Quarta-feira, 20 de Julho de 2016
Nietzsche e a Astrologia

 

Nietzsche não acreditava, ao contrário de filósofos estóicos como Marco Aurélio, no determinismo astral, ainda que algo paradoxalmente, também não acreditasse no livre-arbítrio. Escreveu sobre astrologia:

 

«300- Prelúdios da ciência - Julgais então que as ciências teriam nascido, julgais que teriam crescido, se não tivesse havido antes estes mágicos, estes alquimistas, astrólogos e feiticeiros que foram primeiro obrigados, por meio da isca de miragens e promessas, a criar a fome, a sede, o gosto pelas forças escondidas, pelas forças proibidas?  Julgais que não foi necessário prometer muito mais que aquilo que alguma vez se poderá cumprir para poder fazer a mais insignificante coisa no domínio do conhecimento? Nós vemos nisso simples prelúdios da ciência, exercícios preparatórios que não se sentiam, que não se executavam como tais; talvez da mesma forma, qualquer idade distante veja, em qualquer religião, também um simples exercício, um prelúdio.» (Nietzsche, A Gaia Ciência)

 

Assim, Nietzchze, inimigo dos sistemas ordenadores da história - excepto do dele, claro - à semelhança da generalidade dos pensadores contemporâneos, considerou a astrologia uma pseudo-ciência, um esforço mágico-intelectual no sentido de progredir para a ciência ainda desconhecida. Se conhecesse a movimentação dos planetas no céu e tivesse tido a intuição genial de a aplicar à história da França e da Alemanha, inclinar-se-ia no sentido da verdade, constatando que os ciclos planetários determinam os acontecimentos históricos.

 

 

Mas Nietzsche era um ignorante nesta matéria: não era suficientemente racional e sagaz para conceber o universo como uma máquina, com a aparência de ser vivo, em que todos os acontecimentos são desenhados pelo compasso das translações planetárias, solares e lunares sobre a coroa de 360º  denominada Zodíaco, dividida em doze partes iguais chamadas signos, e, obviamente,  todas presentes no céu a cada instante.

 

Só os grandes pensadores em todos os campos são capazes de conceber isso. Eduardo Lourenço e José Gil não têm essa amplitude de pensamento essa inteligência superior, tal como não a possuem os filósofos analíticos e os positivistas lógicos que dominam e afogam as universidades no cretinismo anti-determinismo astral que se serve da pseudo-astrologia dos jornais e dos programas de TV para denegrir a ciência astrológica real.

Fernando Pessoa, esse sim, possuía uma inteligência holística, bastante mais alta que José Gil, Eduardo Lourenço e qualquer outro catedrático de filosofia em Portugal, e sem embargo de não se ter libertado da tradição astrológica, da fantasiosa teoria das 12 casas, avançou minimamente na direção da Astrologia Histórico-Social, - que André Barbault, e eu, em especial desde 1996, com a publicação de quatro livros capitais ( «Leis planetárias em eleições gerais», 1996; «Sincronismos, cabala e graus do Zodíaco», 2001; «Astrología y guerra civil de España», 2006; «Os acidentes em Lisboa na astronomia-astrologia,  elevamos à condição de  ciência histórica.

 

Se Nietzsche tivesse feito um estudo astronómico da história saberia, por exemplo, que a passagem de Júpiter no signo de Virgem ( graus 150 a 180º da eclíptica ou trajectória aparente do Sol no Zodíaco, o que sucede durante um ano em cada 12 anos, aproximadamente, exalta a Alemanha, como o atestam os seguintes exemplos :

 

A) Em 31 de Outubro de 1517, com Júpiter em 17º do signo de Virgem, Lutero afixa na porta da igreja do castelo de Wittenberg as 95 Teses contra o abuso da absolvição ou indulgências, preconizado sobretudo pelo monge dominicano Johann Tetzel.

 

B) Em 3 de Agosto de 1529, com Júpiter em 2º do signo de Virgem, celebra-se o Tratado de Cambrai (Paz das Damas). negociado por Margarida de Áustria, tia de Carlos V, e Luisa de Sabóia, duquesa de Angoulême, mãe de Francisco I, pelo qual este rei da França paga dois milhões de coroas e renuncia às suas pretensões em Itália, na Flandres e no Artois e Carlos V, imperador dos Estados alemães, promete desistir da sua pretensão à Borgonha por algum tempo, libertando os príncipes franceses que estavam reféns.

 

C) De 30 de Janeiro a de 1933, com Júpiter em 22º -  13º- 17º   do signo de Virgem,  Hitler ascende a primeiro-ministro da Alemanha (30 de Janeiro) e leva  a cabo a destruição da república parlamentar, com o incêndio nocturno do parlamento em Berlim (27 de Fevereiro) e a subsequente suspensão das liberdades democráticas e detenção de mais de 4000 membros do Partido Comunista Alemão, a votação no novo parlamento do decreto que confere plenos poderes a Hitler por 441 votos a favor e 91 votos socialistas contra (23 de Março), a dissolução dos sindicatos (21 de Abril) e criação da Gestapo (26 de Abril), a dissolução do partido social-democrata alemão (22 de Junho) e dos partidos de direita (27-29 de Junho).

 

 

D) De 30 de Abril a 7 de Maio de 1945, com Júpiter 17º de Virgem, desmorona-se por completo o III Reich nazi, com o suicídio do chefe de Estado Adolf Hitler (30 de Abril) e a rendição formal da Alemanha ante os Aliados (7 de Maio).

 

Quanto ao silêncio da universidade portuguesa sobre astrologia histórica é revelador da ignorância dos «sumos sacerdotes do conhecimento» que são os catedráticos: atribuem doutoramentos uns aos outros sem a humildade de reconhecerem o determinismo planetário, são o Tribunal da Santa Inquisição Científica dos nossos dias.

 

 

www.filosofar.blogs.sapo.pt

 

f.limpo.queiroz@sapo.pt

 

© (Direitos de autor para Francisco Limpo de Faria Queiroz)



publicado por Francisco Limpo Queiroz às 17:11
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