Segunda-feira, 17 de Junho de 2019
Equívocos no Exame Nacional de Filosofia, Prova 714, de 17 de Junho de 2019

O exame Nacional de Filosofia em Portugal, Prova 714, 1ª Fase, realizado em 17 de Junho de 2019, é uma das provas de exame mais confusas e mal elaboradas de que há memória. Isso parece comprovar a tese de que o ensino universitário de filosofia tem perdido qualidade a partir do momento em que se generalizou o comércio dos mestrados e doutoramentos que possibilita a indivíduos medianamente inteligentes ascender aos graus de mestre ou doutor em filosofia. Vejamos exemplos da versão 2 desta prova de exame que obriga a escolher apenas uma resposta entre quatro possíveis no grupo I:

 

GRUPO I

 

(3) Imagine que o Luís precisa urgentemente de medicamentos e que a única maneira de os conseguir é pedir dinheiro emprestado a um amigo rico, sem ter a intenção de lho pagar. Neste caso, o Luís decidiu adotar a máxima «faz promessas enganadoras quando não há outra forma de resolver os teus problemas pessoais».

Esta máxima pode ser usada para fazer uma crítica à ética kantiana, dado ser razoável argumentar que a máxima

 

(A) é imoral, ainda que venha a ter aprovação dos agentes envolvidos.

(B) não é imoral, ainda que não seja racional querer universalizá-la.

(C) não é imoral, embora seja um imperativo categórico condicional.

(D) é imoral, embora dê prioridade às consequências da ação.

 

A resposta oficial da correção é: a alínea B, não é imoral, ainda que não seja racional querer universalizá-la.

 

Crítica nossa: A resposta correcta é A,  é imoral, ainda que venha a ter aprovação dos agentes envolvidos, porque se trata de uma máxima egoísta que visa apenas o lucro pessoal do agente que a formula.

 

5. Popper defende que, quanto mais falsificável for uma dada informação, mais interessante ela é para a ciência. Qual das afirmações seguintes é, de acordo com Popper, mais interessante?

 

(A). Alguns corvos são negros

(B) Não existem corvos brancos.

(C) Todos os corvos são negros.

(D) Existem corvos brancos.

 

Segundo a correção oficial há só uma resposta certa: a C, Todos os corvos são negros.

 

Crítica nossa: não há apenas uma, mas duas respostas correctas: a B e a C, porque ambas enunciam uma tese de carácter universal, ora em modo negativo ora em modo afirmativo, e Popper declarou ser impossível verificar ou estabelecer leis universais a partir da indução de alguns ou de muitos exemplos empíricos.

 

6. Popper afirma que a ciência começou com a invenção do método crítico e considera que os cientistas agem de modo conscientemente crítico sobretudo quando

(A) procuram eliminar erros.

(B) inventam teorias.

(C) formulam conjecturas.

(D) tentam confirmar hipóteses.

A correção oficial diz que só a resposta (A) está certa.

 

Crítica nossa: as quatro hipóteses estão correctas. Ao inventar uma teoria, ao formular conjecturas, ao tentar confirmar hipóteses os cientistas agem de modo conscientemente crítico, tanto quanto lhes permite a inteligência e a experiência de cada um.

GRUPO IV

  1. Leia o texto seguinte.

Há uma questão que, na evolução do pensamento filosófico ao longo dos séculos, sempre desempenhou um papel importante: Que conhecimento pode ser alcançado pelo pensamento puro, independente da perceção sensorial? Existirá um tal conhecimento? […] A estas perguntas[…] os filóofos tentaram dar uma resposta, suscitando um quase interminável confronto de opiniões filosóicas. É patente, no entanto, neste processo […], uma tendência […] que podemos definir como uma crescente desconfiança a respeito da possibilidade de, através do pensamento puro, descobrirmos algo acerca do mundo objetivo.»

A.Einstein, Como Vejo a Ciência, a Religião e o Mundo, Lisboa,Relógio D’Água Editores, 2005, p. 163. (Texto adaptado)

Será que tanto Descartes como Hume contribuíram para a «crescente desconfiança» referida no texto?

Justifique a sua resposta.

 

A correção oficial manda dar a cotação máxima ao aluno que «indica corretamente que é falso que tanto Descartes como Hume tenham contribuído para a desconfiança referida no texto.»

 

Crítica nossa: David Hume semeou desconfiança sobre a possibilidade de através do pensamento puro conhecer o mundo objectivo. Hume reduziu o conhecimento a impressões de sensação (ex: ver uma árvore, sentir o vento) e impressões de reflexão (ex: lembrar-se do calor da lareira acesa ou do canto dos pássaros) e a ideias, cópias menos vivas das impressões, e negou que o pensamento puro conseguisse demonstrar a existência de objectos materiais fora de nós. Portanto, os critérios de correção estão errados, quem gizou esta prova não conhece a filosofia idealista de David Hume. Eis a prova de que Hume sempre foi céptico, sempre duvidou da existência de objectos físicos exteriores à mente humana:

 

«A razão não nos dá e é impossível que alguma vez nos dê, em qualquer hipótese, qualquer convicção da existência contínua e distinta dos corpos. Esta opinião tem de se atribuir inteiramente à imaginação, que passa a ser o objecto da nossa investigação ».(Hume, Tratado da Natureza Humana, Fundação Calouste Gulbenkian, pag. 238; o destaque a negrito é posto por mim).

 

www.filosofar.blogs.sapo.pt

f.limpo.queiroz@sapo.pt

© (Direitos de autor para Francisco Limpo de Faria Queiroz)



publicado por Francisco Limpo Queiroz às 15:10
link do post | comentar | favorito

Quarta-feira, 12 de Junho de 2019
Hegel: clareza e obscuridade nos seus textos

 

Há teses de Hegel que são notáveis e compreensíveis na Fenomenologia do Espírito, como por exemplo a seguinte:

 

«O verdadeiro é o todo. Mas o todo é somente a essência que se completa mediante o seu desenvolvimento. Do absoluto, há que dizer que é essencialmente resultado, que só no final é o que é de verdade, e em isso precisamente estriba a sua natureza, que é a de ser real, sujeito ou devir de si mesmo. »

(G.W.F. Hegel, Fenomenología del espíritu, Fondo de Cultura Económica, México, 2007, pág. 16; o destaque a negrito é colocado por nós).

 

Hegel sustenta que no princípio está o Espírito, o mais universal de tudo. Adiciona ao teísmo da primeira fase do Espírito, o panteísmo da segunda fase (Deus é as árvores, os rios, as plantas e os animais «irracionais») e o panenteísmo da terceira fase (Deus é a humanidade nos seus diferentes povos e tipos de estado, de arte, de religião e de filosofia, evoluindo para a liberdade e ao mesmo tempo Deus é espírito puro, transcendente, no Além). O resultado acima referido é a terceira fase, a da humanidade, que resulta da união e síntese entre a fase de Deus pensante e a fase de Deus impensante, alienado em natureza física em corpos físicos.

 

Hegel fala de quatro etapas na fenomenologia do Espírito, isto é, nas sucessivas formas que este vai assumindo: consciência, autoconsciência, razão e espírito. Ponho reservas a esta divisão: a autoconsciência já é, em si mesma, razão. Hegel dá a seguinte definição de autoconsciência:

 

«Mas de facto, a autoconsciência é a reflexão, que desde o ser do mundo sensível e percebido, é essencialmente o retorno a partir do ser outro. Como autonsciência é movimento(....) A diferença não é, e a autoconsciência é somente a tautologia sem movimento do eu sou eu.»

 

(G.W.F. Hegel, Fenomenología del espíritu, Fondo de Cultura Económica, México, 2007, pág. 108; o destaque a negrito é colocado por nós).

 

Fixemo-nos: quando Descartes intui «eu penso logo existo» isso é autoconsciência; quando Albert Camus infere que a vida humana é destituída de sentido pois não há Deus nem é possível garantir o triunfo perene da verdade e da justiça para toda a humanidade isso é autoconsciência.

 

Mas há numerosos parágrafos da Fenomenologia que são ambíguos devido às múltiplas divisões que ele introduz no mesmo conceito tipo bonecas russas Matrioska, umas dentro das outras. Veja-se  por exemplo, esta passagem em que se refere à substância ética:

 

«A substância é, deste modo, espírito, unidade autoconsciente do si mesmo e da essência; mas ambos têm também o significado da estranheza de um face ao outro. O espírito é consciência de uma realidade objectiva para si livre; mas a esta consciência se enfrenta àquela unidade do si mesmo e da essência, à consciência real se enfrenta a consciência pura. Por um lado, mediante a sua alienação,  a autoconsciência real passa ao mundo real e este retorna àquela; mas, por outro lado, superou-se precisamente esta realidade, a pessoa e a objectividade. Esta estranheza é a pura consciência ou essência

(G.W.F. Hegel, Fenomenología del espíritu, Fondo de Cultura Económica, México, 2007, pág. 287; o destaque a negrito é colocado por nós).

 

Na primeira frase da citação acima a substância aparece como a unidade entre o si mesmo e a essência. Ora o que é o si mesmo senão o espírito do indivíduo? Neste caso, a essência terá de ser a objectividade, a realidade, o bem e o mal que se encontram fora da consciência. Mas na última frase da citação Hegel muda o significado de essência, que no início era lei exterior, realidade exterior para... consciência pura. Não bate certo.

(G.W.F. Hegel, Fenomenología del espíritu, Fondo de Cultura Económica, México, 2007, pág. 108; o destaque a negrito é colocado por nós).

 

Estamos pois perante um exercício de sofística em que Hegel, sem embargo do seu brilhantismo, é pródigo.

 

AUTOCONSCIÊNCIA EM GERAL E AUTOCONSCIÊNCIA LIVRE, O PARADOXO DE "O SER SÓ PARA A CONSCIÊNCIA" SER SIMULTÂNEAMENTE "REAL EM SI MESMO"

 

Vejamos um entre muitos exemplos da falta de clareza, ou pelo menos da falta de concreção do pensamento de Hegel:

 

«A razão é a certeza da consciência de ser toda a realidade; de este modo exprime o idealismo o conceito da razão. Do mesmo modo que a consciência que surge como razão abriga de um modo geral imediato esta certeza, assim também o idealismo a exprime de modo imediato; eu sou eu, no sentido, no sentido de que o eu que é o meu objecto, é objecto com a consciência do não ser de qualquer outro objecto, é objecto único, é toda a realidade e toda a presença, e não como na autoconsciência em geral, nem tão pouco como na autoconsciência livre, já que ali é só um objecto vazio em geral e aqui somente um objecto que se retira dos outros que continuam a governar junto dele. Mas a autoconsciência só é toda a realidade não somente para si mas também em si ao devir esta realidade ou mais exactamente ao demonstrar-se como tal. E se demonstra assim no caminho pelo qual, primeiro no movimento dialétco da suposição, da percepção e do entendimento , o ser outro desaparece como em si, e logo no movimento que passa pela independência da consciência no senhorio e na servidão, pelo pensamento da liberdade, a libertação céptica e a luta da libertação absoluta da consciência desdobrada dentro de si, o ser outro enquanto é para ela, desaparece para ela mesma. Apareceriam sucessivamente dois lados, um em que a essência ou o verdadeiro tinha para a consciência a determinabilidade do ser e outro em que a sua determinabilidade era ser somente para elaMas ambos os lados se reduziam a uma verdade, a de que o que é ou o em si só é enquanto é para a consciência e o que é para ela é também em si

(G.W.F. Hegel, Fenomenología del espíritu, Fondo de Cultura Económica, México, 2007, pág. 144; o destaque a negrito é colocado por nós.)

 

Percebe-se neste texto o que significa a tese de Hegel de que no idealismo «o ser outro desaparece como em si»: no idealismo material ou ontológico, a árvore, a casa ou o cão que em relação a mim são ser outro  que desaparecem em si, isto é, desaparecem como realidades independentes de mim, reduzem-se a simples ideias na minha mente que é o universo inteiro.  Mas Hegel não define o que é a autoconsciência livre - é o pensamento de alguns filósofos destacados do vulgo?- e em que se distingue da autoconsciência em geral - esta já sabemos ser reflexão e não absorção acrítica das percepções do mundo exterior.

 

A última frase do texto «Mas ambos os lados se reduziam a uma verdade, a de que o que é ou o em si só é enquanto é para a consciência e o que é para ela é também em si.» é em si mesma um paradoxo: Hegel começa por dizer que o que é ou existe só é para a consciência - posição do idealismo e da fenomenologia: a árvore que vejo só é real para a minha consciência - e depois contradiz-se ao dizer que o que existe para a consciência existe também em si mesmo, como realidade independente - posição do realismo: a árvore está fora da minha mente e subsiste quer eu a veja e pense ou não.

 

O ESPÍRITO, SUBSTÂNCIA ÉTICA, VERSUS A SUBSTÂNCIA QUE SÓ SURGE NELE QUANDO O ESPÍRITO AGE

 

Ideias que Hegel repete são a do desdobramento da consciência e a da luta entre a essência e a autoconsciência, entre o universal e o singular. Hegel define o espírito assim, ora identificando-o como substância ora diferenciando-o desta:

 

«Mas a essência que é em si e para si e que ao mesmo tempo é ela mesma real como consciência e se representa a si mesma é o espírito

«A sua essência espiritual já foi definida como a substância ética; mas o espírito é a realidade ética. É o si mesmo da consciência real, à qual se enfrenta, ou que mais precisamente se enfrenta a si mesma, como mundo real objectivo, o qual, sem embargo, perdeu para si mesmo toda a significação de algo estranho, do mesmo modo que o si mesmo perdeu toda a significação de um ser para si, separado, dependente ou independente de aquele.  O espírito é a substância e a essência universal, igual a si mesma e permanente - o inabalável e irredutível fundamento e ponto de partida do agir de todos - e o seu fim e a sua meta, como o em si  pensado de toda a autoconsciência».

 (G.W.F. Hegel, Fenomenología del espíritu, Fondo de Cultura Económica, México, 2007, pp. 259-260; o destaque a negrito é colocado por nós.)

 

Esta passagem, relativamente obscura - Como é que o si mesmo perdeu toda a significação de um ser para si? Refere-se a quando Deus se alienou em natureza física e deixou de pensar? -  está em contradição com a seguinte:

 

«Na sua verdade simples, o espírito é consciência e desdobra os seus momentos. A ação cinde-o em substância e em consciência da mesma, e cinde tanto a substância como a consciência. A substância, como essência universal e como fim, enfrenta-se consigo mesma como a realidade singularizada...»

(G.W.F. Hegel, Fenomenología del espíritu, Fondo de Cultura Económica, México, 2007, pág. 261; o destaque a negrito é colocado por nós.)

 

A incoerência está em considerar o espírito como substância ética, depois como realidade ética e por último dizer que o espírito é apenas consciência e só a ação o cinde  em substância e consciência de esta. Substância era qualidade do espírito, eterno e imóvel, tese primeira, mas só surge quando o espírito se põe em ação e divide em substância e consciência, tese segunda. Há aqui imprecisão conceptual.

 

O espírito é o quarto degrau mas engloba os outros três degraus. Há aqui uma visão eclética, algo confusa: espírito é tomado em dois sentidos diferentes, ora como consciência em geral, mesmo não ética, ora como essência ética:

 

«Aqui, onde se põem o espírito ou a reflexão de estes momentos em si mesmos, a nossa reflexão a respeito deles pode recordá-los brevemente conforme a este lado; os ditos momentos eram a consciência, a autoconsciência e a razão. O espírito é pois consciência em geral, que abarca em si a certeza sensível, a percepção e o entendimento»

(G.W.F. Hegel, Fenomenología del espíritu, Fondo de Cultura Económica, México, 2007, pág. 26o; o destaque a negrito é colocado por nós.)

 

Há falta de concreção no pensamento hegeliano, oscilações de vagueza em conceitos como essência, substância, ser em si, ser para si. Talvez por isso Schopenhauer classificasse Hegel de «charlatão», do mesmo modo que nós acusamos Heidegger de um certo grau de charlatanismo retórico em O Ser e o Tempo.

 

www.filosofar.blogs.sapo.pt

f.limpo.queiroz@sapo.pt

© (Direitos de autor para Francisco Limpo de Faria Queiroz)

 



publicado por Francisco Limpo Queiroz às 10:28
link do post | comentar | favorito

Segunda-feira, 10 de Junho de 2019
Reflexões circunstanciais de Junho de 2019

 

 

PEDRO ABRUNHOSA EM SERPA OU A DESTRUIÇÃO PROGRESSIVA DA NOSSA CAPACIDADE AUDITIVA. 9 de Junho de 2019. Assisto ao concerto de Pedro Abrunhosa na Praça da República de Serpa. O som é altíssimo e, que se veja, só eu ostento fones anti ruído a tapar os ouvidos. Mesmo assim sou obrigado a afastar-me do palco. Que fazem a câmara municipal e as autoridades de saúde para proteger a população da agressão acústica a milhares de pessoas presentes? Nada. Nem PCP, nem PS, nem BE, nem PAN, nem PSD nem CDS agem para impedir este problema de saúde pública. Ainda exibo a senyera, a bandeira da Esquerda Republicana Catalã, independentista, mas estes bons alentejanos parecem insensíveis tanto à causa da nação catalã como ao direito de não sofrerem auditivamente com os sons altíssimos dos baixos. Abrunhosa é um agente dos iluminatti, a alta maçonaria internacional que manda os artistas estupidificar as multidões pelo ruído e a dança robotizada. Ele critica Trump e apoia Hillary Clinton, a reptiliana de «esquerda» nos EUA. E Pedro dá ordens à multidão: «Quero ver o dedo indicador levantado....quero LUZ!»(o que subliminarmente significa: «Quero LÚCIFER, o portador da luz»). E centenas de telemóveis acendem-se, brandidos pelas mãos ondulantes dos espectadores. É um esboço de  ritual satanista subliminar, com luzes vermelhas no palco. Vai-te, Abrunhosa! És um agente dos malvados que controlam o planeta. Um agente do Diabo e do clube de Bilderberg que passam a mensagem «humanista» de abrir a Europa à imigação islâmica.

 

JEJUAR AUMENTA A POTÊNCIA SEXUAL MASCULINA. Sempre que jejuo 24 horas constato isso. O excesso de comida em que muita gente cai reduz a produção de tetosterona no homem e na mulher. Ao jejuar, podemos oferecer a Deus e a Nossa Senhora esse jejum pelas almas que sofrem em um outro universo de fogo (o Purgatório) e pelos vivos caídos nos vícios da mentira, do adultério, do não pagamento das suas dívidas, da exploração dos trabalhadores, da pornografia, da violência física e psíquica, etc. Jejuar desagrada ao Diabo construtor da Matrix e faz desaparecer a sensação de fome que surge umas quatro horas depois da última refeição.

 

O BEIJINHO NA CARA CORRUPTOR VERSUS APERTO DE MÃO. Em Portugal, generalizou-se desde há duas décadas a cultura do beijinho na cara: somos apresentados a uma mulher que não conhecíamos, casada ou não, e damos reciprocamente dois beijos nas faces. Os políticos fazem isso com frequência, o presidente Marcelo Rebelo de Sousa é o campeão desses beijinhos que corrompem as relações humanas porque implicam um excesso de familiaridade e quase sempre um falso afecto. A freira Lúcia de Fátima em entrevista no ano 2000 já se queixava dessa moda dos beijinhos na cara que a incomodava. Na Alemanha, sucede o inverso: as pessoas cumprimentam-se de aperto de mão e conservam a liberdade de não serem devassadas por ósculos no rosto dados por estranhos. Quer-me parecer que há mais adultérios e infidelidades de namoro onde impera a moda do beijinho na cara. Haja decência, liberdade de cada um não receber beijos de Judas ou de mera conveniência.

 

HOMEM TRAÍDO. 6 de Junho de 2019. Passo numa rua do centro de Beja e vejo um homem de uns 35 anos, com ar de operário, a gritar desesperado ao telemóvel: «Andaste com ele aos beijinhos, eu parto-te toda, a ti e a esse palhaço, vou pôr as tuas coisas na rua, nunca mais te quero ver». Pela conversa, é um homem ferido pela traição amorosa - ferido no seu ego. O problema é termos ego, motor da nossa sobrevivência vital e sentimental neste planeta, por isso o budismo propõe extinguir o ego, não se apaixonar, não odiar, não cobiçar, desprender-se de tudo. E afinal o que é o amor senão uma atração de circunstância ou um acto solidário circunstancial com outra pessoa? Tudo se dissolve, é o homem e a sua circunstância como dizia Ortega y Gasset.

 

O CONSELHO MÍSTICO DE FECHAR OS OLHOS E TAPAR OS OUVIDOS QUANDO SE REFERE À BELEZA DAS MULHERES TENTADORAS E À BELEZA SATÂNICA DA NATUREZA é, em certos momentos pelo menos, aceitável. Como é possível este mundo de indiscutível mas perecível beleza ser obra de um só Deus, o Deus do Bem? Não é. E Lúcifer como se explica no seu duplo carácter de anjo belo rebelde e horrendo bode Bafomet?

 

PORQUE SE DEIXA DE GOSTAR DE UMA PESSOA? Porque, ontologicamente, só existe o amor próprio. O amor correspondido é apenas a conjunção feliz de dois egoísmos, de dois amores próprios.

 

SE NÃO REZARMOS A FAVOR DAS ALMAS DO PURGATÓRIO PERDEREMOS A BATALHA CONTRA SATANÁS. A maior parte das pessoas que morreram este ano, ou há 20, 50, 200 anos ou mais está, em espírito, a arder nas chamas do purgatório, um nível do universo abaixo do Paraíso. Os cristãos evangélicos, os muçulmanos, os budistas, etc, não consideram essa região onde se pagam as penas temporais e portanto são ineficazes, só os católicos genuínos e os cátaros oram por essas almas que os cátaros dizem estar presas no Tártaro.

 

Em 21 de Julho de 1982, com Júpiter em 1º 14´/ 1º 18´ do signo de Escorpião, a Virgem Maria diz aos videntes de Medjugorge que «No purgatório há muitas almas, há mesmo pessoas consagradas a Deus, padres e religiosas, rezai em sua intenção pelo menos sete Pai Nosso, Avé Maria, Glória e o Credo, eu recomendo-vos, há muitas almas que estão no purgatório há muito tempo, porque ninguém reza por elas».

 

Conselhos do padre Pio de Pietrelcina, santo estigmatizado:

 

1.«A mentira é filha do diabo. A humildade é verdade; verdade é humildade.»
2.«Rezai, mesmo contra vontade. Quem reza muito salva-se, quem reza pouco está em perigo, quem não reza condena-se. A vontade conta e é recompensada, mas o sentimento não.»
3. «Que a Virgem Maria seja o vosso refúgio e o vosso conforto nas horas tristes da vida.»

4. «Amo o sofrimento. Não pelo sofrimento em si. Peço a Deus para poder sofrer e desejo-o pelos frutos que daí advêm e pela glória que dá a Deus. Pelo sofrimento, os meus irmãos são salvos e os sofrimentos das almas do purgatório encurtados. Que mais posso desejar?»

 

REZEMOS O ROSÁRIO PELA SALVAÇÃO DAS MULHERES QUE USAM CALÇAS COMPRIDAS, MINI SAIA OU SAIA CURTA E DECOTES EXCESSIVOS POIS O DIABO RESERVOU PARA ELAS UM LUGAR NO INFERNO. Este foi o aviso do grande místico, frei Pio de Pietrelcina (25 de Maio de 1887- 23 de Setembro de 1968), que em vida se movia entre a Terra, o Purgatório e o Paraíso, em união com a Santíssima Virgem Maria, intercedendo pelos vivos e pelas almas sofredoras no Além que poderão ver a Deus. Abandonemos o racionalismo estreito de ateus e agnósticos, incluídas as pobres feministas que exaltam o sexo orgástico (como se o prazer da filosofia e da conversação benévola com amigos e amigas não fosse superior ao prazer do orgasmo!) e que desprezam a oração e recusam pensar em Deus em tudo o que fazem no quotidiano. Rezemos, pois quem não reza não se salva do inferno ao morrer, salvo no caso de verdadeiro arrependimento nos momentos finais.

A verdadeira luta de classes não é a que existe entre patrões e empregados mas a luta entre Deus/ Deusa do Bem, e Satã, o criador do mundo material e promotor do aborto, da guerra, da exploração dos trabalhadores, da pornografia, da sexualidade perversa, das modas indecorosas, das telenovelas, da idolatria do futebol, etc.

 

ICKE «DESPENALIZA» A HOMOSSEXUALIDADE E ATACA A VIRGEM MARIA. Não ignoro que David Icke (29 de Abril de 1952), historiador britânico das religiões e das linhagens reptilianas no planeta Terra identifica a Virgem Maria com a deusa El, uma deusa dragão - e neste campo as igrejas evangélicas, colocadas sob o domínio da maçonaria iluminatti que inclui reptilianos, concordam com Ike e rejeitam a Virgem e as suas aparições em Fátima, Medjugorge, etc. Mas Ike, sem embargo de ser um escritor e investigador  incontornável, tem pontos fracos na sua oposição ao catolicismo: tal como os iluminatti Ike «despenaliza» a homossexualidade, equiparando-a ontologicamente à heterossexualidade, ao passo que a Virgem Maria condena a homossexualidade e a heterossexualidade adúltera e libertina como vias para o Inferno. E sem a oração à Virgem, mensageira do lado Feminino de Deus, e a São Miguel Arcanjo (versão cristã do deus Thor do martelo) como podemos parapeitar-nos contra o Mal?

 

Decerto há muitos ateus com uma ética benéfica rigorosa: não assassinar, ser bom e justo na repartição de bens, etc. Mas em geral o ateísmo autoriza o aborto provocado na mulher o que a religião cristã considera um pecado.

 

FESTIVAL SOBRE MICHEL GIACOMETTI EM FERREIRA DO ALENTEJO. 2 de Junho de 2019. Vou a Ferreira do Alentejo, neste último dia do Festival sobre o etnomusicólogo corso Giacometti (Ajaccio, Córsega, 8 de Janeiro de 1929 – Faro, 24 de Novembro de 1990) que fez importantes recolhas etno-musicais no Baixo Alentejo e viveu em Peroguarda. A câmara municipal oferece almoço cabo-verdiano de cachupa no jardim público. Encontro Manuel que me diz no seu peculiar modo de ver o mundo: «Beja é uma cidade de que não gosto e os concelhos à volta de Beja não gostam da capital do distrito. Viseu é amada pelos concelhos do seu distrito, Viana do Castelo idem, mas Beja não. Tentei arranjar explicação para eu não gostar de Beja e talvez a tenha encontrado em uma pedra que não é calcário nem xisto. Há uma pedra granítica cinzenta que encontrei na soleira das portas de casas de ricos em Beja. Aqui em Ferreira somos antifascistas e não apreciamos essas classes possidentes, reacionárias. Só vou ao Lidl de Beja, de resto mais nada. A terra mãe das pedras em Portugal é Mafra, Pêro Pinheiro. Há colunas de mármore em tom rosa na igreja do convento de Mafra que foram transportadas por dezenas de bois no século XVIII e instaladas ao alto não se sabe como – não é só no Egipto que houve gigantescas pedras a ser movidas para fazer as pirâmides».

Richard que diz que montou sebes para impedir o avanço sobre o seu olival biológico da poeira química dos vizinhos que praticam.

Rafael Antunes (22 de Agosto de 1977, Torres Vedras) com câmara fotográfica modelo de inícios do século XX tira-me uma foto a preto e branco, como a outras pessoas. Quando regresso a Beja às 17.20 a temperatura do ar é 39º. Isto é o Alentejo de searas amarelas em Junho...

 

HÁ ESCOLAS PROFISSIONAIS PRIVADAS QUE ESTÃO A SER FINANCIADAS COM DINHEIROS PÚBLICOS E SÃO PRESIDIDAS POR AUTARCAS. 13 de Junho de 2019. David diz-me: «Há uma promiscuidade inaceitável entre vereadores ou presidentes de câmara e presidentes ou directores de escolas profissionais no Baixo Alentejo. Em Mértola, até Agosto de 2018, o vice presidente da câmara municipal, Mário Tomé, era ao mesmo tempo director da escola profissional local. Deu-se o caso de em reunião de 3 de Janeiro de 2018 Mário Tomé ter conseguido aprovar um financiamento de 14 800 euros à escola profissional que ele dirigia. Isto é contra a ética política: beneficiou-se a si mesmo, utilizando um cargo público. Em 29 de Março de 2019, a Polícia Judiciária vasculhou a câmara municipal de Mértola, de maioria socialista. Jorge Rosa, o presidente, poderá ser demitido?»

 

«Há 5 câmaras municipais nesta situação de promiscuidade com o ensino privado: Mértola, Alvito, Cuba, Vidigueira e Moura. As escolas profissionais são privadas mas roubam alunos às escolas públicas porque oferecem, como no caso de Mértola, mais de 100 euros mensais a cada aluno que se prove precisar dessa quantia, que vem do Ministério da Educação. Nem o PS, nem o PCP nem o PSD denunciam isto. Há censura na televisão sobre este tema. É necessário mudar a lei, blindar as escolas públicas contra a concorrência desleal das escolas profissionais.»

 
 
 

www.filosofar.blogs.sapo.pt

f.limpo.queiroz@sapo.pt

 

© (Direitos de autor para Francisco Limpo de Faria Queiroz)

 

 



publicado por Francisco Limpo Queiroz às 16:27
link do post | comentar | favorito

A lei da individualidade, segundo Hegel

 

A visão totalizante da filosofia de Hegel, plasmada na tese «a verdade é o todo»  não separa a individualidade do todo universal. Escreve:

 

«3. A LEI DA INDIVIDUALIDADE

 

«Os momentos que constituem o conteúdo da lei são, por um lado, a própria individualidade e, por outro lado, a sua natureza inorgânica, universal, a saber, as circunstâncias, a situação, os hábitos, os costumes, a religião, etc., encontrados; partindo de estes elementos, há que conceber a individualidade determinada. Os ditos elementos contêm algo determinado e algo universal e são, ao mesmo tempo, algo presente que se oferece à observação e se exprime por outro lado sob a forma da individualidade.»

 

«A lei desta relação entre ambos os lados deveria conter agora o tipo de efeito e influência que estas determinadas circunstâncias exercem sobre a individualidade. Mas esta individualidade consiste precisamente em ser também o universal e, portanto, em confluir de um modo quieto e imediato com o universal presente, com os hábitos e costumes, etc., e conformar-se a eles, do mesmo modo que o comportar-se como algo contraposto a eles e mais precisamente invertê-los, assim como o comportar-se de modo totalmente indiferente frente a eles na sua singularidade, o não deixar-se influenciar por eles e o não se mostrar activo contra eles».

(G.W.F. Hegel, Fenomenología del espíritu, Fondo de Cultura Económica, México, 2007, pág. 183; o destaque a negrito é colocado por nós).

 

Deste modo, nenhum indivíduo pode atingir uma alta posição no Estado, na esfera económica, social e política se não se coadunar com uma força colectiva económica, social ou política, isto é, com o todo. Exemplo: Cristiano Ronaldo é uma individualidade brilhante no futebol (elemento individual) mas se não jogasse numa equipa de primeira divisão com colegas altamente qualificados (elemento universal) e se não respondesse aos jornalistas não atingiria o estrelato que o qualifica como «o melhor do mundo» ou «o segundo melhor do mundo».

 

A inscrição de políticos no Clube de Bildelberg, organismo semi secreto privado que agrupa políticos e financeiros influentes no mundo globalizado, é prova disso: em Junho de 2004, Santana Lopes e José Sócrates foram à reunião do Clube de Bilderberg em Itália pela mão de Pinto Balsemão, isto é, foram ligar a sua individualidade ao universal, o clube de Bilderberg, polvo com númerosos tentáculos nos grandes media e nos bancos e  pouco depois, em 17 de Julho de 2004, Santana Lopes tornava-se primeiro-ministro de Portugal e em Setembro de 2004 José Sócrates ascendia a secretário-geral do PS e em 12 de Março de 2005 tomava posse como primeiro-ministro de Portugal.

 

www.filosofar.blogs.sapo.pt

f.limpo.queiroz@sapo.pt

© (Direitos de autor para Francisco Limpo de Faria Queiroz)

 



publicado por Francisco Limpo Queiroz às 10:52
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito

Domingo, 9 de Junho de 2019
O mistério do grau 15 do signo de Caranguejo


Em 5 de Janeiro de 2014, com Júpiter em 15º de Caranguejo, morre Eusébio Ferreira da Silva, de 71 anos, símbolo do futebol de Portugal.

 

Hoje 9 de Junho de 2019, Marte está em 15º de Caranguejo e Portugal joga a final da Taça das Nações com a Holanda.

 

Como interpretar? Quem ganhará? Se o efeito Marte é contrário ao de Júpiter, sendo este último expansivo, será Portugal o vencedor. E se não for?

 

www.filosofar.blogs.sapo.pt

f.limpo.queiroz@sapo.pt

 

© (Direitos de autor para Francisco Limpo de Faria Queiroz)



publicado por Francisco Limpo Queiroz às 16:38
link do post | comentar | favorito

Sábado, 8 de Junho de 2019
Vénus em 1º de Gémeos em 9 de Junho de 2019: Portugal vence a Holanda na final?

 

A astrologia desportiva, com base histórica, é complexa: muitas leis planetárias jogam em simultâneo para produzir o resultado de um jogo de futebol. Em cada jogo, há pontos zodiacais estimulados a favor da vitória da equipa A e outros pontos zodiacais transitados a favor da equipa adversária B. Impõe-se estudar a dominância de uns sobre os outros.

 

Em 25 de Junho de 2006, com Vénus em 1º 10´ /2º 21´ do signo de Gémeos, em Nuremberga, Portugal 1, Holanda 0, na fase final do Mundial de futebol.

 

Em 9 de Junho de 2019, com Vénus de 29º 55´ do signo de Touro a 1º 8´ do signo de Gémeos, Portugal joga contra a Holanda a final da Liga das Nações em futebol.

 

A posição de Vénus em 1º de Gémeos significará vitória de Portugal em 9 de Junho de 2019? Ou apenas indica um jogo Portugal-Holanda em futebol sem vincular o resultado?

 

www.filosofar.blogs.sapo.pt

f.limpo.queiroz@sapo.pt

 

© (Direitos de autor para Francisco Limpo de Faria Queiroz)

 

 



publicado por Francisco Limpo Queiroz às 15:02
link do post | comentar | favorito

Sexta-feira, 7 de Junho de 2019
Marte em 15º de Caranguejo na final de 9 de Junho de 2019: vitória da Holanda sobre Portugal?

 

A presença de um planeta na área 15º-18º do signo de Caranguejo parece conferir, em regra, uma derrota à seleção de Portugal numa final ou semifinal de competição de futebol europeu ou mundial.

 

 Em 26 de Julho de 1966, com Júpiter em 17º 40´/ 17º 54´ de Caranguejo, Marte em 9º58´/ 10º 38´ de Caranguejo, em Wembley, a Inglaterra vence por 2-1 Portugal na meia final do campeonato mundial em Londres.

 

Em 4 de Julho de 2004, com Saturno em 16º 13´ / 16º 21´ do signo de Caranguejo, a Grécia vence por 1-0 Portugal na final do Campeonato Europeu de Futebol.

 

Em 10 de Julho de 2016, com Sol em 18º 10´/ 19º 7´do signo de Caranguejo, Portugal sagra-se campeão europeu ao vencer por 1-0 a França na final do Campeonato da Europa de Futebol.

 

Em 9 de Junho de 2019, com Marte em 15º 21´/ 15º 59´ do signo de Caranguejo, Portugal e a Holanda jogam a final da Liga das Nações.

 

Irá a Holanda derrotar Portugal nesta final de 9 de Junho? O resultado já está escrito nos astros. Não sabemos ler tudo.

 

www.filosofar.blogs.sapo.pt

f.limpo.queiroz@sapo.pt

 

© (Direitos de autor para Francisco Limpo de Faria Queiroz)

 

 



publicado por Francisco Limpo Queiroz às 14:12
link do post | comentar | favorito

A ontologia extravasa a filosofia

A ontologia (on=o que é, o ente, em grego) concebida como teoria do ser e dos entes, extravasa a filosofia, vai para além desta. Na verdade, quando se dá, por exemplo,  a seguinte definição: «O quartzo, que é o segundo mineral  mais abundante da Terra  (aproximadamente 12 % vol.), logo a seguir ao grupo de feldsptatos, possui estrutura cristalina composta por tetraedros de sílica  (dióxido de silício, SiO2), em que cada oxigénio fica dividido entre dois tetraedros» está-se a fazer ontologia mas não filosofia.

 

Filosofia pressupõe um elemento especulativo, incerto, que vai além da experiência comprovável, metafísico.  Há ontologia dentro da filosofia e fora desta. A metafísica de Aristóteles contém uma rica ontologia no sentido estrito do termo ao dizer, por exemplo, que há analogia entre o ente e o uno, que são os conceitos mais universais, e ao postular que as essências ou formas comuns (eidos) estão nos próprios objectos As ciências, de um modo geral, são ontologias dogmáticas (exemplo: «O Big Bang ocorreuhá cerca de 18 000 milhões de anos»), estabelecem leis e conceitos de base empírica e centram-se, sobretudo, no ser visível e palpável na esfera dos sentidos. Se pronuncio o juízo «Há cada vez mais olivais intensivos no Alentejo» isso é um facto ontológico - no sentido geral de ontologia como teoria da existência - mas não é um facto filosófico à primeira vista.



publicado por Francisco Limpo Queiroz às 10:27
link do post | comentar | favorito

Quinta-feira, 6 de Junho de 2019
Equívocos na Prova 714 de Exame Nacional de Filosofia, 2ª fase, Julho de 2018

Na Prova 714 de Exame Nacional de Filosofia, 11º ano de escolaridade em Portugal,  2ª fase, de Julho de 2018, algumas das 8 perguntas de escolha múltipla, valendo 8 pontos cada, estão construídas sem clareza dialética.

 

Consideremos, por exemplo, a questão 4 do Grupo I, na qual só uma das quatro alíneas deverá ser a resposta correcta.

 

4. Considere o argumento seguinte.

Os enormes custos ecológicos do transporte aéreo deveriam ser integrados nos bilhetes de avião, pois

essa é a única coisa sensata a fazer.

 

Quem apresenta o argumento anterior

(A) não incorre numa falácia, porque todos os custos de um serviço devem ser pagos por quem o usa.

(B) incorre numa falácia, porque dá como provado o que pretende provar.

(C) incorre numa falácia, porque critica injustamente as transportadoras aéreas.

(D) não incorre numa falácia, porque dá razões, em vez de procurar explorar as emoções do auditório.

 

Os critérios de correção indicam que a resposta certa é a B.

 

Crítica nossa. Está errada a correção oficial ao indicar a B. A resposta A está correcta, porque de facto não é falácia nenhuma dizer que os passageiros devem pagar todos os custos de um serviço. É uma visão liberal economicista.

 

Vejamos a questão 7 do grupo I

 

7. A dúvida cartesiana também se aplica às crenças a priori. O argumento que permite pôr em causa as

crenças a priori é o argumento:

(A) das ilusões dos sentidos.

(B) do sonho.

(C) do génio maligno.

(D) da existência de Deus.

 

Segundo os critérios de correção a resposta correcta seria a C.

 

Crítica nossa: há 3 respostas correctas, A, B e C. Vejamos: no seu mais célebre raciocínio Descartes exprime o seguinte : «Se quando estou a sonhar me parecem verdadeiros os sonhos que tenho (argumento do sonho), posso pensar que continuo a sonhar quando estou de olhos abertos, logo duvido, ponho em causa as crenças a priori de que existem o mundo físico, o meu corpo, Deus.... » O argumento da ilusão dos sentidos nega também crenças a priori: «Uma vez que os sentidos me enganam muitas vezes posso presumir que me enganem sempre, logo duvido do meu corpo, do mundo físico, etc. Mesmo sem recorrer ao argumento da existência de um génio maligno que me enganasse em tudo o que vejo e sinto, os argumentos A e B bastam para negar as crenças a priori.

A questão está mal construída.

 

Vejamos a questão 8 do grupo I.

 

8. Imagine que Descartes era forçado a concluir que, afinal, Deus pode ser enganador; nesse caso, para ser

coerente, ele teria de aceitar que

(A) apenas as sensações corporais podem ser falsas.

(B) as ideias claras e distintas podem ser falsas.

(C) é falsa a ideia de que ele próprio existe enquanto pensa.

(D) os sentidos são mais importantes do que a razão.

 

Segundo os critérios de correção a única resposta certa é a B.

 

Crítica nossa: há duas respostas correctas, a B e a C. A ideia do penso logo existo está contida na hipótese C e é uma intuição, uma ideia clara e distinta, portanto está também implicada na hipótese B. Portanto, se a resposta B está certa a C está também certa porque está englobada na B.  Que raciocínios tortuosos são os de quem gizou estas questões...É isto a filosofia analítica corrente, um emaranhado de arbitrariedades...

 

www.filosofar.blogs.sapo.pt

 

 f.limpo.queiroz@sapo.pt



publicado por Francisco Limpo Queiroz às 09:46
link do post | comentar | favorito

Segunda-feira, 3 de Junho de 2019
José Ortega y Gasset: sobre la filosofía de la Historia de Hegel y el concepto de libertad
 
José Ortega y Gasset, (9 de mayo de 1883, Madrid, 18 de octubre de 1955), el gran representante de la fenomenología en la filosofía española del siglo XX, fue un crítico de la filosofía de la historia de Hegel, al que admiraba. 
 
Hegel, el filósofo de las grandes síntesis, del pensamiento holístico (holón, en griego, significa "todo") escribió:
 
«La genuina y propia filosofía comienza en Occidente. Sólo en Occidente se alza la libertad de la autoconciencia, desaparece la conciencia natural y el espíritu desciende dentro de sí mismo. En el esplendor de Oriente desaparece el individuo; sólo en Occidente la luz se convierte en la lámpara del pensamiento que se ilumina a sí misma, creando por sí su mundo.»
 
 
 
(Hegel, Introdução à História da filosofía, Arménio Amado- editor sucessor, Coimbra, 1980, pág. 152; lo destaque en negrito es nuestro)
 
 
Es sabido que Hegel describió la Historia Universal como un círculo con 3 fases, la tesis, la antítesis y la síntesis: el Ser en sí, es decir, Dios Espíritu Puro solo antes de crear el universo, el espacio y el tiempo; el Ser Fuera de Sí, es decir, Dios saliendo de sí y corporizándose en naturaleza biofísica, astros, montañas, ríos, plantas, animales irracionales, olvidando el pensamiento libre (panteísmo); el Ser para sí, es decir, Dios volviendo a sí Mismo, Dios encarnado en humanidad que va progresando hacia la libertad de Espíritu, es decir, al pensamiento divino de la primera fase, la del Ser en sí.
 
 
En esta  fase del Ser para sí encajan los tres tipos de Estado fundamentales en el curso de la Historia universal según Hegel: el Estado despótico oriental (China Imperial, antiguo Egipto); el Estado de democracia restringida, basado en la esclavitud (Grecia y Roma antiguas) en él que solo algunos hombres son libres; el Estado del cristianismo germánico reformado, en él que todos los hombres son libres, basado en la libertad de interpretar la Bíblia como se quiera y de vivir fuera de la dictadura de la iglesia catolica romana. Hegel escribió:
 
 
«En Grecia, asistimos al florecimiento de la libertad real, pero únicamente en una forma determinada y con restricción, porque todavía había allí esclavos y los Estados tenían por condición la esclavitud. La libertad en Oriente, Grecia y el mundo germánico puede definirse de modo provisional y superficial con las siguientes fórmulas: en el Oriente es libre un solo, el déspota; en Grecia, son libres algunos; en la vida germánica vale el axioma de que todos son libres, es decir, el hombre es libre como hombre.»
 
(Hegel, Introdução à História da filosofía, Arménio Amado- editor sucessor, Coimbra, 1980, pág. 153)

 

Ortega y Gasset critica esta doctrina hegeliana del Absoluto:

«Al hablar sobre las cosas materiales o históricas Hegel quiere evitar decir sobre ellas verdades parciales. Se exige la verdad absoluta y, por tanto, tiene que averiguar ante todo cual es la absoluta realidad de que todo lo demás no es sino modificación, particularización, ingrediente o consecuencia. Hegel cree haberlo logrado en su filosofía fundamental que él llama lógica» (....)

 

«La realidad única, universal, es lo que Hegel denomina "Espíritu". Por tanto, todo lo que no sea francamente Espíritu tendrá que ser manifestación disfrazada del Espíritu; en la medida en que no parezca ser Espíritu su realidad será pura apariencia, ilusión óptica no arbitraria sino fundada en la necesidad que el Espíritu tiene de jugar al escondite consigo mismo. »

 

« ¿Qué es el Espíritu en Hegel? No nos engañemos: el Espíritu en Hegel es una enormidad en todos los sentidos de la palabra: una enorme verdad, un enorme error y una enorme complicácion. Hegel es de la estirpe de los titanes. Todo en él es gigantesco, miguelangelesco.»

 

(José Ortega y Gasset, Ideas y creencias y otros ensayos, Alianza Editorial, Madrid, 2019, pp 231-232; la letra negrito es colocada por nosotros ).

 

LA LIBERTAD PARA HEGEL NO ES LA LIBERTAD DEL EXISTENCIALISMO INDIVIDUALISTA

 

Ortega destaca que para Hegel el concepto de libertad no es lo mismo que para nosotros, los que significamos libertad en modo existencialista, es decir, de optar en cada momento, individualmente, por seguir este o aquel camino. Hegel sostenía que  ningún individuo logra superar el espíritu de su pueblo, por diferente que sea del sentido común de sus compatriotas en el plano artístico, político, religioso o filosófico. 

Escribe Ortega:

 

«Mas no se olvide que en Hegel la libertad no significa lo que suele para nosotros. Para nosotros es la capacidad de negar lo otro que yo, es "libertarse de", y sólo esto, sólo este movimiento de evasión y de fuga que es, a  la vez, un venir cada cual a sí y quedarse aparte de lo demás. Para los alemanes, un poco asiáticos siempre, panteístas, libertad es un negarse a sí mismo, un limitarse a sí mismo o autodeterminarse. Ahora bien,  yo no puedo limitarme a mí mismo si no es aceptando algo distinto de mí que me limite - por tanto, aceptando en mí a lo demás, llenándome con lo otro, con los otros, integrándome, desindividualizándome, generalizándome - en suma, fundiéndome con lo que queda fuera de mí, con los prójimos de mi pueblo y formando con ellos la unidad colectiva de una nación. Para Hegel sólo al través de un pueblo determinado puede el individuo ser libre o mejor aún, sólo el pueblo como unidad espiritual indivisa y en bloque es libre.»

 

«La inspiración inglesa es antagónica de ésta. Para ella la libertad es el estatuto del ser en la pluraridad. Un ser único, solitario no ha lugar a ejercitar su libertad. Decir que el solitario es libre significa una superchería y una superafetación. ¡Claro, si no hay más que él como no va a ser libre! El atributo de libertad no añade entonces nada. Libre es el que viviendo entre muchos, en obligatoria compañia, tiene no obstante derecho a su soledad, a ser aparte, frente a los demás. Por eso para el inglés la sociedad, es una mera suma de individuos, un complexo de átomos

 

«Esta idea desesperaba a Hegel. (...) El Estado, pues, representa para Hegel la unidad del pueblo frente a su dispersión, en meros individuos (...). La historia no es la historia de los individuos, sino de las unidades populares.(...)¿Quiénes son, pues, los personajes de la Historia universal, es decir, las únicas entidades que tienen efectiva realidad histórica? Éstas y en este orden: China, India, Persia, Fenicia, Siria, Turquía, Grecia, Roma, Arabia, Europa. Cada uno de estos elementos representa un modo radicalmente nuevo de entender la vida.»

(José Ortega y Gasset, Ideas y creencias y otros ensayos, Alianza Editorial, Madrid, 2019, pp. 238-239; la letra negrito es colocada por nosotros ).

 

En este pasaje, Ortega omite el concepto de astucia de la razón universal (Dios), es decir, Espíritu divino  elige a los grandes hombres, de entre la multitud, para, utilizando las pasiones o inclinaciones de esos estadistas, llevar a cabo las transformaciones histórico-sociales que la misma razón universal o Idea planeó. Así, por ejemplo, en 1799 la razón, en este caso el Espíritu del Pueblo Francés, escogió un general ambicioso y de gran valor militar para anular el caos de la revolución francesa y crear el imperio, la nueva Francia de la burguesía triunfante.

 

 

www.filosofar.blogs.sapo.pt
f.limpo.queiroz@sapo.pt

 

© (Derechos de autor para Francisco Limpo de Faria Queiroz)

 



publicado por Francisco Limpo Queiroz às 13:59
link do post | comentar | favorito

mais sobre mim
pesquisar
 
Junho 2019
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1

2
3
4
5
6
7
8

9
11
13
14
15

16
18
19
20
21
22

23
24
25
26
27
28
29

30


posts recentes

Equívocos no Exame Nacion...

Hegel: clareza e obscurid...

Reflexões circunstanciais...

A lei da individualidade,...

O mistério do grau 15 do ...

Vénus em 1º de Gémeos em ...

Marte em 15º de Caranguej...

A ontologia extravasa a f...

Equívocos na Prova 714 de...

José Ortega y Gasset: sob...

arquivos

Junho 2019

Maio 2019

Abril 2019

Março 2019

Fevereiro 2019

Janeiro 2019

Dezembro 2018

Novembro 2018

Outubro 2018

Setembro 2018

Agosto 2018

Julho 2018

Junho 2018

Maio 2018

Abril 2018

Março 2018

Fevereiro 2018

Janeiro 2018

Dezembro 2017

Novembro 2017

Outubro 2017

Setembro 2017

Agosto 2017

Julho 2017

Junho 2017

Maio 2017

Abril 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

Janeiro 2007

Dezembro 2006

Novembro 2006

Setembro 2006

Agosto 2006

Julho 2006

Maio 2006

Abril 2006

Março 2006

Fevereiro 2006

tags

todas as tags

favoritos

Teste de filosofia do 11º...

Pequenas reflexões de Ab...

Suicídios de pilotos de a...

David Icke: a sexualidade...

links
Fazer olhinhos
blogs SAPO
subscrever feeds