Quinta-feira, 28 de Setembro de 2006
Toda a dedução está isenta do carácter de verosimilhança? (Crítica de Manuais Escolares-VII)

 

A generalidade dos autores de manuais escolares vinculados à filosofia analítica considera que os argumentos indutivos admitem graus de verosimilhança e que os argumentos dedutivos não possuem verosimilhança.

 

Ouçamos J.Neves Vicente (o negrito é nosso):

 

«Vimos já que os argumentos dedutivos ou são válidos ou são inválidos. Não há meio termo. Os argumentos indutivos, esses sim, é que admitem graus: podem ser mais ou menos fortes, mais ou menos verosímeis, mais ou menos prováveis.» (J.Neves Vicente, «Razão e Diálogo», manual de Filosofia do 11º ano, Porto Editora, Porto, pag 26).

 

É um erro. Há argumentos dedutivos que não são categoricamente verdadeiros ou falsos, isto é, que possuem versomilhança como, por exemplo, o seguinte:

 

«Talvez existam deuses geradores de mundos. Talvez o nosso mundo tenha sido gerado por um ou vários deuses». 

 

Este é um argumento dedutivo, composto por juízos indefinidos, problemáticos, que possui grau de verosimilhança, é mais ou menos forte, mais ou menos fraco. A dedução pode ter lugar com juízos problemáticos, começados por «talvez», «é possível», «é provável», etc.

A generalidade dos pensadores da analítica não sabe distinguir, com precisão, a dedução da indução. Nunca pensaram, a fundo, na questão. E depois mergulham em paralogismos como o da citação de J.Neves Vicente, aliás repetida em muitos outros manuais.

 

f.limpo.queiroz@sapo.pt

(Direitos de autor para Francisco Limpo de Faria Queiroz)

 


 



publicado por Francisco Limpo Queiroz às 18:37
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Quinta-feira, 21 de Setembro de 2006
Relativismo na noção de falácia (Crítica de Manuais Escolares-VI)

 


Designa-se por falácia um raciocínio incorrecto ou vicioso quanto à sua forma ou quanto ao seu conteúdo material-ideal.


Poucos autores na lógica sublinham o carácter subjectivo de diversas falácias, isto é, o que é falácia na óptica de alguns não é falácia na óptica de outros.


Assim um manual de Filosofia do Ensino Secundário em voga em Portugal aponta como falácias as seguintes "Falácias filosófico-políticas do Todo", denunciadas por Fernando Savater:


«Falácia do indivíduo: O Todo é um todo em cada uma das suas partes.»


«Falácia da História. Tudo o que aconteceu teve como único argumento a realização do Todo»


(in «Razão e Diálogo», Manual de Filosofia  do 11º ano, de J. Neves Vicente, Porto Editora, pag 113)


Estas duas «falácias» segundo Savater não são verdadeiras falácias.  A primeira é o holismo de Anaxágoras e Nicolau de Cusa - o Tôdo está em tudo, em cada parte; exemplo: há um pequeno microcosmo, um céu com estrelas e planetas em miniatura, em cada parte do corpo humano, em cada planta, etc - doutrina que não se demonstrou estar equivocada. É legítima como especulação. Quem pode garantir que se trata de uma falácia?


A segunda é o finalismo holístico de Hegel - a História acontece nos seus acidentes como realização da Ideia Absoluta, o Todo - e não constitui falácia na óptica de um bom número de pensadores.


O manual de Filosofia citado deveria referir o relativismo subjacente à noção de falácia.


f.limpo.queiroz@sapo.pt


(Direitos de autor para Francisco Limpo de Faria Queiroz)



publicado por Francisco Limpo Queiroz às 19:06
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