Quarta-feira, 27 de Janeiro de 2016
Duplicidade na ontologia de Plotino

 

 Plotino (Licópolis, 205- Egipto, 270), filósofo neoplatónico,  escreveu:

 

«Efetivamente, cada homem é duplo: um, o composto dual particular; e outro, ele mesmo. Mas, ademais, todo o cosmos é duplo: um, o composto de corpo e de certa alma ligada a um corpo, e outro, a Alma do Universo que não está no corpo mas que ilumina com os seus esplendores fugazes à que está no corpo. E também o sol e os demais astros são duplos do mesmo modo. À outra alma, à alma pura, não comunicam vileza nenhuma; mas os influxos que deles se transmitem ao universo enquanto são por seu corpo uma parte do universo e uma parte animada, transmitem-nos com uma parte de si, enquanto que a vontade do astro e a alma realmente sua têm o olhar posto no mais exímio. Ao invés, os influxos são acompanhamentos do astro, ou melhor, da envolvência do astro, como quando um calor se transmite do fogo ao conjunto. Diga-se o mesmo se algum influxo se transfunde da alma restante a outra porque lhe é afim. Os efeitos desagradáveis devem-se à mistura, pois a natureza de este universo é «mista» e se alguém separasse do universo a alma separada não ficaria grande coisa- Assim pois o universo é um deus se entra em conta com aquela alma. O resto é um «grande Démon» diz Platão - e assim as paixões que surgem nele são demónicas »(Vida de Plotino, Enéades, I-II, Editorial Gredos, Madrid, 1982, pag 390-391; o negrito é posto por mim).

 

Tanto quanto este texto dá a perceber, Plotino considerava que deus é a alma do universo, o uno, que interpenetra todos corpos dotados de almas particulares, cada uma destas possuindo um «daimon» ou espírito interior, individualizado. Na medida, em que o interesse do indivíduo se separa do todo prevalece o «daimón», a paixão do corpo, a vontade de comer, beber, possuir riquezas e um poder opressivo dos outros. A natureza dupla do homem e dos astros consiste na sua dupla irradiação, benéfica e maléfica: o altruísmo e o egoísmo (o daimón e as suas paixões) no homem; a vontade do astro, pura, e o efeito do seu envolvente que distorce ou enfraquece a pureza daquele.

 

www.filosofar.blogs.sapo.pt
f.limpo.queiroz@sapo.pt

 

© (Direitos de autor para Francisco Limpo de Faria Queiroz)

 



publicado por Francisco Limpo Queiroz às 23:12
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