOLINO, em «A Pracinha», cafetaria-livraria no centro de Beja, Ana Santos toca VIOLINO em um espectáculo musical ao ar livre muito concorrido, um acidente, ao início da tarde entre um carro e uma ambulância dos Bombeiros de Vila Praia de Âncora provoca oito feridos, um deles, uma mulher, vítima grave, que partiu o braço e ficou hematomas na cabeça, e outro um menino de 9 anos que é ferido na LÍNGUA, na EN13, em Carreço, Viana do Castelo, leio um documento da igreja de Palmar de Troya que refere que, em 21 de Julho de 1980, Clemente, o papa cego andaluz, rezou ante a LÍNGUA incorrupta de Santo António no santuário de este, em Pádua..

 

5- CUIDA DE REZAR O ROSÁRIO VÁRIAS VEZES AO DIA. ESTÁS MAIS PERTO DA MORTE DO QUE PENSAS. O tempo voa. A Virgem Santa Maria socorrer-te-á no momento da morte se desde já a invocares e louvares com 50 Avé Marias, 5 Pai Nossos e 5 Glórias em cada 20 minutos. Não sigas o ateísmo e o agnosticismo reinantes. Não tenhas medo de ficar isolada/o diante de as tuas amigas e amigos, ante os conhecidos e desconhecidos. Se os ateus crêem no átomo que não vêem porque não poderemos nós acreditar em Deus que não vemos mas inteligimos? Fala com a Virgem: «Santa Mãe do Céu, santifica-me. Dá-me saúde, Amor divino e castidade! A mim e aos meus familiares, colegas e vizinhos. A impureza da sexualidade livre leva muitas almas ao inferno disse a Virgem em Fátima em 13 de Julho de 1917».

 

6- SINCRONISMO ONTOFONÉTICO - De 2 a 4 de Setembro de 2020, as ideias de CASTELO, ALEXANDRA, FLOR, CRUZ e ANJO emergem: no dia 2, o presidente de CASTILLA (evoca: CASTELO) La Mancha pede o confinamento da «bomba pírica» que é a região de Madrid onde a pandemia aumenta, noticia-se que no Brasil a deputada FLORdelis e o seu marido, o pastor evangélico Anderson do Carmo Souza, entretanto assassinado, tinham relações sexuais com alguns dos seus 55 filhos adoptivos; no dia 3, noticia-se que o enfermeiro do Hospital de Beja José António da CRUZ , de 65 anos, está desaparecido desde o dia 31, empresto a um amigo o livro «Padre Pio e os ANJOS», defendo no FB a CASTIDADE (evoca: CASTELO) como virtude esquecida na actual sociedade hedonista, apresentam-me provas de que Francisco Marques venceu o concurso para Director de Cultura da Câmara Municipal de Beja mas foi ilegalmente preterido a favor da militante socialista FLORBELA Fernandes, escolhida pelo júri a 5 de Dezembro de 2019 para o cargo quando ainda faltava fazer em 19 de Dezembro a entrevista à candidata Isabel ; no dia 4, Jorge SERAFIM ( SERAFIM é um ANJO com seis asas, segundo a angeologia), contador de histórias bejense, é entrevistado por Júlio Magalhães no Porto Canal. ALEXANDRA Vieira, deputada do BE, visita o Museu Regional de Beja, ALEXANDRA C. comenta uma publicação minha crítica da disciplina de Educação para a Cidadania, o programa da manhã da RTP é transmitido a partir dos jardins do paço episcopal de CASTELO Branco, encontro por "milagre" uma pagela DE ORAÇÃO do santo padre Francisco Rodrigues da CRUZ, com relíquia de pano, que perdera há anos.

 

7-TANTOS IMIGRANTES NEGROS E INDIANOS EM BEJA! A cidade mudará no prazo de 10 ou 20 anos, islamizar-se-á. Ora o islamismo é um perigo para a Europa no plano político-religioso tal como o chinesismo, a expansão económica da China, é um perigo para a Europa . Os anti racistas são muitas vezes racistas ao contrário. Não faças mal a nenhum indiano ou paquistanês ou a nenhum africano. Reza o rosário. Casa com uma alentejana, não uses preservativos e faz-lhe filhos. Precisamos de aumentar a nossa etnia caucasiana. Tudo o resto é utopia, ingenuidade.

 

8-DIÁLOGO SOBRE A FÉ RELIGIOSA E O SOFRIMENTO Hélder afirma: «A austeridade de outras épocas mais severas não pode servir de veículo a qualquer fé, especialmente se for inculcada, não dando hipótese de escolha.Percebo que a pobreza, a tristeza ou qualquer calamidade sejam instrumentos para a comiseração, mas pessoalmente, acredito que a fé em qualquer crença não deve ser um escape para o sofrimento, mas o resultado de uma reflexão profunda, íntima e estritamente pessoal, longe de qualquer pressão do contexto. » Respondo: «Eu penso, Hélder, que a fé nasce do sofrimento ou é correlativa deste e não vejo mal nenhum nisso. A reflexão pode vir depois. Nós, afinal, viemos ao mundo para sofrer - tese comum ao padre Pio de Pietrelcina e ao filósofo ateu Schopenhauer. Aliás, Álvaro Cunhal pensava mais ou menos o mesmo: sacrificar a vida pela classe operária ( o deus dos comunistas idealistas) e pela fé na sociedade igualitária comunista como ele fez, aceitar o sacrifício pessoal ao ser torturado sem falar e preso anos a fio em celas isoladas, é ter fé num ideal terrestre. O comunismo é uma religião da imanência, dizia Fernando Pessoa.»

 

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Sábado, 5 de Setembro de 2020
Erros no Exame nacional de Filosofia (Prova 714) de 4 de Setembro de 2020

 

O Exame Final Nacional de Filosofia, do 11º ano  de escolaridade em Portugal, Prova 714, 2ª fase, de 4 de Setembro de 2020, enferma de diversos erros. É lamentável que o ministério da Educação mantenha, de ano a ano, na autoria desta prova o mesmo  professor ou grupo de professores da linha da filosofia analítica, isto é, de um pensamento fragmentário e desconexo que ignora hierarquizar, dialeticamente, os conceitos. Estamos na mão de incompetentes que deviam ter a humildade de dar o lugar a quem pensa melhor que eles e sabe elaborar provas de exame nacional isentas de erros teóricos. Vejamos algumas das questões de escolha múltipla («só uma resposta correcta de entre quatro» ) mal construídas desta prova de exame na versão 1.

 

6) De acordo com Hume as nossas expectativas acerca das realidades futuras devem-se:

(A) Ao intelecto, ou razão.

(B) ao hábito ou costume.

(C) à uniformidade da natureza.

(D) à ideia inata de causalidade.

 

Crítica: Há três respostas correctas e não apenas uma, a B, como pretendem os critérios de correção oficial. Na verdade, não é apenas o hábito que nos leva a formular a crença na sucessão de causas e efeitos - o hábito apenas fornece o dado empírico - mas também a ideia inata de causa-efeito, uma das sete relações filosóficas que Hume admite serem a priori, inatas, na mente humana. David Hume escreveu: «Há sete espécies de diferentes de relação filosófica: semelhança, identidade, relações de tempo e lugar, proporção de quantidade ou número, graus de qualidade, contrariedade e causação. Podem dividir-se estas relações em duas classes:as que dependem inteiramente das ideias que comparamos entre si e as que podem variar sem qualquer mudança de ideias. (David Hume, Tratado da Natureza Humana, pag 103, Fundação Calouste Gulbenkian). Por conseguinte, as expectativas sobre o futuro não poderiam surgir se não houvesse em nós a causação ou ideia inata de causalidade (hipótese D) gerada no intelecto (hipótese A).

 

7. Selecione a opção que diz respeito ao problema da definição da arte.

(A) Uma instalação feita de lixo é uma obra de arte apenas por ser exposta numa galeria ou num museu?

(B) Será que a arte deve ter compromissos morais e educativos?

(C) Será que sem a arte a vida se tornaria desinteressante?

(D) A intenção do criador ou do artista é relevante para compreender o significado de uma dada obra de arte?

 

Crítica: Ainda que pareça óbvio que a hipótese A remete directamente para a definição de obra de arte, não é possível ignorar que as hipóteses D - a intenção do artista ser levada em conta para definir obra de arte - e B - a arte deve ou não educar e veicular ética - dizem respeito ao problema da definição de arte. Há pois três respostas correctas, A, B e D e não apenas uma.

 

8) Se um dado objecto não for considerado uma obra de arte  com o argumento de ser impessoal e não comover, a teoria da arte implicitamente admitida como correcta é a teoria 

(A) formalista.

(B) expressivista.

(C) institucional.

(D) histórica.

 

Crítica: a questão está claramente mal construída. Não há uma única mas pelo menos duas definições diferentes de teoria formalista na arte. Se por teoria formalista se entende a teoria de Clive Bell da forma significante (1881-1964) então esta é uma teoria expressivista - «O ponto de partida de todos os sistemas de estética tem de ser a experiência pessoal de uma emoção peculiar. Aos objectos que provocam esta emoção chamamos "obras de arte". (Clive Bell, "A Hipótese Estética" , in Carmo d´Orey, O que é a arte? A perspectiva analítica,  Dinalivro, 2007, p.29). Por conseguinte, não se pode pôr em alternativa expressivismo (B) e formalismo de Clive Bell (A) uma vez que esta última é uma teoria expressivista, identifica a obra de arte como objecto que expressa emoções. Formalismo em arte pictórica tem ainda outro significado: teoria que dá a preponderância às linhas rectas e às figuras geométricas sobre a cor nas pinturas, ou seja, a preponderância do esqueleto-forma sobre a «carne»/cor e a textura-conteúdo.

É ridículo colocar ainda as hipóteses teoria institucional e teoria histórica porque intersectam-se com formalismo e com expressivismo: haverá momentos da história em que a teoria formalista (qual: a de Clive Bel? Ou a da geometria sagrada hermetista?) se torna teoria institucional. É uma questão elaborada por quem não percebe nada de filosofia.

 

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Quinta-feira, 3 de Setembro de 2020
Santo António manifesta-se em 6º-10º e 19º-21º de Balança

 

As manifestações (aparições, visões, cerimónias eclesiásticas especiais, etc) de santos do catolicismo e de fenómenos místicos associados dão-se, em regra, em conexão com certos graus do Zodíaco. Estarão os santos e Nossa Senhora sujeitos ao determinismo planetário quando agem visivelmente no mundo terrestre? Ou simplesmente harmonizarão com as leis planetárias erigidas por Deus ou pelo Supremo Arquitecto do Universo para não violar a ordem cósmica?

 

Aparições de Santo António de Lisboa e exaltações universais deste ligam-se às áreas 6º-10º e 19º-20º do signo de Balança e às áreas opstas 28º-29º do signo de Gémeos e  0º do signo de Caranguejo e 28º-29º do signo de Sagitário e 0º do signo de Capricórnio. 

 

ÁREAS 6º-10º E 19º-21º DO SIGNO DE BALANÇA:

SANTO ANTÓNIO

 

A passagem do Sol, de um Nodo da Lua, do planetóide Quirón ou de um planeta nas áreas 6º-10º e 19º-21º do signo de Balança são condições necessárias mas insuficientes para gerar uma aparição ou visão de Santo António ou uma exaltação deste em documento pontifício.

 

Em 16 de Janeiro de 1946, com Neptuno em 8º 37´/ 8º 36´ de Balança, Quirón em 20º 58´/ 21º 0´ de Balança, o papa Pio XII proclama Santo António de Lisboa Doutor Evangélico da Igreja por meio da Carta Apostólica que começa assim: «Alegra-te, feliz Lusitânia; salta de júbilo, Pádua ditosa, pois gerastes para a terra e para o céu um varão que bem pode comparar-se com um astro rutilante»;  em 29 de Dezembro de 1949, com Vénus em 10º 9´/ 11º 20´ do signo de Balança, de madrugada, Santo António aparece a Maria da Purificação (Clara Abreu Ribeiro), mística, muito doente na sua cama na Quinta do Ferro, zona composta por três ruas A, B e C, nos limites das ruas Leite de Vasconcelos e de Entremuros do Mirante, na freguesia de São Vicente.em Lisboa.

 

Em 20 de Janeiro de 1950, com Marte em 8º 4´/ 8º 18´ de Balança, Santo António aparece e fica das 0 às 3 horas da madrugada no quarto de Maria da Purificação (Clara Abreu Ribeiro), mística, muito doente na sua cama na Quinta do Ferro, Lisboa, e o barulho feito pelo demónio desaparece com a vinda do santo; em 14 de Outubro de 1951, com Mercúrio em 20º 7´/ 21º 49´do signo de Balança, Santo António aparece no quarto de Maria Clara Mourato Abreu Ribeiro, mística doente, na Quinta do Ferro, Lisboa, paramenta-se e celebra missa aí.

 

Em 9 de Novembro de 1951, com Saturno em 10º 17´/ 10º 23´ do signo de Balança, Neptuno em 20º 14´/ 20º 16´ do signo de Balança,   Santo António aparece na Quinta do Ferro, Lisboa, no quarto de Maria Clara Mourato Abreu Ribeiro, mística estigmatizada doente, paramenta-se e celebra missa aí, ouvida por pessoas nos quartos adjacentes, e guarda o sagrado cálice na  mala do confessor de Clara, o padre holandês Gregório Verdonk, exorcista, e este, horas depois, descobre que, no bordo e na copa do cálice manejado por Santo António há cinco gotas de Sangue, duas gotas grandes e três mais pequenas, o que supõe ser Sangue de Cristo.

 

Em 10 de Novembro de 1951, com Saturno em 10º 23´/ 10º 30´ do signo de Balança, Neptuno em 20º 16´/ 20º 18´ do signo de Balança,   à noite, Santo António volta a celebrar missa na Quinta do Ferro, Lisboa, no quarto de Maria Clara Mourato Abreu Ribeiro, mística doente, e não usa o sagrado cálice guardado na  mala do confessor de Clara, cálice manchado com cinco gotas de Sangue, duas gotas grandes e três mais pequenas, o que supõe ser Sangue de Cristo;  em 11 de Novembro de 1951, com Saturno em 10º 30´/ 10º 36´do signo de Balança, Neptuno em 20º 18´/ 20º 20´ do signo de Balança, à noite, Santo António aparece na Quinta do Ferro, Lisboa, no quarto de Maria Clara Mourato Abreu Ribeiro, e mostra a esta estigmatizada doente, o sagrado cálice há cinco gotas de Sangue, duas gotas grandes e três mais pequenas, dizendo que aquele milagre do Sangue de Cristo foi dado  confessor de Clara, o padre holandês Gregório Verdonk, exorcista, como prova da veracidade de aquelas aparições.

 

Em 12 de Novembro de 1951, com Saturno em 10º 36´/ 10º 42´do signo de Balança, Neptuno em 20º 20´/ 20º 22´ do signo de Balança,  à noite, Nosso Senhor aparece paramentado na Quinta do Ferro, Lisboa e celebra missa sem missal, no quarto de Maria Clara Mourato Abreu Ribeiro, mística doente, que é repreendida por Santo António por misturar a sua extrema atenção com curiosidade, e Jesus mostra a Clara cinco grandes manchas de Sangue, ampliadas, no sagrado cálice do milagre de Santo António na noite de 9 para 10 de Novembro.

 

Em 13 de Junho de 1958, com Júpiter em 21º 49´/ 21º 48´do signo de Balança, dia da Festa do Sagrado Coração de Jesus morre rodeada da família  e do confessor, o padre holandês Gregório Verdonk, Maria Clara Mourato Abreu Ribeiro, mística estigmatizada, que via e ouvia Santo António que a visitava, na Quinta do Ferro, Lisboa.

 

Em 21 de Julho de 1980, com Marte em 5º 50´/ 6º 24´ do signo de Balança, Plutão em 19º 6´/ 19º 7´ do signo de Balança, o estigmatizado Clemente Dominguez, papa Gregório XVII da pequena igreja católica tradicionalista de El Palmar de Troya, visita com o seu séquito o santuário de Santo António, em Pádua, e reza ante a língua incorrupta do santo.

 

ÁREA 28º-29º DO SIGNO DE GÉMEOS  E 0º DO SIGNO DE CARANGUEJO:

SANTO ANTÓNIO

 

A passagem do Sol, de um Nodo da Lua, do planetóide Quirón ou de um planeta nas áreas 28º-29º  do signo de Gémeos e 0º do signo de Caranguejo  é condição necessária mas insuficiente para gerar uma aparição ou visão de Santo António ou uma exaltação deste em documento pontifício.

 

Em 13 de Junho de 1231, com Mercúrio em 29º 24´/ 28º 47´ de Gémeos, Vénus de 28º 54´ de Gémeos a 0º 8´de Caranguejo, Santo António de Lisboa, consumido por longa doença, falece em Arcella, Camposampiero, Itália, após um êxtase de meia hora em que vê Jesus, e logo que morre as crianças de Pádua correm a cidade gritando «Morreu o Santo! Morreu Santo António!»; em 16 de Janeiro de 1946, com Nodo Norte  da Lua em 29º 52´/ 29º 51´ do signo de Gémeos, Neptuno em 8º 37´/ 8º 36´ de Balança, Quirón em 20º 58´/ 21º 0´ de Balança, Nodo Sul da Lua em 29º 52´/ 29º 51´ do signo de Sagitário,  o papa Pio XII proclama Santo António de Lisboa Doutor Evangélico da Igreja por meio da Carta Apostólica que começa assim: «Alegra-te, feliz Lusitânia; salta de júbilo, Pádua ditosa, pois gerastes para a terra e para o céu um varão que bem pode comparar-se com um astro rutilante».

 

ÁREA 28º-29º DO SIGNO DE SAGITÁRIO E 0º DO SIGNO DE CAPRICÓRNIO:

SANTO ANTÓNIO

 

A passagem do Sol, de um Nodo da Lua, do planetóide Quirón ou de um planeta nas áreas 28º-29º  do signo de Sagitário e 0º do signo de Capricórnio  é condição necessária mas insuficiente para gerar uma aparição ou visão de Santo António ou uma exaltação deste em documento pontifício.

 

Em 14 de Outubro de 1951,com Quirón em 28º 7´/ 28º 11´do signo de Sagitário, Mercúrio em 20º 7´/ 21º 49´do signo de Balança, Santo António aparece no quarto de Maria Clara Mourato Abreu Ribeiro, mística doente, na Quinta do Ferro, Lisboa, paramenta-se e celebra missa aí;  em 9 de Novembro de 1951, com Quirón em 0º 2´/ 0º 7´do signo de Capricórnio,  Saturno em 10º 17´/ 10º 23´ do signo de Balança, Neptuno em 20º 14´/ 20º 16´ do signo de Balança,  Santo António aparece na Quinta do Ferro, Lisboa, no quarto de Maria Clara Mourato Abreu Ribeiro, mística doente, paramenta-se e celebra missa aí, ouvida por pessoas nos quartos adjacentes, e guarda o sagrado cálice na  mala do confessor de Clara, o pafre holandês Gregório Verdonk, exorcista, e este, horas depois, descobre que, no bordo e na copa do cálice manejado por Santo António há cinco gotas de Sangue, duas gotas grandes e três mais pequenas, o que supõe ser Sangue de Cristo;.

 

Os filósofos, os cientistas, os sociólogos, os astrónomos, são muito menos inteligentes do que se supõe porque desconhecem o determinismo planetário na vida social, física, política e cultural de cada ser humano, de cada empresa, nação e do conjunto da humanidade. Mas, além de desconhecer, negam com arrogância esse determinismo, conjunto de leis planetárias de causa (planeta em dado grau do Zodíaco)-efeito (acidente de comboio ou avião no país X ou Y, aparição da Virgem ou de santos à pessoa W ou Z). As universidades, a televisão, os jornais e revistas, os programas escolares as editoras estão corrompidos por um racionalismo de vistas curtas - na verdade, é um anti racionalismo porque a ratio, razão, é medida, até das posições planetárias distantes e dos acontecimentos na Terra que lhes são sincrónicos. A razão é holística, globalizadora, como diria Hegel, ao passo que o entendimento é analítico, fragmentário, vê a árvore mas não a floresta.

 

Fontes deste artigo:

Inês Leitão, O último exorcista de Lisboa, Editora Guerra e Paz, Lisboa, 2020

Neil F.Michelsen, The American Ephemeris for the 20th Century, San Diego, USA, 1991

 

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Quarta-feira, 26 de Agosto de 2020
Schopenhauer: impressão sensorial, palavra e conceito

 Artur Schopenhauer( Danzig, 22 de Fevereiro de 1788 — Frankfurt, 21 de Setembro de 1860) escreveu sobre as impressões sensoriais, as palavras e os conceitos:

 

«Só há uma coisa que não está sujeita a essa desaparição instantânea da impressão nem à paulatina difuminação da sua imagem, ou seja, que está livre do poder do tempo: o conceito. Nele têm de depositar-se os ensinamentos da experiência e só ele está apto para ser um guia seguro dos nossos passos na vida. Com razão diz Séneca: "Se queres submeter tudo a ti, submete-te à razão." Epístolas, 37, 4. Eu acrescento que para impor-se aos outros na vida real, a condição irrecusável é ser reflexivo, quer dizer, operar segundo conceitos. Um instrumento tão importante da inteligência, como é o conceito, não pode identificar-se com a palavra, este mero som que como impressão sensorial desaparece com o presente ou como fantasma auditivo desaparece com o tempo. Sem embargo, o conceito é uma representação, cuja clara consciência e cuja conservação está vinculada com a palavra. Por isso os gregos denominavam "palavra", "conceito", "relação", "pensamentos" e "razão", com o nome do primeiro: o lógos

 

(Schopenhauer, El mundo como voluntad y representación, 2, Alianza Editorial, Madrid, 2016, pp. 90-91 ; o destaque a negrito é posto por mim).

No entanto, o conceito por ser uma abstração indispensável elimina o conhecimento intuitivo:

«Ao meditar a abstração lança fora o equipamento inútil, para facilitar o manejo dos conhecimentos a comparar. Elimina-se das coisas reais o insubstancial e o confuso para operar com poucas, mas essenciais, determinações pensadas em abstracto. (...) Pelo contrário, uma nova compreensão só pode criar-se a partir do conhecimento intuitivo, o único fecundo para isso, com a ajuda do discernimento. Como ademais o conteúdo e a extensão circundante dos conceitos estão em relação inversa, po seja, quanto mais há sob um conceito, tanto menos é pensado nele, os conceitos formam uma graduação, uma hierarquia desde o mais particular até ao mais universal, em cujo extremo inferior leva razão o realismo escolástico, tal como o nominalismo a leva no extremo superior»

 

(Schopenhauer, El mundo como voluntad y representación, 2, Alianza Editorial, Madrid, 2016, pág. 92 ; o destaque a negrito é posto por mim).

 

Note-se que o realismo escolástico afirma a existência de essências universais aplicáveis à generalidade dos entes físicos - exemplo: o platonismo estabelece que os arquétipos de Homem e de Mulher existem, imóveis, em um mundo acima do céu visível e se projectam, de certo modo, nos milhões de homens e mulheres vivos - ao passo que o nominalismo diz que as essências ou ideias gerais não existem, são apenas abstrações, nomes, e só existem os indivíduos todos diferentes entre si, singulares. 

 

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Terça-feira, 25 de Agosto de 2020
Schopenhauer: causa e efeito não são simultâneos nem sujectivos nem meramente intelecto

 

Artur Schopenhauer( Danzig, 22 de Fevereiro de 1788 — Frankfurt, 21 de Setembro de 1860) refutou as teorias de Hume, Kant e outros sobre a natureza da causalidade, sobre a relação causa-efeito. Hume defendeu que não há uma relação objectiva, necessária, entre causa e efeito, estas duas noções resultam da nossa subjectividade,  do hábito, são uma das sete relações filosóficas inatas à mente humana, tal como a relação de semelhança, de tempo e lugar, de graus de qualidade e outras. Kant defendeu que causa-efeito e necessidade (causa e efeito infalívelmente ligados) são categorias do entendimento, isto é, conceitos intersubjectivos que aplicamos ao mundo empírico aparentemente real (idealismo transcendental) de modo a construi-lo e torná-lo «real» e compreensível (exemplo: o fósforo aceso lançado sobre a palha seca não é a causa do incêndio desta eu é que introduzo os conceitos de causa e efeito nesta sucessão de fenómenos). Schopenhauer escreveu: 

 

«Portanto, a teoria de Hume, segundo a qual o conceito de causalidade resulta simplesmente do hábito de ver suceder-se constantemente dois estados, encontra uma refutação fáctica na mais antiga de todas as sucessões, a saber a do dia e da noite, que a ninguém ocorreu tomar por causa e efeito uma da outra. E esta sucessão refuta igualmente a falsa afirmação kantiana de que a realidade objectiva de uma sucessão só é conhecida ao compreender os seus componentes na mútua relação de causa efeito. De esta teoria kantiana é verdade justamente o contrário, a saber, de dois estados vinculados só reconhecemos na sua sucessão, empiricamente, qual é a causa e qual é o efeito. Por outro lado, a absurda afirmação de que causa e efeito sejam simultâneos, como sustentam nos nossos dias alguns professores de filosofia, fica refutada pelo facto de que naqueles casos em que a sucessão não pode ser percebida por causa da sua grande celeridade, pese a isso não deixarmos de pressupor a priori o transcurso de um certo tempo; assim por exemplo, sabemos que entre o disparo do fuzil e a saída da bala há-de transcorrer algum tempo, ainda que não possamos percebê-lo, assim como que esse lapso há-de fracionar-se por sua vez entre os distintos estados que se sucedem rigorosamente: o apertar o gatilho, o fazer saltar a chispa, o aceso, a propagação do fogo, a explosão e a saída do projéctil.(...)

 

«Se cada efeito fosse simultâneo com a sua causa, então cada efeito se cingiria no tempo à sua causa e uma cadeia quanto mais larga se quisesse de causas e efeitos não encheria tempo nenhum, muito menos um tempo infinito, mas que tudo aconteceria em simultâneo em um instante. Em suma, sob o pressuposto de que causa e efeito são simultâneos, o transcurso do universo reduzir-se-ia a um momento. Esta prova é análoga à de que cada folha de papel há-de ter uma grossura, porque de contrário o livro inteiro não teria nenhuma.»

 

(Schopenhauer, El mundo como voluntad y representación, 2, Alianza Editorial, Madrid, 2016, pp. 62-64 ; o destaque a negrito é posto por mim).

 

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Domingo, 23 de Agosto de 2020
Schopenhauer: a vontade (instinto da natureza) funciona sem o intelecto

 

Artur Schopenhauer( Danzig, 22 de Fevereiro de 1788 — Frankfurt, 21 de Setembro de 1860) , ao contrário de Descartes, separava a vontade, entendida como vontade de viver (de comer, beber, procriar, dominar as outras pessoas, enriquecer, etc.) do intelecto. Podemos considerá-lo como um filósofo vitalista, intelectualmente superior a Nietzsche, a Husserl e a Heidegger. É, a par de Hegel, o maior filósofo do século XIX no Ocidente. Escreveu:

 

«Se o intelecto não fosse de natureza secundária, como vimos nos dois capítulos precedentes, tudo quanto tem lugar sem ele, isto é, sem a intervenção da representação, como por exemplo, a procriação, o desenvolvimento e a conservação do egoiísmo, a restituição ou a restauração vicária das partes mutiladas, as crises curativas nas doenças, as obras do impulso artístico animal e a criação do instinto em geral, só podia resultar infinitamente melhor e mais perfeito do que quando ocorre com a ajuda do intelecto, a saber, todos os logros e obras conscientes e intencionais do homem que frente ao primeiro são um estrago. Em geral, natureza significa tudo o que opera, funciona e cria sem a intercessão do intelecto.»

«Temos de abstrair de este concurso do intelecto se queremos captar a essência da vontade em si e queremos penetrar, tanto quanto seja possível, no interior da natureza.»

«Por isso, diga-se de passagem, o meu antípoda directo entre os filósofos é Anaxágoras, pois ele adotou como o primeiro e originário do qual tudo parte um Nous, uma inteligência, um sujeito representativo, e passa por ser o primeiro a ter estabelecido semelhante parecer.»

 

(Schopenhauer, El mundo como voluntad y representación, 2, Alianza Editorial, Madrid, 2016, pp. 353-354 ; o destaque a negrito é posto por mim).

 

A natureza é na filosofia de Schopenhauer um domínio inacessível, incognoscível na sua essência última, o equivalente ao númeno na filosofia de Kant, ainda que os númenos sejam objectos imateriais, metafísicos, e a natureza em Schopenhauer seja um sistema de matéria e vontade de viver.

 

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Sábado, 22 de Agosto de 2020
Schopenhauer: o erro de crer que existimos para ser felizes

Schopenhauer opunha-se, no seu pessimismo, à lei do pensamento positivo, optimista, hoje designada como lei da atração. Escreveu:

 

«Só há um erro inato e é o de que existimos para ser felizes. (...)»

«Enquanto continuarmos aferrados a este erro inato, corroborando-o mediante os dogmas optimistas, o mundo parece-nos repleto de contradições. » (...)

«Neste sentido, seria muito mais correcto cifrar o fim da vida na nossa aflição do que no nosso proveito. Pois as considerações finais do capítulo precedente mostraram que quanto mais se sofre antes se alcança o verdadeiro fim da vida, e quanto mais feliz se vive, tanto mais se demora. A isto corresponde a conclusão da última carta de Séneca:" Alcançarás o teu próprio bem quando compreenderes que os felizes são os mais desditados", o que parece indicar um influxo do cristianismo. » (...)

«Quem por um caminho ou por outro abandone aquele erro que nos é inerente a priori, esse primeiro passo em falso da existência, em breve verá tudo sob outra luz e agora o mundo será concorde, se não com o seu desejo, sim com a sua compreensão. Os infortúnios de todo o tipo e envergadura, mesmo quando ainda lhe doam, deixarão de surpreendê-lo, ao ter compreendido que justamente a dor e as tribulações trabalham para o verdadeiro fim da vida, o abandono da vontade de viver. Isto conferir-lhe-á uma assombrosa serenidade ante tudo o que lhe possa acontecer...»

 

(Schopenhauer, El mundo como voluntad y representación, 2, Alianza Editorial, Madrid, 2016, pp. 841-843 ; o destaque a negrito é posto por mim).

 

É óbvio que o transumanismo iluminista, filosofia que através do progresso científico e de um inaudito experimentalismo optimista (inteligência artificial, robótica, criogénese, etc.) visa melhorar a saúde e a existência da humanidade - não o transumanismo protofascista de Nietzsche que visa criar o super homem, uma elite negra no plano ético - se opõe ao pessimismo e à negação da vontade de viver expressos por Schopenhauer.

 

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Quinta-feira, 20 de Agosto de 2020
Schopenhauer aliado ao cristianismo ascético contra o optimismo sexual do judaísmo, do islamismo e do protestantismo

 

Apesar de ser ateu, Artur Schopenhauer( Danzig, 22 de Fevereiro de 1788 — Frankfurt, 21 de Setembro de 1860) coincidia com a visão do cristianismo antigo de que «este mundo é um lugar de exílio, de ilusões, não nascemos para ser felizes e  o ascetismo, baseado na castidade, na mortificação dos sentidos, incluindo os jejuns periódicos, é a atitude moral correcta». Escreveu: 

 

«E se, no juízo dos coetâneos, a paradoxal e inaudita coincidência da minha filosofia com o quietismo e o ascetismo aparece como uma óbvia pedra de escândalo, eu vejo nisso, pelo contrário, uma prova da sua correção e verdade únicas, assim como também uma razão para explicar que as universidades protestantes a ignorem e a condenem astutamente ao ostracismo.»

«Pois não só as religiões do Oriente, mas também o verdadeiro cristianismo tem inteiramente esse carácter ascético fundamental que a minha filosofia explica como negação da vontade de viver; mesno quando o protestantismo, sobretudo na sua configuração actual, procura encobri-lo. Os inimigos declarados do cristianismo que apareceram recentemente credibilizaram-no nas doutrinas da renúncia, da abnegação, da castidade perfeita, e da mortificação em geral da vontade, que eles designam com o nome de tendência anticósmica, mostrando solidamente que tais doutrinas são consubstanciais ao primitivo e autêntico cristianismo. Nisto têm razão de modo incontestável. Mas que façam valer isto como uma recriminação manifesta e palmária contra o cristianismo, quando é aí que reside a sua verdade profunda, o seu valor mais alto, e o seu carácter mais sublime, testemunha um eclipse do espírito que só resulta explicável porque aquelas mentes, como desgraçadamente milhares de outras estão embrulhadas e deitadas a perder pelo miserável hegelianismo, essa escola de trivialidade, esse ninho de irreflexão e de ignorância, essa pseudo sabedoria corruptora de mentes que finalmente se começa a reconhecer agora como tal e cuja veneração ficará em breve unicamente em mãos da Academia dinamarquesa, a cujos olhos esse burdo charlatão é um filósofo sublime a quem defende com armas e bagagens: "Pois todos seguirão a crença e a opinião da ignorante e néscia multidão, da qual o mais pesado será investido como juíz" (Rabelais)».

 

(Schopenhauer, El mundo como voluntad y representación, 2, Alianza Editorial, Madrid, 2016, pp. 815-829 ; o destaque a negrito é posto por mim).

 

 

O CRISTIANISMO DO NOVO TESTAMENTO É ASCÉTICO E PESSIMISTA, O JUDAÍSMO, O PROTESTANTISMO E O ISLAMISMO SÃO OPTIMISTAS E  ADEPTOS DA PRÁTICA DO SEXO

 

Schopenhauer postulou que o protestantismo é de carácter optimista, encara com demasiada leveza o sentido da vida humana, ao passo que o cristianismo do Novo Testamento é pessimista, ascético. Escreveu:

 

«Seja como for no resto, esse "tudo está bem" do Antigo Testamento é realmente alheio ao autêntico cristianismo: pois no Novo Testamento se fala continuamente do mundo como algo a que não se pertence, que não se ama e cujo dono é o diabo. Isto concorda com o espírito ascético de negação do próprio eu e de sobrepor-se ao mundo que, junto ao ilimitado amor ao próximo, incluido ao inimigo, é o traço comum que o cristianismo tem com o bramanismo e o budismo e credibiliza o seu parentesco. Em nenhuma questão há que diferenciar tanto o núcleo da casca como no cristianismo. E justamente porque estimo sobremaneira esse núcleo, por vezes mostro-me escassamente cerimonioso com a casca, se bem que esta é mais grossa do que é habitual pensar-se.»

«O protestantismo, ao eliminar o ascetismo e o seu ponto central, a índole meritória do celibato, renunciou já ao núcleo mais íntimo do cristianismo e nessa medida há que considerá-lo como um abandono do mesmo. Isto torna-se evidente nos nossos dias no seu paulatino trânsito para um racionalismo banal, para esse moderno pelagianismo que, no final, desemboca na doutrina de um pai amoroso, que fez o mundo para que tudo marche tão primorosamente como satisfatoriamente (um empreendimento que logo teve de se lhe malograr) e que, se uma pessoa se amolda em certas questões à sua vontade, procurará logo um mundo ainda muito mais encantador (onde só há que lamentar uma entrada tão fatal).»

(Schopenhauer, El mundo como voluntad y representación, 2, Alianza Editorial, Madrid, 2016, pp. 828-829 ; o destaque a negrito é posto por mim).

 

Pelágio da Bretanha, que polemizou com Santo Agostinho, negava o pecado original, a corrupção do ser humano, a necessidade da graça divina pois cada homem é autónomo e com capacidade para salvar-se a si mesmo. Negou também o servo arbítrio, isto é, o arbítrio escravizado a paixões.

 

LUTERO ATACOU A ESSÊNCIA DO CRISTIANISMO E NÃO SÓ A CORRUPÇÃO DO CLERO

Schopenhauer teorizou:

«Os escandalosos abusos da Igreja suscitaram no espírito probo de Lutero uma arreigada indignação. Sem embargo, em consequência de tal indignação, chegou a pretender abolir quanto era possível do próprio cristianismo e com vista a tal fim, primeiro limitou-se às palavras da Bíblia, mas logo chegou demasiado longe no seu bem intencionado zelo, ao atacar o seu próprio coração no primcípio ascético. Pois atrás da extinção do princípio ascético veio logo necessariamente ocupar o seu lugar o princípio optimista. Mas o optimismo é, tanto nas religiões como na filosofia, um erro fundamental que corta o caminho a toda a verdade. Conforme a tudo isto, parece-me que o catolicismo é um cristianismo do qual se abusou ignominiosamente, mas o protestantismo é um cristianismo degenerado, enquanto que o cristianismo parece ter o destino reservado a tudo o que é nobre e sublime tão rápido como deve subsistir entre os homens».

(Schopenhauer, El mundo como voluntad y representación, 2, Alianza Editorial, Madrid, 2016, pp. 829-830 ; o destaque a negrito é posto por mim).

 

Transferindo esta análise para o nosso tempo podemos perguntar: que sentido tem o ecumenismo praticado pela igreja católica romana, a aproximação aos irmãos protestantes, se o protestantismo é um cristianismo degenerado, uma heresia? 

 

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