Domingo, 16 de Junho de 2013
Sindicatos de professores: uma no Crato, outra na ferradura

As lutas que os sindicatos de professores lançam possuem, em regra, objectivos justos mas carecem de uma coisa: sustentabilidade económica. Se em vez de uma grande manifestação nacional de professores o dinheiro gasto a alugar centenas de autocarros e a pagar outras despesas de logística fosse desviado para a constituição de fundos de apoio aos professores grevistas em cada escola, talvez o resultado fosse melhor.

 

Uma greve de professores a exames deveria durar, no mínimo, dois meses, caso o ministério da Educação não cedesse antes disso às reivindicações. Que perspectivas há para a actual greve a conselhos de turma de avaliação dos alunos e para a greve, a partir de 17 de Junho de 2013, a exames nacionais ? Mais uma semana de greve e tudo acaba? Fracas perspectivas, na visão dos professores contratados, parte dos quais poderá quebrar a greve por menor resistência económica ao não pagamento dos dias de greve.

 

Somos empurrados, pela circunstância,  para fazer um protesto que é inevitável. A destruição da escola pública, a sua redução a proporções mínimas, está a ser levada a cabo pelo neoliberalismo do governo de Passos Coelho, Paulo Portas, Nuno Crato e Vítor Gaspar.

 

Os sindicatos, em particular a FENPROF, fizeram bem em marcar as greves contra a mobilidade especial e o aumento da carga horária dos professores do ensino público. Não havia outra saída digna. A natureza dos sindicatos é dúplice: se, por um lado impulsionam a luta dos professores, por outro lado, moderam-na ou atraiçoam-na, em determinados momentos, como sucedeu com o memorando que assinaram com a ministra Maria de Lurdes Rodrigues, em 12 de Abril de 2008. Os sindicatos institucionais são, nos momentos de vagas revolucionárias de massas, orgãos contra-revolucionários como se demonstrou, por exemplo, com a Confederation Générale du Travail (CGT), de hegemonia comunista, durante a revolução estudantil-operária de Maio-Junho de 1968. Os comunistas, disciplinados, gradualistas, reformistas, atemorizados com a violência revolucionária dos internacionais situacionistas, dos maoístas, dos trotskistas, dos guevaristas contra a polícia de choque em Paris e em outras cidades de França, sabotaram a mobilização da classe operária em defesa dos estudantes insurrectos.

 

Ao não disporem de fundos para financiar os grevistas, podemos dizer que os sindicatos portugueses dão uma no Crato e outra na ferradura, sendo a ferradura da boa sorte do corpo sindical as dezenas de milhar de professores sindicalizados que pagam quotas e permitem o avanço a trote do cavalo do sistema de ensino. O aparelho sindical deveria ser proprietário de fábricas, supermercados e outras lojas que permitissem vertebrar solidamente, isto é, financiar, os movimentos de luta dos professores em defesa dos seus direitos e da escola pública. Contra o capitalismo impiedoso há que usar o apoio de estruturas do capitalismo social. Revolucionários de bolsos vazios não fazem revoluções.

 

www.filosofar.blogs.sapo.pt
f.limpo.queiroz@sapo.pt

 

© (Direitos de autor para Francisco Limpo de Faria Queiroz)

 



publicado por Francisco Limpo Queiroz às 12:26
link do post | comentar | favorito
|

mais sobre mim
pesquisar
 
Abril 2017
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1

2
3
4
5
6
7
8

9
10
11
14
15

18
20
22

24
28
29

30


posts recentes

Francisco George, ao serv...

Área 5º-9º de Gémeos: Pin...

Área 4º-6º de Gémeos: Ame...

Área 17º-18º de Gémeos: P...

Área 17º-18º de Gémeos: q...

Áreas 16º-17º de Gémeos ...

Área 4º-6º do signo de Gé...

Áreas 29º de Touro e 0º-1...

Área 9º-13º de Gémeos: go...

Área 11º-14º do signo de...

arquivos

Abril 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

Janeiro 2007

Dezembro 2006

Novembro 2006

Setembro 2006

Agosto 2006

Julho 2006

Maio 2006

Abril 2006

Março 2006

Fevereiro 2006

tags

todas as tags

favoritos

Teste de filosofia do 11º...

Pequenas reflexões de Ab...

Suicídios de pilotos de a...

David Icke: a sexualidade...

links
Fazer olhinhos
blogs SAPO
subscrever feeds