Domingo, 14 de Dezembro de 2008
Essência versus existência, quê-é versus o que é /uno, na «Metafísica»

 A distinção entre existência, por um lado, e essência (forma específica) e forma individualizada, por outro lado, está bem patente na Metafísica de Aristóteles: «o que é» e «o uno», isto é, o ser (existência), é o mais universal e divide-se em múltiplos géneros, cada uma das quais é um quê-é (essência).

 

«…O uno não é algo diverso do que é.  Ademais a substância (ousía) de cada coisa é una não acidentalmente, do mesmo modo que é também “algo que é”. Por conseguinte, há tantas espécies “do que é” quantas há do “uno”, e estudar o “quê” destas – quero dizer, por exemplo, do “mesmo”, do “semelhante” e outras coisas deste tipo – corresponde a uma ciência que genericamente é a mesma. (Aristóteles, Metafísica, livro IV, 1003b)

 

Aristóteles criticou Parménides por este usar o termo «ser» em um único sentido:

 

«A Parménides, podem-se levantar as mesmas objecções…As suas premissas são falsas porque supõe que “ser” só se diz em sentido absoluto, sendo que tem muitos sentidos. (…) Porque o ser do branco é distinto daquilo que o recebe, ainda que branco não exista separadamente, fora do que é branco; pois o branco e aquilo a que pertence não se distinguem por estar separados mas pelo seu ser. Isto é o que Parménides não viu.» (Aristóteles, Física, Livro I, 186a).

 

Branco e objecto branco – por exemplo, lençol – distinguem-se pelo seu ser, diz Aristóteles. Mas segundo Parménides, o ser de branco e de lençol branco é o mesmo – tanto branco como lençol branco se encontram, enquanto qualidades ou coisas determinadas, enquanto  formas,  fora do ser que lhes subjaz. Se Aristóteles diz que a distinção se faz pelo ser é porque hierarquiza este em vários níveis – por exemplo: o branco é o nível acidental, o lençol é o nível substancial - ou considera que a essência branco e a essência lençol são seres distintos – e neste caso recusa conferir realidade ao «ser em geral» de Parménides, limitando-se ao ser determinado, isto é, ao ser agarrado à essência, indissociável desta e, portanto, múltiplo, porque muitas são as essências.

 

 

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© (Direitos de autor para Francisco Limpo de Faria Queiroz)

 

 



publicado por Francisco Limpo Queiroz às 17:33
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