Quarta-feira, 22 de Fevereiro de 2006
O universal é qualidade sem quantidade , como sustentou José Reis?

A questão dos universais - conceitos ou realidades gerais que abarcam multidões de indivíduos da mesma natureza - notabilizou a Idade Média na Europa.

De acordo com o grego Aristóteles, um mestre simultaneamente brilhante pela vasta erudição e, por vezes, confuso pela hiper-análise, há a substância primeira, o indivíduo (por exemplo: «Aristóteles»), que se integra na espécie (por exemplo: homem) e esta no género (por exemplo: animal).

 

Apesar de os universais, para Aristóteles não incluirem a espécie (um grupo intermédio a que pertence o indivíduo, por exemplo: «o grupo dos filósofos gregos em que Aristóteles se integra») mas sim o género ( o grupo maior que engloba o indivíduo e a espécie; por exemplo: «o grupo dos homens, em que se inserem Aristóteles e os filósofos gregos»), a translação desta temática para a Idade Média fez com que espécie e género fossem classificados como universais.

 

Existem os universais? Ou são erros do pensamento? Se existem, onde existem? Na matéria? Em um mundo de arquétipos áparte desta? Na mente humana?

Estas foram questões correntes na disputa medieval dos universais.

 

José Reis, professor catedrático de Filosofia na Universidade de Coimbra - a meu ver, um dos poucos académicos portugueses de Filosofia que pensam com profundidade, num mundo universitário recheado de pequenos «pensadores», mais ou menos eruditos, ciosos dos seus títulos de «mestres» e «doutores»- postulou que os universais existem na matéria, constituem as essências gerais dos seres materiais e distinguem-se dos singulares porque são pura qualidade, ao passo que estes são qualidade adicionada de quantidade, de números. Ouçamo-lo:

 

«E eis tudo: o universal é uma pura qualidade, isto é, uma qualidade sem a determinação numérica, e o singular, essa qualidade com a determinação numérica. Sem esta, a qualidade diz só o que uma coisa é, não diz ainda os casos em que ela existe; ela é precisamente o aberto em relação aos seus casos. Com a determinação numérica, ela é ainda imediatamente cada caso e, como tal, não é mais o aberto mas o fechado a qualquer outro, e em relação ao universal, que é o aberto por definição.» (José Reis, Nova Filosofia, Afrontamento, Porto, 1990, pag 150).

 

E comentando o facto de, na tradição filosófica, o universal ser um duplo do singular, continua José Reis:

 

«As razões que assim o fizeram nascer foram aquelas: já a tendência que advém da simples abstracção, mas sobretudo o não se ver que a multiplicidade das coisas não está na sua própria realidade, antes está na diferença numérica. Esta a razão profunda por que, embora Aristóteles e depois S. Tomás ponham o singular no número, afinal logo o percam reduzindo-o à matéria; e essa a razão por que Husserl, embora dizendo claramente que o singular está no hic et nunc, logo o esqueça por completo e diga, impressivamente, que se a casa arder não arde o seu universal. Agora, porém, é claro que, se o universal é a pura qualidade e o singular a sua diferença numérica, a sua situação, o universal não é mais duplo nenhum. E então, não sendo senão justamente a própria realidade dos singulares (só que unificada), ele é função de todos os seus casos e já arde na exacta medida em que um deles arder; se arderem todas as casas, pura e simplesmente não há mais o respectivo universal. Este é só e exclusivamente do mundo sensível; ele não é senão o mundo sensível sem as suas diferenças numéricas» (ibid,pag 157).

 

O texto de José Reis é brilhante: coloca a numeração, e não a matéria, como princípio de individuação, tem um sabor neopitagórico. Para Pitágoras de Samos, as essências dos entes são os números-figuras, isto é, as quantidades-qualidades: o 1 designa o ponto (qualidade espacial), o 2 traduz-se na recta (qualidade espacial), o 3 exprime-se no plano (qualidade espacial) e o 4 entifica-se na pirâmide de três lados (qualidade espacial). Contabilizando estes quatro números físicos primordiais nos diversos entes, Eurito de Crotona, um pitagórico, definiria o homem pelo número 250 e as plantas pelo número 360. A sugestão-objecção neopitagórica que coloco à teoria de José Reis é a seguinte: a qualidade não é senão quantidade «arredondada», não discriminada numericamente aos nossos sentidos.

 

Tomando o exemplo do universal Casa, coloco a questão, numa perspectiva de recorte neopitagórico, do seguinte modo: a ideia ou essência de Casa exprimir-se-ia, por hipótese, pelo número 55 milhões (55 000 000) e cada casa singular por um número oscilando entre 55 000 000 e 55 999 999. Assim haveria uma casa singular A, situada em Montalegre, cuja essência se exprimiria pelo número-figura 55 232 856, e outra casa singular B, situada em Alcalá de Henares, cuja essência se consubstanciaria pelo número-figura 55 654 321. A essência comum de ambas seria o 55 000 000, a qualidade Casa, com o correspondente número idiossincrásico, diferentemente do que postulou José Reis, que separa a qualidade da quantidade e parece não admitir, por conseguinte, que o universal Casa contenha,em si, um número.

 

Para a Física contemporânea, a côr vermelha, uma qualidade, é ou equivale a um comprimento de onda de 6200 angströms. A côr verde, outra qualidade, possui o comprimento de onda de 4120 angströms e a côr azul, também uma qualidade, tem o comprimento de onda de 4750 angströms. Toda a qualidade exprime um conjunto de quantidades combinadas de uma determinada maneira.

 

A quantidade é intrínseca à qualidade e não extrínseca - embora no texto de José Reis pareça  correcta a

dissociação entre a qualidade como essência e a quantificação desta desta nos existentes. Se a quantidade não fosse intrínseca à qualidade, como poderia esta dotar-se de quantidade e variar segundo a quantidade? Um triângulo equilátero não é aquele em que cada um dos ângulos mede 60º de arco? E isto nãoé quantidade dentro de uma essência que é qualidade ou forma?

 

 

Separar, pois, a qualidade da quantidade na determinação do universal é, a nosso ver, um equívoco antidialéctico, na linha de Kant, Bergson, Husserl e Heidegger.

 

f.limpo.queiroz@sapo.pt

(Direitos de autor para Francisco Limpo de Faria Queiroz)



publicado por Francisco Limpo Queiroz às 16:08
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11 comentários:
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Olá BloGuista.
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Informações Úteis às PESSOAS DAS CLASSES SOCIAIS Média, Média-Alta, Alta e Ricos. Alunos do Secundário e alunos Universitários.
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Sabiam que:
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*** EM CADA DOIS (2) ALUNOS UNIVERSITÁRIOS UM (1) NÃO ACABARÁ O CURSO !?!?!?!?!?!?!?!?!
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Nota: Em ENGENHARIA É MUITO PIOR. Em cada quatro (4) alunos universitários três (3) não acabarão o Curso !?!?!?!?!?!?!?!?!
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Ou seja. Dos alunos que entram nas Universidades e Politécnicos (Públicas ou Privadas) cinquenta por cento (50%) – não chega – a acabar o curso. A maior parte desiste nos 3 primeiros anos do Curso.
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No total Duzentos e Vinte e Cinco Mil (225.000) alunos não terminarão o Curso. Logo Dinheiro do Estado e dinheiro das Famílias deitados ao lixo todos os anos (Mais de Quatro Mil e Quinhentos Milhões (4.500.000.000) de Euros anuais).
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Nota Importante: E NÃO SE PREOCUPEM COM OS POBRES. Porquê?!?! Porque nas Universidades e Politécnicos (Públicos e Privados) há:
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- Um por Cento (1%) de Pobres;
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- Sete por Cento (7%) de Classe Média-BAIXA.
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- Noventa e Dois por Cento (92%) de Classes Média, Média-Alta, Alta e Ricos. E SÃO ESTES QUE SÃO BURLADOS!!! Abram os Olhos!
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*** Um Curso de cinco (5) anos é feito, em média, em oito (8) ou nove (9) anos!
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? NÃO SE ACREDITAM NESTAS INFORMAÇÕES?:
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Perguntem às Associações de Estudantes, aos Administradores dos Serviços de Acção Social, aos Reitores e aos Presidentes das Universidades e Institutos Politécnicos, tanto Públicos como Não-Públicos. Aos Políticos não vale a pena perguntarem!
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SOLUÇÕES SIMPLES:
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i -- Fechem todas as Universidades e Institutos Politécnicos durante cinco (5) anos e ABRAM ESCOLAS SECUNDÁRIAS TÉCNICO PROFISSIONAIS COM ACESSO À UNIVERSIDADE.;
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In “Livro aconselhado às Escolas Técnico Profissionais com acesso ao Ensino Superior”, http://eunaodesisto.blogs.sapo.pt/arquivo/2005_12.html#893945
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E/OU ENTÃO,
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ii -- AUMENTEM AS PROPINAS, anualmente, para CINCO (5) VEZES o SALÁRIO MÍNIMO NACIONAL (nos Institutos Politécnicos Públicos e nas Universidades Públicas).
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Prova dos Nove contra os Aldrabões e Aldrabonas e a sua “Ladainha dos Pobrezinhos”:
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Ver: “Alunos COM POSSES têm mais hipóteses no ENSINO (superior) PÚ-BLI-CO”, http://jn.sapo.pt/2004/08/22/sociedade/ha_portugal_cultura_facilitismo.html
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PROPOSTA DE MELHORIA:
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Que a maior parte dos COLÉGIOS deixe de ministrar o Ensino Secundário GERAL (+/- igual a Palha com notas inflacionadas) e passe a ministrar o Ensino Secundário TÉCNICO-PROFISSIONAL. Com acesso ao Ensino Superior. É lógico!
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OFERTA PELA DIVULGAÇÃO DESTE DOCUMENTO:
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TODOS os Alunos PODEM E - DEVEM – Candidatar-se / Concorrer TODOS os anos à BOLSA DE ESTUDO nas Universidades e Institutos Politécnicos (Públicos e Não Públicos):
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"Oh ALUNOS Portugueses III" - SUBSÍDIO ESCOLAR e BOLSA DE ESTUDO , 30 Abril de 2004 em http://eunaodesisto.blogs.sapo.pt/arquivo/2004_04.html#128423
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NOTA: A BOLSA DE ESTUDO SERVE, entre outras coisas, PARA PAGAR AS PROPINAS aos alunos que não têm dinheiro suficiente para as pagar.
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José da Silva Maurício






De Vasco Bizarro a 22 de Agosto de 2013 às 19:27
Estou a iniciar ler a "Nova Filosofia" de José Reis. Estou maravilhado. No entanto, não sou licenciado em filosofia; só em economia (curso antigo, keynesiano). Muito interessante a exposição raciocinada de J. Reis sobre a causalidade sintética de Hume, a referência à causalidade analítica de Aristóteles, mas parece-me que ele vai acabar por se posicionar em Kant e sua fenomenologia, por muito que valorize o Ser absoluto do que existe... Tentei obter uma imagem, foto, de José Reis mas só vejo a do outro José Reis, economista, que julgo não é o filósofo. Acha que haverá uma foto dele, na net? Ele merecia artigo no Wikipédia, mas eu não tenho competência para tal.

Cumprimentos,
v. bizarro


De Francisco Limpo Queiroz a 23 de Agosto de 2013 às 10:37
É bom que, sendo economista, abarque a área da filosofia especializada. Não conheço pessoalmente José Reis nem de fotografia. Seguramente, me parece um universitário intelectualmente superior aos catedráticos e professores agregados que pululam hoje nas universidades de Lisboa, Évora, Coimbra, Porto, etc, em especial aos da correntes analítica e fenomenológica, muitos dos quais são retóricos incompetentes e vaidosos..

Espero voltar a abordar neste blog outros excertos do livro «Nova Filosofia». Quanto a artigo sobre José Reis na Wikipédia penso que será merecido.

Cumprimentos.


De Vasco Bizarro a 23 de Agosto de 2013 às 15:28
Obrigado pela sua resposta. Sem dúvida, surpreende-me e agrada-me ver um autor expor o seu tema naquele modo raciocinado e cuidado como o José Reis o faz. Eu já tinha o livro dele há muito tempo, mas disperso-me e sem dúvida foi útil ter lido vários outros antes de chegar ao dele. De qualquer modo, estou mesmo só no princípio, no "Livro da Causalidade" e a entrar no do "Conhecimento".

Eu sei pouco de filosofia, mas realmente sempre gostei de ler esses pensadores. Na minha opinião, todos os cursos universitários deveriam ter duas disciplinas de filosofia: uma geral, outra mais orientada para os fundamentos de cada curso e ciência particular. Julgo que os estrangeiros, mais ou menos já assim procedem.

Reterei esta ligação com o seu blog pois vou ficar interessado em conhecer as suas reflexões ao pensamento do José Reis. Eu, como disse, sou um simples curioso, mas, já agora, arrisco, na minha ignorância, que José Reis vai “bloquear-se” no “dualismo” kanteano dos fenómenos e do númeno, abstendo de firmar-se nalguma substância demiúrgica da realidade do ser.

Cumprimentos,
Vasco Bizarro
.


De Francisco Limpo Queiroz a 23 de Agosto de 2013 às 17:48
De momento, não tenho aqui à mão o livro de José Reis e não posso fazer algumas observações detalhadas sobre alguns excertos do «Nova Filosofia».

Penso que quando o Vasco Bizarro escreve «agora, arrisco, na minha ignorância, que José Reis vai “bloquear-se” no “dualismo” kanteano dos fenómenos e do númeno, abstendo de firmar-se nalguma substância demiúrgica da realidade do se» alude ao facto de Kant não afirmar a criação do mundo material dos fenómenos por Deus, que é númeno, posição que, possivelmente, coincidirá com a de José Reis..

Iremos debatendo o assunto, se for sua vontade. Obrigado.
Cumprimentos


De Vasco Bizarro a 25 de Agosto de 2013 às 23:22
Não terei competência para entabular consigo um diálogo com interesse. De momento, prossigo o "Livro do Conhecimento", mas já vou sentindo as minhas limitações ou o meu "arrastado" cartesianismo... pois, sendo o "não-visto", por desconhecido ou ignorado que seja, co-possível e compatível com o sujeito cognoscente que o observe, haja observado ou venha a observá-lo, não entendo qual a dificuldade de o integrar e admitir na esfera do ser e da realidade, mesmo que ignota até ao presente! Transcendente, ao conhecimento actual, mas por certo imanente tanto quanto o próprio ser que o intelige e o há-de compreender pois partilham da mesma natureza que os constitui... Mas, eu vou ler e reler José Reis, que vale a pena.

Saudações cordiais,
Vasco Bizarro


De Vasco Bizarro a 10 de Setembro de 2013 às 00:14
Acabei hoje de ler a “Nova Filosofia” do José Reis. Nunca encontrei nada que se assemelhe a este continuado rigor e persistência de raciocínio ao longo de todo o livro, com uma linha de tese prosseguida com sistemática firmeza, em português claro, gramaticalmente exacto, com a ênfase apropriada aos pontos relevantes da argumentação. Incrível!

Eu devo continuar a aprofundar todos os temas que José Reis analisa nesta sua obra-prima. Também, adquiri o “Sobre o Tempo”, que vai guiar-me com mestria, em Aristóteles, Kant, Husserl, Bergson. A ver vamos. Foi bom tê-lo encontrado a si, Francisco Queiroz, na net, na esteira de José Reis.

Para mim, o facto da ciência moderna, erguida com o método experimental, apenas lidar com as leis e regularidades físicas na base da causalidade sintética; e o nosso J. Reis ater-se à negação da causalidade analítica, destituindo a potência, mera ideia função do acto, como o númeno, função do fenómeno, tudo existindo no obrigatório testemunho do visto, surpreende-me, apesar de tudo, porque não consigo deixar de crer que independentemente de vermos ou não, testemunharmos ou não, o mundo real de que somos parte, ele é real, quer o conheçamos quer não.

A única concessão que sempre me inclinei a compreender como necessária a esta exigência foi apenas a de o mundo ser, ter sido ou vir a ser co-possível e compatível com seres inteligentes que o observem e intelijam. Mas é tudo, não é forçosa a existência de observadores. Basta que sejam co-possíveis.

Por outro lado, embora me conforme com a explicação humeana de como quer que o mundo seja, ele não o é forçosamente como se revela e poderia ser de outro modo, e as coisas até se explicarem, doutra maneira. No entanto, reduzir, filosoficamente, tudo à mera observação da sequência habitual de fenómenos tipificados, refutando qualquer geração intrínseca de efeito na causa… não será só porque não conseguimos mesmo saber ao certo? É que, por exemplo, a equivalência da energia com a massa da matéria, e=m.c^2, parece tão adequada á potência demiúrgica de efeitos…

Mas, enfim, Francisco Queiroz, você desculpe, eu não devia estar para aqui a expressar desarrazoadamente impressões confusas, mas foi só a dizer, acabei hoje o “Nova Filosofia” que tinha há tanto tempo, só agora o li e encantou-me.

Abraço,
v.bizarro.


De Francisco Limpo Queiroz a 11 de Setembro de 2013 às 09:34

É óptimo que em Vasco Bizarro economista exista um filósofo, um estudioso de filosofia que se deslumbra com a obra realmente importante de José Reis.
A sua frase ..«e o nosso J. Reis ater-se à negação da causalidade analítica, destituindo a potência, mera ideia função do acto, como o númeno, função do fenómeno, tudo existindo no obrigatório testemunho do visto,» merece-me uma interrogação: é o númeno que é função do fenómeno? Na teoria de Kant, o fenómeno é função do númeno e das formas a priori da sensibilidade (espaço e tempo) .

Enfim, espero publicar em breve algo sobre o «Nova Filosofia» de Alfredo Reis que o encantou a si tanto quanto me encanta a «Metafísica» de Aristóteles. Um abraço


De Vasco Bizarro a 11 de Setembro de 2013 às 23:07
Terei muito gosto em lê-lo sobre Reis e Aristóteles. Eu não sei nada de filosofia sou apenso "filo-filósofos" :), apreciei muito Platão, e Espinosa, e só comecei a ter alguma admiração por Aristóteles depois de ter lido Orlando Vitorino! que me fez ver, quanto Aristóteles era razoável, incluso como economista.

Aquilo de o númeno = f(fenómeno), e da potência = f(acto), é uma destituição - que me inclino a discordar - que Reis faz do númeno e da potência porque, argumenta, ao fim e ao cabo, ambos apenas se revelam no "consequente" fenómeno e "acto", e não reconhece como os dois sejam a "causa" do que depois se avera ser...

Ele exemplifica pp. 48-51 com «o pinhão e o pinheiro», sem reconhecer que o primeiro origine o segundo - coadjuvado por "outros factores" - como a ciência procura justamente descrever...

Isto choca-me um bocadinho porque, embora compreenda que o pensamento não gera a realidade, intelige-a, pelo menos, e algo nela, realidade, induz, provoca ou desdobra-se (n)a multiplicidade observável, ainda que só nos apercebamos de que a certo tipo de eventos sucede outro tipo de ocorrências, e nada haja de ilógico em que tal regularidade habitual passe a ser diferente;

e Kant, sim, por muito idealista que se assuma como como sujeito cognoscente e explicador da realidade, nunca destitui como a realidade em si seja, ainda que nunca o venhamos a determinar em absoluto, antes somos determinados por ela, e governamo-nos apenas pala regularidade habitual dos géneros de coisas.

Mas eu ainda tenho muito com que me "entreter" a ler Reis, os outros e também Aristóteles, que é mais respeitável do que os renascentistas, admiradores de Platão, consideravam.


De Francisco Limpo Queiroz a 12 de Setembro de 2013 às 23:04
Segundo Hegel, o pensamento divino gera toda a realidade, é toda a realidade, excepto o mal. As opiniões variam entre os filósofos: são no mínimo tantas como as cores do arco-íris.

O Vasco Bizarro aprofundará o rigor e a erudição, sem dúvida, nos temas da filosofia, se meditar e ler detalhadamente a «Metafísica» e a «Física de Aristóteles». Recomendo-lhe as edições espanholas da Editorial Gredos. Aristóteles e Platão pensaram quase tudo.

Um abraço.



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