Quinta-feira, 30 de Maio de 2013
Teste de filosofia do 11º ano (último do 3º período, em 2013)

Ao finalizar o ano lectivo de 2012-2013, eis um teste de filosofia do 11º ano de escolaridade que não vive da imitação do frágil modelo de perguntas de resposta múltipla com um "X" que a maioria dos professores de filosofia deste país, qual rebanho obediente, mecanicamente parece adoptar.

 

Escola Secundária Diogo de Gouveia com 3º Ciclo, Beja

TESTE DE FILOSOFIA, 11º ANO TURMA A

                     Professor: Francisco Queiroz     

28 de Maio de 2013

 

«Segundo Thomas Kuhn, os paradigmas científicos são participantes de revoluções epistemológicas mas incomensuráveis, posição que não coincide exactamente com o conjecturalismo de Karl Popper no qual existe a noção de falsificacionismo

 

1) Explique, concretamente, este texto.

 

 

2) Relacione, justificando:

A) O anarquismo epistemológico de Paul Feyerabend, os mitos e a ciência holística.
B)  Angústia, desespero e estádio estético segundo Kierkegaard.
C) Espaço e tempo segundo Kant, espaço e tempo segundo Einstein.

 

3) Disserte, livremente, sobre os seguintes temas:

«A teleologia dos movimentos no universo segundo Aristóteles. O princípio da incerteza de Heisenberg. Relativismo nas concepções sobre os «buracos negros» do universo. A causa-efeito e a matéria na teoria de Kant»

 

CORRECÇÃO DO TESTE (COTADO PARA UM TOTAL DE 20 VALORES)

 I

1) Paradigma científico é um modelo teórico-prático assente, em regra, no determinismo, uma teoria acompanhada, em regra, por métodos de experimentação. Exemplos: o paradigma do átomo, com um núcleo interior e órbitas electrónicas; o paradigma da psicanálise dividindo a psique em inconsciente, subconsciente e consciente. A revolução epistemológica é a mudança brusca ou total de paradigma. Por exemplo,a teoria do universo geocêntrico, paradigma dominante ou ciência normal na Idade Média, durante séculos, revelou anomalias e foi contestada no século XVII por uma nova ciência, denominada ciência extraordinária, do modelo heliocêntrico defendido por Copèrnico e Galileu. A ciência extraordinária acabou por impor-se na comunidade científica e transformou-se em ciência normal. Os paradigmas são incomensuráveis: não pode medir-se qual deles é o verdadeiro ou o mais verdadeiro que o outro. O conjecturalismo de Karl Popper sustenta que as ciências empíricas não passam de conjuntos de conjecturas ou suposições (exemplo:o átomo de hidrogénio com um só electrão é uma suposição) e supõe o falsificacionismo, isto é, uma ciência precisa de ser submetida a testes de falsificabilidade - a experiências que buscam incoerências ou excepções nas suas leis - e só receberá o título de ciência enquanto não for desmentida por um conjunto de factos relevantes. Mas em Popper é possível hierarquizar as ciências mais plausíveis e demarcá-las das não ciências. (VALE TRÊS VALORES).

 

II

 

2-A) O anarquismo epistemológico de Feyerabend é a concepção segundo a qual todos os saberes devem ter,à partida, um estatuto igual e direitos iguais, à moda da democracia de base anarquista: o astrólogo deve ser tão ouvido e convidado a ir à televisão quanto o astrofísico universitário, o curador através das plantas deve figurar na mesa redonda radiofónica com os médicos alopatas. Ademais, não há um único método científico mas deve-se explorar a pluralidade de métodos e improvisar: se um doente de cancro não obtèm sucesso com a quimioterapia por que não experimentar a medicina natural, os cataplasmas de argila molhada ou a mordedura do escorpião aplicada por um técnico ? Para Feyerabend,  a universidade, o sistema de saúde, a indústria e a esfera política são  controlados por homens arrogantes e desonestos, ligados a interesses financeiros e mediáticos espúrios, que canalizam para os seus projectos e cargos dinheiros do Estado e eliminam as ciências antigas tradicionais que lhes fazem concorrência. O mito, ou história lendária dos primórdios da humanidade, com deuses, heróis e monstros, ligado a um pensamento holístico, isto é global, é mais importante que as ciências . Foram os mitos que lançaram as bases da cultura, são eles que levam as pessoas a invocar os deuses segundo ritos que funcionam, desde que contextualizados, como a dança da chuva, o exorcismo, etc, e superam as modernas psicologia e medicina farmacológica e as ciências especializadas. (VALE TRÊS VALORES).

 

2-B) A angústia é a liberdade travada, não pela necessidade mas por si mesma. É uma ansiedade que normalmente acompanha uma expectativa sobre o futuro. No estádio estético, o protótipo é o Don Juan, insaciável conquistador de mulheres que vive apenas o prazer do instante, e sente angústia se está apaixonado por uma mulher e teme não a conquistar. O desespero é posterior à angústia: é a frustração sobre algo que já não tem remédio ou que se esgotou. Ao cabo de conquistar e deixar centenas de mulheres, o Don Juan cai no desespero: afinal nada tem, o prazer efémero esvaiu-se. (VALE DOIS VALORES)

 

2-C) Espaço e tempo segundo Kant são as formas a priori da sensibilidade, as «paredes» desta. São ambos anteriores à matéria e aos objectos materiais (fenómenos) que se formam dentro do espaço ou sentido externo. Mas espaço e tempo são irreais, nada são fora do sujeito percipiente (idealismo transcendental de Kant). Segundo Einstein, existe o espaço-tempo é inseparável da matéria, não existe espaço vazio. O universo é esférico e fechado, os raios de luz descrevem curvas, ainda que possam circular infinitamente. O espaço-tempo é irregular, possui curvatura, não é plano e infinito como na geometria euclidiana,  encurva na proximidade de grandes massas de matéria, e este espaço-tempo é real em si mesmo, existe independentemente dos sujeitos (realismo ontológico). Em Einstein, o avanço do tempo (a «flecha do tempo», irreversível) seria ralentizado ou anulado à medida que um corpo viajasse a uma velocidade próxima da velocidade da luz ou mesmo atingisse esta. (VALE TRÊS VALORES).

 

 

3) Teleologia é a ciência ou o estudo das finalidades, das causas finais (télos aitía). No mundo sub-lunar, composto por 4 esferas concêntricas e imóveis- Terra, ao centro, água, ar e fogo - os corpos deslocam-se com a intenção de regressar à sua origem. Exemplo:se atirarmos ao ar uma pedra (para a esfera do ar) ela cai porque deseja voltar à Terra, sua origem. No mundo celeste, composto por 54 esferas de cristal, 7 delas com um planeta incrustado e as outras 47 com constelações de estrelas incrustadas , o movimento é circular, perfeito e começou assim: a última estrela, da última esfera, mais próxima de Deus viu Este, que é o pensamento puro e desejou alcançá-lo, iniciando um movimento de rotação da esfera. As outras estrelas e planetas imitaram-na no desejo de alcançar Deus, o télos deste movimento celeste. (VALE DOIS VALORES). O princípio da incerteza de Heisenberg é indeterminista: afirma que é impossível conhecer em simultâneo a posição e a velocidade de um electrão. O simples facto de observamos ao microscópio electrónico interfere com o fluxo de electrões em análise. (VALE DOIS VALORES). Para muitos astrónomos, os buracos negros do universo eram restos do núcleo de estrelas que colapsaram sobre si mesmas mas Hawkins e Penrose, discípulos de Einstein, concebem os buracos negros como singularidades, lugares onde as leis da física conhecidas deixam de funcionar, portas de entrada de outros universos. Isto é relativismo - a verdade científica varia de época a época de cientista a cientista (VALE DOIS VALORES). Em Kant, a causa-efeito é uma das 12 categorias ou conceitos puros do entendimento, não está na matéria, e a matéria é um conjunto de sensações, irreais em si mesmas, existentes na sensibilidade, que desapareceriam caso o nosso espírito se extinguisse.(VALE TRÊS VALORES).

 

 

 

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Terça-feira, 28 de Maio de 2013
Questionar a Heidegger: ¿la nada «es»lo mismo que el ser?

Heidegger establece diferencias entre el ente ( la piedra, el árbol, el hombre, etc) y el ser que «es el denominador común de todos los entes y, por tanto, lo más común». Escribió:

 

«Para que la nada esencie no hace falta, empero, en primer lugar el ente o un ente, como si la nada sólo esenciase a fondo cuando de antemano el ente fuese suprimido por entero. La nada no es sóla y primeramente resultado de una tal supresión. Hay la nada, sin detrimento de que el ente sea (...)»

«Ahora bien, si como es notorio la nada no es ningún ente, entonces tampoco puede decirse que ella «es». Sin embargo, «hay» la nada. (...)

«La nada no precisa del ente. Bien al contrario, la nada precisa del ser. De hecho, para el entendimiento habitual sigue siendo extraño y chocante que la nada necesite justamente del ser y que, sin el ser, tenga que seguir estando carente de esencia. Es más, quizás la nada sea incluso lo mismo que el ser. Pero la unicidad del ser nunca puede ser puesta en peligro por la nada, porque la nada no «es» algo distinto al ser, sino este mismo.» (Martin Heidegger, Conceptos fundamentales, curso del semestre de verano, Friburgo, 1941, paginas 90-91, Alianza Editorial, Madrid, 1999; el bold es puesto por mí).

 

Sin duda, la influencia de Hegel es visible en estos razonamientos de Heidegger: en el límite de la abstracción, el ser y el no ser son lo mismo, y eso se revela en la medida en que vamos despojando el ser de sus atributos («El ser no es hombre, ni piedra, ni ente viviente ni ente no viviente, es la nada, entonces, es lo mismo que el no ser»).

 

Nuestra crítica a estos pensamientos de Heidegger es: la nada es el no ser y no puede ser, eidologicamente, lo mismo que el ser, porque la nada desconstruye, abole todo, y el ser construye, interpenetra y enlaza todo. Son la misma unidad de contrarios, es decir, existen a la vez pero, en separado, no son lo mismo, sino distintos. ¿Que hay detrás del universo esférico y cerrado teorizado por Einstein, ¿que simboliza o encarna el ser, ahora comprendido no solo como existencia general sino como esencia general? La nada.

 

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Sexta-feira, 24 de Maio de 2013
Bertrand Russell ´s misconception about universals

In Middle Age, Sain Thomas of Aquin postulated five transcendentals, ie, five universal ideas or objective qualities which are present in everything: res, unum, aliquid, bonum, verum. For example: everything (a rose, a castel, a room, a country, a person, a philosophy, etc) is a one (unum), constitutes an unity. The transcendentals are universals but not all universals are transcendentals. In his book "The Problems of Philosophy", Bertrand Russell considers whitness as an universal. He wrote:

 

«We can think of an universal and our thinking then exists in a perfectly ordinary sense, like any other mental act. Suppose, for example, that we are thinking about whiteness. (...) In the strict sense, it is not whiteness that is in our mind, but the act of thinking of whiteness. (...)»

 

«We shall find it convenient only to speak of things existing when they are in time, that is to say, when we can point to some time at which they exist (not excluding the possibility of existing at all times), Thus thoughts and feelings, minds and physical objects exist. But universals do not exist in this sense; we shall say that they subsist or have being, where "being" is opposed to "existence" as being timeless. The world of universals, therefore, may be also described as the world of being. The world of being is unchangeable, rigid, exact, delightful for mathematicien, the logicien, the builder of metaphysical sistems, and all who love perfection more than life. The world of existence is fleeting, vague, without sharp boundaries, without any clear plan or arrangement, but it contains all thoughts and feelings, all the data of sense, all the physical objects, everything than can do good or harm, everything that makes any difference to the value of life and the world» (Bertrand Russell, «The problems of philosophy», page 56-57, Oxford University Press; the bold is put by me).

 

Russell clearly adopts the position of Plato: the universals are placed as essences in a supersensible world, out of the time. The position of Russell is contrary to dialectical thinking whereby one divides into two, ie, in this case, the universal exists simultaneously in the world of static being  and in the world of mental and material becoming. Russell argues that the universal property exists only in the world of static being. It is a misconception. Whiteness is an universal because it is present in every white physical objects and not because of being an archetype out of time and space. This criticism is from Aristotle.

 

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Segunda-feira, 20 de Maio de 2013
Russell´s misconception about the universal "relation north of"

In his book "The Problems of Philosophy", Bertrand Russell draws attention to the fact that the ancien philosophers  centered  the notion of universal ( for example: Man and Rose are universals) in substantives  and adjectives and despised the verbs and prepositions as universals. Russell wrote:

 

«Consider such a proposition as "Edinburgh is north of London". Here we have a relation between two places, and it seems plain that the relation subsists independently of our knowledge of it. (...) We may therefore now assume that it to be true that nothing mental is pressuposed in the fact that Edimburg is north of London. But this fact involves the relation "north of", which is a universal; and it would be impossible for the whole fact to involve nothing mental if the relation "north of", which is a constituent part of the fact, did involve anything mental. Hence, we must admit that the relation , like the terms it relates, is not dependent upon thought. but belongs to the independent world which thought apprehends but does not create.»

 

«This conclusion, however, is met by the difficulty that the relation "north of" does not seem to exist in the same sense in which Edinburgh and London exist. If we ask «Where and when does this relation exist?» the answer must be: "Nowhere and nowhen". There is no place or time  where we can find the relation "north of". It does not exist in Edinburgh any more than in London, for it relates the two and is neutral as between them. Nor can we say that exists at any particular time. Now everything that can be apprehended by the senses or by instrospection exists at some particular time. Hence, the relation "north of" is radically different from such things. It is neither in space nor in time, neither material nor mental; yet it is something» (Bertrand Russell, «The problems of philosophy», page 55-56, Oxford University Press; the bold is put by me).

 

Certainly, I agree with Russell when he says that the relation "north of" is an universal, although he sidesteps the fact that "north" means the position of the  polar star of the constellation Ursa Minor-  so "north" means an object in the space and the relation "north of" means being spatially closer to the pole star than something else (located further south).

 

Hence, Russell makes a mistake when he says that «There is no place or time  where we can find the relation "north of"». This thesis is refutable: this relation exists objectively in space and time, and in thought, so universals do not exist out of material world or of mental world. Where could they be? In a supersensible world as the one of the archetypes of Plato. Hence, "north of" should be an archetype.

  

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Quinta-feira, 16 de Maio de 2013
Russell an ordinary philosopher unable to understand Kant

 

The institutional philosophy is, in a great part, an optical illusion because it shows as "great philosophers" some that are just average. This is the case of Bertrand Russell who, shockingly, did not understand the idealism of Kant, like almost all academics. About Kant ´s theory, Russell wrote;

 

«The physical object, which he calls the "thing in itself", he regards as essentially unknowable; what can be known is the object as we have it in experience, which he calls the "phenomenon". The phenomenon, being a join product of us and the thing in itself, is sure to have those characteristics which are due to us, and is therefore sure to conform to our a priori knowledge.» (Bertrand Russell, «The problems of philosophy», page 48, Oxford University Press).

 

The great error of Russell was to suppose that matter resides on the thing in itself (ontological realism), ignoring that  Kant never sustained that the thing in itself, the noumena, is the physical or material object. About it, about matter, Kant wrote:

 

«The undetermined object of an empirical intuition, is called phenomenon. That which in phenomenon corresponds to sensation, I term it matter; but that which effects that the content of the phenomenon can be arranged under certain relations, I call its form. »(Kant, Critique of Pure Reason, page 21, Dover Publication Inc, New York).

«But time and space, with all phenomena therein, are not in themselves things. They are nothing but representations, and cannot exist out and apart of mind.» Kant, Critique of Pure Reason, page 278, Dover Publication Inc, New York; the bold is put by me).

 

This is exactly the same position of George Berkeley, ie, idealism: matter, phenomena,- ie, clouds, landscapes, houses, horses, human bodies and all empirical objects - are representations, are not real in themselves. Russell, Wittgenstein, Heidegger, Sartre, Nagel, Quine, Hessen and many others did not understand this: they thought that phenomena (fields, trees, buildings that we see and touch) are a  distorted image of physical objects (the real and hidden fields, trees, buildings, etc) but this misconception on kantism is critical realism, not transcendental idealism. They should meditate the Buddhist philosophy.

 

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Quarta-feira, 15 de Maio de 2013
Mistakes on Peter Van Inwagen

 

In his book « An Essay on Free Will», Peter Van Inwagen wrote:

 

«Despite the parallels i want to draw between the stars and the laws of nature, I want also to insist on an important difference between our powers with respect of these two classes of objects. It is quite conceivable that human power will grow to the extent that we shall one day be able to alter the stars in their courses. But we shall never be able to do anything about the laws of nature.» (Peter Van Inwagen «An Essay on Free Will», page 61; the bold is put by me). 

 

There are some mistakes on these thoughts of Van Ingwagen. First, laws of nature are not objects but processes, ie, links between objects, functioning of these. Second, if we alter the stars in their courses we alter some laws of nature because the movement of a star is a particular law of nature.

 

This is an example of shallowness of analytic philosophy.

 

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A ontofonética autoriza predizer o resultado da final Benfica-Chelsea?

 

Será a ontofonética uma hermenêutica capaz de decifrar o futuro imediato e o presente? Não, segundo o racionalismo estreito. Sim segundo o racionalismo aberto, holístico, que perfilho. A imaginação ligada a factos concretos, empíricos, desempenha neste um papel importante.

 

HIPÓTESES SOBRE O JOGO BENFICA-CHELSEA

Hoje, 15 de Maio de 2013, o papa Francisco soltou duas pombas brancas de uma gaiola que lhe ofereceram, na praça de São Pedro, . Por analogia (discutível) entre pomba e águia, ambas aves, o Benfica, clube da Águia, deverá marcar dois golos ao Chelsea no jogo de hoje.
Por outro lado, ao descer em direcção à rua de Lisboa, a pé, na cidade de Beja, passei, neste 15 de Maio, junto a uma vivenda que tem no muro uma águia em cerâmica com a asa esquerda cortada. Isso poderá, imaginariamente, significar um golo do Chelsea. Assim, segundo a imaginação que correlaciona, o resultado poderá ser Benfica 2, Chelsea 1

 

«CÉSAR DEVE MORRER» EM BEJA: CHELSEA DEVE «MORRER» EM AMSTERDAM?

 

Em 14 de Maio de 2013, o teatro Pax Júlia em Beja exibiu, em sessão única o filme italiano «CÉSAR deve morrer», título que sugere «CHELSEA deve morrer». Sendo Beja um barómetro do mundo, quererá isto dizer, que hoje, 15 de Maio, o CHELSEA será derrotado pelo Benfica na final da Liga Europa? Dentro de quatro horas saberemos a resposta.

 

PS- Se é professor ou estudante de filosofia, história, astrologia ou demais ciências, porque não começa a compreender os movimentos planetários e a astrologia histórico-social e libertar-se da crucial ignorância a que o votaram nessa matéria? Adquira na nossa loja online www.astrologyandaccidents.com as nossas obras «Álvaro Cunhal e Antifascismo na Astrologia Histórica», recentemente lançada, «Os acidentes em Lisboa na Astronomia-Astrologia» e outras que lhe fornecem conhecimentos que em nenhum outro lado pode encontrar. É tempo de ser culto e profundo! Pense por si, sem receio dos clichés dominantes.

 

 

 

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Segunda-feira, 13 de Maio de 2013
Graus 26º-28º de Touro e acidentes com autocarros escolares

Uma das leis que presidem, ao menos aparentemente, a acidentes com autocarros escolares é a seguinte: a passagem do Sol, de um planeta ou nodo da Lua na área 26º-28º do signo de Touro é condição necessária mas insuficiente para provocar um acidente com autocarro escolar em Portugal.

 

Exemplos: em 17 de Fevereiro de 1994, com Nodo Norte da Lua em 28º 13´ de Touro, uma carrinha escolar é colhida por uma automotora numa passagem de nível sem guarda em São Marcos da Serra, Silves, morrendo o motorista e cinco crianças e ficando outras dez feridas; em 17 de Maio 2012, com Sol em 26º 29´/ 27º 27´ de Touro, um automóvel Mercedes despista-se na EN 103, no lugar da Choqueira, em Louredo, Vieira do Minho, colide frontalmente com um autocarro da Escola Secundária Padre Benjamim Salgado, em Joane, Famalicão, que transportava 50 alunos em visita de estudo, e provoca a morte de três ocupantes do veículo ligeiro; em 31 de Março de 2004, com Vénus em 26º 31´ / 27º 30´ de Touro, na EN9, no lugar de Mata, Vila Franca de Xira, um mini-autocarro é embatido por um automóvel e colide com um camião, ficando feridas 15 crianças menores de 12 anos; em 26 de Outubro de 2012, com Nodo Sul da Lua em 26º 14´ / 26º 10´ de Touro, por volta das 17h35, uma colisão entre um autocarro escolar e um veículo ligeiro de passageiros numa curva junto ao viaduto da A23 (Guarda/Torres Novas), na estrada municipal 530, que liga as localidades de Sequeira e Casal de Cinza, Guarda, mata uma mulher de cerca de 40 anos e faz quatro feridos, um deles uma criança que viajava no autocarro.

 

Eis as próximas datas, neste Maio de 2013, em que planetas deslizam em 26º-28º de Touro, elevando o risco de acidentes com autocarros escolares : 14 e 15 de Maio (Mercúrio), 17 a 19 de Maio (Sol), 25 a 30 de Maio (Marte).

 

A isto chama-se astrologia histórico-social, nascida do cruzamento da história humana com a astronomia. Irrefutável, nestes termos

 

.PS- Se é professor ou estudante de filosofia, história, astrologia ou demais ciências, porque não começa a compreender os movimentos planetários e a astrologia histórico-social e libertar-se da crucial ignorância a que o votaram nessa matéria? Adquira na nossa loja online www.astrologyandaccidents.com as nossas obras «Álvaro Cunhal e Antifascismo na Astrologia Histórica», recentemente lançada, «Os acidentes em Lisboa na Astronomia-Astrologia» e outras que lhe fornecem conhecimentos que em nenhum outro lado pode encontrar. É tempo de ser culto e profundo! Pense por si, sem receio dos clichés dominantes.

 

 

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Quarta-feira, 8 de Maio de 2013
A ausência de planetas em Caranguejo, em 19 de Maio de 2013, impedirá o Benfica de ser campeão da Liga Zon Sagres?

Nos últimos 28 anos, os triunfos do Benfica como vencedor do campeonato nacional da 1ª Divisão ou da Liga Zon Sagres fizeram-se acompanhar da presença de um planeta ou Nodo da Lua no signo de Caranguejo, isto é, no arco de 90 a 120º do Zodíaco ou faixa circular de 12 signos que preenche como uma coroa o céu visível e invisível, na última jornada da competição.

 

Eis os exemplos: em 31 de Maio de 1987, com Mercúrio em 1º 9´/ 2º 31´ de Caranguejo, Marte em 6º 25´/ 7º 4´ de Caranguejo, o Benfica empata 0-0 com o Braga e sagra-se campeão nacional com 48 pontos em 30 jornadas, mais dois que o Porto, segundo classificado; em 21 de Maio de 1989, com Marte em 13º 30´ / 14º 7´ de Caranguejo, o Benfica empata 2-2 com o Boavista e sagra-se campeão nacional com 63 pontos mais sete que o FC Porto;em 19 de Maio de 1991, com Vénus em 11º 0´/ 12º 5´ de Caranguejo, Marte em 25º 38´/ 26º 12´ de Caranguejo, o Benfica vence por 3-0 o Beira-Mar e sagra-se campeão nacional de futebol com 69  pontos, mais 2 que o FC Porto, segundo classificado; em 2 de Junho de 1994, com Mercúrio em 4º 5´ / 4º 51´ de Caranguejo, Vénus em 14º 16´/ 15º 27´ de Caranguejo, o Benfica perde 0-1 com o Boavista, e sagra-se campeão nacional de futebol com 54 pontos, mais 2 que o FC Porto, segundo classificado; em 22 de Maio de 2005, com  Saturno em 23º 32´/ 23º 38´ de Caranguejo, o Benfica empata 1-1 com o Boavista, no Bessa, e sagra-se campeão nacional com 65 pontos, mais 3 que o FC Porto, segundo classificado;  em 9 de Maio de 2010, com Nodo Sul da Lua em 13º 38´/ 13º 31´ de Caranguejo, o Benfica vence o Rio Ave por 2-1 e sagra-se campeão nacional com 76 pontos em 30 jornadas, mais 5 pontos que o Braga.

 

Desta regularidade astronómica, é possível inferir categoricamente se o Benfica não vai ganhar a Liga Zon dentro de 11 dias, em 19 de Maio de 2013? Não, porque há excepções.

 

Em 19 de Maio de 2013, com Mercúrio em 6º 44´ / 8º 51´ de Gémeos, Vénus em 11º 31´/ 12º 44´ de Gémeos, Júpiter em 21º 20´/ 21º 31´de Gémeos - e nenhum planeta em Caranguejo - finaliza o campeonato da Liga Zon Sagres. Não é a regra a que estamos habituados nos triunfos finais do Benfica. Será o FC Porto o vencedor? 

 

JÚPITER NO SIGNO DE GÉMEOS: FAVORÁVEL AO BENFICA?

 

A posição de Júpiter no signo de Gémeos, em Maio de 2013,  influi - não sabemos se de forma decisiva, se de forma não decisiva - na determinação do vencedor da Liga Zon Sagres.

 

Que dizem os exemplos históricos?

 

Em 27 de Maio de 2001, com Júpiter em 19º 15´/ 19º 29´ de Gémeos, o Boavista é derrotado por 0-4 pelo FC Porto mas sagra-se campeão nacional com 77 pontos em 34 jornadas, mais 1 que o Porto; em 21 de Maio de 1989, com Júpiter em 14º 2´ / 14º 16´ de Gémeos,  o Benfica empata 2-2 com o Boavista e sagra-se campeão nacional com 63 pontos mais sete que o FC Porto;  em 29 de Maio de 1977, com Júpiter em 12º 10´/ 12º 23´ de Gémeos, o Benfica vence por 2-0 o Atlético e sagra-se campeão nacional com 51 pontos, mais nove que o Sporting, segundo classificado;em 9 de Maio de 1965, com Júpiter em 3º 42´/ 3º 56´ de Gémeos, o Benfica vence por 2-1 o Guimarães e sagra-se campeão nacional com 43 pontos, mais seis que o FC Porto, segundo classificado.

 

Desde 1940, pelo menos, até ao presente, o FC Porto nunca venceu um campeonato nacional com Júpiter no signo de Gémeos - posição que Júpiter ocupa  durante um ano em cada doze -  o Benfica venceu três e o Boavista, clube do Porto, um. Se nos fiarmos na estatística, a vitória em 19 de Maio de 2013, poderá ser do Benfica. Os exemplos são escassos, como é óbvio.

 

O ENIGMA DE MARTE E VÉNUS NO GRAU 21º DE TOURO

 

Em 2 de Maio de 2013, com Vénus em 20º 37´/ 21º 50´ de Touro, o Benfica vence o Fenerbache da Turquia por 3-1 e acede à final daLiga Europa.

 

Em 19 de Maio de 2013, com Marte em 21º 2´ / 21º 46´ de Touro, finaliza a Liga Zon Sagres, com os jogos Benfica-Moreirense e Paços de Ferreira-Porto.

 

Muitas vezes, Marte produz um efeito contrário a Vénus. Se essa regra vigorar, o Benfica experimentará o fel do desaire na última jornada.

 

Outra curiosidade: em 20 de Março de 2012, com Vénus em 15º 36´/ 16º 36´ de Touro, o Benfica vence por 3-2 o Porto e elimina-o na meia final da Taça da Liga; em 11 de Maio de 2013, com Marte em 15º 12´/ 15º 56´ de Touro, o Porto recebe o Benfica no estádio do Dragão...

 

 

MERCÚRIO RETRÓGRADO NO PERÍODO DE DERROTAS OU EMPATES DO PORTO, EM MARÇO DE 2013

 

Por outro lado, o período de perda de pontos do FC Porto de 2 a  17 de Março de 2013 coincide com um movimento retrógrado (aparente) de Mercúrio no Zodíaco:

 

Em 2 de Março de 2013, com Mercúrio retrógrado em 16º 35´/ 15º 39´ de Peixes, o FC Porto perde 2 pontos face ao Benfica ao empatar 0-0 com o Sporting em Alvalade, ao passo que o Benfica vence por 1-0 o Beira-Mar em Aveiro; em 14 de Março de 2013, com  Mercúrio retrógrado em 6º 24´/ 6º 3´ de Peixes, o Málaga vence por 2-0 o FC Porto, eliminando este da Liga de Campeões; em 17 de Março de 2013, com Mercúrio, retrógrado, em 5º 40´/ 5º 38´ de Peixes, o FC Porto fica a quatro pontos do Benfica, primeiro classificado, ao empatar no Funchal 1-1 com o Marítimo ao passo que o Benfica vence o Guimarães por 4-0.

 

Ora neste mês de Maio de 2013, Mercúrio não executa movimentos retrógrados: entre 11 e 20 de Maio, por exemplo, progride de 19º de Touro a 8º de Gémeos. Favorável ao FC Porto? Creio que sim. E se juntar a isto o trânsito de Quirón em 13º de Peixes neste Maio -  um grau por excelência vinculado a grandes manifestações políticas populares na cidade do Porto, como o 13 de Fevereiro de 1919 (restauração da República no Porto) e o 14 de Maio de 1958 (aclamação do general Delgado, candidato presidencial antifascista, nas ruas do Porto)  - parece-me difícil que o principal clube de futebol da cidade fique de mãos a abanar sem conquistar o título de campeão.

 

HORÓSCOPOS PESSOAIS E O GRAU 18 DE TOURO

 

Passarei a uma breve análise das datas de nascimento de treinadores e dirigentes, análise muito limitada por ignorar a hora de nascimento (horóscopo, observação do céu em dada hora) deles.

 

Jorge Jesus nasceu em 24 de Julho de 1954, com Quiron entre 25º 29´ e 25º 32´ de Capricórnio. Em 9 de Maio de 2010, Júpiter passou em 25º 28´/ 25º 32´ de Peixes, formando 60º exactos àquela posição de Quiron e, nesse dia, o Benfica terminou, vitorioso, o campeonato da Liga Zon Sagres. Bate certo o facto real com a interpretação astrológica.

 

 Luís Filipe Vieira nasceu a 22 de Junho de 1949, com Marte entre 8º 29´ e 9º 11´de Gémeos.

 

Em 19 de Maio de 2013, Mercúrio estará a passar entre 6º 44´e 8º 50´ de Gémeos, sobre esse Marte de nascimento o que, na minha interpretação, é uma conjunção de efeito negativo para Filipe Vieira. Perderá o Benfica o título de campeão da Liga?

 

Rafael Benítez, treinador do Chelsea, nasceu a 16 de Abril de 1960, com Saturno em 18º 19´/ 18º 20´ de Capricórnio. Em 15 de Maio de 2013, Marte em 18º de Touro, fará um ângulo de 120º exacto àquela posição de Saturno. Parece-me que isso poderá significar derrota do Chelsea frente ao Benfica, em Amsterdam, mas não é uma previsão segura.

 

O grau 18 do signo de Touro parece indicar que estava predestinado o jogo Benfica-Chelsea para 15 de Maio de 2013, dia em que Marte está em 18º 8´ / 18º 51´ de Touro: em 30 de Abril de 2005, com Vénus em 17º 30´/ 18º 42´ de Touro, o Chelsea sagra-se campeão de futebol inglês após vencer o Bolton por 2-0; em 9 de Maio de 2010, com Sol em 18º 16´/ 19º 14´ de Touro, finaliza a Liga Zon Sagres com o Benfica como vencedor; em 19 de Maio de 2012, com Mercúrio em 18º 28´/ 20º 31´ de Touro, o Chelsea vence a Taça dos campeões europeus ao derrotar o Bayern de Munique por 4-3 em grandes penalidades (1-1 no tempo regulamentar).

 

 

A astrologia histórico-social assenta na investigação empírica dos factos históricos, ao contrário da astrologia comercial e «esotérica» que domina os media: descobre leis, por indução, leis que contêm excepções. Paul Feyerabend levaria muito a sério esta investigação e a veracidade da astrologia histórica que desenvolvo, contrariamente ao cretinismo anti-astrologia reinante entre os cientistas, os filósofos, os historiadores e professores de filosofia e história, cujas mentes carecem de visão holística, de saber conteudal, de agilidade intelectual e precisão de análise.

 

As universidades, hoje, nesta época de saberes especializados dentro do caos cultural, são instituições tão estúpidas que proibem a investigação da astrologia histórica no seu seio e a aprovação de cursos, mestrados e doutoramentos nessa área.  Isto aplica-se quer à universidade burguesa tradicional, quer à universidade marxista fechada num bronco materialismo histórico de tonalidade messiânica, quer à universidade teocrática, que pode admitir a existência do Destino, mas não autoriza que o homem o decifre por meios astronómico-astrológicos.

 

Esta recusa da verdade astronómico-astrológica ou histórico-astronómica deve-se, em parte, à estupidez inata de muitos catedráticos, em parte, à corrupção em que vivem com o estatuto de «detentores da cúpula do saber humanístico e científico», posição que lhes propicia salários elevados e poder político e mediático de que não querem abdicar.

 

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Terça-feira, 7 de Maio de 2013
Equívocos no manual «Essencial, Filosofia 10º ano» da Santilhana Constância (Crítica de Manuais Escolares -LIII)

O manual da Santilhana «Essencial Filosofia 10º ano» de Amândio Fontoura e Mafalda Afonso, tendo como consultora científica Custódia Martins , contém alguns erros teóricos, sem embargo de ser o mais barato no mercado português, de estar repleto de textos substanciais de filósofos consagrados e de não conter as quase sempre falaciosas perguntas de resposta de escolha múltipla que são apanágio dos superficiais.

 

O DETERMINISMO NÃO NEGA NECESSARIAMENTE A LIBERDADE DO HOMEM, LIMITA-A E FAVORECE-A

 

Afirma o manual:

 

«O determinismo nega veementemente a liberdade do homem, como se tudo estivesse organizado em torno de leis físicas e imutáveis. Defende que se o Homem está inserido num mundo físico, sujeito a leis e a relações de causa-efeito, não é excepção e dificilmente lhe consegue escapar e exercer livremente a sua vontade. Sugere mesmo que se o homem tem a aparente ilusão de que age livremente, tal deve-se somente ao facto de ainda não ter sido possível descobrir todas as leis que regem os vários níveis da realidade.» (Amândio Fontoura e Mafalda Afonso«Essencial Filosofia 10º ano», página 92, Santilhana Constância; o destaque a negrito é de minha autoria).


Ora, o determinismo biofísico não nega veementemente a liberdade do homem: a extensão do determinismo ao foro psico-espiritual humano das deliberações e decisões é que nega a liberdade humana. Certamente, determinismo e livre-arbítrio são contrários, mas compatíveis no ser humano e na relação entre este e a natureza biofísica circundante.

 

 O determinismo biofísico limita a liberdade humana - exemplo : «Não posso saltar em queda livre do terraço deste edifício de nove andares porque morreria segundo o determinismo da lei da gravidade e da fragilidade do corpo humano, sou obrigado a descer pelas escadas» - mas ao mesmo tempo favorece-a - exemplo: «Conheço a lei biológica, o determinismo que distingue os cogumelos venenosos  dos cogumelos comestíveis e selecciono estes últimos para confecionar o meu almoço».

Este manual, de modo similar a outros, não dá a única definição coerente e clara de determinismo: princípio segundo o qual nas mesmas circunstâncias, as mesmas causas produzem sempre os mesmos efeitos.

 

CONFUSÕES SOBRE FACTOS E VALORES

 

«Os valores são uma realidade diferente dos factos, acontecimentos objectivos que ocorrem diante de nós. Os factos incluem três categorias: a dos objectos, a dos acontecimentos e a dos seres. Um facto é tudo aquilo que é objectivo, quantificável e verificável. .Por exemplo: o telemóvel é um facto (objecto); o concerto de uma banda é um facto (acontecimento) e o Mosteiro da Batalha é um facto (ser). » (Amândio Foutoura e Mafalda Afonso, ibid, pág. 113) 

 

Perguntemo-nos, antes de mais, por que razão o telemóvel é designado por" objecto" e o mosteiro da Batalha por "ser". Acaso, o objecto não é um "ser"? Acaso o telemóvel não é um "ser" (melhor: um ente)? Acaso o mosteiro da Batalha não é um objecto de pedra esculpida? Há uma certa nebulosidade nesta distinção  conceptual.

 

UMA DISCUTÍVEL CLASSIFICAÇÃO DOS VALORES

 

Na página em que se refere à hierarquia de valores estabelecida por Max Scheler, afirmam os autores do manual:

 

«Podemos dizer que existem os seguintes valores:

 

infra-humanos -os valores da sensibilidade, como o agradável e o prazer, e os valores biológicos, como a saúde.

 

humanos - os valores eudemónicos, como a felicidade, e os valores económicos, como a prosperidade

 

espirituais - os valores noéticos, como a verdade, os valores estéticos, como a beleza, ou os valores sociais, como a coesão.» (Amândio Fontoura, Mafalda Afonso, ibid, pag. 116)

 

Há nesta hierarquia, uma grande confusão. Por que razão a saúde é um valor infra-humano e a riqueza económica um valor humano? Não deveriam trocar de posição, ficando a saúde acima do poderio económico? É óbvio que deviam. A saúde é um valor humano e, na hierarquia de valores de Scheler, figura no segundo nível, a modalidade ou esfera dos valores vitais. O termo «valores eudemónicos» não parece adequado ao segundo nível que Amândio Fontoura e Mafalda Afonso nos propõem, nível que designam por "valores humanos", porque a eudaimonia é, no sentido aristotélico, a felicidade atingida pelo filósofo e por todo o homem que vive em paz psicológica, devendo, por isso, ser considerada um valor espiritual, superior.

 

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