Domingo, 23 de Maio de 2010
Confusões de Popper sobre Determinismo, Voluntarismo, Niilismo

Sir Karl Popper, um filósofo de terceira categoria, que beneficiou da boleia que o avião das ciências e dos media lhe concedeu no século XX, é confuso na hierarquização e caracterização das teorias filosóficas :

 

 

 

«Temos agora perante nós uma lista de cinco teorias filosóficas. »

 

«Primeiro, determinismo: o futuro está contido no presente, na medida em que está inteiramente determinado por ele.

 

Segundo, idealismo: o mundo é o meu sonho.

 

Terceiro, irracionalismo: nós temos experiências irracionais ou supra-racionais em que nos experenciamos a nós mesmos como coisas-em-si; obtemos, dessa forma, algum tipo de conhecimento das coisas-em-si.

 

Quarto, voluntarismo: nas nossas próprias volições, conhecemo-nos a nós mesmos como vontades. A coisa-em-si é a vontade.

 

Quinto, niilismo: no nosso tédio, conhecemo-nos a nós mesmos como nadas. A coisa-em-si é o Não-Ser.»

 

»E é quanto basta para a nossa lista. Escolhi os meus exemplos de um modo que me permite dizer relativamente a cada uma destas cinco teorias, e após cuidadosa ponderação, que estou convencido da sua falsidade. Ou, para pôr a questão em termos mais precisos: eu sou, primeiro que tudo, um indeterminista, em segundo lugar um realista, em terceiro um racionalista.» (Karl Popper, Conjecturas e Refutações, Almedina, Pág. 266). 

  

Várias confusões de Popper que afloram neste texto.

 

Uma é a confusão entre fatalismo (o destino está inexoravelmente escrito nas linhas gerais e particulares) e determinismo ou semi fatalismo (nas mesmas circunstâncias, as mesmas causas produzem sempre os mesmos efeitos mas nem tudo está predeterminado, há livre arbítrio humano e algum acaso).

 

A definição de irracionalismo é coxa: há irracionalismo ontológico - o ser entendido como natureza biofísica não é governado por uma razão universal mas por factores de desordem - que difere de irracionalismo gnosiológico cuja definição Popper esboça, equivocamente..

 

A definição de niilismo é unilateral: há niilismo ético, niilismo científico, niilismo ontológico. O niilismo científico, segundo o qual a ciência é nada - e a doutrina conjecturalista de Popper parece ser uma forma disso - não implica que nos conheçamos a nós próprios como nadas, nem que a coisa em si, a realidade incognoscível, seja nada.

 

A definição de voluntarismo é também vaga: há um idealismo voluntarista e um idealismo imaginacionista, mas Popper não se dá conta disto e hierarquiza idealismo e voluntarismo como extrínsecos entre si, como espécies de um mesmo género.

 

Popper é, deveras, fraco na sistematização das ideias e o facto de centenas de milhar de professores de filosofia e filósofos o incensarem no mundo inteiro prova a indigência da filosofia exotérica e mediática, .difundida, paga e editada para a massa popular. Dá vontade de rir o espectáculo mundial de as universidades estarem ocupadas, na área da filosofia, por uma esmagadora maioria de catedráticos e agregados acríticos, meros reprodutores de filósofos que alcançaram a fama.

 

 

www.filosofar.blogs.sapo.pt

 

f.limpo.queiroz@sapo.pt

 

© (Direitos de autor para Francisco Limpo de Faria Queiroz)

 

 

 



publicado por Francisco Limpo Queiroz às 11:24
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