Quinta-feira, 21 de Outubro de 2010
A Masturbação e o Amor, na perspectiva satanista de La Vey

Anton Szandor La Vey, o autor de "A Bíblia Satânica", defensor do satanismo, não como prática de crimes pedófilos ou outros, mas como libertação sexual vital e espiritual da humanidade, sem temor dos deuses da castração e da culpa infundada, elogiou a masturbação. Escreveu:


«O Satanista compreende perfeitamente porque é que os religiosos declaram a masturbação como pecaminosa. Como quaisquer outros actos naturais, as pessoas vão fazê-lo, por mais severamente repreendidas que sejam. Provocar culpa é uma faceta importante do seu esquema malicioso para obrigar as pessoas a expiar os seus "pecados", pagando as hipotecas nos templos da abstinência!»


«Mesmo se uma pessoa já não está a lutar sob o fardo da culpa religiosamente induzida (ou pensa que não está), o Homem moderno ainda sente vergonha se ceder aos seus desejos masturbatórios. Um homem poderá sentir-se privado da sua masculinidade se se satisfizer auto-eroticamente em vez de se dedicar ao jogo competitivo da caça às mulheres.  Uma mulher poderá satisfazer-se sexualmente, mas ansiar pela gratificação do ego que advém do desporto da sedução. Nem o quase Casanova, nem a falsa vamp se sentem confortáveis quando "reduzidos" à masturbação para obter gratificação sexual; ambos prefeririam até um parceiro inadequado. Satanicamente falando, contudo, é muito melhor dedicarmo-nos a uma fantasia perfeita do que cooperar numa experiência não-recompensadora com outra pessoa. Com a masturbação, controla completamente a situação.» (Anton Szandor La Vey, A Bíblia Satânica, Saída de Emergência, pag 89; o bold é posto por nós).


La Vey sustenta, por conseguinte, que a masturbação é um acto natural saudável, um escape para a ausência momentânea de um  parceiro sexual disponível para copular, que mais vale masturbar-se do que ter uma cópula não satisfatória e que a culpabilização da masturbação é obra do clero das religiões da Via Nomiana ( nómos significa lei em grego), isto é, aqueles que impõem mandamentos e regras anti naturais aos homens. La Vey apresenta o satanismo como um hedonismo moderadamente altruísta que rejeita o princípio cristão, masoquista, de "oferecer a outra face a quem nos agride numa face":


«O Satanismo representa a bondade para aqueles que a merecem, em vez de amor desperdiçado em ingratos!»


«Não se pode amar todas as pessoas; é ridículo pensar que sim. Se amar a tudo e todos, perderá os seus poderes naturais de selecção, e acabará com um juízo muito fraco do carácter e da qualidade. Se algo for usado demasiado livremente, perderá o seu verdadeiro sentido. Logo, o Satanista acredita que deve amar forte e profundamente aqueles que o merecem, mas nunca oferecer a outra face ao ininigo!»


«O amor é uma das emoções mais intensas sentidas pelo Homem; sendo a outra o ódio. Forçar-se a si próprio a sentir amor indiscriminado não é absolutamente natural. Se tentar amar todas as pessoas, apenas irá diminuir os sentimentos para com aqueles que merecem o seu amor. O ódio reprimido pode causar muitas enfermidades físicas e emocionais.» (Anton Szandor La Vey, ibid, pág 79; o bold é posto por nós).


Assim, nesta faceta crítica, o satanismo surge como um racionalismo naturalista, apostado em valorizar o homem como corpo e espírito, sem restrições. Contudo, em outros capítulos de "A Bíblia satânica", La Vey desliza para o irracionalismo mágico ao descrever os rituais secretos de invocação e adoração dos poderes das trevas - Satan, Lúcifer, Astaroth, Belial, etc - que favorecem os instintos animalescos do homem e talvez, em certa medida, os transcendam. É impossível, pois, conceber o satanismo como um racionalismo integral. Se o seu objectivo é libertar o homem da ditadura das religiões do "pecado"  e do "dever", e da oração que acarreta consigo a ansiedade da espera de resultados, os meios que emprega - o corpo da mulher nua como altar, as velas negras, as vestes negras, as fórmulas em linguagem enoquiana, os pergaminhos, etc - mergulham de novo o homem no banho metafísico da dualidade "eu/ divindades transcendentes ao eu"  que subjaz à generalidade das religiões. De modo que só o budismo ateu e derivados - como a filosofia de Osho e Jiddu Krisnamurti - parecem posicionar-se como humanismos racionalistas de matriz espiritualista.


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f.limpo.queiroz@sapo.pt


© (Direitos de autor para Francisco Limpo de Faria Queiroz)


 



publicado por Francisco Limpo Queiroz às 20:54
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1 comentário:
De vania a 6 de Setembro de 2012 às 16:31
Eu acho uma bobeira pessoas ke tem preconceito em relação a masturbação ...falam ke nao praticam pork e desconfortável.mas eu prático e gosto fodasse ke nao gosta....bjos


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