Domingo, 7 de Outubro de 2007
Pragmatismo implica Democratismo ? (Crítica a um blog)
 

Perspectivismo e pragmatismo são noções que permanecem envoltas no nevoeiro da confusão para vários autores. Eis um exemplo:

 

«Perspectivismo é a doutrina, digamos, epistemológica de Nietzsche. Mas é uma doutrina epistemológica com ressalvas. Diz respeito à idéia de que o conhecimento não está sujeito ao que chamaríamos de verdade como correspondência, uma vez que a verdade é uma noção mais moral e sócio-linguística do que epistemológica. Uma tal doutrina pode ser vista, também, como parte de uma cosmologia. Afinal, as perspectivas não são, em Nietzsche, perspectivas do homem, mas da "vontade de potência". Se tomarmos a "vontade de potência" como um elemento cosmológico e não metafísico, o que a meu ver faz mais sentido, então o perspectivismo é inerente à diversidade de forças no cosmos.

Uma tal doutrina é, em certa medida, a doutrina do contextualismo, holismo ou relacionalismo dos pragmatistas. Os pragmatistas eram e são pluralistas não só porque são democratas, mas também porque olham para o universo e enchergam nele diversidade na unidade natural.

A idéia básica, que o pragmatismo desenvolve a partir do perspectivismo, é a de crítica à metafísica. » (in www.professorvirtual.blogspot.com;  o negrito é nosso)

 

Não é verdade que no perspectivismo «o conhecimento não está sujeito ao que chamaríamos verdade como correspondência». Está e não está.

 

Exemplo de perspectivismo: os comunistas olham para a situação de um conjunto de fábricas como lugares de exploração de milhares de trabalhadores , ao passo que os capitalistas perspectivam essas mesmas fábricas como lugares de criação de riqueza, dinamização da economia, em particular da sua conta bancária. Ora estas duas perspectivas não estão isentas da «lei» da verdade como correspondência . A correspondência está lá, entre a mente do sujeito, e um determinado sector da realidade «exterior». Sucede que se trata de sectores diferentes da mesma realidade (operários por um lado; lucros do dono da fábrica e brilho da maquinaria por outro).

 

Não é também verdade que segundo Nietzchze «as perspectivas não são do homem mas da vontade de poder». É uma visão anti dialéctica: os homens não são senão diferentes incarnações da vontade de poder, não podem ser separados desta.

 

É igualmente erróneo dizer que «os pragmatistas são pluralistas porque são democratas». Há fascistas pragmatistas ou pragmáticos, há monárquicos absolutistas pragmáticos, há estalinistas pragmáticos. O que os une é o sentido utilitário e verificável da verdade: o pragmático estuda as soluções em função não de princípios metafísicos, mas de resultados práticos. Atribuir democratismo, como característica essencial, ao pragmatismo é, deveras, flutuar nos vapores da confusão conceptual.

 


 www.filosofar.blogs.sapo.pt



f.limpo.queiroz@sapo.pt



© (Direitos de autor para Francisco Limpo de Faria Queiroz



 

 

 

 

 

 

 


publicado por Francisco Limpo Queiroz às 11:41
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