Sábado, 29 de Setembro de 2012
A filosofia analítica não analisa bem o relativismo

 

Os filósofos analíticos, como Peter Singer ou John Searle, interpretam relativismo como relativismo transformado em cepticismo. O erro está espalhado universalmente. Assim se considera que «os relativistas não podem dizer, em coerência, que a cultura agnóstica europeia é superior à cultura islâmica ou a qualquer outra nem vice versa». E as provas de exame aos alunos do 11º ano de escolaridade reproduzem este paralogismo.

 

Eis o paradoxo: a filosofia analítica não analisa com clareza. Confunde o relativismo, doutrina segundo a qual os valores éticos, estéticos, científicos, políticos, religiosos, etc, variam de sociedade a sociedade ou de classe a classe social, com o cepticismo, doutrina que nada afirma, duvida. São duas posições diferentes. Uma não leva necessariamente à outra. Há relativistas não cépticos, de um dogmatismo diferenciador. Por exemplo: «Os valores éticos, políticos e religiosos variam de sociedade a sociedade, considero que os meus valores políticos europeus de democracia liberal, laicismo, são superiores aos valores políticos não europeus do fundamentalismo religioso, sou relativista, a maior parte da verdade está comigo e só uma pequena parte da verdade se aloja no fundamentalismo como, por exemplo, a assistência aos pobres e aos doentes.»  

 

Nós pensamos dialeticamente. Há três géneros - relativismo, cepticismo e dogmatismo - e intersectam-se da seguinte forma: o do meio, isto é, o relativismo engloba ou «argola» parte do cepticismo e parte do dogmatismo diferenciador. Os filósofos analíticos reduzem o relativismo ao cepticismo: confundem  o tronco do animal com a cauda. Só vêem um dos lados.

 

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Domingo, 23 de Setembro de 2012
Questionar Luis Rodrigues: A ética não é filosofia da acção? (Crítica de manuais escolares- XLII)

 

Hierarquizar géneros e espécies, de forma correcta, não é apanágio da generalidade dos filósofos, nem da generalidade dos autores de manuais escolares, em particular dos intelectualmente míopes da «filosofia analítica». No seu manual escolar «Filosofia, 10º ano», Luís Rodrigues, estabelece a seguinte divisão dos campos da filosofia:

 

«1.2. Se há vários problemas filosóficos, há várias disciplinas filosóficas?

A resposta é sim. Cada disciplina filosófica tem os seus problemas específicos, embora haja problemas que podem interessar a mais do que uma área de filosofia. (...) Desde já, damos-lhe uma ajuda nomeando algumas disciplinas filosóficas importantes e os seus problemas fundamentais (..)

 

Filosofia da acção.

Disciplina cujo objecto de estudo é a acção, estudando o papel das crenças, dos motivos, das preferências e das intenções das nossas acções. (...)

 

 

Filosofia dos valores

Disciplina cujo objecto de estudo é a natureza dos valores. Eis algumas das suas questões. O que são valores? São objectivos ou subjectivos? (...).

 

Ética ou filosofia moral

Disciplina que procura responder ao problema de saber como devemos viver. Esta questão é habitualmente dividida em duas questões menos gerais: 1) Como distinguir uma acção correcta de uma moralmente incorrecta? . 2) O que devemos fazer da nossa vida para a tornar boa e valiosa? (...)

 

Filosofia da religião

(...)

 

Estética

(...)

 

Filosofia política

(...)

 

Filosofia do direito.

(...)

 

Filosofia do conhecimento.

(...)

 

Metafísica.

(....)

 

(Luís Rodrigues, Filosofia 10º ano, 1º volume, páginas 15-18, Plátano Editora).

 

Há erros nesta hierarquização. A ética é uma espécie dentro dos géneros filosofia da acção e filosofia da contemplação ou conhecimento puramente intelectual. E a ética é também um compartimento - uma espécie - dentro da casa que é a filosofia dos valores - um género. Não podem pois pôr-se no mesmo plano horizontal, ética e filosofia dos valores, ética e filosofia da acção como o faz Luís Rodrigues. É confusão de níveis. E qual é a relação entre filosofia dos valores e filosofia da acção? Qual se encontra, dialeticamente falando, mais elevada? Nada disto é esclarecido nesta enumeração simplista.

 

O pensamento dialético, de que Heráclito é formalmente o introdutor na filosofia ocidental antiga, a dialética que Platão anunciou e da qual se afastou não poucas  vezes, o pensamento dialético de que Aristóteles foi o maior representante na Antiguidade clássica ocidental, é ignorado. As mentes "analíticas" das universidades e liceus do nosso tempo limitam-se a compartimentar, de forma atabalhoada, os conceitos, e carecem da perspectiva angular do todo.

 

  

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Segunda-feira, 17 de Setembro de 2012
A incompreensão de Eduardo Lourenço sobre a luta de contrários na dialética de Hegel

 

Eduardo Lourenço, prémio Pessoa, esforçou-se por refutar a dialética de Hegel. Citou a seguinte passagem do filósofo alemão do século XIX:

 

«É ele mesmo que é preciso interrogar: o que é isto? Tomemo-lo sob o duplo aspecto do seu ser como agora e aqui, e então a dialética tomará uma forma tão inteligível como o mesmo isto. Á questão: o que é agora? Nós respondemos, por exemplo: o agora é a noite. Para experimentar a verdade desta certeza sensível uma qualquer experiência será suficiente. Notemos por escrito essa verdade; uma verdade não perde nada em ser escrita e tão pouco em ser conservada. Vejamos, entretanto, ao meio-dia essa verdade escrita: devemos dizer então que ela desapareceu. O agora que é a noite é conservado, quer dizer que é tratado como aquilo que se fez passar como um sendo; mas ele demonstra-se como um não sendo.» (Hegel, Fenomenologia, pag 206 citado em Eduardo Lourenço, Obras Completas, I, Heterodoxias, pag 123, Fundação Calouste Gulbenkian).

 

E prossegue Eduardo Lourenço na crítica a esta passagem de Hegel:

 

«Traduzamos a fraseologia para linguagem corrente. Hegel atribui à certeza sensível um conteúdo situado ou no tempo ou no espaço. Um instante decorrido ou uma mudança de situação ou perspetiva e o conteúdo da certeza sensível não é o que era, mas outro. Esse facto exprime realmente a dialética imanente ao ser sensível, mas por que motivo Hegel conclui de uma passagem de algo a outra coisa, como sendo a passagem de duas coisas contrárias?  Pelo facto de não serem idênticos, segue-se que sejam contrários?  Do sendo que era a primeira determinação do agora, como concluir necessariamente para o agora como não sendo? Não se vê nesta dialética nada que exprima um modo de verdade, uma determinação do absoluto

 

«A contrariedade absoluta não se manifestou. Antes pelo contrário: algo permanece que permite pensar o movimento da noite ao dia e é o agora.

«Contudo, o movimento descrito por Hegel não contém a ideia do contraditório e de facto não o é. A razão está em que esse movimento de pensamento que parece ser ele mesmo como mediação, o absoluto da unidade sintética dos opostos, só existe em função dessa ideia de absoluto. Esse é o segredo da dialética. O absoluto não é nem a construção da síntese nem o seu fim mas o seu pressuposto. O sendo do agora não passa a puro não sendo mas precisamente a não sendo do agora, o absoluto do agora (absoluto relativamente a esse sistema) participando simultaneamente das duas determinações. Mas não se vê como se possam chamar contrárias tais determinações nem como se possam mediar por si.»Eduardo Lourenço, Obras Completas, I, Heterodoxias, pag 123, Fundação Calouste Gulbenkian; o destaque a negrito é posto por mim).

 

Eduardo Lourenço diz que, na passagem do dia à noite,a contrariedade absoluta não se manifestou. Isto é obviamente falso: o dia elimina a noite, enquanto céu de plena luz solar o dia é um contrário absoluto da noite. Não podem coexistir no mesmo lugar geográfico: se a luz do dia surge, a escuridão da noite desaparece. Logo o anoitecer ou o amanhecer descritos por Hegel contêm as ideias do contraditório e do contrário. Eduardo Lourenço, que não parece dominar a diferença entre contrário (exemplo: fogo e água são contrários) e contraditório (por exemplo: 7 e 9 são contraditórios mas não contrários) estabelecida por Aristóteles, confunde estes dois conceitos. Não percebe, sequer, que o intermédio (por exemplo: o lusco-fusco) é contraditório com cada um dos contrários que medeia (no caso: a noite e o dia luminoso).

 

Ao contrário do que sustenta Lourenço, Hegel tem razão se postula que o sendo do agora passa a puro não sendo: o dia, a esta hora, vai passar a noite dentro de algumas horas. O não sendo do agora é o passado e o futuro. O ser do dia de luz é o não ser da noite. E essa contrariedade manifesta-se dentro do agora - o que Eduardo Lourenço não intui - porque, neste instante, há regiões do globo terrestre onde é noite e outras onde é dia de luz solar.

 

Por isso a frase «O sendo do agora não passa a puro não sendo mas precisamente a não sendo do agora» é absolutamente confusa e vaga: o sendo do agora - por exemplo, o verão de 2012 -  passa a não sendo (não verão de 2012: outono, inverno) mas, no sentido formal, o sendo do agora como estrutura vazia nunca passa a não sendo do agora.  Porque o agora é uma dimensão do Absoluto dentro da qual corre o filme do Relativo.

 

O que Eduardo Lourenço não distingue, porque lhe falta a argúcia dialética, é os dois sentidos do sendo agora: o sentido formal e o sentido conteudal. Formalmente, o agora é imutavel, é o presente eterno e não muda: os seus contrários são o passado e o futuro. 

Em conteúdo, o agora está a mudar a cada instante: ora é dia, ora é lusco fusco, ora é noite. O dia é contrário à noite - o dia transforma-se em noite, os contrários transformam-se um no outro, é o que Hegel afirma. E nessa transformação, há a conservação do vencido ou dominado sob a auréola do vencedor ou dominante: o dia conserva, de facto, algumas coisas da noite, como por exemplo, o facto de a Lua se ver a certas horas de luz diurna. A mediação é o lusco fusco - o momento em que a sombra e a luz se igualam e o sol se oculta no horizonte ou desponta neste. A contrariedade e a contradição (toda a diferença é uma contradição) são as bases da dialética.  

 

Com a sua retórica abstracta, isenta de clareza, sem exemplos concretos, e a sua visão unilateral, católica estática, de que o Absoluto não pode manifestar-se através da luta de contrários mediada por intermédios, Eduardo Lourenço não conseguiu, nem de perto nem de longe, refutar a dialética de Hegel.


 

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Domingo, 9 de Setembro de 2012
O ciclo de 12 anos de Júpiter determina a política em Portugal (II parte )

  

Também o ciclo de 12 anos de Júpiter nos últimos 120º do Zodíaco - equivalentes a quatro signos ou arcos de 30º de longitude cada um: Sagitário, Capricórnio, Aquário e Peixes - evidencia leis astronómico-políticas em Portugal.

 

JÚPITER EM SAGITÁRIO:

VITÓRIAS DO PARTIDO SOCIALISTA EM 1983 E 1995, FAVORÁVEL À ESQUERDA OU A UM BLOCO CENTRAL

 

A passagem de Júpiter, durante cerca de um ano em cada 12 anos, no signo de Sagitário (240º a 270º de longitude eclíptica) favorece, em regra, o PS e a esquerda portuguesa e, por vezes, um bloco central que aglutina direitas e esquerdas muito moderadas.

 

Em 25 de Abril de 1983, com Júpiter em 9º do signo de Sagitário, o PS de Mário Soares ganha com maioria relativa as eleições legislativas em Portugal, pondo fim à governação da Aliança Democrática PSD-CDS-PPM que o líder do PSD e membro do grupo de Bilderberg Francisco Pinto Balsemão presidira desde o assassínio à bomba de Sá Carneiro e Amaro da Costa em avião, em 4 de Dezembro de 1980.

 

Em 1 de Outubro de 1995, com Júpiter em 10º do signo de Sagitário, o PS de António Guterres vence as eleições legislativas em Portugal, pondo fim a 10 anos de governação do PSD, 8 dos quais com maioria absoluta no parlamento, com Cavaco Silva a primeiro-ministro.

 

Algumas curiosidades sobre a passagem de Júpiter em Sagitário que não permitem, contudo induzir que, em todos os casos é favorável às esquerdas, são:

 

Em 7 de Janeiro de 1355, com Júpiter em 13º do signo de Sagitário, no Paço de Santa Clara, em Coimbra, Inês de Castro, galega, esposa do príncipe D. Pedro, é apunhalada mortalmente por Pero Coelho, Diogo Lopes Pacheco e Álvaro Gonçalves, na presença do sogro, o rei Afonso IV.

 

Em 21 de Agosto de 1485, com Júpiter em 0º do signo de Sagitário, com a ajuda de alguns cortesãos, no Paço de Palmela, o rei D. João II apunhala mortalmente o seu primo D.Diogo, duque de Viseu e de Beja, que conspirara para matar, na praia, o rei que levava a cabo o cerceamento dos privilégios da alta nobreza e da casa de Bragança.

 

Em 8 de Junho de 1663, com Júpiter em 9º de Sagitário, nos campos do Ameixial, junto a Estremoz, um exército português de 22.000 homens comandados pelos condes de Vila Flor e Schomberg derrota em combate um exército espanhol de 26.000 homens chefiado por D.João de Austria e põe fim a uma perigosa incursão militar espanhola na guerra da Restauração.

 

Em 4 de Setembro de 1865, com Júpiter em 19º do signo de Sagitário, no contexto de uma terrível crise financeira, toma posse o governo monárquico da «fusão», uma coligação entre a ala esquerda dos Regeneradores (direita política) e a ala direita do Partido Histórico (centro-esquerda), de modo a eliminar os radicalismos de direita e de esquerda.

 

Em 22 de Novembro de 1924, com Júpiter em 24 º do signo de Sagitário, toma posse o governo republicano radical, chefiado por José Domingues dos Santos, da «Esquerda democrática», último impulso da esquerda republicana para salvar a República democrática, divorciada das massas operárias e do exército no qual a conspiração de direita vai crescendo, ao serviço da alta finança e do latifúndio.

 

Em 16 de Fevereiro de 1936, com Júpiter em 20º do signo de Sagitário, a Frente Popular republicana de esquerda e socialista, vence as eleições legislativas na II República Espanhola, o que assusta as direitas e predispõe estas à guerra civil.

 

Em 3 de Janeiro de 1960, com Júpiter em 19º do signo de Sagitário, dez funcionários do Partido Comunista Português, entre eles os mais altos dirigentes Álvaro Cunhal e Francisco Martins Rodrigues, evadem-se do forte-prisão de Peniche, onde cumpriam longas penas por actividades contra o fascismo de Salazar.

 

Em 9 de Junho de 1983, com Júpiter em 4º de Sagitário, toma posse o 9º governo constitucional, de bloco central PS-PSD, chefiado por Mário Soares e Mota Pinto, visando salvar a economia do país com recurso ao Fundo Monetário Internacional.

 

Outras datas significativas do trânsito de Júpiter em Sagitário conexionam-se com crises de confiança no sistema bancário:

 

Em 27 de Novembro de 1912, com Júpiter em 21º de Sagitário, há uma corrida a levantar os depósitos bancários na Europa Ocidental e Central.

 

Em Agosto de 2007, com Júpiter em 9º-10º de Sagitário, começa a pior crise financeira das últimas décadas, resultante de empréstimos de alto risco (hipotecas sub prime de casas) no sector imobiliário, feitos a pessoas que não conseguirão pagar a curto e médio prazo.

 

 

JÚPITER EM CAPRICÓRNIO:

DETENÇÕES POLICIAIS, DEMISSÕES OU MORTES DE POLÍTICOS DE ESQUERDA, VITÓRIAS DO CENTRO REPUBLICANO AFONSISTA OU SILVISTA EM 1913-1925

 

A passagem de Júpiter no signo de Capricórnio (arco do céu de 270º a 300º de longitude eclíptica) inflige, em regra, derrotas para as esquerdas socialista, republicana, comunista e anarquista, em particular com quedas de governos de esquerda, mortes ou detenções pela polícia de dirigentes antifascistas ou anticapitalistas. E liga-se a vitórias de um centro «bonapartista» que elimina oposições à esquerda e à direita.

 

De 9 de Janeiro a de 30 Novembro de 1913, com Júpiter em 1º-17º- 8º- 18º do signo de Capricórnio, o governo do PRP ("partido democrático"), de Afonso Costa, esmaga carbonários e anarco-sindicalistas, à esquerda, e monárquicos, à direita, com a tomada de posse do governo de centro-esquerda (9 de Janeiro), o golpe militar fracassado do capitão Lima Dias e do tenente Dinis, que saem de Infantaria 5, em Lisboa, com 50 soldados e o apoio cerca de 100 republicanos de esquerda, da Federação Radical Republicana (27 de Abril), a explosão de uma bomba na rua do Carmo, no cortejo republicamo pró-governamental, matando um rapaz e ferindo 29 pessoas seguida de assalto das massas do PRP à sede dos sindicatos (10 de Junho) a dissolução da Casa Sindical e prisão de 100 sindicalistas (15 de Junho), o golpe militar fracassado de carbonários  ressentidos, sindicalistas e monárquicos (21 de Outubro), a vitória quase total do partido democrático PRP nas eleições parciais, elegendo 33 deputados num total de 37, ficando com maioria absoluta no parlamento (16 de Novembro),  a vitória do PRP nas eleições municipais (30 de Novembro).

 

De 11 de Fevereiro a 11 de Dezembro de 1925, com Júpiter em 12º-22º-12º-24º de Capricórnio, a República desliza da esquerda para um centro e a conspiração de direita cresce, com o derrube do governo de esquerda republicana de José Domingues dos Santos ao ser aprovada no parlamento por 65 votos contra 45 uma moção de desconfiança apresentada pelo deputado Agatão Lança (11 de Fevereiro), o fracassado golpe militar da parte conservadora do exército liderada por Sinel de Cordes e Filomeno da Câmara (18 de Abril), a vitória nas legislativas do PRP, de António Maria da Silva, de centro, com 83 deputados eleitos (8 de Novembro), a demissão de Manuel Teixeira Gomes do cargo de presidente da República (11 de Dezembro). .

 

Em 11 de Maio de 1937, com Júpiter em 27º de Capricórnio, morre, em Paris, Afonso Costa, alto dignitário maçon, ex primeiro ministro na extinta República parlamentar Portuguesa e chefe da resistência republicana ao fascismo católico de Salazar.

 

Em 4 de Julho de 1937, com Júpiter em 23º de Capricórnio, fracassa um atentado anarquista à bomba contra o primeiro-ministro Salazar que acabava de apear-se do seu automóvel na Avenida Barbosa du Bocage em Lisboa e escapa ileso à explosão. A PVDE inicia uma onda repressiva sobre anarquistas e outros opositores à ditadura.

 

Em 21 de Julho de 1937, com Júpiter em 21º de Capricórnio, Álvaro Cunhal, dirigente do PCP, é preso pela PVDE de Salazar.

 

Em 25 de Março de 1949, com Júpiter em 27º do signo de Capricórnio, Militão Ribeiro, Álvaro Cunhal e Sofia Ferreira, membros do secretariado do Comité Central do Partido Comunista Português são presos numa casa em que viviam clandestinamente em Casal de Santo António, Luso, pela PIDE de Salazar.

 

Em 12 de Outubro de 1972, com Júpiter em 1º de Capricórnio, José António Ribeiro Santos, estudante de Direito da extrema-esquerda maoísta, da FEML/ MRPP, é assassinado a tiro por agentes da polícia política DGS que denunciou como infiltrados num plenário de estudantes no Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras, em Lisboa. José Lamego, estudante da FEML, fica ferido.

 

Em 19 e 20 de Junho de 1984, com Júpiter em 9º do signo de Capricórnio, um golpe policial desmantela parte da extrema-esquerda guerrilheira em Portugal, com a prisão de 42 pessoas mais ou menos ligadas às Forças Populares 25 de Abril, que cometiam atentados contra a NATO e contra capitalistas portugueses, no dia 19, e a detenção de Otelo Saraiva de Carvalho, dado como líder máximo das FP-25, no dia 20.

 

Outras datas marcantes da passagem de Júpiter em Capricórnio são:

 

 

Em 22 de Agosto de 1415, com Júpiter em 7º de Capricórnio, um exército de cerca de 19 000 cavaleiros e soldados peões portugueses, galegos, biscainhos, comandado pelo rei D. João I, ocupa a cidade de Ceuta, em Marrocos.

 

Em 13 de Dezembro de 1521, com Júpiter em 4º de Capricórnio, falece, aos 52 anos de idade, o rei D. Manuel I de Portugal, que expandiu por via marítima até à Índia, às Molucas e ao Brasil o império português e autorizou o estabelecimento da Inquisição no país.

 

Em 16 de Março de 1581, com Júpiter em 14º-15º de Capricórnio, o rei Filipe II de Espanha entra em Tomar, para onde convocara Cortes, que o reconhecem como rei legítimo de Portugal.

 

Em 1 de Dezembro de 1640, com Júpiter em 10º do signo de Capricórnio, Antão Vaz de Almada e um grupo de nobres invadem o palácio sede do governo de Filipe III em Lisboa, prendem a duquesa de Mântua, e assassinam o secretário de Estado iberista Miguel de Vasconcelos, restaurando formalmente a independência de Portugal perdida em 1580.

 

Em 13 de Janeiro de 1759, com Júpiter em 5º-6º do signo de Capricórnio, os marqueses de Távora, o duque de Aveiro, o conde de Atouguia e outros supostos cúmplices no atentado ao rei D. José, em 1758, são executados cruelmente em público, em Lisboa.

 

JÚPITER EM AQUÁRIO:

VITÓRIA DO CENTRO-DIREITA, OU DE UMA CONJUNÇÃO MOMENTÂNEA DAS DIREITAS COM ALGUMA ESQUERDA EXCÊNTRICA , DERROTA DO REPUBLICANISMO DE ESQUERDA

 

A passagem de Júpiter no signo de Aquário (arco do céu de 300º a 360º de arco) gera, em regra, períodos de descompressão e vitórias da direita liberal ou conservadora e derrotas da esquerda republicana sem que a extrema-direita obtenha o triunfo que deseja.

 

Em 6 de Outubro de 1985, com Júpiter em 7º de Aquário, o PSD de Cavaco Silva, de direita liberal e democrata-cristã, vence, sem maioria abdoluta de deputados, as eleições legislativas que originou ao romper em Junho desse ano a coligação governamental com o PS de Mário Soares. Outro vencedor destas eleições é o nóvel Partido Renovador Democrático, de centro-esquerda, tutelado pelo presidente da República Ramalho Eanes, que, ao obter uns 18% de votos, absorve momentaneamente uns 40% a 50%  do eleitorado habitual do PS.

 

Em 26 de Janeiro de 1986, com Júpiter em 23º-24º de Aquárioa candidatura do republicanismo de esquerda, protagonizado por Francisco Salgado Zenha (20,9% de votos), com apoio do PRD, do PCP e MDP, e a do socialismo autogestionário reformista, protagonizado por Maria de Lurdes Pintassilgo (7,4% de votos), são eliminadas na primeira volta da eleição à presidência da República Portuguesa. As candidaturas da «moderação», a de Diogo Freitas do Amaral (46,3% de votos), das direitas PSD-CDS, e a de Mário Soares (25,4% de votos), do centro e do PS, passam à segunda volta.

 

Em 16 de Fevereiro de 1986, com Júpiter em 28º-29º de Aquário, Mário Soares, candidato do centro-esquerda PS, «mal menor» para o PCP, o PRD, a UDP e os autogestionários, é eleito presidente da República Portuguesa com 51,18% de votos, na segunda volta, derrotando Freitas do Amaral, candidato das direitas PSD e CDS, com 48,82% de votos.

 

Outras datas significativas da passagem de Júpiter no signo de Aquário são:

 

De 17 de Novembro de 1807 a 20 de Fevereiro  de 1808, com Júpiter em 5º a 26º do signo de Aquário, decorre invasão e a a primeira fase ocupação do exército francês de Napoleão em Portugal, com a entrada das primeiras tropas francesas por Segura, Beira Baixa (17 de Novembro), a chegada a Abrantes das primeiras tropas do exército de Junot (23 de Novembro), o início da viagem de fuga do rei D. João VI e da família real para o Brasil (29 de Novembro), a entrada de de Junot com 1500 soldados franceses em Lisboa (30 de Novembro), a ocupação do Porto por uma divisão militar espanhola comandada pelo general Taranco, capitão-general da Galiza, e um motim em Lisboa contra o içar da bandeira francesa nomeação de Junot como governador geral de Portugal em nome de Napoleão (1 de Fevereiro), execução de 9 portugueses nas Caldas da Rainha por ordem de Loison (9 de Fevereiro), a promulgação do Decreto de Organização do Exército Português sob o mando napoleónico (20 de Fevereiro).

 

Em 31 de Janeiro de 1891, com Júpiter em 21º do signo de Aquário, eclode no Porto uma revolta militar republicana contra as cedências do governo monárquico de D. Carlos I`às exigências do imperialismo britânico na África Austral (ultimato inglês de Janeiro de 1890). A revolta em que participam o alferes Malheiro, o tenente Manuel Maria Coelho e Alves da Veiga, vertebrada pelo batalhão de Caçadores 9, que desce do Campo de Santo Ovídio a rua do Almada e vem proclamar a República junto aos Paços do Concelho, na praça da Liberdade, é dizimada ao preço de 12 mortos e 40 feridos, quando a guarda real dispara sobre a multidão que subia a rua de Santo António em direção à praça da Batalha.

 

De 20 a 25 de Janeiro de 1915, com Júpiter em 26º-27º do signo de Aquário, o PRP é apeado do governo por obra do conservador Manuel de Arriaga, numa viragem à direita, com a prisão, ordenada pelo governo de Bernardino Machado, de cerca de 70 oficiais que iam a Belém entregar as suas espadas, no dia 20, a demissão do governo impedida por Henrique Cardoso e o Visconde da Ribeira Brava, da ala esquerda do PRP, no dia 24, e a nomeação do conservador general Pimenta de Castro como primeiro ministro pelo presidente da República Manuel de Arriaga.

 

De 28 de Maio a 11 de Julho de 1926, com Júpiter em 26º- 27º-26º do signo de Aquário, há um nítido deslize para a direita em Portugal com a supressão da República Parlamentar e a instauração da ditadura do exército marginalizando a extrema-direita monárquica, com o rebentar do golpe militar do general Gomes da Costa, apoiado pelos tenentes integralistas lusitanos,  em Braga, Évora, Tomar, Vila Real, Porto, (28 de Maio) a demissão do presidente da República Bernardino Machado que entrega o poder ao comandante Mendes Cabeçadas, conservador moderado, e o fecho do parlamento (31 de Maio),o cerco das zonas industriais de Sacavém pelas tropas de Gomes da Costa a fim de impedir a greve geral da CGT (17 de Junho) e impor a demissão de Mendes Cabeçadas, membro do triunvirato da ditadura que recusava destruir a República, (18 de Junho) a reunião em que Gomes da Costa, servindo o integralismo lusitano, de extrema-direita, impõe a demissão do ministro da Justiça Manuel Rodrigues, que não cede a pretensões reacionárias da igreja católica, e dos ministros Carmona, Ochoa e António Claro (6 de Julho) a reação dos generais conservadores do exército que prendem e destituem de presidente  Gomes da Costa e nomeiam o general Carmona, de perfil moderado, chefe do governo (9 de Julho) e o exílio de Gomes da Costa em Angra do Heroísmo ficando a facção sidonista de Martinho Nobre de Melo algo marginalizada (11 de Julho).

 

Em 12 de Junho de 1985, com Júpiter em 16º do signo de Aquário, Portugal, pela mão do primeiro-ministro Mário Soares, assina o Tratado de Adesão à Comunidade Económica Europeia, que acarreta uma perda parcial da independência nacional a favor dos negócios da burguesia cosmopolita lusa e estrangeira.

 

JÚPITER EM PEIXES:

REVOLUÇÕES MILITARES-POPULARES DE 1820, 1868, 1915, 1927, 1974, RESISTÊNCIA DO PORTO LIBERAL AO ABSOLUTISMO EM 1832

 

 

A passagem de Júpiter no signo de Peixes (de 300º a 360º de longitude eclíptica) gera, em regra, um influxo de esquerda em Portugal, seja em eleições legislativas ou levantamentos populares contra a oligarquia.

 

Em 13 de Junho de 1915, com Júpiter em 26º do signo de Peixes, o PRP de Afonso Costa e António Maria da Silva, de centro-esquerda, vence as eleições legislativas, elegendo 106 deputados num total de 163 lugares e 45 senadores num total de 48.

 

Outros factos relevantes do trânsito de Júpiter em Peixes são:

 

Em 1 de Março de 1476, com Júpiter em 0º do signo de Peixes, trava-se a batalha de Toro, de resultado inconclusivo, entre o exército castelhano de Fernando de Aragão e Castela e o exército português de Afonso V, na qual o porta-estandarte português Duarte de Almeida é ferido de morte depois de lhe deceparem os braços, e em cuja fase final, uma contra ofensiva das tropas do príncipe e futuro D. João II de Portugal desbarata as tropas de Castela que recuam para as muralhas de Zamora.

 

De 1 de Maio a 2 de Outubro de 1808, com Júpiter em 11º-18º-9º do signo de Peixes, a resistência popular em Portugal, ajudada pelas tropas britânicas de Wellington, leva à expulsão do exército francês de Junot, com a declaração de guerra de Portugal à França decidida pelo principe regente (1 de Maio), organização de uma junta insurreicional no Porto onde o general galego chefe das tropas espanholas de ocupação prende o governador general francês François Jean-Baptiste Quesnel du Torp e marcha para a Galiza onde vai combater o exército de Napoleão e o brigadeiro Luís de Oliveira da Costa, obediente a Napoleão, assume o comando militar do Porto (6 de Junho), o levantamento em armas de Bragança, promovido, pelo general Manuel Sepúlveda (11 de Junho), a sublevação anti francesa em Olhão dirigida pelo conde de Castro Marim (16 de Junho), o levantamento popular do Porto contra os franceses (18 de Junho), a insurreição em Évora (13 de Julho), a batalha da Roliça em que os franceses do general Delaborde retiram ante a superioridade das tropas de Wellington ( de Agosto) a derrota do exército francês na batalha do Vimeiro (21 de Agosto), o embarque para França de Junot e seu exército (15 de Setembro), a deposição de armas pelos franceses instalados em Almeida (2 de Outubro).

 

De 24 de Agosto a 28 Setembro de 1820, com Júpiter em 20º-16º do signo de Peixes, a revolução liberal triunfa em Portugal, com a sublevação de grupos de militares, inspirados pelo Sinédrio, organização maçónica dirigida por Manuel Fernandes Tomás, no Campo de Santo Ovídio, no Porto, e a proclamação de uma Junta Provisional do Governo Supremo do Reino e de um Manifesto aos portugueses explicando o liberalismo constitucionalista (24 de Agosto), e um golpe militar de oficiais subalternos com apoio da burguesia liberal que depõe os regentes absolutistas em Lisboa (15 de Setembro) e a unificação dos governos liberais de Porto e Lisboa (28 de Setembro).

 

De 7 de Julho de 1832 a 28 de Janeiro de 1833, com Júpiter em 28º-18º- 27º do signo de Peixes, instalação do exército liberal de D. Pedro IV no Porto e defesa persistente da cidade contra o exército absolutista de D.Miguel, com o desembarque na praia de Labruge, em Matosinhos (7-8 de Julho) e a entrada do exército liberal de 7500 homens de D. Pedro na cidade do Porto onde se fortifica (9 de Julho), o assalto geral  dos miguelistas ao Porto repelido pelos liberais com 2.000 mortos para cada lado (29 de Setembro), a fracassada saída das tropas liberais do general francês Solignac sobre o castelo do Queijo, junto a Matosinhos, e o Crasto (24 de Janeiro), a chegada ao Porto do general Saldanha, da ala esquerda do liberalismo, a quem D. Pedro se viu obrigado a pedir ajuda ( 28 de Janeiro).

 

De 4 de Fevereiro a  28 de Abril de 1844, com Júpiter em 4º-23º do signo de Peixes, eclode e declina uma revolta de esquerda liberal, do conde de Bonfim, contra o governo conservador de Costa Cabral, iniciada com a sublevação do regimento de Cavalaria 4, em Torres Novas, liderada por César de Vasconcelos e José Estevão (4 de Fevereiro), chegando a coluna revoltosa a Tomar, no dia 5, o regimento de Infantaria 12 em Castelo Branco junta-se à revolta (8 de Fevereiro) e Caçadores 1 subleva-se na Guarda (9-10 de Fevereiro), a coluna liberal ocupa Almeida (20 de Fevereiro), é sufocada em Coimbra uma revolta (8 de Março), e o término da revolta com a rendição de Almeida (28 de Abril).

 

De 1 a 4 de Janeiro de 1868, com Júpiter em 4º-5º do signo de Peixes, dá-se a revolução da Janeirinha, com um massivo protesto de comerciantes e cidadãos no Porto, no dia 1, seguido em Lisboa e outras cidades, contra a política fiscal pesada do governo regenerador de Fontes Pereira de Melo,  e a substituição, no dia 4, do governo de Fontes por um governo da direita reformista liderado por António José de Ávila, céptico face à política desenvolvimentista do fontismo, de endividamento do país em alto grau. A revolução revoga o imposto de consumo, que atingia sobretudo os pequenos comerciantes e os tendeiros, e o decreto de reforma administrativa do ministro Martens Ferrão que tinha suprimido 4 distritos e 178 concelhos, medidas que estavam na origem do protesto. O período da Regeneração acaba aqui: um terceiro partido influente, o Reformista, emergirá a partir de agora, além do Histórico e do Regenerador.

 

Em 14 e 15 de Maio de 1915, com Júpiter em 22º do signo de Peixes, estala e triunfa em Lisboa, à custa de umas 200 mortes, uma insurreição armada, militar e popular, promovida pelo Partido Republicano Português , em particular pelo general Sá Cardoso e Álvaro de Castro, contra o governo conservador do general Pimenta de Castro, que cai e arrasta na queda o presidente da República Manuel de Arriaga. No dia 15, João Chagas, indigitado primeiro ministro do novo governo, é alvejado a tiro num olho na estação de comboios do Entroncamento pelo senador João de Freitas, um conservador, logo assassinado ali. 

 

De 3 a 9 de Fevereiro de 1927, com Júpiter em 3º-5º de Peixes, eclode e fracassa uma insurreição militar e popular antifascista dirigida pelo general Sousa Dias e Raul Proença, com o regimento de Caçadores 9, no Porto, do dia 3 ao dia 7, e por Mendes dos Reis Agatão Lança, com forças da GNR e da Marinha em Lisboa, do dia 5 ao dia 9, havendo centenas de mortos.

 

De 25 de Abril de 1974 a 14 de Março de 1975, com Júpiter em 10º- 17º-7º- 29º do signo de Peixes, eclode a revolução dos cravos que derruba a ditadura colonial-fascista e envereda por um socialismo revolucionário militar, com o golpe triunfante do Movimento das Forças Armadas prendendo o primeiro-ministro Marcelo Caetano e tomando a sede da Direção Geral de Segurança (ex PIDE) que mata 4 populares (25 de Abril), a ascensão de Vasco Gonçalves a primeiro-ministro num clima de greves generalizadas (18 de Julho), a mobilização popular de rua contra o golpe direitista da «maioria silenciosa» (28 de Setembro) e a demissão do conservador presidente da República general Spínola substituído pelo hábil e ambíguo general Costa Gomes (30 de Setembro), o golpe militar conservador fracassado, do general Spínola levando os paraquedistas de Tancos a atacar o regimento de Artilharia 1, em Sacavém, vanguarda da revolução (11 de Março) seguido da criação do Conselho da Revolução e da nacionalização de bancos e companhias de seguros portugueses (12-14 de Março).

 

Nada disto, nenhuma destas leis astronómico-sociais, é do conhecimento dos ilustres catedráticos de história, política ou sociologia José Matoso, António Borges Coelho, João Medina, António José Telo, Adriano Moreira, Nuno Rogeiro, Manuel Vilaverde Cabral, Manuel Braga da Cruz, Boaventura Sousa Santos, José Pacheco Pereira, António Barreto e todos os outros. Nunca foram capazes de conceber que «o que está em baixo é como o que está em cima, o microcosmos é o espelho do macrocosmos.», não conseguiram descortinar a correspondência exacta entre a Terra e o Céu das constelações e signos. Husserl, Russel, Whitehead, Heidegger, Sartre, Popper, Rawls, Carl Sagan, Hubert Reeves não sabiam nem saberiam isto. Peter Singer, Simon Blackburn, Anthony Kenny, o laureado Thomas Nagel nada sabem disto nem querem saber, de tão obtusas que são as suas mentes.

 

José Gil, Eduardo Lourenço, Manuel Maria Carrilho, João Branquinho, Desidério Murcho, Pedro Galvão, Vitor Guerreiro, Carlos Fiolhais, António Zilhão, Ricardo Santos, Viriato Soromenho Marques, Porfírio Silva, Alexandre Franco de Sá, Olivier Feron, José Caselas e muitos outros não só nada sabem disto como negam, aberta ou encapotadamente, a predestinação astrológica e zodiacal de todos os acontecimentos históricos e sociais. E como carecem de honestidade em grau bastante para revelar a ignorância e o preconceito que os enforma neste assunto, evitá-lo-ão e nunca admitirão que tenho razão, excepto se a Astrologia Histórico-Social, que represento, for divulgada, mediante uma editora poderosa, junto do grande público.

 

Está tudo invertido na hierarquia do saber institucional: os néscios, que fizeram mestrados e doutoramentos em filosofia, história, astrofísica, etc, ocupam as cátedras universitárias, dominam as revistas de ciências e filosofia, os foruns televisivos e outros, editam livros, etc, nada sabem sobre isto  e proclamam que «a astrologia é uma farsa, uma mística, e não há nenhumas leis planetário-zodiacais a determinar a vida biofísica na Terra, a sociedade humana nos planos económico, político, religioso, etc» ao passo que nós, os que investigamos e conquistamos este saber empírico-racional, somos proscritos da universidade, dos foruns e os editores portugueses, servis perante a cátedra e os iluminatti, recusam publicar-nos. Que país é este, governado por elites de medíocres doutorados e licenciados? Que país é este em que as universidades não estão ao serviço da verdade mas das carreiras dos instalados, ao menos na área da filosofia, da sociologia e da história?

 

É um país e um planeta onde os medianos, os medíocres imperam, e os interesses de carreira de alguns impedem a difusão da verdade científica. Isto prova de que a universidade, em especial na área da filosofia, é relativamente grosseira: sectorialmente inteligente, com análises agudas sobre diversos temas, a universidade e os filósofos triunfantes carecem de inteligência holística, de visão global, praticam o fascismo epistemológico, a censura sobre a astrologia e o esoterismo digno de estudo.

 

A filosofia e a história universitárias, de cátedra, estão marcadas pelo signo da estupidez, da ininteligência absoluta. Só vêem as zonas intermédias da realidade: não ascendem ao polo da visão geral - os graus do Zodíaco na sua conexão com os factos terrestres - nem descem ao polo das minúcias, dos detalhes - cada acontecimento histórico, como a queda de um avião no Quénia, a marcha do Sindicato dos Trabalhadores do Campo Andaluz sobre Jaén, ou a queda de uma pessoa da ponte Vasco da Gama. Os catedráticos de filosofia e história são quase todos relativamente broncos, mutilam a visão da realidade. E a legião de professores do ensino secundário que os seguem, bastante embrutecida pela filosofia analítica que não analisa o mundo real mas se compraz em exercícios menores de lógica, é igualmente destituída de pensamento holístico e concreto.

 

 Esta legião de docentes, epistemologicamente fascista - mesmo que vote no Bloco de Esquerda, no PCP, no PS ou no PSD, suprime, de forma raivosa e fascista, qualquer debate sério sobre astrologia - é  a incarnação da imbecilidade anti-astrológica de que o papa (em inglês : Pope) da epistemologia superficial, Karl Popper, foi o comandante e expoente maior.

 

Será injusto classificar de «asnos intelectuais» criaturas como Bertrand Russel, Martin Heidegger, Simon Blackburn, Thomas Nagel, John Searle, José Gil, Manuel Maria Carrilho, Miguel Reale, José Mattoso, Boaventura Sousa Santos, José Pacheco Pereira, José António Saraiva, Marcelo Rebelo de Sousa, Desidério Murcho, Olivier Feron, Pedro Galvão, Aires Almeida e milhares de outros sociólogos e parafilósofos na medida em que sempre ignoraram, depreciaram e ridicularizaram, em nome do «racionalismo», o princípio do determinismo astrológico e sempre negaram que os acontecimentos político-sociais e biofísicos estejam completamente predestinados pelas movimentações planetárias? Não, não é injusto.

 

A astrologia tradicional - em Portugal representada por Flávia Monsaraz, Paulo Cardoso, Luís Resina, Luís Ribeiro, Helena Avelar e outros - assenta em erros metafísicos - como a teoria das 12 casas e das regências planetárias, a ignorância do significado político, económico, religioso, artístico, geográfico, etc, de cada um dos 360º do Zodíaco - e transforma-se quase sempre, num discurso vago, simbólico, místico, que não é sério nem interessa a quem, como nós, edifica a ciência astrológica do rigor historicista, matematizável, suprema ontologia.

 

Note-se que, nos livros que publicam, estes astrólogos tradicionais/comerciais omitem, na bibliografia, qualquer referência às minhas obras de Astrologia Histórico-Social que explanam as duas teorias que transformam a Astrologia em ciência exacta ou quase exacta: a teoria do significado político, económico, religioso, artístico, técnico,biofísico de cada um dos 360 graus do Zodíaco e a teoria dos graus e minutos numericamente homólogos entre si. Não é só a típica inveja profissional portuguesa que explica esta omissão. Ela exprime a aliança astrólogos «humanistas» anti historicistas/ professores universitários e liceais anti astrologia/ igreja católica e outras/ jornalistas e editores servis e corruptos/ burguesia ávida do máximo lucro contra a astrologia da predestinação absoluta ancorada em factos sociais indesmentíveis.

 

  

 
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Domingo, 2 de Setembro de 2012
Equívocos da teoria dos conjuntos, em Earl Connee e Theodore Sider

 

No seu livro «Enigmas da Existência - uma visita guiada à Metafísica» escreve Earl Connee:

 

«Os conjuntos são objectos matemáticos já conhecidos úteis para várias finalidades teóricas. Um facto crucial sobre conjuntos é serem idênticos quando têm os mesmos membros. O que pertence a um conjunto é tudo o que há para dizer acerca de que conjunto se trata» (Earl Connee e Theodore Sider, «Enigmas da Existência - uma visita guiada à Metafísica» , pag 220, Bizâncio; o destaque a negrito é posto por mim).

 

Ora, os conjuntos não são meramente objectos matemáticos, são objectos eidético-matemáticos, o que é diferente. São, antes de mais, uma forma comum, um eidos, na terminologia aristotélica, em segundo lugar uma quantidade, uma matéria. Os dois aspectos são indissociáveis, tal como forma e conteúdo.

 

É um erro grave dizer que os conjuntos são idênticos quando têm os mesmos membros. Senão vejamos: numa sala estão dez operários da construção civil de nacionalidade portuguesa. Há aí dois conjuntos que têm os mesmos membros mas são diferentes entre si : o conjunto dos portugueses presentes na sala e o conjunto dos operários da construção civil presentes na sala.

 

E prossegue Earl Connee:

 

«A perspectiva de que um universal é um conjunto de instâncias diverge do universalismo abundante em alguns casos. A teoria abundante aceita que há diferentes universais onde quer que haja qualquer diferença visível no modo como as coisas são. Por exemplo, "ar flogisticado" era ar supostamente impregnado da substância flogisto, e pensava-se que isto ajudava a explicar a combustão. Acontece que não há tal substância. Pelo que nada tem realmente a propriedade de ser flogisto. Em Salem, em Massachussets, pensava-se que havia bruxas que faziam pactos com o Diabo. Nada tinha realmente a propriedade ser uma bruxa de Salem que fez um pacto com o Diabo. As propriedades ser flogisto e ser uma bruxa de Salem que fez um pacto com o Diabo parecem muito diferentes entre si. A primeira seria exemplificada pelo ar e ajudaria a explicar o fogo; a cultura seria exemplificada e envolveria a participação em transações sobrenaturais. A perspectiva dos conjuntos, todavia, não admite aqui universais diferentes. Um facto básico sobre conjuntos é que não há dois conjuntos diferentes quando os seus membros são diferentes. Os membros do conjunto de coisas que são flogisto são exactamente os mesmos que o conjunto das coisas que são bruxas de Salem que fazem um pactos com o Diabo. Num e noutro caso, não há tais coisas. Assim, num e noutro caso, o conjunto de instâncias é o conjunto que não tem quaiquer membros, o conjunto vazio. Contudo, à luz das diferenças óbvias, como poderia haver apenas um universal aqui? (Earl Connee e Theodore Sider, «Enigmas da Existência - uma visita guiada à Metafísica» , pag 221, Bizâncio; o destaque a negrito é posto por mim).

 .

Comecemos por reparar na imperfeição da definição «teoria abundante», uma definição que exprime apenas a dimensão quantitativa,  contraposta à «teoria dos universais como instâncias», noção confusa. Connee quer, certamente, referir-se a elementos de um conjunto quando fala de «instâncias».

 

Há na teoria dos conjuntos, acima enunciada por Connee, uma confusão entre essência (forma) e existência (matéria informada). Passa-se do «não é» , nível da essência, ao «não há», nível da existência, e infere-se que este segundo nível apaga as distinções no seio do primeiro. Puro erro de raciocínio. Ausência de pensamento dialético.

 

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