Quinta-feira, 27 de Junho de 2013
A analítica existenciária do ser-aí não foi exclusivo de Heidegger

Heidegger (26 de Setembro de 1889; 26 de Maio de 1976) foi um filósofo petulante. Mediante mudanças de terminologia no vocabulário filosófico, apresentou-se como um pioneiro na história da filosofia, aparentando romper com a ontologia tradicional.

 

Lembra aqueles políticos com um discurso demagógico do tipo «Eu trago uma nova forma de fazer política que supera a tradicional dicotomia entre esquerdas e direitas. Estas deixaram de existir» Ora, se por esquerda se entender o interesse da maioria - ou de metade - da população, a massa trabalhadora assalariada, e se por direita se entender o interesse da minoria - ou metade - da população, a massa empresarial privada, não é possível fugir sistematicamente a esta dicotomia: ou se alinha à direita ou se alinha à esquerda, em cada caso. Por exemplo, uma medida como a liberalização dos despedimentos é de direita e outra medida como impedir os bancos de expulsar de suas casas os devedores que ficaram desempregados e não podem pagar a prestação mensal do empréstimo à habitação é de esquerda. A terceira via não existe.

 

Heidegger escreveu:

 

«O "problema da realidade" no sentido da questão de se é "diante dos olhos" um mundo exterior e se se pode provar, revela-se um problema impossível, não porque conduza a consequências que são outras tantas insolúveis aporias, mas porque o próprio ente que é tema de este problema repele, por assim dizer, a colocação de semelhante questão. Não há que demonstrar nem como é "diante dos olhos" um "mundo exterior" , mas há que mostrar por que razão o "ser aí" tem enquanto "ser no mundo" a tendência de começar sepultando "gnosiologicamente" o "mundo exterior" no nada, para logo prová-lo»(Martin Heidegger, El ser y el tiempo, pag 227, Fondo de Cultura Económica; o destaque a bold é posto por mim).

 

Neste excerto acima Heidegger exprime a posição da fenomenologia: não há certezas sobre a natureza do mundo exterior, nem realismo nem idealismo estão fundamentados. Chama a atenção para o nó do problema do conhecimento estar no "ser aí", isto é, no sujeito acompanhado de mundo. E prossegue:

 

«É necessário, mais precisamente, ver de raíz que as diversas direções gnosiológicas não falham precisamente enquanto gnosiológicas, mas que nem sequer chegam a pisar o terreno de um posicionamento fenomenicamente seguro dos problemas, devido à omissão da analítica existenciária do "ser aí". Tão pouco é possível chegar a este terreno por meio de ulteriores correcções fenomenológicas dos conceitos de sujeito e objecto.» (Martin Heidegger, El Ser y el Tiempo, pag 227, Fondo de Cultura Económica; o bold é posto por mim).

 

Heidegger sustenta que, só com ele, se começou a "ver" em profundidade o abismo da ontologia, que só com ele se iniciou, na história da filosofia, a analítica existenciária do "ser aí" que Platão, Aristóteles, Tomás de Aquino, Descartes, Leibniz, Hume, Kant, Hegel, Scheler, Hartman e tantos outros, supostamente, nunca teriam feito.

 

 

KANT FEZ "ANALÍTICA EXISTENCIÁRIA DO SER-AÍ", COM OUTROS NOMES: ESTÉTICA TRANSCENDENTAL E ANALÍTICA TRANSCENDENTAL

 

 

Kant fez uma analítica existenciária do ser-aí, isto é, uma investigação e teorização das estruturas ontognosiológicas do homem, ocultas: determinou que espaço e tempo são estruturas subjectivas, transcendentais ou a priori, e não existem fora do sujeito como mente cósmica, dilatada (estética transcendental); determinou que a unidade, a pluralidade, a causa-efeito, a necessidade (causa-efeito determinista) não são, originariamente, qualidades dos fenómenos da natureza mas «leis» (inter)subjectivas do entendimento (analítica transcendentai). Assim, espaço e tempo, unidade, pluralidade, totalidade, causalidade e outras categorias são existenciários, «ferramentas» primordiais com que o sujeito «constrói» os objectos «materiais» ou fenómenos (céu, casas, árvores, rios, animais, etc).

 

Eis um exemplo da "analítica do ser aí" em Kant, em concreto, a definição da apercepção pura, anterior a todas as percepções empíricas concretas:

 

«A unidade sintética do diverso das intuições, na medida em que é dada a priori, é pois o princípio da identidade da própria apercepção, que precede a priori todo o meu pensamento determinado. A ligação não está, porém, nos objectos, nem tão-pouco pode ser extraída deles pela percepção e, deste modo, recebida primeiramente no entendimento; é, pelo contrário, unicamente uma operação do entendimento, o qual não é mais  do que a capacidade de ligar a priori e submeter o diverso das representações à unidade da apercepção. Este é o princípio supremo de todo o conhecimento humano.» (Kant, Crítica da Razão Pura, pag 134, Fundação Calouste Gulbenkian).

 

Esta apercepção pura, vaso da consciência, é um "existenciário" ( terminologia heideggeriana) em Kant e corresponde à compreensão, que é um existenciário na doutrina de Heidegger.

 

É, pois, uma descarada mentira de Heidegger dizer que, antes de si, nenhum filósofo fez uma analítica existenciária do sujeito. David Hume, Kant, entre outros , fizeram-na. Sem ler Kant, intelectualmente maior e mais claro nas definições que Heidegger, este não teria edificado a sua ontologia fenomenológica.

 

A MUDANÇA DE SENTIDO DO TERMO «EXISTÊNCIA», UM TRUQUE DE PRESTIDIGITADOR

 

 

Outro dos eixos da arrogância de Heidegger é o da transmutação de sentido que deu à palavra existência, reservando-a para designar a essência oculta, existenciária, do ser e dos entes. É um puro truque de prestidigitador da linguagem: à estrutura basilar ou essência primordial do homem a que os filósofos deram diferentes nomes («eu transcendental», «cogito», «consciência», «si mesmo», «essência», «corrente da consciência», «alma», «res cogitans», etc,) Heidegger passa a chamar existência. Ao criticar Max Scheler, Heidegger afirma, erroneamente, que Kant interpretou existência como conjunto dos fenónenos ingenuamente percepcionados («ser diante dos olhos») :

 

 «Scheler define uma teoria volitiva da existência. A existência é compreendida em sentido kantiano como "ser diante dos olhos".» (Heidegger, ibid, pag.230).

«Antes de tudo há que advertir expressamente que Kant usa o termo "existência" para designar a forma de ser que na presente investigação se chama "ser diante dos olhos". "Consciência da minha existência" quer dizer para Kant consciência do meu "ser diante dos olhos" no sentido de Descartes. O termo "existência" significa tanto o "ser diante dos olhos" da consciência como o "ser diante dos olhos" das coisas». (Heidegger, ibid, pag 224).

 

Ora, ao contrário do que sustenta Heidegger, Kant incluiu as formas a priori, invisíveis, imanentes ao sujeito, no conceito de existência. Kant não concebeu a existência como «ser diante dos olhos», isto é, numa concepção realista natural que diz, por exemplo, que o céu azul e a montanha verde estão fora de mim e eu sou dissociável, independente, desse céu e dessa montanha. Segundo Kant, o céu e a montanha são imagens tridimensionais (fenómenos) que eu, sujeito, projecto em mim mesmo, no espaço aparentemente fora de mim, no eu exterior.

 

Não são, portanto, "ser diante dos olhos" mas entes gerados por um mecanismo transcendental (existenciário, no vocabulário de Heidegger): a forma a priori do espaço, com as suas figuras,  molda o caos da matéria das sensações e dá-lhe a configuração de céu e montanhas e o sujeito - presume-se: a forma a priori do tempo, - atribui a cor azul ou verde e o som do vento ao céu e à montanha, que não são em si coloridos nem sonoros. Cores, sons e sabores, segundo a gnosiologia de Kant, seguindo Descartes, não são propriedades ´dos objectos (qualidades primárias) mas propriedades do sujeito, aparências (qualidades secundárias).

 

Heidegger não se apercebe disto: é fraco nos «pormenores» da  gnosiologia e distorce, grosseiramente, Kant . «O ser e o tempo» não é um grande livro de filosofia. É inferior à «Crítica da Razão Pura» de Kant, à «Metafísica» e à «Física» de Aristóteles e a muitas outras obras de consagrados. Se Heidegger é venerado por muitos leitores de «O ser e o tempo» é por ser obscuro para esses muitos leitores- o povo venera aquilo que não compreende bem, ajoelha perante os símbolos ambíguos (neste caso o discurso retórico de Heidegger, viveiro de ambiguidade, onde verdade e mentira se combinam).

 

No panorama mundial das universidades, dominadas pela mediocridade de catedráticos e professores agregados de filosofia, salvo raras excepções, impõe-se gritar que o rei Heidegger vai nú.

  

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Sábado, 22 de Junho de 2013
Da ambiguidade do «ser no mundo» em Heidegger e do surrealismo em «Ser e Tempo»

Heidegger fala do «ser no mundo» como uma das divisões do ser. Mas a expressão é equívoca:  pressupõe que o ser é uma coisa e o mundo é outra, totalmente independente. Ora o mundo desabrocha a partir do ser, e não o inverso como sugere a expressão «ser no mundo», isto é, ser situado ou colocado no mundo. E ser tem, obviamente – o que Heidegger não esclarece - o sentido de o grande Ente, isto é, a essência geral e universal como, por exemplo, o «Eu» em Kant, portador do espaço e do tempo, e gerador dos objectos materiais que são percepções objectivas suas, ou a «Ideia absoluta» de Hegel, isto é, Deus que, ora está em si como Espírito puro, ora devém transformado em árvores e natureza biofísica ou em humanidade, espírito de cada povo, formas de Estado, religião, etc. 

 

 

Acresce a isto que «mundo» não é, na terminologia heidegeriana, uma região de entes (uma planície com árvores e campos de trigo, um planeta com continentes e oceanos, uma ou várias galáxias) independente do sujeito mas sim uma parte do ser humano, uma ponte, uma abertura entre o sujeito humano (o ser-aí, o Dasein) e os objectos situados no espaço à sua volta (o ser diante dos olhos).

 

«O "mundo" não é ontologicamente uma determinação de aqueles entes que o "ser aí", por essência, não é, mas um carácter do próprio «ser aí» (Martin Heidegger, El Ser y el Tiempo, pag 77, Fondo de Cultura Económica).

 

 

Só o homem tem mundo. Os animais e as plantas não têm mundo. Assim o mundo é uma correlação entre substâncias - a substância do «eu» Da-sein e as substâncias exteriores como montanha, planície, rebanho de ovelhas, casas, nuvens, rios, etc - e não uma colecção de substâncias.

 

«A analítica existenciária do "ser aí" tem por tema directivo no seu estado preparatório a constituição fundamental de este ente, o "ser no mundo". (Martin Heidegger, El Ser y el Tiempo, pag 147, Fondo de Cultura Económica).

 

«O "ser junto" ao mundo, no sentido de absorver-se no mundo, sentido que haverá que interpretar de modo ainda melhor, é um existenciário fundado no ser em. (...)

«O "ser junto" ao mundo em sentido existenciário não significa nunca nada de semelhante ao "ser diante dos olhos junto" às coisas que vêm a estar diante dentro do mundo. Não há nada semelhante a uma "contiguidade" de um ente chamado "ser aí" a outro ente chamado "mundo". (pag.67)

 

A contradição do pensamento heideggeriano é usar a expressão "junto de" para dizer, depois, que ela não significa "junto de", contiguidade. Esta desapropriação da linguagem dos seus referentes é uma técnica surrealista, uma subversão do sentido que transcende por vezes a fronteira do conhecimento filosófico. Heidegger considera inacessível a estrutura do "ser em", ou seja, não dá uma definição clara desta:

 

«O conhecimento (noein) do mundo ou o dizer (lógos) do "mundo" funciona, portanto, como o modo primário do "ser no mundo", sem que se conceba este "ser no mundo" enquanto tal. Esta "estrutura de ser" permanece ontologicamente inacessível, enquanto que onticamente se experimenta como a "relação" entre um ente (o mundo) e outro ente (a alma), e ao mesmo tempo se compreende imediatamente o ser apoiando-se ontologicamente nos entes intramundanos...» (Heidegger, El Ser y el Tiempo, pagina 71).

 

Afinal, aqui, Heidegger acaba por postular que o ser no mundo é incognoscível. Sabe o que não é mas não sabe o que é - numa espécie de ontologia ou teologia negativa, na linha dos místicos cristãos alemães. Não faz sentido dizer que «o ser junto a se funda no ser em» se não se define este último. 

 

 

 

«A LONJURA NÃO SE TOMA COMO DISTÃNCIA» E OUTRAS SUBVERSÕES DA LINGUAGEM

 

 

Uma das estratégias surrealistas de Heidegger em «O ser e o tempo» - porque se trata, de um livro com traços surrealistas coberto de uma camada de açúcar de racionalismo e vocabulário clássico- é levar o leitor a reflectir com uma dada terminologia e depois negar ou inverter essa terminologia usada. Eis um exemplo:

 

«O des-afastar não implica necessariamente uma expressa estimativa da lonjura de algo "à mão" em relação ao "ser aí". Antes de tudo, a lonjura não se toma nunca como distância. Se houvesse de se calcular o afastamento, far-se-ia relativamente a des-afastamentos em que se mantèm o "ser aí" quotidiano. »(Martin Heidegger, El Ser y el Tiempo, pag 121, Fondo de Cultura Económica).

 

A lonjura não se toma nunca como distância? É verdadeiramente ridículo. A lonjura interpreta-se sempre como distância, seja esta física, real, ou ideal, imaginada. A espacialização empírica corresponde, de certo modo, não mecânico, à espacialização mental e um dos traços comuns às duas é as noções de lonjura, de desafastamento, de aproximação.

 

«O ocupar um sítio tem de conceber-se como um des-afastar o "à mão" no mundo circundante dentro de um lugar previamente descoberto pelo "ver em torno". O "ser aí" compreende o seu "aqui" pelo "ali" do mundo circundante. O "aqui" não significa o "onde" de algo "diante dos olhos" mas o junto a um «quê» de um ser "desafastador" junto a, em uníssono com esse desafastamento.» (Martin Heidegger, El Ser y el Tiempo, pag 123, Fondo de Cultura Económica).

 

"O permitir que entes estejam frente a frente dentro do mundo, constitutivo do "ser no mundo", é um "dar espaço". Este dar espaço, que também chamamos "espacializar", é dar liberdade ao "à mão" na sua espacialidade. Este "espacializar" é o prévio descobrimento de uma possível totalidade de sítios determinada pela conformidade que torna possível a orientação fáctica do caso.»(Martin Heidegger, El Ser y el Tiempo, pag 127, Fondo de Cultura Económica).

 

Eis, pois, a ontologia desenhada com base na espacialidade: o "ser aí" está aqui  - espaço mais próximo, interior - é o «eu» de cada um, e tem fora de si ou diante de si os entes "à mão" (os automóveis, as casas, as ruas, as ferramentas, etc). E como o espacializar é obra do sujeito que cria o espaço temos um decalque da doutrina de Kant da estética transcendental, - o espaço é uma forma a priori do sujeito, não é real em si mesmo - com a diferença de que, em Kant, o espaço, enquanto depósito de formas, cria os objectos materiais e em Heidegger não cria mas separa os objectos materiais que estariam como que num estado de caos ou promiscuidade. E Heidegger prossegue:

 

«Nem o espaço está no sujeito, nem o mundo está no espaço. O espaço está, mais precisamente, "no mundo" , enquanto  o "ser no mundo", constitutivo do "ser aí" , abriu um espaço. O espaço não se encontra no sujeito, nem este contempla o mundo "como se" estivesse em um espaço, mas o "sujeito" ontologicamente bem compreendido, o "ser aí", é espacial.» (Martin Heidegger, El Ser y el Tiempo, pag 127, Fondo de Cultura Económica).

 

Ora este pensamento é incoerente: o ser-aí é o sujeito, é cada pessoa, e uma vez que a sua dimensão de ser no mundo abriu um espaço e o sujeito é espacial não tem sentido dizer que o espaço não está no sujeito: está, ao menos em parte, no sujeito.  Por outro lado, o mundo não está no espaço mas o espaço está no mundo. É, ao menos à primeira vista, o absurdo elevado ao estatuto de "grande filosofia". O espaço aparece como a forma estruturadora, o sopro de ar emitido pelo sujeito que levanta do chão o balão vazio dobrado sobre si mesmo que é o mundo e faz aparecer os entes deste, como pseudópodes de um balão não esférico, diferenciados e distantes entre si.  Eis um exemplo da retórica sofística de Heidegger:

 

«No fenómeno do espaço não pode encontrar-se nem a única determinação ontológica do ser dos entes intramundanos, nem sequer a primária. Ainda menos constitui o fenómeno do mundo. O espaço unicamente pode conceber-se retrocedendo para o mundo. »(Martin Heidegger, El Ser y el Tiempo, pag 129, Fondo de Cultura Económica).

 

O mundo é ontologicamente anterior ao espaço - é a tese de Heidegger. Imaginemos que casa, esfera, montanha são seres intramundanos primordiais. São, primitivamente, isentos de espaço, na visão heideggeriana. Mas como poderiam sê-lo, se não forem mónadas, isto é, pontos sem localização? As formas implicam espaço, não são anteriores a este. Logo, não poderia existir um mundo feito de objectos, sem espaço.

 

Outro exemplo da subversão da terminologia filosófica  que Heidegger leva a cabo - legítima, até certo ponto - é o de interpretar o termo fenómeno como númeno ou estrutura existenciária, oculta e profunda, que os sentidos e o realismo natural não conseguem apreender  :

 

«"Fenómeno" em sentido definiu-se formalmente assim: o que se mostra como ser e estrutura do ser.» (Martin Heidegger, El Ser y el Tiempo, pag 76, Fondo de Cultura Económica).

«A forma de estar diante do ser e das suas estruturas no modo de fenómeno tem de começar por ser arrancada aos objectos da fenomenologia. Portanto o ponto de partida da análise tal como o acesso ao fenómeno e a passagem através dos encobrimentos dominantes exigem ser assegurados sob um ponto de vista metódico. Na ideia de apreensão e explanação "intuitiva" e "original" dos fenómenos está implícito o contrário da ingenuidade de uma acidental "visão" "directa"  e irreflexiva.» (Martin Heidegger, ibid, pag. 47; o destaque a bold é posto por mim).

 

A INTUIÇÃO E O PENSAMENTO SÃO DERIVADOS LONGÍNQUOS DO COMPREENDER?

 

Heidegger abusa das roupagens barrocas de uma retórica sofística, isto é, enganosa. Sustenta que o compreender é o existenciário -o alicerce  oculto mais fundo - do "ser no mundo" e que consiste no "estado de aberto", isto é, de correlação entre o sujeito e outros entes:

 

«Posto que o compreender e a interpretação constituem a estrutura existenciária do "ser aí" , tem de conceber-se o sentido como a armação existenciário-formal do "estado de aberto" inerente ao compreender.» (Martin Heidegger, El Ser y el Tiempo, pag 170, Fondo de Cultura Económica; o bold é posto por mim).

«"Intuição" e "pensamento" são ambos derivados já longínquos do compreender. ». (ibid, pag 165)

 

Eis uma contradição flagrante: como pode o compreender, que implica sempre pensamento e intuição sensível-inteligível, estar isento destes que seriam «derivados longínquos» daquele? Heidegger não explica como pode o compreender não incluir pensamento nem intuição. É surrealismo puro: compreender... sem pensar nem intuir.

 

 

O COMPREENDER É UM "VER" E... ESTE FUNDA-SE NO COMPREENDER?

 

 

Em passagens de "O Ser e o Tempo" Heidegger identifica o compreender com o "ver":

 

«Em seu carácter de projecção, o compreender constitui existenciariamente aquilo que chamamos o "ver do "ser aí". (Martin Heidegger, El Ser y el Tiempo, pag 164, Fondo de Cultura Económica; o bold é posto por mim).

 

Mas, em outras passagens, o "ver" aparece fundado no compreender, derivado de este:

 

«Mostrando como todo o "ver" se funda primariamente no compreender - e o "ver em torno" do "cuidar de" é o compreender no sentido do que se chama "compreender do que se trata" - despoja-se o puro intuir da sua primazia, que responde noeticamente à tradicional primazia do "diante dos olhos" (...) Também a "intuição eidética" da fenomenologia se funda no compreender existenciário. Sobre esta forma do ver só cabe decidir depois de ter obtido os conceitos explícitos de ser e estrutura do ser, que são as únicas coisas que podem chegar a ser fenómenos em sentido fenomenológico. »(Heidegger, ibid, pag. 165).

 

Uma coisa é "ser" algo, outra é "fundar-se em" esse algo. Um filho não é o seu pai: funda-se, geneticamente, no seu pai. Heidegger oscila: o "ver" ora é um compreender, ora não é mas funda-se neste.

 

O SENTIDO É POSTERIOR AO COMPREENDER?

 

Heidegger sustentou que o sentido é posterior ao compreender e sustentou o contrário disso:

 

«Quando os entes intramundanos são descobertos ao mesmo tempo que o ser do "ser aí", quer dizer, chegaram a ser compreendidos, dizemos que têm sentido. Mas o compreendido não é, tomadas as coisas com rigor, o sentido, mas os entes e o ser. Sentido é aquilo em que se apoia o "estado de compreensível" de algo. O articulável no abrir compreensor é o que chamamos sentido.»(Martin Heidegger, El Ser y el Tiempo, pag 169, Fondo de Cultura Económica; o bold é posto por mim).

 

Neste fragmento, Heidegger teoriza que os entes e o ser podem ser compreendidos mas isso não implica descobrir sentido ou haver neles sentido. Questão: compreender não será atribuir sentido? E na frase seguinte estabelece o paradoxo: o "estado de compreensível", isto é, um dos polos do acto de compreensão repousa no sentido. Este seria, pois, prévio à compreensão e não posterior a ela. São estas guinadas teóricas incoerentes, - entre um sentido ou nexo objectivo das coisas, anterior ao pensar, e um sentido subjectivo, interpretativo, distinção que Heidegger não faz - blindadas num discurso difícil, que passam despercebidas ao grande público e à canalha filosófica institucional (os licenciados, os mestres e os doutores que carecem de pensamento profundo mas não de vaidade..).

 

O PROJECTAR DO COMPREENDER GERA OS ENTES INTRAMUNDANOS?

 

A obscuridade heideggeriana na ontologia atravessa «O ser e o tempo». Heidegger tem derivas idealistas (redução do mundo ao sujeito) no meio da teoria fenomenológica da intercorporeidade (o eu e os entes externos são coetâneos e indissociáveis):

 

«No projectar do compreender está aberta a possibilidade dos entes. O carácter de possibilidade responde em todos os casos à forma de ser dos entes compreendidos. Os entes intramundanos são projectados sem excepção sobre o fundo do mundo, isto é, sobre um todo de significação a cujas relações de referência se fixou previamente o «curar de » («cuidar de») enquanto "ser no mundo". (Heidegger, ibid, pag. 169; o bold é colocado por mim)

 

Quem projecta os entes intramundanos? O ser-aí ? O ser ? Ou eles mesmos, os entes? Heidegger não esclarece.

 

A SUPOSTA PROVA DA EXISTÊNCIA DE UM MUNDO "FORA DE MIM" PELO TEMPO, ATRIBUÍDA A KANT

Heidegger interpreta erroneamente Kant ao sustentar que este faz do tempo, uma forma a priori da sensibilidade, uma dimensão subjectiva, a alavanca da prova da existência de um mundo real exterior:

 

«O tempo é quem dá o ponto de apoio para o salto demonstrativo ao "fora de mim".».»(Martin Heidegger, El Ser y el Tiempo, pag 225, Fondo de Cultura Económica; o bold é posto por mim).

 

Ora Kant nega isso:

«Não querendo considerar o espaço e o tempo formas objectivas de todas as coisas, resta apenas convertê-las em formas subjectivas do nosso modo de intuição, tanto externa como interna; modo que se denomina sensível, porque não é originário, quer dizer, não é um modo de intuição tal que por ele nos seja dada a própria existência do objecto da intuição (modo que se nos afigura só poder pertencer ao Ser supremo)..» (Kant, Crítica da Razão Pura, pag. 86, Fundação Calouste Gulbenkian; o bold é colocado por mim).

 

Em Kant, o tempo é apenas idealidade transcendental, fluxo mutável de aparências e fenómenos, sentido interno, sucessão, duração e simultaneidade. Ver o nascer e o põr do sol no tempo de doze horas, ver um rio a correr durante uma hora ou todos os dias não prova que sol, céu, rio e demais objectos materiais existam fora da nossa mente. Ao contrário do que Heidegger diz, em Kant o tempo não prova a existência de mundo exterior ao ser humano.

 

Heidegger foi um filósofo em que o talento elevado se misturou com charlatanismo retórico que não resiste a uma análise cuidada da sua teoria. Bertrand Russell e a filosofia analítica não foram capazes de fazer esta crítica a Heidegger porque viveram sempre no fascínio do paradoxo e careceram de alguma visualização intelectual ontológica.

 

 

 

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Segunda-feira, 17 de Junho de 2013
Russel´s inaccuracies about what is a universal on Aristotle

Bertrand Russel wrote about Aristotle´s distinction between substance (ousía) and universal (kathoulou, in Greek):

 

«What is signified by a proper name is a "substance", while what is signified by an adjective or class-name, such as "human" or "man" is called a "universal". A substance is a "this", but a universal is a "such" - it indicates the sort of thing, not the actual particular thing. A universal is not a substance, because it is not a "This" ». (Russell, History of Western Philosophy, page 160)

 

There is a mistake on Russel´s thoughts about Aristotle. "Man" is  not an universal but a specie, i.e, a common form of similar objects, in the case, human bodies. In fact, Aristotle never consideres the essence as a universal - for example: the essence horse, the form of all real horses, is not a universal - although he considers sometimes the genus - for example: animal - as a universal. He wrote, refuting the theory of separated Ideas from sensible world of Plato:

 

« But perhaps the universal, while it cannot be substance in the way in which the essence is so, can be present in this, e.g., animal can be present in man and horse. Then clearly there is a formula of the universal. And it makes no difference even if there is not a formula of everything that is in the substance: for none the less the universal will be the substance of anything. Man is the substance of the individual man in whom is present; therefore the same will happen again, for a substance, e.g., animal, must be the substance of that in which it is present as something peculiar to it. And further it is impossible and absurd that the "this", i.e., the substance, if it consists of parts, should not consist of substances nor  of what is a "this", but of quality; for that which is  not substance, i.e., the quality, will be then prior to substance and to the "this". Which is impossible; for neither in formula nor in time nor in coming to be can the affections be prior to the substance; for then they would be separable from it. » (Aristotle, Metaphysics, Book VII, 1038b, 15-30, The Complete Works of Aristotle, volume II, Princeton/ Bollingen Series; the bold is put by me)

 

We must know how to interpret accurately this text . Aristotle is  criticizing the theory of Plato who sustained that archethypes - i.e., pure and immaterial forms, such as Man, Tree, and qualities, such as Kindness, Justice- are substances, i.e, individual essences. And he is also criticzing Plato  for not prioritizing the archetypes. To Aristotle, on considering a Man with Courage, it is impossible that Courage (a quality) is prior to Man (a essence) because Courage only exist in Men (or in Animals).

 

On Aristotle, the universal is a quality, nor a form or essence, neither a substance or materialized and individualized form . Animal is a quality, not a form. In fact, animal holds multiple forms different from each other. And the universals as such, above all genera, such as the one and the being, are qualities.

 

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Domingo, 16 de Junho de 2013
Sindicatos de professores: uma no Crato, outra na ferradura

As lutas que os sindicatos de professores lançam possuem, em regra, objectivos justos mas carecem de uma coisa: sustentabilidade económica. Se em vez de uma grande manifestação nacional de professores o dinheiro gasto a alugar centenas de autocarros e a pagar outras despesas de logística fosse desviado para a constituição de fundos de apoio aos professores grevistas em cada escola, talvez o resultado fosse melhor.

 

Uma greve de professores a exames deveria durar, no mínimo, dois meses, caso o ministério da Educação não cedesse antes disso às reivindicações. Que perspectivas há para a actual greve a conselhos de turma de avaliação dos alunos e para a greve, a partir de 17 de Junho de 2013, a exames nacionais ? Mais uma semana de greve e tudo acaba? Fracas perspectivas, na visão dos professores contratados, parte dos quais poderá quebrar a greve por menor resistência económica ao não pagamento dos dias de greve.

 

Somos empurrados, pela circunstância,  para fazer um protesto que é inevitável. A destruição da escola pública, a sua redução a proporções mínimas, está a ser levada a cabo pelo neoliberalismo do governo de Passos Coelho, Paulo Portas, Nuno Crato e Vítor Gaspar.

 

Os sindicatos, em particular a FENPROF, fizeram bem em marcar as greves contra a mobilidade especial e o aumento da carga horária dos professores do ensino público. Não havia outra saída digna. A natureza dos sindicatos é dúplice: se, por um lado impulsionam a luta dos professores, por outro lado, moderam-na ou atraiçoam-na, em determinados momentos, como sucedeu com o memorando que assinaram com a ministra Maria de Lurdes Rodrigues, em 12 de Abril de 2008. Os sindicatos institucionais são, nos momentos de vagas revolucionárias de massas, orgãos contra-revolucionários como se demonstrou, por exemplo, com a Confederation Générale du Travail (CGT), de hegemonia comunista, durante a revolução estudantil-operária de Maio-Junho de 1968. Os comunistas, disciplinados, gradualistas, reformistas, atemorizados com a violência revolucionária dos internacionais situacionistas, dos maoístas, dos trotskistas, dos guevaristas contra a polícia de choque em Paris e em outras cidades de França, sabotaram a mobilização da classe operária em defesa dos estudantes insurrectos.

 

Ao não disporem de fundos para financiar os grevistas, podemos dizer que os sindicatos portugueses dão uma no Crato e outra na ferradura, sendo a ferradura da boa sorte do corpo sindical as dezenas de milhar de professores sindicalizados que pagam quotas e permitem o avanço a trote do cavalo do sistema de ensino. O aparelho sindical deveria ser proprietário de fábricas, supermercados e outras lojas que permitissem vertebrar solidamente, isto é, financiar, os movimentos de luta dos professores em defesa dos seus direitos e da escola pública. Contra o capitalismo impiedoso há que usar o apoio de estruturas do capitalismo social. Revolucionários de bolsos vazios não fazem revoluções.

 

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Quinta-feira, 13 de Junho de 2013
Diálogo com Rui Reininho: o "suicídio de Jorge Lima Barreto" e a universidade asfixiante

Assisti, na noite de 9 para 10 de Junho de 2013, ao concerto dos GNR (Grupo Novo Rock) em Aljustrel,  na  Feira do Campo. Vista da estrada exterior, esta vila mineira alentejana, feita de colinas parece,  iluminada, no escuro, por colares de pérolas de luzes, uma cidade árabe das mil e uma noites.  À 1 hora e 30  minutos da madrugada, estou para sair do recinto e cruzo-me, ocasionalmente, com Rui Reininho. Abordei-o. O diálogo que exponho a seguir reproduz mais ou menos o diálogo real que ocorreu. 

 

Eu disse: «Fez bem em vir ao Alentejo, terra onde a abóbada celeste imensa nos faz reflectir, onde se pensa. Terra metafísica.»

Ele diz: «Passo sempre férias no Alentejo. Não vou para o Algarve. »

Eu: «Vi aquela notícia na televisão que o mostrava a si, numa missa, com o padre Rui Osório, no Porto. Vejo que tem um lado místico-religioso. O homem do norte é teísta, imagina deus em espírito, acima da natureza. Aqui, no Alentejo, os homens são, predominantemente, panteístas. E a astrologia, nascida da observação do céu, articula-se com o panteísmo.»

Ele: «Há sempre qualquer coisa que fica da nossa educação da meninice.»

 

Eu: «Aqui, nesta paz do montado, é possível criar o distanciamento, através do silêncio e das imagens fixas da paisagem, face às imagens fugidias e à manipulação a que a televisão nos submete a cada hora. Face à cultura falsificada dos grandes media, incluindo as universidades. Aqui estudo astrologia histórica, desvendando nos factos histórico-sociais as coordenadas astronómicas correspondentes.»

Ele: «Ah, as universidades de hoje! O meu amigo V. H. extremamente inteligente, foi corrido de todas as universidades onde entrou a leccionar porque há sempre os burocratas a travar os que se afirmam de forma individualista e criadora. Diz-me o V. H: «Rui, os professores universitários conjugaram-se para expulsar a metafísica da universidade. É impossível ensinar livremente. A liberdade retrocedeu imenso. O mundo cultural não é livre, neste nível».

 

Eu: «É precisamente o que eu penso. Na área da filosofia, são sobretudo os partidários da filosofia analítica que impõem um fascismo epistémico anti investigação astrológica, anti medicina natural, etc. A liberdade não existe na universidade.»

Rui Reininho prossegue: «O Jorge Lima Barreto, que antes e depois do 25 de Abril de 1974 tecia cenários culturais e políticos criativos no café Majestic no Porto, - éramos internacionais situacionistas, anarquistas - morreu o ano passado de inanição . Foi um suicídio. Deixou-se ficar na cama e definhou porque se sentiu asfixiado pela universidade que não o deixava ensinar o que ele queria e sabia sobre jazz, música, cultura. Havia sempre uma «doutora» burocrata a inviabilizar os projectos, a controlar

 

Eu: «Afinal, Jorge Lima Barreto praticou um suicídio à maneira dos cátaros (o endura): não ingerir durante semanas nenhum alimento material (a matéria é o princípio do mal) até que a força vital, depois de consumir gorduras, tumores e tecidos dispensáveis, acaba por consumir músculos e orgãos  essenciais à vida. Esta multiplicação de doutoramentos e mestrados, dados e vendidos àqueles que alinham com a filosofia dominante nas universidades, burocratiza o saber, fragmenta-o, e constrói um muro de protecção fascizante e totalitário em torno das «mentes doutoradas». É a ditadura mundial da antifilosofia que segue os planos do clube de Bilderberg, um grupo fascista «progressista», arauto de uma democracia formal mundial onde todos somos vigiados, reprimidos pelo governo sinárquico, o governo mundial único. E o Seguro, do PS, e o Portas, do CDS, lá foram à reunião deste clube há dias, pela mão do Pinto Balsemão.»

 

 

Recordo-me que Jorge Lima Barreto era músico e musicólogo, nascido em Vinhais em 26 de Dezembro de 1949, e membro do grupo anarquista que parava no início da década de 70 no café «Piolho» na Praça dos Leões, no Porto, ainda sob a ditadura fascista de Marcelo Caetano e Américo Tomás. Era homossexual e respeitava as opções heterossexuais dos amigos.  Faleceu a 9 de Julho de 2012. Foi o criador da Associação da Música Conceptual, com C. Zíngaro, e dispunha de uma cultura musical extremamente vasta. Era, no sentido real do termo, um catedrático da música mas foi corrido pelos catedráticos institucionais da universidade e seus acólitos.

 

Despeço-me do Rui Reininho (28 de Fevereiro de 1955, Porto) com um abraço. Reflicto, enquanto regresso a Beja, no escuro da noite: somos mais livres como professores no ensino secundário do que os professores nas universidades, onde há, em regra, estreitas relações de vassalagem entre professores e entre estes e o reitor. As universidades são, em primeiro lugar, corporações de interesses, e só em segundo lugar são lugares de pesquisa da verdade e difusão científica, filosófica, artística e literária. Por isso, na universidade oculta-se ou distorce-se a verdade, sempre que esta põe em causa a cátedra deste ou daquele. Este blog é mais livre, mais profundo e mais criativo que muitas cátedras universitárias. A cultura não carece de títulos de «professor doutor» ou de «mestre» porque graças a trabalho mimético, de reprodução dos consagrados, é possível a qualquer indivíduo de inteligência mediano-elevada, ou mesmo mediana, ascender a uma cátedra, ao título de «professor doutor». A cultura e a ciência que temos na superestrutura de Portugal e do «mundo livre» é em grande parte falsa, fragmentária.

 

A universidade é totalitária. Tem poder sobre os políticos e as grandes editoras de livros e jornais - são professores universitários os que supervisionam os manuais escolares e são professores universitários uma parte dos tradutores das grandes obras literárias, filosóficas e científicas - e exclui os que se lhe opõem e veiculam a ciência holística

 

Somos melhores que a universidade. Fazemos parte da supra-universidade, informal. Investigamos e sabemos astrologia histórico-social, a ciência das ciências, que culmina a busca hegeliana de uma ciência holística - e quase todos os filósofos e professores universitários do mundo, ininteligentes ou néscios ou ambas as coisas, negam, desprezam ou vilipendiam o determinismo astral, o fatalismo geométrico-zodiacal que rege o devir. Aliás, em muitas universidades impera, sectorial ou globalmente, um fascismo de esquerda, o social-fascismo: estou a lembrar-me de que, em Maio de 2012, o grupo Krisis da universidade de Évora me impediu de apresentar uma tese de astrologia histórica nas IV Jornadas Internacionais de Investigadores de Filosofia, quando deveriam esses académicos ser os primeiros interessados em aprender com quem investigou uma área do saber que de todo ignoram.

 

 

José Gil, António Marques, Eduardo Lourenço, Pinharanda Gomes, Ricardo Santos, João Branquinho, João Saágua, Manuel Maria Carrilho, Maria Luísa Ribeiro Ferreira, António Barreto, Boaventura Sousa Santos, Marcelo Rebelo de Sousa, Miguel Sousa Tavares, Manuel Vilaverde Cabral, José Pacheco Pereira, Olivier Feron, Carlos Fiolhais, João Maguejo e tantos outros académicos ignoram, por exemplo, que Salazar tomou posse com Júpiter no signo de Carneiro (arco de 0º a 30º de longitude) em 27 de Abril de 1928, que Cavaco Silva obteve a primeira maioria absoluta do PSD em 19 de Julho de 1987 com Júpiter no signo de Carneiro,  e foi reeleito em 23 de Janeiro de 2011, com Júpiter no signo de Carneiro e não concebem que estes dados configuram uma lei político-zodiacal.

 

Que «doutas» criaturas são estas que desprezam ou troçam da possibilidade/realidade de a astrologia (histórica) ser ciência e nem sequer percebem que os seus frágeis corpos humanos de 60, 70 ou 90 quilos não podem escapar à atracção e ao determinismo do planeta Júpiter cuja massa é igual à de 317, 8 planetas Terra?

 

NOTA DE RECTIFICAÇÃO DE 3 DE JULHO DE 2014- Recebi um e.mail de um amigo muito próximo de Jorge Lima Barreto que me diz o seguinte:

«O que o Rui Reininho lhe contou , melhor, a conclusão aligeirada e momentânea do Rui não corresponde ao que infelizmente aconteceu ao Jorge.  A causa principal não foi essa.»
Assisti, com o X, com o Y, aos últimos 30 dias de vida do Jorge, no Hospital de S.José.
Sei que o seu post, hoje não pode ser rectificado, mas fica aqui o meu reparo.»

«Não tenho qualquer direito nem dever para lhe solicitar que apague o post. 
Faz parte do seu mundo pessoal, está editado.  Se o retirasse, essa parte da sua mundivivência desapareceria, ocultaria um seu (bom) episódio, nunca eu desejaria isso para "rectificar" esse curioso diálogo com o Rui.
Mas se quiser, eu e os amigos do Jorge agradecemos (presumindo que FQueiroz sabe quem foi e o que fez o Jorge como músico, musicólogo, activista, etc., etc.) que num seu próximo post hoje ou amanhã, releve a Bienal.  Obrigado.
(Veja, sff o programa no site do Centro Cultural de Vinhais).
Pena por FQueiroz não poder ir a Vinhais.
«Confidência : o Jorge sentiu imenso os "atropelos" (no mínimo, "atropelos") ao recusarem a sua inclusão no corpo docente duma universidade em Lisboa (e noutra ocasião na do Porto), mas não foi a causa principal -- de.

E de acordo consigo e com o Rui : as universidades tugas não querem professores criativos e com uma Cultura para além do que está "correcto", delineado, certinho... »

Em 4, 5 e 6 de Julho de 2014 será inaugurada a I Bienal Jorge Lima Barreto, em Vinhais.  Justíssima e inédita homenagem. Com Vítor Rua, António Barros, Joana Vasconcelos, Manuel Barbosa, Jonas Runa, Chris Cutler, Kersten Glandien, Luís San Payo, Ana Borralho, João Galante, Ilsa d'Orzac e outros.

 

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Domingo, 9 de Junho de 2013
Incompreensões de António Marques sobre o criticismo de Kant

Em um artigo de sete páginas do «Dicionário do Pensamento Contemporâneo» sobre o Criticismo, o catedrático de filosofia António Marques não demonstra entender, genuinamente, o conceito de criticismo em Kant.

 

Em nenhum parágrafo do artigo António Marques afirma um princípio basilar do criticismo de Kant: o idealismo ou irrealismo da matéria, do mundo dos fenómenos (casas, comboios, árvores, paisagens, etc). É esse princípio que constitui a base da revolução coperniciana do conhecimento que, antes de Kant, já Berkeley e David Hume haviam operado.

 

Marques insiste em falar no sistema da dualidade da filosofia crítica, querendo com isso referir a dualidade entre fenómeno e númeno, sujeito e objecto, razão e entendimento. E opõe a filosofia da identidade de Schelling e Hegel à filosofia crítica de Kant sem perceber que as primeiras são ideal-realismo e esta última é puro idealismo físico como o idealismo de Berkeley. Ademais, a filosofia do absoluto de Hegel do uno englobante de tudo, baseia-se também em dualidades - real e racional, conceito objectivo e conceito subjectivo, finito e infinito, etc - e trinalidades - tese, antítese e síntese, ser em si, ser fora de si e ser para si,etc- o que  retira clareza ao fio do raciocínio de António Marques pois a identidade não exclui a dualidade. Este escreve, referindo-se ao idealismo alemão:

 

«Ainda que, de formas diferentes, os seus autores fundamentais (Fichte, Schelling, Hegel) insistiram na artificialidade, na inconsistência lógica ou nas insuficiências ontológicas do dualismo próprio do criticismo. Pares conceptuais fundamentais como entendimento/ razão, sujeito/ objecto, activo/ passivo, fenómeno/ coisa em si foram objecto de uma crítica que via no dualismo desta filosofia o principal obstáculo à fundação da filosofia do absoluto.» (António Marques, Criticismo, Dicionário do Pensamento Contemporâneo, direcção de Manuel Maria Carrilho, página 62, Círculo de Leitores, 1991).

 

Sublinho que a expressão «idealismo alemão», empregue com excessiva leveza nas histórias e dicionários de filosofia, é profundamente ambígua: o idealismo material de Kant opõe-se ao idealismo formal de Hegel que é um realismo de matriz espiritualista. Como é que Kant caracterizou a filosofia crítica ou criticismo? Do seguinte modo:

 

«Só a crítica pode cortar pela raíz o materialismo, o fatalismo, o ateísmo, a incredulidade dos espíritos fortes, o fanatismo e a superstição, que se podem tornar nocivos a todos e, por último, também o idealismo e cepticismo. (...)

«A crítica não se opõe ao procedimento dogmático da razão no seu conhecimento puro, enquanto ciência (pois esta é sempre dogmática, isto é, estritamente demonstrativa, baseando-se em princípios a priori, seguros) mas sim ao dogmatismo, quer dizer, à presunção de seguir por diante apenas com um conhecimento puro por conceitos (conhecimento filosófico), apoiado em princípios...» (Kant, Crítica da Razão Pura, Prefácio da Segunda Edição (1787), pagina 30, Fundação Calouste Gulbenkian).

 

Não é clara a diferença entre materialismo e ateísmo na frase de Kant acima - a menos que este queira significar por materialismo o que se chama realismo, doutrina da existência de um mundo físico independente das consciências humanas. É paradoxal que Kant use a «crítica» contra o idealismo quando ele mesmo admite ser idealista transcendental - a menos que esteja a visar como idealismo apenas a doutrina de Berkeley.

 

 Marques escreveu:

 

«Lembremo-nos que característica inamovível do programa crítico é uma síntese entre os interesses pela estrutura transcendental do conhecimento e a preservação da estrutura dualista, estrutura de toda a teoria da experiência que lhe é própria. Por outro lado o problema do sentido não é, como se viu, limitado à positividade da experiência, pelo que o criticismo se afasta decisivamente de teses neo-empiristas que na primeira metade do nosso século ocuparam um espaço importante e por onde aliás passaram alguns autores fundamentais.» ( António Marques, Criticismo, in Dicionário do Pensamento Contemporâneo, direcção de Manuel Maria Carrilho, página 62-63 , Círculo de Leitores, 1991).

 

Não é integralmente verdade o que António Marques escreve acima. O criticismo de Kant, ao negar validade, no plano positivo, da verificação, à metafísica, abriu caminho ao neoempirismo lógico, em particular do círculo de Viena. O problema do sentido, entendido como campo verificacionista da verdade, é similar no kantismo e no neoempirismo lógico: só os objectos da experiência empírica e os objectos matemáticos formam o campo do cognoscível, o campo das ciências.

 

As teses capitais da «Crítica da Razão pura» como «os corpos não são objectos em si, que nos estejam presentes, mas uma simples manifestação fenoménica, sabe-se lá de que objecto desconhecido» (CRP, pág. 363, nota de rodapé, Fundação Calouste Gulbenkian; o negrito é colocado por mim) passam desapercebidas a António Marques, tal como não foram entendidas por Bertrand Russell, Wittgenstein, José Gil e a generalidade dos catedráticos de filosofia.

 

Na medida em que é idealista material - a matéria não passa de representação, ilusão tridimensional no espaço - Kant é ainda mais monista do que as filosofias da identidade de Schelling e Hegel porque estas separam a matéria do indivíduo humano, fazem desta uma exterioridade real frente ao homem (realismo material ou físico).´O criticismo de Kant não se reduz às teses da idealidade/ irrealidade dos objectos materiais e da impossibilidade de demonstrar os objectos metafísicos como Deus e a alma imortal. Engloba ainda a teoria das qualidades primárias e secundárias, originada na Antiguidade clásica com Demócrito, retomada por Galileu, Descartes e John Locke, e o sistema das formas a priori da sensibilidade (espaço e tempo) e do entendimento (categorias e juízos puros) e a apercepção transcendental. Kant escreveu:

  

«O sabor agradável de um vinho não pertence às propriedades objectivas desse vinho, portanto de um objecto, mesmo considerado como fenómeno, mas à natureza especial do sentido do sujeito que o saboreia. As cores não são propriedades dos corpos...» (Kant, Crítica da Razão Pura, pag. 69, nota de rodapé, Fundação Calouste Gulbenkian).

 

 

O discurso retórico, grandiloquente, de António Marques sobre o criticismo de Kant passa por cima destas «minúcias» que são a pedra de toque que distingue os que entenderam Kant com profundidade - tão poucos são! - e os que não o entenderam mais do que a 50% .


 

 

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Sábado, 8 de Junho de 2013
Misconceptions on Beebee, Effingham and Goff about Agent Causalism, Compatibilism and Incompatibilism

 The analytic philosophers have not, as a rule, a dialectical thinking and do not know organizing frameworks with theories about free will, biophysical determinism and indeterminism, clearly arranged. They mix  species of a particular genus with species of different genera in a confused amalgam. An example is the table below. 

 

In «Metaphysics, the Key Concept» , Helen Beebee, Nikk Effingham and Philip Goff wrote:

 

Table 1

____________________________________________________________________

Position                       Determinism          Determinism                       Actual agent

                                                                  Compatible with                  sometimes act

                                                                   free will                                freely

_____________________________________________________________________

 

Compatibilism                           ?                                    Y                                      ?  

Incompatibilism……………. ?                                   N                                       ?   

Libertarianism………………  N                                   N                                   Y                                            

Soft Determinism…………..Y                                   Y                                          Y

Hard Determinism………….Y                                   N                                          N

Illusionism ………………….. ?                                    N                                          N

Agent causalism…………….?                                    ?                                          ?

 

«Metaphysics, the Key Concept», page 83, Routledge.

 

 

In this table, there is a great confusion of genera. Compatibilism and Incompatibilism belong to genus articulation, a formal genus. Illusionism and agent causalism belong to genus  cause of action: basically, the causes of an action are free will, determinism, fatalism or natural hazard. Soft Determinism is a species into compatibilism but they are hierarchized as if they were mutually extrinsec.

 

In the table above, a question mark is placed at the intersection of the horizontal column «Compatibilism» with vertical column «Determinism», but that is a mistake. In analytic philosophy, compatibilism includes determinism, so the letter should be Y ( yes). Another error is the question mark placed at the intersection of the horizontal column «Compatibilism» with vertical column «Actual agent sometimes act freely» because, by definition, compatibilism includes free will, free act. So, instead of a question mark there should be an Y.

 

And what is incompatibilism? A confuse definition of analytical philosophy. The only ones incompatibilisms are fatalism and hard determinism ( a quasi fatalism) because both exclude free will: but hard determinism is compatible with hazard and fatalism is not. Libertarianism is not an incompatibilism because it theorizes the simultaneous existence of free will and deterministic laws of nature, altough analytical thinkers sustain they are independent of each other.

 

 

What is agent causalism.? About agent causation Beebee, Effingham and Goff  wrote:

 

«Some philosophers hold that it is only by being and “uncaused cause” of one `s action that an agent can truly be said to be ultimately responsible for their actions and hence to act freely and be morally responsible (…) Such philosophers hold that the relation between the agent and her free actions (normally thought to be her intentions or, in more old-fashioned terms, her “acts of will” or “willings” ) is that of “agent causation”.
«Most contemporary philosophers hold that the causal relata – the entities that stand in causal relations to one another – are spatiotemporally located entities, such as events (or facts or states of affairs).(…)
«Agent causation (if it exists) is a different kind of relation, because in this case, the cause is not an event (or facts or state of affairs) but the agent herself, conceived as a substance.» (Helen Beebee, Nikk Effingham and Philip Goff, «Metaphysics, the Key Concept» , page 3-4, Routledge).

 

This is not absolutely clear. Agent causalism is the same as free will, it is the efficient or moving cause of free will: hence, it contains, as its species, libertarianism and soft determinism - if we can distinguish libertarianism from soft determinism, which is a controversial question. And illusionism is the same as hard determinism and fatalism. This one is not mentioned in the table.

 

About the table above, there is another  misconception. It makes no sense to put a question mark  at the intersection of the horizontal column «Agent causalism» with vertical column « Actual agents sometimes act freely»: by definition, agent causalism act freely.

 

 

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Quinta-feira, 6 de Junho de 2013
Júpiter em 27º de Gémeos em 12-17 de Junho de 2013: demissão no PS, ou no governo de Portugal?

De 12 a 17 de Junho de 2013, Júpiter transita o grau 27º do signo de Gémeos - ou grau 87 de longitude eclíptica, em linguagem de astrónomo . Isto sugere uma demissão na direcção do PS português. Ou a demissão de um governante. Vejamos duas efemérides importantes ligadas ao grau 27 do signo de Gémeos, arco do céu que se estende de 60º a 90º da eclíptica e que está todos os dias do ano no firmamento, como aliás, os restantes signos ou arcos de 30º do círculo celeste.

 

Em 16 de Dezembro de 2001, com Nodo Norte da Lua em 27º 8´de Gémeos, o primeiro ministro de Portugal e líder do PS António Guterres, ligado ao tenebroso clube de Bilderberg de Rockefeller, George Soros e Kissinger, anuncia a sua demissão, na sequência  de, no mesmo dia, o PS sofrer um recuo nas eleições para as autarquias locais em Portugal. O PS ficaria entregue a outro membro de Bilderberg, Eduardo Ferro Rodrigues.

 

Em 23 de Março de 2011, com Nodo Sul da Lua em 27º 29´/ 27º 24´ de Gémeos, o primeiro ministro de Portugal e líder do PS José Sócrates, ligado ao tenebroso clube de Bilderberg de Rockefeller, George Soros e Kissinger, que instrui os seus políticos para endividarem os países que governam e fazê-los perder a soberania nacional, anuncia a demissão.

 

Isto é uma teoria de probabilidades fundada em dados empíricos reais. É astrologia histórico-social. Vamos esperar uns dias para ver se algo sucede de marcante na alta roda da política portuguesa em meados de Junho de 2013.

 

PS- Se é professor ou estudante de filosofia, história, astrologia ou demais ciências, porque não começa a compreender os movimentos planetários e a astrologia histórico-social e libertar-se da crucial ignorância a que o votaram nessa matéria? Adquira na nossa loja online www.astrologyandaccidents.com as nossas obras «Álvaro Cunhal e Antifascismo na Astrologia Histórica», recentemente lançada, «Os acidentes em Lisboa na Astronomia-Astrologia» e outras que lhe fornecem conhecimentos que em nenhum outro lado pode encontrar. É tempo de ser culto e profundo! Pense por si, sem receio dos clichés dominantes.

 

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Quarta-feira, 5 de Junho de 2013
Sincronismos ontofonéticos de 19 de Maio a 10 de Junho de 2013

No mesmo dia, ou em cada dois ou três dias seguidos, a mesma palavra ou palavras parónimas e a mesma ideia repetem-se nas principais notícias do dia - esta é a tese essencial da ontofonética que sustentamos. Heidegger dizia que «o ser é o mais próximo e o mais longínquo». Isto aplica-se, de certo modo, aos exemplos abaixo exibidos, em que episódios da minha vida pessoal e da minha cidade e notícias de telejornais mundiais convergem no mesmo sincronismo fonético-ideático. Vejamos alguns destes sincronismos no período de 19 de Maio a 10 de Junho de 2013.

 

Em 19 e 20 de Maio de 2013, as ideias de ÁLVARO e MELÂO aparecem em foco: no dia 19, encontro, junto ao tribunal de Beja, ÁLVARO, ex aluno da escola de dança da Sociedade Capricho Bejense; no dia 20, a TVI transmite uma grande reportagem sobre ÁLVARO Cunhal em facetas mais íntimas, na qual Miguel Sousa Tavares conta que encontrou ÁLVARO Cunhal num supermercado no Algarve com um MELÃO na mão, um telejornal mostra um adepto do FC Porto com um MELÃO na mão a ridicularizar o rosto de Jorge Jesus, do Benfica.

 

Em 20 de Maio de 2013, as ideias de MURO, MORA e ROSA estão em destaque: um telejornal noticia que o deputado Carlos AMORIM (evoca:MURO, MORA) do PSD voltou a dar que falar ao escrever no twitter «Magrebinos! Curvem-se ante a glória do grande Dragão!», uma reportagem na TVI sobre Álvaro Cunhal refere Fernanda BaRROSO (evoca: ROSA) como a última companheira de Álvaro Cunhal e Isaura MOREira (evoca: MURO,MORA) como a mãe de Ana, a única filha de Álvaro, Fernando ROSAS fala nessa reportagem sobre a moderação do PCP em 1974-1975, Florentino Pérez anuncia a saída de José MOURinho (evoca: MURO, MORA) do cargo de treinador do Real Madrid, um tornado arrasa MOORE (evoca: MURO) nos arredores em Oklahoma, nos EUA, matando cerca de 51 pessoas.

 

 

Em 21 e 22 de Maio de 2013, a ideia de OVO está em foco: no dia 21, informam-me que um funcionário da ESDG vende OVOS biológicos de galinhas do seu monte alentejano; no dia 22, a 150 metros da praia do Furadouro, em OVAR (evoca: OVO), uma embarcação vira-se, sob uma vaga de mar, e dois pescadores morrem afogados

 

Em 23 de Maio de 2013, a ideia de ALVES em foco: Carlos Araújo ALVES, gestor cultural no Porto, completa 54 anos de idade, Jorge ALVES, do Sindicato do Corpo de Guarda Prisional, justifica ao telejornal da RTP as razões da greve da guarda prisional, decorre uma operação de fiscalização de transportes em 450 lugares de Portugal e dela fala o capitão Fernando ALVES ao telejornal da RTP, em Torres Vedras

 

Em 23 e 24 de Maio de 2013, as ideias de VERA e VARA emergem, em foco: no dia 23, saúdo VERA G., numa rua de Beja, grávida quase à beira do parto, a socióloga VERA Santana cumpre aniversário; no dia 24, o coronel João VAREla Gomes (evoca: VARA), revolucionário anticapitalista, gravemente ferido no assalto ao quartel de Beja em 1 de Janeiro de 1962 completa 87 anos de idade

 

Em 24 e 25 de Maio de 2013, as ideias de FRANCO, ROSA e RIBEIRO estão em foco: no dia 24, encontro em Beja, Soraia, outrora nora do professor António Cândido FRANCO, à noite no Cais da Planície em Beja saudo Rita FRANCO, estudante universitária; no dia 25, Rui RIO (evoca: RIBEIRO) assina com mais de uma centena de «notáveis» do Porto uma carta aberta ao governo PSD-CDS de protesto contra o boicote no financiamento da reabilitação urbaba da cidade do Porto, Gabriel Rui Silva apresenta na biblioteca municipal de Beja, o livro «ROSA mística» de Manuel RIBEIRO, escritor de Albernoa, Beja, o BoRUSSIA (evoca: ROSA) de Dortmund é vencido na  final da liga de campeões pelo Bayern de Munique, em Wembley.

 

Em 25 e 26 de Maio de 2013, as ideias de RONCO e CARMO em foco: no dia 25, RÃO KyAO (evoca: RONCO) e o Coro do CARMO de Beja dão um concerto no teatro Pax Julia; no dia 26, de madrugada, no espaço «Os Infantes» de Beja actuam grupos de Black Metal cujas músicas, às vezes, incluem um RONCO do vocalista, desloco-me à herdade dos Grous, em Albernoa, e verifico que o escorregão do parque infantil desse espaço rural lindo tem a inscrição CARMO.

 

Em 27 de Maio de 2013, a ideia de MENDES está em foco: a câmara municipal de Guimarães homenageia os jogadores do Vitória do Guimarães, o treinador e o seu presidente Júlio MENDES pela conquista da Taça de Portugal na véspera, o advogado David MENDES, presidente da Associação Mãos Livres, angolana, informa a Lusa de que em Luanda, pelo menos oito pessoas foram detidas pela polícia em Luanda na sequência das cargas policiais contra os participantes numa vigília, convocada para assinalar o primeiro aniversário do desaparecimento de dois ativistas, Isaías Cassule e Alves Kamolingue.

 

Em 28 de Maio de 2013, a ideia de ANTÓNIO encontra-se em foco: passam 87 anos sobre o início, em Braga, de um golpe militar, misturando republicanos radicais como o general Gomes da Costa e integralistas de extrema-direita, contra o governo de ANTÓNIO Maria da Silva e a República parlamentar, eclode às 3 horas da manhã um incêndio num prédio de 8 andares da Avenida ANTÓNIO Augusto de Aguiar, em Lisboa, 3 investigadores de medicina são premiados no Hospital de Santo ANTÓNIO, no Porto, com a presença de Paulo Macedo, ministro da Saúde.

 

Em 28 e 29 de Maio de 2013, a ideia de NEVES emerge em foco: no dia 28, realiza-se o funeral de Bruna NEVES, de 5 anos, em NEVES, Beja, vítima de um tumor no cérebro; no dia 29, José Artur NEVES, presidente da câmara de Arouca encabeça uma manifestação de 300 pessoas frente à Administração Regional de Saúde no Porto exigindo médicos de família.

 

Em 29 de Maio de 2013, os nomes OLIVEIRA e NUNO/BRUNO elevam-se, em foco: Faria de OLIVEIRA renuncia ao cargo de presidente não executivo da Caixa Geral de Depósitos, o telejornal da RTP1 mostra Andreia OLIVEIRA, trabalhadora de uma pequena loja do centro comercial Vasco da Gama em Lisboa, no momento da visita de inspectores do trabalho a 50 lojas desse centro, passam 38 anos sobre a saída do primeiro número do jornal «Tempo» de NUNO Rocha, de direita liberal, Pedro NUNO Santos, deputado do PS, interpela no parlamento o ministro Paulo Portas, BRUNO e Vicente, dois homossexuais franceses, casam em Montpellier, França, naquele que é o primeiro casamento gay em França.

 

Em 29 e 30 de Maio de 2013, as ideias de COSTA, FIGO e ARCO estão em foco: no dia 29, o secretário de Estado da Solidariedade e Segurança Social MARCO (evoca: ARCO) António COSTA é interrompido por gritos de «Demissão» ao discursar no Porto; no dia 30, dia de Santa Joana d´ARC (evoca: ARCO), Carlos COSTA, governador do Banco de Portugal, discursa num encontro de banqueiros em Lisboa, Luís FIGO visita o Real Madrid, clube de que é sócio, Francisco FIGUEIredo (evoca: FIGO) do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Hoteleira, encabeça uma manifestação de trabalhadores das cantinas de 14 escolas de Santo Tirso em greve contra a administração da empresa Nobrecer.

 

Em 31 de Maio e 1 de Junho de 2013, as ideias de PINTO, TRIO e BELA estão em foco: no dia 31, CiBELE Queiroz é doutorada em biodiversidade, em Biologia, na universidade de Estocolmo e PINTO da Costa é recebido na Afurada, Gaia, por adeptos do FCPorto TRIcampeão, o TRIO Manaias dá um concerto no bar "The pub" em Beja; no dia 1, o telejornal transmite imagens de Ricardo Sá PINTO, actualmente treinador em BELgrado (evoca: BELA) exprimindo apoio ao selecionador Paulo Bento, há manifestações em 18 cidades portuguesas contra a TROIKA (lembra: TRIO).

 

Em 1 de Junho de 2013, a ideia de BOM /BON estão em foco: reencontro num armário o meu BONé (evoca: BOM) verde, na TVI há um debate entre o economista Augusto Mateus e a historiadora Fátima BONifácio (evoca: BOM),  

 

Em 2 de Junho de 2013, os nome DANIEL,PIO e CONDE erguem-se em foco: DANIEL Antunes, estudante, da Vidigueira, canta em palco, junto aos irmãos Caixeiro e outros, no espectáculo de cante alentejano que tem lugar das 23.00 horas em diante no largo CONDE da Esperança (Primeiro), na vila de Cuba, decorre em São Paulo uma parada gay e lésbica que põe na rua 3 milhões de pessoas e é patrocinada pela cantora DANIELA Mercury, a igreja católica celebra o dia de PIO X, um incêndio declara-se em Santana de Cambas (Mértola) e o comandante de bombeiros José PICA (evoca: PIO) fala à televisão disso, o cortejo da festa do Corpo de Deus, em Vila do CONDE, desenrola-se sobre um tapete de pétalas de rosas, cravos e gerânios, com a extensão de 3 quilómetros, nas ruas dessa cidade nortenha de Portugal

 

 

Em 3 de Junho de 2013, a ideia de CASTRO destaca-se : a população da aldeia de CASTRO Laboreiro, Melgaço, corta a estrada em protesto contra o fecho da estação de correios local, falece, no Porto, o engenheiro Carlos Faria CASTRO, octogenário, pai de três filhos, Eurico CASTRO Alves, presidente do Infarmed, declara no telejornal da RTP que os seus inspectores já aplicaram 600 000 euros em coimas a farmácias.

 

Em 3 e 4 de Junho de 2013, os nomes e ideias de SÉRGIO, de PONTO CARDEAL (OESTE, NORTE) e HAXIXE estão em foco: no dia 3, o secretário de Estado dos Transportes SÉRGIO Monteiro é interrompido por trabalhadores do metropolitano de Lisboa, aos gritos de protesto, numa conferência; no dia 4, o futebolista SERGIO Ramos diz à televisão não querer falar de Mourinho, de madrugada, 4 toneladas de HAXIXE são apreendidas num barco junto à costa do Algarve, a actriz Sara NORTE (PONTO CARDEAL) é libertada da prisão de Botafuego, em Algeciras, onde cumpriu 16 meses de prisão por ter sido presa com HAXIXE no estômago em Fevereiro de 2012, a rainha Isabel II volta à abadia de WESTMinster, em Londres, ( OESTE, PONTO CARDEAL).

 

Em 4 e 5 de Junho de 2013, as ideias de REFÉM, ÓSCAR e de ABUSO SEXUAL estão em foco: no dia 4, noticia-se que o atleta OSCAR Pistorius, assassino da sua namorada, na África do Sul, será julgado em 19 de Agosto, é exibido, em sessão única, no teatro pax Julia, em Beja, o filme «Argo», que recebeu um OSCAR, e no qual um agente da CIA se desloca a Teerão sob a revolução islâmica de 1979-80 e consegue resgatar 6 norte-americanos, REFÉNS em fuga dos guardas da revolução, trazendo-os num avião da Swiss Air; no dia 5, o ministro da Educação Nuno Crato acusa os professores por a  planeada «greve a exames fazer dos alunos REFÉNS», os telejornais noticiam que há cerca de uma semana um aluno e uma aluna da Escola Básica 2/3 Carlos Paredes, em Póvoa de Santo Adrião, foram VIOLADOS (ABUSO SEXUAL) por quatro colegas com idades de 11-12 anos, as chefias militares norte-americanas admitem perante o Comité do Senado dos EUA que foram displicentes ao permitir ou ignorar os 26 000 casos de ABUSO SEXUAL, em 2012, no seio das Forças Armadas dos EUA.

 

Em 5 e 6 de Junho de 2013, os nomes e ideias de PARIS, CARLOS e BARRO em foco: no dia 5, ex-Presidente da República Mário Soares entrega em PARIS, na sede da UNESCO, o prémio Félix Houphouet-Boigny, ao chefe de Estado francês François Hollande, distinguido pelo seu contributo para a paz e estabilidade em África, o telejornal da TVI exibe CARLOS BARROso (evoca; BARRO), um cidadão que se queixa de o metropolitano de Lisboa não lhe dar facturas dos bilhetes que compra, o telejornal da RTP exibe a aluna Joana BARREIros (evoca: BARRO), de Arraiolos, a dizer que compreende a greve dos professores, os telejornais noticiam que João CARLOS Aguilar, mestre de Shaolin em Bilbao, assassinou pelo menos duas mulheres, PARIS Jackson fere-se nos pulsos em tentativa de suicídio, nos EUA; no dia 6, noticia-se que os 3 alunos que há uma semana violaram uma aluna da Escola Básica 2/3 CARLOS Paredes, em Odivelas, foram suspensos até ao final do ano escolar

 

Em 7 e 8 de Junho de 2013, as ideias de ROSA, ALVA e LUZ ascendem em foco: Hélder ROSAlino (evoca: ROSA), secretário de Estado da Administração Pública, elogia Vítor Gaspar como «patriota», em entrevista à TSF, Portugal vence por 1-0 a RÚSSIA (evoca: ROSA) no estádio da LUZ; no dia 8, começa a edição da exposição «SerrALVES (evoca: ALVA) em festa», no parque de Serralves no Porto, é inaugurada no LUMIAR (evoca: LUZ), em Lisboa, a Avenida ÁLVAro Cunhal (evoca: ALVA).

 

De 7 a 10 de Junho de 2013, as ideias de CORTES, BRANCO e MAGO estão em foco: no dia 7, passa mais um aniversário sobre o nascimento, no século XIX, de Santiago CORTEZ González (evoca: CORTES), capitão da Guardia Civil espanhola que dirigiu a resistência militar franquista ao Exército Republicano no Santuário de Santa María La Cabeza, Andújar, até 1 de Maio de 1937; no dia 8, há uma manifestação internacional de rua em Atenas, contra os CORTES orçamentais que a troika impôs ao povo grego; no dia 9, o grupo espanhol Celtas CORTOS actua musicalmente no castelo de Serpa e há uma barraquinha de comes e bebes do grupo mottard CORTEnhos na Feira do Campo, em Aljustrel, vila que visito e em que estaciono o carro na rua BRANCO Rodrigues, passam 20 anos exactos sobre o dia em que publicamente critiquei José SaraMAGO (evoca: MAGO) cara a cara na biblioteca municipal de Beja por causa das suas posições estalinistas em 1975 e da sua antimetafísica; no dia 10, tomo ocasionalmente um café no «Café MÁGICO» na rua Aresta BRANCO em Beja.

 

De 8 a 10 de Junho de 2013, as ideias de PLÁSTICO, COROA e SEIO estão em foco: no dia 8, ouço referência a cirurgias PLÁSTICAS de reconstrução dos seios, realiza-se o casamento da PRINCESA Madalena da Suécia com o banqueiro Chris O´Neil que renunciou à COROA da Suécia; no dia 9, o telejornal da RTP1 noticia que a empresa «Bee Very Creative», criada na universidade de Aveiro, concebeu a primeira impressora portuguesa em 3D que permite imprimir objectos tridimensionais em PLÁSTICO biológico, no programa «O Eixo do Mal» exibido pela SIC Notícias é incluído um pequeno vídeo em que uma mulher anuncia ao marido que vai aumentar os SEIOS através de uma PLÁSTICA,  Rui REIninho (evoca: REI, COROA) actua com os GNR na Feira do Campo de Aljustrel, Alentejo; no dia 10, Portugal defronta a CROÁCIA (evoca: COROA) em futebol,

 

Em 9 e 10 e Junho de 2013, a ideia de ELVAS encontra-se em foco: um dique do rio ELBA (evoca: ELVAS), na Alemanha, cede e origina inundações das margens, realizam-se em ELVAS as cerimónias do dia de Portugal onde o primeiro-ministro Passos Coelho e o presidente Cavaco Silva, bem guardados da multidão, são assobiados por alguns populares.

 

PS- Se é professor ou estudante de filosofia, história, astrologia ou demais ciências, porque não começa a compreender os movimentos planetários e a astrologia histórico-social e libertar-se da crucial ignorância a que o votaram nessa matéria? Adquira na nossa loja online www.astrologyandaccidents.com as nossas obras «Álvaro Cunhal e Antifascismo na Astrologia Histórica», recentemente lançada, «Os acidentes em Lisboa na Astronomia-Astrologia» e outras que lhe fornecem conhecimentos que em nenhum outro lado pode encontrar. É tempo de ser culto e profundo! Pense por si, sem receio dos clichés dominantes.

 

  

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Terça-feira, 4 de Junho de 2013
Teste de filosofia do 10º ano, incluindo valores religiosos ( 2013)

Eis um teste de final de 3º período de uma turma que escolheu tratar os valores religiosos no programa de 10º ano de filosofia em Portugal. Um teste sem perguntas de escolha múltipla, que permite aos alunos exprimir uma opinião própria, relacionar criativamente conteúdos e mostrar que sabem filosofar.  

Escola Secundária Diogo de Gouveia com 3º Ciclo, Beja

TESTE DE FILOSOFIA, 10º ANO TURMA C

3 de Junho de 2013.            Professor: Francisco Queiroz
I

“A religião, segundo Freud, implica neurose e sublimação e terá tido origem num parricídio. Nietzshe, no século XIX, defendeu a teoria do eterno retorno e propôs a transmutação dos valores

 

1) Explique concretamente este texto.

II

2) Relacione, justificando:

A) As três fases da Ideia Absoluta na História segundo Hegel e o dualismo do Tao.
B)  Os três estádios da existência segundo Kierkegaard, o existencialismo e o essencialismo.

 

 III

3) Exponha, em síntese, os seguintes temas:

«Como a gnose resolveu filosoficamente o problema da existência do mal no mundo.  Os dharmas e o nirvana no budismo. O argumento ontológico de Santo Anselmo para demonstrar Deus. O panteísmo, o teísmo e a metafísica.»

.

 
 

    CORRECÇÃO DO TESTE (COTADO PARA 20 VALORES)

                                                                     

                                                                                                   

1) A religião, isto é, a veneração de deuses ou Deus, da natureza física como sagrada ou de anjos e almas metafísicas, implica a neurose, isto é, a  tristeza ou frustração resultante da repressão da energia sexual e a sublimação ou seja espiritualização de instintos recalcados, em especial do instinto sexual. Exemplo: «Procura ser pura, abstém-te de práticas sexuais, imita a Virgem Maria». Segundo Freud, em tempos primordiais, no seio de um clã, os filhos, cansados da autoridade do pai que os proibia de possuir as mulheres que quisessem, mataram o pai (parricídio) e comeram o corpo em banquete. Depois, arrependeram-se imaginando que o espírito do Pai os perseguia desde o «Além» e aplacaram-no mediante preces e sacrifícios religiosos que, no caso do catolicismo, se exprimem no «comer o meu Corpo» (a hóstia na missa) e «beber o meu sangue» (o vinho no cálice). (VALE TRÊS VALORES). Nietzsche defendeu o eterno retorno: a história repete-se, o tempo gira em círculo. Aos «gloriosos» tempos dos valores nobres, em que a aristocracia, feliz e cruel, reinava (escravatura, feudalismo) sucedem-se os «tenebrosos» tempos da civilização dos escravos e da plebe, isto é, da democracia liberal, em que a burguesia, classe intermédia reina, ou do socialismo, do comunismo e do anarquismo, episódios em que o proletariado reina e que são o ponto «mais baixo» da escala de valores. Mas o regresso ao antigo é inevitável e para isso Nietzsche propõe a transmutação ou inversão dos valores: o bem, que para os cristãos era cuidar dos fracos, dos doentes e idosos, estabelecer a igualdade social, fazer a paz, passa a ser, na preferência de Nietzsche, esmagar os fracos, os velhos e os doentes e impor a desigualdade social, os direitos desiguais, com a ditadura dos nobres e fazer a guerra; o mal passa a ser a piedade cristã, a repressão dos instintos sexual e guerreiro, o sacrifício da cruz, o niilismo (reduzir a vida ao nada) em nome do «Além». (VALE TRÊS VALORES).

 

2) a) Para Hegel, a ideia absoluta ou Deus desenvolve-se em três fases: a primeira é o Ser em si, ou Deus espírito, sozinho, antes de criar o universo, o espaço, o tempo, a matéria e pode comparar-se ao Tao, a mãe do Universo, algo invisível e misterioso que circula por toda a parte; a segunda é o Ser fora de Si ou transformação de Deus no seu oposto (alienação), a matéria física, em astros, céus, montamnhas, oceanos, vulcões, plantas e animais e pode equiparar-se ao Yang, dilatação, sair fora de si, visto que Deus se exteriorizou em matéria; a terceira é o Ser para si ou transformação de Deus em humanidade que vai progredindo lentamente em direcção à liberdade - desde o mundo oriental, em que só um homem é livre, até ao cristianismo reformado por Lutero e completado pela revolução francesa de 1789, em que todos os homens são livres - que é o fim da história, fase que pode comparar-se ao Yin, isto é, à contracção ou movimento para dentro, uma vez que, através da humanidade, Deus volta a si mesmo.Yang-Yin, ou seja, dia-noite, sol-lua, alto-baixo, verão-inverno, expansão-contracção, são as duas partes da onda que perpetuamente agita o universo. (VALE TRÊS VALORES).

 

2) B) Segundo Kierkegaard, filósofo existencialista cristão, há três estádios na existência humana: estético, ético e religioso. No estádio estético, o protótipo é o Don Juan, insaciável conquistador de mulheres que vive apenas o prazer do instante, e sente angústia se está apaixonado por uma mulher e teme não a conquistar. O desespero é posterior à angústia: é a frustração sobre algo que já não tem remédio ou que se esgotou. Ao cabo de conquistar e deixar centenas de mulheres, o Don Juan cai no desespero: afinal nada tem, o prazer efémero esvaiu-se. Dá então o salto ao ético: casa-se. No estado ético, o paradigma é do homem casado, fiel à esposa, cumpridor dos seus deveres familiares e sociais. Este estado relaciona-se com o essencialismo, doutrina que afirma que a essência, o  modelo do carácter ou do comportamento vem antes da existência e condiciona esta. A monotonia e a necessidade do eterno faz o homem saltar ao estádio religioso, em que Deus é o valor absoluto, apenas importa salvar a alma e os outros pouco ou nada contam. Abraão estava no estádio religioso, de puro misticismo, quando se dispunha a matar o filho Isaac porque «Deus lhe ordenou fazer isso». O estádio religioso é o do puro existencialismo, doutrina que afirma que a existência vive-se em liberdade e angústia sem fórmulas (essências) definidas, buscando um Deus que não está nas igrejas nem nos ritos oficiais. Neste estádio, o homem casado pode abandonar a mulher e os filhos se «Deus lhe exigir» retirar-se para um mosteiro a meditar ou para uma região subdesenvolvida a auxiliar gente esfomeada. A escolha a cada momento ante a alternativa é a pedra de toque do existencialismo. (VALE TRÊS VALORES).

 

3) A gnose é uma filosofia de carácter dualista que explica o mal no mundo através da existência da matéria e do seu criador, o demiurgo ou Satã ou Iavé, e o bem através da existência de um mundo espiritual, da Luz (o Pleroma) acima da sete esferas de planetas, mundo aquele onde vivem Cristo, Sofia e os Éons . Assim, o mal é intrinseco ao corpo, ao mundo material. Estes não são obra do verdadeiro deus da Luz. (VALE DOIS VALORES). Os dharmas são qualidades psíquicas e psicofísicas (inteligência, imaginação, memória, visão, audição, olfacto, tacto, etc) que existem por si mesmas no espaço e quando se reunem num feixe formam a personalidade de uma pessoa. Desaparecem ou dispersam-se com a morte corporal, restando apenas a consciência que pode estar, ou não, apta para atingir o nirvana, espaço vazio de repouso absoluto, sem desejos, segundo o budismo. (VALE DOIS VALORES). O argumento ontológico de Santo Anselmo diz o seguinte: Deus é um ser sumamente perfeito, é omnipotente, omnisciente, bondade, justiça e misericórdia absolutas, possui todas as perfeições, logo tem de ter a perfeição de existir (VALE DOIS VALORES). O panteísmo identifica a natureza biofísica com Deus ou deuses. O teísmo diz que Deus ou deuses são transcendentes à natureza biofísica, podendo ser os criadores desta. Ambas as correntes são metafísicas, isto é, doutrinas que descrevem o invisível, o impalpável, o transcendente, ainda que o teísmo seja, aparentemente, mais metafísico.(VALE DOIS VALORES).

 

 

 

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