Segunda-feira, 27 de Fevereiro de 2017
As leis da Física e a Beleza do Universo

A beleza, enquanto percepção da proporção, simetria, geometria das coisas, do universo, inspira a concepção astrofísica do cosmos e a complementar concepção microfísica da matéria. O interessante é constatar que a estética se entrelaça com o determinismo biofísico, implica uma dimensão de objectividade. Escreveu Paul Davies:

 

«Todos os grandes cientistas são inspirados pela beleza do mundo natural que procuram entender . Cada nova partícula subatómica, cada objecto astronómico inesperado, produz deleite e espanto. Ao construirem as suas teorias, os físicos são frequentemente guiados por secretos conceitos de elegância na crença de que o universo é intrinsecamente belo. Muito frequentemente, este gosto artístico revelou-se um princípio orientador frutífero e conduziu a novas descobertas, mesmo quando, à primeira vista, parece contradizer os factos observados. Paul Dirac escreveu:

 

"É mais importante ter beleza nas nossas equações do que vê-las adaptar-se à experiência... Porque a discrepância pode ser devida a aspectos menores que não se tomam em consideração e que virão a ser esclarecidos com desenvolvimentos ulteriores da teoria... Parece que, se alguém trabalhar com o fito de obter beleza nas equações, e se tiver realmente uma sã penetração, está na verdadeira senda do progresso" (P.A.M. Dirac, The evolution of the physicist´s picture of nature, Scientif American (Maio de 1963).

 

É uma ideia sucintamente expressa por Bohm . «A física é uma forma de visão e como tal, é uma forma de arte». (D.Bohm, em «A Question of Physics: Conversations in physics and Biology, pag 129).

 

Einstein, embora manifestando desconfiança pela ideia de um Deus pessoal, exprimiu, apesar disso, a sua admitação pela "beleza.. da simplicidade lógica da ordem e da harmonia, de que nos apercebemos humildemente e só imperfeitamente".

(Paul Davies, Deus e a Nova Física, Círculo de Leitores, pp 266-267)

 

Assim, a matemática parece configurar a estrutura do universo e da matéria-energia e a essência do Belo cósmico. Se Deus existe e é o Criador, é o Supremo Geómetra, como pensava Pitágoras de Samos, mas também o Supremo Esteta.

 

www.filosofar.blogs.sapo.pt

f.limpo.queiroz@sapo.pt

 

© (Direitos de autor para Francisco Limpo de Faria Queiroz)

 



publicado por Francisco Limpo Queiroz às 16:56
link do post | comentar | favorito
|

Quarta-feira, 22 de Fevereiro de 2017
Teste de filosofia do 11º ano (14 de Fevereiro de 2017)

 

 

Eis um teste de filosofia do 2º período lectivo no ensino secundário em Portugal.

 

Agrupamento de Escolas nº1 de Beja

Escola Secundária Diogo de Gouveia , Beja

TESTE DE FILOSOFIA, 11º ANO TURMA A

14 de Fevereiro de 2017 Professor: Francisco Queiroz

I

“.Em Bachelard, o racionalismo dialético adequa-se à lei do salto de qualidade pois supera os obstáculos epistemológicos para alcançar o ultra-objecto. As quatro fases do método hipotético-dedutivo estão fora do âmbito da razão mas não do entendimento, segundo Kant.”

 

1) Explique estes pensamentos.

 

2) Explique, como, segundo a gnosiologia de Kant, se formam o fenómeno OLIVEIRA, o conceito empírico de OLIVEIRA e o juízo a priori «A soma dos três ângulos internos de um triângulo é 180º».

      

3) Relacione, justificando:

A) As sete relações filosóficas em David Hume e as formas a priori da sensibilidade e do entendimento na teoria de Kant.

 

B) Os três tipos de conhecimento em Bertrand Russel e três tipos de res em Descartes.

 

C) Princípio da falsificabilidade em Popper, conjectura, corroboração.

 

D) Idealismo, teoria da tábua rasa e ideias de «eu», «alma» e «substância» em David Hume.

 

CORREÇÃO DO TESTE COTADO MAXIMAMENTE PARA 20 VALORES

 

1) Segundo o filósofo francês Gaston Bachelard, a opinião, isto é, o senso comum, não pensa, isto é, traduz necessidades em conhecimentos, fabrica a explicação que mais lhe convém. Exemplo: a maioria das pessoas que sentem frequentes dores de cabeça não perdem tempo a investigar a causa dessas dores, tomam um comprimido de farmácia que faz desaparecer o sintoma mas não a causa que lhe está subjacente. Na ciência nada é dado porque tudo ou quase tudo é construção racional. Exemplo: a teoria do espaço-tempo de Einstein, que diz que o espaço encurva na proximidade de grandes massas não nos é dada pelos orgãos dos sentidos, é pensada na razão. O racionalismo é a doutrina segundo a qual a razão é a fonte principal ou única de conhecimento desprezando as percepções empíricas. É pelo raciocínio (racionalismo) que o facto bruto é transformado em facto científico, isto é , num facto racional ou empírico-racional cuja essência é o ultra-objecto: a cor do céu diurno não é azul, o azul existe apenas no interior da nossa mente; o mármore não é frio, é bom condutor de calor e rouba calor à mão que nele pousamos, etc. O obstáculo epistemológico em Bachelard é todo o entrave ao conhecimento científico: a primeira impressão, a experiência inicial,  o realismo natural ( o mundo exterior como parece ser: o céu é azul, o mármore é frio, etc, o preconceito do senso comum, a falta de tecnologia apropriada (exemplo: a falta de telescópios, microscópios, reagentes químicos, máscaras antigás, fatos de amianto, bússolas, aparelhos de refrigeração, etc.) o preconceito racial ou religioso, etc. Pode dizer-se que o racionalismo enfrenta o obstáculo epistemológico segundo a lei do salto de qualidade: a acumulação lenta, em quantidade, de um factor num fenómeno conduz, em dado instante, a um salto brusco de qualidade. Esta lei aplica-se à descoberta do ultra-objecto, isto é, um objecto invisível, no todo ou em parte, como por exemplo, os quarks up e down, constituintes supostos do protão.(VALE QUATRO VALORES).O método hipotético-dedutivo baseia-se na indução amplificante, inferência que Popper não aceita como válida, e tem quatro fases: observação ou ocorrência do problema, hipótese, dedução matemática da hipótese e verificação experimental com confirmação ou não da hipótese. Na doutrina de Kant, a razão é a faculdade de pensar a metafísica, os númenos, e está totalmente desligada dos fenómenos físicos que são objecto do método hipotético-dedutivo. Na mesma doutrina, o entendimento é a faculdade que pensa os fenómenos (as esferas, as roldanas, os planos inclinados, os tubos de ensaio com reagentes, etc) e portanto é ele que concebe o método experimental. (VALE TRÊS VALORES)

 

2) O númeno ou objecto metafísico, geralmente fora do espírito humano, afecta de alguma maneira a sensibilidade fazendo nascer nesta um caos empírico de matéria indeterminada e as formas a priori de espaço (figuras, extensão) e tempo (duração, simultaneidade, sucessão) moldam essa matéria transformando-a no fenómeno oliveira, que é o objecto visível ou coisa para nós. As imagens do fenómeno, isto é, de centenas de oliveiras, são levadas pela imaginação às categorias de unidade, pluralidade, realidade e outras do entendimento ou intelecto ligado ao mundo empírico e aí são reduzidas à unidade, a um conceito único de oliveira. Na forma a priori do tempo, na sensibilidade existem os números (90, 180, etc), na forma a priori espaço da sensibilidade existe a intuição pura de triângulo, estas intuições são elevadas ao entendimento, às categorias de unidade, pluralidade, totalidade, necessidade e estas categorias com a ajuda da tábua de juízos puros, em particular do juízo apodíctico, produzem o juízo a priori «A soma dos três ângulos internos de um triângulo é 180º » (VALE TRÊS VALORES).

 

3) A) As sete relações filosóficas são, segundo David Hume: identidade, semelhança, relações de tempo e de lugar, proporção de quantidade ou número, graus de qualidade, contrariedade e causação. É discutível saber se são noções a posteriori, ou seja, que surgem na experiência sensorial e não antes desta, ou se são formas a priori, isto é, estruturas vazias que estão antes da primeira experiência. As formas a priori da sensibilidade, em Kant, são: o espaço, cujo conteúdo é extensão e figuras geométricas, e o tempo, cujas determinações são duração, sucessão, simultaneidade e números.

É fácil detectar correspondências entre Hume e Kant: as relações de tempo e de lugar, em Hume, correspondem ao espaço e tempo à priori em Kant; a proporção de quantidade ou número, em Hume, equivale aos números contidos no tempo, em Kant.

 

As categorias, em Kant,  são formas a priori do entendinento, isto é, mecanismos inatos do pensamento, anteriores a toda a experiência sensorial, como por exemplo, unidade, pluralidade e totalidade (categorias da quantidade). São 12 e constituem a seguinte tábua:

«TÁBUA DAS CATEGORIAS»

I

Da quantidade:

Unidade

 Pluralidade

   Totalidade

           2                                                                                   3

Da Qualidade                                                              Da relação

Realidade                                                                    Inerência e subsistência

Negação                                                                      ( substancia et accidens)

Limitação                                                                    Causalidade e dependência

                                                                                                     (causa e efeito)

.....................................................................................Comunidade

                                                                                    (acção recíproca entre

                                                                                     o agente e o paciente)

                                                                         4

Da Modalidade:

Possibilidade-Impossibilidade

Existência-Não-existência

Necessidade-Contingência

 

 

Podemos fazer corresponder a relação filosófica de causação (determinismo), em Hume, à categoria de necessidade (lei infalível de causa-efeito)  em Kant. Também podemos estabelecer correspondência entre a relação filosófica de identidade e a categoria de inerência e subsistência (substância e acidente). As formas a priori do entendimento incluem as categorias e os juízos puros (afirmativos, negativos, assertóricos, apodícticos, etc) que são doze (VALE TRÊS VALORES).

 

3-B)As três res ou substâncias primordiais em Descartes são: a res divina, Deus, espírito criador do universo, fonte das outras duas; a res cogitans ou pensamento humano sobre ciências, filosofia, senso comum, etc; a res extensa, isto é, a matéria, abstracta e indeterminada, constituída por comprimento, largura e altura dos corpos, destituída de cor, som, cheiro. Os três tipos de conhecimento segundo Bertrand Russell são: o saber-fazer, que é um conhecimento empírico-técnico, como andar de bicicleta, nadar, jogar futebol; o conhecimento por contacto, isto é, empírico directo, como ver uma planície alentejana, ouvir uma música dos «Discípulos», saborear gaspacho e opinar «O gaspacho é uma sopa fria de tomate agradável ao paladar»; o conhecimento proposicional, isto é, racional ou empírico-racional, como por exemplo, «O quark up tem carga eléctrica positiva 2/3 ao passo que o quark down tem carga negativa 1/3», «Portugal entrou na Comunidade Económica Europeia em 1 de Janeiro de 1986». contrariando muitas vezes as percepções empíricas. Podemos fazer corresponder a res cogitans ao conhecimento proposicional porque são pensamento(VALE TRÊS VALORES).

 

3-C) 3) B) Conjectura é uma suposição, uma hipótese. O conjecturalismo é a teoria de Popper segundo a qual as teorias das ciências empíricas, as leis induzidas, não passam de suposições, de hipóteses falíveis, pois é impossível verificar todos os casos concretos correspondentes a dada lei ou tese. Assim, por exemplo, a tese de que o átomo de enxofre tem 16 electrões é uma mera hipótese e não uma verdade indiscutível. A indução (amplificante) é a generalização de alguns exemplos empíricos similares de modo a construir uma lei universal e necessária. Popper rejeita este raciocínio indutivo dizendo que só seria legítimo se fosse possível a verificação de todos os casos correspondentes a essa lei induzida, mas só é possível a corroboração, isto é, a confirmação de alguns casos. O princípio da falsificabilidade  é a teoria de Popper segundo a qual uma teoria «científica» deve ser falsificada, posta em questão, através de testes experimentais rigorosos e de discussão racional, e ser aceite provisoriamente enquanto resistir a esses testes.. (VALE DOIS  VALORES).

 

3) D) O idealismo, isto é, a doutrina que diz que o mundo material exterior à mente humana não existe, é ilusório, é base da teoria de Hume. Por exemplo, o"eu" em David Hume não é uma realidade, mas uma ideia ilusória, uma vez que somos apenas uma corrente de percepções empíricas a que a memória e a imaginação atribuem um núcleo invariável chamado «eu». Do mesmo modo, a   substância (exemplos: as substâncias cadeira ou nuvem) é uma ideia fabricada pela nossa imaginação servindo-se das sete relações filosóficas que são disposições sensório-intelectuais a priori da mente humana: semelhança, identidade, relações de tempo e lugar, proporção de quantidade ou número, graus de qualidade, contrariedade e causação. A ideia de permanência, de continuidade entre as percepções empíricas forja as ideias de eu e de substância. As relações de tempo e lugar não estão em objectos materiais fora de nós mas são um modo de ver e pensar inerente à nossa mente - e isto é idealismo. David Hume é empirista  porque sustenta que as nossas impressões de sensação ou percepções empíricas (exemplo: a visão de um gato, o sabor da açorda alentejana) são a fonte das nossas ideias. Sustenta a teoria da tábua rasa que diz que ao nascer a mente humana vem vazia de conhecimentos. (VALE DOIS VALORES).

 

www.filosofar.blogs.sapo.pt

f.limpo.queiroz@sapo.pt

 

© (Direitos de autor para Francisco Limpo de Faria Queiroz)

 



publicado por Francisco Limpo Queiroz às 19:18
link do post | comentar | favorito
|

Terça-feira, 21 de Fevereiro de 2017
Teste de filosofia do 10º ano (14 de Fevereiro de 2017)

 

 Eis um teste de filosofia do ensino secundário em Portugal, a contra-corrente do modelo simplista da filosofia analítica hegemónico entre os docentes de filosofia. Os conteúdos deste teste de filosofia referentes a alquimia, cabala e princípio das correspondências macrocosmos-microcosmos integram-se na rubrica «Os grandes temas da filosofia» e são relativos a uma visita de estudo ao centro histórico de  Sevilha em que se faz hermenêutica de monumentos antigos e seus pormenores artísticos.

 

Agrupamento de Escolas nº1 de Beja

Escola Secundária Diogo de Gouveia, Beja

TESTE DE FILOSOFIA, 10º ANO TURMA C

14 de Fevereiro de 2017. Professor: Francisco Queiroz

I

“A filosofia da alquimia, que aceita a ideia de Adão Kadmon ser o antepassado dos humanos e as noções de pleroma, kenoma e hebdómada, sustenta a divisa «solve e coagula» e a existência de três princípios/ substâncias do universo material. Na Grande Obra Alquímica, que traduz a lei dialética do devir, há quatro fases correspondendo uma ave a cada uma. O axis mundis dos primitivos implica percepção empírica, conceito empírico e intuição inteligível e liga entre si vários mundos.”

                                                                                                         

  1. Explique, concretamente este texto.

 1) Relacione, justificando:

 A)Seis ou mais esferas da árvore cabalística dos Sefirós, as respectivas qualidades, e planetas, por um lado, e emanacionismo.

 B) Oito direções do espaço, respectivas áreas de vida e elementos ou partes da natureza na filosofia do Feng Shui, por um lado, e lei da contradição principal, por outro lado.

 

C) Vontade autónoma e vontade heterónoma e dois eus na moral de Kant, por um lado, hedonismo em Stuart Mill, por outro lado.

 

CORREÇÃO DO TESTE COTADO PARA 20 VALORES

 

 1) A filosofia da alquimia, doutrina esotérica, hermética que sustenta o processo da Grande Obra ou criação laboratorial da pedra filosofal que concederia a imortalidade ao homem, dotando-o de um corpo astral desmaterializado como o mítico Adão Kadmon (metade homem e metade mulher), defende que há três princípios/ substâncias originárias do universo, o enxofre ou homem vermelho (princípio masculino), sólido, o mercúrio filosófico ou mulher branca (princípio feminino), volátil, e o sal, neutro. A divisa «solve e coagula» significa dissolver o enxofre, sólido, e coagular o mercúrio líquido ou gasoso que se esparge pelas esferas celestes de forma a obter o equilíbrio e a pedra filosofal, ou lapis vermelho. O pleroma é o mundo divino, da luz, o mundo dos éons ou dos arquétipos perfeitos, o kenoma é o vazio, das trevas e da matéria exterior ao pleroma, a hebdómada é o mundo das sete esferas planetárias que tem a Terra no centro, criado por Deus ou pelo demiurgo (deus inferior) no seio do kenoma para alojar Adão que, ao sair do Éden atraído por Lúcifer, se materializou e perdeu Sofia, a sua metade espiritual  (VALE QUATRO VALORES).As quatro fases da Grande Obra Alquímica que visa produzir o elixir da longa vida ou pedra filosofal em laboratório são: nigredo, ou fase negra, da putrefação da matéria transformada no laboratório a que corresponde o corvo; albedo, ou fase branca de separação das impurezas, a ave é o cisne; citredo, ou fase multicolor, de alguma dominancia do amarelo limão, a ave é o pavão; rubedo, ou fase vermelha na qual se dá a produção da pedra filosofal cuja ave é a fénix. A lei do uno sustenta que tudo se relaciona e isso exemplifica-se no facto de estas quatro fases da Grande Obra estarem ligadas entre si num processo de continuidade. (VALE TRÊS VALORES). O axis mundis ou eixo do mundo ou pilar cósmico liga, nas cosmologias dos povos primitivos, três mundos, o mundo subterrâneo dos mortos ao mundo terreno dos vivos e este ao céu dos deuses, na vertical do lugar, a partir do umbigo do mundo, que é, muitas vezes, o centro da aldeia ou da cidade. A percepção empírica, isto é, o acto da visão, da audição, do tacto, etc, mostra-nos um pau comprido na vertical ou um pilar de pedra ou uma árvore ou uma montanha, o conceito empírico é a ideia formada com a abstração das percepções empíricas - exemplo: fecho os olhos e penso na árvore como axis mundis - e a intuição inteligível é a ideia metafísica,instantânea - exemplo: «ver» como que num flash o axis mundi lá no alto dos céus a tocar o corpo de um deus» (VALE TRÊS VALORES).

 

2-A) A árvore das Sefirós (Esferas) é o diagrama do universo, segundo a Cabala (ensinamento secreto) judaica, uma «heresia» do judaísmo como religião de massas. Essa árvore de 10 esferas, que são 10 qualidades que emanam de Deus (emanacionismo),  é composta de um triângulo  em cima, onde a presença de Deus é directa, expressa  nas sefirós Kéther- Chokmah- Binah, dois triângulos invertidos debaixo deste, onde já não há a presença directa de Deus mas sim dos arcanjos e dos anjos,  e um ponto isolado no fundo.

                               KÉTHER (Coroa)

                                Planeta: Úrano

                                Esfera nº 1

                                 Cor : Indefinida

 

BINAH:                                               CHOCKMAH

Esfera nº 3                                          Esfera nº 2

Inteligência                                          Sabedoria

Feminina                                              Masculina

Saturno                                                Neptuno

Cor Negra                                           Cor iridescente

 

GUEVURAH                                          CHESED

Esfera nº 5                                             Esfera nº 4

Justiça                                                    Misericórdia

Marte                                                       Júpiter

Cor: Vermelho                                        Cor Azul

 

                                     THIPHERET

                                      Esfera nº 6.

                                      Beleza.

                                      Sol.

                                      Cor: amarelo ouro.

                                      (VALE TRÊS VALORES)

 

 O emanacionismo é a teoria segundo a qual a criação emana, brota como água a jorrar de uma fonte, do princípio único (a bica da fonte) de tal modo que a radiação vai enfraquecendo à medida que se afasta da fonte: o universo é como uma escadaria em direção à matéria pura, muito afastada da fonte que é o espírito. A árvore da Cabala revela isso mesmo: Malkut, o Reino Material, é a última, directamente oposta a Kéther, Coroa, que tem a presença de Deus. (VALE TRÊS VALORES).

 

2) O Feng Shuei é uma filosofia chinesa geocósmica, holística, que sustenta a correspondência entre pontos cardeais (N,S,E,O) e os quatro pontos colaterais (NE,SE, SO, NO), as áreas de vida social e pessoal, alguns animais e cores.

 

NORTE. TERRA.  Tartaruga negra. A profissão, os negócios. Audição. Inverno. Meia noite, velho Yi ( máximo Yin ou máxima escuridão e frio).

NORDESTE. MONTANHA. Área de estudos e vida escolar.

ESTE, TROVÃO. Dragão verde. Crescimento, família. Cor verde. Visão. Nascer do sol. Jovem Yang.

SUDESTE. VENTO, MADEIRA. Dinheiro, riqueza material.

SUL.FOGO. Fénix. Fama. Fala. Cor vermelha. Verão. meio dia, velho Yang (máximo Yang ou máxima luz e calor).

SUDOESTE.TERRA. Sudoeste (ou Centro, segundo algumas interpretações). Serpente. Cor: amarelo. Fim do verão. Casamento, amores.  Sabor. Meio da tarde. Igual proporção de Yang e Yin.

OESTE. ÁGUA., Lago. Oeste. Tigre branco. A criatividade, os filhos. O olfato. Outono. Cor branca. Pôr do sol. Jovem yin (algum frio e humidade). 

NOROESTE.  CÉU. Os protectores, os amigos influentes.

 O princípio das correspondências microcosmo-microcosmo da filosofia hermética sustenta que o que está em baixo é como o que está em cima, há uma analogia entre o microcosmo ou pequeno universo e o macrocosmo ou grande universo. Assim sucede com o FengShuei: por exemplo, o Norte (macrocosmos) corresponde à profissão da pessoa (microcosmos) e à Tartaruga Negra (microcosmos), etc. A lei da contradição principal estabelece que um sistema de múltiplas contradições (em rigor: contrariedades) é redutível a uma só grande contradição, chamada principal, agrupando num dos polos algunas contradiçoes, e no outro as restantes. Assim podemos determinar a seguinte contradição principal: de um lado, o Este e o Sul, ambos Yang, e os respectivos pontos colaterais Sudeste e Sudoeste; do outro lado, o Oeste e o Norte, ambos Yang e os pontos colaterais Nordeste e Noroeste. (VALE TRÊS VALORES)

 

C) A vontade autónoma reside no eu numénico, ou eu racional, na doutrina de Kant, e permite  a cada pessoa universalizar a sua máxima ou princípio subjetivo, agir de acordo com o imperativo categórico que cada um gera no seu eu racional: trata cada ser humano como um fim em si mesmo, alguém digno de respeito, e nunca como um meio para chegares a fins egoístas. . A vontade heterónoma situa-se no eu fenoménico ou eu empírico e é governada por interesses materiais, instintos e paixões contrárias ao eu racional. O hedonismo é a teoria que identifica o prazer com o bem e a dor com o mal, Stuart Mill defende a felicidade para a maioria dos envolvidos numa dada situação e isso não coincide com o imperativo categórico de Kant que contempla todos por igual e não busca necessariamente o prazer.  O princípio moral de Mill tem algo de imperativo hipotético (o prazer) e algo de imperativo categórico (o serviço aos outros). VALE TRÊS VALORES).

 

 

www.filosofar.blogs.sapo.pt

f.limpo.queiroz@sapo.pt

 

© (Direitos de autor para Francisco Limpo de Faria Queiroz)



publicado por Francisco Limpo Queiroz às 09:44
link do post | comentar | favorito
|

Domingo, 19 de Fevereiro de 2017
Área 27º-29º do signo de Aquário: assaltos a caixas ATM em Beja

Os graus do Zodíaco e os planetas determinam tudo o que sucede na Terra. Só conhecemos algumas das muitas leis planetárias que entretecem o tapete do destino. Aplicamos a indução amplificante a factos histórico-astronómicos sob reserva: várias leis astronómicas concorrem em simultâneo para produzir um dado acontecimento, não basta apenas uma. A área 27º-29º do signo de Aquário suscita, entre outros fenómenos, assaltos e explosão de caixas ATM na cidade de Beja.

 

Em 3 de Janeiro de 2017, com Vénus de 29º 39´de Aquário a 0º 43´ de Peixes, ocorre uma explosão de caixa multibanco na fachada do Pingo Doce, na Rua 5 de Outubro, na cidade de Beja, e o consequente roubo de notas bancárias no valor de 40 .000 euros; em 16 de Fevereiro de 2017, com Sol em 27º 29´/ 28º 30´ de Aquário, às 5.30 horas, um carro com três indivíduos estaciona frente ao Café Avenida e, depois de partir com uma marreta a porta de vidro, o trio de assaltantes faz explodir, com recurso a gás, a caixa multibanco da antiga dependência da Nova Rede/ Millenium, na Avenida Miguel Fernandes, em Beja, levando de seguida a caixa com dinheiro, deixando o local num automóvel.

 

Ora nos dias 24 e 25 de Fevereiro de 2017, Mercúrio estará nos graus 26º a 29º do signo de Aquário. Chegará para produzir novo assalto a multibanco em Beja?

 

www.filosofar.blogs.sapo.pt

f.limpo.queiroz@sapo.pt

 

© (Direitos de autor para Francisco Limpo de Faria Queiroz)

 

 



publicado por Francisco Limpo Queiroz às 18:38
link do post | comentar | favorito
|

Quarta-feira, 8 de Fevereiro de 2017
Teste de filosofia do 11º ano (1 de Fevereiro de 2017)

 

 Eis um teste de filosofia para o 11º ano do ensino secundário em Portugal.

 

Agrupamento de Escolas nº1 de Beja

Escola Secundária Diogo de Gouveia , Beja

TESTE DE FILOSOFIA, 11º ANO TURMA B

1 de Fevereiro de 2016. Professor: Francisco Queiroz

I

“.O espaço não é um conceito empírico extraído de experiências externas…O entendimento faz a síntese do diverso da intuição empírica e é condicionado, ao passo que a razão é incondicionada e produz antinomias» (Kant, Crítica da Razão Pura)

 

1) Explique estes pensamentos de Kant.

 

 2) Explique, como, segundo a gnosiologia de Kant, se formam o fenómeno ESCOLA, o conceito empírico de ESCOLA e o juízo a priori «Cinco mais seis é igual a onze».

      

3) Relacione, justificando:

A) As sete relações filosóficas em David Hume e as formas a priori da sensibilidade e do entendimento na teoria de Kant

B) As três res e três tipos de ideias em Descartes

C) Holismo e astúcia da razão em Hegel.

D) Idealismo, empirismo, teoria da tábua rasa e ideias de «eu», «alma» e «substância» em David Hume.

 

1) O espaço não é um conceito empírico extraído de experiências exteriores porque para o idealista Kant o espaço é a priori, existe antes de qualquer objecto físico, como sendo o lado externo, exterior ao nosso corpo, da sensibilidade. (VALE DOIS VALORES).O entendimento, faculdade que pensa os fenómenos mas não os sente, faz a síntese do diverso das intuições porque recebe milhares de intuições sensoriais de fenómenos (exemplo: muitas imagens de rosas brancas, vermelhas, etc) que sobem ao entendimento e este com as categorias de pluralidade, unidade, realidade, etc, reduzem-nas a um conceito único de rosa. É condicionado porque a sua atenção está centrada no mundo visível dos fenómenos (comboios a circular, salários dos trabalhadores, etc). A razão, faculdade que pensa os númenos ou objectos incognoscíveis (Deus, imortalidade da alma, a totalidade do mundo, não os objectos físicos) é livre, incondicionada porque vai além da experiência e entra na metafísica, pode «inverter» a ordem da natureza e imaginar que o filho nasça antes da mãe, etc. Balança ao gerar as antinomias, leis ou teses opostas, como por exemplo «Deus existe, Deus não existe, a liberdade existe, a liberdade não existe» (VALE TRÊS VALORES).

 

 

2) O númeno ou objecto metafísico afecta de alguma maneira a sensibilidade fazendo nascer nesta um caos empírico de matéria indeterminada e as formas a priori de espaço (figuras, extensão) e tempo (duração, simultaneidade, sucessão) moldam essa matéria transformando-a no fenómeno escola, que é o objecto visível ou coisa para nós. As imagens do fenómeno são levadas pela imaginação às categorias de unidade, pluralidade, realidade e outras do entendimento ou intelecto ligado ao mundo empírico e aí são reduzidas à unidade, a um conceito único de escola. Na forma a priori do tempo, na sensibilidade existem os números cinco, seis, onze e outros, estas intuições são elevadas ao entendimento, às categorias de unidade, pluralidade, totalidade, necessidade e estas categorias com a ajuda da tábua de juízos puros, em particular do juízo apodíctico, produzem o juízo a priori «Cinco mais seis é igual a onze» (VALE TRÊS VALORES).

 

3) A) As sete relações filosóficas são, segundo David Hume: identidade, semelhança, relações de tempo e de lugar, proporção de quantidade ou número, graus de qualidade, contrariedade e causação. É discutível saber se são noções a posteriori, ou seja, que surgem na experiência sensorial e não antes desta, ou se são formas a priori, isto é, estruturas vazias que estão antes da primeira experiência. As formas a priori da sensibilidade, em Kant, são: o espaço, cujo conteúdo é extensão e figuras geométricas, e o tempo, cujas determinações são duração, sucessão, simultaneidade e números.

É fácil detectar correspondências entre Hume e Kant: as relações de tempo e de lugar, em Hume, correspondem ao espaço e tempo à priori em Kant; a proporção de quantidade ou número, em Hume, equivale aos números contidos no tempo, em Kant.

 

As categorias, em Kant,  são formas a priori do entendinento, isto é, mecanismos inatos do pensamento, anteriores a toda a experiência sensorial, como por exemplo, unidade, pluralidade e totalidade (categorias da quantidade). São 12 e constituem a seguinte tábua:

«TÁBUA DAS CATEGORIAS»

I

Da quantidade:

Unidade

 Pluralidade

   Totalidade

           2                                                                                   3

Da Qualidade                                                              Da relação

Realidade                                                                    Inerência e subsistência

Negação                                                                      ( substancia et accidens)

Limitação                                                                    Causalidade e dependência

                                                                                                     (causa e efeito)

.....................................................................................Comunidade

                                                                                    (acção recíproca entre

                                                                                     o agente e o paciente)

                                                                         4

Da Modalidade:

Possibilidade-Impossibilidade

Existência-Não-existência

Necessidade-Contingência

 

 

Podemos fazer corresponder a relação filosófica de causação (determinismo), em Hume, à categoria de necessidade (lei infalível de causa-efeito)  em Kant. Também podemos estabelecer correspondência entre a relação filosófica de identidade e a categoria de inerência e subsistência (substância e acidente). As formas a priori do entendimento incluem as categorias e os juízos puros (afirmativos, negativos, assertóricos, apodícticos, etc) que são doze (VALE TRÊS VALORES).

 

B) As três res ou substâncias primordiais em Descartes são: a res divina, Deus, espírito criador do universo, fonte das outras duas; a res cogitans ou pensamento humano sobre ciências, filosofia, senso comum, etc; a res extensa, isto é, a matéria, abstracta e indeterminada, constituída por comprimento, largura e altura dos corpos, destituída de cor, som, cheiro. Os três tipos de ideias são : inatas, nascem connosco (ideias de triângulo, corpo, número, etc); adventícias, isto é, percepções empíricas; factícias, isto é, forjadas na imaginação. Podemos fazer corresponder as ideias adventícias à res extensa, por exemplo, ou as inatas, conforme o ponto de vista.(VALE QUATRO VALORES).

 

C) Holismo é a teoria que diz que a verdade é o todo e que o comportamento de cada parte só pode ser explicado em função do Todo. A astúcia da razão universal é a utilização das ambições pessoais de cada homem de Estado pela razão extra hunana ou Deus  de modo a fazer avançar a história para onde a razão quer. Sendo a astúcia da razão uma estratégia holística de manipular os homens ela é holismo, (VALE DOIS VALORES).

 

D) O idealismo, isto é, a doutrina que diz que o mundo material exterior à mente humana não existe, é ilusório, é base da teoria de Hume. Por exemplo, o"eu" em David Hume não é uma realidade, mas uma ideia ilusória, uma vez que somos apenas uma corrente de percepções empíricas a que a memória e a imaginação atribuem um núcleo invariável chamado «eu». Do mesmo modo, a   substância (exemplos: as substâncias cadeira ou nuvem) é uma ideia fabricada pela nossa imaginação servindo-se das sete relações filosóficas que são disposições sensório-intelectuais a priori da mente humana: semelhança, identidade, relações de tempo e lugar, proporção de quantidade ou número, graus de qualidade, contrariedade e causação. A ideia de permanência, de continuidade entre as percepções empíricas forja as ideias de eu e de substância. As relações de tempo e lugar não estão em objectos materiais fora de nós mas são um modo de ver e pensar inerente à nossa mente - e isto é idealismo. David Hume é empirista  porque sustenta que as nossas impressões de sensação ou percepções empíricas (exemplo: a visão de um gato, o sabor da açorda alentejana) são a fonte das nossas ideias. Sustenta a teoria da tábua rasa que diz que ao nascer a mente humana vem vazia de conhecimentos. (VALE TRÊS VALORES).

 

www.filosofar.blogs.sapo.pt

f.limpo.queiroz@sapo.pt

 

© (Direitos de autor para Francisco Limpo de Faria Queiroz)

 

 



publicado por Francisco Limpo Queiroz às 21:41
link do post | comentar | favorito
|

Terça-feira, 7 de Fevereiro de 2017
Teste de Filosofia do 10º ano (3 de Fevereiro de 2017)

 

Eis um teste de filosofia do 10º ano de escolaridade do início do segundo período lectivo, em Portugal. Os conteúdos deste teste de filosofia referentes a alquimia, cabala e princípio das correspondências macrocosmos-microcosmos integram-se na rubrica «Os grandes temas da filosofia» e são relativos a uma visita de estudo ao centro histórico de  Sevilha em que se faz hermenêutica de monumentos antigos e seus pormenores artísticos. Os manuais escolares do 10º ano não têm praticamente textos de filosofia esotérica e holístico-científica: autores como Mircea Elíade, historiador das religiões, Edgar Morin, Paul Feyerabend, Jules Evola, Gerson Scholen, Jean Hani, são censurados, ignorados pelos académicos da filosofia analítica que estão na mó de cima na época filosoficamente impensante que atravessamos.

 

Agrupamento de Escolas nº1 de Beja

Escola Secundária Diogo de Gouveia, Beja

TESTE DE FILOSOFIA, 10º ANO TURMA A

3 de Fevereiro de 2017. Professor: Francisco Queiroz

I

“A filosofia da alquimia, que aceita as noções de pleroma, kenoma e hebdómada, sustenta a divisa «solve e coagula» e a existência de três princípios/ substâncias do universo material. Na Grande Obra Alquímica, que traduz a lei dialética do uno, há quatro fases correspondendo uma ave a cada uma.  A esfera dos valores espirituais em Max Scheler e a esfera dos valores do santo e do profano podem ter algo a ver com a cosmisação do espaço e o axis mundis dos povos primitivos."

 

1) Explique, concretamente este texto.

 

2) Relacione, justificando: 

A) Seis ou mais esferas da árvore cabalística dos Sefirós, as respectivas qualidades, e planetas, por um lado, e quatro arquês em Pitágoras de Samos, por outro lado.

 

B) Oito direções do espaço, respectivas áreas de vida e elementos ou partes da natureza na filosofia do Feng Shui e princípio das correspondências macrocosmos-microcosmos.

 

C) Máxima e imperativo categórico em Kant e o princípio moral do utilitarismo em Stuart Mill. 

 

 CORREÇÃO DO TESTE,  COTADO MAXIMAMENTE PARA 20 VALORES

 

1) A filosofia da alquimia, doutrina esotérica, hermética que sustenta o processo da Grande Obra ou criação laboratorial da pedra filosofal que concederia a imortalidade ao homem, dotando-o de um corpo astral desmaterializado como o mítico Adão Kadmon (metade homem e metade mulher), defende que há três princípios/ substâncias originárias do universo, o enxofre ou homem vermelho (princípio masculino), sólido, o mercúrio filosófico ou mulher branca (princípio feminino), volátil, e o sal, neutro. A divisa «solve e coagula» significa dissolver o enxofre, sólido, e coagular o mercúrio líquido ou gasoso que se esparge pelas esferas celestes de forma a obter o equilíbrio e a pedra filosofal, ou lapis vermelho. O pleroma é o mundo divino, da luz, o mundo dos éons ou dos arquétipos perfeitos, o kenoma é o vazio, das trevas e da matéria exterior ao pleroma, a hebdómada é o mundo das sete esferas planetárias que tem a Terra no centro, criado por Deus ou pelo demiurgo (deus inferior) no seio do kenoma para alojar Adão que, ao sair do Éden atraído por Lúcifer, se materializou e perdeu Sofia, a sua metade espiritual  (VALE TRÊS VALORES).As quatro fases da Grande Obra Alquímica que visa produzir o elixir da longa vida ou pedra filosofal em laboratório são: nigredo, ou fase negra, da putrefação da matéria transformada no laboratório a que corresponde o corvo; albedo, ou fase branca de separação das impurezas, a ave é o cisne; citredo, ou fase multicolor, de alguma dominancia do amarelo limão, a ave é o pavão; rubedo, ou fase vermelha na qual se dá a produção da pedra filosofal cuja ave é a fénix. A lei do uno sustenta que tudo se relaciona e isso exemplifica-se no facto de estas quatro fases da Grande Obra estarem ligadas entre si num processo de continuidade. (VALE TRÊS VALORES). A esfera dos valores espirituais em Max Scheller engloba os valores éticos (bem e mal), estéticos (belo e feio) jurídicos (legal, ilegal) de verdade filosófica (real, irreal, etc.) e científica (certo e errado na matemática, etc) e a esfera dos valores do santo e do profano ( Deus ou deuses versus matéria como essência da vida). A cosmisação do espaço é a transformação de um território caótico ou homologo ao caos num cosmos, isto é, num pequeno mundo organizado. Os povos antigos determinavam, nesse terreno, o Centro, o «umbigo do mundo», um lugar sagrado - e aqui entram os valores do divino, do santo e também éticos- onde situavam a pedra angular e erigiam o axis mundis, cruzando duas linhas perpendiculares no solo, uma norte-sul outra este-oeste. Assim a aldeia ficava dividida em quatro partes.A partir do Centro, elevava-se o axis mundi, um poste, ou um pilar ou uma árvore que ligava o mundo subterrâneo dos mortos ao mundo terrestre dos vivos e ao céu dos deuses.  (VALE QUATRO VALORES).

 

2-A) A árvore das Sefirós (Esferas) é o diagrama do universo, segundo a Cabala (ensinamento secreto) judaica, uma «heresia» do judaísmo como religião de massas. Essa árvore de 10 esferas, que são 10 qualidades que emanam de Deus (emanacionismo),  é composta de um triângulo  em cima, onde a presença de Deus é directa, expressa  nas sefirós Kéther- Chokmah- Binah, dois triângulos invertidos debaixo deste, onde já não há a presença directa de Deus mas sim dos arcanjos e dos anjos,  e um ponto isolado no fundo.

                               KÉTHER (Coroa)

                                Planeta: Úrano

                                Esfera nº 1

                                 Cor : Indefinida

 

BINAH:                                               CHOCKMAH

Esfera nº 3                                          Esfera nº 2

Inteligência                                          Sabedoria

Feminina                                              Masculina

Saturno                                                Neptuno

Cor Negra                                           Cor iridescente

 

GUEVURAH                                          CHESED

Esfera nº 5                                             Esfera nº 4

Justiça                                                    Misericórdia

Marte                                                       Júpiter

Cor: Vermelho                                        Cor Azul

 

                                     THIPHERET

                                      Esfera nº 6.

                                      Beleza.

                                      Sol.

                                      Cor: amarelo ouro.

                                      (VALE TRÊS VALORES)

 

A cosmogonia de Pitágoras de Samos diz que o universo se formou a partir de  quatro números-figuras arquetípicos: do vazio surge um ponto que simboliza o número um; o ponto divide-se em dois, gerando a linha recta, que é o número dois; da recta sai um ponto que ao projectar-se através de infinitas rectas sobre a recta original gera um plano, que é o número três; do plano sai um ponto que prpjectando-se segundo três rectas sobre o plano gerando a pirâmide de três lados ou tetraedro, que é o número quatro. A gematria é a atribuição a cada letra de um número (por exemplo A= 1, B=2, C=3, N=40, Z=400) . Tanto a cosmogonia de Pitágoras como a gematria  consideram os números como essências dos entes.

Podemos relacionar a árvore da Cabala, que sustenta haver DEZ esferas ou Séfirós com a teoria de Pitágoras que venerava o DEZ como número de Deus já que é a soma dos quatro arkhés (1+2+3+4=10). (VALE TRÊS VALORES).

 

 2) O Feng Shuei é uma filosofia chinesa geocósmica, holística, que sustenta a correspondência entre pontos cardeais (N,S,E,O) e os quatro pontos colaterais (NE,SE, SO, NO), as áreas de vida social e pessoal, alguns animais e cores.

 

NORTE. TERRA.  Tartaruga negra. A profissão, os negócios. Audição. Inverno. Meia noite, velho Yi ( máximo Yin ou máxima escuridão e frio).

NORDESTE. MONTANHA. Área de estudos e vida escolar.

ESTE, TROVÃO. Dragão verde. Crescimento, família. Cor verde. Visão. Nascer do sol. Jovem Yang.

SUDESTE. VENTO, MADEIRA. Dinheiro, riqueza material.

SUL.FOGO. Fénix. Fama. Fala. Cor vermelha. Verão. meio dia, velho Yang (máximo Yang ou máxima luz e calor).

SUDOESTE.TERRA. Sudoeste (ou Centro, segundo algumas interpretações). Serpente. Cor: amarelo. Fim do verão. Casamento, amores.  Sabor. Meio da tarde. Igual proporção de Yang e Yin.

OESTE. ÁGUA., Lago. Oeste. Tigre branco. A criatividade, os filhos. O olfato. Outono. Cor branca. Pôr do sol. Jovem yin (algum frio e humidade). 

NOROESTE.  CÉU. Os protectores, os amigos influentes.

    O princípio das correspondências microcosmo-microcosmo da filosofia hermética sustenta que o que está em baixo é como o que está em cima, há uma analogia entre o microcosmo ou pequeno universo e o macrocosmo ou grande universo. Assim sucede com o FengShuei: por exemplo, o Norte (macrocosmos) corresponde à profissão da pessoa (microcosmos) e à Tartaruga Negra (microcosmos), etc. (VALE TRÊS VALORES)

 

C) O imperativo categórico ou verdadeira lei moral, em Kant, postula: «Age como se quisesses que a tua ação fosse uma lei universal da natureza». Resulta da universalização da máxima, da aplicação equitativa do princípio subjectivo moral de cada um ou máxima. Exemplo: se a minha máxima é «Combato a vacinação obrigatória porque as vacinas infectam o organismo» o meu imperativo categórico será «Vou difundir a ideia de que a vacinação é nociva e não me vacinarei nem as minhas filhas, quaiquer que sejam as sanções contra mim.» O princípio moral de Stuart Mill é, em cada situação, promover a felicidade da maioria das pessoas, mesmo sacrificando a minoria. Em regra, isto opõe-se ao imperativo categórico de Kant que é absolutamente equitativo e trata por igual todos os indivíduos. (VALE QUATRO  VALORES)

 

www.filosofar.blogs.sapo.pt

f.limpo.queiroz@sapo.pt

 

© (Direitos de autor para Francisco Limpo de Faria Queiroz)

 



publicado por Francisco Limpo Queiroz às 19:41
link do post | comentar | favorito
|

mais sobre mim
pesquisar
 
Agosto 2017
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5

6
7
8
9
10
11
12

13
14
15
16
17

20
21
22
23
24
25
26

27
28
29
30
31


posts recentes

Breves reflexões de Agost...

Area 15º-20º de Cancer y ...

Posições de Júpiter em Ma...

Deleuze e Guattari: as tr...

Júpiter em 17º de Balança...

Astrología y accidentes a...

O idealismo é contra a au...

La guerra civil de España...

Breves reflexões de Julho...

Áreas 21º-24º de Carangu...

arquivos

Agosto 2017

Julho 2017

Junho 2017

Maio 2017

Abril 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

Janeiro 2007

Dezembro 2006

Novembro 2006

Setembro 2006

Agosto 2006

Julho 2006

Maio 2006

Abril 2006

Março 2006

Fevereiro 2006

tags

todas as tags

favoritos

Teste de filosofia do 11º...

Pequenas reflexões de Ab...

Suicídios de pilotos de a...

David Icke: a sexualidade...

links
Fazer olhinhos
blogs SAPO
subscrever feeds