Terça-feira, 4 de Novembro de 2014
Teste de filosofia do 10º B (Outubro de 2014)

 

 

Eis um teste de filosofia . Evitamos as perguntas de escolha múltipla que, por vezes, enfermam de um deformado espírito de «minúcia» frequentemente manchado por falácias disjuntivas.

Agrupamento de Escolas nº1 de Beja
Escola Secundária Diogo de Gouveia com 3º Ciclo, Beja
TESTE DE FILOSOFIA, 10º ANO TURMA B
31 de Outubro de 2014. Professor: Francisco Queiroz

 

I

 

“Em Tales de Mileto, como em Empédocles, as múltiplas aparências empíricas ocultam uma ou quatro essências. As essências em Platão são transcendentes e em Aristóteles são imanentes. A teoria hilemórfica de Aristóteles sustenta que a proté ousía brota de dois princípios opostos, um dos quais existe originariamente em potência».

 

  1. Explique concretamente este texto.

II

 2. Relacione, justificando;

A) Filosofia, racionalidade, aletheia e metafísica.

B) Esfera dos valores vitais e sentimentais e esfera do santo e do profano, na teoria de Max Scheler

C) Três partes da pólis e três partes da alma humana, em Platão.

D) O tó tí, o tó on, o Mundo do Mesmo e o Mundo do Semelhante em Platão.

 

 

CORRECÇÃO DO TESTE COTADO PARA UM TOTAL DE 20 VALORES

 

1-) Em Tales de Mileto, as múltiplas aparências empíricas - exemplo: as montanhas, os céus, os rios, os animais, as árvores - são feitas de uma mesma essência que é a água, o arquê ou princípio material do universo segundo Tales. Deus, que não criou a água, moldou a partir desta o cosmos ou universo hierarquizado. Em Empédocles, as múltiplas aparências empíricas ou seja os muitos objectos que aparecem aos orgãos sensoriais são misturas de quatro arquês, o fogo, o ar, a água e a terra, em diferentes proporções. Essas misturas são feitas pelo Amor, força que une, e alteradas ou desfeitas pela Discórdia, ou força que separa (VALE TRÊS VALORES). As essências são as formas eternas e imutáveis tanto em Platão como em Aristóteles. Em Platão, elas são arquétipos de Bem, Belo, Justo, Número Um, Número Dois, Triângulo, Homem, etc, existentes no mundo Inteligível acima do céu visível, por isso são transcendentes, estão além (trans) do universo físico. Em Aristóteles, as essências são formas eternas inerentes ou imanentes aos objectos físicos - exemplo: a essência sobreiro está em todos os sobreiros reais, físicos, porque não há mundo inteligível (VALE TRÊS VALORES). A teoria hilemórfica (hyle é matéria-prima universal; morfos é forma) de Aristóteles sustenta que cada coisa individual ou primeira substância (proté ousía) como, por exemplo, este cavalo cinzento, se forma da união entre a forma eterna de cavalo que existe algures e a hylé ou matéria-prima universal, indiferenciada, que não é água nem fogo nem ar, nem terra mas que passa a existir ao juntar-se à forma (VALE TRÊS VALORES).

 

2-A) A filosofia ou interpretação livre do mundo e da vida comporta racionalidade, isto é, lógica,  aletheia, isto é, desocultação da verdade, e metafísica, isto é,  busca da verdade, das primeiras causas em uma região ontológica do invisível e imperceptível que trata de coisas reais ou imaginárias como deuses e demónios, Big Bang e outras hipóteses de origem do universo, etc.(VALE TRÊS VALORES).

 

2-B)  A esfera dos valores vitais e sentimentais é a dos valores anímicos situada entre o prazer e a dor puros, vegetativos, e os valores intelectuais. Comporta os seguintes valores: nobre e vulgar, sentimentos de vitória ou de derrota, de juventude e de doença, de ciúme ou de tranquilidade afectiva, de coragem ou de cobardia,etc. A esfera do santo e do profano, a mais elevada de todas, tem como valores deus ou deuses, a santidade, a vida no além, o milagre, etc, ou em contrapartida, a exaltação da matéria como princípio do universo e dos valores profanos (o casamento civil, a república, etc) (VALE DOIS VALORES).

 

2-C)    A parte mais alta da alma humana é o Nous ou razão intuitiva que apreende os arquétipos. Equivale na pólis aos filósofos-reis que fazem as leis, vivem em uma casa do Estado, não podem ter ouro nem prata, e trocam de companheiras sexuais de modo a não saber de quem são os filhos e não se corromperem com favoritismos. (VALE DOIS VALORES). A parte média da alma é o Tumus ou Tymus ou coragem e honra e brio militar. Equivale aos guerreiros ou arcontes auxiliares que policiam a cidade, cobram os impostos, punem os malfeitores vivem em uma casa do Estado, não podem ter ouro nem prata, e trocam de companheiras sexuais de modo a não saber de quem são os filhos. A parte inferior da alma é a Epithimya ou Concupiscência, isto é, o desejo imoderado de comer, beber, possuir ouro e prata e propriedades fundiárias, entregar-se a orgias, etc. Equivale aos diferentes estratos da população desde os proprietários agrários de escravos até aos escravos, passando pelos comerciantes e artesãos. De um modo geral, podem enriquecer mas não podem eleger os filósofos-reis e os guerreiros para que estes governem de forma exemplar, incorruptível. ( VALE TRÊS VALORES).

 

2-D)    O tó tí é o quê-é ou seja a forma, essencial ou acidental, de algo. Exemplo: o tó tí da espiga de trigo é a forma desta e distingue-se do tó tí da espiga de milha e do tó tí do rosto humano. O tó ón é o ente, o que é, o existente, qualidade que é comum aos diferentes tó tís. O Mundo do Mesmo ou mundo dos arquétipos ou Ideias ou Modelos perfeitos, acima do céu visível, possui tó on e tó tí no que respeita a cada arquétipo: o tó tí do Triângulo é diferente do tó tí do Círculo e do tó tí do Belo. O Mundo do Semelhante ou mundo do céu visível, dos astros incorruptíveis - semelhantes neste aspecto aos arquétipos - e do tempo também possui tó ón - a existência dos planetas e do céu - e tó tí - a forma do Sol, a forma de Júpiter, as formas das constelações, etc (VALE TRÊS VALORES).

     

 

www.filosofar.blogs.sapo.pt
f.limpo.queiroz@sapo.pt

 

© (Direitos de autor para Francisco Limpo de Faria Queiroz)

 



publicado por Francisco Limpo Queiroz às 09:37
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