Quarta-feira, 30 de Dezembro de 2015
O Vaticano corrupto dessacraliza as missas celebradas nas paróquias?

 

Sendo o Vaticano dos cardeais um «ninho de víboras», infiltrado por vaidosos e corruptos prelados e por maçons, é espiritualmente eficaz a missa católica rezada nas paróquias, isto é, na base da igreja católica romana? Este é um dos problemas filosóficos que me desafia. Lê-se num livro anti-corrupção escrito em 1998 por um núcleo de resistentes  dentro da cúpula vaticanista:


«Depois da morte de Paulo VI, a 6 de Agosto de 1978, os mass media davam o arcebispo de Génova, cardeal Guiseppe Siri - um verdadeiro gigante do sacro colégio pela sua dimensão pastoral, pela sua formação intelectual, pela sua coerência entre fé e vida, pela sua fidelidade à tradição da Igreja - como Papa já eleito, antes de entrar no conclave. Tivera encontros nos dias anteriores com cardeais, embaixadores, políticos e prelados de todas as origens e correntes. O arcebispo Siri, de discurso calmo, determinado e incisivo como uma espada, sabia que era mal visto no Vaticano por uma certa classe maçónica de salão. Não adivinhava o golpe baixo que ela lhe estava a preparar pelas costas, no sentido de o apear daquele plebiscito de prognósticos e de consensos. Naturalmente, os gigantes são observados à distância para assim se apreci8ar melhor a sua estatura ciclópica e para não se correr o risco de os considerar parecidos com os monstros. »


«Na manhã do conclave, o cardeal Siri mal teve tempo de tomar conhecimento pelos jornais de uma entrevista, que não dera, a respeito da eficácia da ação do futuro Papa e daquilo que deveria fazer, em que lhe atribuíam afirmações delicadas e perigosas, exactamente para lançar sombras sobre o cardeal candidato. O arcebispo de Génova nem sequer teve tempo para desmentir a entrevista: a porta do conclave fechou-se atrás de si. Os objectivos daquela camarilha ecoaram no conclave, reunido de imediato que, por prudência - assim se disse - pôs de parte a grande figura que todos previam» (I Millenari, O Vaticano contra Cristo, pág.159-160, Editorial Notícias; o destaque a negrito é posto por nós).

 

Muitas outras manobras baixas como o assassínio do papa João Paulo I, em 28 de Setembro de 1978, a pedofilia consentida em milhares de colégios católicos e sacristias, e um clima de permanente opressão dos bispos sobre sacerdotes e leigos que executam, sem poder contestar sindicalmente, as ordens vindas de cima ( não de Deus, mas da arrogância satânica de purpurados) caracterizam a cúpula da igreja católica romana, o Vaticano. Será o papa Francisco um maçon infiltrado? Aponta-se-lhe ter colaborado com a ditadura militar argentina em 1976, no desaparecimento de dois sacerdotes antifascistas e, por isso, não deveria ser maçon nessa época. Creio que as missas ditas na base por sacerdotes bem intencionados poderão ter um certo valor santificante. Mas reservo-me: sou gnóstico e não creio na santidade dos corruptos bispos, arcebispos e cardeais, salvo na de alguns poucos. A igreja católica é, como os regimes comunistas leninistas, organizada segundo um modelo totalitário em que o chefe supremo ( o papa; o camarada Estaline, o presidente Mao Ze Dong, etc) é endeusado: operários honestos na base a trabalhar por ideais, uma classe burocrática de dirigentes do partido marxista-leninista e do Estado, a gozar com quintas luxuosas e armazéns de produtos de luxo privados e outras formas de corrupção. O papa é talvez um representante de Satanás na Terra. Há outros.

 

E afinal a igreja de hoje é a mesma que fez milhões de vítimas com a Inquisição e as cruzadas, a igreja de Satã, que nada tem a ver com o despojamento de Cristo.

 

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Sábado, 19 de Dezembro de 2015
Luna en Aries: ¿victoria de las izquierdas en las elecciones generales del 20-D en España?

El 9 de marzo del 2008, con la Luna del 5º al 20º del signo de Aries, el PSOE del jefe del gobierno Rodríguez Zapatero ganó las elecciones generales en España.

Mañana, 20 de diciembre del 2015, la Luna se desplazará  del 15º al 29º del signo de Aries.

¿Es  esto una indicación de que las izquierdas - el Podemos y el PSOE- salirán victoriosos de estos comícios?

 

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Quarta-feira, 16 de Dezembro de 2015
Pequenas reflexões de Dezembro de 2015

 

 Eis algumas reflexões avulsas, várias delas banais,  que surgiram no meu espírito neste Dezembro de 2015 .

 

O ANTI-SEXO- Quando pensamos racionalmente de forma muito aguda, descobrimos que o acto sexual entre duas ou mais pessoas é anti-higiénico. Sexo anal? Tem um aspecto nojento, ainda que possa ser agradável a uma parte dos que o praticam. Sexo bucal? Só de pensar que a rapariga que desejo beijar já teve a sua boca numa protuberância masculina do baixo ventre impede-me de a beijar. Gangbang? Que porcaria tão promíscua, casais na mesma sala a fazer sexo em grupo. Mesmo o sexo vaginal, o menos anti higiénico, comporta riscos, inconvenientes. A natureza criou a beleza nos corpos para os levar a cometer essa coisa anti-higiénica chamada acto sexual. Poder-se-á chamar a isso amor biológico, que quase nada tem a ver com o amor espiritual. O sexo menos viral, mais puro, ainda é o auto.sexo. Para nós, homens, era mais tranquilizante quando as mulheres chegavam, em grande quantidade, virgens ao casamento e não conheciam a inquietante promiscuidade de hoje em que as jovens são quase todas muito «rodadas»...Enfim, é a liberdade delas e longe de mim impedi-las.

 

AVALON E ABALOU. No Alentejo, costumamos dizer em vez de «ela/ele foi-se embora» a expressão «ela/ele ABALOU». Ora, foneticamente, ABALOU sugere AVALON, a ilha mítica da MAÇÃ, onde se dava culto à Deusa Mãe da Natureza, fomentando o matriarcado, a sociedade das mulheres livres e hegemónicas face ao homem. Talvez o Alentejo, agora com as albufeiras de Alqueva que possuem ilhas no meio, seja a Avalon de Portugal...

 

AVALON, BABALON, BABILÓNIA -O nome Avalon, a ilha mágica onde se daria culto à grande Deusa Mãe, do matriarcado, das mulheres sacerdotisas e das mulheres livres sexualmente, lembra Babalon, a deusa da luxúria, a Vénus libertina, e lembra Babilónia.

 

A HISTÓRIA BÍBLICA DE EVA E A MAÇÃ. Segundo o livro do Génesis, no Paraíso Terrestre, a serpente . isto é o dragão, símbolo dos poderes celestes - teria dado a Eva a MAÇÃ e esta a teria dado a provar a Adão, o que teria desagradado a Deus que os expulsou do Paraíso. A MAÇÃ simboliza a ilha de Avalon ou Thule, suposta sede de culto à Grande Deusa da Natureza, fonte da liberdade da mulher, da sexualidade livre e da magia natural, e esta mitologia matriarcal é condenada pelo judaísmo, religião dos patriarcas e da opressão da mulher. Segundo o catolicismo e o protestantismo, «Eva introduziu o pecado» no mundo. Mas que pecado é esse? O da sexualidade livre, o da sensualidade feminina? E que Deus é esse senão o Deus masculino, Iavé, que se opõe à Grande Deusa?

 

E TU, HOMEM, QUE, COM RISO TROCISTA, ATACAS COM VIRULÊNCIA OS HOMOSSEXUAIS (GAYS E LÉSBICAS), LEMBRA-TE que estás apenas a atacar o homossexual escondido que existe na tua alma e cuja existência não queres admitir.

 

AS VIAGENS INÚTEIS. Ir de Beja a Lisboa é uma viagem inútil, espiritualmente falando. Lisboa é bela mas entediante, está cheia de comerciantes, de intelectuais superficiais, de filósofos de meia tigela que elogiam Karl Popper e Peter Singer e proclamam que «os astros não podem determinar o destino dos homens», Lisboa está cheia de bares, cafés e hostels...Essa viagem será útil, no sentido físico e monetário do termo, se trabalhas em Lisboa e aí recebes o teu salário ou se lá vais fazer compras. De resto, as grandes viagens, as substanciais, fazem-se dentro do centro histórico de Beja: do liceu para a esplanada do Luís da Rocha onde te sentas às 11,30 da manhã de sábado, corriges alguns testes escritos e vais observando a sociedade bejense que desfila na rua, os casais, os bebés, os reformados, depois vais a pé ao Jardim do Bacalhau, podes ir à Praça da República, algo vazia a esta hora, e ao castelo com a grande torre de menagem. Em Beja, há de tudo e tens tudo - ires para Lisboa é fugires a ti mesmo. Beja é familiar, ama-te e protege-te, com os seus campos de trigo, oliveiras e girassóis em redor. Quando o degelo fizer subir as águas do mar estas cobrirão Faro, Lisboa, Porto mas Beja ficará acima do nível das águas... Somos Camelot, a cidade mágica do Graal (GRANDE ALENTEJO)...Beja!

  

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Sexta-feira, 11 de Dezembro de 2015
Astrologia: Marcelo presidente eleito em 2016, à primeira ou à segunda volta?

 

Marcelo Rebelo de Sousa será, segundo as leis astronómico-históricas que conheço, o próximo presidente da República Portuguesa, eleito em 24 de Janeiro ou em 14 de Fevereiro de 2016. Eis algumas das leis planetárias que apontam nesse sentido, leis da astrologia histórica que investigo e que não deve ser confundida com a astrologia comercial de Paulo Cardoso, Flavia Monsaraz, Luís Resina e outros semi astrólogos sem obra de pesquisa histórica, sem substância científica.

 

JÚPITER EM VIRGEM

TRIUNFOS DA DIREITA PORTUGUESA

Júpiter em Virgem dá sempre a vitória ao candidato de direita. O Estado Novo de Salazar foi institucionalizado em 11 de Abril de 1933, com Júpiter em 14º 35´/ 14º 30´ do signo de Virgem. Marcelo Caetano, tio de Marcelo Rebelo de Sousa, ascendeu a primeiro-ministro da ditadura colonialista portuguesa em 27 de Setembro de 1968, com VirJúpiter em 20º 16´/ 20º 29´do signo de Virgem.

 

Ora em 24 de Janeiro de 2016, dia da eleição ou da primeira volta da eleição presidencial em Portugal, Júpiter estará em 21º do signo de Virgem em conjunção praticamente exacta com a estrela Denebola da constelação de Leão, no grau 20 de Virgem - signos são arcos de 30º do céu e constelações do mesmo nome são grupos de estrelas em arcos de céu variáveis (exemplo: a constelação de Leão ocupa as áreas 13º-30º do signo de Leão e 0º-23º do signo de Virgem).

 

A direita, pois, exultará com a eleição de Marcelo. E se houver segunda volta, Marcelo ganhará na mesma pois em 14 de Fevereiro de 2016 Júpiter estará em 21º de Virgem.

 

 

VÉNUS EM AQUÁRIO: AS TOMADAS DE POSSE DE CAVACO SILVA EM 9 DE MARÇO DE 2006 E 2011

 

Vénus no signo de Aquário - arco de 300 a 330º da eclíptica ou roda do céu que corresponde à trajectória do Sol - costuma, pelos escassos exemplos que temos, associar-se à tomada de posse de um presidente da República Portuguesa conservador, de direita.

 

Em 9 de Março de 2006, com Vénus em 2º 48´/ 3º 59´ do signo de Aquário, Cavaco Silva toma posse como presidente da República Portuguesa.

 

Em 9 de Março de 2006, com Vénus em 8º 9´/ 9º 21´de Aquário, Cavaco Silva toma, de novo, posse como presidente da República Portuguesa.

 

Em 9 de Março de 2016, Vénus estará em 25º 45´/ 26º 49´ de Aquário, o que sugere a tomada de posse presidencial do candidato da direita Marcelo Rebelo de Sousa.

 

COMO PASSAR À SEGUNDA VOLTA OU, EM CASO DE NÃO HAVER SEGUNDA VOLTA, OBTER UM RESULTADO NOTÁVEL NA ÚNICA VOLTA?

 

É simples, aparentemente. Usar a posição de Júpiter. Lançar ou relançar nacionalmente a candidatura nos dias 21 a 23 de Dezembro de 2015, com Júpiter em 22º 47´/ 21º 50´ de Virgem - a mesma posição que em 24 de Janeiro de 2016.

 

E, a haver segunda volta, o candidato que a ela passa devia ter tido grande visibilidade em 1 de Dezembro de 2015, com Júpiter em 21º 0´/ 21º 7´de Virgem, praticamente a posição que terá em 14 de Fevereiro de 2016.  Ora no passado 1 de Dezembro, Maria de Belém esteve em destaque com um almoço em uma câmara de comércio ... Passará ela à segunda volta? Não parece. Mas e se...?

 

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Segunda-feira, 7 de Dezembro de 2015
A «heterossexualidade natural da mulher», uma invenção dos esclavagistas sexuais masculinos

 

 Segundo a ideologia feminista a tese de que as mulheres são, na sua grande maioria, heterossexuais por natureza é uma falsidade, uma criação da ideologia patriarcal que domina desde há séculos a sociedade mundial. Toda a sociedade está construída de forma a tornar a mulher num objecto sexual do homem, numa escrava ou numa prostituta legal que é, afinal, a sua condição de esposa, «fiel ao marido, mãe e esteio do lar», santificada pelas igrejas católica, mórmon, judaica, etc. Ninguém nasce mulher, afirmam algumas feministas, - nasce-se com seios e vagina mas isso não basta para ser mulher - porque a categoria de mulher faz parte da divisão em classes da sociedade, sendo homem a classe opressora e mulher a classe oprimida.

 

O facto de milhares de mulheres ameaçadas de morte e agredidas com frequência por maridos e ex maridos, namorados e ex namorados não terem proteção policial vinte e quatro horas por dia em Portugal e na generalidade dos países e não verem na prisão os seus maltratadores é a prova de que as leis e a sua aplicação, o direito e a administração de justiça estão sob o poder masculino que encobre ou desculpa a violência dos homens sobre as mulheres. Escreve uma autora feminista:

 

«Isto nos permite conectar aspectos da identificação das mulheres tão diversos como as amizades das meninas de oito ou nove anos, tão íntimas e impudentes, e as associações daquelas mulheres dos séculos doze e quinze, conhecidas como Beguines, que “dividiam e alugavam casas umas para as outras, as deixavam de herança para suas companheiras de quarto… casas baratas subdivididas nas áreas dos artesãos da cidade”, que “praticavam a virtude cristã por si mesmas, vestindo-se e vivendo de maneira simples e não se associando com homens”, que ganhavam a vida como fiandeiras, doceiras, enfermeiras, ou mantinham escolas para meninas, e que conduziram – até a Igreja as forçarem a dispersar – uma vida independente tanto do casamento quanto das restrições dos conventos. Isso nos permite conectar estas mulheres com as mais celebradas “Lésbicas” da escola de mulheres ao redor de Safo do sétimo século A.C., com as irmandades e redes econômicas presentes entre mulheres Africanas, e com irmandades Chinesas de resistência ao casamento – comunidades de mulheres que recusaram o matrimônio ou que, se casadas, frequentemente se recusavam a consumar o casamento e logo abandonavam seus maridos – as únicas mulheres na China que não tiveram seus pés amarrados e que, segundo Agnes Smedley, festejavam os nascimentos de meninas e organizavam greves bem-sucedidas de mulheres nas fábricas de seda. Isso nos permite conectar e comparar exemplos individuais díspares de resistência ao casamento: por exemplo, o tipo de autonomia reivindicado por Emily Dickinson, uma mulher branca genial do século XIX, com as estratégias disponíveis a Zora Neale Hurston, uma mulher negra genial do século XX. Dickinson nunca se casou, teve amizades intelectuais bem tênues com homens, viveu autoenclausurada na casa distinta de seu pai e passou toda a sua vida escrevendo cartas apaixonadas a sua amiga Kate Scott Anthon. Hurston casou duas vezes, mas logo abandonou seus dois maridos, enfrentou um longo caminho da Flórida para Harlem e para a Universidade de Columbia, daí para o Haiti, e finalmente de volta à Flórida, movendo-se para dentro e para fora do patronado branco e da pobreza, do sucesso profissional e do fracasso. Suas relações de sobrevivência foram todas com mulheres, começando com sua mãe. Essas duas mulheres, em suas circunstâncias imensamente diferentes, resistiram ao casamento, comprometidas com seu próprio trabalho e com sua pessoalidade, mas depois foram caracterizadas como “apolíticas”, arrastadas para homens com qualidades intelectuais. Para ambas, as mulheres forneceram a fascinação e o apoio constantes em vida.»

https://antipatriarchy.wordpress.com/author/antipatriarcado/

 

Monique Wittig, escritora, poetisa e militante lésbica-feminista, nascida na França em 1935, escreveu no seu célebre ensaio «O pensamento hétero»:

 

«Os discursos que acima de tudo nos oprimem, lésbicas, mulheres, e homens homossexuais, são aqueles que tomam como certo que a base da sociedade, de qualquer sociedade, é a heterossexualidade. Estes discursos falam sobre nós e alegam dizer a verdade num campo apolítico, como se qualquer coisa que significa algo pudesse escapar ao político neste momento da história, e como se, no tocante a nós, pudessem existir signos politicamente insignificantes. Estes discursos da heterossexualidade oprimem-nos no sentido em que nos impedem de falar a menos que falemos nos termos deles. Tudo quanto os põe em questão é imediatamente posto de parte como elementar. A nossa recusa da interpretação totalizante da psicanálise faz com que os teóricos digam que estamos a negligenciar a dimensão simbólica. Estes discursos negam-nos toda a possibilidade de criar as nossas próprias categorias. Mas a sua ação mais feroz é a implacável tirania que exercem sobre os nossos seres físicos e mentais.
Ao usarmos o termo demasiado genérico “ideologia” para designar todos os discursos do grupo dominante, relegamos estes discursos para o domínio das Ideias Irreais; esquecemos a violência material (física) que diretamente fazem contra as pessoas oprimidas, violência essa produzida pelos discursos abstratos e “científicos”, assim como pelos discursos dos mass media.»

 

«Sim, a sociedade hétero está baseada na necessidade, a todos os níveis, do diferente/outro. Não pode funcionar economicamente, simbolicamente, linguisticamente ou politicamente sem este conceito. Esta necessidade do diferente/outro é uma necessidade ontológica para todo o aglomerado de ciências e disciplinas a que chamo o pensamento hétero. Mas o que é o diferente/outro se não a(o) dominada(o)? A sociedade heterossexual é a sociedade que não oprime apenas lésbicas e homossexuais, ela oprime muitos diferentes/outros, oprime todas as mulheres e muitas categorias de homens, todas e todos que estão na posição de serem dominadas(os). Para constituir uma diferença e controlá-la é um ato de poder, uma vez que é essencialmente um ato normativo. Todos tentam mostrar o outro como diferente. Mas nem todos conseguem ter sucesso a fazê-lo. Tem que se ser socialmente dominante para se ter sucesso a fazê-lo. »(Monique Wittig, O pensamento hetero; o destaque a bold é posto por nós).

 

Os próprios manuais de filosofia em vigor no ensino público em Portugal e em outros países evitam tematizar esta questão em pormenor,  o que demonstra que a filosofia oficial não é livre mas ressuma ideologia machista, opressora das mulheres. 

 

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Quinta-feira, 3 de Dezembro de 2015
Teste de filosofia do 11º ano turma B (Dezembro de 2015)

 Eis um teste de filosofia do 11º ano em Portugal, centrado na retórica, na dialética, na lógica aristotélica, e na ontognoseologia.

 

 

Agrupamento de Escolas nº1 de Beja
Escola Secundária Diogo de Gouveia, Beja
TESTE DE FILOSOFIA, 11º ANO TURMA B
2 de Dezembro de 2015. Professor: Francisco Queiroz

 I

"Muitos consideram que a demonstração exclui o pathos e o ethos da retórica ao passo que a argumentação incluiria ideologia.  Parménides sustentou que «ser e pensar são um e o mesmo» e isso tem duas interpretações, uma realista e a outra idealista ontológica. O silogismo condicional modus ponens é um raciocínio dedutivo e não uma indução amplificante."

 

1)Explique, concretamente, este texto.

 

2)Exponha e classifique gnoseologicamente os quatro passos do raciocínio de Descartes a partir da dúvida absoluta até à certeza do mundo exterior

 

3) Defina a lei dialética da contradição principal e aplique-a ao conjunto dos quatro passos da questão anterior, justificando.

 

4) Defina e construa um exemplo de:

A)Falácia depois de por causa de.

B) Falácia do falso dilema.

C) Falácia ad hominem.

D) Falácia ad ignorantiam.

E) Falácia do homem de palha.

F) Pragmatismo.

 

CORREÇÃO DO TESTE COTADO PARA 20 VALORES

 

1) Muitos entendem que a demonstração, isto é, a cadeia de juízos e raciocínios que provam insofismavelmente uma ideia ou uma tese, exclui o pathos, isto é, o sentimento, o apelo à emoção do auditório e o ethos, isto é, a exibição do carácter e do currículo do orador. Na verdade, por exemplo,  a demonstração «Se A é maior que B e B é maior que C então A é maior que C» é impessoal e objectiva, sem sentimentos. A argumentação, isto é,  a cadeia de juízos e raciocínios que visam provar, de modo discutível,  uma ideia ou uma tese, inclui ideologia, isto é, um sistema de crenças e valores que exprime os interesses de um dado grupo ou classe social, nação ou etnia religiosa.  Exemplo: a argumentação a favor da vacinação («A vacina ensina o corpo a defender-se de doenças maiores«) exprime a ideologia da classe médica alopática e a argumentação contra a vacinação («A vacina é uma infeção do sangue, introduz a fase crónica da doença, não imuniza porque a imunidade não existe») exprime a ideologia da mediciina holística natural. (VALE TRÊS VALORES). A ontologia de Parménides de Eleia diz que a única realidade é o ser uno, imóvel, imutável, esférico, invisível, imperceptível, eterno, e que «ser e pensar são um e o mesmo». A interpretação realista desta última frase é: o pensamento é idêntico ao ser, é espelho do ser material (realismo é doutrina que sustenta que o mundo de matéria é real em si mesmo). A interpretação idealista da mesma frase é: o ser é pensamento, nada existe fora da ideia absoluta que é o ser, e o mundo de matéria, com a mudança das estações do ano, o nascimento e a morte não passa de ilusão. (VALE TRÊS VALORES) O silogismo condicional modus ponens (exemplo: Se estudar filosofia, torno-me sábio. Estudei filosofia. Logo, tornei-me sábio) é uma inferência dedutiva na medida em que parte de uma premissa geral («Estudar filosofia faz de uma pessoa um sábio» ) que se aplica a um caso particular, o meu, e chega a uma conclusão particular. Não se trata de uma indução amplificante porque esta generaliza de forma necessária a partir de alguns exemplos empíricos (exemplo: alguns estudantes de filosofia tornaram-se sábios, logo todos os que estudarem filosofia tornam-se sábios).(VALE DOIS VALORES)

 

2) Os quatro passos do raciocínio de Descartes são pautados pelo racionalismo, doutrina que afirma que a verdade procede do raciocínio, das ideias da razão e não dos sentidos:

 

Dúvida hiperbólica ou Cepticismo Absoluto( «Uma vez que quando sonho tudo me parece real, como se estivesse acordado, e afinal os sentidos me enganam, duvido da existência do mundo, das verdades da ciência, de Deus e até de mim mesmo »)

 

Idealismo solipsista («No meio deste oceano de dúvidas, atinjo uma certeza fundamental: «Penso, logo existo» como mente, ainda que o meu corpo e todo o resto do mundo sejam falsos»)

 

Idealismo não solipsista («Se penso tem de haver alguém mais perfeito que eu que me deu a perfeição do pensar, logo Deus existe).

 

Realismo crítico («Se Deus existe, não consentirá que eu me engane em tudo o que vejo, sinto e ouço, logo o mundo de matéria, feito só de qualidades primárias, objetivas, isto é, de figuras, tamanhos, números, movimentos, existe fora de mim»). Realismo crítico é a teoria gnosiológica segundo a qual há um mundo de matéria exterior ao espírito humano e este não capta esse mundo como é. Descartes, realista crítico, sustentava que as qualidades secundárias, subjectivas, isto é, as cores, os cheiros, os sons, sabores, o quente e o frio só existem no interior da mente, do organismo do sujeito, pois resultam de movimentos vibratórios exteriores e que o mundo exterior é apenas composto de formas, movimentos e tamanhos e uma matéria indeterminada. (VALE QUATRO VALORES)

 

3) A lei da contradição principal estabelece que um sistema de múltiplas contradições se pode reduzir a uma só grande contradição, constituída por dois grandes blocos ou pólos e deixando, às vezes, uma zona neutra de contradições secundárias na fronteira entre ambos os pólos. Neste caso, a contradição principal pode ser concebida de várias maneiras: num pólo, a dúvida absoluta (1º passo)  e no outro polo o conjunto idealismo solipsista/ idealismo não solipsista/ realismo crítico que possuem certo grau de certeza em comum; em um polo os dois idealismos (2º e 3º passos) e no outro polo o realismo crítico (4º passo) ficando o cepticismo absoluto na zona intermédia ou neutra; em um polo o realismo crítico, no polo oposto o conjunto cepticismo absoluto/idealismos  (VALE DOIS  VALORES).

 

4) a)A falácia depois de por causa de é a que atribui uma relação necessária de causa efeito a dois fenómenos vizinhos por acaso (exemplo: «Há 10 dias vi um gato preto e caí da bicicleta, há 5 dias vi outro gato preto e perdi a carteira, logo ver gatos pretos dá-me azar).  (VALE UM VALOR)

4) b) Falácia do falso dilema é uma disjunção lógica entre dois termos um dos quais está contido no outro. Exemplo: "Ou és ser humano ou és homem alentejano")(VALE UM VALOR)

4) c) A falácia ad hominem é aquela que desvia a argumentação racional para o campo do ataque pessoal ao adversário (exemplo: «Ele´ganhou o concurso para gestor de empresas, mas é gay, vamos impedi-lo de subir a gestor da empresa»).(VALE UM VALOR)

 

4) d) A falácia do apelo à ignorância é a que raciocina sobre um fundo desconhecido e o usa de forma tendenciosa, sustentando que uma tese fica demonstrada se a não se conseguiu demonstrar a sua contrária (exemplo: Nunca ninguém demonstrou que Deus existe, logo Deus não existe).(VALE UM VALOR)

4) e) A falácia  do homem de palha é o vício de argumentação que consiste ao atribuir ao interlocutor posições que ele não defende (exemplo a respeito de um teórico que quer introduzir a acupunctura e a naturopatia nos hospitais públicos: «Ele quer acabar com os hospitais e a classe médica que receita químicos e faz cirurgias»). (VALE UM VALOR) 

4) f) Pragmatismo é a teoria segundo a qual a realidade das coisas concretas /(pragmata) vale mais que os princípios metafísicos e a utilidade deve ser o critério da acção (VALE UM VALOR). Exemplo: um cristão pensa que «roubar é pecado, pode levar ao inferno» mas põe de parte esta crença e rouba laranjas num laranjal porque há que matar a fome a algumas pessoas que vivem em sua casa.

 

 

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