Quinta-feira, 18 de Junho de 2009
A teoria do Big Bang: uma manifestação do misticismo ou do racionalismo criacionista?

A teoria do Big Bang é uma teoria não materialista, isto é, não postula ser a matéria a essência originária do universo. É aceite pela Igreja Católica e por correntes religiosas que advogam que o mundo de matéria foi criado do nada por Deus ou deuses. Por isso, é contestada pelo materialismo dialéctico, ateu,  que tem no livro de Alan Woods e Ted Grant «Reason in Revolt. Marxist Philosophy and modern Science» (1991)  um castelo teórico relevante.


O Big Bang é descrito da seguinte maneira por Luca Fraioli:


«Toda a matéria nasceu há 15 mil milhões de anos, fruto de uma gigantesca explosão a que os cientistas chamam Big Bang. Decorrido apenas um décimo de segundo, já o universo devia estar a ser invadido por uma mistura de partículas em contínua colisão entre si. A temperatura era tão elevada (trinta milhões de graus), que neutrões e protões estavam impedidos de se unirem para formar os núcleos atómicos. »


«Após cerca de 14 segundos, a temperatura desceu para 3 mil milhões de graus, permitindo o nascimento dos primeiros núcleos de hélio, formados por dois protões e dois neutrões. Só 700 000 anos depois, electrões e núcleos conseguiram unir-se para formar os átomos.»


«No início, o Universo era essencialmente constituído por hidrogénio e hélio, dado que as condições físicas especiais dessa época impediam a formação de elementos mais pesados. »


«Foi necessário esperar pelo nascimento das estrelas para ter átomos » ( Luca Fraioli, A Matéria, ASA, Porto, 2000, pag. 32; o bold é nosso).


Os argumentos contra a teoria do Big Bang expendidos por Alan Woods e Ted Grant são de vária ordem. Cito alguns:


1º- DE TIPO OBSERVACIONAL-RACIONAL REFERENTE AOS SUPERCÚMULOS


“Segundo esta teoria, nada no universo pode ter mais de 15.000  milhões de anos. Mas há provas que contradizem esta afirmação. Em 1986, Brent Tully, da Universidade de Hawai, descobriu enormes aglomerações de galáxias (“supercúmulos”) de 1.000 milhões de anos-luz de comprimento, 300 milhões de largura e 1.000 milhões de espessura. Para que se pudessem ter formado objectos deste tamanho necessitar-se-ia entre 80.000 e 100.000 milhões de anos-luz, quer dizer, entre quatro e cinco vezes mais do que o permitido pelos defensores do Big Bang. Desde então tem havido outros resultados que tendem a confirmar estas observações.” (Alan Woods e Ted Grant, Razón y Revolución, Filosofia Marxista y ciência Moderna, Fundación Frederico Engels, Madrid, 2002, pag 215; o bold é nosso)


 2º- DE TIPO OBSERVACIONAL –RACIONAL REFERENTE À MATÉRIA ESCURA


«Cada vez que a teoria do Big Bang passa por dificuldades, em lugar de abandoná-la, os seus seguidores simplesmente movem os postes, introduzindo assunções novas e inclusive mais arbitrárias, para escorá-la. Por exemplo, a teoria necessita de uma certa quantidade de matéria no universo. Se o universo se criou há 15.000 milhões de anos, como prediz o modelo, simplesmente não houve tempo suficiente para que toda a matéria que observamos se tenha congelado em galáxias como a Via Láctea sem a ajuda de uma invisível matéria escura. Segundo os cosmólogos do Big Bang, para que nele se formassem galáxias, tem que haver suficiente matéria no universo para que, pela lei da gravidade, se chegue a deter a sua expansão. Isso significaria uma densidade de aproximadamente dez átomos por metro cúbico de espaço. Na realidade, a quantidade de matéria presente no universo observável é de aproximadamente um átomo por cada dez metros cúbicos, cem vezes menos que a quantidade predita pela teoria. (…) Para ser exactos, a matéria real é só 1% da necessária.»


«Daí provém a noção de matéria escura. É importante dar-se conta de que ninguém nunca viu tal coisa. A sua existência estabeleceu-se há uns dez anos para preencher um embaraçoso buraco na teoria.»


(Alan Woods e Ted Grant, Razón y Revolución, Filosofia Marxista y ciência Moderna, Fundación Frederico Engels, Madrid, 2002, pag 208-209; o bold é nosso)


3º DE TIPO RACIONAL-TRADICIONAL BASEADO NA TEORIA DA RELATIVIDADE DE EINSTEIN


«De facto, nos seus escritos (de Einstein) não há nem uma única referência ao Big Bang, aos buracos negros e demais. O próprio Einstein, apesar de que inicialmente tendia para o idealismo filosófico, opôs-se implacavelmente ao misticismo na ciência. Passou as últimas décadas da sua vida lutando contra o idealismo subjectivo de Bohr e Heisenberg, e decerto aproximou-se bastante de uma posição materialista.» (Alan Woods e Ted Grant, Razón y Revolución, Filosofia Marxista y ciência Moderna, Fundación Frederico Engels, Madrid, 2002, pag 228; o bold é nosso)


4º DE TIPO RACIONAL-METAFÍSICO ANTICRIACIONISTA


«A teoria do Big Bang realmente é um mito da Criação, como o primeiro livro do Génesis. Estabelece que o universo apareceu há 15.000 milhões de anos. Antes não existia universo, nem matéria, nem espaço, nem tempo. Toda a matéria do universo estava concentrada supostamente em um único ponto. Então, esse ponto invisível, conhecido pelos aficionados ao Big Bang como singularidade, explodiu com tal força que instantaneamente encheu todo o universo que desde aquele instante continua a expandir-se. Ah, por certo, este foi o momento em que “começou o tempo”. Se te perguntas se isto é uma brincadeira, esquece. É precisamente o que estabelece a teoria do Big Bang, na qual crê a imensa maioria dos professores universitários com largos títulos atrás dos seus nomes. É a mostra mais clara da deriva para o misticismo de um sector da comunidade científica.» (Alan Woods e Ted Grant, Razón y Revolución, Filosofia Marxista y ciência Moderna, Fundación Frederico Engels, Madrid, 2002, pag 202; o bold é nosso)


Vemos, pois, que na cosmologia ou astrofísica, teorias como a do Big Bang assentam na especulação e não em suficientes factos empíricos. Não pode, pois, nunca, a filosofia deixar a ciência entregue a si mesma, pois qualquer ciência, para além do campo observacional empírico, se deixa infiltrar por fantasias e devaneios. O materialismo dialéctico defendido por Woods e Grant, na linha de Frederico Engels, sustenta que a matéria é eterna, incriada e indestrutível, embora convertível em energia, e que o modo de ser da matéria  é o movimento, o espaço e o tempo.


Mesmo esta tese materialista comporta uma certa dimensão metafísica, dado que ninguém filmou ou possui registos absolutamente fiáveis da existência e do modo de ser do  universo de há 15.000 ou 500.000 milhões de anos.


www.filosofar.blogs.sapo.pt


f.limpo.queiroz@sapo.pt


© (Direitos de autor para Francisco Limpo de Faria Queiroz)



publicado por Francisco Limpo Queiroz às 17:15
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