Terça-feira, 28 de Agosto de 2007
Compatibilism, Libertarianism, Determinism (Confused Views in the Oxford Dictionary of Philosophy-I)

 

About the conflict free will/ determinism the Oxford Dictionary of Philosophy exposes the following theories:

 

«Reactions to this problem are commonly classified as: (I) hard determinism. This accepts the conflict and denies that you have real freedom or responsibility. (II) soft determinism or compatibilism. Reactions in this family assert that everything you should want from a notion of freedom is quite compatible with determinism.» (…) (III) libertarianism. This is the view that , while compatibilism is only an evasion, there is a more substantive, real notion of freedom that can yet be preserved in the face of determinism (or indeterminism).( The Oxford Dictionary of Philosophy, Great Britain, 2005, pag 141)

 

 This division is wrong, equivoque.

What is the difference between compatibilism and libertarianism? Compatibilsm is a species of the genus libertarianism. They can ´t be organised on a hierarchy at the same level, as if they were  mutually extrinsic concepts. They are not.

 A correct hierarchy of theories can be obtained by dialectical method of the main contradiction: there are two poles, one of them consisting of fatalism and no  fatalism without free will ( four theories) and the other consisting in Libertarianism (two theories). Let ´s see our division, much clearer than these one proposed by Simon Blackburn:

 

1. THEORIES EXCLUDING FREE WILL

 Indeterminist Fatalism. All facts in bio cosmic nature are predestined not by constant laws (determinism) but by a capricious destiny impossible to be predicted, and man is not free, does n ´t possess free will.

 

Determinist Fatalism. All facts in bio cosmic nature are predestined by constant laws (determinism) and, thus, can be predicted, and man is not free, does n ´t possess free will. The Oxford Dictionary calls this view hard determinism.

 

Indeterminism no fatalist without free will. The facts in bio cosmic nature are «free» and unpredictable, that is to say, there are no constant laws of cause-effect (determinism), and man is not free, does n´ t possess free will, but his will is manipulated by biological and geological impulses inside and outside.

 

Determinism no fatalist without free will. The facts in bio cosmic nature can be predicted partially, as they obey to determinist laws, and the same with the human behavior, ruled by determinist laws, without free will, but hazard obstructs fatalism.

 

2. THEORIES ADMITING FREE WILL

Determinist Libertarianism or compatibilism. The facts in bio cosmic nature are under constant laws of cause-effect (determinism), and man is free, possesses free will.

 

Indeterminist Libertarianism. The facts in bio cosmic nature are «free» and unpredictable, that is to say, there are no constant laws of cause-effect (determinism), and man is free, possesses free will.

The ingredients to build these theories and modes of reality are three: hazard, necessity and free will (hazard under man ´s control).

 

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Segunda-feira, 27 de Agosto de 2007
Idealismo e Fenomenismo (Equívocos de Nigel Warburton)

É o fenomenismo uma teoria ontológica ou meramente gnosiológica?

Nigel Warburton distingue o fenomenismo do idealismo de forma errónea: não se apercebe que fenomenismo é uma concepção anti-metafísica, gnosiológica, ao passo que idealismo e realismo ontológicos são concepções metafísicas, ontológicas.

 

«Tal como o idealismo, o fenomenismo é uma teoria da percepção baseada na ideia de que só temos acesso à experiência sensorial e não ao mundo exterior. Mas difere do idealismo na sua explicação dos objectos físicos. Ao passo que os idealistas defendem que a nossa noção de objecto físico é uma abreviatura de um grupo de experiências sensoriais, fenomenistas como John Stuart Mill pensam que os objectos físicos podem ser completamente descritos em termos de padrões de experiências sensoriais efectivas ou possíveis.» (...)

«Um fenomenista é como alguém encurralado no seu próprio cinema privado, a ver filmes. Mas, ao contrário do idealista, que acredita que as coisas representadas no ecrã deixam de existir quando não estão a ser projectadas, o fenomenista acredita que estes objectos continuam a existir enquanto experiências possíveis, mesmo que não estejam a ser projectados no ecrã nesse momento.» (Nigel Warburton, Elementos básicos de Filosofia, Gradiva, Lisboa, 2007, pags 171-172; o negrito é nosso).

 

É falso que os idealistas em geral reduzam a existência dos objectos ao tempo em que os percepcionamos. Kant era idealista e não escreveu, em parte alguma, que o rio Danúbio deixava de existir quando não estivéssemos a contemplá-lo. O que Warburton designa por fenomenismo é o realismo fenomenista, a forma extrema do realismo crítico: há um mundo material transcendente a nós, incognoscível, porque as formas, cores, cheiros, sons, movimentos que captamos não reproduzem o mundo material como ele é, distorcem-no.

 

Para contrariar a confusão gerada por Nigel Warburton, na qual naufraga uma grande parte dos professores de filosofia, diremos o seguinte, em abono da verdade: Kant era idealista e fenomenista, em simultâneo. Alguém nos consegue explicar como é possível? Warburton, seguramente, não é ou não foi capaz de o fazer...

 

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Causalism as a whole is not determinism

The Oxford Dictionary of Philosophy defines determinism as "the doctrin that every event has a cause" (Simon Blackburn, Dictionary of Philolosophy, Oxford University Press, 2005, page 97).

It is a wrong definition: that is the definition of causalism.

 

The real definition of determinism is: the principle which establishes that in the same circunstances, the same causes provoke the same effects.

Causalism is a genus which contains two species: determinism and causalistic indeterminism (the facts occur due to causes we can not predict because there are no constant laws in nature or mind).

 

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Domingo, 26 de Agosto de 2007
Está o objectivismo da ciência livre de subjectivismo e antropocentrismo ? (Sobre um livro de Desidário Murcho)
No capítulo IV do seu livro «Pensar outra vez Filosofia, valor e verdade», Desidério Murcho desenvolve uma consabida argumentação contra o subjectivismo e o antropocentrismo gnosiológicos, em defesa do «objectivismo científico e do realismo das ciências» que se querem monistas em cada assunto:

 «Surgem então os relativismos em filosofia da ciência: Kuhn e Feyerabend são os mais famosos. A estratégia é a mesma de todos os subjectivismos e de todos os relativismos: dar uma vez mais ao ser humano, um papel central, criador, sobre a natureza última das coisas. E diz Kuhn: a ciência de Aristóteles não estava realmente errada, afinal. Só está errada para nós. Assim, a Terra ora gira em torno do Sol ora é o centro do Universo, consoante as nossas teorias – consoante a decisão dos Criadores (nós, claro). Por outro lado, evita-se também o rude golpe que é compreender que a nossa capacidade para descobrir verdades é limitada e que a probabilidade de engano, de auto-engano e de puro erro tolo é muito elevada. Se afinal tudo é uma construção, não nos podemos enganar. A teoria de Ptolomeu é “tão verdadeira” como a de Einstein e nenhum deles está enganado. Isto, claro, isenta-nos de procurar o rigor, a verdade, e o controle de erros e dá-nos o toque de Midas: seja o que for que acreditemos, isso é verdade, porque “verdade” quer dizer “verdade para mim” (ou “para a nossa comunidade” ou “para o nosso tempo” ou "para o nosso sexo" ou “para o nosso partido político»


«Estas ideias são falsas e incongruentes. Mas desempenham bem o papel de continuar a manter o antropocentrismo humano, pois é uma maneira de insistir que o nosso pensamento determina a maneira como o mundo é, invertendo completamente as coisas.» (Desidério Murcho, Pensar outra vez Filosofia, valor e verdade, Edições Quasi, V.N. de Famalicão, 2006, pag. 74; o negrito é nosso).


 A primeira objecção que se coloca a este texto é: existe alguma ciência que não seja antropocêntrica? Dizemos que não. Não são só os subjectivismos e relativismos que são antropocêntricos. Os "não relativismos" científicos que Desidério Murcho parece defender – a teoria da relatividade de Einstein; a medicina científica convencional, etc. – são também visões antropocêntricas do mundo, que «dão ao ser humano (cientistas, ideólogos e tecnocratas) um papel, central, criador, sobre a natureza última das coisas».


Há uma tese indestrutível que DM escamoteia: «A verdade é verdade para nós, concebidos como um todo, chamado humanidade, e para cada um de nós». Não temos outra maneira de prescrutar e conhecer a verdade a não ser pelo nosso nariz, olhos, ouvidos, boca, tacto, genitais, mãos e pernas, e razão, isto é, de forma antropocêntrica. Portanto a verdade é sempre a nossa verdade e o que chamo «a verdade em si cognoscível» é a minha/nossa verdade, o modo como eu e outros conhecemos a substância do mundo e das coisas. O axioma de Protágoras mantém-se inteiramente válido: «O homem é a medida de todas as coisas…» A verdade sem centro, totalmente objectiva, - e admito que exista, porque professo o realismo crítico gnosiológico - é inalcançável para nós.


 Surpreende-nos a facilidade com que Desidério Murcho «elimina» de uma penada, neste texto, a consistência das objecções que Thomas Kuhn e Paul Feyerabend colocam à «objectividade e neutralidade das ciências». Feyereband, por exemplo, anarquista epistemológico, nivela a medicina química universitária – que trata os cancros com radioterapia e quimioterapia – com a medicina natural alternativa – que regista curas de cancro nos seios, estômago, etc, através da aplicação de sucessivas cataplasmas de argila molhada durante semanas e meses sobre o corpo dos pacientes. Alguém pode garantir que a Medicina Universitária trata melhor os doentes com cancro do que a Medicina Natural Alternativa? Não há aqui lugar para algum relativismo e subjectivismo? E estes são  maus em si mesmos, representam «um vale tudo», um rebaixamento do nível científico como caricatura Desidério no seu texto? Ou antes representam um aperfeiçoamento do espírito científico, que recusa o espelho do realismo ingénuo e se eleva para lá dos reposteiros das aparências empíricas  das teses mais simples das ciências?


Que as diversas doutrinas científicas não têm o mesmo valor de verdade – é um ponto em que estamos de acordo com Desidério Murcho. Mas todas as ciências são interpretações do mundo, mais ou menos plausíveis – e aqui Desidério afasta-se de nós, fixando-se no granito de um maior dogmatismo, como se fosse possível chegar a um monismo em cada área das ciências, elaborar ciência não antropocêntrica, sem as tonalidades da intersubjectividade (acordo entre várias mentes humanas) ! Não é possível. O realismo monista de Desidério é, em diversos casos, o dogmatismo das ciências dominantes que Thomas Kuhn, Paul Feyerabend e Karl Popper combateram, cada um a seu modo.


Segundo Desidério, não se pode ser heliocêntrico e geocêntrico em simultâneo. É óbvio. Mas, a nosso ver, o geocentrismo de Aristóteles ainda é ciência: ciência superada. Não é ciência na perspectiva heliocêntrica mas é ciência num quadro de razão hegeliana, holística, sinóptica. Pode haver vários níveis de ciência como círculos concêntricos opostos entre si, mas sem ocuparem o mesmo lugar do conhecimento. Defendia o aristotelismo que o Sol se move no céu – o que hoje os astrónomos reconhecem ser verdade, sem embargo de reconhecerem que a Terra gira em volta do Sol. Além do mais, do geocentrismo ptolomaico-aristotélico emana a Astrologia Histórica, uma ciência herética, perseguida hoje pelo status universitário, mas, sem dúvida, uma ciência indutiva de enorme importância.


  Nenhuma ciência é absolutamente infalível – nem mesmo a matemática que é também antropocêntrica. E pode muito bem suceder que a teoria heliocêntrica seja rejeitada dentro de séculos, por ser insuficiente, parcial ou essencialmente errónea. Quem nos garante, em absoluto, que não há dois sóis com o mesmo aspecto, um girando em volta da Terra, como dizia Aristóteles, e o outro «imóvel» em torno do qual a Terra girasse?


Ademais, Desidério Murcho passa à margem de um problema capital: o de haver ciências, forçosamente ecléticas, aceitando como científicas em simultâneo duas doutrinas que se contradizem. Por exemplo, a Física actual aceita em simultâneo duas teorias que se contradizem: a teoria corpuscular da luz e a teoria ondulatória da luz…Luz como corpúsculo opõe-se liminarmente a luz como onda. Este é um claro exemplo de relativismo no seio de uma mesma ciência, o que desmente a aspiração monista epistemológica que Desidério levanta como bandeira do seu combate e tira o tapete à sua exorcização do subjectivismo e do relativismo.


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Sexta-feira, 24 de Agosto de 2007
O tempo não existe? Dos perigos da lógica pura (Sobre um livro de Desidério Murcho)

Há filósofos como McTaggart que com argumentos lógico-linguísticos negam a existência do tempo. Desidério Murcho descreve assim os argumentos daquele  pensador:


«O debate moderno sobre a realidade do tempo tem origem nos argumentos defendidos por J.M.E. McTaggart (1866-1925) num famoso ensaio publicado em 1908. McTaggart defendeu que o tempo é uma ilusão. Para se compreender o seu argumento é necessário distinguir duas formas diferentes de localizar acontecimentos no tempo, a que McTaggart chamou «séries A» e «séries B». Esta terminologia não é esclarecedora, pelo que iremos chamar «flexionadas» às primeiras e «não flexionadas» às segundas (poderíamos igualmente chamar-lhes "dinâmicas" e "estáticas", respectivamente). Compreende-se a diferença contrastando duas formas diferentes de falar do tempo. Afirmar «Hoje está a chover em Londres mas ontem esteve calor» envolve o uso de verbos com flexões temporais ("está" e "esteve"). Mas afirmar algo como «Chove em Londres em 29 de Julho de 2004, mas faz calor em 28 de Julho de 2004» não envolve o uso de verbos com flexões temporais - pois "chove" neste contexto é intemporal  como o "é" na expressão "A raiz quadrada de 16 é 4"» (...)


«O terceiro passo do argumento é que as formas flexionadas de referir os acontecimentos no tempo implicam contradições, pelo que não podemos pensar que descrevem a realidade - limitam-se a descrever uma certa aparência enganadora da realidade. Esta é talvez a ideia menos plausível do argumento, mas não é obviamente falsa. A ideia é que se levarmos as formas flexionadas de expressão a sério, então devemos aceitar que exprimem verdadeiras propriedades dos acontecimentos. Assim qualquer acontecimento tem três propriedades temporais: ocorrerá, ocorre e ocorreu. Mas um acontecimento como o assassinato de Kennedy não pode ter as três propriedades: não pode ser um acontecimento futuro, presente e passado - pois se Kennedy foi assassinado hoje, não poderá ser assassinado amanhã nem pode tê-lo sido ontem, e se foi assassinado ontem não poderá ser assassinado hoje nem amanhã. Logo, o tempo é em si irreal: uma mera ilusão».


«Resumindo, o argumento de McTaggart pode ser formulado do seguinte modo:


1) O tempo envolve mudança.


2) Só as formas flexionadas de expressão podem exprimir mudança.


3) Mas as formas flexionadas de expressão envolvem contradições. Logo, o tempo é irreal.» (Desidério Murcho, Pensar outra vez Filosofia, valor e verdade, Edições Quasi, Lisboa 2006, pag. 179-181; o negrito é nosso).


Como é que da contradição entre formas linguísticas flexionadas se infere contradição na realidade ontológica-cronológica? Só por um passe de «mágica» de argumentação...


Este argumento de McTaggart lembra o argumento do grego Zenão de Eleia contra o movimento: contra toda a evidência empírico-racional, Zenão defendeu que o corredor Aquiles não poderia nunca alcançar a tartagura que vagarosamente avançava alguns metros à sua frente porque, em cada instante, tinha de situar-se em metade do espaço que o separava dela e, nessa fracção de segundo o animal adiantava-se levemente, de modo que Zenão ficava colado à tartaruga sem nunca a alcançar.


O argumento de Zenão, que desenha o cálculo infinitesimal, é um exemplo de como o pensamento lógico, ou pelo menos de certas lógicas, falsifica a realidade. As lógicas formal e proposicional não são absolutamente fiáveis e, aplicadas de alguns modos, à realidade empírica deformam esta.


O argumento de McTaggart é facilmente refutável pois trata-se de um sofisma. O tempo não é homogéneo, como mostrou Heidegger, e já outros (Marco Aurélio por exemplo) o tinham feito antes. O tempo não se compõe de três propriedades - passado, presente e futuro - ao mesmo nível horizontal mas de duas dimensões distintas: o tempo real como existência, que se reduz ao instante presente, que nasce e morre a cada fracção de segundo, e o tempo ideal como essência (o passado que já não existe: não é tempo real mas ideia do tempo; o futuro que ainda não existe: não é tempo real mas ideia do tempo).


A realidade do instante presente ninguém a pode negar. Capta-se de forma metalógica, por intuição sensivel e ideal. Portanto, o tempo existe: é um vir a ser que a cada fracção de segundo deixa de ser, em linguagem hegeliana. É por isso que considero perigosa a sobrevalorização da lógica pura a que hoje se assiste como uma espécie de metafísica negativa - Deus imanente ao jogo de palavras, a verdade (divina) repousando nas tabelas de verdade, no inspector de circunstâncias, no modus ponens ou no modus tollens, etc - que enfraquece a lógica intuitiva "informal", empírico-ideal, espelho do mundo físico exterior. Desidério Murcho e outros orientadores de filosofia no ensino em Portugal fazem parte deste movimento de metafísica negatíva que emana da esfera da filosofia analítica e que constitui uma reacção «barrôca» ao materialismo e ao idealismo dialécticos que emergiram com grande pujança na década de 70 em conexão com a revolução dos cravos de 1974-1975 em Portugal.


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Quinta-feira, 23 de Agosto de 2007
É o anti realismo modal oposto ao empirismo ? (Sobre um livro de Desidério Murcho)

 

Por realismo modal, não se entende apenas a teoria de Samuel Kripke segundo a qual há muitos mundos possíveis diferentes deste em que vivemos e tão reais quanto este. Exemplificando: o mundo das alucinações psicotrópicas, em que o drogado vê dragões e demónios horríveis, é tão real quanto o mundo natural dos não drogados que vêem diante de si a Torre de Belém e o rio Tejo.

 

outras definições de realismo modal. Este conceito significa também a doutrina ou conjunto de doutrinas que sustenta que o realismo, isto é, a doutrina de uma realidade material exterior às mentes humanas comporta vários modos reais, em particular o de as categorias de modalidade e da causalidade- possibilidade versus impossibilidade, contingência versus necessidade, causa-efeito...- não serem imaginárias, puramente subjetivas, mas existirem, objectivamente, fora dos espíritos humanos, na natureza biofísica ou num mundo supra-natural extrahumano.

 

 

 

Por anti-realismo modal entende-se o inverso: a modalidade da doutrina idealista ou a modalidade do realismo que, sem embargo de postular que a matéria  existe fora das mentes humanas, sustenta que as categorias de necessidade-contingência, causa-efeito, etc, não existem fora de nós, na natureza das coisas, mas são interpretações subjectivas ou intersubjectivas, circunscritas ao interior das mentes humanas. Nesta perspetiva, David Hume seria um anti-realista modal.

 

Há autores que opõem o anti realismo modal ao empirismo e este ao idealismo:

 

«Contudo, o anti-realismo modal é contrário ao espírito empirista porque, em última análise, acaba por motivar o idealismo, um tipo de filosofia contrário ao espírito realista do empirismo. O anti-realismo modal motiva o idealismo de Kant de forma particularmente nítida.»

(Desidério Murcho, Pensar outra vez Filosofia, valor e verdade, Edições Quasi, V.N.Famalicão 2006, pag. 103; o negrito é nosso).

 

Discordamos de Desidério Murcho: o idealismo não é, em termos gerais, oposto ao espírito do empirismo. E muito menos o idealismo de Kant, um impulsionador das ciências empírico-formais.

Na verdade, quem compreender o cerne da doutrina de Kant - e muito pouca gente das cátedras de filosofia o conseguiu - sabe que o filósofo de Konisberg intitulou a sua visão idealista transcendental do mundo de... realismo empírico.  Isto significa que, pondo entre um parentesis os fundamentos filosóficos do seu sistema (o mundo visível é séries de fenómenos, coisas não reais em si), tomamos os objectos fenoménicos (plantas, minerais, cursos de água, animais, sol, céu, etc) como se fossem absolutamente reais e sobre eles exercemos uma infinita gama de procedimentos empíricos, induzindo leis, sem limitações epistemológicas.

 

O anti realismo de Kant, na medida em que se apoia no pressuposto da quase necessidade/ determinismo quase rigoroso dos fenómenos físicos, é tão ou mais baluarte da ciência empírica do que o fenomenismo anti necessitarista de David Hume.

 

 

Logo, o idealismo, o anti realismo de Kant (que faz das categorias de causa-efeito, possibilidade-impossibilidade, etc, existentes no entendimento humano, formas ou traços constituintes dos fenómenos empíricos)  não se opõe ao empirismo em geral. Há realismos metafísicos profundamente anti empiristas e idealismos metafísicos profundamente empíricos.

Empirismo é, numa das suas acepções, uma definição pré-ontológica: a experiência não é, por si só, constitutiva de ser. E idealismo e realismo são noções ontológicas, estão para lá de empirismo.

 

Nota- Consigo chegar a estas precisões de pensamento sem recorrer, racionalmente, a nenhuma regra da lógica proposicional, cuja sobrevalorização venho combatendo neste blog. Aplico aquilo que Bertrand Russell designava de método analítico: focar mentalmente um objecto, um tema, de modo a que os contornos internos e externos se tornem gradualmente mais nítidos.

 

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Quarta-feira, 22 de Agosto de 2007
Está o relativismo vinculado ao anti-realismo? (Sobre um livro de Desidério Murcho)

O livro «Pensar outra vez Filosofia, valor e verdade» de Desidério Murcho, edições Quasi, suscita diversas questões interessantes. Há dois méritos que reconhecemos a Desidério: o seu enciclopedismo (é ou parece culto, abrange uma gama larga de aspectos na filosofia contemporânea, estabelece sínteses, ainda que seja difícil descortinar nele originalidade) e o seu descritivismo semântico ( fornece as suas definições dos termos filosóficos usados, sem embargo de cometer abundantes erros de conceptualização e sistematização).

A propósito da relação entre realismo e anti-realismo, e deste com relativismo, escreve Desidério Murcho:

 

« O realismo e o anti-realismo são duas formas opostas de entender as coisas numa dada área. Uma filosofia realista declara que os aspectos fundamentais dessa área não são meras construções humanas, resultados da linguagem ou de esquemas conceptuais; são aspectos da natureza intrínseca das coisas. Uma filosofia anti-realista, pelo contrário, defende que os aspectos em causa são meras construções humanas - resultados da linguagem ou de aspectos conceptuais, e não aspectos da natureza intrínseca das coisas.» (...) «Por exemplo, em relação à ética, uma posição anti-realista defende que os princípios morais são meras construções humanas sem qualquer fundamento na natureza das coisas.»

 

«O anti-realismo está geralmente associado ao relativismo, se bem que as duas posições não sejam sempre coincidentes. O relativismo não é apenas a ideia de que «as coisas são relativas» - algo que o não relativista pode aceitar - mas a ideia de que as coisas são irredutivelmente relativas. Assim por exemplo, o relativismo em ética não é apenas a ideia de que em diferentes situações e condições históricas, por exemplo, os seres humanos são levados a aceitar juízos éticos diferentes.(...) O relativismo ético defende algo mais radical: a ideia de que não há só acordo racional possível em questões éticas de pormenor, como não há princípios gerais que regulem as diferenças em questão - uma cultura poderá ser racista e a outra não mas a oposição é racionalmente insolúvel».

«O relativismo não coincide exactamente com o anti-realismo; pretende ser antes uma consequência do anti-realismo: dado que, como defende o anti-realista, nada na natureza intrínseca das coisas tem qualquer relação com a nossa concepção delas, a nossa concepção delas é radicalmente relativista. Apesar desta diferença subtil, o relativismo e o anti-realismo costumam andar a par. A partir deste momento, não faremos distinção entre as duas posições». (Desidério Murcho, Pensar outra vez Filosofia, valor e verdade, Edições Quasi, V.N. Famalicão 2006, pags. 93-94; o negrito é nosso)

 

Este autor não demonstra por que razão o anti realismo costuma andar a par do relativismo, por que motivo os funde, de certo modo. Que quer dizer D.M. com o termo "radicalmente relativista" ? Nada mais nada menos que a expressão relativismo céptico ou relativismo adicionado de cepticismo. No exemplo acima, isto significaria a seguinte posição: «O ocidente democrático era e é anti racista, mas a África do Sul até 1990 era racista, logo, dado haver relativismo, diversidade cultural-geopolítica,  não é possível determinar o valor de verdade ética mútua destas realidades».

 

Já em recentes artigos, neste blog, pusemos em destaque a nuvem de confusão gerada pelas interpretações do termo relativismo, que significa apenas a ideia de que as coisas são relativas ... mas não irredutivelmente relativas, como sustenta Desidério Murcho. Há um relativismo dogmático diferenciador, isto é, relativismo adicionado de dogmatismo axiológico, que não é cepticismo ,mas que Desidério não concebe neste seu livro, dado unilateralizar o sentido da palavra relativismo. Exemplo desse relativismo dogmático axiológico: «As religiões são diferentes entre si e possuem, diferentes graus de verdade na busca do divino, sendo que o budismo, vegetariano e filosófico, é muito mais evoluído do que as religiões dos astecas e maias que recorriam a sacrifícios de sangue. Logo as religiões não têm todas o mesmo valor, é possível hierarquizá-las axiologicamente, não há uma oposição racionalmente insolúvel entre elas».

 

Ademais, relativismo não pode identificar-se praticamente com anti realismo, ao contrário do que preconiza este autor.

Hegel, por exemplo, foi um filósofo realista, no sentido de reconhecer uma realidade objectiva exterior às mentes humanas gerada pela Ideia Absoluta, e ao mesmo tempo relativista, pois o método dialéctico é, em si mesmo, o espelho do relativismo ontológico, físico, ético, etc, da vida biocósmica e humana - as coisas são e deixam de ser, o que é verdade hoje já não o é amanhã (salvo alguns princípios absolutos). O princípio do indeterminismo de Heisenberg, segundo o qual não é possível determinar no mesmo instante a posição e a velocidade de uma partícula atómica, é uma combinação de realismo (o átomo existe fora de nós, nas coisas) com relativismo (o electrão é visto de forma variável, ora no aspecto da  posição, ora no aspecto da velocidade).

 

A missa católica e o restante ritual é realismo na medida em que existe objectivamente fora das mentes humanas e comporta relativismo, na medida em que aceita variações temporais e espaciais- o tempo da missa em latim findou em 1969, sendo substituída pela missa em vernáculo; há missas ao som de música sacra e outras ao som de cânticos pop...

 

Estes três exemplos provam que relativismo se liga a realismo, o que sucede em bastantes casos, embora haja casos de compatibilidade entre relativismo e anti realismo. Mas estes últimos não são a regra geral, a tendência dominante ou mesmo única. Não se pode pois, racionalmente, ao contrário do que defende Desidério Murcho, identificar (quase) anti realismo com relativismo. Além do mais, anti-realismo é uma posição ontológica e relativismo uma posição gnosiológica, coisa imperceptível para Desidério Murcho e a corrente "analítica". Não se misturem alhos com bugalhos...

 

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Terça-feira, 21 de Agosto de 2007
O paralogismo de Nigel Warburton sobre o Idealismo em geral

 

Nigel Warburton, um divulgador de temas filosóficos em voga, apresenta a seguinte definição de idealismo gnosiológico:

 

 

«O idealismo é uma teoria que evita algumas das dificuldades que se levantam ao realismo representativo. Tal como esta última teoria, o idealismo faz dos dados sensoriais de entrada o  ingrediente básico da nossa experiência no mundo. Assim, também o idealismo se baseia na noção de que toda a nossa experiência é constituída por representações mentais e não pelo mundo». (...)

«Uma consequência disto é que para os idealistas os objectos só existem enquanto são percepcionados. Quando um objecto não está a ser percepcionado no meu cinema privado não existe. O bispo Berkeley (1685-1753), o mais famoso idealista, declarou que «esse est percipi»: existir é ser percepcionado. Assim quando deixo uma sala, esta deixa de existir, quando fecho os meus olhos o mundo desaparece, quando pestanejo, seja o que for que está à minha frente deixa de estar - desde que , claro, mais ninguém esteja a percepcionar estas coisas na altura.» (Nigel Warburton, Elementos Básicos de Filosofia, Gradiva, Lisboa, 2007, pags. 166-167; o negrito é nosso).

 

Warburton incorre neste texto numa definição errónea de idealismo. Interpreta equivocamente a frase «ser é ser percebido» de George Berkeley: há duas formas de ser percebido, uma é pelos orgãos dos sentidos, outra é pelo intelecto, mas Warburton restringe-se à primeira.

Nem Berkeley nem Kant, dois dos mais célebres filósofos do idealismo gnosiológico do século XVIII na Europa, sustentaram que os objectos só existem enquanto os percepcionamos sensorialmente. Tanto um como outro afirmaram a permanência dos objectos aparentemente materiais na nossa mente, mesmo quando não lhes prestamos atenção.

A categoria de permanência, uma das faces da categoria inerência (acidente)- subsistência (substância) que é uma das doze formas a priori da sensibilidade , é uma das postuladas na gnosiologia de Kant.

 

A frase «ser é ser percebido» significa apenas isto: o ser das árvores, das casas, do mundo em geral é representação na nossa mente, isto é, não passa de um conjunto de percepções, de ideias em nós. Esse ser das coisas não desaparece enquanto ideia mesmo quando não está presente na capacidade perceptiva.

 

O que Warburton definiu como idealismo é o idealismo de David Hume e não todo o idealismo em geral.

 

 

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Segunda-feira, 20 de Agosto de 2007
Atomismo, acaso e liberdade em Epicuro, na óptica de Marx
 

A noção de acaso, ligada à de vazio inerente à doutrina atomista, é capital na filosofia do grego Epicuro, que teorizou o átomo como essência imutável, arkhé, e como existência material dotada de propriedades modificáveis, stoikheíon,segundo Karl Marx. O epicurismo baseia-se pois na contradição entre essência e existência, entre forma e matéria. O átomo concebido como essência corresponde, de certo modo, à vontade livre, coisa em si no sistema de Kant (eu numénico, que opera com autonomia sobre a existência, feita de átomos materiais). O próprio Deus, segundo Epicuro, é feito de átomos mais pequenos e mais finos.


 «53. Pode-se dizer que na filosofia epicurista o imortal é a morte. O átomo, o vazio, o acaso, o arbitrário e a composição são, em si, a morte. » (…)


«Sabe-se que para os epicuristas o acaso é a categoria soberana. » (Karl Marx, As filosofias da natureza em Demócrito e Epicuro, Editorial Presença, 1972, pag. 79).


 «O átomo só tem para Demócrito o significado de um stoikheíon, de um substracto material. A distinção do átomo como arkhé e o átomo como stoikheíon, entre o átomo como princípio e o átomo como elemento, pertence a Epicuro; e o que se segue demonstrará a importância desta distinção. »


«A contradição entre a existência e a essência, entre a matéria e a forma, que está contida no conceito de átomo é considerada como existindo no próprio átomo singular, pelo simples facto de lhe serem atribuídas qualidades. Através da qualidade, o átomo é alienado do seu conceito e simultaneamente é terminada a sua construção. O mundo sensível nascerá directamente da repulsão e dos conglomerados conexos de átomos qualificados. » (ibid 194)


 «O facto de Epicuro isolar e objectivar a contradição no seu nível mais elevado, distinguindo o átomo que como stoikheíon, se torna a base do fenómeno, do átomo que, enquanto arkhé existe no vazio, constitui precisamente aquilo que o distingue de Demócrito no plano da filosofia, pois este só objectiva um desses aspectos. »  (ibid, pag 196)


 «É contraditório com a noção de átomo o ter quaisquer propriedades; pois, como afirma Epicuro, toda a propriedade é modificável, enquanto que os átomos não se modificam. Mas o atribuir-lhe essas propriedades não deixa de ser uma consequência necessária, pois na pluralidade dos átomos em repulsão, que estão separados pelo espaço sensível, devem ser imediatamente diferentes entre si e distintos da sua essência pura, isto é, devem possuir qualidades.» (ibid, pag. 179).


Marx considera Epicuro o «filósofo das luzes» da antiga Grécia. Porque combatia a predestinação, a astrologia e exaltava o acaso que oferece múltiplas vias por onde escorre a liberdade humana.


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Domingo, 5 de Agosto de 2007
Filósofos e professores de Filosofia, na óptica de Schopenhauer

Schopenhauer sustenta que os catedráticos de filosofia não são, em regra, autênticos filósofos porque estão obrigados a representar o papel de «sábios», com respostas para tudo, e isso impede-os de levar a cabo a investigação livre da verdadeira filosofia, desprendida de interesses económicos e de prestígios institucionais:

 

 «Descobrimos aqui em primeiro lugar que, desde sempre, muito poucos foram os filósofos que foram também professores de filosofia e, proporcionalmente, ainda menos os professores de filosofia que foram também filósofos. Podíamos dizer por consequência que, do mesmo modo que os corpos idioeléctricos não são condutores de electricidade, os filósofos não são professores de filosofia. Em verdade, para o que pensa por si mesmo esta tarefa estorva-o mais do que qualquer outra. Pois a cátedra de filosofia é de certo modo um confessionário público, onde um faz a sua profissão de fé coram populo (em presença do povo). Ademais, em ordem à aquisição autêntica de uma compreensão fundamental e profunda, quer dizer, em ordem a chegar a ser de verdade sábio, quase não há nada que seja mais contraproducente que a obrigação perpétua de parecer sábio, esse alardear de supostos conhecimentos ante uns alunos ávidos de aprender, esse ter à mão respostas para todas as perguntas imagináveis» (Arthur Schopenhauer, Sobre la Filosofía de Universidad, Editorial Tecnos, Madrid, pag. 46-47).

 

E mostra que há uma rede de solidariedades pessoais entre os professores catedráticos e os agregados que cria um corrupto aparelho de propaganda de prestígios e índices de saber aparente:

 

«Con los filósofos académicos de nuestros días las cosas van sin duda más aprisa. No tienen tiempo que perder: es suficiente que un profesor cualquiera proclame, ante los colegas importantes de la universidad más próxima, que la doctrina de su compañero constituye la culminación de la sabiduría humana, finalmente lograda. Enseguida se convertirá en un grande filósofo, pasando a ocupar sin más preámbulos el lugar que le corresponde en la historia de la filosofía, es decir, en la que un tercer colega está preparando para la próxima exposición» (Schopenhauer, ibid, pag 63)

 

O que vale o saber universitário institucional dos catedráticos, agregados e outros? Muito menos do que aquilo que aparenta. A entrada para o cargo de catedrático faz-se por cooptação: são os poucos que já lá estão que decidem sobre o valor da tese de doutoramento e, em regra, não permitirão que esta derrube as torres de prestígio que construiram para si mesmos...

 

Aliás, não são os melhores professores de filosofia quem faz os programas de filosofia, os testes nacionais de exame, os manuais. São aqueles que, mercê do seu activismo teórico  - em muitos casos marcado por inépcia - e da sua capacidade de promoção mediática - ora porque se constituiram em associação ou sociedade de professores de filosofia, ora porque contactaram na hora certa o editor X ou Y ou o funcionário do Ministério da Educação ligado ao Departamento de programas ou de avaliação de exames - conseguem conquistar lugares-chave. E em Portugal, um país de clientelas seculares, onde a «cunha» e o telefonema simpático que abre uma porta do poder ao "esperto" são comuns, mais se acentua o triunfo dos incompetentes que passam por «filósofos inovadores».

 

Como obstar a isto? É quase impossível. Só através de um largo movimento de crítica pensante, que inclui a publicação em papel ou na internet de numerosos artigos mostrando as falácias e insuficiências teóricas dos autores dos programas, manuais e exames nacionais de filosofia, é possível reduzir ou mesmo apagar a deletéria influência dos medíocres e dos pseudo-pensadores (licenciados, mestres e doutores) que, pretensamente críticos e organizados em rede, possuem no número vasto dos seus adeptos e iniciativas «filosóficas» a arma para triunfarem socialmente.

 

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