Quarta-feira, 6 de Julho de 2016
Crossdressers heterossexuais (homens-lésbicas), o segmento sócio-erótico silenciado

 

 Existe um número indefinido de homens e mulheres em Portugal - talvez entre  50 000 a 80 000,  - que, sendo heterossexuais, gostam de travestir-se, de envergar a roupa e a maquilhagem usada pelo sexo oposto. O seu psiquismo é complexo e não surpreende que as organizações queer, gays e lesbianas, como a ILGA (Intervenção Lésbica, Gay, bissexual e transgénero) por exemplo, não contemplem acolher formalmente as pessoas deste género. Há quem lhes chame os homens-lésbicas.

 

O crossdresser heterossexual masculino não pode ser sumariamente classificado como drag queen porque este último é um homem que se traveste com fins artísticos, de forma cómica ou exagerada. E há drag queens homossexuais e bissexuais. O síndrome do crossdresser hetero é a penisfobia: apesar de usar, ocasionalmente, sutiã, ligas, calcinha, corpetes, vestidos e cabeleira o homem tem horror ao pénis, é uma verdadeira lésbica em corpo masculino e só ama fisicamente mulheres.

 

Abandonado por muitas mulheres que, sem o experimentarem, o acham «amaricado» e bloqueiam a aproximação, e desprezado por gays e bissexuais que o consideram um «gay indeciso, não praticante por falta de coragem», o crossdresser hetero, ou fetichista do feminino,  é muitas vezes um solitário que só no carnaval sai à rua travestido (nalguns casos nem sai) e que vive na esperança de encontrar a mulher que o ame, o bar destinado exclusivamente a mulheres e a homens crossdressers hetero.

 

Por outro lado, os grandes midia ocultam de um modo geral esta sensibilidade que abala o campo dos heterossexuais, dado os riscos de confusão com a homossexualidade e a perda da visão a preto e branco da sexualidade própria do machismo Quem se veste de mulher é sempre homossexual, os machos nunca se travestem»): um representante deste movimento hetero fetichista, que desfilou travestido de loira de vestido vermelho na marcha LGBT de Lisboa, em 18 de Junho de 2016, escreveu-me a dizer que a TVI o entrevistou em plena marcha e ele exprimiu o que é ser crossdresser heterossexual mas o canal de televisão censurou, não passou nos telejornais nada disso. Tal como as televisões não passaram o conteúdo anticapitalista e antipatriarcal dos discursos no comício final junto ao rio Tejo, perto da Praça do Comércio.

 

Este crossdresser hetero invoca o facto, obviamente discutível, de ao travestir-se aumentar a sua potência sexual com as mulheres, porque as ama duplamente, como homem e como «mulher».

 

www.filosofar.blogs.sapo.pt
f.limpo.queiroz@sapo.pt

 

© (Drois de auteur pour Francisco Limpo de Faria Queiroz)



publicado por Francisco Limpo Queiroz às 17:26
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2 comentários:
De Sandra M. Lopes a 18 de Setembro de 2016 às 01:59
Felizmente, as boas notícias é que somos tantos que existe «massa crítica», ou seja, um grupo mais que suficiente para se juntar, para ir passear juntas, ir ao cinema ou tomar um copo (num bar que não faça necessariamente parte do circuito LGBT) muitas vezes em grupos mistos com mulheres cisgénero...


De Francisco Limpo Queiroz a 21 de Setembro de 2016 às 00:16

Ainda bem que a liberdade sexual, em particular a liberdade de se travestir e exibir publicamente assim, floresce nas grandes cidades de Portugal, especialmente Lisboa. O carnaval e a fantasia de vestir como se quiser deve estender-se ao ano todo. Temos de afastar-nos da mentalidade obscura, brutal e anti sexual que as religiões monoteístas inculcaram nas gentes desde há séculos.


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