Terça-feira, 28 de Outubro de 2014
Teste de filosofia do 11º B (Outubro de 2014)

 

Eis um teste de filosofia . Evitamos as perguntas de escolha múltipla que, por vezes, enfermam de um deformado espírito de «minúcia», baseado em falsas disjunções, carecido de ordem dialética.

Agrupamento de Escolas nº1 de Beja
Escola Secundária Diogo de Gouveia , Beja
TESTE DE FILOSOFIA, 11º ANO TURMA B
24 de Outubro de 2014. Professor: Francisco Queiroz

 I

“Alguns militares  são generais.

Gabriel Espírito Santo é general.

Gabriel Espírito Santo não é militar".
 

1-A) Indique, concretamente, três regras do silogismo formalmente válido que foram infringidas na construção deste silogismo.
1-B) Indique o modo e a figura deste silogismo

 

2) Construa o quadrado lógico das oposições à seguinte proposição:

«Os alentejanos exercitam-se no cante».


3) Explique, concretamente, o seguinte texto:
«O raciocínio de analogia  apoia-se na percepção empírica e na intuição inteligível e difere da dedução. O realismo crítico de Descartes é diferente do idealismo não solipsista subjectivo

 

4) Construa, tendo como primeira premissa a proposição «Se for ao aeroporto de Beja, viajo de avião»:
A) Um silogismo condicional modus ponens.
B) Um silogismo condicional modus tollens.

 

5) Disserte sobre o seguinte tema: «As falácias ad hominem, depois de por causa de, da generalização precipitada, ad misericordiam integram a lógica informal, não a lógica formal».

 

 

CORRECÇÃO DO TESTE COTADO PARA UM TOTAL DE 20 VALORES

 

1-A) Foram violadas as seguintes regras do silogismo: de duas premissas afirmativas não pode extrair-se uma conclusão negativa; o termo médio (neste caso: general) tem de estar distribuído ao menos em uma das premissas, o que não sucede pois está sempre considerado no sentido de «alguns generais»; nenhum termo pode ter na conclusão maior extensão do que nas premissas, ora isso não sucede com o termo maior «militar» que na primeira premissa tem extensão particular («Alguns militares») e na conclusão apresenta extensão universal («Nenhum militar "). Note-se que o termo "Gabriel Espírito Santo" é universal porque apenas existe aquele Gabriel Espírito Santo no universo que estamos a considerar (VALE TRÊS VALORES).

 

1-B)  O modo do silogismo é IAE (VALE UM VALOR). A figura do silogismo é PP (2ª figura). (VALE UM VALOR)

 

2-A)            A                                         E

     

 

 

                    I                                          O

 

Prposição tipo A (universal afirmativa): Os alentejanos exercitam-se no cante.

Proposição tipo E (universal negativa): Os alentejanos não se exercitam no cante.

Proposição tipo I (particular afirmativa): Alguns alentejanos exercitam-se no cante.

Proposição tipo  O (particular negativa): Alguns alentejanos não se exercitam no cante.

 

A relação entre as proposições é a seguinte: A é contrária de E e viceversa; I é subcontrária de O e viceversa; I é subalterna de A; O é subalterna de E; A é contraditória de O e viceversa, I é contraditória de E e viversa.  (VALE DOIS VALORES)

 

3) O raciocínio de analogia é a inferência que estabelece uma semelhança de forma, função ou posição entre entes muito diferentes entre si. Exemplo: o homem é análogo a uma árvore, os pés equivalem às raízes. Isto implica realmente uma dose de imaginação superior. A percepção empírica (exemplo: ver uma árvore, ver um homem) é a captação directa das formas, cores, sons de um objecto físico nos prgãos sensoriais. A intuição inteligível é a captação instantânea de um objecto ou relação metafísica, sem raciocínio (exemplo: homem e árvore são erectos e possuem tronco, exprimem o mesmo arquétipo abstracto, a cruz).  A dedução  é a inferência que parte de uma premissa geral para chegar a uma conclusão geral ou particular. Exemplo: «Todas as árvores têm raízes, os pinheiros são árvores, logo os pinheiros têm raízes» (VALE TRÊS VALORES).

O realismo crítico de Descartes sustenta que há um mundo real fora das mentes humanas mas estas não o apreendem tal como é: o mundo exterior é composto de formas, tamanhos, movimentos, números e de uma matéria indeterminada (qualidades primárias, objectivas); as cores, sons, cheiros, sabores, sensações tácteis, calor e frio, prazer e dor só pertencem ao mundo interior do sujeito (qualidades secundárias), à sua psique, são causadas por movimentos de partículas exteriores que embatem nos olhos, nos ouvidos, etc, e fazem nascer cores, sons, etc. O idealismo não solipsita subjectivo é a doutrina que diz que o mundo material se reduz a ideias e sensações dentro das múltiplas mentes humanas e é uma ilusão subjectiva, todos o vêem de diversas maneiras, diferentes de pessoa a pessoa  (exemplo: todos vêem diferentes torres de menagem do castelo de Beja que, no entanto desaparece ao extinguir-se a mente - idealismo! ). Há uma diferença de grau entre o realismo crítico de Descartes («Há formas fora das mentes humanas») e o idealismo não solipsita («Todas as formas e todas as coisas são mentais, estão dentro das mentes humanas»). (VALE TRÊS VALORES).

 

4-A) Silogismo tipo modus ponens:

«Se for ao aeroporto de Beja, viajo de avião»

«Vou ao aeroporto de Beja».

«Logo, viajo de avião».  (VALE 1 VALOR).

 

Silogismo tipo modus tollens:

Se for ao aeroporto de Beja, viajo de avião».

«Não viajo de avião».

«Logo, não fui ao aeroporto de Beja». (VALE 2 VALORES)

 

4) Falácia é um erro ou vício de raciocínio na argumentação. A falácia ad hominem é o erro de raciocínio que desvia a argumentação racional para o campo do ataque pessoal ao adversário (exemplo: «Ele´ganhou o concurso para gestor de empresas, mas é gay, vamos impedi-lo de subir a gestor da empresa»). A falácia depois de por causa de é a que estabelece uma relação necessária de causa-efeito entre fenómenos que ocorrem simultaneamente por acaso. (Exemplo: Há uma semana vi um gato preto e uma hora depois bati com a moto em um muro; há 3 dias vi outro gato preto e a seguir perdi a carteira; logo, ver gatos pretos causa-me azares). A falácia da generalização precipitada é a que extrai uma conclusão geral de uma amostra particular insuficiente (exemplo: "ouvi três cantores magníficos da Amareleja, logo todos os habitantes da Amareleja são bons cantores"). A falácia ad misericordiam é  a que faz um apelo à misericórdia do interlocutor de modo a esbater ou apagar a racionalidade de uma decisão ( O aluno diz para o professor: «Sei que não tive nenhum teste com nota positiva ao longo do ano mas tenha piedade e dê-me nota de 10 valores senão o meu pai impede-me de gozar férias fora daqui»). Estas falácias integram a lógica informal ou material que é a lógica formal submetida aos factos e leis da natureza, ou seja, a lógica dos acontecimentos físicos, concretos. Lógica formal é a ordem abstracta do pensamento, das regras, abstraindo dos objectos naturais. O silogismo «As abelhas são cães/ os cães são elefantes/ Logo as abelhas são elefantes» possui lógica formal - o modo de raciocínio está correcto - mas não tem lógica material, é falso no seu conteúdo. (VALE QUATRO VALORES)

 

 

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© (Direitos de autor para Francisco Limpo de Faria Queiroz)

 



publicado por Francisco Limpo Queiroz às 14:48
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