Sexta-feira, 25 de Fevereiro de 2011
Heidegger: a consciência natural como diferença ôntico-ontológica

 

Heidegger escreveu:

 

«Ontológico significa levar a cabo a reunião do ente com a sua entidade. Ontológica é aquela essência que, segundo a sua natureza, se encontra em esta história desde o momento em que a suporta segundo o desocultamento do ente de cada momento. De acordo com isto, podemos dizer que a consciência é consciência ôntica na sua representação imediata do ente. Para ela, o ente é o objecto. Mas a representação do objecto representa, de maneira impensada,o objecto enquanto objecto. Já reuniu o objecto na sua objectividade e por isso é consciência ontológica. Mas como não pensa a objectividade como tal e sem embargo, já a representa, a consciência natural é ontológica, e sem embargo, ainda não o é. Dizemos que a consciência ôntica é pré-ontológica. Enquanto tal, a consciência natural ôntico-préontológica é, em estado latente, a diferença entre o onticamente verdadeiro e a verdade ontológica.» (Martin Heidegger, Caminos de Bosque, pag. 134, Alianza Editorial; o negrito é colocado por mim).

 

Este texto de Heidegger merece algumas reservas na sua claridade. Por que razão «a consciência natural é ontológica, e sem embargo, ainda não o é»? Heidegger sabe-o, sem dúvida, mas poderia precisar que a consciência natural é ontológica na sua constituição, mas ôntica no seu conteúdo, na sua função representativa. O ontológico é o verdadeiro profundo por desocultar, o objectivo, o fenómeno (no sentido heideggeriano) oculto sobre as aparências, o alicerce da casa.

 

O ôntico é o verdadeiro aparente. Exemplo: «Onticamente, a febre é um mal porque causa mal-estar térmico, suores, etc, e onticamente é verdadeiro que os medicamentos antipiréticos baixam e fazem desaparecer a febre; ontologicamente, a um nível mais profundo, a febre é bem, porque é um mecanismo de expulsão de toxinas, sais de ácido úrico, colesterol, através de suores, sebo, urinas carregadas, etc, e, portanto, um esforço libertador da doença, e os medicamentos antipiréticos são maus porque bloqueiam a febre, acção vital de defesa do organismo.»

 

Na acepção de Heidegger, entidade significa o ser: a entidade do ente é o ser. Mas haveria que distinguir o ser na sua dupla vertente de qualidade de existir e de estrutura ou essência geral unificada de todos os entes. São coisas distintas, ainda que indissociáveis.

 

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© (Direitos de autor para Francisco Limpo de Faria Queiroz)



publicado por Francisco Limpo Queiroz às 15:57
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8 comentários:
De Rogerounielo Rounielo de França a 30 de Julho de 2013 às 02:55
1. Sou curioso e crítico, por natureza. Li explicações sobre o que significa ôntico e ontológico, a partir do pensamento Heideggeriano e achei essas explicações excelentes, por facilitarem o entendimento de um tema tão abstrato.

2. Como um estudioso, iniciante, da obra de Heidegger, concluí, com base nas suas explicações, existirem dois horizontes ontológicos diversos, mas complementares entre si.

3. O PRIMEIRO HORIZONTE ONTOLÓGICO seria o horizonte infinito de possibilidades para se determinar a natureza do Ser. Podemos investigar a natureza do Ser, por meio de diversos expedientes de reflexão consciente. Exemplo. Quero saber como está o clima (objeto de investigação).

4. Utilizando seus exemplos, posso ligar a TV, o rádio, buscar a informação na Internet, no meu celular, ligar para um conhecido, um amigo etc.

5. Percebamos! Ainda não sabemos como o clima está. Apenas nos propuzemos a saber como o clima está e, ao nos propormos a saber como o clima está, se abrem para nós um horizonte de inúmeras possibilidades de investigação do objeto de investigação (saber como o clima está), que é o primeiro horizonte ontológico, a meu ver.

6. Quando se investiga a ontologia do Ser, aqui entendida como esforço deliberado e consciência na tentativa de traduzir o Ser em linguagem compreensível para a mente mortal surge o SEGUNDO HORIZONTE DE POSSIBILIDADES, mais complexo e abstrato que o primeiro horizonte de possibilidades tratado anteriormente.

7. O SEGUNDO HORIZONTE ONTOLÓGICO seria o horizonte infinito de possibilidades para se determinar o próprio Ser.

8. Ser é movimento. Ser é devir. Ser é algo inconstante que está na necessidade. Ser é algo inacabado. Ser é algo em evolução. Ser é algo sujeito a processo evolutivo. Ser é algo, em evolução, sujeito ao tempo e ao movimento.

9. Ser é algo que, constantemente, no tempo e no processo de evolução, muda do momento “A” para o momento “B”, para o momento “C” e, assim, infinitamente, nos momentos, infinitos, que compõem a cadeia temporal.

10. Ser é algo que, constantemente, está vindo a ser diferente daquilo que era a um segundo atrás.

11. A materialidade, ilusória, criada pela mente, não nos ajuda a fixar conceitos fugidios. Exemplo. Vejo um copo, com água, em cima da mesa. Passo horas olhando esse copo, fixamente, e nada acontece. O ente copo, a forma copo, o ente e a forma mesa, o ente e a forma água, dentro do copo, não mudam.

12. Contudo, em física quântica, demonstra-se em laboratório, que a energia da matéria do copo, da água e da mesa são trocadas, constantemente, quase que instantaneamente, o tempo todo, de forma que o constante é, apenas, o fluxo da energia que se renova como ocorre, por exemplo, no curso de um rio.

13. Assim, com base na ciência, pergunta-se por que então, a água não derrama, já que a matéria do copo é trocada o tempo todo?

14. Questões mais inquietantes são: POR QUE, APESAR DA TROCA DA MATÉRIA E DA ENERGIA, A MESA, O COPO E A ÁGUA NÃO SE ALTERAM?

15. O que faz com que o ente (mesa, copo e água) se mantenham constantes, apesar da troca, constante e quase instantânea, da matéria e da energia que compõem esses entes (mesa, copo e água)?

16. Onde está o mecanismo que faz com que os corpos envelheçam, já que a matéria e a energia dos corpos é sempre nova e renovada, o tempo todo?

17. Retomando nosso raciocínio. O Ser é evolutivo e pelo fato de o Ser estar sujeito ao processo de evolução, há um campo de infinitas possibilidades, mutantes e intercambiáveis, sobre o que o Ser é a cada momento (SEGUNDO HORIZONTE ONTOLÓGICO).

18. Vamos tentar “materializar” esses conceitos, que para mim são diferentes, de PRIMEIRO HORIZONTE ONTOLÓGICO e SEGUNDO HORIZONTE ONTOLÓGICO!

19. Imagine que temos sete cegos em torno de um elefante. Cada cego toca uma parte do elefante. Se você perguntar para um dos cegos o que é o elefante, ele dirá que o elefante é a parte do elefante que referido cego toca. Essa é a verdade do “Ser Elefante” para esse cego.

20. Assim, o primeiro cego descreverá a pata traseira que toca como sendo o elefante. O segundo cego descreverá o elefante como sendo a pata dianteira. O terceiro cego descreverá o elefante como sendo a orelha e, assim, sucessivamente.

Continua


De Rogerounielo Rounielo de França a 30 de Julho de 2013 às 02:57
Continuação

22. No caso dos sete cegos, todos estão certos, quando descrevem sua parte do elefante, só que, ao mesmo tempo, todos estão errados, já que nenhum dos sete cegos descreveu o elefante por inteiro e é impossível para cada um dos cegos, isoladamente, descrever o elefante como um todo descrevendo, apenas, a parte do elefante que cada um toca.

23. Só é possível descrever o elefante como um todo descrevendo, ao mesmo tempo, todas as partes do elefante, por meio da junção, da união da percepção, individual, de cada cego a respeito da parte do elefante que cada um toca.

24. É impossível para a mente mortal abarcar um horizonte ontológico infinito. Por isso, fazemos escolhas perceptivas e ao fazermos escolhas perceptivas excluímos as outras possibilidades de percepção.

25. É impossível para a mente mortal juntar, unir, as infinitas partes que compõem o horizonte ontológico infinito para descrever o elefante por inteiro.

26. Ainda que fosse possível para a mente mortal juntar, unir, as infinitas partes que compõem o horizonte ontológico para, finalmente, descrever o elefante, o elefante já não mais existiria como Ser, já que Ser é movimento. Ser é evolução. Ser é mutação.

27. A única certeza que podemos ter no significado ôntico e ontológico é que o Ser É algo em algum momento, mas não conseguimos abarcar, por inteiro esse algo em nenhum dos infinitos momentos de mutação do próprio Ser, ainda que seja em um instante determinado.
Fim


De Francisco Limpo Queiroz a 31 de Julho de 2013 às 03:23
Caro Rogerounielo, respeitando o seu posicionamento teórico, que agradeço, direi que não subscrevo a tese de que «Ser é evolução. Ser é mutação» porque ela se opõe ao conceito imobilista de Ser exposto por Parménides («O ser é imóvel, imutável, eterno, incriado», etc) que é o ponto de partida das reflexões de Heidegger.


De Rogerounielo Rounielo de França a 31 de Julho de 2013 às 22:48
1. Caro Francisco, obrigado pelos seus comentários, bem como pela indicação de outro ponto de vista, importante, que merece profundas reflexões, já que o pensamento é, naturalmente, evolutivo e involutivo.

2. O pensamento de Parmênides está exposto num poema filosófico intitulado “Sobre a Natureza e Sua Permanência”, dividido em duas partes distintas: uma que trata do caminho da verdade (alétheia) e outra que trata do caminho da opinião (dóxa), ou seja, daquilo onde não há nenhuma certeza.

3. De modo simplificado, a doutrina de Parmênides sustenta o seguinte (Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Parm%C3%AAnides#O_Vir-a-Ser

a) Unidade e a imobilidade do Ser;

b) O mundo sensível é uma ilusão;

c) O Ser é uno, eterno, não-gerado e imutável.

d) Não se confia no que vê.

4. Importante conhecer, também, “O Vir-a-Ser” (link https://pt.wikipedia.org/wiki/Parm%C3%AAnides#O_Vir-a-Ser):

a) Quanto às mudanças e transformações físicas, o Vir-a-Ser, que a todo instante vemos ocorrer no mundo, Parmênides as explicava como sendo apenas uma mistura participativa de ser e não-ser. “Ao vir-a-ser é necessário tanto o ser quanto o não-ser. Se eles agem conjuntamente, então resulta um vir-a-ser”.

b) Um desejo era o fator que impelia os elementos de qualidades opostas a se unirem, e o resultado disso é um vir-a-ser. Quando o desejo está satisfeito, o ódio e o conflito interno impulsionam novamente o ser e o não-ser à separação.

c) Parmênides chega então à conclusão de que toda mudança é ilusória. Só o que existe realmente é o ser e o não-ser. O vir-a-ser é apenas uma ilusão sensível. Isto quer dizer que todas as percepções de nossos sentidos apenas criam ilusões, nas quais temos a tendência de pensar que o não-ser é, e que o vir-a-ser tem um ser.

5. Provavelmente Parmênides está correto e eu estou errado em minhas análises, até por que sou um iniciante nos estudos filosóficos, mais para um curioso do que para um especialista em filosofia, para dizer a verdade, mas, apesar disso, nada nos impede de exercitar a filosofia, oculta, das nossas percepções conscientes, que ocorrem no campo da intuição, própria das crianças inexperientes.

6. Analise, então, comigo, se alguma das ideias, abaixo, poderia ser aproveitada, de alguma forma, para lançar novos pontos de vista sobre os meus próprios pontos de vista, sobre os seus pontos de vista e sobre os pontos de vista de Parmênides, com a finalidade de elucidarmos as razões pelas quais o homem não consegue materializar, na mente, consciente, concreta, determinados aspectos, fenomênicos, EXISTENTES e NÃO EXISTENTES, materialmente falando, sobre o PROCESSO DE CRIAÇÃO, ABSOLUTA, a partir do “Não Ser”, "Único Ser”, que por “Não Ser” pode “Ser” qualquer coisa, EXISTENTE e INEXISTENTE, ao mesmo tempo, razão pela qual, quando imperava o NADA ABSOLUTO, ANTES DE SER CRIADO O PRIMEIRO SER, IMATERIAL E, POSTERIORMETNE, MATERIAL, O "NÃO SER", QUE É O PRÓPRIO “NADA ABSOLUTO” SE TRANSMUTA EM "SER ABSOLUTO NÃO EXISTENTE MATERIALMENTE", JÁ QUE O "NÃO SER", POR NÃO SER, PODE SER QUALQUER COISA, E O "SER QUE É CRIADO" NÃO PODERIA TER SURGIDO ESPONTANEAMENTE JÁ QUE, POR DEFINIÇÃO, O SER É, SEMPRE, CRIADO POR ALGO E SERIA ABSURDO SUPOR QUE PRIMEIRO EXISTIU O "SER" (CRIATURA) PARA DEPOIS VIR O CRIADOR (NADA ABSOLUTO OU “NÃO SER”, O "ÚNICO SER"). O PROCESSO É INVERSO. PRIMEIRO TEMOS A CAUSA, SEM CAUSA, O "NÃO SER" OU “NADA ABSOLUTO”, QUE SE TRANSMUTA EM "SER ABSOLUTO NÃO EXISTENTE", QUE SE TRANSMUTA EM "SER ABSOLUTO EXISTENTE MATERIALMENTE FALANDO" E, ASSIM, FICA COMPOSTA A TRINDADE, ORIGINÁRIA, DA CRIAÇÃO INFINITA, ABSOLUTA, NÃO EXISTENTE E EXISTENTE, CRIADA (CRIAÇÃO INFINITA EXISTENTE E NÃO EXISTENTE MATERIALMENTE) PELO INFINITO, INCREADO.

7. COMO É QUE O HOMEM RECONHECE A NOÇÃO, EXISTENTE, DO CONCEITO DE INFINITO, INEXISTENTE (O INFINITO NÃO EXISTE, DE FATO, MAS O HOMEM POSSUI A NOÇÃO, CONCRETA, DE ALGO QUE NÃO EXISTE), AFINAL DE CONTAS, JÁ QUE, POR DEFINIÇÃO, O INFINITO É O PRÓPRIO NADA ABSOLUTO?

Continua


De Rogerounielo Rounielo de França a 31 de Julho de 2013 às 22:51
Continuação

8. COMO É QUE A MATEMÁTICA DEMONSTRA O INFINITO? COMO É QUE A MATEMÁTICA DEMONSTRA O NADA ABSOLUTO, NÃO EXISTENTE, E CRIA A NOÇÃO, EXISTENTE, DO NADA ABSOLUTO, QUE NÃO EXISTE?

9. Se você analisar, com muito cuidado, uma demonstração matemática do infinito, conforme exemplo abaixo,

“-n (infinito negativo), -10, -9, -8, -7, -6, -5, -4, -3, -2, -1, 0, 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, n (infinito positivo)”

verá que todos os números positivos, todos os números negativos, e o zero (número neutro), são noções finitas e em nenhum lugar dessa demonstração matemática do infinito é demonstrado, matematicamente, o infinito.

10. O infinito, que não existe, enquanto “Ser Fenomênico”, se revela aos homens nos números matemáticos, positivos, neutro, e negativos, que são noções, matemáticas fenomênicas, finitas, mas o infinito não pode ser demonstrado, matematicamente, por meio de quaisquer números. Podemos perceber, assim, intuitivamente, a “PRESENÇA” DO “NÃO SER”, “ÚNICO SER”, que se encontra velado pela realidade fenomênica, matemática, que nos cerca.

11. Os números finitos, positivos, neutro, e negativos, nos dão a novação, metafísica, do que não existe (infinito). Os números positivos, neutro, e negativos, nos dão a noção do infinito, por meio da finitude. Eis a beleza do mistério da vida e da criação!

Grande abraço.

Rogerounielo Rounielo de França


De Francisco Limpo Queiroz a 31 de Julho de 2013 às 23:39
Rougeronielo, é muito interessante o que escreve. Julgo que, na terminologia de Heidegger, a noção de tempo infinito nas nossas vidas é ôntica e mascara a realidade ontológica do tempo finito («Os nossos dias estão contados». como diz a Bíblia).

Parece - visão um pouco esquemática, talvez - que as matemáticas e seus criadores tendem para a noção de infinito (Descartes e a res infinita, Galileu e o universo infinito, etc) e a física e seus criadores para a noção de finito (Aristóteles, Einstein e o universo finito). O infinito existe matematicamente mas não fisicamente. E o infinito será o nada absoluto? Ou apenas a imprecisão contínua de algo, de um movimento?


De Rogerounielo Rounielo de França a 1 de Agosto de 2013 às 02:35
Caro Francisco,

1. Você tocou em um assunto (movimento) bastante sensível, a meu ver, quando nos propomos a filosofar sobre a existência (material visível e material invisível).

2. Não é possível filosofar sobre a existência material, visível e invisível, sem NOTAR A PRESENÇA, CONSTANTE, DO MOVIMENTO E DA IMPOSSIBILIDADE DE MOVIMENTO, bem como o fato de que dimensões tem profundas implicações com as possibilidades de movimento, para criação da existência material, visível e invisível.

3. A existência tem início no ADIMENSIONAL, que em geometria seria o PONTO, que não possui volume, área, comprimento ou qualquer dimensão semelhante.

4. Assim, um ponto é um objeto de dimensão 0 (zero).

5. Um ponto também pode ser definido como uma esfera de diâmetro zero.

6. UMA ESFERA SÓ PODE SER DE DIÂMETRO ZERO, QUANDO O CENTRO DESSA ESFERA ESTÁ EM TODOS OS LUGARES E A CIRCUNFERÊNCIA NÃO ESTÁ EM LUGAR ALGUM.

7. Blaise Pascal disse: "O Universo é uma esfera infinita cujo centro está em toda parte e a circunferência em parte nenhuma.". Biografia (Fonte: link http://pt.wikipedia.org/wiki/Blaise_Pascal)

8. Que coisa estranha e contraditória a afirmação de Blaise Pascal, quando se junta essa afirmação com o conceito de ADIMENSIONAL e de ESFERA COM DIÂMETRO ZERO.

9. O PONTO é “algo” que não possui volume, área e comprimento, portanto, o PONTO é ADIMENSIONAL.

10. O PONTO é ADIMENSIONAL, justamente por que não possui volume, área e comprimento.

11. O PONTO não possui volume, área e comprimento, simplesmente por que o PONTO É O CENTRO DE UMA ESFERA QUE ESTÁ EM TODOS OS LUGARES, ONDE A CIRCUNFERÊNCIA DESSA ESFERA NÃO ESTÁ EM LUGAR ALGUM, o que nos remete à noção de Blaise Pascal de que o ponto, ADIMENSIONAL, É O UNIVERSO.

12. O PONTO, ADIMENSIONAL, que não possui volume, área e comprimento, permite, como meio de manifestação existencial DO UNIVERSO, que apresenta o volume, área e comprimento, justamente pelo fato de o ADIMENSIONAL não ser um fator limitante para a manifestação do volume, da área e do comprimento, apesar de o ADIMENSIONAL não permitir, intrinsecamente, o volume, a área e o comprimento.

13. O PONTO, ADIMENSIONAL, que não possui volume, área e comprimento, permite, como meio de manifestação existencial, A PRIMEIRA DIMENSÃO, A SEGUNDA DIMENSÃO e a TERCEIRA DIMENSÃO, que criam o volume, a área e o comprimento, justamente pelo fato de o ADIMENSIONAL não ser um fator limitante para a manifestação da PRIMEIRA DIMENSÃO, DA SEGUNDA DIMENSÃO E DA TERCEIRA DIMENSÃO. Explicamos!

14. Na DIMENSÃO ZERO não pode haver movimento, já que não há volume, área e comprimento e, nessa perspectiva, a DIMENSÃO ZERO não permite a manifestação da existência, material ou imaterial, visível ou invisível, pela impossibilidade de movimento na DIMENSÃO ZERO.

15. Na dimensão zero só seria possível, em tese, a manifestação da existência não material ou existência imaterial que, basicamente, se resumiria em pura consciência já que a consciência é a única coisa que pode estar em um “lugar” desprovido de espaço (VOLUME, ÁREA E COMPRIMENTO) como, por exemplo, na DIMENSÃO ZERO, já que a consciência não necessita de VOLUME, ÁREA E COMPRIMENTO para sua manifestação existencial, não material.

16. A existência, também, passa pela PRIMEIRA DIMENSÃO. A PRIMEIRA DIMENSÃO apresenta a característica de permitir, apenas, dois movimentos:

a) para a direita;

b) para a esquerda.

17. A existência, na PRIMEIRA DIMENSÃO, é material, mas não é visível, já que a PRIMEIRA DIMENSÃO não permite a manifestação existencial EM TRÊS DIMENSÕES, única dimensão visível para o homem. Percebamos que, na PRIMEIRA DIMENSÃO, o movimento é bastante limitado.

18. Vencida a PRIMEIRA DIMENSÃO, a existência progride para a SEGUNDA DIMENSÃO e, na SEGUNDA DIMENSÃO, estamos falando do plano.

19. Em matemática, um plano é um objeto geométrico infinito de duas dimensões.

Continua


De Rogerounielo Rounielo de França a 1 de Agosto de 2013 às 02:37
Continuação

20. Na SEGUNDA DIMENSÃO, o movimento é mais livre, já que pode-se ir da direita para a esquerda e de cima para baixo, sempre, no plano, notando que não podemos considerar uma folha de papel como um PLANO DE SEGUNDA DIMENSÃO VERDADEIRO, já que o papel, na verdade, é um objeto de TERCEIRA DIMENSÃO, visível, que nos oferece uma ideia, aproximada, de como é o PLANO VERDADEIRO, DE SEGUNDA DIMENSÃO, QUE NÃO É VISÍVEL.

21. Na TERCEIRA DIMENSÃO, então, o movimento ganha contornos extraordinários, possibilitado pelo VOLUME, ÁREA E COMPRIMENTO. É, apenas, na TERCEIRA DIMENSÃO, que se manifesta a EXISTÊNCIA MATERIAL VISÍVEL.

22. Veja só que coisa extraordinária. O UNIVERSO É UMA GRANDE ESFERA CUJO CENTRO ESTÁ EM TODOS OS LUGARES E A CIRCUNFERÊNCIA NÃO ESTÁ EM LUGAR ALGUM.

23. PORTANTO, O UNIVERSO SÓ PODE SER COMPOSTO POR DUAS PARTES. UMA PRIMEIRA PARTE ADIMENSIONAL, DESPROVIDA DE VOLUME, ÁREA E COMPRIMENTO, QUE PERMITE A MANIFESTAÇÃO, EXISTÊNCIAL, VISÍVEL E INVISÍVEL, DA PRIMEIRA À QUARTA DIMENSÃO (TEMPO), DE COISAS QUE SE FACTUALIZAM, SE COMPLEXIFICAM, APRESENTANDO VOLUME, ÁREA E COMPRIMENTO (SEGUNDA PARTE).

24. A única forma de explicar o surgimento da matéria, que passa pelo plano ADIMENSIONAL, da PRIMEIRA DIMENSÃO, da SEGUNDA DIMENSÃO, da TERCEIRA DIMENSÃO e da QUARTA DIMENSÃO (TEMPO) é por meio da transcendência.

25. O que é transcendência? Explico. Se colocarmos várias peças, no chão, para montar um carro, teremos um monte de peças individuais, correto?

26. Quando essas peças são unidas (sintetizadas), essas peças, apesar de sintetizadas, mantém sua individualidade, ou seja, continuam sendo peças, mas a sua união (síntese) faz surgir algo novo, faz surgir algo que transcende a individualidade de cada peça, ou seja, faz surgir o carro.

27. Esse é o conceito de transcendência. O carro se origina da síntese das peças, mas não é as peças. As peças formam o carro, mas não são o carro. Não vamos encontrar, nas peças, as características que fazem do carro um carro.

28. ENTÃO, PERGUNTAMOS, DE ONDE É QUE SURGIRAM AS CARACTERÍSTICAS DO CARRO QUE NÃO ESTÃO PRESENTES NAS PEÇAS UTILIZADAS PARA MONTAR O CARRO? Surgiram do nada (conceito popular)? É absurdo pensar assim, não é? Vemos o carro, vemos as peças, mas não conseguimos encontrar, nas peças, as características do carro. Por quê?
29. Por que as características do carro transcendem às peças que formam o carro. Como é que algo pode ter dado origem a características que esse algo, individualmente (PEÇAS), não possui?

30. O conceito de transcendência é a única forma de explicar as novas propriedades que se pode encontrar no conjunto (carro), geradas pela união das peças, mas que não se encontram nas partes individuais unidas (peças).

31. O raciocínio da transcendência é válido para todo o conjunto de sínteses que ocorreu desde a formação do universo até atingir, pela conjunção das transcendências dos fenômenos (matéria, anti-matéria, partículas sub-atômicas, partículas atômicas, moléculas etc.), as peças que, unidas, formam o carro. Em conclusão, a transcendência é um princípio universal.

32. A transcendência é a única forma de explicar por que razão o ser humano, que é matéria, é muito mais do que a simples matéria, apresentando manifestação de um princípio inteligente, não é mesmo?

33. No link http://rounielo.blogspot.com.br/2011/10/parte-000-volume-000-item-09-revelacao.html, constam algumas tabelas que permitem melhor visualizar o conceito de transcendência, que utilizei para efetuar a análise citada abaixo:

“PARTE 000 (VOLUME 000.). ITEM 09. REVELAÇÃO DA TRINDADE. DESCRIÇÃO DO FUNCIONAMENTO DO QUADRUPOLO FLUÍDICO (“A COISA). REGRAS DE FORMAÇÃO DE CARGAS ELÉTRICAS. DEMONSTRAÇÃO DO FUNCIONAMENTO DE CARGAS ELÉTRICAS, DE ACORDO COM AS REGRAS DE FORMAÇÃO DE CARGAS ELÉTRICAS. REGRAS DE TRANSCENDÊNCIA DE CARGAS ELÉTRICAS. DEMONSTRAÇÃO DA TRANSCENDÊNCIA DE CARGAS ELÉTRICAS. A FORMAÇÃO DE CARGAS ELÉTRICAS DO ESPAÇO VERTICAL INFERIOR PARA O ESPAÇO VERTICAL SUPERIOR (TRANSCENDÊNCIA VERTICAL ASCENDENTE). A FORMAÇÃO DE CARGAS ELÉTRICAS DO ESPAÇO VERTICAL SUPERIOR (TRANSCENDÊNCIA VERTICAL DESCENDENTE) PARA O ESPAÇO VERTICAL INFERIOR. A FORMAÇÃO DE CARGAS ELÉTRICAS ESTACIONÁRIAS.
Fim


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